09-22-2021, 04:21 PM
Benjamin/Jaydee
Benjamin já não estava se sentindo muito bem naquela manhã, mas sabendo o namorado que tinha, ele transformaria a sua breve dor de cabeça e par de tosses numa infecção generalizada e lhe faria ficar em casa para tirar um dia de descanso. Mas ele já tinha passado por aquelas situações antes e sabia que não era motivo para ficar em casa, por isso, quando acordou naquela manhã de quinta-feira sentindo a cabeça pesar, só tomou um chá e teve um café da manhã rápido para poder ir para a academia até mesmo antes de Mathew, com o pretexto de que precisava colocar algumas notas e presenças dos alunos no sistema antes das aulas.
Mas a sua tentativa de melhorar antes mesmo do enfermeiro descobrir o seu estado não deu muito certo. Depois de falar tanto nas primeiras aulas, sentiu a cabeça pesar mais e o corpo cansado. Precisou de um copo de água constantemente ao seu lado nas últimas aulas da manhã, já que a garganta estava incomodando e acabou tossindo algumas vezes, chamando atenção de alguns dos alunos. Por sorte, não tinha a última aula do período da manhã, e ainda tinha o horário do almoço, então decidiu seguir até a enfermaria no prédio administrativo para se render a Mathew e confessar que não estava muito bem. Até o rosto estava um pouco corado e ele nem percebeu que estava com a temperatura um pouco alta também.
Chegou na enfermaria e deu um par de batidas na porta antes de entrar, procurando por Mathew.
- Mat? - chamou pelo enfermeiro, até esquecendo de ser mais formal e chamar por "Sr. Morrison" caso houvesse algum estudante por ali.
- Ele deu uma saída, posso ajud-Ahhhhhh! O professor de inglês, Benjamin, não é?!
Benjamin colocou os olhos no médico que tinha conhecido ainda no corredor com Mathew outro dia. Ele estava sentado à mesa com o computador, girando de um lado a outro na cadeira de rodas e os pés apoiados em cima da mesa. Usava roupas extremamente extravagantes, coloridas e com peças sobrepostas, e a única coisa normal da aparência dele era o jaleco com o sobrenome de Mathew no bolso. Ele praticamente pulou da cadeira, com um sorriso de orelha a orelha na direção do inglês, e Benjamin notou que ele estava com sapatos de cores diferentes e meias estampadas diferentes também.
- É... hm, o Mat está? - Benjamin perguntou, quando o homem se aproximou.
- Ele volta logo, você está se sentindo bem? Está com o rosto um pouco vermelho, se me dá licença... - Jaydee fez questão de levar uma mão à testa do inglês, que tossiu inconvenientemente logo em seguida.
- Estou... um pouco cansado. - Benjamin admitiu.
- Estou vendo. - Jaydee aproveitou para segurar o rosto do inglês entre as mãos e colar a testa à dele, o que fez com que o inglês arqueasse um pouco as sobrancelhas com a proximidade - Está com um pouco de febre, Benji, o que andou fazendo para se esforçar tanto?
Mathew
Não se preocupou em Benjamin ir na frente para o trabalho. Poderia encontrar com ele no almoço para passar o horário da refeição com o namorado. Sabia como ele levava o próprio trabalho bem a sério, da mesma forma que o inglês costumava cuidar de sua pessoa quando precisava estudar para algum simulado, se preparando para o vestibular pela bolsa de estudos na faculdade da capital francesa.
Infelizmente, os dias no trabalho não estavam ajudando na sua rotina de estudos, pois ao invés de aproveitar o tempo que não estava atendendo os alunos para estudar precisava lidar com o comportamento eloquente e aleatório de seu novo colega de trabalho. Estava começando a imaginar até quando suportaria a falta de respeito pelos protocolos de saúde e educação do sujeito de trajes sempre chamativos. Chegou a ter pesadelos em uma das noites da semana com lojas de departamento e uma possível saída com o sujeito que lhe obrigava a acompanhá-lo na jornada por um novo jaleco para ele que ao invés de branco mais parecia uma colcha de retalhos de vovó.
