Boyd
Aproximadamente quatro dias se passaram depois que tinha começado sua caçada com mais fervor, dormindo pouco, trabalhando muito, essa maldita cidade finalmente estava ganhando algum ritmo. O aviso que tinha dado para Leona e Lilú, sobre suas incursões nas áreas menos abastadas de Cerise não foram da boca para fora, essa região certamente nunca viu tantas balas voando como nesses dias, e o som dessa sinfonia era algo que Boyd estava acostumado, ele compôs, sabia todas as notas, e o ritmo não diminuiria até alcançar seu objetivo.
Para ele, várias coisas ainda eram um mistério, como por exemplo, como os criminosos da cidade deixavam um estrangeiro vir e cantar de galo na sua região. O que ele teria para oferecer para inspirar tanta lealdade a ponto de fazerem o que ele quer? A única resposta que lhe vinha em mente, era medo. Bom, se é uma questão de impor medo de uma morte iminente ao demonstrar desobediência ou infidelidade, esse jogo poderia ser para dois. Kyle podia ser bem treinado, convincente, mas sobre impor medo, ele ainda era só um. Já o texano dispunha de um departamento, apesar de pequeno, ainda tinha os números ao seu favor. Além do contingente de pessoas maior, o oficial ainda dispunha de poder de fogo elevado em comparação ao seu oponente. Tudo isso levava a situação atual, uma queda de braço de demonstração de poder, dois predadores que não podem coexistir no mesmo terreno, tudo isso faria esses maricas fora da lei repensarem o lado que escolheram, e estava claro para onde a balança iria pender.
Era engraçado ver que, o cowboy tinha sido afastado de sua terra natal por causar um cenário de guerra constante, para esse tipo de realidade o seguir até aí, nesse fim de mundo. Um cenário de violência constante, ameaças, tiroteios e muito provavelmente reclamações posteriores da corregedoria. O cenário de guerra era algo que deixava Kyle em casa, mas a tranquilidade nessas situações não era uma exclusividade dele, todo descarregar de arma era uma só mais uma segunda-feira de trabalho.
O que se sucedeu após sair do estabelecimento de Lilú, visitado depois de encontrar o corpo da criança, era uma rotina que somente oficiais com larga experiência de campo, além de muito foco e sangue no olho, poderiam aguentar. Eram rondas consecutivas, auxiliadas pela triangulação de Carissa, terminado isso, voltava para o departamento para pegar munição o suficiente para suas incursões, ia recolher informações e dar recados nos cantos pouco patrulhados, sufocando cada dia mais os marginais e fechando o cerco contra Kyle. Enquanto seguia o livro de regras num turno, distribuía tapas, chutes e tiros em outro. Nessa pegada, não dormiu mais em sua residência desde que começou. Passava lá para trocar de roupa e pegar algumas mudas, para o que sempre acontecia ao retornar de sua tour diferenciada, manchas variadas, sangue, sujeira de brigas pós emboscadas, coisas do gênero. Seu descanso era na própria delegacia, entre uma incursão e outra, duas ou três horas de sono no máximo. Bandidos não procuravam hospitais, esses ferimentos tinham que ser curados em outro lugar, a intenção de Boyd era deixar essas enfermarias clandestinas lotadas até achar sua presa.
Todo esse esforço, em rondas e rotas diferenciadas do padrão, finalmente renderam um resultado. Ao passar pelas regiões pouco policiadas, devido a pseudo segurança, um chamado urgente vindo do diretor de St. Clavier, dizendo ter sido contatado pessoalmente pelo Ex SEAL. Ele teria sido ameaçado e, após isso, Kyle se evadiu. Boyd estava perto o suficiente para persegui-lo, atendeu o chamado se deslocando em alta velocidade para o local, solicitou que preparassem o necrotério, no mínimo um corpo iria para lá, tudo isso terminaria hoje. Ao chegar, sirenes desligadas, obviamente, começou a seguir a rota das informações colhidas. Graças a ajuda de sua parceira, já sabia a nova aparência adotada pelo defunto, mesmo treinado e com uma rota planejada, ele não teve tempo de se evadir completamente, o texano estava no seu encalço.
