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Walking and Working on Walkers [Natalia] - Boyd - 09-27-2021 Boyd
Após seu caloroso encontro com Kyle, o resultado não podia ser outro, Boyd teve que ir para o hospital para o tratamento adequado. Sua vontade era receber alguns pontos, umas receitas para analgésicos e ir embora, já tinha passado por situações piores, com muito menos regalias e sobrevivido. Mas, teria que seguir os protocolos de tratamento apropriados, infelizmente. Tinha sofrido consideráveis danos pelo combate e o tiro na perna não ajudaria nas patrulhas que ele costumava fazer. Seu único consolo para esse tempo mínimo de repouso era que, certamente mais do que ele, o seu oponente estava em piores condições. Um tiro como ele levou e todo o esforço seguido do combate, bem como a piora causada pela enfiada de mão que o texano deu na ferida do ex SEAL, davam a certeza de que ele podia ser resistente à dor, ou até mesmo não sentir nada, mas isso não muda o fato de que ele ia precisar de tratamento apropriado, mas ele não teria isso com facilidade, era procurado por todos os lugares e já tinha chamado atenção demais para si mesmo. Suas suspeitas sobre a procura pelo tratamento alternativo se concretizaram quando Leona, que tirou um tempo para ir ao hospital para contar sobre a ligação recebida, que identificou que a pessoa que fez era detentora de conhecimentos médicos e mais alguns detalhes que somente uma pessoa peculiar como ela perceberia. Boyd aprendeu a não questionar o que levou a companheira de profissão a chegar às conclusões que chegava, sabia que a vida era curta demais para uma palestra de várias horas sobre os mistérios da mente humana e análise comportamental. O aviso sobre o telefonema era seguido de um pedido, para usar o tempo no hospital para descobrir quem tinha feito o atendimento. Era tempo de pegar suas nádegas malhadas que ficavam à mostra naquela bata de hospital, que parecia nunca fechar direito, e botar o trabalho em dia. Foi exatamente o que ele fez. Aproveitou as pequenas amizades que fez trazendo um ou outro trombadinha machucado, a simpatia que já tinha com algumas atendentes e começou a triangular escalas. Nos seus passeios começou a procurar computadores com a tela desbloqueada e o sistema hospitalar aberto para auxiliá-lo. Não era uma busca fácil, mas alguns nomes saltaram aos seus olhos, Walker era o mesmo sobrenome de dois técnicos que faziam atendimento na ala onde estava. Não tinha ido com a cara deles, algo não cheirava bem, passaria os dados que levantou para Carissa, mas pressionaria esses dois, seu faro para bandidinho raramente falhava. Os médicos costumam passar junto com os técnicos na visita inicial do dia para análise dos exames, era a hora perfeita para pressionar alguém que não quer perder o emprego e o acesso aos produtos ilegais. Natalia
O hospital estava em sua rotina costumeira, apesar dos acontecimentos recentes, o atendimento de urgência e emergência continuava atendendo a poucos pacientes, considerando que o hospital estava localizado em uma cidadezinha do interior francês. Apesar de ter se ausentado como de costume para resolver outros “problemas”, havia demorado mais do que esperava, contando os instantes que ainda passou em seu veículo para recuperar a própria calma. A médica retomou seu posto, passando pela ante sala onde apenas funcionários eram permitidos para poder arrumar seus pertences no armário, apenas o que era necessário levar. Sabia que levar tudo deixaria muita suspeita e ainda precisava agir como se tudo estivesse muito bem. Foi surpreendida por um dos enfermeiros conhecidos enquanto arrumava seu armário, o tal de Paul Walker que trabalhava na geriatria. Ao que parecia, um policial que havia sido baleado estava no hospital justamente durante seu horário de atendimento. Não sabia ao certo se o rapaz havia ido até lá para lhe alertar porque estava preocupado consigo ou se apenas queria que cobrisse seu irmão. - Não se preocupe. - foi só o que pode dizer, esboçando o sorriso costumeiro de quem estava habituada a lidar com aquele tipo de tensão. Saiu da sala ao trocar os sapatos por modelos de sola baixa, vestindo o jaleco e colocando o estetoscópio nos ombros. Cumprimentou seus colegas de trabalho como de costume, procurando com o olhar pela cabeleira ruiva cereja. Seria pedir demais topar com a enfermeira antes de ir embora ou de fato só teria o azar