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[Drive] Resgate Inesperado [Natalia; Karen] - Lil - 09-12-2021 Natalia
Saiu do emprego que possuía no Hospital Geral de Cerise de madrugada, no final de seu plantão após cobrir o horário que precisava. Havia atendido ainda uma chamada de emergência no meio do horário de trabalho para atender um outro caso, de seu segundo emprego, mais sigiloso, um caso peculiar de overdose dessa vez. Talvez devesse avisar aquele loiro metido a besta que o produto que ele vendia era para ganhar dinheiro e não para colocar no prato de seus empregados como se fosse farinha de trigo para que batessem um bolo. Estava exausta e sequer se deu ao trabalho de se maquiar para voltar para casa. Só precisava de algo sólido para colocar no estômago e algumas longas horas de sono. Ao menos o trabalho estava feito, e bem feito. Ou ao menos era o que a doutora Arlovskaya imaginava. Estacionou seu veículo na rua de um restaurante, aquele mesmo onde certo dia havia encontrado um de seus pacientes, o tal de Holt, um que possuía uma fixação pelo ex namorado e tinha sérios problemas respiratórios. Caminhou devagar com o salto escuro, a saia preta e justa do trabalho marcando seus quadris e contrastando monocromática com a camisa de botões branca e a corrente dourada que usava no pescoço, combinando com alguns dos anéis nos dedos. O cabelo estava solto e apesar da expressão cansada, mantinha o bom sorriso nos lábios ainda rosados. Não estava assim tão ruim quanto pensava, mas definitivamente apreciaria seu dia de folga após o plantão. Comprou seu jantar e resolveu caminhar até a conveniência mais abaixo na rua para completar seu desejo da folga e adicionar ao menu um pote de sorvete para levar para seu apartamento. Nada melhor que uma boa porção de vanilla em sua folga enquanto assistia alguma porcaria televisiva selecionada por sua colega de aluguel. Já estava voltando para seu veículo enquanto mexia no próprio celular para enviar uma breve mensagem para Emily a fim de informar que logo chegaria com sorvete para ela também. Foi então que começou a notar que não estava sozinha e que mais alguém parecia lhe acompanhar no trajeto. A priori, não pareceu se incomodar, supondo que seria apenas um dos moradores da região, mas o trajeto do sujeito parecia muito semelhante ao seu para ser apenas coincidência. Apertou a sacola de compras em uma das mãos enquanto buscava as chaves da caminhonete na outra, apressando o passo com o salto. “Era só o que me faltava. Esses caras só podem estar de brincadeira!” - pensou, frustrada com a ideia de que poderia ser alguém ligado a qualquer tipo de sujeito ligado aos grupos de gangues ou organizações mafiosas que já poderia ter auxiliado nas últimas semanas. A pior parte era que já começara a notar que não teria tempo para chegar em seu veículo. E queria mesmo fazer uma refeição naquela madrugada. Estava pronta para virar a esquina de onde havia estacionado seu veículo e correr quando notou que o sujeito havia sido mais rápido ao lhe puxar as compras. - …!!! - sequer conseguiu ter um instante para lamentar por sua refeição nas sacolas de compra que agora haviam ido para o chão quando se deu conta do objeto metálico que estava sendo colocado contra sua cintura enquanto o homem lhe pressionava contra a parede da construção cuja esquina havia acabado de virar. Devido ao horário, para seu azar, não parecia ter muitas opções de ajuda ao seu redor. Contudo, apesar do susto e da respiração acelerada, não parecia apavorada pela aproximação brusca do homem. Já havia passado por situações bem piores. - Hey! Me solta, imbecil! Gritou com o homem a fim de surpreendê-lo, mas acabou recebendo um tapa na cara que lhe fez ter a certeza que ficaria com uma marca pelo tom naturalmente rosado, meio pálido, de sua pele. Ouviu ele lhe sussurrar ameaças para que ficasse quieta enquanto ele lhe agarrava a bolsa. O sujeito parecia cheirado e desorientado. Mesmo assim, não parecia ter muitas opções ali, principalmente com aquela lâmina tão próxima de sua cintura. Deixaria que ele levasse sua carteira, dinheiro até que ele pareceu distraído demais em também lhe arrancar os aneis que sentiu a oportunidade para que reagisse, empurrando o homem para que pudesse recuperar sua bolsa e correr finalmente para seu veículo. Não tinha nenhum plano em acabar em um assalto com um viciadinho de merda, mas seu cálculo para agir foi tão errado quanto sua própria noção de espaço pessoal. Assim que fez menção de empurrá-lo, notou a reação assustada e impulsiva do homem como resposta e o ardor que surgia em seu antebraço com a lâmina que lhe rasgava a manga comprida da camisa e perfurava sua carne. - Mas que merda! Seu merda, olha o que você fez--!!! - parou ao se dar conta que ele não parecia sequer se importar mais com o que lhe aconteceria e que, no instante, ele já percebera que lhe manter calada era melhor para que escapasse daquela cilada. Ou talvez ele só quisesse recuperar a faca que ainda estava presa ao seu antebraço. Virou o corpo, impedindo-o de continuar, sentindo de novo ele lhe pressionar contra a parede da construção, rumando com as mãos para o seu pescoço dessa vez. Karen
As caminhadas noturnas em Cerise estavam se tornando frequentes. Não por ter um trabalho complicado por ali, mas especificamente por não ter trabalhos na cidade pequena. Podia circular pelo local sem se preocupar muito com as pessoas ao seu redor, podia até encontrar pessoas específicas e o trabalho que tinha lhe levado até ali não era nada comparado ao que estava acostumado. Mas em todos os episódios em Cerise, acabou se deparando com mais situações complicadas do que esperaria de uma cidadezinha no interior da França. Já tinha esbarrado até mesmo em gente muito perigosa, que só encontraria nos seus trabalhos mais caros e arriscados. E para completar a estranheza daquelas situações, aquela foi mais uma noite em que passava por locais pouco movimentados e esbarrava com alguém em maus lençóis. Daquela vez, não era o estudante sendo importunado por outras pessoas, e em seus dias mais convencionais, teria apenas ignorado a cena e continuado seu trajeto. Mas a pessoa que estava sendo abordada daquela vez era também conhecida, e embora não lhe fosse tão importante, acabou saindo do seu caminho inicial para impedir que o agressor avançasse de novo na mulher, terminando o trabalho mal-feito com uma faca que já tinha feito parte do trabalho ao ferir o braço da médica. Karen precisou apenas de alguns passos longos e um pouco acelerados para alcançar o agressor que estava notavelmente desorientado. Puxou-o pelo ombro e ele não teve tempo de reagir para o soco certeiro que foi bem no meio da cara, com peso suficiente para nocautear o homem que já não estava tão consciente sob o efeito de drogas. Olhou do homem no chão, que gemeu de dor, semi-acordado, para a médica conhecida. - Cliente seu? - apontou para o homem caído no chão. Natalia