Seguindo as informações, além de um pouco de seu próprio instinto, finalmente avistou seu alvo. “É um filho da puta cheio de confiança, andando como se nada estivesse acontecendo. Sabe a rotina dos oficiais padrão e baseia sua petulância nisso, mas ele finalmente cometeu um erro, eu não sou um desses oficiais”. Ao acelerar o passo para ficar na linha de tiro apropriada, deslizou a mão ao coldre, seu alvo ainda não tinha percebido sua presença, mas agora que tinha tocado sua arma, pouco importava se o cowboy tinha sido visto, nem mesmo um SEAL treinado seria mais rápido que ele para sacá-la e efetuar o primeiro disparo.
Kyle
Tinha demorado o necessário no restaurante na conversa com o diretor de St. Clavier. Sabia que aquela seria a última oportunidade de conversar com o homem antes dele ter mais proteção, assim como Aleksei, mas não se importava mais, afinal, o dia de reencontrar com o psicólogo estava próximo e sua paciência estava começando a sumir também. Ainda precisava de um último passo a ser cumprido no seu trabalho excelente, portanto, Aleksei devia estar em sua melhor disposição para assistir.
O restaurante que Vivien escolhera tinha sido ironicamente conveniente, afinal, mesmo que aquele fosse um dos bairros mais movimentados de Cerise, era o local em que havia maior quantidade de turistas desinformados das notícias locais e ainda era bem próximo de Gris, uma área cheia de ruelas, becos, criminosos e pouco ou nenhum mapeamento da polícia. Para ele, depois de um mês de vigilância, tinha todas as ruas e saídas na palma da mão. Por isso não se preocupou com os arredores ao deixar o restaurante, só andou a passos mais largos e ritmados, uma série de planos passando por sua cabeça.
E foi provavelmente aquela cabeça cheia que lhe fez se descuidar a ponto de, quando já estava a mais de meio caminho entre o restaurante e Gris, apenas ouvir o som característico de um disparo, que não lhe deu muito tempo de reação a não ser olhar para trás depois de ser atingido em algum lugar na altura do tronco. Sentiu o impacto mais que a dor e, num milésimo de segundo, seus olhos só encontraram o policial texano antes de correr para uma das ruelas que lhe levaria mais rápido até o outro bairro. Não puxou a arma para atirar de volta, mas também não se renegou a fugir do local. Correu apenas para sair da linha de visão dele, posicionar-se próximo ao início da rua e esperar. Uma hora, ele teria que se aproximar. E estava mesmo precisando de um pouco de ação para se distrair. Quem melhor do que um maluco texano que estava bem acostumado a mandar traficantes para uma vala? A perspectiva lhe fez sorrir satisfeito, ignorando o sangramento na lateral esquerda do tronco, pouco abaixo das costelas, para criar algumas expectativas.
Boyd
O impacto foi certeiro, Kyle foi esperto de não tentar revidar. Ao se deslocar para dentro do beco, impediu um segundo tiro com a trajetória devidamente corrigida. Qualquer idiota armado pensaria em sacá-la, o instinto reativo tende a ser maior nesses casos. Saindo da linha de tiro ele poderia ter tempo para bolar uma rota alternativa de fuga, mas o problema para ele era que essa situação não tinha sido prevista, ele estava ferido, até mesmo para alguém tão meticuloso essas situações adversas poderiam fazê-lo cometer mais alguns erros. A maior prova de descuido levado pela sua soberba é que ele andava sem colete por aí, a descrença na capacidade policial era tanta que isso nem sequer se tornou um ponto para ser pensado. Boyd tinha certeza que acertara seu alvo em cheio, não foi na cabeça como gostaria, mas um tiro de segurança era necessário num local com movimento de pessoas. Com um ferimento daqueles, o psicopata sangraria e perderia suas forças em breve, o tiro na cabeça tão esperado e desejado viria em breve.
