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[Drive] Parent Trap! [Ludwig; Karen] - Printable Version

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[Drive] Parent Trap! [Ludwig; Karen] - Lil - 08-29-2021

Ludwig

Quando Ludwig recebeu um e-mail de que teria visita em breve, ele ficou muito feliz, talvez mais feliz até do que quando saía com Oliver e Yure, ou mais feliz do que quando encontrava com Karen ao acaso por toda Cerise. Se tinha uma coisa certa é que essas eram pessoas importantes em sua vida, e mais importante que elas só podia ser sua mãe, para quem sempre estava mandando fotos, mensagens e notícias de sua vida na França. E naquele dia em específico ficou no aguardo de notícias, depois da chegada de sua mãe no aeroporto de Paris, até seu transfer para Cerise, e de repente, as mensagens pararam de chegar, e Lui pensou... “o celular dela deve ter descarregado”, porque sua mãe sempre foi péssima com tecnologia.

Enquanto isso, em Cerise, Sayuri Hargreaves tinha sido deixada em um ponto turístico junto com algumas outras pessoas que tinham vindo a cidade como turistas. Sem ideia de como seguir andando na cidade, a japonesa de 1,50m carregou sua mala de carrinho pelas ruas, usando um francês e inglês relativamente medíocres para tentar achar o ponto de ônibus onde poderia pegar um transporte para St. Clavier, para pedir finalmente socorro para seu filho, que estava morando lá há muito mais tempo e conhecia a cidade e provavelmente o hotel onde ela ficaria hospedada.

A verdade é que Sayuri não saía muito do templo em que trabalhava em Hokkaido. Talvez fosse sua primeira grande viagem internacional, e apenas porque ultimamente Lui estava muito mais animado que antes, e isso a deixava feliz. Precisava ver o filho com os próprios olhos, não só pelas belas fotos que ele lhe mandava. O problema era que agora estava em algum beco que não sabia para onde iria, e as únicas pessoas que estavam lá pareciam “yankis”. Mas certamente era só o jeito estrangeiro, e se aproximou para pedir informações.

- Ara... os monsierusu sabem como chegar a Seinto Kuravieru? – ela perguntou, tentando muito pronunciar o francês, mas falhando certamente.

- Ahh, minha tia. Certamente que eu sei ó. – um dos garotos levantou, arqueando a sobrancelha para ela. – Agora, sabe que custa um dinheiro aqui pra qualquer informação??

- Aa... entendo. Hmm... e quanto custa? – ela questionou, pensando se teria que tirar a carteira do fundo da bolsa.

- Que tal seu dinheiro todo?? – o garoto se aproximou de modo ameaçador, os outros olhando de longe porque ele certamente daria conta de uma japonesa daquele tamanho.

- Parudon, monsierusu. Mas eu não posso dar todo meu dinheiro. – a japonesa falou, com um olhar intrigado.

Karen

Retornar sempre para o mesmo lugar depois de terminar um trabalho era uma coisa com a qual Karen estava desacostumado. Mas nos últimos meses, com uma série de acontecimentos inesperados, tinha se convencionado a voltar para a pequena cidade no interior francês e eventualmente encontrar as mesmas pessoas. O agente funerário, no aluno de St. Clavier, a médica de criminosos, até mesmo a adolescente liberal que aparecia vez ou outra na funerária eram pessoas que lhe distraíam de uma rotina sempre perigosa e cautelosa. Ainda tinha uma família recém-descoberta, e embora não pudesse se aproximar do irmão mais novo, mantinha um olho atento à vida dele para ter certeza que estava tudo bem.

Naquele fim de tarde, tinha chegado a Cerise depois de outro serviço bem sucedido. O trajeto que seguiu naturalmente lhe levaria até a funerária, ou ao cemitério, mas só porque estava tão acostumado com as macas frias e com a companhia de Diodoro, que nem era mais surpresa passar por lá quando voltava à cidade. Só teve o trajeto interrompido quando, num dos becos menos movimentados, deu de cara com uma situação que lhe trouxe à mente uma sensação de deja vù. Uma mulher oriental pequena, de cabelos pretos e porte mirrado, estava claramente sendo atormentada por uns maloqueiros de beira de esquina. Lembrava claramente de já ter encarado uma situação parecida com o aluno de St. Clavier, em que ele tinha acabado desmaiando e ainda ficou tomando conta dele até acordar. E provavelmente foram a aparência e postura da mulher acuada que fizeram com que Karen se movesse a passos largos na direção da dupla, parando bem atrás da mulher e encarando o batedor de carteira de cima.

