[Drive] Fugindo da Ala Psiquiátrica [Jaydee; Natalia]
#1
Jaydee

James Dean certamente era um nome muito estranho para um garoto de ascendência latina que tinha nascido e sido criado num dos bairros mais barra pesada de Nova York. Mas o que dizer de uma mãe que tinha vícios estranhos e ídolos inconvenientes da adolescência para que o nome lhe perseguisse para o resto da vida? E inclusive, para que aprendesse a gostar dele e usá-lo ao seu favor. Afinal de contas, tinha se tornado o tipo de pessoa que não gostava da mesmice, do normal e do tédio e a despeito das condições adversas em que tinha crescido, agora estava muito bem, obrigado, como médico cirurgião bem conceituado na sua área a ponto de ter passado vários anos em institutos de pesquisa riquíssimos na Europa.

E claro que aquilo também era chato. Por isso que estava sempre procurando coisas mais interessantes a fazer e aquilo justificava a atuação, nos últimos dois anos, numa emergência do Bronx porque sempre apareciam casos muito curiosos e pessoas pra grampear ao invés de suturar. O que tinha lhe tirado da mesmice dos últimos dois anos, entretanto, foi uma ligação e um convite muito específicos de um de seus amigos de longa data para que fosse trabalhar numa cidadezinha do interior da França dentro de uma escola só para garotos.

Não parecia muito promissor, mas não custava nada tentar mudar de ares também, não era? Talvez as coisas fossem mais divertidas naquele fim de mundo em que Soren Halstein tinha especificado que precisava de um médico muito qualificado e que tinha uma série de alunos de todos os lugares da Europa e até do mundo. Quem sabe fosse mais divertido do que trabalhar com os mesmos criminosos de sempre do Bronx? Além do mais, seria engraçado que Soren lhe visse depois de tanto tempo num perfil um pouco diferente do médico pomposo que atuara nos centros caros da Europa.

Foi com aquele pensamento em mente que viajou para a pequena cidade do outro lado do Atlântico, no interior da França, para descobrir se havia algo mais interessante com o que se distrair. E diferente do que as pessoas esperam de um turista recém-chegado que visita os locais tradicionais da cidade, a primeira parada escolhida a dedo por Jaydee (apenas porque era sempre muito cansativo pronunciar James Dean), foi a emergência do Hospital Geral de Cerise. Afinal de contas, a emergência de um hospital podia dizer muito do que acontecia numa cidade e ele bem sabia daquilo.

Muito casualmente, vestiu algumas roupas um pouco chamativas, menos do que as que usava nos EUA, porque tinha levado poucas coisas na sua mala de mudança. Colocou uma camisa estampada vermelha e amarela, uma calça bege jeans por baixo de uma bermuda jeans azul, por baixo de um short de courino preto. No rosto, óculos redondos estilo John Lennon e um chapéu Fedora branco com uma fita vermelha e uma pena pequena na lateral. Ele seguiu imediatamente até a emergência e ao invés de ir até o balcão de recepção para ser atendido, sentou-se numa das cadeiras de espera ao lado de uma senhorinha que logo olhou para ele muito indiscreta, assim como todas as outras pessoas na sala naquele instante, mas era algo com que estava acostumado e até estava esperando. Por isso, só aproveitou a oportunidade para puxar conversa com a senhora… e idosas adoravam falar de tudo e de todos, por isso, lentamente, começou a descobrir algumas coisas interessantes da cidade enquanto só via gente chegando com machucados, pés torcidos, e dores de cabeça ou de barriga.

E ficou naquele estado, atraindo atenção de outras senhorinhas e conversando com alguns estranhos animadamente por algumas horas a fio, até o ponto que as enfermeiras e recepcionistas deixaram de achar sua presença estranha ou perigosa e até trocaram algumas palavras também - inclusive com o segurança que tinha sido chamado pelos enfermeiros depois de uns trinta minutos sentado sem fazer muita coisa.

Natalia

Estava no horário final de um de seus plantões na urgência e emergência do Hospital Geral de Cerise. Apesar de seu horário não ter sido designado para o setor cirúrgico daquela vez, devido a ausência de pacientes mais graves no atendimento da madrugada, ficou na clínica, atendendo alguns casos de alergia, torções, quedas de velhinhos, entre outros acontecimentos mais banais de uma cidade pequena do interior francês.

Achou no mínimo curioso como alguns pacientes e funcionários não paravam de comentar sobre o sujeito na área de espera que sequer parecia ter passado pela triagem. No início, achou até engraçado como eles descreviam o sujeito, mas por outro lado começou a se questionar se não seria algum outro maluco enviado ali para lhe dar algum tipo de corretivo. Desviou suas preocupações com o próprio trabalho e resolveu se ater ao atendimento corriqueiro. Qualquer atitude inesperada poderia inclusive deixar seus pacientes surpresos ou em pânico. O estranho era que o sujeito havia se enfiado na área de espera, aparentemente, aos olhos de todos que poderiam enxergá-lo, sem vergonha alguma. Que tipo de sujeito iria lhe aplicar um corretivo e não fazia sequer questão de ser um pouco discreto?

Passou as mãos pelo rosto, sendo cumprimentada por uma das enfermeiras que lhe acompanhava no plantão, informando sobre o estado do último paciente daquele horário e da chegada do novo médico que iria lhe cobrir. Sequer fazia ideia de que horas seriam. Fazia horas que estava ali entre as paredes brancas do hospital e quando começava a trabalhar, perdia a noção do tempo. Poderia passar uma semana ali dentro, que não se importava, exceto pela qualidade da comida de hospital que estava longe de atrair seu paladar.

Assim que se despediu de seus pacientes, dando uma última checada em uma criança que aparentemente havia torcido o dedão enquanto brincava de pega-pega com o irmão, passou pelo corredor que dava acesso à área de espera da emergência, pensando se deveria ou não verificar a identidade do tal sujeito esquisito. Sorriu então para uma das enfermeiras, avisando que passaria pela sala de triagem antes de ir embora. O acesso para a tal sala de triagem era pela área de espera, então teria oportunidade de ao menos observar, nem que fosse por pouco tempo, o sujeito de quem todos estavam falando. Pegou a papelada de prontuários pessoalmente e ao invés de indicar para uma das enfermeiras fazer aquele trabalho, saiu pela entrada da ala de urgência e emergência rumo à triagem.

A figura masculina com a qual se deparou era muito mais caricata do que de fato estava esperando. Tão caricato que não conseguiu sequer esconder a parada feita no caminho para observar o sujeito, a sobrancelha arqueada de quem não acreditava que alguém podia se dispor a ir até a área de emergência de um hospital usando três peças de roupas inferiores, uma sobre a outra. Ele tinha algum problema no saco que precisava aquecê-lo com tantas camadas de tecido? Contudo, a fisionomia do sujeito não lhe era estranha. E tal como sua boa memória funciona, sentiu um estalo familiar de que já havia visto aquele homem em algum lugar - não em Cerise, em algum outro lugar.

Segurou a prancheta de prontuários e olhou para o trajeto até a sala de triagem, mordendo o lábio inferior ao cogitar a possibilidade de descobrir quem era o tal homem. Não gostava da sensação de pensar já ter topado com alguém e não conseguir confirmar suas dúvidas. Ele não parecia incomodado em falar com as senhorinhas, pelo menos. Ou talvez estivesse escolhendo um escudo humano para quando fosse aprontar qualquer besteira. Ou talvez fosse só o cansaço acumulado com o toque de paranoia brincando com sua mente. Bem, se iria descobrir, era melhor tomar uma atitude logo. Se ele não se incomodava em ser observado pelas pessoas naquele ambiente, muito menos ela que já havia respondido por algumas advertências por sua conduta “inadequada”.

