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Streetball [Raylan] - Berthold - 09-28-2021 Berthold
Depois dessa primeira semana de aula, tinha visto coisas boas e coisas ruins em estar em St. Clavier, a boa era que apesar de ser assustador, seu colega de quarto não odiava artes, muito pelo contrário, ele até era um “fã” (?) do seu trabalho, o que era estranho. Em contrapartida, tinha visto que apesar dos rumores sobre a academia ser muito voltada para os esportes, eles não tinham um time de basquete ativo, o que lhe deixava menos suscetível a cair em velhos hábitos e acabar fazendo alguma besteira. Era triste, por outro lado, já que a O’Neil tinha bastante habilidade com a bola, e o colega de quarto dele o Berlioz tinha bastante disposição pra aprender, ainda se pegava rindo sozinho das interações dos dois. O clima de final de verão e início de outono ainda era muito mais quente do que o jovem alemão estava acostumado a lidar, tinha saído com uma calça preta de tecido confortável e folgada, que permitiria se mexer, tênis porque estava disposto a caminhar bastante, e uma camisa branca, que tinha a barra irregular e longa, em contrapartida, as mangas eram curtas, um boné branco, uma mochila pequena, onde levava água, barra de cereal, case da câmera e outras tranqueiras que precisasse. Estava naquele sábado, andando pelas praças da cidade histórica usando a câmera para registrar as pessoas, em algum momento, teve sua atenção chamada para um grupo de pessoas em uma quadra pública, o grupo estava conversando animado, mas o que chamou atenção de Berthold, foi além de todos serem muito bonitos - parecia que todo mundo naquela cidade era bonito - mas todos eram altos, chutava que o mais baixo devia ter 1,90m? Pausou próximo da grade, e usou do zoom da câmera pra espiar o rosto de cada um, o moreno mais alto, de moletom vermelho, parecia provocar o outro sujeito alto de dreads, os outros rapazes não interferiam porque pareciam está rindo, ou seja, eles não deveriam estar brigando. Raylan
Com o tempo passando, apesar dos estudos (muito mal resolvidos) e trabalho (esse sim, só sucesso) tomando bastante do seu tempo, a saudade do basquete sempre gritava. Raylan gostava dos passatempos que tinha arrumado, como o de jardinagem alternativa, por exemplo, mas aquele desejo de praticar o que seu corpanzil musculoso foi feito para fazer sempre vinha. Com as proibições vindas do superintendente do mundo Blanco, infelizmente, ou não, o que lhe restava era somente o basquete de rua. Bom, não que odiasse, na verdade era sua vida basicamente inteira que estava nas quadras abertas, com as mais variadas pessoas, das mais variadas idades e de toda classe social. Era ideologicamente bonito ver como esse esporte unia as pessoas, ou seja, um terror para sua família milionária. Ao chegar em Cerise, sua vida, apesar do que desejava sua mãe, não ficou diferente. Procurou um local para jogar, conheceu pessoas variadas, essa interação toda até o ajudou a refinar seu francês, que era uma coisa meio trágica, mas até que era aceitável atualmente. Já estava meio que enturmado com os frequentadores do parque, geralmente os que o acompanhavam estavam fazendo parkour, mas quando o negão chamava e tinham pessoas o suficiente, rolava um joguinho honesto. Hoje, os que estavam lá eram Arth, Micha, David e o cabuloso do Rick. Eram todos gente boa, o Rick vivia trocando farpas com o americano, mas era um traço da personalidade dele, não era má pessoa. Como geralmente acontecia, não seria diferente agora, estavam conversando e tirando onda uns dos outros numa das tentativas de Raylan iniciar uma partida pra deixar o dia mais feliz. - Pode tirar esse seu coque de Dreads daqui da quadra, tem nada a ver com a moda de Paris, viu?! – Dizia no tom de deboche costumeiro Rick, que apesar de não ser muito comum de achar, era da mesma altura do americano. - Ah, tá. Pelo jeito usar esse guaxinim na