Já havia cerrado os olhos com o reflexo de ter o estranho com as mãos em seu pescoço quando se deu conta de que a pressão que estava prestes a ser exercida sobre si foi desvencilhada para o chão. Entreabriu os olhos em uma careta de dor apenas para se dar conta de quem agora se encontrava ali. Queria se sentir aliviada, mas os pelos de sua nuca e sua pele se arrepiaram com a imagem do homem perigoso. Arregalou os olhos em surpresa, recostando-se a construção em um salto assim que o sujeito lhe dirigiu o olhar. Negou com a cabeça veementemente ao ser questionada sobre o outro ser um cliente seu. Baixou o olhar de relance para suas sacolas até sentir a fisgada no músculo do antebraço. Pressionou os lábios, engolindo seco ao erguer o antebraço a sua frente, avaliando a profundidade em que a lâmina havia entrado. - Ahn… ah… - olhou para os lados antes de respirar fundo, puxando a faca do ferimento sem cerimônias. - Argh-hhummm!!! - cerrou os lábios, reclinando-se um pouco para frente com a ardência que o ferimento lhe causava. Por pouco, o machucado não havia atingido seu pulso, contudo, ele precisaria de alguns pontos. Pressionou o ferimento com a mão livre ao jogar a faca na bolsa. - Obrigada. Agradeceu ao gigante perigoso, mas não deu nenhum passo a frente, permanecendo no campo de visão do sujeito enquanto pressionava o machucado com a mão nua. Precisava de alguma toalha ou lenço de verdade para fazer um torniquete ali. Talvez, se conseguisse dirigir chegar em seu carro, pudesse fazer alguma coisa, o problema é que o machucado era justamente no antebraço de sua mão dominante. Karen
A médica pareceu tomar um bom tempo para assimilar que a tinha ajudado. Ou talvez o susto a tivesse deixado desorientada. A primeira resposta foi uma negativa silenciosa, antes dela mesma parecer lembrar do incômodo no braço, que Karen nem tinha notado ainda. Mas ela era a médica e sensato ou não, arrancou a lâmina do braço e estancou o ferimento com a mão livre, o que não era muito eficaz, na verdade. - Vai guardar de lembrança? - falou, apontando para a faca que ela jogou a bolsa, embora ele mesmo estivesse bem acostumado a se livrar de qualquer coisa que tivesse seus rastros. Tirou a jaqueta que usava por cima da camisa básica preta no processo, estendendo a mão para ela, esperando que ela lhe estendesse o braço de volta. - Aqui. Indicou o tecido da própria peça de roupa e não esperou exatamente que ela estendesse o braço, puxando-o em sua direção para envolvê-lo com o tecido grosso que estancaria o sangue um pouco melhor. - Posso dar um jeito nisso. - o comentário foi tão solto na situação que era difícil distinguir se Karen estava se referindo a dar um jeito no agressor, ainda se contorcendo no chão sob o efeito das drogas, ou se poderia dar um jeito no machucado, considerando que não era um médico como ela, mas estava bem acostumado a ferimentos de armas em geral. Natalia
Sequer prestou atenção no comentário do outro sobre a “lembrança”, pois parecia estranho imaginar que ele poderia estar lhe contando uma piada. O quão surreal era imaginar que um homem com aquele, de sangue frio, poderia estar lhe dirigindo a palavra em uma brincadeira casual e justamente enquanto estava machucada? Deveria mesmo estar perdendo sangue rápido demais, pois sequer se deu conta quando o sujeito estava pressionando aquele tecido contra seu corte. Encarou o moreno, arqueando uma sobrancelha ao se dar conta que estava manchando a jaqueta do sujeito com seu próprio sangue. Ao ser puxada pelo braço no processo, não conseguiu evitar a proximidade repentina e, ainda que a força dele não tivesse diminuído, não se sentiu ameaçada a priori diante da ideia de estar próxima demais do sujeito perigoso. Ergueu a mão livre já que o homem parecia preocupado com seu machucado e estendeu o toque para o peito do sujeito, dando-lhe dois breves tapinhas para que se movesse. - Vamos… sair daqui primeiro. - avisou, olhando brevemente para os lados, esperando que mais ninguém estivesse de fato por perto para presenciar aquela cena. Não se preocupou com o drogado que lhe atacara, justamente por imaginar que era muito mais perigoso para ele estar ali após ter recebido um soco do assassino. Respirou fundo e apertou o torniquete improvisado, afastando-se do homem maior para buscar sua própria bolsa. Franziu o cenho ao notar que não conseguia mais manter a pega com a mão do braço machucado e precisou jogar a alça da bolsa sobre a outra mão, correndo-a para seu antebraço. - Se importa em dirigir? - falou mais baixo do que gostaria antes de se voltar na direção de onde havia estacionado sua caminhonete. Não queria ficar ali vulnerável após aquele susto, principalmente na possibilidade de algum segurança ou até mesmo da polícia aparecer e lhe encontrar com os dois homens suspeitos. - Dirige, por favor? - pediu dessa vez mais audível, tentando evitar mover o braço o máximo possível. Karen
Karen não se importou, ou sequer prestou atenção nas reações da médica. Considerando o que tinha acabado de passar, o estado dela era até bom. Inicialmente, não pretendia ajudá-la com o caso, mas já que já tinha se metido e levando em conta o fato de que a médica lhe era bem útil, não se importou em acompanhá-la quando ela disse para saírem dali. Era até uma boa ideia, antes que alguém desse de cara com a situação difícil de explicar. Notou logo a dificuldade dela em segurar a bolsa e pelo tanto que a faca tinha entrado no braço, podia ter até danificado algo. Aquilo sim seria um problema, assim não teria uma boa médica para lhe ajudar com os ferimentos mais graves. Mal ouviu o primeiro pedido dela para que dirigisse, e só quando estavam perto da caminhonete familiar foi que ouviu o reforço no pedido para que dirigisse. Apenas estendeu a mão, esperando que ela lhe entregasse as chaves, para entrar no lado do motorista daquela vez e esperar que a dona do carro se acomodasse no banco do carona. - Para onde? - perguntou, depois de ligar o carro e já saindo do estacionamento antes mesmo da resposta dela. Já que o estado dela parecia grave para uma pessoa que dependia das mãos, a primeira opção de para onde deveria seguir foi bem óbvia. - Hospital? Natalia
Entregou a bolsa onde estavam as chaves para o moreno, deixando que ele remexesse ali para encontrar o item. Estava sem o uso efetivo da mão dominante enquanto que a mão livre buscava vez ou outra remexer o torniquete. Adentrou no veículo e se acomodou no banco do passageiro, sequer perdendo seu tempo em colocar o cinto de segurança que bem sabia pela situação com seu antebraço, não conseguiria. - E dizer o que? Que eu me cortei fazendo o jantar? - respondeu quando ele perguntou sobre o destino ser o Hospital, contudo sendo um tanto mais grossa quanto gostaria. Logo respirou fundo, desviando o olhar antes de completar: - Desculpe. Não é culpa sua. Só… vamos sair daqui e eu posso tentar marcar alguns pontos no corte. Tem material na mala para isso. Explicou ao maior e respirou fundo novamente, a ardência no corte diminuindo um pouco enquanto sentia a ponta de seus dedos da mão dominante adormecerem os nervos, provavelmente devido ao torniquete improvisado. Esperou que o sujeito começasse a dirigir para longe dali para onde ele quisesse, sabia que ele conhecia métodos de ser discreto. Pendeu a cabeça para a janela, pensando em toda a refeição que havia perdido e deixado para trás e como ainda queria algo sólido para colocar no estômago. - Não esperava que aparecesse para me ajudar. Acho que deve ser meu dia de sorte. - declarou, incerta das próprias palavras, pois era difícil conciliar a ideia de “sorte” com a do sujeito perigoso na mesma sentença. - O senhor também está de “férias”? - questionou apenas por odiar o silêncio no veículo enquanto aguardava que chegassem no local escolhido pelo moreno. Karen
