[Drive] Sorry [Wilbert; Dia]
#1
Wilbert

Dormiu por poucas horas depois de arrumar a bagunça que havia ficado na cozinha de seu bistrô após o acidente com o Blanco. Mandou mensagem ainda para seu empregado, agradecendo pela ajuda com os outros alunos. Mas o que realmente lhe retirou o sono foi receber a ligação de seu advogado, avisando que deixaria de lhe ter como cliente. Isso significava que além de lidar com as dores de cabeça dos problemas que havia arrumado, precisava arrumar um novo advogado para se defender das acusações processuais que provavelmente chegariam por St. Clavier e pela família da morena que havia deixado no apartamento dela depois de todo o ataque de raiva dela.

Normalmente, acharia até engraçado irritar a mulher ao ponto dela ficar furiosa, mas não era aquele o caso. Sabia que havia sido o pior babaca naquele momento com a única pessoa que parecia querer lhe esclarecer em meio à negligência da família Blanco em relação ao que o jovem herdeiro da família fazia ou deixava de fazer. Precisava começar a tentar consertar aquele caos que havia criado, então gastou seu tempo escrevendo e-mails para tentar explicar a situação para a direção da instituição para onde trabalhava. Era claro que sem um advogado ou ninguém para lhe instruir, havia chances de fazer uma nova besteira, mas já havia escrito tantos e-mails a pedido de ordens judiciais que não julgou que precisava de mais instrução que ser direto no e-mail e citar apenas informações mais técnicas relacionadas ao que havia ocorrido, como os nomes dos presentes ou o plano de aula que havia preparado para aquela prova prática em seu bistrô.

Lavou o rosto e escovou os dentes antes de pegar um pouco de um dos pratos que havia sido preparado por seus alunos na noite anterior, uma massa de pão assado e recheado que serviria bem de desjejum. Separou duas porções e trocou de roupa, fechando o estabelecimento para retornar ao apartamento de Dia. Esperava que a morena não tivesse mudado a fechadura da própria residência naquele curto espaço de tempo. Conferiu o celular antes de subir para o andar do apartamento, topando com uma das senhorinhas que vivia naquele conjunto no trajeto. Estranhou o olhar que a mulher lhe ofereceu ao cumprimentá-la com um educado “bom dia”. Talvez tivesse realmente feito um escândalo na noite anterior.

Não bateu na porta ao usar a cópia das chaves que possuía antes de entrar. Tentou fazer o mínimo de ruído possível, o que para sua figura de dois metros de altura, passar discretamente não era bem uma habilidade. Observou o lugar, tentando perceber se a professora de Limoges ainda estaria ali ou se já havia saído para resolver qualquer assunto do qual não tinha conhecimento. Pelo pouco que conhecia da mulher, ela era do tipo que gostava de dormir bastante de manhã, principalmente quando não precisava trabalhar ou quando havia bebido na noite anterior, o que era o caso.

Dia

A melhor coisa para tirar a cabeça de Dia Blanco de problemas era a sensação do vento batendo no rosto, e aquilo tinha sido negado a ela na noite anterior. Ao invés disso, tinha sido forçada a voltar a seu apartamento e berrar furiosa, até finalmente expulsar Wilbert de seu apartamento, sem sequer se importar com a cordialidade. Pensou talvez que beber seria melhor para passar mais sua raiva que andar de moto depois da cerveja, mas se sentia culpada de beber por ter raiva de Wilbert.

Então acabou bebendo para celebrar que seria ela e apenas ela naquele apartamento dali em diante.

Apesar de saber que o chef ainda voltaria para sua casa para buscar seus pertences, ele não era mais seu inquilino e, portanto, não podia mais se meter no que fazia ou deixava de fazer. Fez questão de secar suas garrafas de cerveja e deixar juntinhas na pia da cozinha e sobre a mesa antes de se retirar para seu quarto. Mas foi impossível, ainda mais bêbada, não acabar chorando do tanto de raiva e frustração de lidar com Wilbert. Para sua sorte, dormir era muito rápido com tanto álcool no sangue.

Dia acordou parcialmente com a luz na janela, e outra parte com o som de alguém na sua casa, que imaginou ser Wilbert. Podia ouvir ele se esgueirando até o outro quarto. Mas nem fingiu querer levantar. Tão rápido quanto ele tinha chegado, ele iria embora. Era assim que parecia o acordo dos dois.

