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Fuxicando [Natalia] - Carbella - 09-27-2021 Clementine
Normalmente depois de chegar da escola, Clementine ficava ou na Padaria Antique, ou ficava com suas amiguinhas, Adelaide depois de se mudar para casa dos Dupont tinha ficado mais difícil de visitar com frequência por ser um distrito longe. Mas quando não tinha nada na rua, ficava em casa, cuidava da janta, dividia os serviços de casa e fazia suas tarefas de casa pra ter tempo de assistir TV antes de dormir, ou testar receitas novas. A pequena ruiva estava tendo uma noite bem diferente das costumeiras, afinal, estava em casa depois do horário na Antique, mas a sua irmã não estava lá, pelo calendário em lousa preso na parede da cozinha, não era dia de trabalho no Hospital, de noite ela não trabalhava no laboratório e estava muito cedo pra ela ter ido no cursinho. Também não tinha visto Arman, mas ele não tinha horários e era normal ele sumir e depois reaparecer do nada. Depois de jantar, e testar um tutorial de bolo que tinha visto na internet, a massa estava assando no forno, e a menina recebeu o aviso do vizinho e irmão que sua irmã estava de “castigo” e que ia demorar pra voltar pra casa. A menor não entendeu, como sua irmã que era adulta poderia estar de castigo? Curiosa a pequena ruiva buscou pensar, porque pessoas ficam de castigo, geralmente é quando fazem algo de errado. Será que a mana tinha feito algo errado e por isso estava recebendo castigo na casa da tia Fleur? A pequena sentou na cadeira e puxou o celular com capa colorida, e buscou o número conhecido na agenda [20:12, 17/02/2014] Clementine: Doutora fofinha? pde conversar? ç_ç? [20:12, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ sei se vc tem 1 tabelinha como a mana d dias e horas então ñ sei qndo vc tá d plantão ou ñ ç_ç [20:13, 17/02/2014] Clementine: Eu tô com 1as dúvidas e acho q vc pd me ajudar ú_ù~ [20:14, 17/02/2014] Clementine: Se ñ pdr conversar td bem ._. A menor tinha usado seus emojis de chantagem emocional, geralmente o “._.” era suficiente pra fazer qualquer pessoa ficar preocupada com o que a menor tinha a dizer. Esperava que funcionasse do mesmo jeito para a amiga de sua irmã, a doutora Arlovskaya. Natalia
Estava terminando de atender seus pacientes no centro clínico quando fez uma pequena pausa para verificar as mensagens em seu celular antes de arrumar o jaleco antes de passar a mão no próprio pescoço em uma auto massagem após as longas horas de ouvir as crônicas das vidas de seus preciosos pacientes. Encarou o aparelho e arqueou uma sobrancelha diante da mensagem com o contato registrado da garotinha que havia encontrado na padaria de docinhos deliciosos. Apoiou os quadris contra sua própria mesa e leu as mensagens, rindo baixo com a ideia de que a pequenina estava com dúvidas que apenas ela poderia ajudar a sanar. [20:25, 17/02/2014] Natalia: Parei de trabalhar agora. [20:25, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem com você? Fez uma pausa, considerando que a garotinha poderia estar com algum problema de saúde, com dúvida sobre que tipo de remédio usar ou ainda poderia ser algum problema com a irmã dela e ela estivesse precisando de ajuda médica. Ponderou sobre as probabilidades, concluindo que a garotinha era esperta o bastante para chamar uma ambulância de o problema fosse de fato de saúde e grave. Enquanto esperava a resposta da garotinha, guardou seus itens em sua bolsa, desligou o computador e o ar condicionado e saiu para a ala de troca de roupas a fim de poder se arrumar para dar início ao seu turno de plantão de fato. Clementine
Olhou o bolo no forno, notando que ele estava aumentando de tamanho gradativamente, dessa vez não tinha errado a quantidade de fermento, as dicas de sua Tia Fleur realmente “arrumavam” as receitas tortas do youtube. Viu o visor do celular brilhar e o sinal claro de que tinha recebido mensagem, se afastou do forno e tornou a se sentar na cadeira junto a mesa, onde tinha os ingredientes que iria usar para confeitar o bolo quando estivesse pronto: [20:26, 17/02/2014] Clementine: Comigo sim! ^w^ [20:27, 17/02/2014] Clementine: Eu melhorei da gripe! tds os meus colegas d classe tão doentes agora! oxo! [20:27, 17/02/2014] Clementine: At a prof ficou doente t tendo aula na otra sala ouo [20:28, 17/02/2014] Clementine: Mas eu queria flar d otra coisa o^o! [20:28, 17/02/2014] Clementine: Pode conversar 1 poqnho? ou vai dirigir? o-o? [20:29, 17/02/2014] Clementine: Eu t testando fazer 1 bolo c/ recheio dpois qer provar? o0o!? A menina olhou em volta pensando se a mulher era do tipo que respondia rápido, se fosse não iria conseguir confeitar e rechear, mas se ela digitasse como sua irmã, teria tempo de fazer tudo e no final comer bolo antes de dormir. Parecia um bom plano em sua cabeça. Natalia
Estava terminando de prender o cabelo em um coque quando notou as novas mensagens em seu aparelho. Sentou-se no banquinho da sala de troca de roupa e arrumou a alça do sutiã enquanto cruzava as pernas para responder. [20:31, 17/02/2014] Natalia: Eu estou com fome mesmo. [20:31, 17/02/2014] Natalia: Mas eu não sei onde você mora. [20:32, 17/02/2014] Natalia: Sua irmã não iria ficar irritada se eu aparecesse? [20:32, 17/02/2014] Natalia: Eu posso conversar. [20:33, 17/02/2014] Natalia: A sua irmã ainda não chegou em casa? Arqueou uma sobrancelha para a tela do celular, considerando que naquele horário e naquele dia, era mais que plausível que a ruiva cereja já tivesse chegado em casa. Talvez a pequena estivesse apenas entediada a julgar pela atenção que a irmã deveria dividir entre ela, os estudos e o próprio trabalho. Não se sentiu compelida a se apressar para o atendimento do plantão. Tudo era muito tranquilo naquela unidade e o máximo que fazia era prescrever novos remédios e dar continuidade à observação dos poucos pacientes internados na ala amarela. Nada realmente digno de preocupação exacerbada. Duvidava que seus colegas de trabalho fossem tão estúpidos que não conseguiam fazer aquilo sem a sua presença. Clementine
