Academia St. Clavier
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[Drive] 5, 4, 3, 2, 1... [+18][Kyle; Ciel] - Lil - 09-21-2021

Ciel

Enquanto recobrava a consciência, seus sentidos foram pouco a pouco se situando sobre o local. Primeiro, sentiu frio bastante frio e uma dor intensa irradiar da sua nuca para o restante do corpo, o que fez com que soltasse um breve grunhido de desconforto. Tentou levar uma das mãos até a região, apenas para notar o aperto que sentia na região do pulso e que sua outra mão havia sido arrastada junto. Abriu então os olhos lentamente, a visão ainda desfocada, enquanto tentava assimilar a situação, se deparando com as algemas de couro tanto em suas mãos quanto em seus pés. Além do mais, estava sem nenhuma peça de roupa.

Sentiu um arrepio lhe subir a espinha e o coração acelerar, acompanhado por um frio no estômago graças ao cheiro podre que o lugar tinha. Tentou mexer o corpo, mas tinha como resposta apenas movimentos fracos e bastante dor nos membros. Não se lembrava de estar nesse lugar, nunca esteve nesse lugar. Ciel apenas lembrava de sair de St. Clavier e estar voltando para casa e então… Estava se vendo ali.

Pensou em chamar por alguém, apenas para tomar ciência que havia algo em sua boca, impedindo que falasse ou gritasse, deixando apenas que sons abafados saíssem. Mexeu o rosto, tentando procurar uma explicação, apenas para cruzar o olhar assustado com o de um homem sentado em uma cadeira, praticamente ao seu lado, trajando apenas roupas brancas, perguntando se havia dormido bem. Ele estava sorrindo, o que fez o arrepio que havia sentido apenas se confirmar em medo.

Kyle

Kyle sentiu o ar preencher os pulmões e deixou escapar pelo nariz, mantendo o mesmo sorriso indecifrável nos lábios ao encarar a expressão de medo no rapaz que estava começando a realizar a própria situação. Aquela expressão sim era mais próxima de seu ideal. Ele mal se moveu do lugar em que estava, mantendo as pernas cruzadas e os dedos entrelaçados onde estava.

Continuou encarando o rapaz com o único olho bom, no momento, nada cobria o vazio do olho direito e ele demorou alguns longos segundos apenas encarando o rapaz deitado no chão sujo a sua frente, como se esperasse que ele lhe respondesse a despeito de estar com uma mordaça na boca.

- Ah... eu esqueci que você não pode falar. Mas podemos chegar na sua voz depois. - ele continuou encarando o rapaz da mesma posição, começando a mover os dedos entrelaçados de modo ritmado. Mais alguns longos segundos se passaram enquanto só encarou o rapaz bonito em silêncio e então, o sorriso de lábios fechados se alargou um pouco. - Então, Ciel, você gosta de sentir dor? Pode acenar a cabeça para sim.

Ciel

Não sabia descrever exatamente o homem à sua frente. Tinha a impressão de já ter visto em algum lugar, mas simplesmente não sabia dizer de onde. A batida de seu coração estava sendo tão ensurdecedor quanto o silêncio que ele manteve enquanto encarava Ciel, e cada segundo era simplesmente inquietante.

Desviou o olhar para os arredores, o silêncio do outro sendo angustiante para o moreno, procurando entender melhor onde estava. Porém, quanto mais olhava, mais confuso ficava com as estruturas do lugar.

Teve a atenção chamada novamente pelo outro quando ele finalmente começou a falar, o que fez com que imediatamente voltasse o olhar para ele. "Depois"...? O que seria depois? Esperava respostas, que apenas se seguiu por mais longos minutos de silêncio, que pareciam tirar o ar de seus pulmões. Quando ele finalmente voltou a falar, o sorriso se alargou e a pergunta fez com que outro arrepio lhe subisse a espinha. O encarou por alguns instantes sem saber o que fazer diante da situação, confuso com o que ele havia dito. Não sabia como reagir a situação, não sabia o que dizer ao outro, ou se havia uma resposta certa.

Uma infinidade de pensamentos passavam em sua cabeça e nenhum deles tinha resposta sobre o que fazer.