Pegou a chave na bolsa dela e nem se importou com cinto de segurança. Talvez ela se preocupasse com aquilo, mas não parecia em condições de colocar o acessório. Já fazia algum tempo que não dirigia um carro, mas a brutalidade na direção era bem semelhante ao resto de seu trabalho, ainda mais com um veículo grande como aquele. Olhou para a loira pelo canto do olho quando ela ironizou a ida para o hospital, mas acabou sorrindo de lado, afinal, era a sua saída para todas as situações em que se machucava também, só não poderia ir para um hospital. - Diga o caminho. - esperou que ela desse as instruções um pouco mais específicas do que apenas "vamos sair daqui", mas seguiu instintivamente na direção da parte antiga da cidade, onde costumava circular e onde esbarrava constantemente com o agente funerário e o resto dos seus problemas. Já estava tão acostumado a ser discreto, que seguiu pelos caminhos menos movimentados e onde chamaria menos atenção de pessoas perigosas ou poderosas. Não que a situação precisasse de tanta discrição, mas a sua resposta era quase automática. Não ouviu indicação de local para ir, mas ela voltou a falar, e sua resposta inicial foi encará-la pelo canto do olho, com um aceno de cabeça muito discreto. - Se você morrer, vai ser difícil arrumar outro médico competente. - respondeu sobre a sorte de tê-la salvado. - Eu não tiro férias. Mas talvez você devesse. - ele indicou o braço dela, dirigindo até os arredores do porto de Cerise, onde chegou mais rápido do que esperava, devido ao pouco movimento noturno. Parou o carro mais para o acostamento, virando-se na direção dela em seguida. - Não disse para onde queria ir. Karen abriu a porta do lado do motorista, saindo do carro com a chave para vasculhar a mala, já que ela tinha dito que ali tinha material para consertar o ferimento. Pegou a maleta para voltar para dentro do carro, sentando-se de novo no banco do motorista e tomando a liberdade de abrir e olhar os materiais esterilizados e novos que havia ali dentro, bem diferente das coisas improvisadas que conseguia numa farmácia qualquer de esquina. Natalia
Bateu a cabeça na janela com o modo de dirigir do moreno e acabou por respirar fundo novamente, apenas para se voltar para o motorista e dar de cara com aquele sorrisinho de lado do homem. Ficou surpresa por alguns instantes, deixando que ele seguisse o caminho após não lhe dar as direções. Até que ele sabia bem pegar trajetos mais discretos e ficar longe da atenção alheia. Só achou curioso o fato de estarem seguindo para uma região próxima de onde o agente fúnebre trabalhava. Riu baixo quando ele disse que seria difícil arrumar outro médico competente. Era engraçado como o homem só conseguia lhe enxergar por sua função, enquanto que a maioria de seus clientes do sexo masculino conseguiam lhe enxergar sob a ótica das duas funções, sendo uma médica e uma mulher. No final, agradecia mentalmente que ele fosse profissional aquele ponto e que não era um aspecto do sujeito com o qual precisava se preocupar. - É o que eu estou tentando fazer. - respondeu baixo quando ele comentou sobre as férias que deveria tirar. Acompanhou o homem com o olhar enquanto ele seguia para sua mala e suspirou pesado ao retornar sua atenção para o espelho retrovisor da caminhonete, fechando os olhos por um momento enquanto se dava ao trabalho se remover os anéis da mão com o antebraço machucado. Esperou que o homem adentrasse no veículo e abrisse a mala em questão, a mesma que usava para tratar de seus pacientes casuais. Virou-se de lado, notando todos os itens ainda bem organizados que havia deixado ali e logo em seguida voltando sua atenção para encarar o sujeito no qual já havia feito uso de algumas daquelas ferramentas. - O senhor sabe como fazer um ponto? - perguntou com um leve tom de retórica, pois era bem óbvio que pelas diversas cicatrizes que lembrava já ter encontrado no corpo do outro, que ele já deveria ter suturado várias vezes a si mesmo. Ergueu o antebraço para si mesma sem remover o torniquete improvisado com a jaqueta agora manchada de sangue. - Preciso limpar isso antes de costurar. - pressionou os lábios por um instante, ciente que aquele processo iria doer. Karen
Havia muito mais coisa dentro da maleta dela que saberia usar. Ainda seria mais fácil pegar uma agulha qualquer e linha para suturar o ferimento e ainda limpar com vodka, que foi a primeira coisa que pensou quando ela disse que precisava limpar o ferimento antes de suturar. Estendeu a mão na direção dela, esperando que ela lhe mostrasse o braço machucado. - Você não vai fazer muita coisa desse jeito. - falou sobre o fato dela, que era a médica, ter que se costurar quando estava com o braço direito machucado e a sensibilidade alterada. Fazer aquilo dentro do carro era normal, o estranho era fazer em outra pessoa e não em si mesmo. Já tinha bagunçado metade da maleta da médica em busca de agulha e linha, uma agulha curvada bem diferente das que estava acostumado a usar e uma linha apropriada para suturas. Pegou álcool depois de revirar uns três frascos com identificações que desconhecia, para pegar o braço dela, segurando-o com o máximo de cuidado que podia - embora fosse naturalmente brusco e forte naquelas situações. Deixou a agulha já com a linha e tirou a jaqueta do caminho para ver o ferimento todo sujo de sangue, difícil até de identificar onde estava aberto. Pegou um rolo de faixa dentro da caixa e estendeu para ela. - Morda. Sem esperar resposta ou autorização, segurou a mão dela com a sua esquerda e abriu o vidro de álcool com a direita, para derramar o líquido sem aviso sobre a ferida aberta, fazendo pingar na sua calça e no banco do carro, para só então pegar uma gaze dentro da caixa e limpar o excesso de sangue e os arredores do corte que era até fundo, mas não tão extenso. Natalia