- O que disse que queria? - perguntou ao maloqueiro, os braços cruzados numa posição mais intimidadora. A oriental não devia alcançar nem a altura do seu peito.

Ludwig

Os maloqueiros até queriam rir, porque a estrangeira parecia muito densa de entender o que estava acontecendo. Já estavam avançando para pegar a bolsa dela e só ir embora, mas quando o mais falante deles ergueu o olhar, viu uma sombra de quase dois metros de altura com uma cicatriz no rosto que era bastante intimidadora.

- N-nada não, meu tio! – o rapaz até tentou se sair, levantando as mãos e dando um passo para trás.

- Não era todo meu dinheiro? – a japonesa respondeu, cruzando os braços e segurando o queixo pensativa, então voltando-se finalmente para olhar o homem atrás de si e abrindo um sorriso suave, tendo que levantar a cabeça um pouco demais para poder observar o rosto intimidador do sujeito. – Ah, desculpe, monsierusu. São seus amigos? Eu estou procurando a direção de Seinto Kuravieru. Mas aviso que não posso trocar meu dinheiro todo por informações. Seria muito problemático. – ela falou com um ar menos acuado do que tinha conversado com os rapazes.

- Né amigo da gente não, tia, tá doida?! Bora vazar, ô! – o rapaz chamou, olhando uma última vez para trás antes de enxotar os amigos que saíram a passos apressados pela direção contrária do beco.

- Ara... as pessoas aqui são difíceis de entender... – refletiu, supondo que agora teria que pedir ajuda ao sujeito alto que tinha acabado de chegar.

Karen

Karen nem precisou de mais do que o olhar e a postura para afastar o grupo de maloqueiros que estava tentando roubar a mulher. Quando eles saíram correndo e a oriental ainda lhe deu uma resposta num sotaque carregadíssimo, ele baixou o olhar para encará-la de frente e ainda notou uma semelhança absurda com o garoto que costumava encontrar em St. Clavier e que ultimamente lhe mandava mais mensagens do que conseguia acompanhar, o que era quase uma distração no seu dia-a-dia.

Ele nem precisou responder se era amigo dos rapazes que tentaram assaltar a mulher, e era quase curioso como ela também tinha a mesma aura ingênua de Ludwig. Será que todos os orientais não-criminosos eram assim?

- Fique com o dinheiro. - Karen respondeu, dando um passo para o lado e fazendo um sinal com a mão para que ela lhe acompanhasse. - St. Clavier, não é?

Ele seguiu pelo beco pouco movimentado e logo estavam de volta a uma área mais segura na cidade. Karen andou a passos comumente largos até uma parada de ônibus, estava no meio de Pourpre, e enquanto havia muitos locais para visitar, também havia muitos locais por onde se perder.

- O ônibus verde vai para St. Clavier, não perca. O verde. - ele reforçou, antes de deixar a mulher para que ela encontrasse o caminho para St. Clavier.

Talvez fosse a falta do que fazer, já que só pretendia ir para a funerária, mas mesmo depois de se afastar, ficou de olho na mulher na parada de ônibus até ter certeza de que ela tinha subido no ônibus certo, ao menos aquilo ela fez direito.

Ludwig

A senhora agradeceu silenciosamente com um sorriso quando o gigante disse que ela podia ficar com o dinheiro. Mas não hesitou de seguí-lo de forma alguma quando foi chamada, concordando com o destino, que era St. Clavier. O beco em que ela tinha entrado certamente era maior do que esperava, mas acompanhou-o a passos curtos e percebeu que não faltava muito para que saíssem dali para um ponto de ônibus.

- Oh! Era perto! – ela exclamou animada, parando no ponto de ônibus e confirmando quando ele disse que o que deveria pegar era o ônibus verde. A mulher fechou os punhos determinada. – Yosh! O verde então! Arigatou, monsierusu! Merushi!! – ela agradeceu, animada.