- Desculpe. - começou, aproximando-se de onde o homem estava acomodado, o cabelo preso em um coque que já estava frouxo. - O senhor precisa de ajuda com a triagem? - resolveu perguntar, esboçando um sorriso ao apontar para maquinininha que soltava os números com as senhas de atendimento para os pacientes.

Jaydee

A cidadezinha do interior da França era tão pacata e estranhamente interessante que nas horas que passou sentado conversando de senhorinha com senhorinha, tinha descoberto já sobre alguns moradores icônicos da cidade, tipo um escritor que parecia uma criança, ou um dono de uma pousada que parecia ser muito azarado a despeito de ainda conseguir manter a pousada funcionando, ou a diretora de uma escola para meninas chamada Limões e Coletes, ou algo muito parecido com aquilo, que odiava homens. Mas a conversa mais interessante foi sobre um tal assassino perigoso ex-militar que estava rondando a cidade umas semanas atrás e que tinha sido pego pela polícia. Pelas conversas, ele tinha até matado uma menininha pequena e deus sabe lá o que é que o homem queria na cidade, mas o perigo foi tanto que até nas academias mais ricas a segurança tinha sido reforçada. Inclusive, o antigo diretor de St. Clavier tinha saído logo depois do encerramento do caso do tal assassino perigoso, o que era curioso e talvez devesse perguntar mais tarde à Soren.

A conversa estava tão interessante - gostava de conversar com as senhorinhas fofoqueiras - que saiu algumas vezes para pegar café e até alguns salgadinhos para se distrair. Algumas das senhorinhas tinham até ficado mais tempo com ele mesmo depois de serem atendidas, o que era algo refrescante. Não gostava muito de conversar com os adolescentes e adultos porque eles sempre entravam na emergência com cara de que queriam morrer ou de que queriam matar alguém - qualquer uma das duas opções devia ser por conta de alguma burrice que os tinha levado ao hospital em primeiro lugar.

Não sabia nem quantas horas tinham se passado com as conversas aleatórias com as senhorinhas - depois e ganhar doces também -, quando uma médica cruzou a sala de espera para ir falar diretamente com ele. E sabia que ela era médica pela roupa e pelo jeito que tinha falado antes com as enfermeiras pedindo ajuda com uns prontuários. Estava sozinho naquele momento porque sua última colega de fofocas tinha saído da consulta para casa há dez minutos, e ela tinha que ir logo porque a filha estava voltando do trabalho e tinha feito o favor de esquecer a chave de casa mais uma vez. Nem se levantou da cadeira, mas levantou o olhar para encará-la de volta, através dos óculos redondos e ainda com o chapéu ridículo na cabeça, abrindo um sorriso largo e fazendo um aceno negativo com a mão.

- Não, eu estou bem, não preciso de atendimento. Mas obrigado pela preocupação. - ele respondeu, mantendo o sorriso largo e idiota no rosto, pensando com quem mais ele iria conversar. Podia até puxar conversa com a médica, mas ela certamente ia voltar ao trabalho e não dava pra perder muito tempo conversando com ela.

Natalia

Mais alguns cliques ouviu em sua própria cabeça em menção a sua memória fazendo mais algumas ligações. A voz, a estrutura do rosto dele ao erguer a cabeça para lhe observar, e principalmente, a dúvida que lhe trazia com a imagem do sujeito com aquele chapéu engraçado e os óculos escuros. Estreitou o olhar, cobrindo o rosto até o nariz com a prancheta de prontuários, pensativa.

- Tudo bem… - concordou com ele, dando um passo para trás e virando as costas para levar os documentos para o registro da triagem. Contudo, deu apenas alguns passos na direção da sala com acesso pelo corredor vizinho, e acabou voltando, prendendo a respiração por um instante ao se recordar de um sujeito com aquela estatura, lhe fazendo ter a curiosidade de observar mais de perto das orelhas do homem.

Fez uma pequena pausa, usando a prancheta para apontar para o homem estranho, acabando por se sentar em uma cadeira de distância da direita dele, estreitando o olhar novamente para o rosto do sujeito.

- Vem cá. O senhor já foi em algum congresso de medicina, cardiologia, talvez, na Itália? - desviou o olhar, levando a mão até o próprio queixo, achando que talvez os horários longos de plantão estivessem atrapalhando sua boa memória. - Aqui na França, talvez. - voltou sua atenção para o sujeito logo depois, estalando os dedos enquanto tentava lembrar. - Seu nome é Levi, não é? - chutou, divertindo-se finalmente com a presença daquela figura inusitada que estava estimulando sua capacidade de lembrar de fisionomias e acabar com seu tédio diário.

Jaydee

A mulher concordou e mesmo parecendo curiosa com a breve troca de palavras, ela se virou para sair do local. Jaydee voltou a olhar aos arredores, imaginando quem mais seria aberto para conversar com ele desde os problemas de casa, até os problemas da França. Cruzou as pernas, colocou as mãos nos bolsos e ficou apenas observando as pessoas que chegavam na emergência com mais doenças chatas. Nem tinha passado ninguém com um osso exposto ainda ou um tiro. Talvez se tivesse chegado na cidade algumas semanas antes, tivesse tido a chance de encontrar um caso pior com o tal assassino na cidade.

Mas antes de achar um novo alvo, a médica tinha voltado em sua direção e imaginou que ela ia lhe pedir para se retirar ou qualquer coisa parecida. Quem sabe chamar os seguranças de novo? Se já tivesse trocado de turno, ia ter que convencer o novo segurança de que ele era uma pessoa perfeitamente sensata - na medida do possível. Mas a mulher lhe surpreendeu, perguntando se já tinha ido em algum congresso de medicina na Itália. Piscou algumas vezes, por trás do par de óculos e arqueou as sobrancelhas.

- Oi? - foi a única resposta imediata. Já tinha ido a tantos congressos enquanto trabalhava na Europa que era difícil pontuar exatamente os países que tinha visitado. Independente do que, tinha falado em inglês na maioria deles, mais difícil ainda filtrar por idioma a região. A médica tinha se sentado ao seu lado e pelo visto, podia se tornar uma nova companhia de conversa? Deu uma risada divertida quando ela perguntou se seu nome era Levi. - Lewis. - corrigiu a mulher, estendendo uma das mãos na direção dela para cumprimentar. - Mas pode me chamar de Jaydee. E a senhora é? Não devia estar no plantão agora? Eu ia procurar outra senhorinha pra continuar fofocando da cidade no meio tempo. A emergência daqui não é muito divertida.

Natalia

Apontou para o sujeito, dessa vez com o indicador ao ter sua suspeita confirmada. Lewis era o nome. Aceitou o cumprimento dele com um sorriso vitorioso por ainda cansada conseguir recordar de fisionomias distantes. Apertou a mão dele e balançou o aperto, parando ao ser questionada sobre seu plantão, negando brevemente com a cabeça sobre seu compromisso.

- Arlovskaya. Natalia Arlovskaya. - afastou a mão, puxando o próprio crachá de identificação com a foto sem graça três por quatro e o sobrenome destacado com o tratamento de doutora. - Acabei de sair do meu horário. Eu ia embora, mas daí vim dar uma olhada no que todo mundo está falando. - explicou sua presença ali, concordando brevemente com o sujeito sobre a emergência não ser muito divertida.

Cruzou as pernas, deixando a prancheta com os prontuários sobre a coxa, voltando a observar o homem que continuava a usar os óculos escuros ainda no ambiente fechado.

