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[Drive] Um Estranho no Formigueiro [Mathew; Jaydee] - Lil - 09-22-2021 Jaydee
Jaydee estava bem acostumado a uma vida agitada em Nova York nas emergências mais movimentadas dos piores bairros da cidade. Ir para um lugar tão comum e pitoresco como Cerise no interior da França era estranhamente quieto, mas não era o tipo de pessoa que dispensava oportunidades - contanto que elas não lhe levassem a uma festa black tie com pessoas importantes que só queriam que ele estivesse bem vestido e trabalhando por muito dinheiro. Ainda se deu ao luxo de dar um passeio pela cidade nova, ficou rondando a emergência do único grande hospital da cidade e não aconteceu nada de interessante, exceto sair com uma médica que lhe levou até para um lugar que lembrava um pouco do bronx. Era estranho pensar que ia trabalhar num internato, mas nunca tinha estado em um, só para meninos ricos, quem sabe tivesse mais casos de novela mexicana para lhe distrair? O médico seguiu com um pensamento até otimista para a escola no topo de uma montanha, montado numa vespa vermelha que tinha achado bem convenientemente ali na cidade, que demorou horrores para subir a montanha - mas seria mais fácil chegar à academia quando estivesse morando nos dormitórios dos professores de fato. Naquela manhã, estava usando uma calça amarela com xadrez roxo, uma camisa de mangas compridas preta com bolas brancas e barra listrada, meias listradas em preto e branco, além de um par de suspensórios brancos. Usava óculos redondos e ainda não tinha jaleco, provavelmente encontraria algum na enfermagem. Estacionou a vespa perto do prédio administrativo de acordo com o mapa conveniente que Soren tinha lhe mandado da instituição, não foi nada difícil encontrar a enfermaria sob o olhar muito curioso de alguns estudantes que passavam até o prédio de aulas. Assim que chegou à enfermaria, foi logo fuçando em todos os armários, olhando os leitos e descobrindo o que havia ali de remédios, instrumentos e estruturas com que pudesse se divertir. - [Hmmm... melhor que o Bronx.] - comentou consigo mesmo, num inglês de gírias, pegando um jaleco que estava pendurado na cadeira diante do computador para vestir, era bem maior que ele, mas era conveniente. - [É, vamos ver se dá pra se acostumar.] - seguiu até a janela, dando uma olhada no movimento do lado de fora. Mathew
Acordou cedo como de costume, tomou café com o namorado inglês e saiu para o trabalho com o mesmo. As provas para a bolsa de estudos no curso de medicina em Paris logo chegariam e estava estudando cada vez mais a cada dia. Era complicado estar longe da família e continuar tentando alcançar aquele seu sonho profissional, mas junto a Benjamin tudo parecia ser menos difícil. Apesar dos acontecimentos dos últimos meses, tinha que admitir que finalmente estava conseguindo voltar a uma rotina mais normal. Sentia saudades do psicólogo, mas ainda havia o professor de biologia com quem podia conversar, o zelador que sempre parecia desconfortável com seu relacionamento outro homem, mas não reclamava, pois bem lembrava das reclamações sobre sua conduta quando ainda morava nos dormitórios dos professores. Seguiu para a enfermaria após se despedir do namorado que deveria seguir para a sala dos professores. Acenou pelo jardim, animado com a promessa de almoçar com o outro. Estava tentando cuidar um pouco mais da própria saúde também, balanceando a dieta e um pouco de exercícios. Queria ter a disposição de alguns professores que praticavam corrida logo cedo pela manhã, mas às vezes estava tão cansado de passar a madrugada estudando que tudo que queria era dormir nem que fosse só mais meia hora. Estava pronto para adentrar na enfermaria e dar início ao seu trabalho quando acabou se dando conta que não estava sozinho. Parou no portal de entrada do recinto, sem conseguir esconder seu olhar que ia de cima a baixo analisando a imagem do homem desconhecido que, não contente com as roupas que pareciam ter sido retiradas do setor de achados e perdidos, ainda havia colocado seu jaleco de trabalho. - B-Bom dia. - acenou antes de ajustar os próprios óculos, o cabelo loiro assanhado como de costume. Estava usando uma camisa de botões azul clara por dentro da calça bege com cinto, além do velho par de tênis e meias brancas. - Desculpe. O senhor está perdido? Eu sou o enfermeiro. Meu nome é Mathew Morrison. - apontou para o jaleco em que seu nome estava bordado com Mathew K. Morrison. - O senhor precisa de ajuda? - perguntou com certo receio já pensando em chamar pela segurança, considerando os incidentes dos últimos meses naquela cidade e a frequência com a qual pessoas malucas costumavam entrar naquela instituição. Jaydee