A pequena ruiva ficou feliz da doutora fofinha ter interesse em suas receitas de teste, mas tinha de manter a atenção, tinha entrado em contato com o objetivo de perguntar coisas sobre o dia a dia de sua irmã, pra tentar entender porque é que ela tinha ficado de castigo. [20:34, 17/02/2014] Clementine: Eu ñ posso t da o endereço! u-u [20:34, 17/02/2014] Clementine: + vo pensar num jeito d entregar! >n>! [20:35, 17/02/2014] Clementine: Eu qero flar da mana… [20:35, 17/02/2014] Clementine: <.< [20:35, 17/02/2014] Clementine: >.> [20:35, 17/02/2014] Clementine: É q ela chegou muito brava hj ñ e brigou com td mundo em casa e no vizinho, e na rua, e tá lá na casa do Arman, trancada no quarto d castigo! [20:36, 17/02/2014] Clementine: Daí qeria saber se vc brigo c ela d novo, ou se tem alguen xateando a mana no trabalho? o-o? Perguntou de uma vez, porque imaginava que era melhor falar logo, talvez ela ficasse ocupada no trabalho e depois não pudesse continuar conversando, e não queria ficar na curiosidade de uma conversa pela metade. Esperava que não fosse alguém chateando sua irmã, senão teria de pensar num jeito de dar uma bronca nessas pessoas. Natalia
Encarou a mensagem e respirou fundo, levando o telefone aos lápis para pensar no que responder para aquela criança. Ela estava preocupada com a própria irmã com quem ela, a médica que era superior da ruiva cereja, havia discutido anteriormente. Pegou o aparelho com as duas mãos novamente antes de voltar a digitar para responder a criança. [20:36, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela. [20:36, 17/02/2014] Natalia: Ela ficou muito brava? [20:36, 17/02/2014] Natalia: Você ficou sozinha? [20:37, 17/02/2014] Natalia: E que história é essa de castigo? Ficou confusa com a ideia de que uma mulher adulta como era a enfermeira da pediatria estava de castigo. A irmã dela teria colocado ela de castigo? Aquilo era engraçado. Certamente levaria algum tapa da mulher se ela conseguisse ouvir sua risada naquele momento ao imaginar uma mulher adulta de castigo enquanto a irmã mais nova dela ligava preocupada para o trabalho dela. Clementine
O protótipo de ruiva cereja analisou bem a tela do celular, quase se esquecendo por um momento que tinha um bolo no forno, tornou a olhar para o mesmo, se aproximando e deixando o aparelho de lado alguns momentos para checar o mesmo, espetou e conferiu que ele estava no ponto de retirar para deixar esfriar. Pegou as luvas apropriadas para manusear a forma quente e deixou o bolo esfriando sobre o fogão. Tornou a mexer no aparelho alguns minutos depois: [20:45, 17/02/2014] Clementine: Brigaram d novo? [20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana não fala muito do trabalho, mas d vez em qand ela fala szinha e eu ñ entendia q ela tava falando, pensava que “arlovisvik” era um oto idioma. [20:45, 17/02/2014] Clementine: E eu sempre fico sozinha essa hra. [20:45, 17/02/2014] Clementine: A mana vai pro cursinho… [20:45, 17/02/2014] Clementine: E ela tá de castigo na casa do Arman, meu vizinho, filho da tia Fleur da Padaria. [20:45, 17/02/2014] Clementine: pq vcs brigaram? A menor perguntou na inocência, não sabia porque pessoas adultas brigavam, não era como os meninos da escola que escondiam estojos ou zombavam dos seus desenhos, devia ser coisa séria, ou talvez gente chateando? Era difícil de entender os adultos as vezes. Natalia
Enquanto esperava a resposta da criança, guardou o celular no bolso do jaleco, levantando para ir até a área de prontuários para pegar um copo com água. Sentiu o telefone vibrando com as mensagens e ponderou, parando por um momento para responder a ruiva cereja. Riu com a tentativa da garotinha de digitar algo em uma língua que não era a dela. Arqueou uma sobrancelha, pensando que a garotinha tinha o hábito de ficar sozinha em casa. [21:01, 17/02/2014] Natalia: Eu briguei com ela porque ela trabalha demais. [21:03, 17/02/2014] Natalia: E algumas pessoas se aproveitam que ela é muito boazinha. [21:03, 17/02/2014] Natalia: Falei que não era para fazer o trabalho dos outros. [21:04, 17/02/2014] Natalia: Dá para notar que ela trabalha muito. [21:04, 17/02/2014] Natalia: E eu disse [21:05, 17/02/2014] Natalia: talvez [21:06, 17/02/2014] Natalia: alguma coisa sobre não conseguir ser médica [21:07, 17/02/2014] Natalia: Eu fiz mal? Suspirou, não acreditando que estava de fato pedindo a opinião de uma menininha sobre suas escolhas em uma discussão de trabalho. Talvez fosse o fato da garotinha parecer se comportar de uma forma mais madura do que estava acostumada a ver em crianças da idade dela; ou poderia ser sua ligeira preocupação com o cárcere privado da enfermeira ruiva cereja que se irritava com sua voz. Clementine
a pequena ruiva observou o bolo fumegante e ponderou se iria começar a fazer a cobertura do mesmo, porém, a conversa com a doutora fofinha parecia mais urgente, talvez se soubesse o porquê da briga das duas. A pequena, estava com os olhinhos vidrados na tela do aparelho esperando o “natália está digitando uma mensagem…” lhe desse uma luz: [21:09, 17/02/2014] Clementine: Bem… conhecendo a mana… né legal não :< [21:09, 17/02/2014] Clementine: Mas assim... [21:09, 17/02/2014] Clementine: A mana é coração mole… >0< [21:09, 17/02/2014] Clementine: Se vc pedir desculpa ela te perdoa... [21:09, 17/02/2014] Clementine: a mana é sensível com o assunto do sonho dela… :/ [21:09, 17/02/2014] Clementine: mas acho que todo mundo é, não? [21:09, 17/02/2014] Clementine: vc tem sonho doutora? A menina perguntou genuinamente curiosa da resposta que a doutora fofinha poderia dar, que tipo de sonho uma pessoa adulta como ela teria. Natalia
