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Tratamento Intensivo de Paciência [Jaydee, Natalia] - Charles - 09-28-2021 Charles
Desde o encontro com a Doutora Natalia, Charles agora tinha uma ida pelo menos semanal ao hospital de Cerise. O único ponto negativo que conseguia ver naquilo era, às vezes, acabar topando com Ulysses que enchia o cadeirante de perguntas irritantes e proximidade não requisitada. Surpreendentemente, o loirinho estava conseguindo se acostumar mais com esse tipo de chateação. A hemodiálise estava marcada no período da tarde, mas Charles saiu um pouco antes, usando um dos seus muitos casacos escuros por cima de uma camiseta de cor mais clara, uma calça de malha mais confortável e um tênis laranja neon com detalhes pretos nas laterais. Chegou bastante atento, procurando ter certeza que não veria o esgrimista por lá, e teve algum sucesso nisso, pois chegou na sala da hemodiálise sem nem ter sinal dele. - Boa tarde. - disse, de maneira educada, porém baixa. Não viu nenhuma das duas figuras idosas que a Doutora havia apresentado da outra vez. Foi guiado pelos enfermeiros, tendo que se desfazer da sua cadeira de rodas para ficar em uma das cadeiras apropriadas para a hemodiálise. A cadeira era confortável e pelo menos, o outro gato pingado que estava por lá já parecia perto de terminar o seu período. Não demorou para os enfermeiros ajeitarem a agulha em seu braço e lá estava Charles, com pelo menos uma boa hora a perder olhando para o teto. Puxou o celular e aproveitou para mandar algumas mensagens e ler notícias sobre jogos, quem sabe assim o tempo passasse mais rápido? Pelo menos, parecia que seria um dia tranquilo no hospital para variar. Jaydee
Já fazia alguns dias que Jaydee estava em Cerise e já tinha até começado o seu trabalho levemente entediante na Academia masculina St. Clavier. Mas o enfermeiro era divertido, e até tinha conseguido uma máquina de café para a enfermaria. Entretanto, o fato de não ter muita coisa interessante acontecendo em St. Clavier fora as dores de barriga e os nervosismos que atacavam os meninos nervosos com o fato de estarem morando longe de casa pela primeira vez, fez com que Jaydee ficasse fortemente inclinado a voltar ao hospital geral de Cerise, onde tinha conhecido uma médica interessante também. E lá quem sabe, estivesse acontecendo coisa mais curiosa pra observar? Mas não dava para passar mais três horas na emergência esperando alguma coisa acontecer, ele queria dar uma circulada em todos os setores do hospital, então, resolveu mandar um e-mail muito formal e bem redigido para o diretor do hospital e tentar conseguir uma permissão especial para acessar o local e conhecer as instalações, e os casos que estavam sendo cuidados no hospital. Com a reputação que tinha e as referências de trabalhos anteriores ao seu período de emergência no queens em Nova York, não foi difícil conseguir a autorização e, não só naquele dia, mas naquela semana, deu umas viagens de St. Clavier até o hospital Geral para visitar as instalações e conhecer mais coisas. Era fácil chamar atenção com as roupas que usava, mas ao menos daquela vez estava com o jaleco e com uma identificação especial que conseguira no hospital como médico visitante. Ele passou conversando com as enfermeiras e enfermeiros, outros médicos e técnicos, e daquela vez passeou num dos andares até achar uma sala onde um garoto estava no que parecia ser o início de uma sessão de hemodiálise, e o que lhe deixou bem curioso pelo motivo pelo qual ele estava fazendo aquilo sendo tão novo. Sem nem pedir autorização, ele se aproximou da cadeira, puxando um banco para sentar ao lado do garoto, encarando-o extremamente curioso. - Por que você está fazendo hemodiálise, menino? Charles
Charles viu algumas pessoas entrarem e saírem da sala algumas vezes, mas os poucos começou a deixar de lado e não prestou mais muita atenção em quem estava transitando por ali. A sensação no braço era um pouco incômoda, mas de todos que já tinha tido, era bem um dos menores. A pior parte era apenas ter que ficar com o braço imóvel, até teve o reflexo de usar o celular com a mão que não podia, mas a sensação breve da agulha o lembrou que não era uma boa ideia, e acabou se acostumando de usar apenas com a mão direita para digitar. Trocou algumas mensagens com o amigo ruivo, mais avisando sobre o tratamento ter começado e que pelo menos estava sozinho ali, sem ter quem enchesse a paciência. Isso é, até perceber uma aproximação estranha e o barulho de arrastar de banco, e dar de cara com um homem de aparência bem comum, por que o que mais se destacava eram as roupas estranhas que usava - com exceção do jaleco que usava. Era realmente um médico? O loirinho arqueou a sobrancelha, com uma expressão num misto de descrença e incômodo com a aproximação repentina: - ... Por que a pergunta? - devolveu as palavras dele, ainda segurando o celular com a mão livre - Foi recomendação da doutora Natalia. - deu o tico de informação que achava pertinente. Afinal, imaginava que a médica de cabelos platinados tinha passado a informação sobre o tratamento para quem precisava saber. Jaydee