Enquanto se aproximava do beco e dava ordens para os poucos transeuntes saírem das ruas, Boyd pegou seu telefone, efetuando uma ligação para a membro do trio que estava na delegacia no momento. Precisava passar informações em tempo real, na verdade, tempo era a essência do negócio. Enquanto fosse adentrando na perseguição, passaria informações de posicionamento, rotas e, se tudo desse certo, de onde buscar o corpo do ex SEAL e verdadeiramente morto. – Leona, era ele, eu o atingi com um tiro mas ele ainda está vivo, indo em direção a um beco na rua x em direção à Gris. Fique calada. – enquanto fazia a movimentação, começou a sussurrar, torcendo que ela tivesse a audição melhor que o olfato – Movendo em direção à entrada do beco... limpo.
Não avistando seu alvo, apesar de saber que ele não poderia ter percorrido toda a rua, certamente ele deveria estar atrás dos contêineres de lixo, ao avançar, arma na altura certa para acertá-lo num mínimo movimento, infelizmente não foi o suficiente.
Existe uma máxima de que alguém realmente treinado, a menos de sete metros de um atirador, consegue desarmá-lo. Boyd jamais acreditou nisso, para ele era uma lenda urbana. Nos seus anos de experiência, até mesmo os assassinos de cartel enviados para matá-lo, somente duas situações aconteciam, ou o cowboy não tinha a arma em punho e se virava para abater seu alvo, ou ele já estava com a arma na mão, essa última com abatimento certo e rápido. Essa cidade ensinou algumas coisas para o texano, e a lição de hoje era que ele não tinha encontrado alguém realmente treinado.
Numa fração de segundo que desviou o olhar para a entrada do beco, na preocupação do segundo assassino treinado por Kyle estar dando cobertura para o mesmo, como se soubesse da visão desviada, o ex SEAL num rápido movimento, como se tivesse emergido diretamente das sombras do beco, desviou a arma previamente posicionada em sua direção com uma das mãos, fazendo com que o tiro apenas passasse rente a sua orelha. Completando o ataque, com a outra mão, numa força adicional proporcionada pela precisão do movimento, empurrou ferozmente o texano na parede, iniciando o embate.
Kyle
Nos curtos instantes em que estava parado na viela à espera do avanço do policial, Kyle ainda olhou para os lados, calculando mentalmente qual a rota que deveria seguir de volta para Gris que tornasse uma perseguição mais complicada. A vantagem dos bairros antigos era não ter a estrutura necessária para suportar carros em alta velocidade e já conhecia aqueles distritos antigos com a palma da mão para poder circular por lá. Naquela altura do campeonato, estava bem satisfeito que seu encontro tinha sido perto da praia, porque se precisasse ir ao apartamento de Vivien St. Clavier de novo, a fuga seria tão mais complicada.
O caminho para um beco como aquele era bem tradicional e fácil para um policial treinado. Se ele estava indo naquela direção sem reforços, sabia que levaria um tiro ou um golpe certeiro, e pelo histórico do policial que estava lhe perseguindo, seriam tiros. A adrenalina lhe fez bem, colocou um sorriso satisfeito no rosto enquanto esperava o avanço. As roupas escuras dificultavam notar onde o tiro tinha atingido, mas levou a mão até o tronco, tateando o buraco em que a bala tinha acertado para saber o quanto estava perdendo de sangue. Bom, teria que ser rápido ou seria mais complicado fugir dele e das viaturas que já estavam preparando na central. Não havia dor para lhe incomodar, mas a perda de sangue podia lhe fazer perder a noção do quanto ainda podia se manter acordado.
Quando o texano entrou no seu campo de ação, precisou somar apenas a posição dele bem preparada para tirar e os sons de passos que não podiam ser tão discretos quando ele estava com pressa. Um desvio de olhar foi suficiente para avançar e bater na mão dele a tempo de se livrar do segundo tiro, desarmando-o e acertando-lhe com força na altura do peito para empurrá-lo contra a parede mais próxima. O impulso natural dele de devolver o golpe não foi suficiente para se livrar da presa. Kyle devolveu uma cabeçada na testa dele, fazendo-o recuar de uma vez, enquanto pressionava o antebraço direito na altura do pescoço dele, com força suficiente para que o outro engasgasse.
Mas a reação do texano não demorou a vir, uma das mãos livres, ele achou logo o caminho até o ferimento, pressionando a área ao ponto em que Kyle apenas sentiu a pressão do machucado e um incômodo muito suave comparado com a gravidade do tiro.
