![]() |
|
[Drive] Jantando com o Inimigo [Vivien; Kyle] - Printable Version +- Academia St. Clavier (http://academiastclavier.com.br) +-- Forum: Registro (http://academiastclavier.com.br/forumdisplay.php?fid=7) +--- Forum: Lixeira (http://academiastclavier.com.br/forumdisplay.php?fid=92) +--- Thread: [Drive] Jantando com o Inimigo [Vivien; Kyle] (/showthread.php?tid=186) |
[Drive] Jantando com o Inimigo [Vivien; Kyle] - Lil - 09-17-2021 Kyle
Dezoito dias. Aquele era o tempo exato desde que tinha encontrado pessoalmente com Dimitri e a sua ansiedade aumentava na expectativa de encontrá-lo diretamente de novo. Mas até então, mesmo numa cidade tão pequena, era algo que dispendia trabalho e algumas mortes no caminho que seriam apenas chatas. Era tão melhor ir preparando o terreno, as pessoas, as situações, tão cuidadoso quanto Dimitri merecia de sua dedicação. E era por aquele motivo que estava preparando presentes perfeitos para ele: as rosas que contavam os meses desde o último encontro, o olho de uma pessoa que estava na mesma posição social e profissional que Dimitri, os restos do jogo que estava começando a jogar com um dos pacientes dele e agora, os olhos que eram bem preciosos por mostrarem a linha bem tênue entre o tratamento que o psiquiatra proporcionava e a sua influência direta sobre pessoas que passavam pela mesma situação que ele, três anos atrás, sob o mesmo tratamento. Como sempre, enviou mensagens, esperou respostas, observou a situação e sabia que Dimitri estava bem perto de voltar e perceber que ele era o único com quem poderia estar. Precisava dele tanto quanto ele precisava de você. Mas em meio a toda a observação, não estava nada satisfeito que, mais uma vez, Dimitri estivesse cansado o suficiente a ponto de não ir trabalhar no dia seguinte ao seu presente. De novo, era trabalho demais, pacientes demais, e Dimitri não era o tipo que faltava ao trabalho por qualquer motivo. Ele devia estar cansado, ou doente. E aquilo também era uma coisa que lhe deixava bem insatisfeito e impaciente. Exatamente pelo fato de ser incapaz de acompanhar os passos do loiro no caminho ao trabalho ou de volta, que ele fez um caminho diferente naquele dia inteiro. Se não podia observar Dimitri, podia observar, de novo a pessoa responsável pelo cansaço dele, claro. Foi com aquele pensamento bem impaciente em mente que acompanhou a rotina do diretor de St. Clavier, até ele encontrar com a esposa num restaurante bem próximo da área mais movimentada de Cerise, na praia, e passar longos minutos discutindo qualquer assunto massante até que tivesse uma oportunidade de falar a sós com o homem. Comparado à primeira vez em que tinha encontrado com Vivien St. Clavier, Kyle estava consideravelmente diferente. Os cabelos estavam escuros e curtos e as roupas que eram brancas estavam mais escuras também. Não estava com as luvas, mas as mãos estavam constantemente dentro dos bolsos, exceto quando precisou trancar uma certa porta e quando puxou a cadeira para se sentar no lugar que tinha sido ocupado por Louise D’Aramitz apenas três minutos atrás. Ele usava óculos de grau falsos que ajudavam a disfarçar o tampão no olho cicatrizado. Ao se sentar, a mão que estava antes no bolso puxou uma arma que estava no cós da calça e posicionou sobre a perna debaixo da mesa, onde sabia que podia ficar bem escondida e encarou Vivien diretamente através da lente falsa do óculos. - Há quanto tempo, Sr. St. Clavier. Como vão as coisas com sua adorável esposa? Espero que não se importe a intromissão, mas eu precisava tratar de assuntos particulares com o senhor e… dei um jeito de não sermos interrompidos. - falou, sorrindo brevemente para Vivien. Vivien