- Não, talvez depois da transferência de novos equipamentos, parem de transferir pacientes mais complexos para Paris e os deixem aqui. É uma boa cidade para descansar, eu até diria que a população de idosos é alta, mas em comparação ao número de pessoas que vivem aqui devido aos dois grandes institutos de educação, não tenho como afirmar. - explicou, movendo a mão e girando o pulso como se fosse mais fácil alocar as informações pelo estalar dos ossos. - Só aparece alguma coisa mais interessante quando ocorre algum problema com as auto estradas, mas… - fez uma breve pausa, considerando que o cansaço poderia estar diminuindo sua capacidade de filtrar a própria empatia. - Mas o que o senhor quer dizer exatamente com “divertida”? - resolveu perguntar, antes de começar a falar como a profissional insensível que era.

Jaydee

Jaydee assumiu uma expressão mais surpresa quando a mulher se apresentou de volta, apertando a sua mão. Até tirou o óculos para olhar direito no rosto feminino e percebeu que os cabelos dela tinham um tom levemente azulado. Ela parecia bem interessante.

- Ahhhh, neuro, certo? Eu lembro do seu nome. Prazer, Dra. Arlv- arvol- arly- Natalia. - riu, descarado depois de errar os possíveis sobrenomes da mulher. - Veio olhar o que? Também quero saber. - olhou ao redor como se estivesse genuinamene interessado no assunto sobre o qual todo mundo estava falando, como se não fosse o louco com roupas sobrepostas estranhas na sala de emergência.

Mas o assunto ficou bem mais chato quando ela especificou que, de fato, não havia casos muito curiosos na emergência para resolverem. Mesmo que tivessem acidentes nas interestaduais, já sabia que Cerise não era o tipo de cidade para comportar algumas coisas exageradas. Pelo menos a conversa com os estranhos era mais divertida e de qualquer jeito tinha descoberto algo interessante sobre a criminalidade da cidade. Deu de ombros quando ela perguntou o que ele queria dizer com divertido.

- Divertido, sabe? Um dia desses eu tive que tirar um desentupidor do ânus de um cara, que ficou preso pelo gancho de suporte. - riu consigo mesmo ao lembrar da situação. - E o outro, tinha enfiado uma garrafa de um litro de vodka tão fundo que nem conseguia andar direito... - a risada aumentou um pouco mais, chegando a chamar atenção das pessoas ao redor. - Ahhhh, a emergência do Bronx é mais divertida do que isso aqui, com certeza. Mas vem cá, estavam me falando que tinha um assassino ex-militar maluco na cidade, era verdade? Ou as velhinhas estavam só lembrando de um roteiro do Liam Neeson?

Natalia
Riu de volta com a dificuldade dele em pronunciar seu sobrenome. A não ser que ele tivesse algum parente escandinavo, tinha certeza que não conseguiria falar de primeira seu sobrenome com facilidade. Na verdade, até esperava que as pessoas errassem seu sobrenome, pois gostava muito mais de ser chamada só por Natalia. Sorriu com o canto dos lábios, estreitando o olhar quando ele ainda teve o descaramento de perguntar sobre o que todos estavam falando. Ele já estava ali fofocando com as senhorinhas, certamente já sabia o efeito de curiosidade em cadeia que havia causado. Ele também parecia ter uma boa memória, ou sua pessoa era difícil de esquecer, para ele ainda se recordar de sua especialização em neurologia.

Pareceu surpresa por um breve instante com as descrições de acidentes na emergência com os quais ele já teve de lidar. Tentou parecer um tanto mais surpresa, apenas de não rir da situação. Não costumava achar graça dos casos que surgiam pela urgência e emergência, pois estava acostumada a lidar com pessoas e profissionais mais tensos naquela área. Contudo, também não se incomodou com o riso do outro doutor sobre os casos que ele julgava como “divertidos”. Ergueu o olhar, observando o teto da ala de espera da emergência, fazendo uma nota mental de que o sujeito estava fora do continente se havia passado pelo Bronx.

- Hm? - voltou a atenção para o sujeito de olhos escuros quando ele mencionou o tal caso do assassino que havia causado tanto tumulto na cidade semanas atrás. Estranhou o interesse e sequer fez questão de esconder sua surpresa. Acabou rindo com a menção do filme com Liam Neeson, lembrando automaticamente da tal oficial responsável pelo caso. - Hahaha! Sim, sim. É só ver nos jornais, imagino que deve ter chegado na imprensa internacional já…

Deu de ombros diante daquela situação. Não que se sentisse mais tão afetada pelo caso, o sujeito que estava morto e preferia continuar acreditando naquilo. Obviamente não queria entrar em mais detalhes sobre o caso, ainda sentia o cheiro da polícia em seu pescoço desde as últimas semanas.

- Se veio do Bronx para cá, deve estar mesmo de férias. Ou vai participar de algum congresso novo na cidade que eu não fiquei sabendo? - perguntou, considerando que o caso do assassino já era notícia velha e que as informações sobre o sujeito perigoso não precisavam ser reafirmadas. Ele também não precisava saber muito sobre o tal homem, mais um de seus pacientes que não gostava de gastar anestesia. Talvez ele estivesse ali para algum congresso. Já era uma cidade com dois bons escritores. Recordava muito bem das pesquisas do doutor Rupert e, por mais que detestasse admitir, seu paciente sem remédio para o próprio comportamento, Holt, era um best seller.

Jaydee

- Ahh, eu não vejo muito jornal. - ele respondeu, fazendo um aceno negativo com a mão. - Nem notícias online, não tem muita graça nelas. Se eu te mostrar meu celular, vai ver só um monte de vídeo de acidente engraçado e de gatos. Não que eu particularmente goste de gatos, mas todo mundo manda vídeos de gato e eles até são engraçadinhos.

Ele puxou o celular do bolso do short que usava por cima para poder rolar na galeria e mostrar algumas imagens à médica como se aquilo fosse muito relevante, rindo de algumas e dando play em outros vídeos bem a tempo dela perguntar se estava de férias ou prestes a participar de algum congresso na cidade.

- Congresso? Vai ter algum? Eu não tenho muita vontade de ir pra esses lugares não, todo mundo é chato e quadrado, já cansei. - ele disse, fazendo uns gestos com a mão, formando um quadrado no ar e colocando o celular de volta no bolso. - Eu não estou de férias, doutora, vim trabalhar. Um amigo de longa data me chamou, disse que na academia de meninos lá no topo da montanha não tem um médico, eu até concordei, mas to começando a achar a cidade meio chata, não é? Melhor voltar pro Bronx e continuar tirando coisa do cu das pessoas ou insetos dos ouvidos.

Natalia

Sorriu em resposta ao gesto dele de não apenas explicar porque não lia jornais, ainda lhe mostrando o conteúdo do próprio celular. A personalidade aparentemente despreocupada do outro aliviada a tensão sobre a ideia de tocar de novo no assunto do assassino de semanas atrás. Riu concordando com o comentário dele sobre os congressos. Não havia como negar que muitos dos participantes eram chatos, mas o verdadeiro motivo pelo qual ainda visitava alguns congressos não era necessariamente para encontrar as pessoas chatas.

- O senhor vai trabalhar em St. Clavier? - perguntou de forma ainda retórica, rindo com a ideia dele de que “não estava de férias” por estar trabalhando em uma cidade como aquela. - Então, justamente. Está trabalhando em uma cidade sem muito movimento, turística. Praticamente de férias. - riu, divertindo-se com o desejo alheio por casos mais instigantes. Não discordava da linha de pensamento dele, mas diante da periculosidade que alguns de seus trabalhos possuíam, não desprezava aqueles pequenos momentos de normalidade em sua vida.