Crispou os lábios com a resposta da garotinha e se recostou na parede da sala de prontuários, fazendo uma pequena pausa para avaliar a medicação de uma das senhoras paciente do hospital. Segurou a prancheta com o prontuário da senhora e assinalou para a enfermeira mais próxima que faria uma visita naquele momento a paciente em especial. [21:15, 17/02/2014] Natalia: nunca pensei muito sobre isso, Clementine [21:15, 17/02/2014] Natalia: sonho tipo algo que eu quero muito? [21:15, 17/02/2014] Natalia: no momento, eu queria muito saber se a sua irmã está bem [21:15, 17/02/2014] Natalia: e vc? tem um sonho? [21:15, 17/02/2014] Natalia: o que vc quer muito fazer? Fez uma pequena pausa no celular para poder atender a idosa e confortá-la sobre o estado atual do tratamento pelo qual a mulher estava passando. Nesse curto período de tempo, jogou um pouco de conversa fora com a mais velha sobre o restante da equipe médica, terminando por comentar inclusive sobre seu plantão e estadia naquela noite no hospital. Clementine
A pequena ruiva sabia que quando os adultos respondiam suas perguntas com outras perguntas, eles estavam tentando lhe tapiar. Respirou fundo, e cutucou o bolo que esfriava percebendo que ele tinha ficado na maciez que queria, viu a resposta da doutora fofinha e ponderou no que poderia responder: [21:18, 17/02/2014] Clementine: Eu quero ser a maior confeiteira de Cerise, depois de Paris, da França, circuito Europeu, e depois do mundo… [21:18, 17/02/2014] Clementine: Nada demais… [21:18, 17/02/2014] Clementine: Engraçado a senhora sonhar com a mana [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela vai ficar bem… [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela demora pra ficar com raiva… [21:18, 17/02/2014] Clementine: ou melhor… pra mostrar raiva… [21:18, 17/02/2014] Clementine: Ela guarda muito! [21:18, 17/02/2014] Clementine: Vc não guarda muita coisa pra vc? A pequena se levanta e começa a esquentar água pra poder fazer o banho maria e começar a derreter o chocolate que usaria na cobertura do bolo, pelo menos quando sua irmã saísse do castigo ela teria um bolo bonito e gostoso pra comer. Natalia
Demorou um pouco para conseguir responder novamente, mas acabou parando para rir com o comentário da garotinha sobre ela “sonhar” com a ruiva cereja. Respirou fundo, levando o celular até o próprio queixo, pensativa. Certo que a ruiva cereja era bem bonita e sonhar com ela não deveria ser ruim, mas duvidava que em seu sonho Carbella fosse diferente da enfermeira irritadinha com quem discutiu. De certo que ela aparecia em seus sonhos para lhe dar alguma bronca sobre qualquer atividade ilegal que estivesse realizando. [21:23, 17/02/2014] Natalia: se eu contasse, teria que ir aí roubar seu bolo. [21:23, 17/02/2014] Natalia: mas falando sério [21:24, 17/02/2014] Natalia: tô preocupada com ela [21:24, 17/02/2014] Natalia: ela não tem um namorado? [21:25, 17/02/2014] Natalia: um amigo pra sair não? [21:25, 17/02/2014] Natalia: viver no hospital é um caminho sem volta, garota Fez uma pequena pausa no corredor, verificando mais um prontuário antes de seguir para o próximo grupo de pacientes daquele seu plantão. Não estava mentindo para a garotinha quando dizia que estava preocupada com Carbella. Não queria dizer na frente da enfermeira e na verdade nem sabia como fazer isso, mas após a discussão com a outra mulher, sentiu que havia sido um tanto dura com ela. Não fazia ideia que a garotinha era irmã mais nova dela e que a vida da outra era tão conturbada. Não se arrependia de ter chamado a atenção de Carbella, mas sempre se pegava pensando que era muito boa em escolher a pior tática de aproximação para dar notícias e por isso que nunca era escalada para informar familiares de pacientes sobre nada - não quando não eram seus próprios pacientes. Clementine
Começou a raspar a barra de chocolate em pedaços pequenos ´para tornar mais fácil de derreter, fazia isso com calma, afinal não queria se cortar já que estava sozinha em casa, e também porque a médica fofinha não estava respondendo tão rápido, devia está muito ocupada. Colocou as raspas na panela, mexeu suavemente com a colher de pau, para só então dar atenção de novo ao celular: [21:30, 17/02/2014] Clementine: Hmmm… A mana têm amigas sim uu [21:30, 17/02/2014] Clementine: A tia Carissa que é policial, a Tia Dia que é professora a Tia Belle lá do Sauté… >_> [21:30, 17/02/2014] Clementine: Tem a tia Max tbn, mas acho q elas tão brigadas [21:30, 17/02/2014] Clementine: E namorados depois do Isaac eu ñ lembro de nenhum… [21:30, 17/02/2014] Clementine: A mana não é muito namoradeira ñ… ela até tenta… mas as pessoas traem a confiança dela [21:30, 17/02/2014] Clementine: Que nem o gordinho de St. Clavier [21:30, 17/02/2014] Clementine: Nem te conto Tia Nat! ùú [21:30, 17/02/2014] Clementine: Vc acredita que ele passou semanas saíndo com a mana, jantar, parque, trocando livro, sascoisas [21:30, 17/02/2014] Clementine: E aí quando a mana se declara pra ele [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ele gosta de meninos, mas isso nem é a parte q deu problema [21:30, 17/02/2014] Clementine: ELE TINHA UM NAMORADO E NUNCA FALOU DELE PRA MANA [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ela ficou bem triste, ela não queria se livrar do bixinho de pelúcia que o enfermeiro deu pra ela, e eu levei pra escola e deixei lá [21:30, 17/02/2014] Clementine: Ingrato uu [21:30, 17/02/2014] Clementine: Se eu encontrar com ele, chamo ele de bocó uu A pequena inflou as bochechas e largou o celular de lado pra dar atenção ao chocolate já derretido, tinha de quebrar uns biscoitos pra fazer uma cobertura tipo “cookie”. Natalia