de ainda precisar atender a um policial? Suspirou conformada com a própria sorte e chegou a tempo de encontrar Richard Walker, outro ruivo em sua vida, atendendo ao tal paciente, já limpando o ferimento e realizando a assepsia para maiores cuidados. - Boa noite, senhor Garrett. - cumprimentou o paciente antes de buscar o prontuário do mesmo, observando atentamente para a possibilidade do homem ser alérgico a algum tipo de medicamento. Deu as costas para o sujeito enquanto avaliava o prontuário. Sempre era melhor evitar encarar os policiais quando estava em seu trabalho. Pelo menos o plantão na urgência e emergência também ajudava a justificar os olhos cansados e as olheiras que não conseguia mais esconder totalmente por ter lavado o rosto mais de uma vez, removendo a própria maquiagem. Boyd
Viu o primeiro de seus possíveis alvos entrando, sabia pelo tempo que andou fuçando nos horários, prontuários e escalas como seria a rotina. Não era um inepto computacional, sabia procurar algo. Não sabia hackear e essas coisas que os nerds da área técnica faziam, mas não catava milho no teclado, como era comum ver entre oficiais mais antigos. Além do que, sabia ser boa praça e retirar informações amigavelmente, nem sempre era necessário ameaçar, bater e atirar nas pessoas, fazia isso porque gostava, mas não era algo indispensável. Viu a dra que iria fazer o atendimento em seu dia, sabia exatamente quem era, já tinha perguntado fingindo outros interesses sobre praticamente toda médica que esse maldito hospital possuía. Os homens costumam dizer que é coisa de mulher fofocar, mas basta insinuar interesse sexual em uma garota pra macharada passar horas compartilhando suas observações da rotina alheia. Aliada a rádio peão e as informações colhidas no sistema do hospital em logins esquecidos abertos e afins, já tinha colhido o suficiente para conhecer a maioria do hospital, todas as possíveis pessoas envolvidas na ligação e seus possíveis apoios. Antes dela chegar, estava fazendo a limpeza no curativo um dos idiotas que levaria preso, caso não descobrisse quem estava por trás da ligação. Boyd era experiente o suficiente para perceber a tensão de alguém que faz algo ilegal perto de uma autoridade policial. Era um dos irmãos Walker que estava lá, fazendo o procedimento, notoriamente tenso com o silêncio desconfortável de americano, que sempre gosta de tagarelar. O timing da finalização e a entrada da médica foi perfeito, dra Arlovskaya entrou e era hora de agir, precisava testar sua teoria e a reação dela diria tudo sobre a situação. Um médico honesto ficaria ultrajado com a suposição do texano e incitaria a averiguação, caso ela estivesse de alguma forma envolvida, mesmo não se entregando saberia reconhecer uma passada de pano. - Boa noite dra Arlovskaya, como estamos hoje? – Antes que Richard pudesse sair, aproveitando a proximidade do mesmo, agarrou no cordão que segurava seu crachá, rápido e firme, para assustar devido ao movimento abrupto. – Eu sei o que vocês estão fazendo aqui no hospital, idiota, melhor começar a cantar o que eu quiser antes que eu arraste seu rabo pra prisão. – Falou em tom baixo e incisivo enquanto puxava o enfermeiro para encará-lo e saber que não estava brincando. Começava a brincadeira de pressionar vagabundo, especialidade da casa. Natalia
A doutora sorriu casualmente em resposta ao cumprimento do paciente, analisando brevemente o quadro nada complexo dele. Sendo um policial, ainda por cima, ele deveria conseguir se recuperar sem problema. Além disso, o físico dele não parecia ser de alguém que tinha problemas com a própria saúde e metabolismo. Contudo, estranhou o comportamento alheio quando o outro agarrou o cordão do crachá de seu enfermeiro. Richard, por outro lado, não parecia alarmado, chegando até a rir diante da ameaça, uma mistura de cinismo e nervosismo. Ele ainda fez questão de responder na lata: - Ah depende, você está sendo vago sabe, venda de órgãos, sumiço de cadáveres, venda de dentes, lavagem de dinheiro, funcionários fantasmas nada disso é comigo, eu sou peixe pequeno, se for os remédios de sobra que eu embolso, a gente pode conversar depois quando for na hora de tomar sua injeção pra trombose, eu tenho mais uns vinte paciente pra medicar. A médica, por sua vez, torceu a boca, observando a cena por cima do ombro, incomodada com a ameaça de prisão ao enfermeiro que, apesar de estar envolvido em procedimentos