Fez uma pausa antes de descruzar as pernas e se levantar de onde estava, arrumando o jaleco nos quadris. Não se preocupava com a forma de entretenimento do colega de trabalho, mas podia entender a frustração do outro, ainda mais sendo novo na cidade.

- Tenho que entregar isso aqui e… eu estava saindo agora. - começou, mostrando os prontuários ainda em mãos. - Quer sair e comer alguma coisa, doutor Jaydee? - ofereceu, amistosa. Comer fora do hospital era sempre um bom programa, mas como sempre estava sozinha, seguia direto para seu apartamento. Contudo, diante daquele cenário, poderia oferecer um pouco de cortesia ao colega de profissão.

Jaydee

Ele apoiou o cotovelo no braço da cadeira e o queixo na mão, as pernas cruzadas e o pé balançando casualmente enquanto procurava outra vítima para uma conversa inusitada ou no mínimo descobrir algum caso interessante - não só engraçado. Até arqueou as sobrancelhas, balançou a cabeça de um lado a outro numa breve ponderação se estava mesmo de férias por ir trabalhar numa cidade simples, bom, se no Hospital Geral não tinha muita coisa interessante, provavelmente dentro da Academia só seria um monte de contusões e machucados de esportes e dores de barriga. Não era de se surpreender que tivesse ficado algum tempo sem um médico, apenas com um enfermeiro.

Mas foi tirado dos seus planejamentos imediatos quando a médica avisou que precisava devolver os prontuários dos pacientes e ofereceu para lhe acompanhar e ir comer alguma coisa. Bom, ainda queria ver se tinha algo interessante pra fazer na cidade, então ainda ponderou com uma expressão exageradamente pensativa - com os olhos estreitos, a mão no queixo, o braço apoiado no outro.

- Hmmm... e se acontecer alguma coisa interessante quando a gente sair? Você recebe algum chamado? Por que é que ce tá na emergência se você é neuro? Achei que era uma neuro bem competente pra ficar numa cidadezinha pequenininha assim e num hospital sem graça e sem equipamento. - ele comentou, bem despretensioso, embora qualquer um pudesse ouvir o relato e as insinuações como se fossem ofensivas.

Natalia

Encarou o homem de olhos estreitados e fez uma pausa ainda de pé, apoiando-se na perna direita ao apoiar a prancheta de prontuários no quadril, ciente de que o sujeito não possuía pudor algum em questionar sua competência.

- O senhor pode achar o que quiser. Eu duvido que o Bronx tenha equipamentos tão maravilhosos assim também. E se quer saber o porquê de eu estar na emergência, é só perguntar ao diretor do hospital quando o encontrar. - deu de ombros, como se as respostas para aquelas insinuações fossem bem simples. Não diminuiu o sorriso, entretendo-se com o modo mais despretensioso do cardiologista. - E eu vou ser chamada se alguma coisa “interessante” acontecer. Óbvio.

Riu, dando as costas para o moreno, acenando no trajeto para que ele esperasse enquanto topava com uma das enfermeiras na entrada da sala da triagem, entregando os prontuários de seu horário e sendo repreendida pela demora na entrega dos documentos. Despediu-se ainda sorridente, cansada demais para discutir sobre aquela bobagem. Passou brevemente na sala de armários da emergência, pegando sua bolsa com seus itens pessoais.

- Hey, Jaydee? Vamos? - chamou novamente, retirando o molho de chaves incluindo a da sua picape para sacudi-la na frente do moreno, relembrando do convite.

Jaydee

Não prestou sequer atenção no fato de que a médica podia ter se sentido ofendida de fato com a sua colocação. Era verdade, de todo jeito, mas esperou a resposta mais interessado, afinal, assim como ele estava procurando alguma coisa pra se distrair num lugar diferente, ela podia estar procurando a mesma coisa, não era? Riu com a comparação dos equipamentos no Bronx, ainda muito bem sentado e bem confortável na cadeira.

- Mas eu não quero que o Bronx tenha bons equipamentos. Se tiver, que desculpa eu vou usar pra grampear as pessoas quando não tem linha de sutura? Ou quando eu não acho. - riu do próprio descaso com os pacientes, afinal, poucas eram as vezes em que havia algo desafiador para as suas capacidades médicas numa emergência de periferia, mas mesmo sem ir atrás, as coisas acabavam batendo em sua porta, ou cortina, já que não tinha uma sala definida na emergência. - Ah, eu não sei quem é o diretor, ele é interessante? Vou perguntar pras senhorinhas outro dia sobre ele.

Logo Natalia se afastou para entregar os documentos que ainda tinha em mãos para uma das enfermeiras e ainda olhou ao redor, na esperança de que nos últimos instantes, alguma coisa muito exagerada acontecesse ali. Tipo uma pessoa que tivesse prendido os dedos num triturador de cozinha. Mas nada aconteceu e suspirou resignado quando a médica voltou lhe chamando para irem comer alguma coisa.

- Tá né, fazer o que. - concordou, dando de ombros e acompanhando a mulher. - Quem sabe alguma coisa interessante aconteça no caminho... ei, essa cidade tem algum bairro tipo desses mais barra pesada que a polícia não entra? Quem sabe tem gente mais interessante lá?

Natalia

O sujeito conhecia bem os métodos nada ortodoxos de se praticar medicina. Ao menos era o que parecia com a preferência dele por grampeadores a linha e agulha. Admitia mentalmente que já havia usado de tais recursos, mas não eram seus favoritos. Preferia um trabalho mais limpo com materiais adequados, mas a prática havia lhe ensinado a ser versátil com o que tinha em mãos.

Nem se deu ao trabalho de falar sobre o diretor da instituição, pois não simpatizava tanto assim com o homem. Como a maioria dos sujeitos responsáveis por unidades em regiões como a Cerise, o homem era velho e de métodos antiquados. Duvidava que o sujeito sabia a diferença de um tablet para um notebook ou se possuía qualquer perfil que fosse em redes sociais. Não que fosse uma fã naquele tipo de mídia também, evitava lotar a memória de seus aparelhos com aquele tipo de aplicativo.

- Tem alguns. Mas a essa hora… - fez uma breve pausa, observando no relógio do celular o horário. - Hm. É, deve ter gente por lá. O senhor quer ir batendo de porta em porta oferecendo seus serviços? - brincou, achando no mínimo cômica a ironia de encontrar um colega de trabalho com aqueles gostos.

Ao sair do estabelecimento, claro, removeu o jaleco, jogando a peça dobrada dentro de um saco e logo em seguida em sua bolsa. Entrou em sua picape ao destravar as portas e fez questão de remover os sapatos, deixando-os de lado atrás do banco do passageiro onde imaginava que o colega de profissão fosse se acomodar. Soltou o cabelo para rearrumar o coque que já estava frouxo antes de colocar o cinto de segurança, aguardando que o moreno colocasse o dele para dar partida e sair dali, trancando as portas e ligando o ar condicionado.

- Não se preocupe. Vou te levar em um lugar legal. - anunciou, dirigindo na direção do rio, seguindo para as zonas mais periculosas da cidade, observando a estrutura dos prédios e a organização das ruas mudarem conforme saíam do centro da cidade. - Mas me conta, esse seu amigo, como foi que se conheceram? Sou amiga lá da diretora de Limoges também, mas ela nunca me chamou para trabalhar lá. Foi até melhor. Iria acabar sendo presa. - riu, divertindo-se com a ideia de estar em uma academia repleta de jovens mulheres bonitas.