Enquanto aguardava resposta, assinou e corrigiu alguns prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes que já haviam sido transferidos de outros alas. Quando menos esperava, o celular já estava cheio de mensagens da irmãzinha da ruiva cereja. Piscou algumas vezes para dar continuidade a sua leitura rápida. Estreitou o olhar diante da informação que Carbella tinha uma amiga que era policial. Precisava tomar cuidado com aquilo. Não tinha um histórico amigável de relações com a polícia. E ela tinha um ex-namorado chamado Isaac e recentemente teve interesse em um gordinho? Bem, pelo menos gordura não era um problema pra ela. Porém, pelo histórico, ela era hétero. Um sorriso acabou surgindo no rosto da médica com as letras maiúsculas da garotinha sobre o gordinho ter um namorado. Segurou o riso, imaginando que levaria um olhar repreensivo de Carbella por estar achando graça de todo aquele filme romântico frustrado. [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela tem amigas, ela vai ficar bem [21:34, 17/02/2014] Natalia: Preciso encontrar essa tal de Max então [21:34, 17/02/2014] Natalia: Se ela descobrir como fazer as pazes com a tua irmã, eu quero saber [21:35, 17/02/2014] Natalia: eu gosto da sua irmã, Clementine [21:35, 17/02/2014] Natalia: por isso eu briguei com ela [21:35, 17/02/2014] Natalia: mas eu não tenho muito jeito [21:35, 17/02/2014] Natalia: falando com as pessoas, sabe? [21:36, 17/02/2014] Natalia: e eu acho que só piorei a situação [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu vou tentar dar um jeito nisso [21:36, 17/02/2014] Natalia: por isso não se preocupe [21:36, 17/02/2014] Natalia: eu não quero brigar com ela de propósito [21:36, 17/02/2014] Natalia: mas as vezes ela é cabeça dura demais [21:37, 17/02/2014] Natalia: tem alguma coisa que deixe ela mais calma? Resolveu questionar, afinal de contas não custava nada. Sentia que de muitas crianças que já havia encontrado em seu trabalho, Clementine era diferente e bem especial. Não se sentia desconfortável conversando com a criança. Na verdade, só sentia um pouco de receio daquela sua conversa ser descoberta e acabar tendo de responder na polícia porque conversava com uma criança em particular sobre assuntos da vida adulta. Definitivamente, o embrulho no estômago que tinha ao pensar nessa chance não era por acaso, sabia de seus riscos. Clementine
A pequena ruiva ficou entretida quebrando biscoitos se atentando a deixar pedaços pequenos e grandes, porque a graça era deixar pedaços para mastigar, senão, não seria um bolo de “cookie” e sim um bolo de “farelo”. O bolo já estava frio, e aproveitou para colocá-lo em um suporte apropriado, desenformando com cuidado, para não quebrar e depois cobrindo-o com uma gloriosa camada de chocolate e depois com os pedaços de biscoito. Tirou foto e enviou para a conversa com a doutora: [21:42, 17/02/2014] Clementine: *Clem enviou uma imagem* [21:42, 17/02/2014] Clementine: Terminei! \^^/ [21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana é cabeça dura mesmo, ela disse que acabou puxando isso da Tia Fleur [21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho a mana legal por ser assim [21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas é como vc disse as vezes isso deixa ela cansada [21:42, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que se você gosta da mana devia dizer isso a ela [21:42, 17/02/2014] Clementine: Talvez ela só ache que você tá sendo inxerida [21:42, 17/02/2014] Clementine: Como os vizinhos que as vezes são inxeridos na nossa vida, dando pitaco em como ela devia fazer as coisas em casa ou cuidar de mim [21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não tem paciencia com isso como tem pra outras coisas [21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas se você gosta dela, chame ela pra comer [21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana recusa sair pra filme, dançar, passear, essas coisas [21:42, 17/02/2014] Clementine: Mas ela gosta de sair pra lanchar, tomar suco, conhecer cafés, tomar vinho, comer macarrão, bolos confeitados, qualquer coisa de cerejas, até beber mesmo, lembro que a Tia Dia chamava a mana pra ir em bares tomar cerveja, convencia ela falando dos tira-gosto. [21:42, 17/02/2014] Clementine: A mana não é uma pessoa ruim, ela só tem o jeito dela. [21:42, 17/02/2014] Clementine: Seja uma boa amiga pra mana, por favor. :3 A pequena ficou mais contente com aquela conversa, se uma pessoa gostava de sua irmã, então seria outra amiga para ela, era bom ter amigas no trabalho, apesar de estar no hospital a muito tempo, a pequena ruiva sabia que sua irmã não tinha amigas por lá, só os amigos que eram de sua falecida mãe. Natalia
Demorou alguns novos minutos até conseguir uma folga em seu processo de check in de prontuários, alterando a medicação de alguns pacientes e dando boas notícias para a transferência de alguns para outras alas, tal como a alta concedida para pacientes que já poderiam voltar para suas famílias e residências. Leu as mensagens da irmã de Carbella e sorriu abobada com a conversa inocente da criancinha que estava pedindo para ser amiga da ruiva cereja. Tinha algumas amigas, mas a maioria delas não fazia ideia com o que realmente ela trabalhava e pelo menos já haviam saído intimamente com sua pessoa alguma vez. Contudo, a sensação que tinha com a enfermeira irritadiça era diferente. Sabia que a mulher tinha potencial para conseguir ser reconhecida como uma excelente pediatra, e até queria ajudá-la, mas ainda enxergava a obsessão com o próprio trabalho tão reconhecível como a sua própria ao acordar todos os dias para viver naquele hospital tal como estava fazendo naquele exato momento. Suspirou resignada com a imagem do doce sendo preparado pela criança, pensando o quão delicioso deveria estar a massa e o chocolate. Bem, pelo menos tinha algo bastante em comum com a enfermeira que era o gosto pela boa comida. E ela tinha uma irmãzinha que poderia muito bem se encaixar no espectro de crianças que conseguia aturar e se esforçar para não correr o risco de ser enquadrada pela polícia pelo aliciamento de menores. [21:51, 17/02/2014] Natalia: Primeiro [21:51, 17/02/2014] Natalia: Esse bolo tá muito lindo [21:51, 17/02/2014] Natalia: Quero [21:52, 17/02/2014] Natalia: Tô trabalhando [21:52, 17/02/2014] Natalia: Mas tenho fome [21:52, 17/02/2014] Natalia: Segundo [21:53, 17/02/2014] Natalia: Não se preocupe. Eu não vou deixar de tentar cuidar da sua irmã. [21:53, 17/02/2014] Natalia: Mesmo ela sendo uma cabeça dura teimosa [21:53, 17/02/2014] Natalia: E brigando comigo [21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu sei que ela só está preocupada em fazer um bom trabalho [21:53, 17/02/2014] Natalia: Ela tá bem agora? Esse bolo você fez para ela ficar mais feliz? [21:53, 17/02/2014] Natalia: Eu iria ficar bem feliz se eu ganhasse um bolo assim [21:54, 17/02/2014] Natalia: Então eu acho que ela vai ficar bem [21:54, 17/02/2014] Natalia: mas se não ficar, pode me dizer [21:54, 17/02/2014] Natalia: eu arrumo lanchinhos para ela ficar menos irritada comigo Riu enquanto trocava as mensagens, parando para mostrar a foto do doce preparado e aparentemente delicioso para alguns de seus colegas enfermeiros, destacando que conseguia ser comprada facilmente por uma oferta daquelas. Riu mais ainda com a conversa com os enfermeiros sobre fatias do bolo e suborno a base de guloseimas. Clementine