Estava exausto. Sabia que tinham pessoas em condições ainda piores que as suas, mas certamente precisava tirar a cabeça daquela confusão toda, nem que fosse por um instante. E com Leona Blanche lhe dando um alerta sobre possíveis mensagens de Kyle em breve, não apenas para Aleksei, começava a ficar difícil se desvencilhar dos sentimentos ruins. Aparentemente estavam em uma fase de investigação em que acreditavam que Kyle poderia retaliar em pessoas próximas. Avisou isso para Louise, afinal, se ela estava ao seu lado, estava enterrada até o pescoço naquela situação. Não tinha recebido nenhuma mensagem, e esperava que continuasse assim. Para não se isolar em seu apartamento, tomando cuidado para escolher um local movimentado e que frequentava regularmente, decidiu espairecer convidando Louise para jantar fora, afinal, ainda tinha que manter as aparências mesmo diante do caso todo. Conversou com a mulher por longos minutos, sobre coisas banais, e cumprimentou outros moradores que tinham seu certo grau de importância e que também eram frequentadores do restaurante. Em algum momento de um jantar que parecia muito tranquilo, Louise saiu para ir ao toalete, e quando voltou, ao invés da morena, assistiu silenciosamente enquanto um homem estranho de cabelos escuros e óculos sentou à mesa. Ou melhor, não lhe era estranho, a despeito da aparência, e nem seria, mesmo que já não soubesse qual o rosto dele, mesmo disfarçado. Um arrepio percorreu todo seu corpo enquanto assistia, sem poder reagir bruscamente, ele sentar à mesa, a sua frente. A mão, que poderia ficar em cima da mesa, se disfarçava embaixo da toalha, e pode ver de relance a arma que ele agora deveria ter apontada para si. Fechou os olhos por dois segundos, congelado, tentando retomar o controle de si mesmo e pensar em como seria o modo de agir que lhe prejudicaria menos. Afinal, estava em um lugar público, e Kyle provavelmente estava se lixando para isso se tinha aparecido ali assim mesmo. As palavras dele trouxeram a lembrança Louise, que ainda não tinha retornado, e foi impossível disfarçar a palidez de seu rosto pelo modo como ele tinha implicado que ele também deveria ter ido até dela, de algum modo. - O que fez com Louise? – olhou Kyle diretamente, a voz trêmula embora a intenção fosse direta o suficiente para que não gaguejasse. Queria evitar encará-lo, porque não sabia exatamente se sentia mais medo ou ódio quando olhava para ele, mas era impossível, com as luzes bem acesas no local, e garçons passando quase o tempo todo. Seria estranho se não olhasse para ele. Ou talvez fosse até melhor para si, para que alguém notasse que tinha algo estranho acontecendo ali. Só que primeiro precisava saber se ele não tinha machucado a mulher. Kyle
A reação do homem a sua frente era quase refrescante, lhe levava a algumas situações de anos atrás quando estava fora do país, e outras quando estava dando conta de todas as pessoas que tinham cansado Dimitri demais. A reação dele foi apenas esperada ao perguntar sobre a esposa mas aquela sensação de impotência e o medo de descobrir o que tinha acontecido com alguém próximo... era algo com o que Kyle estava acostumado, em ver nos outros, ao menos. Ele, certamente, nunca deixava seu alvo de interesse fora de seu olhar. - Nada de muito interessante. Como eu disse, só não queria que fôssemos interrompidos. - ele reforçou e o seu tom parecia bem mais urgente do que da última vez em que tinham se encontrado, embora ele tentasse manter a calma. Não era tanto impaciência quanto a excitação com as coisas que caminhavam do jeito que queria. Pegou a taça de vinho que sabia ser da esposa que tinha saído para o banheiro e rodou-a na mão livre, aproximando-o da boca, mas sem realmente beber, devolvendo a taça para a mesa. - Hm. Não tem um gosto muito bom para vinhos, Sr. St. Clavier. Anda escolhendo sua bebida com o mesmo cuidado que despende aos seus funcionários? - ele comentou, recostando-se à cadeira muito confortável como se não fosse uma pessoa procurada e com a cara rodando os noticiários da cidade. - Por que eu estou começando a perceber que o senhor gosta de ser bem displicente no trabalho, hm? Ele voltou a se inclinar para frente, uma mão ainda bem parada sobre a perna com a arma debaixo da mesa enquanto o outro braço apoiava o cotovelo na mesa para encurtar a distância e encarar Vivien mais de perto. Ele bateu algumas vezes com a ponta do indicador na superfície da mesa, mantendo um ritmo curto ao entrar no novo assunto. - Agora, eu acredito que o senhor lembre da conversa que tivemos alguns dias atrás, no seu apartamento, sobre o seu funcionário, Dr. Aleksei Vlahos, não é? - ele sugeriu, incisivo, quase sem piscar o olhar. - Por favor, me recorde... o que. nós. tínhamos. decidido? Vivien