cabeça enquanto se exercita é a moda né? Tire o bichinho antes que ele caia e se machuque. – Respondeu o negão, que tava habituado com esse tipo de trashtalking. Sob respostas de vem tirar, mas você não tem time, Raylan propôs começar o draft dos times, ignorando o problema de matemática básica, que um dos times estaria incompleto. Propôs uma aposta, o capitão do time vencedor obrigaria o do time perdedor a fazer algo, isso despertou o interesse no jogo. Apesar dos xingamentos que recebeu por não saber contar, propôs que jogassem a moeda e o time que ficasse com um a menos chamasse um aleatório na rua, confiou no destino, mas a maldita moeda de Rick, como sempre, colocou o negão em desvantagem. Rick escolhe David que já jogou basquete antes, Raylan escolhe Arth pela estatura, que sempre ajuda, Rick escolhe Micha e sobrou pra Raylan escolher o aleatório na rua. Entre senhorinhas e gordinhos, alguém saltou aos olhos, parecia ter ido fazer exercício, era alto e estava inclusive olhando na direção de Raylan. Correu na direção do seu alvo, que manteve a câmera apontando para o negão, até chegar numa distância que não seria necessário chamar a polícia, mas era audível o que falasse. - Ei, quer me ajudar ali numa partida de basquete rapidinha? Você é alto e mesmo se não jogar, basta confiar em mim lá, é só pra botar aquele exibido no lugar dele. Que tal? Fico te devendo uma. – Disse ao possível companheiro de quadra, desesperado para não ser obrigado a fazer algo muito ridículo, proposta que infelizmente foi feita por ele mesmo. Berthold
O loiro se distraiu tirando fotos do grupo, e com o zoom da câmera notou como todos eram bonitos, parecia uma reunião de representantes da Nike prontos para um photoshot, mirou a câmera para o rapaz de esclera escura, que tinha várias tatuagens, ele tinha uma aparência exótica sem sombra de dúvidas, mas não mudava o fato de que ele era naturalmente bonito. Mirou a câmera de volta na direção do rapaz com dreads que agora se movimentando parecia ainda mais bonito, tirou várias fotos em sequência distraído sem notar o fato de que eles tava se aproximando em sua direção. Até que o sujeito lhe dirigiu a palavra, ele falava um francês meia boca, e entendeu a maioria do que ele falou, mas ficou um pouco sem reação porque aparentemente ele estava lhe chamando pra jogar. Abaixou a câmera cara, mostrando o rosto bonito, e então, encarou o maior percebendo que tinha de dar alguma resposta: -- erh… Eu entendi dois terços do que você falou. -- Pelo sotaque forte, dava pra perceber que o loiro não falava bem francês, mas pela lógica dava pra entender que como eles estavam em cinco, deviam estar precisando de mais uma pessoa pra completar: -- Hm… eu posso jogar sim, mas não faço ideia de quem é “affiché”. -- Será que era o nome da pessoa? Paciência, não devia fazer mal, jogar um pouco, se exercitava todos os dias, alongava, corria, mas jogar efetivamente, fazia algum tempo. Porém, não conseguia dizer não para uma pessoa que tão espontaneamente vinha lhe pedir, principalmente quando a pessoa era tão naturalmente bonita. Desligou a câmera, cobriu a lente, guardou no case da mochila, entrou na quadra para cumprimentar os outros rapazes, que eram surpreendentemente mais altos que o próprio, Berthold estava com 1,85 atualmente, e a pessoa mais baixa ali, era o de olhos escuros que era mais alto pouca coisa que o alemão: -- Olá gente, eu sou Berthold Konrad, eu não falo muito francês, mas espero me divertir jogando com vocês. Obrigado pela oportunidade. -- Tentou soar educado, porque a última coisa que queria era causar alguma impressão ruim pela cara enjoada que naturalmente tinha. -- Nossa, que reforço bonito em Ray, assim fico com vontade de mudar de time. -- Micha comentou, já notoriamente jogando charme para Berthold, no que o loiro tentou sorrir de volta, ficando um pouco desconcertado. Buscou algum lugar para deixar a câmera cara e as outras coisas, virou o boné apenas para deixar os fios loiros presos para não caírem sobre os olhos. -- Não vou pegar leve só porque você conseguiu um extra de rosto bonito viu best boy. -- Rick comentou na direção de Reylan. -- Não precisa pegar leve comigo “exibido”. Vamos jogar. -- Berthold comentou, acreditando que o “Affiché”, ou “exibido” era o nome do sujeito, o que arrancou algumas risadas dos outros rapazes e Rick estreitou os olhos na direção do loiro, abrindo um sorriso malvado em resposta. Raylan