Wilbert

Organizou o que tinha em seu quarto em algumas porções sobre a cama para poder colocar tudo em caixas. Passou pela cozinha para verificar os itens que às vezes se misturavam com os da morena para então prestar atenção na quantidade de álcool que ela deveria ter ingerido na noite anterior da discussão.

Caminhou pelo corredor, tentando ser silencioso e discreto ao parar a frente da porta do quarto dela que deveria estar trancada. Coçou a própria nuca, pensando no que poderia dizer para descobrir se ela estava bem de fato. Ela poderia muito bem ter saído quando foi embora e ter dormido em outro lugar. Não duvidava que ela podia sair embriagada após ingerir álcool para esfriar a cabeça, A mulher não pareceu protestar quando havia saído com ela após beber e ele era quem estava dirigindo. A atitude havia sido bem irresponsável e havia pagado mais uma vez o preço por sua imprudência. Lembrava bem da cara de Dia quando aquela policial lhe colocou contra o capô de seu próprio carro.

Fez menção de bater na porta, mas parou no processo, pensando na possibilidade da mulher estar de fato embriagada ou em um estado de ressaca. Respirou fundo antes de limpar a garganta, tentando ser menos barulhento com seu tom de voz.

- Dia? - chamou pela morena, batendo na porta duas vezes, tentando prestar atenção se conseguia ouvir algum ruído vindo do quarto.

Dia

Queria só voltar a descansar, mas era difícil pensar em descanso quando sabia que Wilbert ainda estava em seu apartamento. Deitou-se de barriga para cima na própria cama e ouviu enquanto ele organizava seus pertences, movendo coisas de cá para lá rápido como podia sem lhe incomodar. Talvez pela primeira tivesse ouvido Wilbert tão quieto. Mas também não imaginava que ele seria tão barulhento sozinho.

Notou em certo ponto que os ruídos de coisas de movendo ao redor cessou. Ou na verdade, diminuiu. Mas Wilbert ainda estava no apartamento, afinal, não tinha ouvido o barulho da porta. Revirou os olhos na expectativa que ele saísse logo, e bufou silenciosamente olhando para o teto. Pelo visto ele estava longe de sair. E ficou com mais certeza ainda quando ele disse seu nome, numa voz baixa, da porta.

“Ele só pode estar brincando...”, pensou, olhando a porta do próprio quarto por um instante, fechando os olhos e pensando que nessas horas queria mesmo estar dormindo. Não responderia. Tinha um pouco mais de dignidade que isso.

Wilbert

Aguardou alguns instantes esperando por alguma resposta e, ao não escutar nada, ficou mais inquieto. A mulher poderia de fato ter saído do meio da madrugada ou poderia ter bebido tanto a ponto de ter passado mal. Não fazia ideia de como a morena poderia estar e definitivamente não queria ser culpado por mais um Blanco indo para o hospital porque havia sido desnecessariamente grosso como era de costume.

Não pensou duas vezes ao bater novamente na porta do quarto da morena. Franziu o cenho, incerto se a mulher teria mesmo se trancado ali para dormir ou se havia trancado o próprio quarto para que não entrasse lá quando viesse arrumar suas coisas pela manhã.

- Dia! Oi, Dia! - bateu na porta novamente, levando a mão até a maçaneta para se certificar de que a porta não estava destrancada.

Dia

Dia soltou um longo suspiro, porque esperava que seu silêncio fosse o suficiente para afastar Wilbert para que ele seguisse seu próprio caminho, mas pelo visto não foi, porque ele ainda bateu um par de vezes na sua porta. Será que era tão difícil lhe deixar em paz? Será que tinha jogado a pedra na cruz para merecer um tormento como Wilbert na sua vida?

Continuou deitada olhando para o teto, na expectativa que ele fosse desistir. Ainda ouviu a voz dele lhe chamando na porta com mais desespero, o que lhe fez rodar os olhos. Mas ao invés de só deixar estar em algum momento, viu a maçaneta da porta girar, e sabia bem que não tinha trancado a porta, porque afinal, aquele era SEU apartamento.

Dia levantou pelos cotovelos e olhou a cara de Wilbert na porta com descrença, a boca entreaberta de indignação. Então franziu a testa, irritadíssima com aquele comportamento invasivo.

- Não! Não, não, não! Saia daqui! O que inferno você quer aqui agora? Pegue suas coisas e saia! Me deixe em paz, Funske! – ela rosnou num tom baixo, levando a mão até a cabeça por causa de sua leve ressaca, sentando na cama.