Jaydee se apoiou no peitoril da janela com as mãos, esticando-se para olhar fora da enfermaria e ver se notava algum movimento, mas pelo visto o anexo administrativo era um pouco distante de onde as coisas aconteciam mesmo nos prédios de aula. Quem sabe pudesse virar professor de alguma matéria para ficar rodando nos corredores? Seria divertido. Só foi tirado dos pensamentos quando ouviu um francês de sotaque forte que era bem familiar para ele que tinha acabado de chegar na cidade. Virou-se para encarar o homem gordinho que se apresentou como enfermeiro e pelo tamanho do jaleco que estava usando, dava até para acreditar que era dele. - Ahhh, então você é o enfermeiro! O Soren tinha dito que só tinha um enfermeiro aqui, imagino que o trabalho é devagar, hein? - Jaydee respondeu no francês também de sotaque carregado e olhou para o bordado que ele indicou o nome. - Mathew Morrison? E o “K” é de quê? - ele ajustou os óculos, cruzando a distância para se aproximar do loiro e estendendo a mão para cumprimentar o outro com um sorriso largo amigável. - Eu sou James Dean Lewis. Não sou o original, mas sou tão charmoso quanto. Pode me chamar de Jaydee. - ele sorriu de modo convencido, fazendo um estalo com a língua para se afastar e sentar no espaço livre da mesa do computador. Mathew
Sorriu com a resposta empolgada do outro, pelo menos ele parecia ser bem humorado, e havia algo de peculiar no sotaque francês, mas escolheu ignorar o detalhe assim que o sujeito se apresentou como James Dean. Lembrava que sua mãe gostava muito de assistir os filmes de um ator com esse nome, tal como suas irmãs. Demorou alguns segundos antes de aproximar, cumprimentando-o de volta, aceitando de bom grado o aperto de mão. - Muito prazer, senhor Lewi-- ah, senhor Jaydee. O “K” é de Kennedy. - respondeu ainda com o sorriso amigável no rosto. Contudo, ficou um tanto apreensivo quando o sujeito não devolveu seu jaleco e ainda comentou sobre o tal do novo diretor. Ficou apreensivo sim por estar sozinho na enfermaria com um homem desconhecido, com roupas esquisitas e que não parecia ainda pensar em devolver o seu jaleco. Não fazia ideia de quem ele era e porque conhecia o diretor. Contudo, o diretor era alguém que deveria já ser conhecido por pessoas importantes na cidade, então julgou que talvez ele devesse ser importante, talvez o pai de algum aluno. E foi esse momento que seu sorriso morreu, dando lugar a uma expressão de preocupação. - O senhor é o pai de algum aluno? O diretor conversou com o senhor? Olhe, se é sobre o incidente do último semestre, eu devo ressaltar que o cuidado com a educação sexual dos alunos é muito importante e que deveria ser enfatizada como interesse de saúde e não vista como um problema. Quero dizer, quantos jovens adolescentes descobrem no início de suas vidas que possuem problemas transmitidos sexualmente e que poderiam ser evitados? - falou rápido, fazendo uma pausa para pressionar os próprios lábios, segurando a respiração por um momento. - O diretor novo vai me demitir? - questionou, parcialmente entrando em pânico com a possibilidade de, sendo um estrangeiro, perder seu emprego em uma instituição tão importante como St. Clavier. Encarou o outro, apreensivo, julgando que o fato dele estar usando seu jaleco deveria ser um sinal. Precisava ligar para Benjamin e avisar que ficaria desempregado e teriam problemas. Jaydee
- Ahh, pode deixar o "senhor" de lado também, eu não sou tão velho assim. - Jaydee fez um aceno com a mão indicando a desimportância, colocando uma expressão surpresa no rosto em seguida. - Ahhhh, Kenny?! Eu conheci um cara que também se chamava Kenny, mas ele era negro com dois metros de altura, defesa de Futebol, então não combinava muito. Mas com você, até que combina! Ele riu com o próprio comentário e antes de perguntar se o outro era mesmo americano - o que era um pouco denunciado pelo nome, embora ele não tivesse um sotaque forte como o seu -, vieram mais perguntas seguidas de uma expressão quase desesperada do enfermeiro ao perguntar se ele era pai de algum aluno e comentar algo sobre incidente e educação sexual. A primeira reação de Jaydee foi arquear a sobrancelha para o excesso de informações, a segunda foi pensar como o outro era desnecessariamente sincero com alguém que estava vendo pela primeira vez e que, venhamos e convenhamos, não passava lá tanta credibilidade só pelo jeito de se vestir, a terceira foi pontuar mentalmente que a vida em St. Clavier ia ser um dólar mais divertida na companhia do enfermeiro gordinho. - Você é pedófilo, Kenny? - Jaydee perguntou, saltando da mesa onde tinha se sentado, colocando as mãos atrás do corpo como se estivesse mesmo avaliando o homem a sua frente, numa expressão de falsa seriedade. - Que história é essa de incidente e educação sexual com os alunos? Não está ensinando aos meninos sobre DSTs do jeito prático, está? - a pergunta foi de um jeito mais desconfiado, embora toda a postura do enfermeiro denunciasse que ele só era muito nervoso e provavelmente metido em desentendimentos. Mathew
- Não! - respondeu veementemente, mais alto do que gostaria sobre a acusação de ser um pedófilo, chegando até a ignorar o comentário alheio sobre algum jogador de futebol que tinha o nome de “Kenny”. - Eu não sou um pedófilo! Mas que ideia! Eu só estava explicando para um dos alunos sobre preservativos porque algumas dessas crianças aqui parece que estão sempre feito passarinhos na primavera! Gesticulou sem parar, apontando para a direção do prédio de aulas onde os alunos deveriam ficar. Não entendia ainda quem era o tal sujeito que estava ali e porque ele estava lhe acusando de algo tão sério. Seria ele o novo enfermeiro já contratado pelo novo diretor para ficar no seu lugar? - Olhe só, senhor, eu tenho quatro sobrinhos e ajudei a criar todos eles, eu nunca encostei em uma criança dessa forma! É um absurdo alguém me acusar de algo tão repugnante! - sentiu as bochechas ficarem quentes e o óculos desalinhar com o seu rosto, escorregando pelo nariz devido ao nervosismo. - O senhor não é o pai de um de nossos alunos? Então… o diretor falou com o senhor para me demitir? É isso? Eu não fiz nada de errado! Eu já me mudei do prédio dos professores para não incomodar a paz dos outros professores! E eu já escrevi um memorando sobre o incidente da área de serviço para a diretoria! - tentou se defender, ainda que não tivesse sido oficialmente acusado de nada além de pedofilia, o que já era uma acusação bem grave para que ficasse calmo. Jaydee