Ao chamar Rick de exibido, Raylan caiu na risada, o rapaz escolhido aleatoriamente tinha fibra, falava estranho, mas quem era o americano para julgar o linguajar do coleguinha?! Acertaram os detalhes da pontuação máxima, 40 pontos, o time que conseguisse primeiro venceria. Fez os alongamentos necessários, após isso, trocou a ideia sobre a possível tática. - Ok, vamos ver como fazemos isso, eu fico marcando o Rick e fechando o garrafão, Arth tu fica com o David e o mr. B aqui fica com o Micha, tentem forçar as laterais pra que eles precisem ir pro garrafão e eu cuido do resto. Fechou? Vamo lá. – Deu umas instruções básicas, não tinha prancheta nem tempo pra desenhar nenhuma jogada, além do que, a única pessoa que certamente sabia jogar do seu time era ele mesmo. A partida se iniciou como era esperada, o fato de todos praticarem esportes que envolvem velocidade e impulsos dificultava a movimentação do negão. A vantagem é que ele tinha a base muito melhor que todos eles, isso fazia com que a parte técnica lhe desse um pouco de vantagem. Ainda assim, a partida estava bastante apertada, precisaria de mais um jogador de qualidade pelo menos no time, não ganharia sem suar bastante estando sozinho basicamente. A parte mais estranha, no que dava para prestar atenção nos momentos entre as jogadas, seu novo colega de time parecia meio perdido no tempo e espaço, ficava tentando acompanhar a partida, mas parecia meio aéreo, será que já estaria exausto? Num determinado momento, numa sobra de bola Raylan viu Berthold se posicionar fora da linha de três pontos e, surpreendentemente acertar o arremesso, o posicionamento era bom, a movimentação de braços para o arremesso também, devia ser sorte. Numa outra jogada, praticamente no que seria a metade da partida, em mais uma sobra de bola, Berthold pega a bola, novamente fora da linha de três, pegando a bola completamente desequilibrado arremessa sem nem olhar direito pra cesta, causando uma resposta automática. – Filho da... – caindo a bola dentro, antes que completasse o xingamento – BOA! Berthold
Aparentemente tinha dito algo engraçado, porque logo o “best boy” Raylan começou a rir sem pudor algum, não entendeu o que tinha causado a graça, mas prestou atenção no que o maior comentou, aparentemente iriam usar uma estratégia simples de marcação por biótipo e porte, e fazendo uma comparação básica, o mais próximo do seu porte físico era o jovem de esclera escura. Acertaram os critérios do jogo com 40 pontos de limite e lá foram jogar. Não podia negar que a ideia de poder jogar novamente depois de tanto tempo deixava o alemão muito animado, a ponto de até parecer avoado, mas em verdade, estava aquecendo. Ficou surpreso com o condicionamento físico dos rapazes, todos eram rápidos, flexíveis, pés ágeis, giros nos eixos e uma movimentação corpórea bem diferente do que se esperaria de jogadores de basquete. No entanto, era bem fácil de perceber que não havia visão de jogo, nem coordenação para montar jogadas, era apenas muito pique, aliado a muita confiança de pessoas que eram boas amigas. Não podia dizer o mesmo de Raylan, que tinha o porte físico, mas tinha uma boa base de basquete, sabia marcar, se movia bem, via as brechas, avançava, recuava, marcava, era um time de um homem só. Estava tão interessado em memorizar a forma como cada um jogava que por um instante, se esqueceu que tinha de manter o jogo competitivo, as