O tal ônibus verde não demorou, e logo a mulher subiu no mesmo, demorando apenas para entender a tarifa. Ela notou a aura do homem ainda preocupado com sua figura ao longe e acenou na direção dele do ônibus, mesmo que agora ele estivesse longe. O passeio foi bem longo, e estava certa que St. Clavier seria fácil de achar, mas entre um monte de paisagens novas, deixou de prestar atenção no caminho, um pouco devagar por conta do Jet Lag. Até viu uma montanha, e sabia que St. Clavier ficava em uma montanha, mas embora o ônibus tivesse parado, ele não ficou ali, então certamente não era o destino final. Da vila em Hokkaido que morava, só havia um ônibus, e ele não tinha paradas, então ficou confusa se era o momento de descer.

- Ara...! – a mulher exclamou, quando percebeu que tinha voltado ao mesmo lugar após um longo período. Ela decidiu que seria melhor talvez pegar um carro particular? Desceu do ônibus e deu uma pequena volta no bairro em que tinha embarcado para começar, se vendo no mesmo ponto de ônibus em que subiu para começar. – [E agora, como eu acho um carro?]

Karen

Depois que a oriental tinha subido no ônibus, Karen ainda teve a impressão de vê-la acenando a distância de dentro do veículo, mas seguiu o caminho que pretendia inicialmente e terminou na funerária, onde Diodoro estava de serviço e poderia descansar umas boas duas horas nas macas geladas. Era um local tranquilo e improvável de alguém lhe perturbar, embora tivesse percebido que poucas pessoas costumavam lhe perturbar numa cidade tão pequena quanto Cerise.

Passou pouco mais de uma hora na funerária, quando precisou liberar o lugar em que estava deitado depois da comoção na entrada principal, denunciando que havia alguma família alterada pela perda de parentes ali. Ele deixou o local pela porta dos fundos, voltando ao caminho convencional na cidade até o albergue em que estava hospedado. Mas foi pego de surpresa no meio do caminho quando, perto da parada de ônibus em que tinha deixado a mulher oriental, ela já tinha retornado. Será que a ida até St. Clavier tinha sido tão rápida assim? Antes que pudesse perceber, tinha se aproximado da oriental de novo, que muito lhe lembrava da ingenuidade do garoto com quem conversava em St. Clavier.

- Você não devia estar em St. Clavier? - Karen perguntou, ao se aproximar de novo da mulher, ouvindo ainda algum comentário em japonês que ele não entendia.

Ludwig

A mulher sequer se assustou com a presença do homem alto atrás dela, que se aproximou enquanto ela estava distraída. Na verdade, ela apenas olhou calmamente para cima atrás de si antes de virar para o sujeito, abrindo um sorriso e fazendo uma reverência amigável.

- Eto... eu segui o caminho do ônibus, mas ele voltou para cá e não parou em Seinto Kuravieru. – ela falou muito calmamente, supondo que ele compreenderia sua experiência. – Como ele acabou voltando, decidi descer no ponto de partida. Mas ainda bem. – ela abriu um sorriso mais largo. – Porque monsieru está aqui novamente. Sabe onde posso fretar um carro?

Não era que fosse totalmente ignorante sobre a existência de taxis, metrôs e ônibus, mas não saía da pequena vila onde morava nunca. Já havia muito tempo desde que lembrava como funcionavam todos esses possíveis modos de transporte. Era melhor pensar daqueles que conhecia bem.

- Ah, desculpe não ter aproveitado sua ajuda antes. E você foi tão gentil também. – ela falou, levando a mão ao rosto. – Meu nome é Sayuri Harugureibusu. Yoroshiku onegaishimasu. Você é...? – ela falou, fazendo uma nova reverência.

Karen

Ao ouvir a explicação para o retorno dela, Karen até imaginou que ela nem tinha pensado em pedir instruções a alguém no ônibus, já que não era como se o transporte parasse exatamente dentro dos terrenos da escola, mas na rua principal, de onde mal era possível ver a escola. Karen até olhou na direção da montanha e depois para a oriental muito pequena, imaginando se ela aguentaria uma caminhada tão longa quanto ele costumava fazer. Mas antes de chegar a conclusão que parecia mais óbvia, ela se apresentou, perguntando-lhe o nome também.

-- Karen. -- ele respondeu breve, olhando então na direção oposta de St. Clavier. Afinal, um táxi parecia mesmo a melhor escolha. -- Venha comigo.