- Da Dra. Natalia? Ahhh, e pra que ela te recomendou isso? Você já tem falência renal tão novo? - ele perguntou, ainda mais curioso, esticando-se para o lado para procurar alguma ficha que tivesse informações sobre o caso do garoto. - Mas ela é neurologista, não é? Então qual é o caso que você tem pra precisar de hemodiálise? Ele circulou em volta da cadeira em que o garoto estava sentado e não achou muita informação em ficha médica, mas para um procedimento costumeiro como uma hemodiálise, não devia precisar de muito, provavelmente o enfermeiro responsável pelo setor que estava com as informações dos pacientes e seria cansativo ir atrás. Ele ainda voltou até a máquina, olhando as informações e se virando para o garoto de novo, dessa vez sentando no banco e apoiando o cotovelo no braço da cadeira dele também, para depois apoiar o queixo na mão e cruzar as pernas. - Você começou há muito tempo? Vai ficar quanto tempo mais aqui? Faz quantas vezes por semana? Já está melhorando o que você tem? Quantos anos você tem? - ele desatou a perguntar, agora muito focado em encarar o garoto diretamente. Charles
Encarava o tal médico com um certo ar de descrença quando ele nem se preocupou em continuar as perguntas. Se encolheu contra a cadeira da hemodiálise quando ele fazia menção de se aproximar, que sina era essa que tinha de encontrar tanta gente inconveniente em um lugar só? Era pré-requisito de entrada do hospital? - Você não me respondeu a minha pergunta - repetiu, franzindo o cenho e encarando o homem de roupas estranhas. Ignorando completamente o restante da pergunta que ele havia feito e seguindo com o olhar o caminho que ele fazia ao redor da cadeira, remexendo nos papéis sobre a sua ficha. Se sentindo cada vez mais incomodado pelo vai-e-vem do médico curioso que olhava até a máquina que estava usando. Queria cruzar os braços, mas infelizmente tinha que deixar o braço ali estendido. - … Por quê raios essa curiosidade?! - resmungou, encarando o médico de volta com uma cara de poucos amigos - Você não é meu médico responsável, não respondeu minhas perguntas e não é da sua conta. Voltou a atenção para o celular, mandando mensagem para o amigo ruivo para dizer que não havia encontrado com o esgrimista, mas realmente tinha ímã para pessoas inconvenientes. Jaydee
- Eu realmente preciso responder porque é que eu te perguntei porque você está fazendo o tratamento que está fazendo? - ele construiu a pergunta propositalmente complicada, muito bem apoiado no braço da cadeira dele e com as pernas cruzadas e os pés balançando. - Eu tenho que ser curioso, eu sou médico também. Mas não é minha área, por isso tô interessado em saber porque é que ce tá com esse tratamento que geralmente não se vê numa pessoa tão jovem... ou você tem alguma doença muito rara?! Não me diga que já acabou com seus rins tão novo, o que anda fazendo na vida, menino? Jaydee ainda mudou a posição na cadeira, apoiando o outro cotovelo ali e cruzando os dois braços para continuar observando o garoto que estava no meio do processo de hemodiálise, numa postura bem invasiva. Mas logo o rapaz estava interessado em trocar algumas mensagens no celular, e Jaydee não foi nem um pouco discreto em inclinar a cabeça para o lado para ver as mensagens na tela do celular antes dele se mover para afastar o aparelho. - Tá falando com a sua namorada? Ela não vem te visitar no hospital? Ou o seu namorado? Ouvi dizer que os franceses são bem abertos nesse sentido. Charles
A cara de poucos amigos que passava um aviso claro de “fique-longe” pareciam apenas divertir o tal médico esquisito, que começou a complicar mais as perguntas que fazia. Se recusou a responder, as ignorando prontamente, mas ao menos teve uma resposta sobre quem ele era… Mesmo que fosse repleta de comentários inconvenientes e descenessários. — Curiosidade é uma coisa, já ser inconveniente… — respondeu arisco e ácido, ainda ignorando completamente as provocações. Afinal, a última vez que deu um resquício de ousadia para alguém, a pessoa apareceu em sua casa. — Médicos supostamente não são mais ‘comedidos’ nas coisas que falam? Resmungou por fim, antes de tornar a atenção para o celular e conversar com o amigo ruivo, tentando mais uma vez ver se ignorar o mais velho o faria ir embora. Sentiu a aproximação, mas imaginava que ele só estava tentando provocar mais invadindo seu espaço naquela cadeira. Oque realmente detestava eram pessoas inconvenientes que tentavam ver o que fazia no celular. E