Jaydee precisou cobrir a boca com uma das mãos para esconder a risada diante da resposta exagerada do enfermeiro, não bastasse o tom de voz alto e a tentativa frustrada de explicação, ainda tinha toda a linguagem de sinais para reforçar que ele não era um pedófilo. E até acreditava que era tudo um mal entendido porque ele era bem ruim com as palavras. - Hahahaha! Você é engraçado, Kenny! - Jaydee se aproximou, dando um tapa nas costas dele que talvez tivesse sido um pouco mais forte do que o necessário. - O Soren não me mandou aqui pra demitir ninguém, relaxa, você está muito nervoso, só fica nervoso assim quem deve. - ele falou tão rápido que quase soou em inglês, puxando a cadeira de rodinhas para se sentar, dando um impulso com os pés para dar algumas voltas. Mas ele mal completou duas voltas, ficou muito mais interessado na outra conversa dele sobre não incomodar os professores no dormitório e ter escrito um memorando sobre a área de serviço. - Epa! O que você fez nos dormitórios que estava incomodando os outros professores, Kenny?! Você não tem cara de quem ia fazer certas coisas erradas em público... ou será que você é aquele tipo de pessoa que tem uns fetiches esquisitos e que vão procurar umas diversões em lugares proibidos? Nesse caso, me passa o endereço. Ele ajustou a posição na cadeira, sentando-se de frente para o encosto, para poder apoiar os braços no encosto e o queixo nos braços, realmente se distraindo com a conversa com o enfermeiro agora vermelho como um tomate. Mathew
Estranhou quando ele disse que era engraçado. Não entendia o que tinha de engraçado em ser acusado de ser um pedófilo. Franziu o cenho ao receber o tapa nas costas, soltando o ar quando o outro revelou que não estava ali para demitir ninguém. Observou o homem agir feito um adolescente, brincando com sua cadeira de rodinhas. Encarou o sujeito, sentindo o rubor lhe tomar a face quando ele começou a questionar sobre o motivo de ter escrito um memorando sobre a área de serviço. - Olha… se o senhor quiser saber, é só acessar os documentos do memorando na administração, eu não vou entrar em detalhes sobre o assunto. - tentou se defender, observando o homem acomodado agora na posição inadequada para a cadeira de rodinhas. - Dá pro senhor tomar cuidado com essa cadeira, por favor? Vai terminar caindo dela. Cruzou os braços, repreendendo o outro como se estivesse lidando com um dos adolescentes de St. Clavier. Afastou-se para poder buscar sua papelada do dia para verificar o que havia organizado para ser feito. Geralmente não havia muitos pacientes, mas sempre precisava organizar os medicamentos e arrumar os relatórios da enfermaria. - Se o senhor não está aqui para me demitir, o que o novo diretor conversou com o senhor? E pode deixar o meu jaleco, por favor? - pediu, separando as papeladas das quais precisava dar conta, considerando os períodos de avaliação médica dos alunos. Alguns novatos precisavam fazer avaliação médica para os esportes e outros precisavam registrar a necessidade de medicamentos periódicos no caso de alunos com prescrição para insulina ou remédios específicos. Jaydee
E o rubor só ficou mais intenso quando supôs que ele tinha feito algo indecente na lavanderia. Ele até tinha entregado as outras coisas de mão beijada, mas conseguiu segurar a língua. Talvez devesse ter dito que estava ali mesmo a mando de Soren, aquele nome parecia bem útil. - Hm, hm, hmmmm... agora estou mesmo curioso para saber o que você fez, Kenny. - deu outra volta na cadeira, deixando os pés no chão daquela vez só para ficar rodando de um lado a outro repetidamente. - Não se preocupe, tem um enfermeiro aqui, estou no lugar certo para me machucar. Logo o enfermeiro se afastou para pegar alguns papeis que pareciam chatos, e Jaydee apenas esticou o pescoço para o lado para ter uma visão melhor do que ele estava fazendo, ainda brincando de girar na cadeira naquele meio tempo. Bom era que ele devia estar bem acostumado com a parte burocrática, então não teria tanto trabalho naquele sentido. Já que a academia não devia ter muitos problemas médicos preocupantes, quem sabe pudesse passear e conhecer um pouco mais dos funcionários e alunos? Estava de costas para o enfermeiro quando ouviu a pergunta sobre o que estava fazendo ali e só então se tocou que ainda não tinha dito sua função. - Ahhhh, o Soren conversa muita coisa comigo, tem que ser mais específico. - Jaydee mudou a posição em que estava sentado, encostando-se na cadeira e esticando as pernas para apoiar os pés na mesa do computador, cruzando os tornozelos. - Você deve ter mais jaleco aí, não é? Eu posso usar esse só hoje? Ainda não estou com meus jalecos em Cerise. O Soren me contratou para ser o novo médico da Academia, aliás. Então, vamos trabalhar muitas horas juntos, Kenny! Mathew