Já estava se preparando para anunciar onde estaria o que ele precisava usar, mas o homem já parecia ter se colocado confortável o bastante ali para olhar frasco por frasco de seus produtos. Ficou quieta, deixando que ele ficasse à vontade. Na verdade, estava até estranhando o toque alheio em seu antebraço, menos grosseiro daquele que ele usara quando o conhecera. Baixou o olhar por um instante para a blusa manchada de sangue e só teve tempo de erguer a cabeça para receber aquela faixa e ouvir a ordem para morder. - Ahhhh!!! - fechou o punho, sentindo a dor aguda da ardência lhe queimando a carne viva pelo corte. Levou a mão com a faixa até a própria boca, tapando a mesma para não fazer muito mais barulho, os olhos claros se enchendo de lágrimas pela dor que não estava tão habituada assim a suportar. Na verdade, o susto havia lhe deixado mais agitada, o sangue bombeando mais rápido e o peito que subia e descia com a respiração acelerada. Olhou para o braço e o corte cuja carne lhe parecia agora mais vermelha. Sua carne, na verdade. Choramingou baixo, amaldiçoando a existência do maldito drogado que tinha conseguido aquela lâmina muito bem afiada para estragar com seu ganha pão. Abriu a mão, tentando relaxar o músculo para que o moreno conseguisse costurar sem que o sangramento retornasse. Ao menos não estava maquiada, pois tinha certeza que o rosto logo estaria lavado pelas lágrimas que escapavam pela dor do machucado. Há pouco havia se acostumado com o ferimento, mas o choque do álcool lhe queimando a pele e deixando a superfície ardendo e mais sensível lhe despertou de sua temporária tranquilidade. Engoliu em seco, erguendo a mão livre para secar os olhos, descansando a palma sobre a boca ao ter consciência que precisava ficar quieta enquanto ele realizava o procedimento, mas era difícil ignorar a dor. Karen
Karen sentiu o corpo dela todo tensionar diante do álcool no ferimento aberto e ouviu o gemido de dor, além de notar a expressão sofrida da mulher. Não era uma pessoa que gostava particularmente de infligir dor nos outros, mas acabou sorrindo discreto para o esforço da mulher em morder a faixa e tentar abafar as expressões de desconforto. A reação dela, na verdade, fez até com que tivesse mais cuidado ao limpar o ferimento do que teria consigo mesmo, por exemplo. - Nada mal para uma médica. - respondeu, observando-a de lado às lágrimas e choramingos contidos por conta do desconforto. - Ainda vai doer mais. Poderia facilmente ter perguntado se havia algum anestésico na maleta, mas estava tão desacostumado àquilo, que só ignorou. Pegou a agulha e com um pouco mais de cuidado e trato que antes, juntou a pele para poder começar a costurar nós grosseiros, comparados ao bom trabalho que ela costumava fazer por motivos óbvios. O ferimento era fundo porque a lâmina tinha sido enterrada ali, mas não era extenso o suficiente para ter muitos pontos. Em silêncio, continuou até fechar tudo, dando o último nó antes de cortar a linha. - Você deveria ir ao hospital. - avisou, jogando o resto do material de volta na caixa. - Se perder o movimento da mão, vou ter que achar outro médico. Natalia
Rangeu os dentes contra a faixa ao ouvir dele que o processo doeria ainda mais. Sabia daquilo. Era bastante óbvio que sendo uma médica, sabia do que precisava ser feito ali. Segurou mais alguns gemidos de dor enquanto novas lágrimas vertiam pelo rosto. Sua face lateral esquerda estava evidentemente machucada pelo tapa que havia recebido do sujeito drogado. Era uma das desvantagens de ter a pele muito clara, ficava marcada com facilidade com tapas e arranhões, entre outros golpes. Cuspiu a faixa de lado quando ele acabou, respirando pesado com a saliva escorrendo de seus lábios antes que pudesse virar o rosto e limpar a boca na própria manga da camisa agora inutilizada. Aproximou-se da maleta, mexendo em seus objetos já bagunçados para encontrar um spray. Abriu o frasco com dificuldade apenas com uma das mãos e o objeto entre suas coxas para poder aplicar o jato no ferimento, choramingando mais um pouco. - Eu não vou deixar de trabalhar por conta disso, se é o que lhe preocupa. - respondeu mais baixo e irritada pela dor, mas cansada demais pela vontade de chorar. Puxou uma gaze e uma atadura e improvisou o enfaixe do machucado para que não sofresse nenhum susto com os pontos depois. Respirou fundo, realizando o processo devagar, mas pontual ao passar a atadura. Passou a língua pelos lábios, a garganta desejando por água pelo tanto que havia se desidratado no choro. No entanto, buscou os comprimidos em sua maleta e tomou dois deles, engolindo-os prontamente antes de começar a organizar as coisas de volta em seu lugar na maleta novamente. - Quanto é que eu lhe devo? - perguntou sem erguer o olhar da mala para o sujeito que até então até havia sido bem educado e atencioso com sua figura. Para o que esperava dele, o moreno havia até sido surpreendentemente gentil. Karen
Como esperado, ela estava apenas tentando conter a vontade de gritar, enquanto chorava com a dor. Era até estranho estar com alguém sentindo dor do seu lado, já que costumava ser bem eficaz no seu trabalho a ponto de não dar tempo para os outros começarem a chorar e implorar pela vida. A médica não estava acostumada com aquele tipo de ferimento, mas até que resistiu o suficiente até ele terminar o trabalho. E a irritação dela diante da situação era palpável, nada fora do comum. Ela mesma terminou o serviço com a faixa e com o spray cicatrizante, reforçando que não deixaria de trabalhar pelo machucado. - Pode trabalhar convencionalmente. Se perder a sensibilidade dos dedos não vai conseguir continuar suturando bem. - retrucou a irritação da mulher. Ele estava acostumado a ferimentos, inclusive já tinha passado por situações em que suas mãos ficaram impossibilitadas de executar as tarefas, mas no seu caso, não precisava de tanto cuidado com o trabalho. Não voltou a ligar o carro, mas deixou que ela terminasse de enfaixar o braço e tomar os comprimidos para poder decidir aonde iriam dali, ou se ela já estava disposta a dirigir e ele poderia seguir outro caminho. Mas foi pego de surpresa com a pergunta sobre o quanto devia. Olhou-a de lado, pensando por um longo instante como se estivesse mesmo calculando alguma coisa. Só não eram valores. - Não recebo por esse tipo de serviço. - respondeu o que lhe pareceu mais óbvio. Ligou o carro rodando a chave na ignição. - Para onde agora? Ou prefere dirigir? Natalia
Duvidava que um machucado como aquele fosse lhe impedir de suturar bem. Não havia atingido nenhum tendão e, apesar da profundidade, sabia bem que tipo de medicamento tomar para acelerar o processo de cicatrização. A cicatriz, por outro lado, tinha certeza que não ficaria bonita, certamente ficaria bem mais discreta se ela própria suturasse. Ergueu o olhar para o moreno, ouvindo a resposta sobre o pagamento do serviço enquanto terminava de fechar sua maleta. Abriu a boca como se fosse contestá-lo sobre o assunto, mas acabou ficando quieta ao ouvir o motor da própria caminhonete ligando. Acomodou-se em seu assento, pensativa por alguns instantes enquanto ele lhe questionava sobre a direção. O sujeito perigoso havia lhe ajudado e não planejava lhe cobrar nada pelo serviço. - Pode seguir pela rua e virar a direita no final. - indicou o trajeto, negando brevemente com a cabeça sobre dirigir. Colocou a maleta abaixo dos pés e arrumou a jaqueta manchada com seu sangue sobre seu próprio colo, pressionando o tecido entre seus dedos. Poderia ter ligado para a emergência, pedido uma ambulância, certamente não morreria por um corte como aquele. Estava pensativa sobre a ajuda que estava recebendo e as intenções do homem por trás de toda aquela gentileza. Deu as direções para que ele dirigisse para a região onde ficava o tal lugar onde Diodoro lhe levou certa vez para comerem hambúrgueres. - Como vai o machucado? Aquele da outra vez. Deve ter sido um cara com bolas bem grandes para conseguir te acertar. - comentou pela força do hábito em detestar o silêncio e pela própria curiosidade. - Pensei que usasse colete o tempo todo, pelo menos não foi nenhum disparo a queima roupa. - concluiu, baixando o olhar para começar a desabotoar a própria blusa, atenta ao movimento das ruas naquele horário da noite. Karen