foi exatamente o que o infeliz fez. Prontamente, Charles puxou o celular para si, e o encarou de cima para baixo com um olhar que certamente queria que fosse possível jogar alguém pela janela. — Você não sabe ficar quieto?! Espaço. Pessoal. — Tentou demonstrar o espaço de um braço de distância com o próprio braço, que o mais velho já havia quebrado há muito tempo —Não é meu namorado ou namorada. Síndrome de Guillain-Barré, já que quer tanto saber! Tratamento que a Dr. Natália sugeriu, sobre o meu sistema imune estar ruim, e a hemodiálise poderia resolver! Tá satisfeito?! Pode me deixar em paz agora?! Respondeu extremamente irritadiço, franzindo a sobrancelhas e resmungando baixo. Nem fez questão de dar uma explicação muito complexa, por estar sem paciência nenhuma para lidar com esse esquisito. Por que pessoas assim apareciam à torto e à direita?! Jaydee
- São? Não sei, eu não gosto muito de médicos formais. Você conhece muitos? Eu conheço um bocado. Eles são chatos. - Jaydee respondeu descontraído com a pergunta dele sobre médicos serem mais comedidos, e arrastou o banco com um barulho alto para se aproximar de novo de Charles e apoiar os braços na cadeira em que ele estava sentado bem em tempo de sentir a mão no seu peito quando ele falou sobre espaço pessoal e ficar quieto. Jaydee só riu da energia do garoto, e do fato que ele parecia muito com os gatos ariscos que deixava comida na porta de casa de vez em quando, eles sempre vinham para comer, mas nunca pra se aproximar e sempre pra arranhar. Mas ele lhe respondeu finalmente sobre a doença que tinha e o tratamento indicado pela médica que tinha conhecido logo que chegara a Cerise. - Ahhh!! Ahhhhhh!!! AHHHHH!!! Que interessante. - ele foi desnecessariamente expansivo e expressivo, puxando o banco mais duas vezes até apoiar os cotovelos na cadeira em que ele estava e apoiar o queixo nas duas mãos. - É mesmo uma doença rara! Eu já lidei com alguns pacientes com essa síndrome, mas não é minha área de atuação, então eu cuidei mais de cirurgias em pacientes com essa condição. E está funcionando? Há quanto tempo você está fazendo hemodiálise? Já fez plasmaférese? E a fisioterapia? Consegue andar e mover as pernas? Charles
Não se conteve em soltar um audível "ugh" quando ele devolveu a pergunta sobre médicos. Por que raios ele não sabia respeitar o mínimo?! Felizmente, previu bem a aproximação dele e foi no momento certo para afastá-lo do seu espaço. ... Infelizmente, parece que quanto mais Charles se estressava com o médico, mais ele se divertia de ver as suas reações. Por isso, esperava que quando falou sobre o seu tratamento, saciasse a curiosidade do outro e ele ficasse quieto. O que foi exatamente o que não aconteceu. Quase quis tapar os ouvidos quando ele começou a falar alto e se aproximou ainda mais. O que fez Charles se espremer ainda mais para o canto da cadeira. Grunhiu baixo com a nova avalanche de perguntas, cerrando o olhar para o outro e torcendo os lábios antes de responder com bastante contragosto na voz: — Eu não tenho como dizer se está funcionando se estou começando literalmente hoje! — bufou, e então tentou ficar mais à vontade na sua metade da cadeira — Já fiz fisioterapia. Eu sinto formigamento nas pernas e dói bastante mas não consigo ficar em pé completamente. Mais alguma pergunta?! Não que estivesse sendo complacente com o intrometido, até havia soando bastante irônico no final, mas queria que ele saísse logo de perto. E apesar de que quanto mais explicava da sua condição mais ele parecia invadir o seu espaço, esperava que no momento que ele saciasse completamente a curiosidade, perdesse o interesse e fosse embora. Jaydee
O tom arisco do rapaz não fez a menor diferença para Jaydee que continuou bem apoiado na cadeira em que ele estava, os olhos quase brilhando de interesse. Bom, não tinha muitas emergências para tirar saltos da bunda de ninguém, mas uma doença rara aqui e ali até podia lhe distrair com mais eficácia do que casos inusitados. - Ahhhh, você não toma nenhum remédio pra dor então? E quanto tempo fez de fisioterapia? Você não pratica esporte? Dá pra praticar algum esporte que ajude a fortalecer os músculos também não é? - ele continuou perguntando insistente. - Quanto tempo você acha que vai demorar até o tratamento dar resultado? Será que vai conseguir voltar a andar? Sem dor? Ele apoiou o queixo numa das mãos, ainda mais próximo do garoto, mas antes que ele pudesse pensar em responder todas as suas perguntas, Jaydee se levantou quase de um salto. - Eu estou com fome, vou pegar alguma coisa na lanchonete e eu volto. Você quer alguma coisa pra comer enquanto fica aí? Ainda vai demorar uma hora, não é? Temos muitooooo pra conversar ainda. Aliás, como é o seu nome? Eu sou James Dean, pode me chamar de Jaydee. - ele se adiantou. |