Teve vontade de revirar os olhos com a resposta dele sobre ter um enfermeiro na enfermaria e isso significava que podia se machucar. A vontade só aumentou quando ele ainda ficou brincando com a cadeira de rodinhas tal qual uma criança mal criada. Lembrava de seus sobrinhos se comportarem daquela forma quando queria atenção, mas o sujeito era um homem já adulto. Ou ao menos esperava que ele fosse. Estranhou a intimidade entre ele e o diretor da escola, mas não podia julgar se ele e Soren fossem algo a mais. Era namorado de um dos professores da instituição. Franziu o cenho quando o homem esticou os pés na mesa do computador e terminou ajustando seus óculos antes de se aproximar para retirar os pés dele dali. - Oi, isso aqui é uma enfermaria! Dá pro senhor tirar os seus pés da mesa? Que grosse-- fez uma pausa, processando o que ele havia acabado de falar sobre ser um “médico”, só então se dando conta do apelido que detestava e que o homem parecia ter desenvolvimento imediatamente um hábito de chamá-lo por tal. - O senhor… é médico? Cruzou os braços, afastando-se para observar o sujeito melhor, desconfiado. Estava a um passo de chamar a segurança. Afinal de contas, não seria a primeira vez que um maluco invadia St. Clavier para aprontar. Deveriam mudar a razão social daquela instituição para manicômio, seria mais coerente. - E onde foi que o senhor se formou? Já trabalhou em um colégio antes? - perguntou, tentando parecer casual, mas bem mais desconfiado por aquele maluco ainda estar supostamente habilitado para tratar dos alunos daquele lugar. Mal conhecia o homem, mas tinha certeza que não colocaria nenhum de seus sobrinhos aos cuidados dele. Jaydee
O enfermeiro se aproximou para tirar os seus pés da mesa e ele só aproveitou o impulso para dar mais uns giros na cadeira, ignorando a reclamação dele de quem estava falando com uma criança levada para se consertar. Mas foi o próprio enfermeiro que parou de falar quando assimilou a sua função. - É o que diz meu diploma. - de novo, Jaydee mudou a posição em que estava sentado, agora de frente para o encosto, apoiando os braços no encosto da cadeira e o queixo nos braços, para ficar rodando de um lado para outro, com os pés apoiados nos pés da cadeira. - Se eu trabalhei num colégio? Hmmm… trabalhei num hospital universitário quando tinha 17 anos, serve? Depois em hospitais grandes, centros de pesquisa europeus, emergências, essas coisas. Mas a emergência do Bronx é mais interessante do que a daqui. Sempre tem alguém com um objeto novo na bunda. Ele parou de rodar a cadeira, esticando os braços para frente, parecendo uma criança realmente impaciente. - E você, Kenny? Trabalha aqui há muito tempo? O que já teve de interessante por aqui? Algumas doenças raras? Acidentes inexplicáveis? Tipo barata presa dentro do ouvido? Estou pensando o quão o colégio pode ser interessante ou entediante. Mathew
Levou a mão ao próprio queixo enquanto cruzava os braços com a conclusão de que aquele era mesmo o médico contratado recentemente pela instituição. Bem, na verdade não era exatamente uma conclusão, ele poderia estar mentindo, julgando que ele não parecia nenhum pouco com a imagem que tinha de um médico. Observou o homem adulto continuar brincando com a cadeira quando lhe contava mais da própria história. Suspirou resignado, segurando a vontade de dizer a ele que ainda parecia um adolescente de 17 anos brincando daquela forma com sua cadeira na enfermaria. Pelo visto ele deveria ser algum tipo de gênio para ter começado a trabalhar tão jovem. Naquela idade, ainda estava tentando conciliar os estudos com o desejo de conseguir uma bolsa no curso de medicina em seu país de origem. Encarou o sujeito quando ele pareceu se espreguiçar, questionando sobre o que já havia ocorrido de interessante ali. Cruzou os braços de vez, considerando que poderia contar muitas coisas a ele, desde o aluno que havia queimado as mãos em um acidente com o professor de gastronomia, o caso do aluno que havia perfurado o olho do outro, o outro caso do aluno se acidentando por abusar das aulas de artes marciais, o caso do aluno com o pulso machucado que não podia praticar mais esgrima direito, ou até mesmo o próprio caso de assédio com um dos professores daquela instituição. Podia não ter uma memória perfeita, mas se recordava bem dos pacientes que já havia atendido. - Posso fazer melhor. - respondeu, afastando-se para o armário a fim de encontrar seu jaleco de emergência, o mais lindo que guardava ali no caso de ter levado o outro para lavar e ter esquecido a peça na sua casa. Abriu uma portinha do móvel abaixo da bancada e retirou uma caixa plástica fechada. Pegou a mesma e levou até à mesa do computador, abrindo-a para revelar a grande quantidade de arquivos. - Aqui estão os relatórios do último ano, com o registro dos alunos que deram entrada e saída. Pode se divertir, doutor. Eu vou pegar um café. O senhor quer um? Ofereceu por educação, desistindo de lutar para ter sua cadeira de volta. Na verdade, precisava respirar um pouco de ar longe daquele homem que teimava em lhe chamar pelo apelido que detestava. Talvez ele fosse algum velho amigo de seu irmão mais velho, enviado ali apenas para lhe provocar. Jaydee