Seguiu o trajeto que ela indicou daquela vez, o silêncio se instalando momentaneamente no carro agora que ela já estava devidamente costurada. A deixaria onde ela preferisse e seguiria seu caminho de volta para descansar o resto da noite. Não era o tipo que salvava as pessoas e Natalia sabia muito bem do seu serviço, ela era muito mais alerta a sua presença do que Diodoro, por exemplo, mas de qualquer jeito, não tinha nada contra a mulher, e a não ser que alguém lhe pagasse muito bem para fazer algo, não via motivos para machucá-la. - Hm? - demorou um pouco a lembrar qual o último machucado que ela tinha cuidado, mas com tantos, não se ateve a apenas um deles. - Eu lido com pessoas perigosas o tempo todo, não conto mais os ferimentos. Não uso colete, nunca usei. Considerando o início de carreira conturbado que tivera em sua infância e adolescência, nem poderia ter se dado ao luxo de usar um colete. Na época em que já podia adquiri-los, não fazia mais diferença. Não deu muita atenção ao fato de que ela começou a tirar a roupa ali mesmo, mais focado no caminho ao seguir as instruções dela para chegar numa área mais movimentada da cidade, a despeito do horário, com aquelas lanchonetes de fast food que ficavam abertas até muito tarde. Até chegarem lá, ela já tinha se livrado da roupa com as manchas de sangue excessivas. - Vai ficar aqui? Natalia
Jogou a blusa manchada de sangue no chão do veículo, conferindo se o próprio sutiã havia sido manchado de sangue. Concordou com um breve aceno sobre o lembrete dele sobre nunca ter usado colete antes. Arqueou uma sobrancelha, torcendo os lábios como alguém que imaginava que ele se garantia o bastante para não precisar daquele tipo de proteção, muito seguro do próprio trabalho. Queria poder criticar aquele tipo de segurança cega, mas era do mesmo jeito no que se referia ao seu papel naquele cenário de crimes e submundo. - Eu preciso… - começou, esforçando-se para colocar a mão por trás do banco do motorista, puxando uma sacola de uma marca de roupas cara que costumava consumir. Respirou fundo pelo desconforto no próprio braço ao puxar a sacola para o próprio colo, encontrando dentro dela uma camisa com um golfinho estampado na frente. - Ah… - suspirou, deixando a sacola de lado enquanto se esgueirava pelo tecido para poder vestir a peça que ficava um tanto justa em seu corpo, mas ao menos era um item limpo e não manchado de sangue. - … eu preciso comer alguma coisa. Perdi sangue e acabei de tomar algumas drogas para dor e para cicatrização. Perdi meu jantar lá atrás quando o cara veio me abordar. - suspirou, resignada. - Até meu sorvete. Porcaria. É pedir demais para uma mulher ter um pouco de sorvete depois de jantar? Drogado filho da puta. Explicou ao moreno, entrando em mais detalhes do que realmente precisava. Talvez se sentisse mais à vontade pela ideia que ele não era assim tão grosseiro quanto imaginava que ele poderia ser. Olhou para o retrovisor do veículo para a rua vazia e puxou o coque do cabelo, soltando os fios claros para poder arrumá-los com a mão do braço que não estava machucado. Ficou quieta por alguns segundos antes de voltar sua atenção de novo para o maior. - Pode me acompanhar…? - pediu, receosa pela disposição de seu herói em resgate. Talvez ele já tivesse cumprido as boas ações da semana e precisasse lhe largar de vez ali e voltar para sabe-se lá onde ele deveria estar se hospedando. - Gostaria de conversar sobre nosso “amigo” em comum. - adicionou, esperando que ele entendesse de quem estava falando. Aquele assunto despertava sua preocupação e já que ele estava sendo assim tão prestativo, não custava nada pedir mais uma vez que ele lhe acompanhasse em uma refeição. - Por favor. - terminou, educada, ciente que o sujeito já havia lhe defendido o bastante para lhe dever uma fortuna. Karen
Sabia que ela precisava comer, só não esperava ser a pessoa que a levaria para lá. Imaginou que depois do susto, ela só ia querer descansar. Quando a encarou de volta, ela já estava com uma camisa com golfinho, e pegou a jaqueta que tinha emprestado de volta para que ela enrolasse o braço. Estava manchada de sangue, o que era só uma mancha a mais para a sua roupa, e considerando que ela era escura, não se importava também com o líquido. Só não a vestiu de volta, ouvindo a reclamação dela sobre ter perdido o jantar e o sorvete. Até a encarou de volta, arqueando uma sobrancelha diante da reação apenas esperada. Desligou o carro e tirou a chave da ignição, devolvendo-a à médica antes de sair e deixá-la ter a refeição dela. Mas antes de sair do carro e pensar em se despedir, ela lhe pediu para acompanhá-lo. Teria negado prontamente, mas as estranhas convivências em Cerise ainda lhe fizeram pensar duas vezes, o que foi tempo suficiente para que ela continuasse a conversa sobre querer conversar sobre um "amigo" em comum. - Eu não tenho amigos. - respondeu de um modo tão automático que até ignorou o fato de que ela estava falando do agente funerário. De qualquer modo, teria negado aquilo para qualquer pessoa quantas vezes fosse necessário. Já estava acostumado demais a estar sozinho que ter um "amigo" sempre era uma péssima ideia. A despeito da sua resposta, ela reforçou com um por favor. Não concordou nem discordou, só saiu do carro e fechou a porta, segurando a própria jaqueta num dos braços, e para a surpresa da médica - talvez a sua própria -, esperou que ela descesse também para acompanhá-la no lanche. Natalia
