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[Drive] Conselho Reverso [Stephen; Benjamin] - Lil - 08-29-2021

Stephen

Depois da conversa com Lei, sentia-se perdido. Embora não demonstrasse abertamente durante o trabalho e ainda mandasse e respondesse mensagens que o oriental lhe enviava, fato é que não estava bem. Seus papéis e livros estavam organizados e não eram graças a Lei. Se acordava antes do horário para caminhar sozinho com Snow. Essa rotina saudável estava dando-lhe nos nervos, então, depois de muito tempo, acendeu um cigarro. A fumaça em seus pulmões foi tão orgásmica, que sorriu. E com o sorriso, um pensamento simples.

- É, estou fodido. - proferiu para si mesmo, pegando enfim o celular e ligando para a melhor pessoa que poderia ajudá-lo. Não demorou para que o outro lado atendesse - Benjamin, preciso da sua ajuda. Estou muito fodido. Em quinze minutos estarei na sua porta. Se estiver trepando com o enfermeiro, pare. É caso de vida ou morte. - mal deu tempo do outro responder, desligando o celular.

Não se arrumou, apenas vestiu qualquer coisa que serviria para sair. Saiu do apartamento e foi direto para a casa do amigo, chegou até antes do tempo estipulado. Bateu na porta dele três vezes e uma vez apertou a campainha. Agora, restava ele atendê-lo para enfim, conversarem.

Benjamin

A convivência com Mathew na casa nova estava muito bem, além da companhia do enfermeiro ter lhe garantido outras surpresas e resoluções com sua irmã mais nova, o que era muito bom. O trabalho estava bom e pela primeira vez em muitos anos, não tinha do que reclamar daquela estabilidade que tinha adquirido por conta do relacionamento com o enfermeiro de St. Clavier - o que em nenhum momento de sua vida teria imaginado que daria certo. Nem sentia falta das noitadas com estranhos, se tivesse que admitir.

Naquela manhã de sábado, Mathew tinha ido para a academia cumprir o horário, mas ele só teve as primeiras aulas de reforço e voltou mais cedo para casa. Começou a preparar algo rápido para almoçar, mas foi interrompido pelo celular e se surpreendeu com o nome no visor.

- Olá, Stephen. Há quanto tempo. - Benjamin nem teve tempo de falar muito ou sequer perguntar se ele estava bem. A resposta foi bem pontual e até arqueou as sobrancelhas com o exagero do amigo, não sabia o que podia ser caso de vida ou morte, mas ele parecia suficientemente sério. - Tudo bem, estou esperando.

Ele deixou o telefone de lado e conferiu o arroz que tinha colocado no fogo. Em menos de quinze minutos, ouviu a campainha e foi abrir a porta para o amigo de longa data.

- Ei, faz tempo que não ouço um tom de emergência desses. E geralmente é meu. - Benjamin fez um aceno com a cabeça indicando o interior da casa. - Entre, não quero que você morra na minha porta.
Stephen

Ver o semblante do amigo depois de tanto tempo lhe causou um alívio e uma leveza no peito difícil de colocar em palavras. Apenas sorriu e assentiu com a cabeça, entrando na casa de Benjamin. Não lembrava quando foi a última vez que ficaram sozinhos para conversar de forma despretensiosa.

- Nunca pensei em quebrar o pouco da paz que você conquistou com meus problemas. Como está sendo a vida de casado? - brincou, fechando a porta atrás de si para colocar as mãos nos bolsos da calça jeans. O sorriso despreocupado escondia uma apreensão atípica que só talvez Benjamin notasse. Resignado, respirou fundo, aproximando-se do amigo. O sorriso sumiu assim que uma possível resposta de Benjamin à sua pergunta se fez presente, ignorando-a por completo - Eu não sei o que fazer. Preciso tomar uma decisão e sempre que penso nela fico… irritado. Podemos nos sentar?

Antes de receber uma outra resposta, já foi caminhando até o sofá, sentando-se desleixadamente. O grisalho cheirava a cigarro e Benjamin sabia que ele havia parado de fumar graças ao professor de educação física. Aparentemente, o motivo de estar tão consternado era mais óbvio do que imaginava. Stephen nunca esteve tão ansioso.