Jaydee

Estava mais distraído olhando ao redor e pouco se importando com os olhares dos estranhos que acabavam de chegar na emergência enquanto ele passava ao lado da médica para irem até o estacionamento. O comentário irônico dela sobre bater de porta em porta foi que lhe chamou mais atenção e só quando colocou os pés pra fora do hospital foi que percebeu que o céu já estava escuro.

- Olha, até que não é uma má ideia ir bater de porta em porta. Eu nunca tentei isso, o que será que as pessoas iam dizer?? - levou uma das mãos ao queixo, numa expressão pensativa de quem estava realmente considerando a ideia.

Depois de cruzarem o estacionamento, alcançaram provavelmente o maior carro dali, o que pareceu bem lógico para a médica quando ela destravou as portas. Mas ao invés de entrar, convencionalmente, no banco da frente do passageiro, entrou no banco de trás e ficou sentado atrás do banco livre, colocando o cinto de segurança, como se estivesse sendo guiado por um chofer ou um taxista, e não pareceu minimamente incomodado com aquilo.

- Vamos ver o que você considera um lugar legal. - ele comentou, observando os locais por onde passavam, dando de ombros quando ela perguntou sobre quando tinha conhecido o novo diretor de St. Clavier. Mas ficou bem mais interessado com o assunto da Academia feminina, dando um sorriso de lado interesseiro. - Hm-hmmmmm, então você ia ser presa numa academia para meninas, não é? Hehehehe, não devia compartilhar esses gostos com estranhos tão facilmente, doutora. E o Soren eu conheci quando ele veio atrás de mim pra fazer uma cirurgia no filho dele. O menino tinha um problema no coração, e os outros médicos não estavam muito interessados em aceitar fazer a cirurgia, aí eu fui lá e fiz.

O comentário saiu bem no descaso, mas tinha sido um caso até um pouco conhecido ali na Europa, da época em que ainda trabalhava num centro de pesquisa de alta tecnologia.

Natalia

Só podia estar realmente cansada, ou jurava ter ouvido que o colega de profissão havia mesmo considerado seu comentário sarcástico sobre bater de porta em porta como uma opção. Estranhou a atitude do sujeito ao entrar no banco traseiro e ainda sequer lhe perguntar se queria ficar ali, pagando de motorista dele. Ele sequer se dava conta que estava com a bunda sentada justamente em sua segunda cama, pois a de hospital com certeza era a primeira.

Sorriu com o canto dos lábios com o comentário do médico e o observou pelo retrovisor do veículo, estreitando o olhar. Para mais de boa parte da equipe que trabalhava com sua pessoa no hospital, era bem óbvia sua preferência sexual. Mas deixaria aquele detalhe no ar, justamente por já ter saído com alguns caras ali, experiências inusitadas, poderia colocar já que o loiro drogado não sabia lhe dar um orgasmo; e o dono da pousada era bom de cama até demais para conseguir estourar a merda do preservativo e lhe atormentar um mês inteiro com a ilusão de um filho não desejado.

- Chegamos! - parou o carro na rua para estacionar de maneira brusca de propósito, forçando o corpo do passageiro de trás pra frente. - Opa! Hahaha! Desculpa aí! - brincou, estacionando melhor o veículo para poder desligar o motor, pegar sua bolsa, retirar o cinto de segurança e descer a tempo o bastante para abrir a porta do passageiro no meio do caminho, aguardando que ele descesse para trancar tudo e ligar o alarme.

Parou o veículo em um lugar mais próximo entre a região gris perigosa de Cerise e a área residencial, que possuía alguns vendedores populares de comidas típicas francesas a um preço bem mais acessível, geralmente atendendo trabalhadores que vinham da região portuária ou das áreas de depósitos e estavam voltando para suas casas. Gostava de sair para conhecer a culinária local, principalmente a comida de rua.

Aproximou-se de uma das barraquinhas e começou a observar as comidas que eram feitas, escolhendo no menu acima o que iria comer naquela noite. Também havia a opção de levar a refeição para casa, mas daí perdia todo o sabor de ver as pessoas preparando aquele tipo de comida que tanto gostava ao ar livre e bem na sua frente.

- Aqui tem Bourguignon, Cassoulet, Tartiflette… - apontou os pratos para o turista que bem poderia ser percebido como um turista. - ...Raclette, Rougail e Paella. Eu prefiro o Tartiflette, mas hoje vou de Bourguignon que ainda não experimentei. - avisou, aproximando-se da fila de trabalhadores locais que naquele horário noturno não paravam de trabalhar e que precisavam de uma refeição forte para continuar o trabalho. Não era uma mulher baixa ou dentro da estatura mediana francesa, então era bem fácil de ser percebida. Mas quem era sua figura ali para os moradores de Cerise se não uma sombra do que era aquele pavão de cores magnífico no meio de tantos odores gastronômicos?

[ Referência para Gordice: https://www.youtube.com/watch?v=YFPQm_HjDFM ]

Jaydee

O trajeto de carro não pareceu durar muito. Comparado a Nova York, parecia ter chegado no seu destino em um pulo. Nem se importou com o tranco do carro ao estacionar e até percebeu que a doutora tinha feito aquilo de propósito para lhe incomodar, mas só riu da atitude dela, afinal, estava sentado no banco de trás.

- Não se desculpe, se tivesse batido, eu teria a chance de ver seus restos no volante pra consertar. Ia ser divertido. - ele disse, descendo do carro numa área até movimentada para aquele horário da noite.

Jaydee estava bem acostumado com o tipo de pessoa que avistou ao sair do carro. E também estava acostumado à atenção que chamava com as roupas extravagantes, o que não tirou a sua disposição em andar casualmente pelas barracas de comida, atraindo olhares de marinheiros e trabalhadores portuários que lhe achavam bem estranho. Mas a preocupação com os trabalhadores ao redor foi a menor, quando se aproximou de uma das barracas em que Natalia indicou os pratos.

- Woooowwww, isso é muita comida. - ele estendeu o olhar por cima dos pratos fumaçando. Baixou o óculos até para ver melhor, aguardando na fila cheia de trabalhadores. - Eu quero provar todos. Você vem comer aqui sempre, doutora? Eu gostei do lugar, me lembra o Bronx. Só que é mais organizado e com menos armas à vista.

Natalia

Torceu os lábios com o comentário dele bem sugestivo sobre seu corpo acidentado. Se fosse para se acidentar em um acidente de carro, não seria em uma cidade com um tráfego tão tranquilo quanto Cerise. Em alguma perseguição ou na auto estrada, quem sabe. Ficou satisfeita em notar a empolgação dele com a comida. Ao menos algo que poderiam apreciar juntos já que não podia colocar um de seus pacientes de origem periculosa na mesa de trabalho do sujeito extravagante.

Virou-se para o homem, estendendo a mão para passar o braço pelo ombro do moreno mais baixo, puxando-o para perto até se inclinar, ficando no mesmo ângulo de visão do sujeito para lhe mostrar os pratos e os preços das comidas. Já que não havia cardápio como a maioria dos restaurantes da cidade, os pratos e os preços ficavam acima na barraca, imagens impressas das comidas, plastificadas e penduradas na parte interna do lugar.