- Tente de novo, cowboy. - respondeu com um sorriso exagerado no rosto, tomando tempo demais para fazer mais do que deter os movimentos dele parcialmente.
Boyd
Boyd já tinha visto pessoas sob efeito de entorpecentes fazerem quase de tudo, sabia que efeitos fortes tendiam a ter um preço alto, mas não parecia ser esse o caso. Uma pressão colocada num ferimento daqueles, certamente faria qualquer um recuar, ou ao menos perder o foco de força aplicada para prendê-lo. Vendo que sua tentativa não obteve êxito, precisou pensar rápido ou estaria em sérios apuros.
Aproveitando do deboche de seu oponente, que manteve sua atenção na expressão que eventualmente o texano estaria fazendo, efetuou um chute com toda força que podia naquela posição, não para derrubar Kyle, mas sim para desequilibrá-lo da posição que estava. Na sua atual situação, precisava não ser tão previsível, afinal esse tipo de combate não era sua especialidade. Sabia muito bem se virar, mas ao que percebia, só isso não seria o suficiente nessa noite. Com a mão esquerda, repleta de sangue do ferimento do psicopata, Boyd, por debaixo dos óculos, utilizou o dedão para fixar a pegada na lateral direita do ex SEAL, forçando uma distância suficiente para afastar seu agressor com um chute reto no estômago.
- Ok, vamos ver se metade do que dizem de você é verdade, ou se você era só uma vadiazinha no seu quartel.
Tentando ganhar mais tempo até o cerco contra seu oponente estar fechado, o oficial manteve-se no combate corpo-a-corpo. Com a guarda levantada, avançou deferindo jabs e cruzados, todos desviados com movimentos de pêndulo precisos. “Ótimo, ele é bem melhor do que eu em boxe também, e com um olho a menos, inclusive”. Como se fosse um passatempo, Kyle pegou um objeto aleatório no chão da rua, enquanto se abaixava para evitar um cruzado de esquerda do texano, utilizando-o como uma soqueira para revidar com mais força as investidas de Boyd. Após levar alguns golpes, apesar do desgaste e do que mais tarde, caso se mantivesse vivo, doeria como o inferno, o texano conseguiu uma brecha para golpear seu oponente no ponto literalmente cego com um cruzado de esquerda. Em seguida, o criminoso investiu contra o cowboy prendendo-o no clinch e chutando sua perna, desestabilizando sua posição. O foco para manter-se em pé fez com que uma abertura surgisse, para que o ex SEAL segurasse firmemente na traqueia de seu perseguidor, que certamente apagaria caso não fizesse nada.
Temendo desmaiar, devido à falta de oxigênio, o oficial deferiu vários socos em cima do ferimento, e, apesar de não sentir dor como um ser humano normal, depois de alguns golpes, provavelmente temendo os danos que estariam sendo causados, Kyle afrouxou a pegada para se defender, isso deu a Boyd um raio de esperança, parecia ter achado o caminho das pedras. Nessa pegada, o cowboy alternou uma sequência de golpes no rosto de seu oponente com um chute na lateral que recebeu o disparo, que saiu meio desengonçado, devido ao que já tinha sofrido dos ataques de volta, mas efetivo. O jogo parecia estar virando.
Mas como a esperança é o que mata o homem, a vantagem se desfez. O fora da lei conseguiu ver o padrão dos ataques que estava recebendo e, parecendo saber que estava ficando sem tempo, decidiu agilizar as coisas. Não mais esquivando, ele desviou um dos socos e, no processo, aproveitando a guarda praticamente aberta de Boyd, deferiu golpes cruzados em cheio na mandíbula e nariz, fazendo com que o somatório dos danos sofridos fosse demais para se manter em pé.
Foi aberta a contagem, e, diferente do ringue, o desfecho do combate não sujeito à regras.
Kyle
Kyle até esperava se livrar fácil dos policiais de Cerise com o que tinha pesquisado, mas até estava satisfeito de ter que lidar com o texano. Texanos eram bem conhecidos pelo ímpeto e a determinação, não se surpreendeu de levar muitos socos, chutes e golpes bem direcionados ao seu lado fraco, com um olho a menos e no local machucado, que embora não lhe incomodasse como deveria com certeza começava a afetar as funções naturais que seu corpo teria num estado saudável.