Kyle

O rapaz a sua frente demorou a compreender a situação em que estava, e não era uma coisa com a qual estava desacostumado. Ao contrário, era algo que lhe deixava ainda mais excitado. De novo, respirou fundo, o som do ar entrando e saindo de seus pulmões invadindo a pequena sala acabada dentro do armazém abandonado. Ciel olhou para os lados, como se tentasse entender o que tinha acontecido e podia quase ouvir das batidas descompassadas do coração dele. Mas o cheiro de medo... real ou não, era delicioso.

Ele demorou o suficiente para assimilar um pouco mais da situação e, claro, não respondeu ao seu questionamento. Lentamente, descruzou os dedos, e então as pernas, deixando-as abertas ainda sentado para se curvar na direção de Ciel, até conseguir apoiar os cotovelos nas coxas e encará-lo a uma distância mais curta.

- Eu lhe fiz uma pergunta, Ciel. - ele reforçou, com um tom de voz quase sussurrado que era bastante audível naquele lugar silencioso. - Não é difícil de responder, mesmo sem poder falar.

Kyle inclinou o rosto um pouco para o lado, apoiando o queixo na própria mão.

- Como você está um pouco atordoado, eu vou perguntar de novo. E dessa vez, espero que consiga responder... por que eu odeio. me. repetir. - um sorriso com os lábios fechados surgiu e sumiu quase ao mesmo tempo. - Você gosta de sentir dor? - Kyle deslizou o indicador pelo próprio lábio inferior. - Concorde.

Ciel

Cada momento parecia durar uma eternidade, e com os pulsos e os pés imobilizados, o que poderia fazer? Ainda sentia seu corpo dolorido, e pelo medo que estava sentindo pelo outro, parecia que a força nos membros era completamente inexistente.

Tentou instintivamente retrair o corpo quando percebeu que ele se curvou em sua direção, o que não funcionou graças às restrições nas extremidades. Sentia a respiração perder o ritmo, enquanto ele falava em um tom baixo, mas que parecia ecoar por toda a sala, inclusive mais perto de Ciel do que ele gostaria.

Seguia o movimento do outro com os olhos, claramente assustado. As mãos ficaram frias, e o peso em seu estômago foi mais forte quando ele foi bastante incisivo sobre não querer se repetir, e um sorriso rapidamente apareceu e se foi, quando ele repetiu a mesma pergunta, claramente sem escolhas para o moreno, onde apenas deveria concordar. O pensamento que se repetia dentro de sua cabeça era apenas o que seria o "depois", e o que o homem a sua frente faria. A pergunta em si, já deixava Ciel apavorado com o que estava por vir. O medo e incerteza pareciam o devorar de dentro para fora.

Deixou um grunhido receoso escapar pela mordaça, que já incomodava bastante, e acenou de maneira positiva lentamente, sem desviar o olhar do outro.

Kyle

Cada mínimo gesto de Ciel denunciava o medo crescente e aquilo só fazia com que seu corpo reagisse mais e mais, a respiração se tornando cada vez mais pesada e audível na sala silenciosa. Kyle quase não piscou enquanto esperava que o rapaz respondesse de uma vez a sua pergunta que só tinha uma resposta certa. Os minutos que ele demorou até conseguir reagir não foram tão longos, mas foram satisfatórios.

O ex-militar deixou o ar escapar entre os lábios entreabertos, agora com um sorriso bem mais notável nos lábios. Afastou a mão do queixo de novo e juntou os dedos diante do corpo.

- Bom, Ciel, muito bom. Viu? Não é tão difícil. Você parece ser muito esperto... - Kyle respondeu. - Por isso as coisas vão ser muito mais interessantes para nós dois, hm?

Ele se levantou subitamente da cadeira, num movimento que certamente assustaria o rapaz, mas a ação rápida foi inteiramente proposital. Gostava da expressão de terror no rosto bonito. Ele deu um passo na direção do rapaz e se abaixou. Os braços dele estavam algemados nas costas, o que impossibilitava que ele conseguisse se apoiar para ficar sentado ou de pé. Os tornozelos também estavam algemados e a corrente que os unia estava presa ao pilar.

- Você é muito bonito, sabia? - Kyle se agachou diante do rapaz, já esperando qualquer reação de autopreservação. Estendeu a mão coberta por uma luva de couro branca até o rosto dele, passando a ponta dos dedos pela lateral do rosto até o queixo, fazendo com que ele erguesse o rosto para encará-lo de perto. - Pensei nisso desde a primeira vez que o vi... que você seria uma boa distração... quando eu precisasse.

