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Grey's Anatomy [Dominique, Richard]
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Sorriu um pouco sem graça quando o homem presumiu que precisava estar com seu carro. Não necessariamente aquilo era verdade. Estava dando um tempo de ir resolver seus atendimentos extras de carro, certa de que sua placa estava sendo rastreada desde o problema com o psicopata da cidade. Contudo, um sorriso mais aberto e sincero surgiu em seu rosto com a possibilidade de poder beber naquela noite sem a preocupação de voltar para casa dirigindo.
- Ah, eu aceito a carona, então. - respondeu, guardando as próprias chaves de volta na bolsa ao seguir o médico para o carro dele, aguardando o homem destrancar as portas para poder entrar no banco do passageiro e colocar o cinto de segurança. Começou a mexer no próprio celular, buscando o endereço do tal restaurante até se dar conta de que o homem já havia colocado o endereço no próprio GPS. Riu baixo antes de se acomodar melhor no assento. Começou a observar os detalhes de organização no veículo alheio, prestando atenção até no cheiro que aquele veículo tinha. - Faz muito tempo que não ganho uma carona, Robert. Acho que você é o primeiro cara do trabalho que me oferece. Obrigada por ser meu primeiro. - agradeceu com a piadinha, sorrindo ainda animada com a ideia de poder comer um bom churrasco coreano.
Ficou mais quieta e comportada durante o trajeto, relaxando com o fato de que estava sendo levada para comer fora, se o sujeito pagasse pelo seu jantar seria a cereja do bolo, mas como havia feito o convite e arrastado o sujeito até ali, não se sentiria bem se ele o fizesse. Havia uma limite ao que podia fazer para perturbar seus colegas de trabalho.
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Natalia parecia levemente bem comportada enquanto se colocava na posição de passageira no carro, e esperava que ela assim continuasse para que tivessem um jantar civilizado entre colegas. Porém, não levou cinco minutos, ouviu a piadinha dela sobre ser “o primeiro” dela em termos de carona e sentiu um arrepio desagradável por todo o corpo. Ela realmente não tinha noção de que tipo de comportamento era aceitável entre colegas? Principalmente um que ela mal falava a não ser para trocarem cordialidades ou para levar uma bronca pelo trabalho executado de forma desleixada?
- Se falar outra dessas, vai ser a última carona que eu lhe dou, doutora Arlovskaya. – respondeu muito claramente, sem nenhuma hesitação na voz em demonstrar que não gostava daquele tipo de brincadeirinha. Ao menos não deveria ter que se preocupar com Natalia. Ela não lhe interessava e supunha que ele tampouco interessava a ela, afinal, não era novidade as enfermeiras comentando na paixão da mulher por incomodar uma mademoiselle Benoist ou Benedict, não sabia exatamente. Até queria poder levar bem aquele tipo de brincadeira descontraída que era parte da natureza da médica, mas se bem se conhecia, tinha alergia a pílulas de diversão durante o trabalho.
O caminho para o restaurante foi curto com a melhor rota do GPS, sequer dando tempo de incomodar os ouvidos de Natalia com os jazz suaves de barzinho tocados no volume 3 do carro pelo caminho, sendo até mais silenciosos que o carro e a estrada ao redor, mesmo com os vidros fechados.
O restaurante foi quase um contraste. Estava até bem cheio. Mas conseguiram um lugar em uma mesa pelo meio do restaurante.
- Acho que você deve pedir por nós dois. Nunca vim a esse restaurante, acredito que você saberá melhor o que é saboroso ou não. Não tenho problemas com nenhuma comida em específico, então fique à vontade. – explicou, pedindo apenas uma água por hábito.
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Teve vontade de rir com a resposta séria do colega de trabalho, mas se controlou, afinal de contas, sabia que ele não estava brincando e queria aproveitar suas chances naquela noite de poder provocá-lo de novo. Não era algo intencional, mas natural para alguém como ela. Assim que chegou no local, ficou animada com o perfume da comida na chapa das mesas sendo preparada pelos próprios clientes e saboreada ainda quente.
Aproveitou que o atendente veio trazer a água para o outro médico e resolveu fazer logo o pedido para os dois. Já estava planejando visitar o restaurante fazia algumas semanas. Estava pensando em convidar o agente fúnebre, já que ela era o melhor parceiro para aquele tipo de passeio gastronômico, mas estava se divertindo com a companhia de alguém de expressão tão séria como a do colega de trabalho. Pediu várias porções de carnes diferentes, frango, porco, boi, espetinhos de camarão, várias porções de vegetais que eram mais baratas e que, com especiarias, seriam uma delícia de experimentar. Os pedidos eram acompanhados de arroz, uma grande porção para cada um dos presentes a mesa.