Jaydee até ficou mais animado quando o enfermeiro disse que podia fazer melhor do que lhe dizer o que tinha acontecido na escola até então, mas logo ele voltou com uma caixa cheia de arquivos e relatórios que lembrava todas aquelas fichas de internação que ele mal preenchia quando estava na emergência nos EUA. O americano até contorceu a expressão numa de nojo como se ele tivesse colocado uma meia fedida na sua frente. - Ehhhh, pra que é que eu vou ler um monte de relatório quando tenho um colega bem aqui que pode me ajudar e me deixar a par das coisas, hm? - ele quase pulou da cadeira como se fosse para se afastar dos relatórios, e abriu um sorriso largo quando o outro ainda lhe sugeriu ir buscar um café. - Não tem uma cafeteira aqui dentro? A gente devia falar com o Soren pra conseguir uma, vou colocar na minha lista de afazeres. Ele seguiu animado até o lado de Mathew, dando um tapa leve nas costas dele e empurrando-o na direção da saída da enfermaria para acompanhá-lo também na busca pelo café. - Mas não importa, melhor assim que podemos ir buscar o café e conversar no caminho, bem melhor, hein, Kenny?? - ele colocou as mãos nos bolsos do jaleco para acompanhar o enfermeiro lado a lado pelos corredores pouco conhecidos da Academia. - E então, conte-me sobre os casos interessantes que tivemos no último ano. Há quanto tempo ce tá em St. Clavier? Mathew
Abriu a boca, o cenho franzido, como se fosse se defender, negando para o médico que mais parecia um dos adolescentes de St. Clavier mimado ou um de seus sobrinhos em um dia de malcriação que não precisava de companhia, que não queria companhia para buscar o café. Virou as costas para o homem, revirando os olhos quando ele falou sobre falar com Soren como se o sujeito fosse um amigo próximo. Aquele cenário parecia de um favoritismo que lhe doía a cabeça. - Eu gostaria muito que o senhor, por favor, parasse de me chamar de “Kenny”. Meu nome é Mathew Morrison. - pediu educadamente, apesar de ter sido empurrado para poder seguir no corredor até a máquina de vendas de café. - E o que o senhor quer dizer com casos “interessantes”? A maioria dos nossos alunos têm problemas semanais com… - suspirou, dando de ombros. - … dores de barriga, dor muscular, algumas enxaquecas, professores também, esse tipo de coisa. Caminhou rapidamente, esperando conseguir chegar logo na máquina de venda de café para se livrar logo da companhia do sujeito estranho. Ainda estava em dúvida sobre o outro ser um médico com um histórico importante. Parou em frente a máquina, pensando entre pegar um café de fato um um suco de pêssego. Ajustou os óculos ao rosto antes de buscar nos bolsos de sua calça pela carteira. - O senhor quer beber alguma coisa…? - virou-se para o outro, perguntando pela preferência dele. Apesar de ainda achar o sujeito estranho, deveria ser o primeiro dia dele ali e sabia como um primeiro dia poderia ser difícil. Não queria ser desagradável com o homem de propósito. Talvez apenas tivessem começado com o pé errado. Jaydee
Jaydee apenas riu e quase ignorou o comentário levemente descontente do enfermeiro sobre parar de chamá-lo pelo apelido carinhoso que tinha acabado de instituir. - Mathew Kennedy Morrison. E eu disse que você pode me chamar de Jaydee, não foi? Que custa me deixar te chamar de Kenny? É pra reforçar os laços de amizade, Kenny! - ele deu um tapa de leve nas costas do enfermeiro enquanto seguiam até a máquina de café. - Ah, vá, não quer me dizer que só teve isso aqui no último ano? Eu conversei com umas senhoras na emergência do hospital que me contaram coisas muito mais interessantes. O que está escondendo de mim, Kenny?? Não demorou muito a chegarem na máquina de café e se encostou do lado dela enquanto Mathew escolhia a bebida. Mal ouviu a pergunta dele sobre o que beber, teve a atenção desviada para o fim do corredor, onde outro homem tinha aparecido, com uma pilha de papeis na mão, olhando as informações na folha do topo da pilha. - Opa. Já achei uma coisa interessante em St. Clavier, já que os casos da enfermaria estão entediantes. - Jaydee sorriu largamente, observando o homem loiro, bem vestido e de olhos verdes que parecia bem concentrado nos próprios papeis, no fim do corredor. - Pode pegar um café pra mim, Kenny, eu vou fazer amizade com esse colega de trabalho. E deu outros dois tapinhas nas costas de Mathew antes de seguir na direção do loiro bonito no fim do corredor. Mathew