Ciel

Não sabia o que esperar do homem à sua frente, mas com a pergunta que havia feito - e que havia acabado de concordar - apenas tornava a apreensão de Ciel maior. Era possível escutar a respiração pesada do outro pela sala vazia e suja, e o sorriso em seu rosto indicava que ele havia ficado bastante satisfeito com a "resposta" do moreno.

Um sentimento de repulsa lhe subiu quando ele informou sobre as coisas ficarem mais interessantes. Sentiu todo o frio e tensão se espalhar rapidamente quando o homem de vestes brancas se levantou bruscamente. Quase como um choque pelo restante do corpo, fazendo com que retraísse os ombros e fechasse os olhos, como se esperasse alguma reação agressiva do outro, que não veio. Ciel sentia sua própria respiração ficar descompassada com a ansiedade que a proximidade do outro agora o causava.

Abriu os olhos novamente, bastante receoso, quando ouviu a voz dele, muito mais perto que antes, elogiando a aparência do jardineiro. Percebeu a aproximação da mão do outro, e tentou instintivamente afastar o rosto e o corpo, o que as algemas em seus pulsos e tornozelos impediram com bastante sucesso. Manteve o rosto mais abaixado, desviando do olhar do homem à sua frente, apenas para sentir o toque de couro em seu rosto, leve, que fez caminho até seu queixo para que erguesse o rosto, encontrando mais diretamente com o único olho do outro. Deixou um resmungo fraco ser abafado pela mordaça em sua boca.

Sentiu os olhos verdes marejaram levemente quando ele continuou, quase confirmando para Ciel que talvez sim, já tivesse encontrado essa pessoa antes. E acima de tudo, o moreno já tinha intenções de usa-lo como uma distração para alguma coisa.
O medo que sentia era real, e era um tipo que nunca havia sentido antes. Todo o seu corpo estava tenso com o toque, fala, qualquer reação que o homem de cabelos escuros fizesse. Queria sair dali, mas se via cada vez mais sufocado pela presença do outro ali na sua frente, e cada vez mais se via sem saída.

Kyle

Cada reação involuntária do corpo do rapaz lhe dava uma sensação de prazer e fazia com que uma onda de choque perpassasse todo o seu corpo. Podia sentir o medo vindo do olhar, do tremor no corpo, de cada gesto involuntário do jovem que estava completamente a mercê de seus toques. Pressionou a mão em volta do queixo dele, aproximando o rosto o suficiente para sentir a respiração dele contra os seus lábios e inspirar o cheiro dele profundamente, fechando o olho como se estivesse se deliciando com o aroma do medo. A mão fechou com tanta força na mandíbula dele que as unhas facilmente marcaram a pele clara.

- E no momento, eu estou realmente precisando… - Kyle soltou o queixo dele num movimento rápido, levantando-se em seguida e dando a volta no corpo de Ciel. Foi até as pernas dele, que estavam presas por um par de algemas conectadas por correntes que o prendiam também ao pilar. Com uma chave tirada do bolso, soltou o cadeado que prendia as correntes e segurou-as numa das mãos. - Eu demorei um pouco a aprender sobre essas técnicas de suspensão, mas você vai gostar, Ciel. Ao menos dessa vez não vou fazer com que desloque os ombros.

Ele andou tranquilamente entre as pernas de Ciel, a corrente em suas mãos, passou por cima de uma das roldanas presas ao teto, que eram novas demais para combinarem com o estilo abandonado do prédio. Prendeu a corrente em outra que estava ligada a uma alavanca e começou a rodar, fazendo com que o corpo de Ciel se erguesse do chão começando pelas pernas. Não fez muito esforço, e logo ele estava totalmente de cabeça para baixo. Travou a alavanca e voltou até o rapaz, pegando agora os braços dele, já presos atrás do corpo e usando outra corrente que já pendia das roldanas para prender às algemas. De novo, seguiu até a alavanca e voltou a girá-la, fazendo com que os braços agora ficassem para trás e erguessem Ciel completamente do chão. Quando os braços e pernas estavam alinhados o suficiente, ergueu os dois ao mesmo tempo, fazendo com que o corpo de Ciel ficasse mais ou menos na altura de seu rosto, enquanto estava de pé. Travou mais uma vez a alavanca e se aproximou do outro.

- Agora sim. - ele sorriu satisfeito, o rosto próximo do de Ciel. Como a cabeça do rapaz pendia para frente sem o devido suporte, segurou os cabelos dele e puxou para cima, para que lhe encarasse de volta. - Viu? Não foi tão ruim… nem deslocou os ombros.