- Não sei se tem costume de usar. - apontou para os hashis próximos ao lado do outro enquanto a chapa começava a esquentar após o atendente começar ligá-la, trazendo as porções em seguida. - Pode pedir um garfo se quiser. - sugeriu sorrindo enquanto começava a acomodar as carnes e as verduras na chapa, pelo menos aquelas que gostaria de provar primeiro. O atendente também trouxe uma travessa com algumas porções de molhos e especiarias que poderiam experimentar com o arroz e a comida quente. - Os espetinhos de camarão são bem gostosos, mas são mais caros, e a carne é fininha assim mesmo, por isso eles enrolam como se fosse um presunto. - comentou, se perguntando mentalmente se ele já não sabia disso. - Ah, cuidado com os óculos e o vapor da chapa. - avisou, começando a sentir o cheiro das carnes e verduras aquecendo. - Posso pedir uma porção de cozidos se tiver algum problema com gordura. Eles trazem um tipo de panela que aquece e a gente coloca a comida no vapor. - explicou novamente, visivelmente empolgada com a ideia de poder comer naquele lugar.
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A medida que foi ouvindo o pedido de Natália, encarou o atendente para não ser rude, afinal, estava se questionando se ela comeria tantas porções de carne ou se ela estava supondo que estava faminto. Quem sabe estava sendo mesmo rude pensando que era muita comida e as porções servidas naquele lugar eram pequenas. Olhou ao redor para as outras pessoas comendo para confirmar, e tudo parecia pelo menos saudável até onde via.
Quando ela questionou se sabia usar os palitinhos, afirmou com a cabeça. Era bem familiar com eles, comia sushi com certa frequência pois muito dependia da boa vontade de sua esposa ou da funcionária da casa de fazerem comida. Era quase sempre mais fácil pedir comida de fora. Além do que, palitinhos eram ótimas ferramentas para torturar língua e mamilos.
- Eu sei usar. Meu filho gosta muito de pedir Sushi no jantar, ele me ensinou. Mas admito que não sou o mais proficiente usando esses palitinhos. Quem sabe eles teriam uso para alguns exercícios de fisioterapia. – comentou brevemente pegando os objetos e vendo as porções chegarem e serem até bastante comida. As explicações de Natália foram bem úteis e eficientes, tomadas de uma empolgação com a alimentação que mesmo que ela lhe irritasse um pouco no trabalho, podia considerar até agradável. Era difícil ficar com raiva de uma pessoa visivelmente tão entretida com a comida e lhe oferecer a mesma empolgação com a ideia de jantar fora. – De vez em quando não faz tanto mal comer um pouco de gordura. Os acompanhamentos parecem bem saudáveis. E a carne é tão fina que não acho que tem muito problema. – falou, colocando uma fatia fina de carne na chapa. – É um pouco como fondue então? – perguntou, juntando alguns alimentos que queria assar no próprio prato. – Me avise quando eu tiver que virar, sendo sincero, não sou bom cozinheiro. Provavelmente vou cozinhar demais a carne.
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Desviou a atenção da carne e das verduras na chapa a menção do filho do colega de trabalho. Terminou arqueando uma sobrancelha, estranhando a comparação do homem da comida a mesa com fondue. Inclinou a cabeça para o lado, fazendo um bico de quem estava tentando encontrar alguma conexão entre os sabores, mas acabou concordando brevemente com um aceno positivo, considerando que o princípio do fondue era a liberdade em escolher o que comeriam com o acréssimo de chocolate ou queijo.
- Hahaha, eu também não, doutor. - riu ao responder o pedido dele para que o avisasse sobre a carne. - Mas de carne eu entendo um pouco, a peça é fina, então não precisa demorar tanto na chapa. - avisou, virando um pedaço antes de adicionar a sua própria porção de arroz fora da chapa para comer com os pauzinhos. - Hm. - fez menção de ter a atenção do colega antes de engolir o que mastigava e voltar a falar. - Qual a idade do seu filho? Ele está estudando lá naquele lugar... St. Clavier? Ou ele ainda é muito pequeno? Se for, deveria trazer ele para o trabalho, Robert, tenho certeza que as enfermeiras da pediatria adorariam conhecê-lo. - sugeriu, recordando da pequena Clementine e como a irmã mais velha da ruivinha tinha jeito com crianças, bem diferente de sua natureza transigente.
Enquanto coversavam, se deu ao trabalho de sempre indicar quando a carne ou as verduras do colega começavam a ficar muito tempo na chapa, virando as peças juntamente com as suas quando tinha a chance. Era um desperdício estar ali e acabar deixando o outro gastar o próprio salário com comida queimada. Estendeu a mão para o rapaz que havia lhes atendido anteriormente, e acabou pedindo duas bebidas sem álcool para ambos, um refrigerante de soda. Já que ele não poderia beber por estar dirigindo, não pensava em beber também. Curiosamente, a companhia de Robert fora do ambiente de trabalho não era ruim como esperava.