quadras tinham sempre as mesmas medidas, então precisava apenas usar o que já tinha treinado um par de vezes, arremessos de três pontos. Mesmo desequilibrado, ou sem olhar diretamente, desde que se posicionasse no lugar de sempre, a distância para cesta era a mesma, então a bola certamente cairia no lugar desejado. Tinha convicção demais daquilo para duvidar de si mesmo, mas ouvir o quase xingamento de Raylan sobre seu lançamento de bola de três, fez o loiro desenhar um sorriso leviano no rosto de traços bonitos: -- Eu demorei demais no aquecimento… mas vamos trabalhar aqui! -- O jovem comentou quando se aproximou dos maiores, enxugou o suor na própria camisa, e aproveitou para esconder a boca e falar baixo na direção de Raylan e Arth: -- Eu vou começar a fazer passes, fiquem atentos por favor. Numa disputa de bola enquanto marcava Micha, leu nos olhos dele que ele iria passar para o David, mudou de trajetória e deu um toque na bola, roubando a mesma, e acelerou o passo, cortando o caminho da quadra e avançando pra dentro do garrafão em direção a Rick, que foi certeiramente muito ágil em se mover exatamente contra seu corpo, mas antes que o maior pudesse chegar na bola, Berthold passou a bola por entre o vão das pernas do moreno mais alto, em direção a Raylan que estava livre bem no centro do garrafão. Era pontuação garantida bem em cima da cabeça de Rick E era fato, que a partir daquele momento, o jovem alemão estava sustentando um sorriso no rosto, bem diferente do tipo de personalidade que ele tinha demonstrado no começo daquela partida de rua. Raylan
Parecia que o jogo finalmente tinha começado. O aleatório que chamou do meio da rua sabia mesmo jogar, a sorte foi tão incomum e hilária que nem acreditou como a vantagem se alargou rápido. Era claro que a pouca organização que o time de Rick possuía ia se esvaindo com o aumento da diferença. Como não era um jogo oficial e não tinha um técnico para saber o momento de quebrar o ritmo, a empolgação só ajudava o time de Raylan. Sabia que não iria cansar seus oponentes, então a vantagem seria a pressa deles em igualar o placar, somado a falta de técnica mais refinada. E, falando em técnica refinada, numa das movimentações de bola, decidiu que era interessante fazer uns testes pra ver o quanto o novo colega era treinado. Testaria fazer alguns pick and roll para ver os fundamentos do companheiro de time, caso fosse satisfatório, teria alguém para tirar a ferrugem e eventualmente beliscar um torneio 3x3, parecia que finalmente começaria a gostar da França. - Pick and Roll, baby – Disse Raylan na posse da bola, efetuando um passe e se posicionando para poder fazer o corta luz. Um destreinado faria mal feito ou pior, passaria por cima do negão como se fosse um trator, numa eventual falha miserável na execução. A movimentação foi ótima, Rick tropeçou seguindo a marcação e caiu feito uma fruta madura, fosse menos condicionado fisicamente, o tombo seria mais prazeroso. – Cuidado aí rapaz, quer começar a jogar de Tutu? Berthold
O clima do jogo ficou bom, começou a se mover cada vez mais rápido, e cada vez mais ágil, porque como os movimentos de seus adversários eram fáceis de ler, eram fáceis de antecipar, então não obstante, as roubadas de bola ocorriam, e o que parecia ser uma surra num aleatório de rua, estava se voltando contra o grupo de amigo. Por alguns momentos o loiro se esqueceu de porque não jogava mais, e apenas aproveitou a sensação de estar em quadra, a adrenalina no corpo, e a sensação de ser ágil e de ter algum controle, mesmo que fosse apenas do domínio de bola. E seguindo o ritmo de jogo, quando Raylan anunciou a jogada, o loiro girou nos calcanhares e se movimentou de forma ágil para aproveitar o corta-luz oferecido pelo seu colega de time de rua, sem marcação visto que Rick tinha caído no chão, depois de bater no paredão de 2m de músculos que o colega de time sustentava, o caminho ficou livre para