Ele aproximou o rosto mais uma vez e inspirou longamente, sentindo o cheiro do medo, do suor, que lhe causou mais um tremor de agrado. Roçou o nariz e os lábios contra a face esquerda alva do rapaz, aproximando os lábios do ouvido dele.

- Se me prometer que vai ficar quietinho… eu tiro essa mordaça da sua boca. É muito mais interessante quando eu posso ouvir os gemidos de prazer. - ele sussurrou, voltando a encarar o outro de perto com o olho bom. - Concorde, Ciel.

Ciel

O corpo se tremia involuntariamente quando menos esperava, desde que cruzou o olhar com a presença do homem de vestes brancas, assim que acordou. Mas sentiu todo o corpo tensionar quando ele se agachou e encostou em seu rosto. A sensação de incapacidade diante de toda a situação era angustiante. Sentiu pressão que o homem colocou em volta de seu queixo com as mãos, e então aproximar o rosto. A sua respiração quase se descompassou e fez com que fechasse os olhos, em resposta ao medo e na tentativa de se proteger da possível ação do outro, e apenas escutou respirar fundo e parecia apreciar todo o decorrer daquele momento. Sentiu a parte da pele onde ele apertou com mais força arder.

Apesar do homem soltar o seu rosto tão abruptamente, conseguiu impedir que o rosto batesse com força contra o chão. Abriu os olhos com cuidado, observando ele se afastar e fazer caminho até suas pernas. Não conseguiu ver tudo com tanta clareza, mas pode ouvir claramente o barulho das correntes sendo mexidas. O escutou falar sobre técnicas de suspensão, e 'não fazer com que deslocasse os ombros'. Um frio lhe percorreu o corpo. Sabia o que aconteceria, mas não sabia como, e ainda mais: o que viria depois? Quando ele voltou ao seu campo de visão, conseguiu o ver prender a corrente a uma roldana, para então se afastar novamente.

Ciel ouviu o barulho de algo ser rodado e sentiu seu corpo ser suspenso, primeiro pelas pernas. O movimento fez com que o corpo reagisse, se debatendo em resposta, e protestou em grunhidos abafados e assustados, até ser colocado completamente de cabeça para baixo. Sentiu a pressão na cabeça e a respiração, que já estava descompassada, se tornar mais difícil. A situação por si só, o nervoso, medo, e agora estar suspenso fazia com que o corpo transpirasse mais por todo o esforço que estava fazendo.
Não demorou muito naquela posição, pois o moreno se adiantou e foi então para as algemas em suas mãos, o escutou prender algo às correntes, e então sentiu os braços sendo erguidos até uma certa altura. Os grunhidos que escaparam dessa vez eram mais assustados do que de surpreso.

Escutou a alavanca ser travada, estava com os braços e pernas erguidos, e os passos se aproximarem. O rosto estava para baixo, sem apoio algum para conseguir levantá-lo. Sentia o suor escorrer pelo rosto, olhava para o chão, atento ao mínimo sinal de movimento. A mordaça que estava em sua boca, que já incomodava, e pelo tempo que estava usando, fazia com que salivasse em excesso. Toda aquela situação era completamente degradante.

Viu os pés dele se aproximarem, deixou grunhidos abafados pela mordaça escaparem, tenso e inquieto com a presença do outro. Ele estava satisfeito com o que havia feito, era claro notar aquilo na voz do homem de cabelos escuros. Sentiu as mãos em seu cabelo e o puxão que se seguiu, fazendo com que levantasse o rosto e fitasse as orbes verdes contra o único olho azul dele. Ele sorria, e aquilo revirava o seu estômago num misto de sensações que nunca pensou sentir. Falava sobre não ter deslocado os ombros como um ponto positivo.

Tentou afastar o rosto quando o homem aproximou o rosto do seu, mas a mão nos fios castanhos fazia com que mantivesse o rosto no lugar. Sentia repulsa, junto com um arrepio quando ele sussurrou em seu ouvido, sugerindo retirar a mordaça, por que era muito mais "interessante ouvir os gemidos de prazer". As palavras fizeram os olhos esverdeados marejarem ainda mais, podia sentir as lágrimas no canto dos olhos se acumularem mais e descerem pelo rosto.

Novamente, ordenou que Ciel concordasse.