Ele seguiu a passos largos até o lugar mais próximo em que deveria haver alguns táxis, já que o bairro tinha um apelo turístico, esperando que a mulher lhe acompanhasse. Se ela estava querendo ir em St. Clavier, era provável que tivesse algum parente lá, ou no mínimo imaginava que o local era outra atração turística. Quando era avistou um par de carros estacionados s distância, seguiu para tirar o motorista do descanso e da conversa casual com outro colega de profissão, batendo no capô do carro um par de vezes para chamar a atenção do motorista distraído.

-- Estou no interva-

-- St. Clavier. -- Karen interrompeu a resposta distraída do motorista que estava prestes a protestar, até se virar em sua direção e congelar por dois minutos onde estava.

-- S-sim, senhor, pode ficar a vontade. -- ele respondeu exasperado, mal notando a presença da mulher escondida atrás de Karen.

-- Entre. -- Karen abriu a porta de trás para que a mulher entrasse e depois, ele mesmo sentou no banco da frente, ao lado do motorista assustado que passou a observar a mulher no banco de trás e pensar se deveria ligar para a polícia para denunciar o sequestro óbvio do qual estava fazendo parte.

Ludwig

- Aa, Karen-san. – ela repetiu calmamente.

Seguiu o homem sem hesitar quando mandada, supondo que ele iria lhe mandar para os carros fretados. Karen, como era o nome do sujeito, encontrou um par de taxistas de folga e logo convenceu um deles a entrar no carro e dirigir até St. Clavier para levá-la. Até esperava ir sozinha, mas ao invés disso, ele entrou no banco do passageiro para ver até onde ela iria.

Depois de errar a primeira vez, ele estava sendo gentil o suficiente de lhe guiar pela segunda vez.

A mulher sentou-se no banco de trás, entretida com a paisagem por um instante antes de abrir um sorriso leve com os lábios cerrados, observando o gigante a sua frente e o desconforto claro do taxista.

- Karen-san, obrigada por me ajudar uma segunda vez. – agradeceu calmamente, segurando o cinto de segurança e mexendo no mesmo durante o passeio. – Talvez ache estranho ouvir isso, mas... você me lembra meu marido. Ele é alto e intimidador assim, mas ele tem uma aura prestativa, como a sua. Está sempre ajudando pessoas, não é? Obrigada por todas elas. – ela comentou, em um estado um pouco vago, mas muito certa do que estava dizendo.

Karen

O motorista seguiu para St. Clavier ainda com um olho muito atento no retrovisor para observar a mulher que tinha entrado no carro, como se esperasse que ela lhe mandasse alguma mensagem ou sinal de que estava mesmo em perigo. Karen não pareceu se importar com a atitude alheia, contanto que chegassem em St. Clavier e pudesse deixar a mulher no lugar certo daquela vez. Ela ainda lhe lembrava muito o estudante ingênuo de St. Clavier, tanto pela atitude quanto pelos traços, e não se surpreenderia se chegasse à academia e ele fosse parente dela.

Quando ela agradeceu pela ajuda e ainda pontuou como ele parecia com o marido, o motorista pareceu menos alerta e na verdade curioso com o que seria o relacionamento dos dois, mas continuou dirigindo em silêncio. O comentário sobre ser “prestativo” e estar “sempre ajudando pessoas” tirou um pigarro quase descrente do motorista e Karen só olhou para o lado pelo canto do olho, sem responder ao agradecimento. Afinal, a reação do motorista era que era a mais certa, embora Cerise tivesse se mostrado um estranho lugar em que encontrava constantemente pessoas que acabara ajudando, se parasse para pensar.

Depois de um caminho não tão longo de um Karen silencioso e uma Sayuri distraída com a paisagem, o motorista finalmente parou diante dos portões de entrada de St. Clavier, hesitante de dizer o valor da corrida. Mas Karen foi mais prático em tirar uma nota de um dos bolsos e entregar para o homem que fez um agradecimento breve.

- Chegamos. - Karen anunciou para a mulher no banco de trás e saiu do carro, esperando que ela o fizesse também.

Ludwig

O caminho para St. Clavier novamente distraiu Sayuri, que se viu passando por ruas que certamente já tinha passado, pois podia não ter o melhor do senso de direção, mas a memória de todos em sua família era bem treinada. E no fim, se viu nos mesmos portões onde o ônibus parou, ou melhor, um pouco mais acima. E talvez tivesse perdido a placa enorme com o nome de St. Clavier, mas agora a via claramente. Até riu de tamanha sua bobagem.