Benjamin

Benjamin acompanhou Stephen até a sala de estar depois que ele perguntou sobre sua “vida de casado”, e ainda bem que Mathew não estava por perto para que aquele comentário avulso desse ideias erradas ao outro.

- Acho que eu já estava ficando velho demais para as aventuras pelo continente. - Benjamin falou de modo despretensioso, mas era notável como Stephen estava inquieto e até podia sentir o cheiro do cigarro nele, o que era incomum, afinal, ele tinha parado de fumar por influência do professor de karatê.

A apreensão dele só ficou mais óbvia quando ele explicou por cima como estava perdido e como aquilo dependia de alguma decisão importante. Certeza que tinha a ver com Lei, mas só concordou com um aceno de cabeça, dando espaço para que o amigo de longa data se sentasse num dos sofás da sala de estar.

- Quer beber alguma coisa? Pelo seu estado, imagino que já tenha acabado com a cartela de cigarros. Uma bebida é o máximo que posso oferecer pra lhe deixar ocupado. - Benjamin disse, ainda assim se sentando também numa das poltronas da sala de estar. - E então? Tem a ver com o professor Lei?

Stephen

- Aceito a bebida. - respirava fundo, forçando o sorriso. Mas as palavras que se seguiram foram chaves para o grisalho se virar para o amigo, dessa vez com um sorriso agradecido - Você me conhece tão bem… bom que não preciso me esforçar pra falar muito, hahaha!

Aquela risada, tão óbvia para quem o conhecia: não estava bem. Forçava-se a parecer o homem despreocupado que pintou na academia, mas Benjamin bem sabia que a verdade era completamente diferente. Resignado, antes mesmo da bebida chegar, iniciou sua fala:

- Lei vai embora. Precisa voltar pro Japão pra resolver certos… problemas de família. Ele simplesmente não consegue ignorar aqueles que não fizeram bem a ele. Enfim. - bufou, recompondo-se para não perder a linha de raciocínio - Eu não sei como agir. Perguntei se ele queria que eu fosse junto, mas ele prefere ir sozinho. Perguntei se ele esperava que eu o aguardasse, já que não se sabe quando voltará… ele disse que sim. Mas não pode me prender. Benji, você me conhece bem… eu já estou velho para esses dramas. Realmente não sei como agir.

Stephen tirou o óculos para massagear o espaço entre os olhos. o semblante cansado revelava que ele já havia pensado demais, já havia fumado demais e que de fato, buscava ajuda. Uma palavra, qualquer palavra.

Benjamin

Benjamin se levantou para ir até a cozinha e pegar uma cerveja para o amigo na geladeira. Não costumava beber muito e quando o fazia, era vinho, mas imaginou que Stephen pudesse precisar do álcool para assimilar melhor o próprio estado. Estendeu a garrafa aberta para o outro, ouvindo o início da explicação desde o caminho da cozinha até a sala, voltando a se sentar na poltrona.

Então o assunto era sobre o professor que ia embora para o Japão por conta de problemas de família. Bom, até estava acostumado com problemas de família, mas diferente de Lei que, de acordo com Stephen, não conseguia "ignorar" quem não lhe fazia bem, Benjamin era o completo oposto e não tinha contato com a família há muitos anos.

- Bom, você está mesmo velho pra esses dramas. - Benjamin concordou. - Mais do que eu, inclusive, e eu já estou quieto.

Benjamin parou por um instante para analisar o estado acabado do amigo e coçou a nuca, no fim das contas, era irônico pensar que talvez Mathew fosse mais útil em aconselhar algo para um relacionamento sério do que ele - que estava em um só agora.

- Você quer terminar com o Lei? Eu achei que o caso de vocês era sério, que queria ficar com ele. Até parou de fumar… bom, até agora. Não pediu para ele ficar? Eu não sei qual a situação dele com a família. - o máximo que podia fazer naquele começo era entender um pouco da situação.

Stephen

Sabia que Benjamin não era um Hitch em questão de relacionamento, mas era a única pessoa confiável que tinha para desabafar. Faria aquilo com mais quem? Sua vizinha Carissa com seu relacionamento mal resolvido com aquela policial tsundere? Seus colegas de trabalho que mal sabem do seu envolvimento com o professor de educação física? Resignado, respirou fundo, pegando a cerveja.