Não tinha escolha dentro da situação, estava olhando diretamente para o olho azul enquanto ele dizia qual era a resposta que queria. Sentia a mandíbula tensionar ao redor da mordaça que estava usando. Tinha medo, receio, angústia, terror do que viria a seguir, mas os mesmos sentimentos se replicavam caso não desse a resposta esperada por ele.

Fez um aceno positivo com a cabeça.

Kyle

Kyle facilmente notou as lágrimas escorrendo dos olhos do rapaz, chegando em suas luvas de couro, somando mais ao prazer que tinha de sentir o tremor de medo debaixo de seus dedos, de notar o desespero no rosto e no olhar perdido dele, sem ao menos entender porque é que estava ali, naquela situação e o que poderia ter feito para merecer aquilo. A expressão de medo e o desespero lhe deixavam ainda mais excitado e forçou mais os dedos em volta do rosto dele, sentindo o tremor no próprio corpo como se estivesse em um momento de clímax.

Ele deslizou os dedos pelo rosto do rapaz e depois de receber a concordância relutante dele, sorriu ainda mais satisfeito, procurando a fivela para tirar a mordaça suja com a saliva em excesso. Deixou a peça cair aos seus pés e continuou segurando o rosto dele para que permanecesse lhe encarando. O rapaz estava erguido a uma altura um pouco abaixo da sua, o que deixava as coisas muito mais confortáveis.

- Agora está melhor… está confortável, Ciel? Não queremos que fique incomodado demais, a ponto de não aproveitar, não é? - Kyle falou, o rosto ainda muito próximo do dele, inserindo o polegar na boca dele e pressionando a língua sob a luva de couro. - Hm… seu cheiro é tão bom… por onde vamos começar…?

Kyle deixou o polegar deslizar para fora dos lábios dele, permitindo que o rapaz falasse alguma coisa, uma mão o segurando pelo queixo e outra passando pelos fios castanhos para colocá-los para trás.

Ciel

Sentia o desconforto nas articulações aumentar, agora que estava completamente suspenso pelas correntes. Apesar de todos os alertas que o seu corpo passava de perigo, não conseguia desviar a atenção do olho azul do outro, que puxava os fios castanhos para que mantivesse o olhar levantado. Sentiu a pressão novamente dos dedos do outro sobre a pele alva, a marcando novamente.

Ainda assim, mesmo que tendo todo o misto de sentimentos de medo e alerta, concordou relutantemente com a proposta do outro. O que recebeu um sorriso como resposta, que fez um arrepio correr o corpo. Cumprindo com o que havia dito, ele retirou a mordaça que estava em sua boca, deixando-a cair no chão ainda suja de saliva. Sentia a área dolorida pelo uso do equipamento, e mesmo agora podendo falar, era como se a sua voz tivesse desaparecido em sua garganta e as palavras não pareciam se formar.

O homem de vestes brancas à sua frente, cada vez mais entretido com a situação, ainda segurava seu rosto após toda a situação humilhante da retirada da mordaça. Sem que tivesse a chance de responder, o outro inseriu o polegar em sua boca, pressionando sua língua, perguntando então por onde começariam. Sentiu que ali o outro havia dado abertura para que falasse, mas as palavras apenas se perdiam:

- E... Eu... A-Ah. Gh... - As palavras mal se formaram, saindo como balbucias baixas, enquanto o homem de cabelos escuros passava a mãos sobre os fios mais claros de Ciel. Sentia que as lágrimas correriam mais ainda agora que conseguia falar, era como se toda a angústia e receio que sentia fechassem sua garganta e se tornassem cada vez mais aparentes.

Kyle

As palavras quebradas e a tentativa de lhe responder foram ainda mais satisfatórias do que esperava. Já fazia tanto tempo que não tinha alguém completamente à sua mercê daquele jeito, que podia sentir o corpo todo num frenesi constante à espera do próximo passo, toque, movimento, som, qualquer coisa.

- Você foi minha melhor escolha nesse momento, Ciel... - ele inspirou o aroma do outro profundamente de novo, o tremor perpassando o corpo de novo. - Se meu primeiro encontro fosse com o Dimitri... eu não teria me controlado...