Quando Karen saiu do carro, notou que ele pagou o motorista com uma nota alta, e pediu para o homem trocar o dinheiro consigo, para que pudesse devolver o dinheiro para Karen, afinal, ela tinha incomodado ele até ali. Não era justo que ainda pagasse a corrida. Só depois saiu do carro, estendendo o dinheiro dele de volta com as duas mãos enquanto o motorista só fazia a volta para ir embora.

- Seu dinheiro. Não era necessário pagar, mas obrigada. – ela falou, fazendo uma reverência preocupada, esperando que ele pegasse o trocado. – Ara...! Como é grande essa escola! Bem que meu filho disse que ainda não tinha mostrado tudo dela...!

A mulher falou, fascinada, dividida entre esperar Karen pegar o dinheiro e seguirem o caminho.

- Será que eles anunciam o nome dos alunos da entrada...? – a mulher se questionou.

Só que antes que pudesse dar um passo em frente em direção a recepção, onde quer que ela fosse, sentiu o corpo ser quase jogado para trás por alguma coisa, e quando viu, tinha braços em volta de sua cintura, e um adolescente mais alto que ela lhe abraçando, o que fez com que a mulher arregalasse os olhos, um pouco assustada.

- R-Rui-kun!? – ela gaguejou, ainda incerta se o garoto um pouco mais alto era seu filho, até ver o sorriso dele de orelha a orelha e sorrir de volta. Ele estava mudado demais para o menino que tinha mandado para aquela escola uns anos atrás.

- [Mãe! Seja bem vinda!!~] – ele falou em uma voz baixa como sempre, mas um sorriso grande demais para conter no rosto, então virando-se para Karen e abrindo outro sorriso igualmente largo. – Karen-san...! Você encontrou minha mãe...! O-obrigado...! Eu sei que ela estava perdida...! Ela não sabe andar na cidade...! Ainda bem que ela encontrou v-você... – ele agradeceu, começando um tanto eufórico do reencontro, sem soltar a mãe em momento algum, aos poucos se acalmando e ficando um pouco envergonhado da própria demonstração de animação.

A reação da mãe do garoto foi de acolher o filho igualmente em um abraço carinhoso, mas não esperava que ele não lhe soltasse, e certamente não esperava que ele falasse tanto de uma vez, ainda que a voz fosse baixa e contida. Sayuri se pegou olhando de Lui para Karen sem entender inteiramente de onde eles se conheciam, um sorriso discreto disfarçando a timidez de ainda estar sendo agarrada pelo filho, até que o próprio Ludwig lhe soltou devagar, mas ficando com os dedos bem segurados no tecido de sua blusa.

- Então vocês se conhecem... – a mulher falou, um sorriso cerrado pensativo. – Rui-kun, agradeça apropriadamente. Karen-san foi muito paciente conosco hoje.

Ludwig então se curvou na direção de Karen, assim como a mãe, em uma reverência tipicamente japonesa.

- Arigatou gozaimasu. – os dois falaram em uníssono, embora claramente a voz da mãe se sobrepusesse a voz do garoto.

Karen

Karen olhou para o dinheiro que a mulher lhe estendeu e franziu o cenho, olhando dela para as notas que eram para devolver o que ele tinha pagado. Ele certamente não tinha pedido que ela lhe pagasse de volta, e era quase estranho receber dinheiro de alguém sem ter algum trabalho envolvido.

Ele pegou as notas de volta bem a tempo de notar uma aproximação e observar o adolescente oriental com quem conversava casualmente se aproximar e abraçar a mulher num momento de surpresa. Ouviu o cumprimento em japonês e foi apenas a confirmação de que os dois tinham algum grau de parentesco, afinal, não podia ser tanta coincidência. O garoto se afastou da mãe para lhe agradecer também por ter encontrado-a e ajudado-a. Mas Karen não se envolveu demais na conversa e só ouviu o agradecimento dos dois.

- Hm. - só acenou em resposta e deu a volta, seguindo pelo caminho que já conhecia muito bem de volta à cidade, agora de pé, demoraria mais uma boa meia hora ou mais, diferente da viagem curta de táxi que tinham feito.

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