Recebeu a chave e guardou em sua bolsa, acompanhando o homem com o olhar, esperando que ele apenas lhe ignorasse após a sentença sobre não ter amigos. Discordava daquilo, justamente pelo fato de não imaginar que Diodoro pensava o mesmo sobre ele. Talvez ele não visse o moreno como um amigo, mas o gente fúnebre certamente considerava a existência do homem importante ou não colocaria a vida dele em risco se metendo com aquele sujeito. Já estava pronta para seguir seu rumo para a lanchonete quando se deu conta que o moreno não havia partido e estava consigo. Virou de lado, observando o mais alto em silêncio durante alguns instantes, intrigada pela presença dele ali. Contudo, nada disse, escolhendo seguir adiante para escolher uma mesa e se acomodar, deixando a bolsa na cadeira ao lado. Esperou que o sujeito maior escolhesse um lugar onde se acomodar antes de erguer a mão, acompanhando o menino que já trabalhava ali se aproximar da mesa. Pediu dois hambúrgueres da casa com refrigerante e os molhos que havia experimentado quando fora com Diodoro ali. Pediu duas porções e logo em seguida observou o sujeito que lhe acompanhava, esboçando um sorriso casual. Não imaginava que ele fosse apenas ficar aí e lhe assistir comer, mas apreciar um lanche simples não custava nada para o sujeito. - Não se preocupe, eu sei cuidar de casos de envenenamento também. E o máximo que a comida aqui pode lhe causar é algumas artérias entupidas. - comentou mais baixo após o menino sair com os pedidos anotados. Ficou em silêncio durante alguns minutos, observando os itens sobre a mesa enquanto descansava o antebraço machucado sobre a mesa. Ergueu o olhar, encarando o sujeito perigoso, refletindo sobre as motivações dele em lhe acompanhar. - Não imaginava que fosse encontrá-lo daquela vez, ainda mais depois dele ter me ligado. Ele estava bem nervoso, você sabe? - comentou, continuando a observar o sujeito, o cotovelo do braço saudável apoiado na mesa enquanto o queixo descansava na mão. - Que cidade esquisita para nos encontrarmos com tanta frequência, não é mesmo? - comentou em tom de brincadeira. Karen
Não estava acostumado a muitas surpresas que Cerise tinha lhe trazido e seguir com a médica para uma lanchonete se acomodar casualmente em uma das mesas para comer era outra surpresa estranha. Esperou que ela se sentasse e sentou na cadeira diante da dela, franzindo o cenho para o local apertado onde teve que afastar a cadeira uma boa distância da mesa para que as pernas coubessem ali. A jaqueta, suja de sangue, estava agora em sua perna, e quando o atendente avistou os dois, até hesitou antes de ir pegar o pedido. Karen apenas o olhou de lado e embora não estivesse ameaçando a vida dele, o rapaz apenas concordou com as instruções de Natalia para voltar ao balcão. - Bom saber. - respondeu, especificamente sobre ela saber cuidar de envenenamento, já que só a tinha contratado para cuidar de ferimentos de bala e de faca. Claro que ser envenenado era bem difícil, já que dificilmente comia nos mesmos lugares ou na companhia de alguém. Não puxou conversa, não se incomodava com o silêncio e imaginou que ela queria sua companhia mais por causa do choque anterior do que pura e simplesmente por assuntos em comum... já que ela tinha especificado o agente funerário como um possível tema para uma conversa dos dois. - Ele é exagerado. - respondeu apenas sobre a reação nervosa de Diodoro, mesmo que fosse uma reação apenas esperada de alguém que se deparava com um ferimento de bala como o que tivera naquele dia. Mas o comentário dela sobre a cidade não poderia estar mais certo. Se já era estranho que ele estivesse ali... por que é que ela estava? - O que está fazendo aqui? O ramo de atuação de Natalia era bem específico. Ou ela estava fugindo dos clientes perigosos que já tinha arrumado, ou estava na verdade num local ainda mais perigoso e não sabia. Bom, tinha encontrado algumas pessoas peculiares na cidade, ironicamente. Natalia
Sorriu um tanto sem graça por notar o desconforto dele com um espaço pequeno para sentar. Um homem do tamanho dele certamente tinha problemas em se encaixar em espaços muito pequenos. Imaginava que tipo de companhia aérea ele usava quando precisava fazer viagens entre continentes. Concordou com um aceno positivo conformado quando o sujeito opinou sobre Diodoro ser “exagerado”. Diria que o exagero dele está na preocupação que possuía com algumas pessoas - muitas vezes uma preocupação mais exagerada que consigo mesmo. - Eu estou “de férias”. - respondeu automaticamente, pois era a resposta chave para a pergunta em questão. Porém, logo depois baixou o olhar para os itens sobre a mesa, começando a mexer nos saquinhos de palitinhos. - Ao menos essa era a minha intenção vindo para cá. - completou, suspirando nostálgica e frustrada ao se recordar de todos os pacientes que já atendera desde então. Ergueu o olhar, encarando o sujeito de ar naturalmente sério. Era bastante curioso encontrar-se com ele naquele cenário, a julgar que há algum tempo, não muito, havia oferecido a ele a oportunidade de lhe pagar por um trabalho com uma saída como aquela, para comer e conversar. No final das contas, não havia feito trabalho nenhum e ele estava ali, logo após lhe ajudar. Talvez algo tivesse mudado, algo relacionado a todo o problema dele com o agente fúnebre e aquela tarde que havia passado no hospital tentando resolver o problema causado pela constrição do pescoço de um certo indivíduo. - Na verdade, eu estava mais receosa de permanecer nessa cidade após nosso primeiro encontro aqui. - admitiu, mais honesta do que deveria com um sujeito como aquele. Sabia que ele era perigoso, mas não se sentia ameaçada em particular dentro da situação em questão. - Sei que tanto quanto eu, é dedicado ao seu trabalho. Eu não me lembro a última vez que passei uma semana sem precisar “trabalhar”. Mas eu acredito que a gente se acostuma, não é mesmo? - riu baixo, deixando o assunto de lado ao notar a aproximação do garoto com o pedido duplo de hambúrgueres, servindo a ambos em silêncio antes de se retirar para perto da cozinha. Karen
Não havia muito o que fazer ali além de ficar encarando a mulher constantemente enquanto ela buscava assuntos sobre o que falar. Até mesmo conversar era algo difícil de fazer de um jeito convencional, embora conseguisse fazer aquilo relativamente bem com o rapaz de St. Clavier, por exemplo. Mas teve uma expressão de surpresa quando ela falou sobre estar de férias, afinal, ainda assim tinha lhe prestado os mesmos serviços de sempre. - Não parece estar de férias. Não sabia se ela estava prestando serviço a mais alguém naquela cidade tão pequena, mas imaginou que qualquer buraco teria seus problemas, por mais escondidos que fossem. Também não foi surpresa que ela não quisesse continuar no local por ter lhe encontrado da primeira vez ali, só não sabia se era pela sua presença apenas ou pelo fato de que ele representava um lugar perigoso onde havia pessoas para caçar e matar. O que não era o caso de Cerise, até. - Não se preocupe. Se me contratarem para matá-la, eu lhe dou um dia de vantagem para fugir. - o comentário saiu de um modo muito natural e ainda assim sério, que reforçaria em Natalia o fato de que ele poderia fazer aquilo muito facilmente. Mesmo que sua intenção fosse fazer algum comentário mais descontraído, não teria alguém para acreditar em descontração conversando com ele. Deu de ombros sobre trabalhar a vida inteira. Não sabia muito o que era diversão e nem tinha o que fazer em seu tempo "livre" que não fosse manter a cabeça inteira. O atendente trouxe os lanches incrivelmente rápido e depois, afastou-se na direção da cozinha com a mesma velocidade que veio, desconfiado da dupla estranha que tinha chegado àquela hora da noite. - Eu posso passar meses sem trabalhar. Depende dos clientes. - adicionou, sem se servir, apenas encarando a comida e a médica em seguida. Natalia