- Eu não quero terminar com ele. - respondia prontamente - Mas não sei se devo. Lei é complicado, sente essa necessidade de aprovação. Não pode jamais assumir que está com outro homem para o pai e sente que precisa voltar para ficar sabe-se lá quanto tempo. Ele disse que não quer me prender e ao mesmo tempo que quer que eu o espere. Pedi para ele ficar, pedi para acompanhá-lo... só que ele é cabeça-dura.

Obviamente estava contando o seu lado da história, com toda a indignação que acabou carregando sobre a escolha de Lei, sem os detalhes do relacionamento do oriental com a família por ser algo pessoal demais. Deu uma golada bem dada no álcool, fazendo uma careta ao sentir aquele gosto amargo. Suspirou mais uma vez, encarando a garrafa que segurava.

- O que você faria no meu lugar, Benji? - perguntou, voltando-se enfim para o outro. Estava verdadeiramente pedindo ajuda.

Benjamin

Era irônico ouvir de Stephen que Lei não queria "prendê-lo", ao que lembrava, o professor de karatê era um pouco extremo quanto à possessividade para Stephen e os dois até tiveram algumas desavenças no meio do caminho por causa daquilo, o que fez com que Benjamin levasse a mão até o rosto inconscientemente lembrando do murro que tinha levado pelo mal entendido.

- Eu conheci alguns orientais na vida e eu sei que eles têm umas atitudes bem diferentes do que estamos acostumados, e eu conheci o professor Lei o suficiente para saber que ele é cabeça-dura mesmo, mas eu achei que vocês estavam indo bem demais, até. - Benjamin comentou sobre a situação geral, mas não sabia exatamente o que adicionar.

Observou enquanto Stephen bebia a cerveja, procurando uma solução que pudesse ser útil para aconselhar o amigo, mas foi bem natural de sua reação rir quando Stephen perguntou o que faria no lugar dele.

- Eu o deixaria ir embora e procuraria outros caras com quem dormir. - Benjamin respondeu, ainda em meio à risada, para só assumir uma postura mais séria depois. - Você sabe que eu não sou bom com relacionamentos e estou aprendendo agora o que fazer e o que não fazer. Se quer saber, acho que Mathew seria mais útil pra você nesse momento. Ele sempre foi muito persistente vindo atrás de mim e insistindo para ficarmos juntos até eu cansar das minhas próprias desculpas pra não aceitar.

Benjamin suspirou, coçando a nuca e tentando organizar os pensamentos que pudessem de fato ajudar Stephen daquela vez.

- Eu acho que você devia dar espaço a ele, pelo menos para ele pensar no que quer, e para você pensar também no relacionamento que vocês têm. - ele curvou o corpo, apoiando os cotovelos nas pernas. - Mas se realmente não quer terminar assim, nem esperar um tempo indefinido, você que devia ir atrás.

Stephen

Prestava atenção, embora ainda parecesse estar absorto nos próprios pensamentos. Afinal, não sabia o que era o certo a se fazer. Focado na bebida e no desespero devido a incerteza dos acontecimentos, virou-se para o amigo. Um semblante esperançoso se fez presente, como se Benjamin tivesse falado o que precisava ouvir.

- É isso! Você tem razão, meu amigo! - pôs a cerveja na mesinha, levantando e indo até o outro, abraçando-o forte - Me abriu os olhos! Só existe uma forma eficaz de agir!

O soltou. Com tiques de ansiedade, checou o relógio de pulso e em seguida a porta. Estava com um sorriso assustadoramente esperançoso.

- Só preciso ser irritantemente insistente como o Matthew foi. Que horas posso encontrá-lo? - perguntou enquanto ignorava todo o resto do conselho que lhe foi dado. Stephen nunca esteve tão desesperado.

Benjamin

Stephen pareceu ter um estalo de realização sobre o que fazer que nem Benjamin sabia qual tinha sido. Ficou surpreso com o ânimo do velho amigo, se aproximando para lhe dar um abraço forte, dizendo como lhe tinha aberto os olhos. E ele obviamente estava pelo menos um pouco afetado pelo álcool, porque parecia mais paranóico do que lembrava que Lei era. Será que tinha sido influência da convivência?

Mas o que colocou uma expressão surpresa e até assustada em Benjamin foi a conclusão absurda que ele chegou de que devia ser irritante como Mathew para conseguir Lei de volta.