O policial caiu antes dele, e aquilo porque ele tinha uma tolerância apenas razoável à dor. Mas depois do tempo que tinha calculado mentalmente da disputa dos dois, esperá-lo se levantar para continuarem disputando iria complicar muito mais a sua fuga daquele local movimentado. E depois do alarme do primeiro tiro de Boyd, as pessoas pareciam ter voltado a circular como se nada estivesse acontecendo numa viela tão ignorada e mal iluminada.
Quando Boyd estava no chão, foi a vez de Kyle sacar a arma que estava no cós da calça, que tinha ignorado até então, e apontar para a testa do texano a uma distância segura para impedir que fosse desarmado.
- Foi divertido, cowboy, mas eu estou ficando sem tempo. - engatilhou a arma e com um sorriso satisfeito e um olhar prolongado para o lado, ainda ficou alguns longos segundos, quase um minuto ou mais, observando o policial abaixo de si. As sirenes ainda não estavam perto e finalmente, um movimento no fim da rua lhe chamou a atenção. O rosto virou na direção da saída da rua, assim como a arma que mudou de alvo no mesmo instante. Ele nem se importou com quem estava passando na hora, disparou e o tiro acertou em algum ponto do tronco de um dos transeuntes desavisados da situação. O segundo tiro causou alarme novamente nas pessoas ao redor e ele voltou a arma para Boyd. - Melhor sorte na próxima.
A arma não estava apontada pra cabeça de Boyd, daquela vez a mira foi na perna e disparou sem pensar duas vezes, continuando finalmente seu caminho até o final da rua para desaparecer pelos locais já conhecidos.
Boyd
Poucas coisas são mais incômodas do que ser acertado nos pontos de equilíbrio. Você luta contra o seu próprio corpo, ele não te obedece, você em diversos momentos acha que está fazendo algo apropriado com os movimentos, mas na verdade você parece um rato envenenado. Boyd passaria por todos esses estágios, após o tiro desferido contra o transeunte. O primeiro não necessariamente o trouxe de volta a realidade, o segundo em sua perna, o barulho somado a dor causada foram o despertador perfeito.Enquanto tentava procurar seu oponente, como desejando mais um round, teve a noção do ocorrido somente quando a dor lhe lembrou. Verificando rapidamente os danos que tinha sofrido, analisou o disparo recebido. Retirando o cinto, colocou na perna acima da ferida, fazendo um torniquete. O aperto necessário fez um grito suprimido e vários xingamentos serem proferidos. Levantando com dificuldade, foi na direção de onde estaria sua arma, sem saber se o pedestre atingido ainda estava vivo. Após recolher a pistola, foi o mais rápido possível ignorando ao máximo a dor. Aquilo, apesar da situação só deixava sua cabeça mais carregada, como poderia alguém suportar um dano muito maior do que esse de sua perna com tanta facilidade?!
Ao chegar no dano colateral do combate, o pedestre estava em estado complicado, necessitava de atendimento rápido. Manteve o ferimento pressionado enquanto o atendimento chegava. Agradecendo a resistência do próprio telefone, ouvindo ao longe o apoio policial chegando, passou pela ligação que ainda estava ativa, onde Leona escutou todo o processo onde enviou os reforços. – Ainda tou aqui vivo. Ele fugiu e atingiu um pedestre para dividir os esforços e ganhar tempo, eu o atingi em cheio e ainda enfiei a mão no ferimento, o bastardo nem piscou. Mesmo assim, o estrago que eu fiz não dá para resolver com um grampeador e silver tape. Ele vai precisar de atendimento apropriado para resolver aquilo.
Agora era procurar pessoas que realizavam atendimento fora dos hospitais, fechar o cerco e, com um pouco de sorte que ultimamente faltava para o departamento, Kyle ficaria impaciente ou cometeria algum erro. Nesse momento, Boyd estaria pronto para terminar o que começou, com potencial completo ou cheio de analgésicos, os meios não importavam, o fim seria o mesmo.
[thread encerrada]