Agora que tinha terminado de cozinhar e confeitar podia ficar só respondendo as mensagens de telefone, já tinha se passado bastante tempo desde que sua irmã tinha ficado de castigo na casa de sua tia Fleur. Em verdade, fazia tempo desde a última vez que sua irmã tinha ficado tanto tempo de castigo assim, ela talvez tivesse aprontado algo muito ruim pra ficar tanto tempo lá ouvindo bronca. [21:55, 17/02/2014] Clementine: A sim os lanches vão funcionar com ctz [21:55, 17/02/2014] Clementine: E sim tbn fiz o bolo pra ela [21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela ainda tá de castigo na casa da tia Fleur [21:55, 17/02/2014] Clementine: Faz tempo que ela não fica tanto tempo levando bronca… [21:55, 17/02/2014] Clementine: Ela deve ter aprontado feio dessa vez… Estava pronta pra digitar a próxima frase, quando ouviu o barulho de algo quebrando, a ponto de se sobressaltar, olhou em volta pra conferir se nada tinha caído na própria cozinha, e então caminhou até a janela da cozinha que dava acesso ao jardim, puxou a cortina pra ver as luzes do primeiro andar da casa de sua vizinha acesas. Outro barulho alto, e parecia que mais algo tinha caído, não escutou gritos, e nem vozes alteradas, devia ter sido um acidente. Mas aquilo lhe deixou preocupada. [22:00, 17/02/2014] Clementine: Hmm [22:00, 17/02/2014] Clementine: Eu acho que quebrou alguma coisa na casa da Tia Fleur [22:00, 17/02/2014] Clementine: Ou a Mana tá muito brava e tá descontando nas coisas… [22:00, 17/02/2014] Clementine: Da última vez eu vi ela jogando gelo no box do chuveiro [22:00, 17/02/2014] Clementine: Ela parecia bem brava… [22:00, 17/02/2014] Clementine: Acho que ela vai demorar pra voltar pra casa. Natalia
Verificou o horário das mensagens no celular e pressionou os lábios com as costas da mão esquerda, pensativa sobre como uma criança estava cozinhando sozinha em casa, preparando um bolo para irmã porque estava preocupada com ele enquanto ouvia barulhos na casa dos vizinhos. Respirou fundo, trocando algumas mensagens com seus colegas de trabalho para poder trocar de roupa e encerrar seu plantão um pouco mais cedo. Pegou as chaves de seu carro e soltou o cabelo, sentando-se no banco do motorista para poder enviar novas mensagens para a criança, ainda que no fundo de sua consciência soubesse que ir até a casa da enfermeira naquela hora da noite não era uma boa ideia. [22:19, 17/02/2014] Natalia: Eu acabei de sair do trabalho [22:19, 17/02/2014] Natalia: Quero comer bolo tbm [22:19, 17/02/2014] Natalia: Posso ir aí? [22:19, 17/02/2014] Natalia: ![]() [22:19, 17/02/2014] Natalia: Tô preocupada contigo [22:19, 17/02/2014] Natalia: E com fome [22:19, 17/02/2014] Natalia: Tá tudo bem? Suspirou pesado, reclinando a cabeça para trás no banco do motorista antes de colocar o cinto de segurança e ligar o veículo, saindo do estacionamento para poder passar em uma loja de conveniência 24 horas para comprar alguma bebida, como um suco ou iogurte que poderia levar para a criança só para não chegar de mãos vazias. Ou, se ela não lhe respondesse, podia comprar seu jantar e ir para casa tomar um banho. Clementine
Estava acostumada a se virar sozinha em casa, era seu reduto, seu lugar seguro, e qualquer coisa que desse errado tinha Fleur como sua vizinha para onde fugir e se refugiar, mesmo tendo apenas oito anos. Muito embora, fizesse algum tempo desde a última vez que teve de encarar uma noite inteira sem estar na companhia nem de Arman, e estava um pouco preocupada com o estresse da irmã com todos esses problemas que ela estava tentando lidar sozinha. Queria que ela seguisse seus próprios conselhos sobre trabalhar em equipe e dividir o trabalho com seus outros coleguinhas, será que era tão difícil para adultos trabalharem juntos? [22:25, 17/02/2014] Clementine: Eu acho q não tem problema [22:25, 17/02/2014] Clementine: Você é amiga da mana e eu acho q ela vai demorar aind [22:25, 17/02/2014] Clementine: A tia Fleur ainda não chegou em casa [22:25, 17/02/2014] Clementine: Tá só o Arman e a Mana lá… [22:25, 17/02/2014] Clementine: Você gosta de chá? Posso esquentar água enquant vc chega [22:25, 17/02/2014] Clementine: ![]() A menor se levantou, deixando o celular de lado para ir esquentar água e buscar os sachês de chá no armário da cozinha, tirar algumas xícaras decoradas que usavam bem de vez em quando, mas era legal de usar quando recebiam visitas. Não era legal deixar adultos entrarem em casa sem que nenhum outro adulto estivesse ali, mas era uma amiga de trabalho de sua irmã, talvez se ela percebesse que pode contar com os colegas de trabalho isso deixe ela mais relaxada? Poderia tentar ao menos. Natalia
Assim que o celular vibrou anunciando novas mensagens, pegou o aparelho, pagando pelo suco no caixa e comprando também uma cartela de adesivos com pôneis e unicórnios da conveniência. Garotinhas como Clementine deveriam gostar daquele tipo de cartela de adesivos barata, não é? Lembrava que algumas das enfermeiras na pediatria costumavam decorar as paredes do lugar com adesivos dos temas favoritos das crianças para que elas não ficassem tão desanimadas em estar em um lugar como um hospital. [22:27, 17/02/2014] Natalia: Eu AMO chá [22:27, 17/02/2014] Natalia: na verdade, eu não curto café [22:27, 17/02/2014] Natalia: eu tomo porque é o que pode me deixar acordada [22:27, 17/02/2014] Natalia: não beba café, Clementine [22:27, 17/02/2014] Natalia: é ruim pra você Informou, anexando à mensagem a foto de uma cartela de adesivos que estava comprando como oferenda de paz em retorno à oferta de um bom doce na quase madrugada. Pegou o veículo ao sair