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Sua colega de trabalho era notoriamente expressiva. A cada uma das informações que comentava ou conversavam, ela tinha mil reações diferentes. Bom, talvez pessoas normais fossem mais como ela e menos como as pessoas com quem convivia; cheias de sorrisos falsos e elogios disfarçados. Gradativamente, até que o momento da alimentação, observando a colega em um ambiente onde ela não tinha que ser profissional, se tornava um pouco mais agradável.
Aproveitou a deixa dela para virar a carne para fazer o mesmo com a sua, bem desajeitado com os palitinhos.
- Ora, não é que deu certo. – falou depois de mastigar a carne pronta, embora tenha tido imensa dificuldade em por o arroz na boca. Natália até puxou um assunto interessante, que era seu filho de quem gostava de se gabar, mas como sempre, era obrigado a dar uma bronca nela. – O hospital não é um playground para criança de funcionário algum, doutora Arlovskaya. – ralhou. – De todo modo, meu filho já tem 14. Ele estará em St. Clavier em breve, suponho. Digo suponho porque ultimamente ele tem parecido demonstrar vontade de ir contra tudo que dizemos. Mas suponho que seja coisa da idade.
Continuou a conversa com Natália e até dividiu uma cerveja com ela. A comida era muito boa também. Só que sua mentira tinha pernas curtas, afinal, e tinha prometido buscar a esposa em uma saída imaginária com as amigas. Então, satisfeito, pediu a conta.
- Acho que nosso passeio foi agradável, Arlovskaya, mas em um momento precisamos voltar aos nossos afazeres. Falarei ao Ezra desse restaurante. – comentou enquanto pagava metade do valor da refeição.
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Achou muito interessante e divertido assistir seu colega de trabalho utilizando os pauzinhos para virar a carne. Sorriu concordando enquanto mastigava de boca fechada, fazendo uma pequena pausa para bater palmas silenciosas em resposta ao esforço dele bem sucedido com a grelha.
Fez uma breve pausa em sua mastigação ao ser repreendida pelo médico, mas ergueu a mão esquerda em sinal de defesa, concordando com um aceno de sua cabeça, sem a mínima vontade de discutir com o outro sobre o assunto. Teve vontade de rir quando o homem falou sobre o próprio filho estar se monstrando um adolescente revoltado. Desviou o olhar por um momento, recordando de sua própria relação com seu pai e de como o velho também achava que suas revoltas poderiam facilmente ser interpretadas como uma "fase".
- Minhas sugestões gastronômicas são sempre agradáveis, Robert. - aceitou o elogio dele com seu próprio ar confiante de sempre. Pagou pela metade do jantar também, animada por ter conseguido ter uma companhia razoavelmente agradável para o jantar. Pelo menos o colega de trabalho era bem mais fácil de se lidar fora do hospital. Buscou da própria memória onde deveria ficar o ponto de ônibus mais próximo e acenou para se despedir do médico. - Obrigada por ter aceitado o convite, Robert. Foi divertido. - manteve o sorriso descontraído nos lábios ao se despedir do homem. - Até amanhã!
Imaginou que ele deveria estar ansioso por retornar para sua própria família, considerando como ele parecia animado em recordar do filho enquanto jantavam. Por um momento, até chegou a sentir um pouco de inveja do sujeito, considerando que, ao chegar em seu novo apartamento, não havia muito o que lhe esperava.
[acho que dá pra encerrar?]
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Dominique arqueou a sobrancelha para a forma autoconfiante como Natalia respondeu o seu comentário sobre o passeio ter sido agradável. Lhe surpreendeu, na verdade, que ela ignorou o fato de que ele disse “o passeio” e não só o restaurante. Melhor, assim ela não tomaria mais liberdades do que aquelas daquele dia.
- Até amanhã, doutora Arlovskaya. - despediu-se, deixando a mulher para achar seu próprio caminho de volta.
Supunha que com a disposição de Natalia, ela deveria ter um gato ou coisa parecida para cuidar em casa. Já Dominique não tinha bem o que fazer naquele momento, já que tinha tecido toda a mentira de voltar para casa com a esposa em breve. Quão tarde pudesse voltar para casa usando como justificativa o trabalho do hospital, melhor. Bem, talvez não fosse tão estranho que seu filho andasse passando por uma fase rebelde com o pai ausente das cenas familiares que ocupariam a maioria das casas.
Sentou no carro, pensando que rumo tomar, mas justo o lembrete do hospital lhe trouxe um alívio na expressão. Se voltasse por aquelas bandas, ainda encontraria um certo enfermeiro? Talvez pudesse roubá-lo de seu trabalho um pouco, afinal, era melhor aliviar o estresse antes de se jogar no ambiente nervoso de sua casa novamente. O que diria Arlovskaya se soubesse que moralista como era, tinha um “caso” justo com um colega de hospital?
Pegou o celular sem pensar muito, e enviou uma mensagem singela, largando o celular no banco e saindo dali. Afinal, quem sabe lhe rendia um fim de noite agradável também?
“Woof”.
[Thread encerrada?]
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