Manteve o sorriso nos lábios, concordando com um aceno positivo da cabeça sobre não parecer estar de férias. Todavia, quando ele lhe ofereceu lhe dar um dia de vantagem para fuga no caso de alguém lhe contratar para matá-la lhe colocou em choque. Piscou algumas vezes, encarando o homem enquanto o hambúrguer era servido. Abriu a boca para dizer algo, mas voltou a fechá-la, processando a informação em silêncio. Ele estava mesmo falando sério? Bem, deveria mesmo passar por sua cabeça que por estar ligada com aquele submundo que mais cedo ou mais tarde alguém teria bolas para contratar alguém tão caro quanto ele para lhe dar um fim. Contudo, a ideia de morrer nem sequer passava por sua cabeça. - Engraçado me falar isso como se fosse fazer alguma diferença. - riu nervosa diante da sentença anterior dele, ignorando a seguinte sobre ele não trabalhar e os clientes. Sequer conseguiu agradecer ao rapaz que trouxe os hambúrgueres pelo choque daquela informação dita de uma forma tão direta como se ele estivesse apenas declarando que iria lhe cobrar o aluguel ou outro tipo de procura que oferece um atentado menor a sua vida. - Eu não gosto de pensar sobre isso, para ser sincera, se eu fosse considerar todas as oportunidades que já tive de ser morta, eu já teria pulado fora desse tipo de serviço. - riu de novo, dando de ombros e desviando o olhar para sua porção de carne enquanto tentava desembrulhar o mesmo com a mão do braço funcional. - Como se alguém pudesse sair dessa vida quando quisesse. Segurou o hambúrguer com apenas a mão não dominante, inclinando a cabeça para poder alcançar uma mordida no pão com a carne e outros alimentos, tentando, sem sucesso, não perder nada do recheio na mordida. Mastigou em silêncio, o molho da carne manchando os cantos de sua boca enquanto buscava parte da rodela de cebola e de tomate que havia escorregado para o prato. Pegou as duas com os dedos e trouxe até a boca, saboreando seu jantar com mais animação. - Hm. Esses aqui são os molhos. - avisou após engolir boa parte do que mastigava. - Eu recomendo experimentar o de azeitonas, mas os outros também são gostosos. - explicou, fazendo o favor de apresentar os acompanhamentos do hambúrguer tal como o agente fúnebre havia lhe informado. Ergueu o olhar para o moreno a sua frente, esperando que ele aproveitasse também do outro hambúrguer que havia pedido, o mesmo tipo que o seu. - Hm. Quer comer do meu? - virou seu hambúrguer para o maior, tentando segurar o pão no lugar com a mão não dominante. - Eu já mordi, se tiver algum efeito colateral, só pode surgir agora na forma de uma dor de barriga mais tarde. - brincou, mais descontraída pela comida em si, ou talvez a ideia daquele lugar ter lhe sido apresentado pelo agente fúnebre lhe passasse alguma segurança que as pessoas ali não poderiam ser perigosas como aquelas às quais estava acostumada nos bares e boates da parte baixa da cidade. Karen
Não respondeu diretamente se faria alguma diferença para ela conseguir ter um dia de vantagem de fuga. Já tinha perdido alguns alvos em sua carreira, mas ultimamente, tinha conseguido lidar com a maior parte deles. Continuou sem se servir, notando que os atendentes distantes continuavam observando de modo cauteloso e curioso. Voltou a atenção para Natalia com aquele comentário sobre sair daquele tipo de serviço e quase riu da ideia dela. Mas ela mesma completou o comentário sobre não poder sair daquela vida quando quisesse. Aquilo era bem verdade. - Você pode sempre encomendar sua morte. É o jeito mais rápido de 'sair'. A ideia era forjar a própria morte, mas propositalmente deixou o comentário avulso para que ela entendesse ainda que estava pronto a matá-la também. Ela começou a comer daquele jeito desajeitado por causa de um dos braços imobilizados, ainda assim, ficou só assistindo até ela lhe oferecer, como se estivesse com receio de ser envenenado. - Não. - negou o que ela tinha oferecido. - Por que eu me preocuparia? Você também sabe lidar com envenenamentos, não é? Só depois que ela já estava quase na metade do lanche foi que pegou o seu, comendo em mordidas bem maiores e mais rápido que ela também, a ponto de conseguir terminar o lanche antes dela mesma. Natalia
Parou de mastigar quando se deu conta de que ele iria de fato comer o outro hambúrguer que havia pedido. Encarou a figura do homem à sua frente se servindo do pão com carne e outros recheios, dando mordidas generosas e comendo mais rápido que sua figura. Fez uma pausa, levando o polegar até a própria boca, limpando o canto dos lábios antes de morder o próprio dedo enquanto acompanhava o moreno se alimentar. Sorriu diante daquela cena. Gostava de sair para comer acompanhada, mas nunca imaginaria que algum dia poderia ter uma refeição agradável com um sujeito como aquele, cujo nome sequer era do seu conhecimento. - Você come rápido. Quer mais um? Eu posso pedir se quiser. - ofereceu, voltando a dar atenção para seu próprio hambúrguer, envergonhando o que Diodoro havia lhe ensinado sobre aquele lugar e terminando por desmontar o hambúrguer em mãos, comendo cada um dos itens com a mão útil, usando do molho sem nenhum receio pelo sabor adicionado que lhe satisfazia. - Queria dizer que sou menos desorganizada, mas até com as duas mãos eu consigo estragar isso. Admitiu de forma casual, terminando seu hambúrguer em alguns instantes para dar atenção ao seu refrigerante, mas sem antes lembrar de limpar a mão com os guardanapos sobre a mesa. - Hmm. - sorriu de novo com a lembrança recente do sujeito se alimentando. - Sabe, você não é tão assustador quando está comendo. E pensar que eu te pedi isso aqui como pagamento uma vez. - olhou ao próprio redor, fazendo uma careta ao encostar no próprio antebraço enfaixado, mas terminou rindo. - Se eu soubesse que precisava que tentassem me atacar para isso, teria conseguido sair com você antes. - riu, descontraída, sequer parecendo atordoada com a ideia de que a perda de sangue ou o não resgate do moreno poderia ter lhe levado para uma situação muito pior. Karen
Apenas negou com a cabeça quando ela lhe ofereceu mais comida, embora comesse mais do que aquilo, não era como se estivesse acostumado a comer acompanhado. Continuou observando-a em silêncio apenas pela distração, já devia ter ido embora àquela altura, mas se pegou mais interessado na companhia do que geralmente estaria. Talvez a convivência com o agente funerário e o aluno de St. Clavier o tivessem deixado bem mais suscetível a ouvir a voz de outra pessoa de vez em quando - que não fosse em gritos de desespero e choros. Encontrou lugar para as mãos nos bolsos da calça enquanto ela falava sobre não ser assustador demais quando estava comendo. Também não fazia ideia do que ela estava dizendo sobre ter pedido aquilo como pagamento alguma vez, certamente lembraria se alguém tivesse lhe oferecido comer para pagar por algum serviço. - Eu não sou assustador. - o comentário saiu num tom tão neutro que até parecia estar falando a verdade. Sua ironia certamente não seria notada por Natalia e ele não se esforçou para que o tom fosse óbvio, afinal, seu porte, seu rosto, suas cicatrizes e a expressão constantemente fechada eram uma óbvia amostra de que ele era assustador. - E você provavelmente não terá tanta sorte da próxima vez. - ele completou, sobre o fato dela ter sido atacada, e ele estar passando na hora, que tinha sido, com certeza, um enorme e convenientemente acaso. Aproveitou as mãos nos bolsos e tirou uma nota alta de lá, deixando-a sobre a mesa para pagar pelos lanches com algum troco ainda, mas nem fez questão de chamar o rapaz. - Ainda precisa de ajuda com a direção? - perguntou, a fim de encerrar a noite por ali mesmo. - Ou com algum cliente específico? Não entrou em detalhes, mas ela sabia do que ele estava falando ao se referir a "clientes". Era o seu trabalho, afinal de contas. Natalia