- Faz assim, escolhe um dos pratos. Tem o Bourguignon que é carne de vaca ao vinho. O porco que eles usam no Cassoulet já vem defumado, é bem saboroso. O Tartiflette é uma delícia com queijos, mas se você tem problemas com lactose, não recomendo. O Raclette também leva queijo, lembra founde. O Rougail é tipo um prato com umas salsichas bem grossas, com molho, é bem gostoso. E a Paella é muito famosa, mas ela é gostosa também. Como aqui é uma cidade portuária, os frutos do mar são bem frescos. - explicou para o médico, afastando-se em seguida, chegando próxima de sua vez, animada com a comida. Olhou por sobre o ombro antes de voltar a falar diretamente com o outro. - Pode pedir um prato diferente do meu. Eu te deixo experimentar do que eu vou pedir, assim você pode ter uma ideia dos dois.

Sugeriu, logo sendo chamada para fazer o seu pedido. Sorriu ao cumprimentar a mulher que atendia a todos, a esposa do dono da barraca, que prontamente lhe reconheceu pela frequência com a qual aparecia naquelas bandas.

- Eu vou querer um Bourguignon hoje, por favor. - mexeu na bolsa, tirando uma nota para pagar por seu jantar, comprando uma garrafa de água gelada no processo também, afastando-se para o lado ao ouvir a mulher gritar para os outros funcionários da barraca sobre o novo pedido. Olhou para o colega de trabalho, certificando-se de que ele não teria problemas ali em escolher o que comeria.

Jaydee

Natalia foi até bem eficiente em lhe explicar o que era cada um dos pratos antes de chegarem até a fila. Olhou as opções e ouviu o que a mulher tinha a dizer, levando a mão ao rosto de modo pensativo.

- Hmmm, é bem diferente das coisas que eu comia nos EUA. Por isso deve ser mais gostoso do que um hambúrguer. - ele disse, colocando as mãos nos bolsos do short que usava por cima das outras duas peças. - Mas eu ainda gosto de carne, então eu acho que vou ficar com o de porco.

Chegaram no caixa para serem atendidos e depois que Natalia se aproximou para pedir, deu espaço para que ele o fizesse. O problema foi quando ele puxou a carteira do bolso e só tirou lá algumas notas de dólares.

- Opa... esqueci desse detalhe. - sorriu descarado para a atendente que o encarou um tanto descrente. - Vocês não aceitam dólares, aceitam? Esqueci de trocar o meu dinheiro.

A atendente pareceu um tanto perdida, especialmente porque já era difícil entender o francês carregado do americano. Ele se virou na direção de Natalia, balançando as notas de dólares.

- Me dá uma ajudinha aqui, doutora, você troca dólares? Eu tenho certeza que você pode tirar alguma coisa do seu cofre secreto. - ele sugeriu, apontando sem muita discrição na direção dos seios fartos da médica.

Natalia

Continuou aguardando receber seu pedido, acompanhando com o olhar o preparo dentro da barraca o funcionário que arrumava sua marmita em um recipiente plástico de isopor para isolar a temperatura. Vez ou outra, voltava a atenção para o colega de profissão, acabando por ser surpreendida com a forma atrapalhada que ele parecia não conseguir lidar com a mulher que havia lhe atendido há pouco.

Encarou a cena dele sacudindo os dólares como se estivessem no meio de um shopping center, seguido ainda do comentário e do sinal apontando para os seus seios. Olhou diretamente para o médico antes de cair na risada, sem resistir a forma descarada como ele estava lidando com todo aquele pequeno problema.

- Hahahaha! Mas que idiota! - aproximou-se entre o riso frouxo que não conseguia conter, acenando para a dona da barraca para não atrasar mais a fila. - Não, não, relaxe, madame! Eu cubro o senhor aqui! Pode deixar! - mexeu na bolsa, tirando mais uma nota para entregar a mulher que parecia incomodada com o atraso da fila e, consequentemente, de sua oportunidade de fazer dinheiro. - Ah, ele vai querer o Cassoulet, madame! Caprichado, heim? Hahaha!

Aproveitou da proximidade para pegar os dólares da mão do moreno, verificando a quantia antes de dobrar duas notas, separando a terceira, devolvendo-a ao sujeito.

- Devia te levar no shopping depois pra trocar esse dinheiro. Que cabeça. - riu de novo, mas fez questão de guardar as notas de dólares no cofre secreto, como ele havia colocado, as notas sumindo entre o vale dos seus seios. Mas não demorou muito para que sua atenção fosse pedida de novo quando o funcionário que estava colocando sua marmita lhe chamou, anunciando que o pedido estava pronto. Apesar de já estar com a comida em mãos, fechada na marmita com a garrafa de água gelada debaixo do braço, resolveu esperar por Jaydee. Não queria deixá-lo sozinho depois da cena dele, um belo de um pavão no meio daqueles trabalhadores portuários e outros, ter mostrado o próprio dinheiro estrangeiro.

Jaydee

Jaydee não se surpreendeu com a risada de Natalia quando mostrou que só tinha dólares e ela fez questão de lhe chamar de idiota. Se os dois já estavam atraindo atenção pelas suas roupas bem exageradas, as coisas ficaram bem mais notáveis para os trabalhadores portuários quando ele interrompeu o bom andamento da fila e ainda mostrou as notas de dinheiro estrangeiro, ajudando a estampar na sua testa “turista”.

- O que posso fazer? Esqueci que o resto do mundo não aceita dólares. Eu culpo os americanos que acham que são o centro do mundo. - ele respondeu, como se ele mesmo não fosse da nacionalidade, pegando uma das notas que ela devolveu, enquanto saía da frente para que a fila seguisse. - Além do mais, eu vou começar a receber em euros e estava mais distraído com o hospital pra lembrar dessas coisas triv-

Ele mesmo interrompeu a sentença quando Natalia dobrou as notas e colocou entre os seios, encarando o gesto muito descaradamente, inclusive, inclinando o rosto na direção dos seios fartos da mulher como se quisesse ver lá dentro.

- Holy shit…! - a expressão saiu em inglês, enquanto ele parecia bem interessado no decote alheio, como se não tivesse prestado atenção antes. - Se eu for tirar dinheiro dessa poupança, é capaz de já ter rendido juros.

Ele só desviou a atenção de Natalia quando ela pegou a própria marmita e esperou servirem a sua, para agradecer rapidamente com um aceno de mão e andar com a doutora ao longo da rua bem movimentada com pessoas curiosas e mal encaradas também.

- Onde a gente come? Na rua mesmo? - ele parou no meio do caminho, sentando-se no meio-fio de uma das calçadas e cruzando as pernas, imitando alguns grupos de pessoas mais adiante, que estavam se servindo também do jantar tarde da noite.

Natalia

Parou para observar a reação do colega de profissão, parecendo impressionado com seu gesto de esconder o dinheiro no decote de fato. Riu da reação alheia, julgando que ele não deveria estar habituado a pessoas com o seu biótipo. Riu ainda mais com a piadinha sobre os juros rendidos pelo dinheiro naquela poupança.

Seguiu Jaydee até o meio fio da rua, suspirando antes de se abaixar com ele, observando-o de lado para logo depois visualizar um pouco melhor as pessoas ao seu redor. Não se importava de comer na rua, principalmente quando a comida era boa, diferente daquilo que estava acostumada a comer no hospital.

- Eu ia te chamar para comer no carro, mas aqui também serve. - comentou, abrindo sua própria marmita para pegar o garfo de plástico e poder começar a se servir do Bourguignon ainda quente. - Hmm. A carne é muito boa! - manteve o garfo na boca, procurando na marmita alguns dos vegetais no molho com cogumelos e bacon.

Continuou se alimentando, fazendo uma pequena pausa para poder arrumar uma pequena porção no garfo plástico com um pedaço da carne com batata e o molho.

- Aqui. - deixou a própria marmita no colo ao oferecer uma porção no garfo do seu Bourguignon para o cardiologista, utilizando a outra mão por baixo para evitar que o molho gotejasse sobre ele. - Experimenta.