Ele passou o polegar de novo na boca de Ciel, deslizando pelo lábio inferior dele e forçando a mandíbula para baixo para manter a boca aberta. Aproximou os lábios dos dele, lambendo o lábio superior do rapaz, deslizando a língua pelo rosto e sentindo o gosto da saliva, do suor e de lágrimas. Kyle fechou o olho e inspirou mais uma vez, soltando finalmente o rosto e os cabelos de Ciel para se afastar na direção de uma mesa distante, encostada à parede, que estava coberta por um lençol sujo.

- Como você não disse por onde quer começar, eu vou fazer as honras... - ele puxou um dos lados do lençol, mostrando parcialmente alguns objetos específicos e bagunçados entre si, que variavam entre couro e metal, olhando para cada um deles com um interesse genuíno. - Hm, como eu preciso treinar para o Dimitri... vamos começar por algo simples. Claro que ele tem mais experiência, então, eu preciso estar à altura, não é mesmo?

Ele pegou uma vara com cabo de couro preta, rígida, com pelo menos 50 cm de comprimento. Segurou pelo cabo e pela ponta, flexionando-a um pouco antes de se aproximar de novo de Ciel que, sem o apoio para a cabeça, ficava com o rosto voltado para o chão. Estendeu a ponta da vara até o rosto dele, deixando que o material passasse com força pelo peito e pelo pescoço, até parar no queixo alheio.

- Agora… você disse que gostava de dor, não disse? - um sorriso largo surgiu no rosto do loiro antes dele brandir a vara contra o rosto de Ciel, uma marca vermelha se formando no mesmo instante na face direita do rapaz, o som da vara batendo contra o rosto dele contrastando apenas com o próprio suspiro de prazer.

Ciel

Crispou os lábios, num misto de frustação e angústia. As palavras perdidas e a satisfação do outro pelo seu desespero lhe deixavam completamente [desnorteado]. Não sabia o que se passava na cabeça dele, não sabia o que ele faria depois de cada ação e isso era assustador. O medo que sentia era crescente, e gelava todos o seu ventre, sentiu um novo arrepio lhe correr quando ouviu que havia sido a melhor escolha, que não teria controlado se fosse com "Dimitri".

Não sabia quem era Dimitri, nem conseguia se lembrar de ninguém com esse nome, mas tinha medo do que aconteceria consigo por não ser esse tal "Dimitri". A voz morreu na garganta, sem qualquer sinal de retorno, apenas tendo o rosto segurado por ele sem oferecer resistência, Ciel estava completamente encurralado e isso ficava claro em seus olhos verdes. Sentiu o polegar do outro passar por seus lábios, forçando a mandíbula para baixo e o viu se aproximar mais do que antes. Tentou recolher o corpo e tirar o rosto do caminho, como gesto involuntário do corpo fechando os olhos, ao que as articulações dos ombros reclamaram de dor da posição em que estava imposto, e teve a sensação molhada da língua do outro passar pelo seu lábio e fazer caminho pele. Prendeu a própria respiração no momento, e um frio passar pelo estômago. Sentia nojo daquela invasão, e tudo aquilo ficava preso em sua garganta em um gosto amargo de pura repulsa.

Quando ele finalmente soltou o seu rosto, olhava para o chão ainda com o semblante plenamente assustado e horrorizado, enquanto tentava recobrar o ar que havia perdido nos segundos da última aproximação. Sentia o suor e lágrimas escorrerem pelo seu rosto até a ponta do nariz, seus ombros e pernas doíam e sentia as mãos formigarem cada centímetro do seu corpo clamava por fugir daquele lugar imediatamente, embora não houvesse qualquer sinal de que isso fosse ocorrer. Não ouviu direito o que o homem havia dito em seguida, mas ouviu o barulho dele mexendo em algum tipo de tecido.

Ficou tenso quando ele mencionou sobre "treinar" para o tal de Dimitri. "Que tipo de treino?" se repetia diversas vezes em sua cabeça, sem uma resposta, sem uma solução. Não conseguir imaginar o que se passava na cabeça de seu algoz apenas lhe deixava ainda mais desesperado.

Ouviu o barulho dos passos dele se aproximando, e sentiu o corpo inteiro tensionar novamente, um tremor de horror perpassando por toda a extensão de sua pele num gesto involuntário de defesa. Quando finalmente os pés dele entraram em seu campo de visão, viu e sentiu em seguida o toque do que ele havia pego: uma vara escura, sentiu a rigidez dela contra sua pele, que passou pelo seu peito, fazendo caminho pelo pescoço e até o queixo, fazendo com que levantasse o rosto. O corpo inteiro entrou em estado de mais alerta ainda, esperando o golpe que iria receber e a dor que estava para sentir. Um tremor evidente passou pelo corpo, como um choque de aviso para a dor que estava por vir.