que Berthold se posicionasse para marcar sem problemas nenhum: -- Virou passeio! O loiro riu de forma descontraída, provocando os adversários, aquela altura já estavam quase na marca de pontos que determinava o fim daquela partida amistosa, nada mais justo que fechar uma partida tão divertida de um jeito bastante animado. A reação dos outros rapazes veio, de forma rápida, porém não muito organizada, o vigor físico deles todos era formidável, eles com certeza tinham a resistência de atletas, mas não tinham o estado mental, mas não dava pra culpar, quem ficava deboas perdendo? mesmo que fosse só um amistoso. Deu um toquinho na bola que Micha estava para passar, e Arth aproveitou a deixa, o passe não foi bom em sua direção, e por ter marcado algumas bolas de 3 pontos, Rick e Micha fizeram marcação dupla em cima de sua pessoa. O que não era necessariamente um problema, se dois deles estavam aqui, apenas David podia estar marcando os outros dois companheiros, sua decisão parecia bem óbvia ali, o alemão se posicionou como se fosse mesmo assim tentar uma cesta de três pontos daquela distância e moveu os calcanhares fazendo menção de saltar. E tão certo como o dia é dia, e noite é noite, os dois se adiantaram em saltar, fake executado com sucesso, em seguida o loiro saltou de verdade mas ao invés de fazer um arremesso, lançou a bola mais alta na direção de Raylan, sabia que pelo altura e porte físico dos dois, mesmo que pulassem juntos David tinha pouca probabilidade de alcançar aquela altura, o que queria dizer: -- Alley Up! Raylan
Numa partida, não é só ficar correndo aleatoriamente igual a um monte de galinha esperando a bola respingar em sua direção. Tinha movimentação de rotação, troca de marcação, tudo isso determinava a qualidade de um jogador. Saber se posicionar para marcar pontos era bom, mas saber se posicionar defensivamente tinha tanta importância quanto pontuar. Interceptar linha de passe era algo que precisava de treino e instinto, era visão periférica e agilidade, para sua sorte, sua escolha de última rodada do draft tinha essas qualidades, um verdadeiro achado. Teria Raylan bons olhos para jogadores e seria um grande GM no futuro? Ainda não sabia disso, precisava passar nas matérias do maldito colégio e entrar em alguma Universidade primeiro, afora a parte da maconha que nem sempre é vista com bons olhos. Nem sempre não, ninguém quer um jogador importante sendo punido por uso de substâncias ilegais. Fora desses devaneios de um futuro incerto, causado após a jogada defensiva de seu novo parceiro, a mudança de marcação do time adversário começou a aparecer. Verificando o desespero para tentar parar a jogada, o negão se posicionou na linha de passe picado ou lateral. Os colegas fazem parkour, saltam com facilidade e agilidade, uma marcação dupla parecia o mais apropriado para um arremessador de 3 pontos, mas com 2/3 do time sabendo o que faz, fica difícil usar estratégias simplórias. Sabia que Berthold não iria arremessar, dado o condicionamento físico dos oponentes, era arriscado e ele parecia saber quais riscos correr. A confirmação veio em seguida, só a forma que veio um pouco diferente do que tinha imaginado. Apesar de jogar de Ala mas ter força para Ala-pivô, um armador de ofício como seu novo parceiro parecia ser, pensa um pouco diferente e torna as coisas menos simples num jogo de improviso. Recebeu a deixa da ponte aérea e agradeceu todos os treinamentos para manter o condicionamento físico, correu em direção à trajetória da bola com toda a explosão física que dispunha, saltou e enterrou, finalizando tudo com muita força. Não costumava fazer isso em quadras de rua primeiro por uma questão de segurança, dado que o piso nunca era adequado para uma aterrissagem improvisada, além dos aros nem sempre aguentarem a pressão de enterradas violentas. Nessa ocasião, devido a todo o tempo que passou sem jogar em nível decente, além do bom aquecimento que foi essa partida, o corpo se moveu sozinho. A finalização da jogada fez um barulho estrondoso pela força aplicada, mas não tanto quanto o grito após aterrissar. - WOOHOO! YEAH BABY! – gritou enquanto flexionava os músculos – Jogada safadinha, ein! – Finalizou apontando para Berthold para, em seguida, fazer uma dancinha provocativa enquanto puxava o braço de volta ao corpo. Berthold