Quase engasgou com o refrigerante quando ele declarou tão sério e seguro que não era assustador. Temia que se ele pudesse se encarar no espelho e ver a si mesmo como os outros conseguiam enxergá-lo, se ele pensaria da mesma forma. Pressionou os lábios no canudo do refrigerante quando ele lhe advertiu que da próxima vez não teria tanta sorte assim. Encarou a nota alta sobre a mesa e arqueou uma sobrancelha, estranhando a atitude do sujeito. Além de cuidar de sua figura, lhe defender, lhe dar uma carona, ele ainda estava pagando pela comida? Puxou a cadeira com o movimento dos quadris, projetando-se para frente atenciosa à postura do maior, lhe oferecendo serviços para algum cliente em específico. Sorriu com o canto dos lábios, como se tivesse notado alguma coisa distinta ali. Riu baixo, voltando a boca para o próprio refrigerante, terminando de sugar toda a bebida até que o barulho de bolhas pelo canudo se fizesse sonoro. - Está apaixonado por mim, por acaso? - brincou, sem perder o sorriso nos lábios do rosto ainda marcado pelo tapa que havia levado. - Já me ajudou o bastante e ainda vai pagar pela comida? Eu nem sei o seu nome, mas está me saindo um verdadeiro cavalheiro. Desse jeito, eu vou desejar encontrá-lo mais vezes por aí, senhor. Declarou sobre o que não era de todo uma provocação. Ele estava verdadeiramente lhe sendo bastante gentil. Chamou pelo garoto com um aceno para que ele pudesse fechar a conta de devolver o troco ao moreno mais alto. Acomodou-se melhor em seu assento enquanto aguardava, apoiando o próprio antebraço de volta na mesa e abafando um bocejo pela barriga estar cheia e o efeito do medicamento com a comida no estômago lhe deixar um tanto zonza. - Só uma carona para casa é o bastante. Ou eu vou precisar chamar um táxi para me levar, porque juro que vou cochilar no caminho. - respirou fundo, fechando os olhos por um instante, mais lenta pela droga para dor e o sentimento de estar saciada pelo alimento ingerido. Karen
Não se importou muito com a inclinação dela sobre a mesa, até ouvir aquela pergunta se estava apaixonado por ela. Arqueou as sobrancelhas, perguntando-se se aquela era uma pergunta séria ou não, o que lhe levou a imaginar também que estava sendo mais amigável que de costume. Não era como se fosse uma pessoa que se relacionava com facilidade com aquelas pessoas com quem "trabalhava". - Não. - respondeu prontamente sobre estar apaixonado pela mulher, até ela especificar a dúvida por conta de tudo que tinha feito ali para ajudá-la. - Estou de bom humor. Não se acostume. Não era uma mentira, embora os últimos acontecimentos tivessem lhe deixado bem perturbado, outras coisas tinham acontecido para tornar seus dias mais tranquilos, inclusive ter pessoas com quem conversar casualmente que não fossem antigos parceiros de trabalho ou potenciais clientes. Logo o atendente veio buscar o pagamento e deixar o troco, e ele se adiantou para levantar quando ela disse que ainda precisava de uma carona para casa. Segurou a jaqueta numa das mãos de novo e apenas a esperou para voltar até o carro e deixá-la no caminho. - Para onde? Natalia
Teve vontade de rir quando ele disse que estava de bom humor e para que não se acostumasse. Estava se julgando com sorte deveras por ter justamente se deparado com ele naquelas condições. Arrumou a postura e se levantou para pegar a própria bolsa e segurar o antebraço machucado enquanto demorava poucos instantes para se acostumar a sensação grogue de estar sobre o efeito de remédios. Caminhou seguindo o moreno até o lado de fora, buscando sua caminhonete com o olhar até adentrar na mesma pelo passageiro, demorando a se acomodar no assento e fechar a porta sem a mão predominante. Sorriu com a pergunta dele sobre para onde iriam e passou a dar as coordenadas, instruindo apenas sobre as direções que ele deveria tomar seguindo o mapa mental da cidade em sua cabeça para que não precisassem topar com nenhuma patrulha policial no caminho. O prédio em que vivia possuía uma das saídas de emergência dele voltadas para um beco, um tipo de galeria silenciosa que apreciava por viver entre o distrito residencial e o comercial. Indicou que o homem estacionasse ali e sorriu, acomodada em seu assento, satisfeita por ter se alimentado bem enquanto as drogas do remédio lhe davam uma sensação de dormência momentânea que tornava seus reflexos mais lentos. - Obrigada por me ajudar… hoje… - agradeceu, segurando um bocejo antes de passar a mão pelos fios claros, pronta para descer do veículo. - Quando precisar de mim, é só me ligar. Fico te devendo por essa. - avisou, achando justa a compensação. Sorriu para o maior antes de deixar o veículo e buscar suas chaves na própria bolsa. Fez uma pausa, encarando o sujeito por alguns instantes enquanto ele também deixava o veículo. Riu baixo antes de se aproximar para pegar as chaves do veículo antes dele trancar o mesmo. - Agora já sabe onde eu estou. Pode vir me matar quando te contratarem para isso. - suspirou, cansada, afastando-se para seguir para seu apartamento. - Ou venha quando precisar de atendimento! Use a saída de emergência, ok? - acenou, despedindo-se finalmente. Karen
Ele seguiu as indicações de caminho da mulher ao longo da cidade bem conhecida, mas não imaginou que ela lhe levaria, de fato, até a própria casa. Devia ser um péssimo senso de sobrevivência para mostrar tão facilmente onde vivia para uma pessoa com um histórico como o dele. Parou o carro próximo às saídas de emergência do local onde ela morava, no distrito residencial, àquela hora, não havia o menor movimento comparado às áreas mais perigosas da cidade. Desceu do veículo depois de ouvir o agradecimento, sem responder de imediato. Deixou que ela descesse também para dar a volta até estar numa distância suficiente para que ele lhe entregasse as chaves do carro. - Não deveria confiar tão fácil em pessoas que você sabe que são perigosas. - estendeu as chaves. - Tem sorte que me é muito útil. Ela pegou a chave para seguir na direção da entrada do apartamento, mas apenas a encarou de lado, observando o local cujo caminho tinha decorado com facilidade. - Eu encontro meus alvos com facilidade. - adicionou, dando a volta para sair do local andando, ainda imaginando até onde caminharia naquela madrugada para passar a noite. Talvez voltasse para um novo apartamento interessante de outra pessoa ingênua. Devia haver algo de errado com aquela cidade, tão diferente do que já havia visitado. [thread encerrada] |