Respirou fundo e revirou os olhos antes de franzir o cenho, considerando como o sujeito conseguia lhe lembrar de seu irmão mais velho que mesmo sabendo o quanto não gostava do apelido, lhe chamava do mesmo jeito de “Kenny”. Estava pronto para repetir para o outro que parasse de lhe chamar pelo apelido do qual não gostava quando ele pareceu mais interessado em outro acontecimento no corredor. Estava agachando-se para pegar seu café quando notou o homem se afastar, avisando que poderia pegar o café dele. Franziu o cenho novamente ao receber os tapinhas nas costas. - O café é qualquer café ou-- Fez uma pausa, inquieto com a falta de informação quando se deu conta do homem que vinha na direção da máquina pelo corredor. Em uma situação normal, sozinho, ficaria animado em encontrar Benjamin, mas dado a personalidade do sujeito que se dizia ser o novo médico da instituição, teve uma leve pontada de dor de cabeça, prevendo o desgosto que teria com aquela situação, principalmente pelo tom utilizado pelo homem para definir amizade. O tal médico ainda por cima estava usando o seu jaleco ao invés de ter trazido o próprio. Fez uma pequena pausa para pegar o café do sujeito. Apesar de tudo, estava tentando ser educado com o homem que só parecia tentar lhe estressar os nervos. Logo em seguida, rumou ao encontro dele e do professor loiro de olhos verdes, muito bonito. Acenou para o professor com os cafés em mãos e esboçou um sorriso. Na verdade, era fácil sorrir na presença do namorado. Contudo, a presença do novo colega de trabalho parecia testar seu bom humor, então esperou a apresentação amistosa do homem. Também não sabia o que o namorado poderia estar fazendo ali, com aqueles papéis. Não que desgostasse de encontrá-lo, pelo contrário, às vezes até escapava da enfermaria para tentar espiar o homem no próprio trabalho. Jaydee
Jaydee mal esperou uma resposta de Mathew e se colocou propositalmente no caminho do homem loiro bonito que vinha na direção deles. E o outro estava aparentemente interessado nos papeis que segurava, mudando sempre um papel e colocando-o no fundo da pilha. E também estava um pouco apressado, o que se provou quando Jaydee parou na frente dele e ele quase deu um salto no lugar ao perceber que havia alguém no caminho. - Ah, desculpe, posso ajudar? A expressão de Jaydee quase se iluminou ao ouvir a pergunta do outro e identificar imediatamente o sotaque inglês. - Com certeza pode me ajudar. Você é inglês, não é? - Jaydee sorriu largamente, estendendo a mão na direção do outro. - James Dean Lewis, novo médico de St. Clavier. - Sou sim... - Benjamin franziu o cenho com o homem a sua frente, pelo modo como tinha falado, o sotaque carregado e principalmente as roupas estranhas coroadas com o jaleco de Mathew. - Benjamin Vaughn, sou professor de inglês. Seja bem-vindo, Sr. Lewis. - Ah, pode me chamar de Jaydee. - ele sorriu mais largamente, e foi bem em tempo de Mathew se aproximar dos dois também. - Então, Benji, posso te chamar de Benji, não posso? Nós já não nos vimos antes? Você tem um rosto muito bonito pra se esquecer. Benjamin arqueou as sobrancelhas com o excesso de informações e de liberdade do médico, mas ele parecia bem animado. Nem teve tempo de cumprimentar Mathew com o quase avanço do tal novo médico. - Eu não sei se nos vimos, mas acho que também lembraria de você. - Benjamin respondeu com o sorriso cordial de sempre. - Está trabalhando com Mat agora? Mathew
Encarou aquela cena enquanto segurava os dois cafés em mãos, estranhando a aproximação do médico de seu namorado. Respirou fundo e prendeu a respiração antes de se aproximar, repetindo mentalmente que não tinha nada demais no médico que já havia causado uma má impressão para sua figura se aproximar de Benjamin no trabalho, também eram colegas de trabalho, afinal. E ele não tinha como saber que eram namorados, não é mesmo? Já havia se metido em confusões antes por não deixar claro para as pessoas que Benjamin era seu namorado. Abriu a boca, inquieto com o apelido novo colocado no inglês. Olhou para o médico com descrença sobre a escolha do tal “Benji”, ainda mais quando ele fez questão de elogiar a aparência do loiro. Baixou o olhar, considerando que a aparência do outro era algo a se observar sim, e repetiu mentalmente que o sujeito não deveria saber que eram namorados. Ouviu a resposta do inglês e arqueou uma sobrancelha, considerando por um instante a possibilidade do médico ser um dos rapazes com quem Benjamin já poderia ter saído, como Stephen. Crispou os lábios, parando para observar os papéis que o outro trazia antes de encostar no braço do médico com seu cotovelo, estendendo-lhe a bebida. - Seu café. - avisou, sorrindo breve para Benjamin. - A gente se conheceu hoje, ainda não sei se o novo diretor quer me demitir ou não, mas estamos dando um passeio para ele conhecer o lugar. - explicou, agora com uma das mãos livros, usando-a para ajustar seus óculos no lugar pela armação. - Está com pressa, Benjamin? Precisa de ajuda? - resolveu se ater ao assunto do trabalho, apontando para a papelada que ele parecia preocupado em arrumar. Normalmente poderia tratá-lo por “professor”, mas como não havia nenhum aluno presente, não via problema em chamá-lo pelo primeiro nome, além disso, se o médico tinha a própria ousadia em chamá-lo por meio daquele apelido horroroso, não custava nada chamá-lo pelo nome. Jaydee