da lojinha de conveniência, dirigindo até onde deveria ser a residência da enfermeira com quem havia discutido não fazia muito tempo. Pediu apenas para Clementine confirmar o endereço, estacionando o veículo na rua adjacente, terminando por caminhar pela calçada até chegar na entrada da residência da família de Carbella. [22:42, 17/02/2014] Natalia: cheguei [22:42, 17/02/2014] Natalia: to na porta Observou o movimento na vizinhança, as luzes de algumas casas ainda acesas. Estranhou o que deveria ser o movimento na residência de um dos vizinhos e coçou a própria nuca, considerando que sequer deveria estar ali. Não imaginava que Carbella lhe considerasse uma amiga, ainda que se preocupasse com o trabalho da enfermeira e como ela conciliava a profissão com a própria ambição de se tornar uma médica. Talvez, só talvez, tivesse se precipitado em seu julgamento. Porém, naquele instante, estava mais preocupada com a irmãzinha dela sozinha em casa tendo que lidar com todo aquele drama por conta própria. Clementine
Não demorou tanto tempo assim para ouvir as batidas na porta, a chaleira tinha acabado de apitar, os sachês de chá estavam nas xícaras de porcelana decorada e tinha arrumado a mesa de jantar com o bolo, biscoitos, leite, mel e açúcar. A menor seguiu pelo corredor, e apenas buscou no celular a confirmação de que era de fato a amiga de sua irmã a porta. Clementine não alcançava o olho mágico, mesmo que ficasse de ponta de pé, por isso ao chegar a porta, perguntou quem era ainda de dentro da casa e sem destrancar a mesma: — Tia Nat? — a voz saiu levemente abafada por causa da madeira da porta, mas depois da confirmação e algumas trancas de chave sendo liberadas, a pequena ruiva pode se deparar com a imagem da doutora a quem tinha encontrada em Antique no outro dia, e vinha conversando por mensagens: — Está com fome, não é? Preparei chá, têm biscoitos, como não deu tempo de perguntar, eu separei leite e mel, não sei o que você gosta. Esperou que a mulher entrasse para tornar a trancar a porta, a sala permanecia com um abajur ligado lançando uma luz amarela singela, que revelava so móveis antigos de madeira que decoravam o lugar, a casa tinha um aspecto de residência antiga e tradicional, e não parecia ter sofrido muitas alterações na decoração com exceção de algum brinquedo que poderia ser encontrado destoando em algum dos sofás. O corredor era curto e logo estavam na sala de jantar, que estava amplamente iluminada, as janelas quadradas com cortinas creme, dava visão para o jardim, a cerca baixa e as luzes na casa do seu vizinho, ao menos não tinham ouvido o som de mais nada quebrando: — Agora tudo parece calmo Tia Nat, relaxe. Coma bolinho, a mana não vai ligar de você comer primeiro. — a menor serviu a água quente no chá, jogando aroma de flor de hibiscus pela sala, parecia até que estava brincando de chazinho versão gente grande, a ideia até lhe distraia do pensamento que sua irmã estava de castigo já a algumas horas na casa de Fleur. Natalia
Aguardou enquanto a menina não atendia a porta, permanecendo um tanto inquieta com a ideia de que estava mesmo em frente à residência da enfermeira com quem havia tido uma discussão nada amistosa na última semana. Ouviu a voz infantil meio abafada pela porta e sorriu, pensando em como a criança deveria ser esperta por conseguir tomar conta de si mesma sozinha. Contudo, ficou intrigada com a quantidade de travas que haviam naquela porta. - Boa noite, Clementine. Ah, eu gosto dos dois. O que servem no hospital não tem muito sabor, parece água suja. - respondeu, considerando sua opinião sobre o que conseguia consumir de alimento no Hospital Geral de Cerise. Observou todo o ambiente ao entrar, segurando a bolsa em mãos enquanto a criança voltava a trancar a porta. Caminhou pela sala, dando atenção aos móveis de modo geral, aos detalhes da decoração, tudo até ser guiada pela criança até a sala de jantar onde tudo parecia bem montado para uma refeição. - Wow. - assobiou em surpresa, realmente intrigada em como aquela menina tão jovem havia preparado tudo aquilo sozinha. Chegou a sentir o rosto mais quente com o perfume de hibiscus no ar, a bebida assumindo um tom rubro bastante peculiar. - Você fez mesmo tudo isso sozinha? Com licença. - pediu ao se sentar, colocando a própria bolsa na cadeira do lado, inclinando-se para respirar fundo o aroma do chá e do bolinho que lhe era servido. Estendeu a mão até o bolinho, fazendo uma pausa antes para poder se levantar e procurar a cozinha, correndo para lavar as mãos antes de voltar para a sala de jantar, novamente avançando no bolinho que lhe era servido, voltando a se sentar adequadamente à mesa. - Ele tá muito bonit-! Hmmmmm! Ghostoshooo! - exclamou ao provar o doce, impressionada com o que a menininha conseguia fazer sem supervisão de um adulto. - Como foi que-hmm-fshez isho? Sozshinha? Encarou a criança, considerando que ao menos ela parecia melhor de saúde desde a primeira vez que a tinha encontrado. A irmã de Carbella era uma criança bem educada e aparentemente responsável. Começou a refletir se a própria Carbella não seria um pouco como aquela menina quando era só uma menina. A ideia lhe fez sorrir, apesar de também considerar que apesar de toda a responsabilidade, Clementine ainda era só uma criança. Pelo menos já estava ali, tinha certeza que a garotinha estava bem e que ela não precisava ficar sozinha esperando a irmã mais velha voltar do que deveria ser o tal “castigo”. Clementine