Era curioso estar jogando basquete depois de tanto tempo, fazia tempo de verdade, tempo suficiente para não se atentar ao fato que nem todo mundo podia dar conta de jogar naquele ritmo que estava jogando, as vezes nem ele mesmo. Era melhor parar antes que começasse a ter alguma enxaqueca por causa da atividade física, mas toda a sua preocupação foi deixada de lado, diante do comentário de Raylan e da dancinha ordinária. Riu em plenos pulmões diante daquilo, enxugando o suor na camisa, conseguiu até tirar uma expressão de riso e deboche do companheiro de time o tal de Arth que olhava para o outro trio de cima, com um sorriso de canto de boca que só dizia “vitória”: -- Acho que depois dessa a gente fechou os 40 pontos, ainda bem que minha irmã têm uns tutus que não usa mais, vai ficar um charme em você Rick. – Arth respondeu o moreno mais alto, que se aproximou fazendo uma cara de mal humor, todos plenamente suados da atividade física. Mas o que chamou a atenção de Berhthold foi o fato do sujeito ter chamado o outro de Rick e não de “Exibido”, aquilo era o sobrenome dele? -- Rick Exibido é um nome bem peculiar. – O loiro respondeu se aproximando do grupo de jogadores, que o encararam por um momento, se tocando talvez naquele instante, que o alemão realmente sabia muito pouco de francês e achou que exibido era o nome do moreno mais alto. Aquilo arrancou uma risada sonora de Micha: -- Serião Rick, vou te chamar de Monsieur Exibido pelo resto da vida!!!! – o clima de zoação em cima do mais alto nem parou por ali e nem estava com cara de acabar. Berthold se aproximou de Raylan, dando um toquinho no ombro dele de leve: -- Você é bom nisso, desculpe se eu joguei meia boca hoje, faz um tempo que eu não jogo nada. Desculpe por isso. – O loiro tinha aquele jeito de se desculpar excessivamente, pra logo em seguida: -- O que foi que eu disse que é tão engraçado, eu não entendo os franceses. Raylan
Todo o lance de exibido era hilário por si só, mas perceber que o companheiro achava que o nome de Rick era realmente esse só fez a coisa ficar melhor. Era como se ver no espelho chegando na França sem saber falar quase nada, com as cores invertidas, mas a lógica é parecida. No mais, foi ótimo ter uma partida decente depois de um tempo, seria ótimo ele ser aluno da academia também. Parecia ter uma idade semelhante, mas dado a altura e porte, isso não queria dizer muita coisa. Podia só ter comido frango frito o suficiente para os hormônios terem deixado ele dessa forma. - Ei, Rick Pavlova! Tou ansioso pelos vídeos novos viu cara, vou divulgar seu canal na academia e tal, tu vai ficar rico, bicho! Lembre dos pobres aqui que deram a ideia de alavancar seu negócio, mas cuidado pra não mostrar o negócio demais nos ângulos de salto. – Brincou enquanto se aproximava do grupo, para manter a zoação rolando. Ficou surpreso com a formalidade e os pedidos múltiplos de desculpa, além da modéstia, ou falsa modéstia, não saberia diferenciar. - Meia boca, bicho? Tá de onda? Foi show. E sobre o que você falou, exibido foi uma forma de dizer que ele gosta de aparecer, não era o nome dele hahaha. – Sorriu simpaticamente – No mais, cara, ia ser muito pau você estudar na academia St. Clavier, eu tou tentando levantar o clube de basquete de volta. Uns caras fizeram umas imbecilidades lá, bando de mané, aí o clube foi suspenso. Tou te devendo uma pela ajuda aqui, se você continuar vindo vai ficar disputado entre os caras agora, mas não vou esquecer da mão que você me deu. Raylan gostava de fazer amizades novas, já imaginava que iam ter uns problemas de comunicação, mas o que poderia dar errado, não é mesmo?! Berthold