A resposta automática de Jaydee para aquela frase dele de que não tinha certeza se já o conhecia foi um sorriso enorme e convencido. Colocou as mãos nos bolsos, inclinando-se na direção do professor de inglês com um olhar arteiro. - Hmmmm, então quer dizer que já conheceu gente demais para lembrar de todo mundo? Mas eu tenho uma boa memória, eu lembraria de você. - ele adicionou, num tom bem insinuante que só fez com que Benjamin arqueasse de novo as sobrancelhas com a liberdade e investida bem óbvias do outro. Mas sinceramente, não tinha como levá-lo a sério naquelas roupas ridículas e a única resposta foi uma risada breve. - Eu com certeza não o esqueceria. Jaydee, certo? - Cert- ah, obrigado, Kenny! - Jaydee estendeu a mão para pegar o café do enfermeiro e mais uma vez, a expressão de surpresa em Benjamin pelo apelido inconveniente do namorado ficou bem óbvia no rosto do inglês. - Que é isso, Kenny, o Soren não vai te demitir, e você ainda me deve os casos estranhos da enfermaria até agora. - Bom, St. Clavier é um lugar bem grande para se conhecer, vai demorar mais do que pretendem. - Benjamin respondeu. - Não preciso de ajuda, obrigado, só vou deixar esses trabalhos de uma das turmas na sala dos professores e começar a corrigir, minha primeira aula é só no próximo período. Se me dão licença, seja bem vindo, doutor. Até depois, Mat. Ele acenou para os dois e seguiu na direção da sala dos professores, sob um olhar bem intenso e curioso de Jaydee que voltou a atenção exagerada para o enfermeiro. - Ele te chamou de "Mat"? Vocês são bem íntimos, hein? Já dormiu com o professor de inglês, Kenny? Mathew
Não sabia o que era pior - assistir o novo médico de St. Clavier dando em cima do seu namorado na cara mais lavada possível; ou continuar sendo chamado de “Kenny” e ainda por cima ter de se lembrar que o sujeito deveria ser algum amigo do novo diretor para tratá-lo de uma forma tão impessoal. Sentia saudades do senhor Vivien - apenas por aquele breve fragmento de tempo. Acenou de volta para Benjamin enquanto ele partia, constatando que o professor deveria mesmo estar bem ocupado naquela manhã. Encarou o novo médico de volta e desviou o olhar por um instante, recordando de todas as confusões nas quais já havia se enfiado apenas por não deixar claro que tinha um namorado. E que esse namorado era um homem. Tão claro como o dia, o rubor lhe tomou a face quando foi questionado sobre já ter dormido com o professor de inglês. Respirou fundo antes de tomar um gole de seu café, concluindo que a curiosidade do homem não cessaria até explicar a situação. - Ele é meu namorado. A gente se conheceu no trabalho. - explicou, fazendo menção de continuar andando pelo corredor. - Você não queria conhecer o lugar? Vamos continuar ou quer voltar para a enfermaria? - perguntou, tentando evitar falar sobre qualquer aspecto da sua vida íntima com o professor no trabalho. Já havia sido repreendido sobre o assunto, de todo modo. Jaydee
Jaydee mal teve tempo de engolir o gole de café quando Mathew respondeu bem casualmente que ele era namorado do professor de inglês e que tinham se conhecido no trabalho. Talvez a reação não tivesse sido tão exagerada se não tivesse dado uma boa olhada no belo professor de inglês, mas a descrença falou mais alto junto à surpresa com a informação e a primeira coisa que Jaydee conseguiu fazer foi cuspir todo o café que tinha colocado na boca bem em cima do enfermeiro, sujando toda a roupa dele e tossindo algumas vezes para recuperar o ar. - Ele é... o quê?! - a resposta saiu num inglês de sotaque bem carregado americano e Jaydee quase deixou o copo de café cair com a pergunta, algumas gotas do líquido inclusive escorrendo pelo canto da boca para o queixo, com o que ele não se importou ao encarar o enfermeiro de perto, dando uma longa olhada de cima abaixo. - Como é que aquele professor de inglês, inglês, alto, bonito dos olhos claros e de sotaque britânico está namorando com um enfermeiro gordinho desajeitado de uma escola só para meninos! Você não é virgem? Você tem cara de virgem, Kenny! Como é possível?! O que é que você fez com ele? É alguma magia que eu não conheço? Ou você tem cantadas melhores que as minhas?! É um relacionamento aberto, não é? Tipo, ele dorme com muitos caras fortes, altos, de olhos claros e mais bonitos que você?! A expressão de surpresa do médico era genuína. Mathew
Foi pego de surpresa pelo banho de café logo cedo pela manhã por conta da reação exagerada do médico. Franziu o cenho e fechou os olhos, tentando processar aquele cenário. Não era possível que além de ser um sujeito extremamente invasivo, ter dado em cima de Benjamin em sua frente, o homem ainda conseguiu estragar seu jaleco extra e as roupas com as quais havia ido para o trabalho naquele dia. Abriu os olhos para dar de cara com o sujeito e franziu o cenho, removendo o próprio par de óculos antes de secar as gotículas de café que haviam espirrado em seu queixo. Levou a mão até o ombro do sujeito, afastando-se dele, desconfortável por ele ainda adentrar no seu espaço pessoal. - Olha aqui, doutor… - começou, sentindo uma pontada nervosa com as perguntas presunçosas do sujeito. - Não é um relacionamento aberto coisa nenhuma. Se lhe interessa saber sobre minha vida sexual, não, eu não sou virgem. - admitiu aquilo com um certo rubor na face que não sabia dizer se era por conta da raiva ou por lembrar que Benjamin havia sido a única pessoa com quem já havia tido relações. - Eu acho melhor o senhor procurar outro funcionário para lhe mostrar St. Clavier, porque agora eu vou precisar descobrir como me livrar desse banho de café que o senhor acabou de me dar! - respirou fundo, travando o maxilar pela raiva com a situação com o adulto. - Agora eu que vou escutar do senhor Saito! Sacudiu os braços, tentando se livrar do excesso de café antes de colocar os óculos de novo e remover o jaleco, rumando na direção do banheiro que era para o uso dos funcionários e professores da instituição. Se o novo diretor estava fazendo aquilo, contratando aquele médico desagradável apenas para lhe castigar por seus deslizes no trabalho nos últimos meses, sentia um imenso desejo em poder dizer umas poucas e boas para o sujeito, mas o medo de perder o emprego era maior, considerando que ainda era um estrangeiro naquele país e precisava de um emprego para pagar as contas de uma vida a dois. Jaydee