Era estranho receber gente em casa quando sua irmã estava fora, principalmente de noite, mesmo sendo uma amiga de sua mana, não devia ser tão errado não era? Esperava que tia Fleur não lhe desse um par de broncas por causa disso. Como tinha imaginado a doutora fofinha tinha uma queda por doces, e não fez nenhuma cerimônia em mostrar o quanto não tinha saudades da comida de hospital. Sua irmã não reclamava do trabalho, embora chegasse com aquela cara de defunto nos últimos dias, mas devia ser pelo tanto de coisa que tinha pra fazer e não pela comida ser ruim: -- Ah, eu tenho 8 anos já, quase 9, eu já sei fazer muita coisa. -- a menina ruiva respondeu dando de ombros como se não achasse tão extraordinário fazer um bolo, tinha tantos programas de TV que mostravam crianças superdotadas que tocavam instrumentos difíceis, ou mesmo que faziam contas com números grandes, ela sabia fazer tortinhas, não era nada lá muito genial. A pequena ruiva olhou pela janela na direção do vizinho, e viu que o quarto de Arman seguia com a luz acesa, assim como a sala, então quem sabe tivesse acabado? -- Agora as luzes da casa da tia Fleur tão acesas, eu acho que ela ainda não tá em casa, de certeza o Arman está lá, junto com a mana. -- A menina pequena suspirou: -- Ela ainda deve está muito brava, quando ela fica com raiva, demora tanto pra passar. A menina puxou uma cadeira e serviu um pedaço de bolo pra si mesma, imaginando que se iria continuar esperando que ao menos fosse com algum docinho pra lhe distrair. Natalia
Levantou-se ainda com o prato com o docinho e o garfo para comer, aproximando-se da garotinha na janela, observando a capacidade de dedução da ruivinha. Respirou fundo após engolir um novo pedaço do doce, o garfo ainda repousando sobre os lábios enquanto refletia sobre Carbella Benedict não ter um pavio de temperamento que fosse recuperável assim tão rápido. - Eu consigo fazer uma cirurgia de mais de doze horas tranquilamente, mas isso aqui não está no meu arsenal de habilidades, sabia? - apontou para o prato já vazio após devorar o docinho que havia lhe sido oferecido. - Não se preocupe tanto assim com a sua irmã, ela vai ficar bem. Os seus vizinhos estão cuidando dela, não é? Aquela senhora bonita lá da padaria também? Levou a louça para a cozinha como se morasse naquela casa, dando-se ao trabalho de lavar a louça enquanto continuava conversando: - Você que me convidou, Clementine. Vamos fazer alguma coisa. Quer brincar? Ou… argh… você tem que fazer alguma tarefa da escola? - perguntou, recordando de quando era criança e sempre era obrigada pelo pai a adiantar as atividades da escola para manter as boas notas. - Vamos fazer alguma coisa juntas. Você já me alimentou com comida gostosa. - sorriu, amistosa, secando as mãos para acompanhar a menor. - Você já jantou, não? - perguntou mais educada, imaginando que uma criança na idade dela já deveria ter jantado. Estava preocupada com a enfermeira também, mas não adiantaria nada alimentar a preocupação da criança também. E a menina estava sozinha. Crescer sozinha, sendo auxiliada pelos vizinhos e pela irmã mais velha deveria configurar uma família bem peculiar. Naquele momento, até conseguia compreender o motivo da enfermeira parecer sempre sobrecarregada de trabalho. Deveria ser complicado trabalhar e cuidar da própria irmãzinha. Clementine
A pequena ruiva apenas observou a sequência de palavras da maior, ela era engraçada, era como se nunca tivesse conversado com nenhuma outra criança, ou talvez ela já tivesse nascido grande? Fosse que nem aquele filme da pessoa que nasce velha e vai ficando mais jovem conforme vai passando o tempo? A pequena sorriu e assentiu positivamente, sem responder verbalmente nenhuma das três perguntas da maior: Sobre sua tia Fleur da padaria, se tinha jantado, ou se tinha dever de casa pra fazer. A menina de oito anos caminhou pela casa conhecida, indo até sua mochila da escola, que tinha sido plenamente largada na sala de estar, ao lado do sofá quando a menor chegou acompanhada de sua irmã. Já sabia que a mais velha estava furiosa pelo simples fato dela não ter lhe advertido pra por suas coisas no seu quarto. Voltou com a mochila em formato de joaninha até a mesa de jantar, afastou talheres e outras coisas que pudessem sujar seu caderno: -- sim, tia Fleur cuida muito bem de mim, da mana e do Arman, é quase como se fosse nossa segunda mãe, ou primeira, já que eu nem conheci a minha mãe de verdade mesmo.-- A menina comentou mais baixo a segunda sentença, sem esboçar nenhuma reação além da atenção que dava em tirar os cadernos, em sequência de tamanhos, finos, cada um com uma cor, com o nome da matéria escrito na frente, empilhou os mesmos por ordem de importância e ainda ajustou eles juntinhos. Tirou o estojo da bolsa e o colocou paralelo aos cadernos: -- Normalmente eu faço o dever de casa junto com a mana na hora do jantar, ou com a tia Fleur quando a mana tá de plantão e não vem pra casa. Depois eu posso assistir televisão até as 21hs, depois disso, eu tenho de subir, escovar os dentes, entrançar o cabelo e ir dormir. A menina falou sua rotina da noite sem muitas voltas, parecendo achar aquilo nada mais que natural de fazer: -- mas como a mana não está aqui hoje, e a senhora está aqui, então eu tenho de ficar acordada até ela voltar? isso é algo fora da rotina, normalmente eu iria pra casa da tia Fleur dormir lá, talvez mais tarde eu feche tudo e vá pra lá. Ponderou a menor, puxando o caderno de história francesa e estendendo na direção da maior: -- eu tenho tarefa pra fazer, preciso responder perguntas e preparar um cartaz pra apresentar amanhã. A senhora pode me ajudar? Pode né tia Nat? RE: Fuxicando [Natalia] - Natalia - 09-27-2021 Natalia
Acompanhou a menor com o olhar, curiosa com o que ela iria lhe mostrar. Aproximou-se de onde ela começava a arrumar as próprias coisas, estranhando quando ela falou sobre a própria mãe e sobre a tia Fleur ser uma mãe para ela. Bom, ao menos ela não via a irmã mais velha como uma mãe, isso seria bem estranho. Observou como a criança, apesar de não ser idêntica a enfermeira teimosa, tinha algumas manias de organização ao dispôr o próprio material sobre a mesa. A rotina dela parecia bem regrada e até julgava ser uma rotina bastante justa para a idade dela. Lembrava da própria infância em que tinha horários para tudo e diversas obrigações ainda que muito jovem. - Não se preocupe, gatinha. Eu vou te ajudar. - sorriu para a criança, removendo os talheres e os itens da mesa que seriam desnecessários, levando-os para a cozinha e deixando tudo de molho na pia para ser lavado depois. Retornou o mais breve possível, puxando uma cadeira para a menina e outra para si própria. - Vamos fazer