não tradicionais ali, estava apenas fazendo seu trabalho naquele instante. E gostava do sujeito. Desviou o olhar por um instante, considerando novamente suas últimas escolhas e o fato de ter ainda ido parar ali no hospital geral ao invés de ser inteligente de verdade, pegar sua caminhonete e dar o fora da cidade de uma vez. - Senhor Garrett. - chamou pelo homem, tentando esboçar um sorriso mais amigável para que ele ao menos resolvesse soltar o enfermeiro ousado. - Está com algum problema com minha equipe, senhor? - apertou a prancheta, tendo uma ligeira vontade de atirar o objeto na cabeça do infeliz que só estava ali para atrapalhar ainda mais sua vida e sua breve despedida daquele trabalho tedioso. Boyd
Até certo ponto, o susto funcionou, mas funcionou rápido demais. Não podia afrouxar nesse momento, do contrário perderia o momento apropriado de obter mais algumas informações. Já tinha trabalhado com tráfico por tempo o suficiente para saber como funcionava desvio de medicações, insumos médicos e coisas do tipo. Ele podia até estar interessado em colaborar, mas era interessante ressaltar que não estava brincando e sabia do que estava fazendo. - Sim, Dra. Eu e seu técnico temos uns assuntos sobre ilegalidades para tratar. Eu imagino que você tenha outros pacientes para medicar, mas, arrume tempo para conversarmos. Trabalho tempo o suficiente com a sua laia para saber como pegá-lo. Você vai me contar sobre o cara que chegou no estabelecimento de vocês com o ferimento à bala no tórax, com complicações de uma luta corporal e que foi costurado por uma médica daqui. Preciso falar com ela ou, como preciso prender alguém nisso tudo, vai ser você. Estava falando sério, e, se tudo que ele disse saber fosse verdade, teria infinitamente mais trabalho quando botasse Kyle debaixo da terra definitivamente. Não surpreendia ninguém uma cidade onde tinha tão pouca vigilância sobre coisas tão importantes, passar despercebido o fluxo de insumos e afins do hospital. Na verdade, para Boyd a surpresa era os procedimentos não serem realizados dentro do hospital, debaixo dos narizes de todos. - Inclusive, tenho uma amiga do departamento que sabe de cabeça a porcentagem de descarte e desperdício das medicações dos hospitais. Se eu ligar pra ela, com uma pesquisa rápida vamos saber que este hospital está certamente bem acima da média aceitável. Com mais um mínimo de pesquisa, posso identificar quem assina suas prescrições para relacionar o médico responsável pelos desvios com você. Poupe nosso tempo, todos ganham com isso. RE: Walking and Working on Walkers [Natalia] - Natalia - 11-08-2021 Tentou esconder o desgosto com a fala do policial que estava ali ainda para receber atendimento, mas teve o breve desejo de arrumar um estagiário de enfermagem mais incompetente possível para fazer o curativo do homem que deixava claro como havia cometido um erro ao ligar para a polícia. A médica observou Richard por um instante antes de suspirar resignada com o falatório do sujeito com aquele sotaque irritante estrangeiro. - O senhor já deveria saber que em questões trabalhistas, o superior do funcionário deve assumir a responsabilidade pelos equívocos cometidos, senhor policial. - esboçou um sorriso forçado, balançando a mão em um meneio gracioso para que soltasse o cordão do crachá de Richard, colocando o braço entre ele e o tal senhor Garrett para que de fato, ele pudesse continuar a medicar os outros pacientes. Diminuiu o sorriso, o semblante se tornando um pouco mais sério e até ansioso, nervosa com a expectativa do homem largar o enfermeiro ou não. Richard, por outro lado, parecia menos inquieto pelo fato da médica não ter lhe deixado sozinho com o sujeito que parecia mais pensar que aquela enfermaria era a extensão da delegacia para começar a fazer suas inquisições a esmo. No final das contas, Richard só queria continuar seu trabalho e aqueles que recebessem mais que ele para pagar uma fiança que se acertassem. A doutora parecia esperar uma nova grosseria por parte do homem de bunda de fora, acostumada com o tratamento que recebia de algum de seus pacientes irregulares, desagradáveis. - Por que não explica... exatamente... como posso ajudá-lo no seu trabalho, senhor policial? - resolveu perguntar, mantendo o tom de voz sóbrio para não chamar a atenção de nenhum outro funcionário do hospital ou paciente que estivesse passeando pelos corredores daquela enfermaria. |