Mesmo que não soubesse onde ele golpearia, já estava sentindo a dor. Sentiu a mandíbula travar quando ele trouxe de volta a primeira pergunta, um sorriso largo surgindo no rosto daquele louco, porque só poderia considerá-lo como um completo insano, e antes que pudesse ter qualquer tipo de reação, sentiu um forte impacto no rosto do lado direito. O rosto pendeu novamente, sentindo toda a região queimar e arder ao mesmo tempo, sentiu o estômago inteiro se revirar, e teve por um instante a vontade de por tudo para fora, mas o que se formou foi uma mistura de grunhidos, soluços engasgando, que não conseguiram se formar em um grito de dor, e mais saliva escorria de sua boca se misturando as lágrimas, e caia ao chão.

A visão estava embaçada com o impacto, e quando ela passou a se recuperar, percebeu que um líquido vermelho pingava no chão. Sangue:

- A.... Ahh...!! - foi a única coisa que escapou dos lábios do outro, numa voz embargada em lágrimas, os pensamentos embaralhados, o medo que sentia se concretizando. Iria morrer ali?

O pensamento se repetia várias vezes, mas a realização de que morreria ali sozinho sem ninguém, lhe correu em puro desespero.

Kyle

A força do golpe fez inclusive com que o corpo de Ciel balançasse um pouco, o que Kyle até tinha previsto, mas que não estava certo de que aconteceria, era o sangue escorrendo do rosto do rapaz e pingando no chão. Então o golpe tinha sido alto suficiente para bater na sobrancelha... de todo modo, a visão do sangue não lhe incomodou, senão lhe deixou ainda mais excitado. Ele suspirou alto de novo, se aproximando mais uma vez do rapaz que mal gritou diante do primeiro golpe. A falta de reação dele lhe deixava num misto de sentimento de agrado e desagrado ao mesmo tempo. Agrado porque ele parecia ser resistente... desagrado porque queria ouvir os gritos de medo e desespero. Mas por enquanto, ver como o corpo todo dele estremecia preso nas alças lhe dava ainda mais prazer.

- Hmmm... acho que eu bati um pouco mais alto do que pretendia... - Kyle se aproximou do rapaz, estendendo a mão para tocar no queixo dele e evitando que o sangue manchasse a sua luva de couro. Ergueu o rosto para encará-lo diretamente de novo, a expressão de medo lhe deixando ainda mais ansioso. - Não precisa se conter, Ciel... ninguém vai ouvi-lo aqui. Pode gritar o quanto quiser.

Ele se aproximou do rosto do rapaz e lambeu o rastro de sangue que tinha se formado no rosto dele. Já estava muito acostumado com a quantidade de sangue desnecessária de um corte tão simples no supercílio. Mas a língua mal alcançou o olho do rapaz, um som novo e quase discreto tomou a sala.

No mesmo instante, Kyle parou o que fazia, tomado por uma surpresa leve ao identificar o som do próprio celular ao receber uma mensagem. Ele era a pessoa que fazia ligações e recebia mensagens desde que chegara em Cerise, receber uma de volta não era comum. A não ser que Dimitri finalmente tivesse escolhido retornar as suas incisivas mensagens mais recentes.

Rapidamente, soltou o rosto de Ciel e deixou a vara de lado para pegar o celular no bolso do blazer. A sua expressão de satisfação mudou imediatamente para uma de desagrado ao encarar o texto de um número para o qual ele sempre mandava mensagens primeiro. Era o tal paciente de Dimitri e seu mais novo pupilo, e pelo que ele tinha dito, estava exatamente ali naquele armazém... numa péssima hora para a sua diversão.

Kyle suspirou longamente, ajustando as luvas nas mãos e passando-as pelos cabelos para alinhá-los para trás. Procurou nos outros bolsos do blazer e da calça social até encontrar um tampão cor de pele de novo e cobrir o olho vazio. Um outro suspiro breve e retornou o sorriso ensaiado que sempre tinha para as pessoas naquela cidade irritante.