Jaydee

Natalia logo se acomodou ao seu lado no meio da rua, sem se importar com o fato de estarem jantando no meio de um monte de estranhos. Já era uma novidade diferente, considerando que estava bem acostumado com médicos cheios de ressalvas quanto a lugares que frequentavam e pessoas com quem interagiam, etc.

- Eu não ia querer sujar o seu carro, a depender das suas habilidades no volante, doutora. - ele respondeu, enquanto começava a se servir da comida diferente. - Hmm... nada mal pra comida no meio da rua. Melhor do que os hot dogs que eu comia nos EUA quando estava voltando pra casa no meio da noite.

Estava mais concentrado na sua porção e na quantidade de pessoas que passavam ao redor, encarando-os e constatando a dupla bem exótica que tinha se metido ali num bairro tão aparentemente inseguro. Desviou a atenção para Natalia quando ela lhe ofereceu parte da própria refeição e aceitou de pronto.

- Hmmm... preferiria que tivesse me dado pra experimentar de outro jeito, mas assim foi bom também. - ele riu descarado. - Eu ofereceria da minha, mas você já provou todas, então... - não fez a menor questão de oferecer, comendo mais da comida e deixando comida pela metade. - Nada de interessante no hospital pra gente voltar e ver algum acidente ridículo? - ele perguntou, segurando o garfo entre os dentes.

Natalia

Acabou rindo do comentário do cardiologista sobre sujar seu carro com a comida. Perguntou-se mentalmente enquanto comia que tipo de criança ele era para não conseguir comer em um carro sem sujá-lo. Não sabia como era o sabor de fato da comida dos EUA. Teria se viajar até o país para descobrir, o que não era uma má ideia, já que gostava de provar sabores diferentes.

O sujeito era engraçado, ainda mais com os comentários descarados que lhe faziam querer rir ainda mais. Não achou ruim quando ele não quis dividir a comida, afinal de contas, estava certo. Já havia provado de tudo ali. Arqueou uma sobrancelha, observando-o de esguelha enquanto ele questionava sobre algo interessante no hospital. Terminou de mastigar e engolir antes de responder, limpando o canto dos próprios lábios com o polegar.

- Se algo interessante tivesse acontecido, eles já teriam me chamado da emergência. - avisou, certa de que não deixariam de lhe notificar no caso de uma emergência mais complexa. Comparada a muitos dos profissionais ali, tinha um currículo com bem mais experiência.

Terminou sua refeição em alguns instantes, usando do indicador para buscar do molho da carne no fundo do recipiente, saboreando tudo como se fosse muito prazeroso poder comer fora do hospital, ainda que estivesse sentada no meio fio com um colega de profissão que acabara de reencontrar.

- Hmm. - cutucou o sujeito com o cotovelo, retirando o dedo da boca para poder fechar o recipiente de seu jantar, verificando com cuidado se havia caído alguma gota do molho em sua roupa. - Satisfeito? Vamos lá, eu te levo onde você está hospedado. Vai dormir onde? - perguntou ao pavão em forma de pessoa ao seu lado, levantando-se e esperando ser acompanhada por ele. Deu breves tapinhas na própria traseira, limpando a sujeira que poderia ter ficado no tecido da roupa.

Jaydee

Os olhares pareciam cada vez mais desconfiados à medida que os dois prosseguiam com a conversa casual, particularmente por serem duas pessoas bem estranhas e “bem vestidas” sentadas na beira da calçada perto de uma série de trabalhadores portuários. Não se preocupou muito em terminar a refeição, até sujando as mãos e derrubando um pouco na rua também. Deixou o resto pela metade, fechando o pacote para deixar em algum lugar na saída dos dois.

- Hm. Essa cidade é meio sem graça mesmo, hein. Nada de emergências numa noite dessas. - ele comentou consigo mesmo, olhando ao redor. - Acho que se a gente fosse até o porto, teria mais chance de ver um acidente engraçado. Você já visitou o porto, doutora?

Olhou ao redor e ficou sentado apenas apoiado nos joelhos, para poder tomar impulso e se levantar quando ela ofereceu carona para levar até o seu hotel.

- Então… eu não to hospedado em lugar nenhum ainda. Eu só cheguei e fui pro hospital. Mas enviei as malas pro tal dormitório de professores que o Soren comentou, onde é que é essa escola, aliás? Não sei se já posso dormir lá. - respondeu, com uma risada meio descarada, levando a mão até o queixo. - Vamos voltar pro carro, eu penso no que fazer depois.

Deu de ombros e se voltou para seguir por um caminho que não conhecia praticamente nada, as ruas ficando bem mais pouco movimentadas pelo horário avançado e ele não parecia sequer se importar com os prováveis perigos, tão acostumado que estava a andar daquele jeito nas ruas do queens.

Natalia

Teve de respirar fundo antes de voltar a atenção para o colega de profissão, observando-o descrente de que ele estava realmente procurando por alguém acidentado na rua para poder acabar com o próprio tédio. Pelo menos sabia onde poderia deixá-lo. Em caso dele ainda não ser permitido ali, conhecia alguns hotéis onde poderia se hospedar confortavelmente. Também não se incomodava com a ideia de pagar uma diária para o cardiologista excêntrico.

- Engraçado como faz parecer que no meu carro, suas ideias vão funcionar melhor, doutor. - riu dele, mexendo na própria bolsa no trajeto para pegar as chaves do veículo, prestando mais atenção à bolsa que a falta de transeuntes pela rua.

Mal se deu conta ao cruzar a esquina para chegar ao seu veículo estacionado, o movimento brusco masculino que prontamente lhe fez largar a bolsa, a pressão lhe segurando pelos cabelos claros em um aperto grosseiro.

- O-Oi! Mas que porr--! Ugh! - sentiu o aperto em seus cabelos aumentar, obrigando-a a arquear um pouco a cabeça para trás, deixando o pescoço mais a mostra.

- Passa a merda do dinheiro, palhaço! Ou essa vaca morre!

Franziu o cenho. Só poderia ser brincadeira que estava sendo assaltada enquanto levava o cardiologista para um passeio.

- Vaca?! Hahaha! Essa é nova--! Uuuh! - tentou rir da situação, mas logo sentiu o frio metálico do que deveria ser um canivete bem próximo ao seu pescoço. O sujeito era mais baixo que a sua figura e deveria estar sob o efeito de alguma droga ou muito nervoso com o assalto, pois podia sentir a mão que segurava o canivete perto de seu pescoço tremendo.

- Vamos porra! Passa tudo! - ouviu o assaltante ameaçar, afastando o canivete do seu pescoço para ameaçar o cardiologista dessa vez, como se aquela lâmina fosse machucar o médico naquela distância. Na verdade, era bem mais fácil que acabasse com algum novo corte devido ao assalto inesperado.

Jaydee

- Hahaha! Meus pensamentos são suscetíveis aos meus interesses. - ele riu, acompanhando a mulher de perto enquanto ela vasculhava a bolsa para pegar as chaves.

Mas já estava tão acostumado àquele tipo de ambiente e situação que nem se tocou de como estavam sendo ainda mais óbvios pelo caminho pouco movimentado que seguiam. Era a Europa, afinal, não devia ser tão perigoso como o Bronx... foi o pensamento simples até um maloqueiro drogado passar correndo e puxar os cabelos de Natalia com força para exibir o pescoço e apontar a lâmina para o local. A primeira reação automática de Jaydee foi erguer as mãos, mantendo-se numa distância segura e avaliando um pouco o estado do agressor para tentar descobrir se ele tinha mesmo determinação para continuar o que estava fazendo.