A reação do enfermeiro foi ainda mais expressiva do que Jaydee tinha previsto e pelo menos ele teria com o que se divertir. Acabou rindo das respostas enfáticas dele, a ponto da lágrima escorrer no canto do olho. - Isso é melhor do que eu esperava, Kenny, hahaha! E você não é virgem mesmo! Bom, a sua vida sexual não me interessa tanto, mas a do professor de inglês, quem sabe? - ele sorriu largamente, enquanto Mathew tentava se entender ao se livrar do excesso de café. Jogou o copo descartável no lixeiro mais próximo no caminho de volta à enfermaria quando Mathew sugeriu que ele encontrasse outra pessoa pra lhe ajudar no tour por St. Clavier. - Então tá, eu te encontro mais tarde na enfermaria, Kenny. Vou ver se o professor de inglês precisa de ajuda com as correções do trabalho. Eu sou muito bom em inglês. Ele deu um par de tapinhas no ombro de Mathew para seguir na direção oposta, buscando o caminho por onde Benjamin tinha desaparecido antes. Já que o enfermeiro não queria lhe contar os casos interessantes da enfermaria e da escola, talvez outra pessoa pudesse fazer aquele favor. Mathew
Sentiu o rubor lhe subir na face mais uma vez pelo outro deixar tão enfatizado o fato de não ser mais um virgem, ainda mais sobre o interesse do sujeito com a vida sexual de seu namorado. Bem, no final das contas, ele poderia acabar descobrindo sobre sua vida sexual, considerando que não acreditava que Benjamin estivesse namorando outra pessoa. Ficou em alerta quando ele anunciou que iria procurar o professor de inglês para “ajudá-lo”. Franziu o cenho com os tapinhas em seu ombro e já se adiantou a seguir o novo colega de trabalho, segurando-o pelo jaleco para impedi-lo de continuar o percurso na procura de Benjamin. - Não! Não precisa! Você não queria saber o que tinha nos relatórios? Eu te conto! Não precisa ir atrás do Benjamin agora! - avisou, esperançoso que o sujeito concordasse com sua proposta. Estava ali, sujo de café quente, precisando se livrar da bebida em suas vestes, e ainda tentando impedir que o homem fosse invasivo com seu namorado. Sabia o quanto Benjamin levava o próprio trabalho a sério, a última coisa que queria era que seu novo colega de trabalho fosse incomodá-lo também. Podia tolerar aquele tipo de comportamento desagradável do homem, estava acostumado em ser destratado por pais de alunos e colegas de trabalho. Jaydee
Jaydee teve o trajeto interrompido bruscamente quando Mathew lhe alcançou e lhe puxou pelo jaleco, bem decidido em impedir que ele fosse atrás do professor de inglês. Ele até foi pego de surpresa com a reação do enfermeiro, mas sorriu satisfeito, principalmente porque o enfermeiro era uma figura interessante e muito fácil de atormentar, o que devia lhe dar uma diversão a mais naquela academia. - Ahhhh, agora está interessado em me contar os casos da escola? Mas eu só ia ser uma pessoa prestativa com o inglês. - ele apontou por cima do ombro, mas resolveu ajustar o jaleco que Mathew tinha puxado e se virar na direção dele, passando um braço por cima dos ombros do enfermeiro para voltarem o trajeto. - Que bom que está mais disposto, Kenny, eu gostei de você. Me convide pra jantar com você e o seu namorado um dia. Mas então, me conte mais sobre os casos da enfermaria que foram interessantes no último ano, e da escola, e da cidade! Ele guiou Mathew de volta a enfermaria, esperando ouvir os comentários sobre St. Clavier. Talvez tivesse algo ali que lhe garantisse ficar na cidade pelo menos por uns seis meses de interesse, quem sabe? Mathew
Torceu os lábios com a ideia do outro “sendo prestativo” com Benjamin. Ele, na verdade, parecia o tipo bem inconveniente. E se havia alguém naquela instituição que entendia de inconveniência era o enfermeiro. Encarou o sujeito que o envolvia pelos ombros, segurando a respiração antes de desviar o olhar, suspirando pesado. Ele ainda tinha o descaramento de lhe dizer que havia gostado de sua figura. Se aquele era o “gostar” do sujeito, não queria saber qual era o “desgostar” dele. Ficou surpreso com o convite próprio do outro para jantar em sua casa. O dia mal havia começado e já se sentia exausto. Ainda teria de contar ao outro sobre o que havia acontecido na instituição até então. Não que não gostasse de contar histórias, mas falar da vida dos alunos ainda lhe incomodava. Pelo menos ele era amigo do novo diretor. Aquele detalhe deveria contar de alguma coisa. Retornou para a enfermaria com o outro, esperando não se arrepender ainda mais de conhecer seu novo colega de trabalho. Quanto mais tempo passava na presença do sujeito, mais sentia saudades do psicólogo de St. Clavier. [thread encerrada] |