- Wow, Stephen, calma aí, é melhor se sentar que nós não terminamos de conversar. - Benjamin disse, colocando a mão no ombro dele e impulsionando-o de volta ao sofá. - Você ouviu a parte que eu disse sobre dar espaço aos dois? Para pensarem no que querem? Acho melhor deixar a bebida de lado.

Benjamin afastou a cerveja, esperando que Stephen se sentasse de uma vez para continuarem conversando e entender o que estava acontecendo.

Stephen

Não insistiu em ter a cerveja de volta, apenas franzindo o cenho e arqueando uma sobrancelha. Sentou-se novamente a muito contragosto no sofá, com um semblante incrédulo que encarava Benjamin por trás do óculos de grau.

- Eu sei o que eu quero! Lei que não deixou nenhuma certeza. Ele me quer, mas quer a família também e segundo ele, não pode ter os dois. "Mind blowing", meu amigo!

De fato, estava fora de si. Sempre foi a pessoa que se afastava, que nunca se envolvia. Sabia que Benjamin também era como ele antes do Matthew por isso esperava uma ajuda mais concreta. Mas pelo visto, estava enganado.

- Pff! Espaço... Lei nunca me deu espaço! Me fez caminhar todo dia de manhã, organizou minha vida para agora sumir dela?? Não faz sentido algum... - tirou o óculos, apoiando os cotovelos nas pernas enquanto massageava o vão entre as sobrancelhas com o polegar e o indicador da destra. Respirou fundo, por fim, resignado - Acho que perdi a cabeça, Benji…

Benjamin

Benjamin tinha que admitir que era irônico pedir de Stephen um pouco de sensatez e espaço entre os dois, considerando como Lei era possessivo. mas quem sabe aquele espaço fizesse com que o professor de karatê fosse um pouco mais sensato? Ou ele pioraria a ponto de se tornar um criminoso? Ele deixou os pensamentos de lado, lamentando pelo estado do amigo e como exatamente poderia ajudá-lo ali.

- Eu admito que também não faz sentido pra mim, mas eu não sei nada da relação dele com a família, Stephen. Você, como o parceiro dele, pediria pra que ele desista completamente da família e arcaria com as consequências de pedir isso? - Benjamin perguntou, sabendo que de situações familiares complicadas, ele bem entendia. - Nós dois sabemos que famílias são complicadas em geral. O que ele vai ganhar com você, e o que vai ganhar indo com a família? Pense nos dois lados primeiro.

Não tinha muito o que aconselhar a Stephen, e talvez se Mathew chegasse, acabasse instigando o outro a fazer alguma besteira.

Stephen

Dessa vez, com a cabeça um pouco mais fria, apenas escutou. Escutou, ponderou. E Benjamin tinha razão. Quem era ele para exigir de cara algo do namorado? A decisão era unicamente do Lei. Respirou fundo, resignado, assentindo com a cabeça.

- Obrigado, meu amigo. Acho que precisava só falar com alguém. E agora, preciso pensar um pouco. - levantou-se, ajeitando o óculos no rosto - Desculpa o surto. Você sabe que não sou assim. - se aproximou, dando dois tapinhas firmes no ombro alheio - Vou pra casa. Mande um abraço pro Matthew.

Aquilo não significava que estava firme em suas decisões, pelo contrário. Se Matthew chegasse ali e dissesse pra ele impedir Lei de viajar no aeroporto, ele faria aquilo. Mas naquele ponto da conversa, havia chegado num grau de vulnerabilidade que sabia que precisaria lidar sozinho. Com aquilo, caminhou até a porta, esperando que Benjamin o acompanhasse para se despedir do mesmo.

Benjamin

Não tinha muita condição de ajudar Stephen no fim das contas, então Benjamin só suspirou longamente, levantando-se quando Stephen fez o mesmo, para lhe agradecer e seguir para fora de casa. Ele apenas cruzou os braços, sorrindo de forma compreensiva para o amigo de longa data.

- Desculpe não poder ajudar muito. Espero que as coisas dêem certo entre vocês. - Benjamin respondeu. - E se precisar de alguém pra quem reclamar, sou todo ouvidos. Mas pra aconselhar, já sabemos que eu não sou muito bom.

Ele só acompanhou Stephen até a porta e observou enquanto o amigo seguia ainda muito imerso nos pensamentos sobre o que fazer para resolver a situação com o professor de karatê.

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