- Opa, relaxaí, cara. Eu nem peguei carona de volta pra casa pra você já querer matar a doutora, rapaz. - ele respondeu, movendo as mãos com muita calma para não deixar o assaltante mais alarmado.

- O que ce tá fazendo porra! Cuidado com essas mãos ou eu corto o pescoço da vaca aqui! - ele ameaçou, estendendo a faca na direção de Jaydee e voltando para o pescoço de Natalia, com ímpeto suficiente até para que um filete de sangue escorresse da pele alva.

- Como eu vou pegar o dinheiro se não me deixa mexer as mãos? Você vai vir pegar aqui? - Jaydee sugeriu, indicando os bolsos das três calças que usava uma por cima da outra. - Tá na peça de baixo. - ele ainda riu descarado com o fato de que o assaltante teria que enfiar a mão em duas peças de roupa até chegar no dinheiro, se chegasse.

- Passa logo e deixa de conversa fiada, palhaço maluco!

- Tá, tá, já vai. - mais uma vez, ele baixou as mãos com cuidado até enfiar nos bolsos e achar as notas de dólares que tinha sobrado da troca com Natalia pelo almoço. - É só o que eu tenho.

- Passa o celular também, mané!

- Eu não tenho celular aqui ainda. Doutora? - Jaydee passou a pergunta adiante para a mulher que ainda estava rendida sob ameaça da lâmina, enquanto o assaltante inquieto olhava ao redor.

Natalia

Franziu o cenho, tentando não se mover demais ao ouvir a gritaria de seu assaltante com o outro doutor tentando conversar com ele. Pressionou os lábios, inquieta com a lâmina fria contra seu próprio pescoço. Segurou a respiração por um instante, desejando que o sujeito atrás de si estivesse menos drogado para poder dar uma cotovelada nele sem o receio de ter sua garganta cortada.

- Minha… bolsa… celular... ! - tentou avisar, demorando alguns instantes para o assaltante processar o que queria dizer. Só conseguiu respirar com mais facilidade quando o sujeito pareceu afrouxar o aperto para poder lhe arrancar a bolsa e empurrá-la para seu colega de profissão. - Ah--!!!

Ergueu as mãos, apoiando-se no tronco de Jaydee, sentindo não só o pescoço arder pelo pequeno corte, mas também a raiz do couro cabeludo pelo puxão desnecessário do assaltante que naquela altura do campeonato já havia corrido para longe em meio aos becos e a escuridão com sua bolsa.

- Merda! Filho da p*ta! - afastou-se da colega de profissão, levando a mão até o próprio pescoço até conseguir notar o pequeno filete de sangue em seus dedos. - Hurensohn! Urgh! - passou a mão pelo próprio cabelo, ainda sentindo a dor do puxão antes de conseguir respirar mais aliviada, o desconforto do aperto do estranho agora ausente lhe deixando mais aliviada por enfim se ver livre de outro maluco. - Ninguém pode mais andar em paz nessa merda de cidade… Porcaria.

Voltou-se para o colega de trabalho, tentando se recompor enquanto a mancha pequena de sangue em seu pescoço era borrada por sua mão.

- Vamos logo antes que outro sujeito apareça querendo outra bolsa minha também. - chamou pelo moreno, sacando as chaves de seu veículo para poder abrir as portas do carro. - Tirei da bolsa antes do desgraçado me abordar. Ele estava cheirado demais para notar. - explicou antes que ele perguntasse, destrancando as portas urgentemente para pode entrar e verificar o próprio estado no espelho do veículo.

Jaydee

O assaltante ainda forçou mais a cabeça de Natalia e pegou a bolsa dela, empurrando-a em sua direção. Jaydee levantou as mãos para segurar nos ombros da mulher que se chocou contra o seu corpo e a primeira coisa que constatou, em meio ao nervosismo da situação, era que os peitos dela eram realmente grandes.

- Seus peitos são melhores do que airbag, doutora. Aposto que faz todo tipo de uso com eles. - comentou descarado, a despeito da situação desconfortável pela qual os dois tinham passado. - Bom, eu estou acostumado com o Bronx, é só mais um dia normal.

Deu de ombros quando a mulher se recompôs, dando uma olhada no corte no pescoço dela que tinha sido só muito superficial. Ajustou a roupa também quando ela chamou para que se adiantassem até o carro, mostrando que tinha ficado com a chave. Jaydee ainda deu uma risada sonora ao avistar a chave na mão da mulher e a acompanhou a passos rápidos com as mãos nos bolsos.

- A doutora está me saindo melhor do que os gatunos do Bronx, hahaha. Ainda bem que não colocou nos peitos, ou não acharíamos tão cedo.

Logo alcançaram o carro e ele entrou, mais uma vez, no banco de trás, colocando o cinto enquanto Natalia tomava o lugar do motorista.

- Vamos, Alfred, para a bat-caverna! - anunciou, num tom pomposo, cruzando os braços como se estivesse, de fato, com um motorista contratado.

Natalia

Sequer se deu ao trabalho de comentar sobre o elogio recebido para seus seios. Estava cansada pelo trabalho e irritada por ter agora de dar um jeito de recuperar sua bolsa e seus outros pertences. Contudo, poderia tratar daquilo depois. Havia telefones e favores que sempre poderia cobrar ou pedir. Queria voltar para seu apartamento, tomar um banho e tirar um cochilo antes de ser chamada de volta para o trabalho.

- Eu não entendo essa sua fixação com os meus peitos. Se quer me chamar para sair, é só ir direto ao ponto, Jaydee. - avisou, fazendo uma pausa antes de colocar o cinto de segurança para retirar o dinheiro estrangeiro do cardiologista de seu decote. Jogou o dinheiro para o colo do moreno e riu antes de puxar o braço dele para que descruzasse a pose. - Alfred? Agora sou seu mordomo idoso. Pff.

Arqueou os ombros e suspirou mais calma dentro do veículo. Dirigiu para deixar o colega de profissão onde ele deveria ficar para dormir, no portão que dava acesso mais próximo ao dormitório dos professores de St. Clavier. Não se incomodou de esperar que ele saísse do veículo e adentrasse pelos portões, certificando-se de que o estrangeiro não teria problemas em entrar ali e ter um lugar onde dormir. Em caso de alguma emergência, poderia encontrar algum lugar para ele descansar enquanto o chefe dele não acertava os detalhes. De certo que não deixaria ele simplesmente sozinho naquela cidadezinha misteriosa no meio da noite.

[thread encerrada]


Forum Jump:


Users browsing this thread:
[-]
Cerise News
Dia xx/xx/xxxx
População de Cerise come mais Patchdonald's que a média nacional de comedores de McDonald's, diz jornal Le Monde.

[-]
Birthdays
Today's Birthdays
No birthdays today.
Upcoming Birthdays
avatar (37)Skurai

[-]
Latest Threads
Trouble in Paradise [Carbella]
Last Post: Natalia
09-27-2023 04:34 PM
» Replies: 6
» Views: 28
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Last Post: Natalia
09-08-2023 11:08 PM
» Replies: 16
» Views: 42
Run Boy Run [Daniel]
Last Post: Qiang
09-07-2023 06:32 PM
» Replies: 6
» Views: 32

[-]
Recent Posts
Trouble in Paradise [Carbella]
Ao terminar de consu...Natalia — 04:34 PM
Trouble in Paradise [Carbella]
Carbella queria dize...Carbella — 10:02 PM
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Voltou o olhar quase...Natalia — 11:08 PM