O fato dele dizer que só queria que ela não interrompesse a conversa fez seu coração bater forte, embora um pouco mais aliviado. Afinal, ele pareceu relevar o caso da morena como se não tivesse interesse. Tinha mais esperanças que ela estivesse bem depois disso, embora talvez estivesse tentando se agarrar a lógicas que só funcionavam em sua própria mente. Era incapaz de prever um psicopata como Kyle. Mas tinha que dar o braço a torcer a Oficial Blanche pela dedução de que ele apareceria em breve. O loiro parecia agitado, quase eufórico. E apesar de lembrar vividamente da última visita dele a sua pessoa, agora sentia que ele estava muito menos paciente em cada movimento. Até o jeito dele tentar lhe provocar com a taça de vinho parecia inquieto. A última coisa com que estava preocupado era seu gosto para vinhos naquele momento. E bem sabia que a de Kyle também não era. Como queria que ele só acabasse logo com aquela conversa fiada. Sequer respondeu as provocações. Saber que tinha uma arma apontada para si por um homem que sequer precisava piscar para lhe matar lhe dava um pouco de prudência. Engoliu em seco a medida que ele pareceu começar a chegar no ponto que realmente queria chegar, que transmitia naquela autoconfiança perturbadora e impaciência, com o som ritmado do dedo batendo na mesa. Aquilo lhe pareceu ser muito mais alto do que o ambiente inteiro por um instante. E então, retornaram a conversa em seu apartamento. Sabia disso. Temia por isso. - Q-Que eu deveria incentivar o Dr. Vlahos a cumprir uma carga horária menor de trabalho... – respondeu com um pouco de hesitação inicial, já não tendo certeza se tinha sido esse o pedido, ou se tinha sido seu fingimento, tentando sobreviver àquela noite, e concordando com as palavras daquele maníaco. Kyle
As reações do diretor eram apenas o que esperava de uma pessoa que estivesse em sua mira. E aquilo lhe deixava satisfeito, aquela sensação de medo latente e de saber que podia morrer a qualquer minuto. Era exatamente por isso que Dimitri se destacava em sua mente, pelo fato de que embora tivesse imposto aquele mesmo tipo de atitude algumas vezes na sala do consultório, ele não tinha titubeado nem uma vez. A lembrança lhe fez alargar um pouco o sorriso de satisfação, mas a resposta que veio de Vivien St. Clavier lhe trouxe de volta ao momento em que estavam e ao ponto pelo qual tinha resolvido ir conversar com ele de novo. Kyle sorriu com os lábios fechados e os dedos que batiam na mesa ritmados cessaram, as unhas curtas pressionando a superfície da mesa com certa força até as unhas ficarem um pouco brancas. Não desviou o olhar um instante sequer do francês, até inclinando-se de leve na direção dele de novo. - Que bom que tem uma boa memória, Sr. St. Clavier. Eu não gosto de me repetir. - respondeu, soprando o ar de leve entre os lábios abertos apenas numa pequena fresta, o que tornava difícil até ler de longe o que ele estava falando. - Se foi isso que deixamos acordados, como dois homens civilizados. Por que é que o Dr. Vlahos está ainda. mais. cansado? Ao ponto de, inclusive, faltar ao trabalho hoje? Os quatro dedos apoiados sobre a mesa bateram ao mesmo tempo, com um pouco mais de energia, como se ele quisesse arranhar a superfície da mesa. Continuou o movimento depois só com o dedo menor daquela vez, no mesmo tempo ritmado que parecia acompanhar com precisão o passar dos segundos. - Eu acredito que, como bom profissional que é, você já o tenha convencido a se esforçar menos, não é mesmo? Vivien
Notou a reação pronta de Kyle, como as mãos dele pararam de tamborilar na mesa, e ele simplesmente agarrou-se a mesma como se fosse arrancar um pedaço. Observou-o, embora não conseguisse fixar olhos nos olhos de um completo maluco como ele, supondo que não havia resposta certa ou errada naquele caso. Provavelmente dependia de não dizer nada que o contrariasse, e ao mesmo tempo, que o humor dele não mudasse 180 º do nada. Com a aproximação dele, não se moveu, mas foi impelido a desviar o olhar por um instante, tentando manter o máximo de calma para não alarmar nenhum garçom ou cliente do restaurante. Seria melhor assim. Isso preservava a vida de terceiros naquele