o seu dever de casa, depois podemos assistir o que você quiser. E depois… bem, eu espero a sua irmã voltar para casa. Ou posso te acompanhar até a casa da sua tia Fleur. Então vai ficar tudo bem. Buscou fôlego e esperou que ela mostrasse o que precisava fazer no dever de casa. História da França não era o seu forte, mas poderia muito bem fazer um esforço pela criança. E em uma emergência, sempre poderia usar seu celular para fazer buscas de conteúdo útil. Diminuiu o sorriso em alguns minutos, levando a mão até a própria cabeça, ainda pensando que precisava ajudar ela a fazer um cartaz. - Eu te ajudo, mas vamos ensaiar essa apresentação, tá bem? - avisou sobre a tarefa de casa, procurando o material que ela iria usar no cartaz de dever de casa. - Sabe o que eu fazia quando eu ia apresentar um cartaz na sua idade? Eu anotava no verso do cartaz algumas dicas do que eu precisava falar. Assim… quando eu segurava o cartaz, eu conseguia lembrar do que era importante para falar. É um truque bem legal. - explicou, recordando que fazia mais daquilo quando precisava fazer trabalhos em grupo, pois sua memória sempre foi muito boa. RE: Fuxicando [Natalia] - Carbella - 01-09-2023 Clementine estava feliz de ter a companhia de alguém para fazer suas atividades, embora amasse de todo coração sua irmã e jamais cobraria dela as coisas, sentia que o trabalho em excesso tinha colocado Carbella num trabalho pra sempre. Como naqueles livros de contos de fadas, onde alguém fica preso pra sempre num feitiço de bruxa. Mas nesse caso o feitiço era a condição financeira. Desenhou o cartaz, não tão bem quanto Arman faria, e ensaiou uma apresentação, usando a dica de escrever atrás da cartolina o que precisava lembrar. Normalmente sua tia Fleur lhe ajudava com essas apresentações, ela era muito boa em falar com pessoas. Já estava tarde, e por costume começou a organizar as coisas para poder dormir, porque tinha hora pra acordar logo cedo. Embora não soubesse se tia Natália era tão próxima de sua irmã a ponto de deixar a casa aos cuidados dela, não era como se tivesse algo muito valioso ou interessante que a mulher pudesse querer levar. A menor já estava de pijamas, se organizando para escovar os dentes, quando uma dúvida surgiu na cabeça ruivinha: — Tia Natália, leva muito tempo pra ganhar dinheiro? Quando será que eu posso começar a trabalhar? — a criança perguntou genuinamente, talvez se também trabalhasse sua irmã não precisasse se esforçar tanto, ou talvez passando tanto tempo na rua não sentisse falta dela. RE: Fuxicando [Natalia] - Natalia - 01-21-2023 Acompanhou o término da tarefa de casa da pequena e do preparo dela para ir dormir, assegurando-se de que a menininha não ficaria sozinha enquanto a irmã dela estava sendo "contida". Enquanto ela estava se preparando para escovar os dentes, foi pega de surpresa pela pergunta sobre dinheiro e trabalho vinda da menor. Baixou o olhar para observar melhor a pequena, imaginando se de fato havia escutado ela perguntar aquilo ou se havia sido apenas um delírio da sua cabeça cansada. Quando estava de boca aberta, prestes a comentar algo para descontrair a criança, ouviu o ruído da porta sendo aberta e de passos pela casa. Poderia ser alguém familiar para Clementine, ou não. Portanto, achou melhor verificar no corredor de quem se tratava. E qual não foi sua surpresa ao se dar conta de que Carbella havia enfim retornado para casa, sozinha. Observou a postura da enfermeira que carregava um semblante já inconfundível para sua própria percepção: o de irritação e cansaço. Fechou a boca, erguendo a mão para acenar e cumprimentar a dona da casa quando a enfermeira a cortou antes mesmo que começasse a falar. Ouviu ela dizer "termine de dar boa noite, pegue suas coisas e feche a porta quando sair." ou algo parecido antes da ruiva cereja se dirigir diretamente ao que imaginava ser o quarto dela na casa. Assim que ela sumiu no corredor, observou a reação de Clementine, imaginando que a menina ficaria ansiosa em ir falar com a irmã, mas parecia que, assim como ela, a menininha também havia percebido que o humor da irmã dela ainda não estava dos melhores. - Não se preocupe agora, gatinha. Já está na hora de ir para cama e amanhã eu converso com a sua mana. - explicou para a pequena, tentando acalmar os ânimos antes de precisar de fato ir embora. A verdade era que não queria deixar aquela menininha sozinha, mas bem sabia que mais cedo ou mais tarde, precisaria deixar aquela casa para que Clementine pudesse dormir ou quem sabe ter um momento a sós com a irmã mais velha. - Gostei muito do seu bolo, Clem. Obrigada por me convidar. - sorriu amigável para a criança, despedindo-se. - Durma bem. E se você ou sua irmã precisarem de mim, é só me ligar que eu venho correndo, tá bom? - estendeu a mão para a criança, cumprimentando-a como se estivesse fechando um contrato de negócios. Era no mínimo estranho se sentir tão confortável com uma criança como Clementine, justamente porque não costumava se dar tão bem com os pequenos. Porém, não precisava ser nenhuma psicóloga para entender que Clementine não era qualquer criança e que a infância dela estava longe de ser comum. Partiu daquela casa após se certificar de que a menininha havia de fato trancado a porta. Estava ainda incomodada com a incerteza do real motivo para Carbella estar tão irritada. Imaginava que depois da conversa que havia tido com a enfermeira da pediatria, estariam em bons termos, mas talvez não e a ruivinha cereja estivesse apenas sendo diplomática em lhe afastar do seu caminho. Aquela noite seria uma das difíceis, pois dormir não era um plano fácil com a cabeça cheia de paranóias e pensamentos sobre o que poderia ter feito diferente em relação a questão do convívio com a jovem enfermeira. Além disso, também não se fazia ideia de como descobrir o quê quer que fosse que poderia ter deixado a mulher naquele estado, independente do relacionamento profissional entre ambas. Por fim, dirigiu de volta para o hospital, pois sem sombra alguma de dúvida, conseguiria dormir com facilidade naquela noite. [Thread encerrada?] |