- Bom, temos uma visita inesperada, você vai ter que esperar um instante, Ciel. Não se preocupe, não vou demorar. - ele lambeu o canto do lábio que ainda devia ter o vermelho do sangue e nem se importou em amordaçar o jardineiro de novo, não era como se Stefan fosse se preocupar com suas presas pessoais. Talvez até o deixasse assistir e aproveitar um pouco. Podia ensinar uma ou duas coisas ao adolescente impaciente. Ele saiu do quarto e fechou a porta com um baque surdo.

Ciel

A sensação de ardor e queima em seu rosto era tanta que não sabia de onde vinha o sangramento em seu rosto. Puxava o ar pela boca entre soluços causados pela dor que sentia, enquanto o corpo todo estremecia, e não sabia se o balanço era por causa do impacto, ou sua visão falhando após o golpe recebido.

Viu os pés de seu agressor se aproximarem, e isso fez com que todo o corpo reagisse involuntariamente, tentando novamente se afastar enquanto as articulações dos membros presos mandavam mais mensagens de dor a cada mínimo movimento que o jardineiro fazia. Ouvir a voz dele novamente trazia um misto de ansiedade, medo e principalmente *nojo*. Sentiu o toque em seu rosto, e relutou a ter o queixo erguido, tentando ao máximo desviar o olhar do outro. O sangue escorria mais livremente pela pele alva, agora por ter o rosto erguido. A visão ficou completamente turva do lado direito e por isso acabou fechando o olho direito ao sentir o incômodo do líquido invadindo perto da área.

O homem de vestes brancas reforçou o interesse sobre a ideia do jardineiro, a ideia de que ninguém realmente chegaria até ali e então, morreria sozinho, sendo mais real ainda. A ideia de que morreria sem ninguém lhe ouvir lhe despertou um sentimento intenso, e buscou prometer a si mesmo que faria o máximo para que seu algoz, ao menos não tivesse a satisfação em ouvir sua voz, não daria esse prazer à ele no final. Sentiu novamente a língua do outro contra a sua pele, o que o fez fechar o outro olho em reflexo e prender a respiração, ao que saiu apenas um resmungo em protesto. A sensação molhada em meio ao sangue, era novamente uma invasão, uma agressão.

E então, no meio do horror, nojo e tensão que sentia, um som baixo soou pela sala, o que fez com que o seu algoz parasse o que fazia. O som trouxe confusão para a cabeça do moreno que estava tomada por diversos sinais de alerta e perigo, além da dor que continuava a ressoar do lado direito de seu rosto. Buscou abrir um dos olhos, tentando ver o que o outro fazia, e fazer sentindo em suas ações; Seu algoz por sua vez o largou seu rosto e se afastou de si, para atender o que parecia ser o seu próprio telefone.

Não era a pessoa mais entendida de tecnologia, mas não era estúpido para não reconhecer o barulho de uma mensagem de celular, depois de ter recebido tantas. E o mais importante, quem enviaria mensagens para essa pessoa? Eram perguntas que não tinham resposta para Ciel por não saber absolutamente nada sobre o homem de vestes brancas, apenas sobre o tal Dimitri. Seria ele?

Não conseguia levantar o rosto para ver o que o outro fazia, pois a posição era extremamente desconfortável, e já sentia o cansaço e a fadiga se espalhar por todos os músculos que estavam impostos a posição incômoda, mas pelo suspiro longo que se seguiu, pode apenas imaginar que ele não estava satisfeito. Por um instante, imaginou se o homem louco colocaria novamente sua atenção para Ciel, para servir ao papel de "distração".

Escutou o aviso do outro sobre uma visita inesperada. Para mandar uma mensagem, um conhecido? Outro como ele? As possibilidades que corriam em sua mente o deixava cada vez mais assustado, cada uma se tornava pior que a outra.

Escutou atentamente o barulho do outro se afastar, e então o som da porta se fechando quase que abafada. Ainda sentia todo o corpo tenso, era como se talvez por um segundo pudesse deixar o corpo relaxar, mas a adrenalina em seu corpo se recusava a sair do estado de alerta. Sozinho naquela sala, fazia com que os segundos mais curtos se arrastassem como as mais longas horas, e o receio do outro voltar sozinho ou acompanhado fazia com que um frio percorresse o corpo por inteiro.

Não queria morrer ali, mas a qual custo seria? O quanto mais poderia esperar do outro? Estava sendo esperançoso demais em pensar que talvez conseguisse? Não queria morrer, mas se fosse o caso, brigaria para que fosse sem emitir qualquer grito de dor.

[Thread encerrada. Continuação: Doviđenja]