estabelecimento e também lhe privava de perguntas que não poderia responder. Aquilo daria uma atenção desnecessária a academia que não poderia ter naquele momento. Fechou a mão que estava sobre a mesa em um punho e pressionou os dedos contra a própria palma, os dentes bem fechados em sua boca ao ser questionado por aquele maníaco sobre o porquê de Aleksei estar mais cansado. Sentiu o sangue de subir de uma vez a cabeça, mas respirou silenciosamente pelo nariz tentando lembrar que tinha uma arma embaixo da mesa, que Louise ainda não estava ali e que tinha muito ainda o que fazer para manter St. Clavier segura. Estava com medo, mas aquele homem lhe deixava fora de si. - Sim. O Dr. Vlahos já está ciente do horário de trabalho dele. – respondeu, sabendo que era mais fácil para si contar meias verdades do que mentiras. – Mas não tenho capacidade de monitorar o trabalho que ele faz. Só posso reforçar que cumpra os horários normais. E ontem ele parecia muito cansado, então deixei que tivesse uma folga, para repousar. – adicionou, o semblante já visivelmente cansado dos poucos instantes que tinha Kyle naquela mesa. Sentia que o outro surtaria a qualquer instante já que “não tinha cumprido com o acordo”. Mas tão rápido quanto o sangue tinha lhe subido a cabeça antes, a sensação de impotência diante da presença física de Kyle, ali, com uma arma em sua direção agora estava mais presente. Kyle
Kyle não estava mais tão interessado em reações, queria ações e queria resultados que fossem palpáveis para o seu problema. Se ele ainda tinha a limitação de falar direto com Aleksei, tinha que fazer aquilo de um jeito mais eficaz e por terceiros. Quem melhor do que o chefe dele para resolver aquele problema? Ajustou a postura na cadeira de novo, mas o dedo menor ainda estava batendo ritmado na superfície da mesa sem desviar da contagem de segundos. - Eu não devia esperar que você tivesse mais capacidade do que isso, não é? - respondeu, então finalmente apoiando apenas o cotovelo na mesa enquanto levava a mão aos lábios, os dedos tocando o queixo em seguida. - Eu achei que fosse um homem mais competente, Sr. St. Clavier, mas acho que me enganei bastante. Talvez você não seja tão útil pra mim quanto eu imaginei. Ele ficou encarando Vivien por uns instantes, como se o avaliasse e ponderasse se, de fato, ele era tão essencial, e não esperou exatamente uma resposta do francês. Não teria dado ouvidos à resposta de qualquer jeito e enquanto apoiava o queixo com a mão livre, começou a tocar o dedo sobre o cabo da arma debaixo da mesa na mesma marcação de segundos que estivera fazendo antes, num processo até bem consciente. - Vamos tentar de novo. - ele suspirou longamente e se inclinou sobre a mesa de novo, mantendo o olhar bem focado em Vivien. - Foi um gesto louvável dar um dia de folga para o Dr. Vlahos, Sr. St. Clavier, mas não tão louvável quanto impedir que ele esteja cansado a ponto de precisar de um dia de folga. Então preste mais atenção no que ele está fazendo antes de tentar resolver só quando for tarde demais. Manteve-se na mesma postura, encarando-o diretamente como se ainda o avaliasse. Os dedos pressionaram um pouco na altura do queixo. - Ficou claro o suficiente agora? - perguntou, mais incisivo. Vivien
A mão inquieta de Kyle continuou batendo na mesa, dessa vez apenas com o dedo pequeno, e Vivien pensou que até ele responder qualquer coisa sobre suas limitações para com o caso de Aleksei demorou uma eternidade. Não esperava diferente que a primeira coisa que ouvisse fosse desdém por sua capacidade. Não ligava mais que ele desdenhasse de sua inabilidade, especialmente porque estava em seus objetivos não cumprir o mesmo. Se fosse pra ser útil em alguma coisa, que fosse em ajudar as pessoas ao seu redor que tentavam proteger Aleksei daquele maluco. O loiro pareceu lhe encarar por longos segundos, como se esperasse que retrucasse, continuando com as batidas ritmadas com os dedos. Mas não iria responder ao que não tinha sido uma pergunta. O mínimo que conversasse com ele, o mínimo o irritaria, e mais cedo ele sairia dali, assim esperava. Mas acabou não demorando tanto para que Kyle abrisse a boca para falar mais uma vez. Observou-o de volta, mas