Wilbert

Ficou surpreso com a ideia da porta dela estar aberta. Encarou a mulher apoiada em seus cotovelos e gritando com sua figura ainda surpresa, quando se deu conta de que ela estava lhe expulsando. Franziu o cenho como se fosse responder a mulher no mesmo tom de voz ríspido e irritado, mas pensou duas vezes e acabou por fechar a porta rapidamente, causando um pequeno ruído do bater da madeira. Encarou a própria mão na maçaneta e deixou sair o ar dos pulmões, deixando o corredor para retornar para a sala.

Voltou a organizar suas coisas no próprio quarto, irritado ainda com a ideia de que não havia respondido a mulher como geralmente responderia. Contudo, tratou de lembrar do que havia se repetido em sua mente pela madrugada: Dia havia sido uma das poucas pessoas a lhe ajudar naquela situação e havia consentido em dividir o próprio apartamento com ele, uma pessoa que bem sabia não era de fácil convivência.

Demorou cerca de mais uma hora antes de conseguir arrumar tudo e esvaziar o quarto e os utensílios que havia trazido para a cozinha. Separou tudo na sala, não eram lá muitas caixas, apenas algumas coisas que costumava viajar consigo e algumas outras que havia comprado somente por ter interesse na utilidade delas na casa da morena. Era difícil para alguém como ele se sentir à vontade na cozinha de outra pessoa.

Começou a levar as caixas para baixo com cuidado antes que pudesse chamar um carro para voltar ao seu bistrô. Deixou a porta da entrada entreaberta, certificando-se de que ninguém estranho parecia estar no trajeto entre o apartamento de Dia e o hall de entrada do conjunto de condomínios. O processo de mudança era cansativo e diante do clima daquela manhã, podia sentir o tecido da própria camisa grudando em suas costas por conta do próprio suor. Porém, continuou o processo, aproveitando para separar, pelo que seria a última vez, o lixo do apartamento, com as garrafas de bebida vazias da mulher, para colocar para fora.

Dia

Dia olhou para a cara dele, e aquela testa franzida de quem queria lhe responder. Podia não ter convivido muito tempo com Wilbert, mas tinha sido tempo o suficiente para perceber quando ele estava prestes a desatar a falar merda. Mas como se ele tivesse sido iluminado, ou ela tivesse sido agraciada aquela manhã com a bênção de algum tipo de divindade, ele apenas se calou e fechou a porta. Dia fechou os olhos e respirou fundo, afinal, pelo menos o espaço restrito do seu quarto ele tinha noção de respeitar.

Se jogou na cama por mais alguns minutos, apenas descansando a cabeça e ouvindo o barulho de coisas sendo mexidas do lado de fora, e Wilbert carregando seus pertences para o que imaginava ser a entrada do prédio. Mas em alguma hora teria que levantar para tomar água e um remédio para dor de cabeça. Dia trocou a roupa do dia anterior por uma blusa e calça folgadas que lhe deixassem confortável, e então saiu do quarto, encontrando o loiro na cozinha com as garrafas de sua bebedeira da noite anterior.

- … Ainda vou ter que passar um documento pra você pra formalizar que não é meu inquilino. - ela falou, sem nem adicionar um bom dia, porque certamente não era um bom dia, e não devia nada de boa educação para o loiro. E certamente não estava com pena daquele ato de cão arrependido, afinal, ele mesmo tinha selado o caminho dele com a pouca paciência. - Onde posso lhe achar? No bistrô?

Wilbert

Virou a cabeça na direção dos passos da mulher que se aproximava da cozinha ao notar que a porta do quarto dela deveria ter sido aberta. Observou a cena dela lhe falando sobre a documentação referente a sua saída do apartamento. Deixou a sacola com as garrafas de lado antes de bater as mãos para limpar a poeira.

- Provavelmente. Mas pode me mandar uma mensagem por celular para confirmar que estarei lá, assim evita de dar uma viagem perdida. - avisou, colocando as mãos na própria cintura enquanto procurava na cozinha algo do que reclamar ou algum objeto de digno de algum comentário seu. Entretanto, era visível que a mulher não queria dar voltas em qualquer assunto que fosse, apenas desejando que fosse embora de uma vez. - Olhe. - começou, mantendo o tom naturalmente usado com autoridade e o tom de voz mais alto. Pensou duas vezes de novo e removeu as mãos da cintura, tentando lembrar de qualquer conselho que o psicólogo de St. Clavier já havia lhe dado. - Ãhn… o que eu quero dizer é que não era minha intenção jogar em você a minha raiva sobre o que aconteceu noite passada. Você foi uma das poucas pessoas que me ajudou nessa cidade e mesmo a sua família sendo uma merda-

Fez uma pequena pausa, coçando a nuca ao ponderar sobre o que estava falando, não era o melhor com aquele tipo de pedido e muito menos havia planejado o que iria dizer.