Então o sobrenome dele era Pavlova? lembraria da informação para outros dias, não sabia que exibido era um tipo insulto, teria de pedir desculpas ao rapaz por tê-lo maltratado sem saber, muito embora todos ali parecessem bem entrosados, talvez ele não estivesse com raiva? mas ainda assim pediria desculpas, mas antes de se dirigir diretamente ao maior, que era o centro das atenções de zoações, Raylan lhe chamou a atenção sobre quem sabe estudar em St. Clavier, e que isso seria bom porque ele estava tentando alavancar o time de basquete. Sentiu o estômago gelar com a possibilidade de fazer parte de um time sério novamente, a ideia lhe apavorava e ao mesmo tempo lhe deixava animado não sabia dizer se isso era bom ou ruim. Não sabia que expressão estava fazendo, mas sorriu um pouco sem graça e coçou os fios loiros curtos, organizando as palavras em francês pra tentar explicar que não poderia jogar, mas logo lhe veio a mente a figura da dupla de amigos que tinha visto na quadra no outro dia: -- Ah, eu estudo sim em St. Clavier, sou bolsista de artes na verdade, embora seja difícil de acreditar. Estava tirando fotos da cidade pra poder compor material novo. E bem, eu já joguei basquete, quando estava no ensino médio, mas faz um ano que eu não participo de nenhum jogo de verdade, por isso digo que estou fora de forma. -- Admitiu parecendo um pouco sem graça, mas se recompondo em seguida: -- Mas essa semana eu vi um rapaz que entrou com bolsa pra esporte na quadra, Angus O’neal, ele é bom, pelo que deu pra ver, e tem um amigo da minha altura, Giles Berlioz, que ele com certeza não jogava basquete antes, mas tem porte de atleta. Comentou de forma mais tranquila agora tentando desviar a atenção do mais velho, e foi até suas coisas, buscando a câmera profissional, pra olhar na memória fotos que tinha tirado do treino do outro dia, onde dava pra mostrar a disputa entre Angus e Giles, e dava pra ver que o ruivo de quase 2m tinha uma boa postura, enquanto o rapaz moreno menor, embora fosse bem atlético não tinha muita noção do que fazer na quadra. Estava até animado mostrando as fotos até passar em uma foto bem tirada de Raylan correndo em sua direção tirada mais cedo. E no mesmo momento os rapazes do Parkour se amontoando ao redor de Berthold: -- Olha só o Best Boy parece até um modelo de revista. -- Micha comentou entretido. -- É a câmera cara que têm esse efeito - David retrucou sem dar muito crédito. -- A câmera não faz tudo sozinha, né meu bem! -- Micha brincou e o moreno de óculos bufou em retorno: -- Ok, méritos do Konrad, parabéns por ser um fotógrafo massa e conseguir deixar esse sujeito bonito. -- Tu acabou de admitir que o Best Boy tá bonito na foto, tá ligado que tu tá elogiando um homem né? -- Micha descascou David. -- DESGRAÇA! CALA BOCA! -- David bateu o pé no modo full pistola. Raylan
Foi complicado conter a animação ao ouvir que Berthold estudava na academia, isso era ótimo, tinha pouco tempo para montar o time, precisava juntar o máximo de possíveis candidatos, tinha muita coisa pra fazer, bolar jogadas, treinar os menos habilidosos, etc. Só ficou melhor ao ouvir que ele conhecia dois possíveis candidatos, isso já deixava as coisas mais interessantes, precisaria procurar por eles na academia assim que possível. Para sua sorte, além de dizer os nomes, seu novo companheiro tinha umas fotos dos caras, até aí tudo bem, ele é branco então a polícia pegar é de boa. - Realmente, belo negão você tem aí nessa câmera. - Comentou junto com o frisson dos outros, ao ver sua foto. – E vocês dois, não precisam brigar, tem pedaço de ébano pra todo mundo. – comentando sobre a implicância de Micha e David. Precisaria planejar a abordagem com os futuros membros, papelada deles, enfim, uma série de coisas que ele sabia não ser inteligente o suficiente