não atentamente, apenas conformado que não sairia dali e não chamaria a polícia enquanto ele estivesse muito bem sentado. A expressão cansada não mudou muito quando o loiro se aproximou ainda mais e reforçou – em seus delírios – que deveria cuidar para que Aleksei não ficasse tão cansado ao invés de remediar com folgas. Fechou os olhos por um instante, desejando que fosse exatamente assim, a diferença era que aquele diabo estaria morto e enterrado. Respirou profundamente e então crispou os lábios, franzindo a testa com a pergunta mais incisiva. - Sim. Está bem claro. – respondeu simplesmente, pois aquela tinha sido a única pergunta de Kyle, ainda bem. Kyle
Vivien St. Clavier parecia um homem sensato na medida do possível, pelo menos. Ele podia ser bem devagar para entender suas instruções, mas ao menos não tinha lhe interrompido e estava se esforçando minimamente para assimilar o que tinha pedido. Outras pessoas tinham lhe dado mais trabalho, mas talvez o cenário público tivesse colaborado com a reação do francês e com a presteza dele em concordar com suas condições. Mas ele teria que concordar, era a única escolha lógica ali. Sorriu parecendo bem satisfeito com o desfecho da conversa e reajustou a postura na cadeira, movendo o braço que estivera parado sobre a perna segurando a arma. Devolveu-a ao cós da calça na parte de trás, coberta pelo blazer preto e levou as duas mãos agora até a lapela do blazer, alinhando-o e abotoando o botão superior. - Que bom que nos entendemos, Sr. St. Clavier. - levantou-se, devolvendo as mãos aos bolsos da calça daquela vez e deu alguns passos para parar ao lado de Vivien. - Não me faça ter que lhe contatar de novo. Isso seria bastante inconveniente para nós dois. E a única pessoa que quero reencontrar agora, é o Dimitri. Fez questão de chamar Aleksei pelo nome do meio, porque sabia que era o que dava unicidade à relação dos dois. Encarou Vivien sentado ao seu lado apenas pelo canto do olho com uma expressão mais séria do que antes - e certamente menos sóbria. Não comentou mais nada e no instante seguinte, os passos largos o guiaram para fora do restaurante, inclusive sorrindo em agradecimento para um dos garçons e recepcionista por quem passou no caminho. A vantagem daquele bairro era estar bem perto de uma área que a polícia já tinha ignorado por muito tempo. Era fácil se misturar com os transeuntes e mais fácil ainda se perder. Vivien
O sorriso de Kyle não lhe aliviava em nada. Ele já era aterrorizante naturalmente. Com aquele sorriso alinhado e os olhos que não acompanhavam a expressão, ficava ainda mais difícil entender se estava seguro. Porém, quando ele começou a se mover, notou que a mão que segurava a arma finalmente saiu da pose estática em que estava e finalmente ele colocou a peça nas costas. Vivien sentiu o corpo menos firme, cedendo pelo alívio de sair da mira do assassino. Porém, ao invés de levantar e ir embora, o sujeito decidiu andar até ficar do seu lado, decidido a lhe ameaçar mais incisivo. Observou a expressão intensa apenas de relance e respirou muito fundo, na espera que aquele fosse mais que um aviso simples, pela expressão já falsa do infeliz agora se converter numa seriedade ameaçadora, o que lhe pôs em um instante de volta no estado de alerta. Crispou os lábios e embora não conseguisse abaixar a cabeça, porque aquela simplesmente era sua natureza, forçou a única resposta que poderia ser correta naquele cenário todo. - Sim. E tão rápido quanto chegou, Kyle se foi. Embora tivesse sentido que a presença dele ali tinha durado uma eternidade. Não esperou nem o suficiente para ele sumir de sua vista para pegar o telefone e contatar a polícia para avisar onde estava para que traçassem rotas possíveis para pegar aquele infeliz. Em seguida, pediu licença para um garçom para que ajudasse a procurar sua esposa, que não tinha retornado a mesa. Ligou para Louise, mas não demoraram muito para encontrar a mulher, que tinha sido trancada no banheiro do restaurante, mas acabou conseguindo sair com ajuda de outra cliente. Vivien, na medida do possível, explicou a situação para ela e, incerto de que aquela seria a noite de sorte, torceu para que alguém achasse Kyle. [thread encerrada] |