- Bem, resumindo… me desculpe por ontem à noite. - pediu, incerto da forma com a qual havia pedido aquilo, mas ainda assim concordou com a própria cabeça, concluindo que pelo menos havia conseguido se desculpar alguma vez pelas atitudes impensadas que havia realizado.

Não esperou resposta da morena. Não queria ter que lidar com qualquer sermão ou bronca que ela poderia lhe dar mais uma vez por chegar ao ponto de pedir desculpas depois de todo o caos armado. Pegou a caixa de garrafas e já estava pronto para sair quando ouviu o celular apitando com alguma mensagem nova em seu bolso.

Fez uma pausa ao segurar a porta de entrada com o corpo para pegar o próprio celular, esperando que pelo menos seu advogado tivesse resolvido voltar atrás e não desistir de defender suas causas. Entretanto, a mensagem que se seguiu em sua tela era uma das causas de sua preocupação durante a madrugada. Encarou a mensagem com um misto de alívio e raiva ao mesmo tempo. O desgraçado do garoto estava bem e estava tendo o devido apoio da própria família e do namorado. Franziu o cenho novamente, mais uma vez havia se envolvido em um problema que não era seu, se preocupado com alguém com quem não deveria, para no final acabar tendo que lidar com os problemas de uma família da qual sequer fazia parte. E para coroar a situação, ainda havia conseguido perder um bom apartamento da companhia de alguém que ainda tolerava seu temperamento.

Dia

Queria entender porque Funske ainda estava perdendo tempo em sua cozinha arrumando sua bagunça de garrafas. Mais ainda porque notou ele vagando o olhar analítico dele pela bancada como se buscasse o que consertar ou criticar. Mas pelo menos nada ali era mais da conta dele do momento em que ele saísse pela porta. Nem queria conversar, mas pelo visto ele queria.

O tom daquele “olhe”, instantaneamente fez com que Dia parasse, e só o que se moveu foram as pálpebras e os olhos azuis em uma expressão clara de não estava ali parando para olhar Funske porque estava dando espaço para ele falar. Era a cara de quem queria que ele calasse a boca e fosse embora. E pelo visto ele tinha criado dois centavos de consciência aquela noite, pois apesar de ter dado espaço para ele falar, ele resumiu tudo (com um deslize compreensivo) em um pedido de desculpas.

Dia apenas piscou longamente para aquelas palavras, a expressão fechada. Honestamente queria dizer só “não”, mas seria melhor não dizer nada, porque tinha aprendido que era melhor não iniciar uma briga com dor de cabeça.

Quando ele andou para a saída, Dia sentiu o celular vibrar no bolso da calça que estava usando e pegou o mesmo, dando uma longa olhada na mensagem que tinha recebido, talvez poucos instantes antes de Wilbert pegar o próprio celular. A expressão da morena suavizou bastante, lendo sobre Renaud e como ele estava sendo cuidado pelos amigos. Então virou até Wilbert que estava indo fechar a porta, ponderando longamente antes de abrir a boca.

- O Renaud está melhor. Se quer saber. - foi só o que disse, deixando-o livre para que seguisse o caminho dele.

[Thread encerrada]


Forum Jump:


Users browsing this thread:
[-]
Cerise News
Dia xx/xx/xxxx
População de Cerise come mais Patchdonald's que a média nacional de comedores de McDonald's, diz jornal Le Monde.

[-]
Birthdays
Today's Birthdays
No birthdays today.
Upcoming Birthdays
avatar (37)Skurai

[-]
Latest Threads
Trouble in Paradise [Carbella]
Last Post: Natalia
09-27-2023 04:34 PM
» Replies: 6
» Views: 28
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Last Post: Natalia
09-08-2023 11:08 PM
» Replies: 16
» Views: 42
Run Boy Run [Daniel]
Last Post: Qiang
09-07-2023 06:32 PM
» Replies: 6
» Views: 32

[-]
Recent Posts
Trouble in Paradise [Carbella]
Ao terminar de consu...Natalia — 04:34 PM
Trouble in Paradise [Carbella]
Carbella queria dize...Carbella — 10:02 PM
Julgando a vida alheia [Diodoro]
Voltou o olhar quase...Natalia — 11:08 PM