pra fazer com maestria. A única coisa que podia fazer bem era a parte de divulgação com os cartazes, isso podia chamar alguns membros. Aliás, parando pra pensar nisso, Berthold ainda não tinha aceitado, só falou que estudava na academia também, seria algo totalmente frustrante fazer esse monte de conta e planos como se ele já fizesse parte e, no final, levar um não. - Bom, bem legal você ter as fotos dos caras, ajudou muito, mas antes de eu sair caçando macho por aí, você disse que faz parte da academia também, certo?! Que tal entrar pro time? Um membro habilidoso como você vai fazer toda a diferença. Independente da resposta, teria de ir atrás dos outros, já estava devendo uma, entederia se precisasse pagar antes de pedir mais algo. Berthold
Era até curioso que tivesse encontrado um grupo de rapazes tão animados, bem conhecia aquele tipo de amistosidade com a possibilidade de um amigo “curtir caras”, e era mais que notório que havia intimidade o suficiente entre eles para que aquilo soasse como uma brincadeira. Aquele tipo de clima lhe fazia sentir saudades do tempo que jogava em time e do tipo de balbúrdia que vestiários pós jogos ou treinos geralmente tinham. Sorriu diante das respostas exageradas dos outros rapazes, principalmente de David que apesar de xingar o rapaz de esclera escura, foi bem claro que ele ficou envergonhado. Seu “Gaydar” não estava errado naqueles momentos. Mas teve de rir ainda mais abertamente diante do comentário de Raylan sobre ter um um pedaço dele para todos ali, isso queria dizer que estava incluso? O rapaz de 2 metros de altura era sem dúvida um típico hétero engraçadinho, do tipo carismático que conseguia a atenção das pessoas facilmente pela altura, porte físico maravilhoso, além do senso de humor afiado, embora não entendesse metade do francês que ele dizia. Ficou surpreso com a pergunta direta sobre fazer parte de um time de basquete, mas devia ser meio natural afinal tinha acabado de mostrar que tinha as habilidades necessárias para jogar, além de estudarem na mesma instituição. Mas a possibilidade de jogar novamente lhe fez ficar pálido, e sentir o estômago revirar em ansiedade diante de se vê em um time novamente jogando. Até abriu a boca pra responder, mas antes que pudesse falar qualquer coisa, o grandão de moicano preto e moletom vermelho se aproximou do bando, passando o braço pelo ombro do loiro: - Ah me faz esse favor de arrumar um time pra esse sujeito? eu não aguento mais as chorumelas dele “eu não tenho time pra jogar nesse fim de mundo” dito num francês de doer na minha alma. - o moreno sorriu na direção de Berthold e a proximidade com um outro rapaz assim do nada deixou o loiro nervoso imediatamente. Ainda bem que arth puxou Rick pela camisa para que ele se afastasse de Berthold ele sequer precisou falar alguma coisa, as sobrancelhas franzidas atrás do par de lentes de grau já era o suficiente para convencer o maior a reduzir o grau de gracinhas. Micha deu um toquinho com o cotovelo no braço de Berthold, e então se aproximou para falar de forma bastante malandra: - Aproveita Bartôzinho, porque se o BestBoy precisa da sua ajuda, você pedir algum favorzinho em troca, ui? - Pelo amor de Deus Micha, tu já tá levando o menino pro mau caminho. - David retrucou, buscando uma das garrafas de água do grupo para se hidratar; - Não xingue o caminho que você já pisou, David. - Micha retrucou a língua sibilando como uma víbora, o que fez prontamente com que o moreno cuspisse a água que estava bebendo em uma reação exagerada. Berthold sequer teve tempo de responder ou mesmo de associar o que estava acontecendo ali, apenas se atentou ao fato de que não havia um time em St. Clavier: - Eu não entendi, não tem um time de basquete formado em St. Clavier? É isso. - a pergunta foi genuína, porque não fazia sentido na sua cabeça aceitarem bolsistas como o ruivo que tinha visto, se não houvesse um time formal para jogar. |