Saiu da enfermaria com a desculpa de ir ao banheiro, mas parou no trajeto para buscar um café, pensando melhor e acabando por conseguir um suco, julgando que seria mais saudável e queria cuidar melhor da própria saúde para não acabar se tornando algum tipo de problema para o namorado. Pensou melhor e acabou comprando mais uma caixinha para o colega de trabalho. Retornou para a enfermaria só depois de comprar outra terceira caixinha de suco, só que de maçã, pensando em oferecer para o namorado durante o almoço.
- Doutor Dean, eu trouxe um pouco de suco da máquina, o senho-
Parou ao ingressar na enfermaria, erguendo o olhar ao procurar pelo médico para encontrá-lo com a testa junta a de seu namorado enquanto o inglês estava vermelho. De queixo aberto, tentou processar a situação, mas não conseguiu controlar a própria boca:
- O que estão fazendo? - perguntou, o semblante tranquilo deixando seu rosto e sendo tomado por um ar mais sério. Sabia que Benjamin costumava sair com outros caras, mas aquilo havia ficado no passado, ou ao menos esperava que tivesse ficado. Mas então aquele médico estava tocando seu namorado com uma proximidade desnecessária mesmo para um profissional da saúde como ele.
Benjamin/Jaydee
Benjamin só franziu mais o cenho para a proximidade desnecessária dele ao colar a testa na sua, mas levou uma mão à boca para não acabar tossindo na cara do médico com pouca noção de espaço pessoal.
- Eu não fiz- ele nem terminou de falar, quando voltou a atenção para Mathew que tinha acabado de entrar na enfermaria, parecendo muito alarmado. - Mat...
- Kenny! Obrigado pelo suco, pode deixar aí, eu estava aqui atendendo o professor de inglês que não está se sentindo muito bem, acho que ele precisa de uns cuidados especiais. - Jaydee deu uns tapinhas nos ombros de Benjamin, segurando-o pelos ombros então para empurrá-lo na direção de uma das macas. - Então, Benji, o que mais estava sentindo?
- Não, eu queria... - Benjamin até tentou se virar para Mathew, mas o falatório de Jaydee só lhe deixou com mais dor de cabeça e ele levou uma das mãos a testa, acabando por sentar na maca. - Mat, eu vim falar com o Mat...
- Tá, tá, a gente fala com ele assim que cuidar de você, o que me diz? - Jaydee ainda insistiu no tratamento do outro, e Benjamin acabou só tossindo algumas vezes. - Então, o que está sentindo?
Mathew
Ficou sem palavras a priori diante do que estava assistindo na sua frente. Franziu o cenho com a ideia do médico estar dando “cuidados especiais” ao seu namorado, ainda mais usando aquele apelido ridículo de “Benji”. Deixou os sucos de lado na primeira mesa que encontrou e se dirigiu até Jaydee, aproximando-se o bastante para poder colocar a mão no peito do médico e afastá-lo de Benjamin, o semblante sério.
- Será que dá para você parar de ser tão invasivo com as pessoas? Ele já disse que veio me ver. - franziu o cenho, irritado com a lembrança da proximidade entre o sujeito novo e o inglês. - E tem mais de um termômetro aqui, que tal usar um deles antes de ficar encostando a sua cabeça nos outros?
Parecia que estava lidando com um de seus sobrinhos, e até se sentia brigando com um de seus sobrinhos. Jaydee usava roupas ridiculamente coloridas, falava sem pensar, não tinha noção real de espaço pessoal e não parecia sequer constrangido ao ser contrariado. Estava se arrependendo de ter algum dia cogitado a possibilidade de conseguir ser amigo daquele sujeito que só lhe fazia ter constantes dores de cabeça.
Benjamin/Jaydee
Jaydee não teve tempo de ouvir a resposta de Benjamin, quando Mathew se aproximou para empurrá-lo um tanto irritado pela invasão. O médico apenas riu e Benjamin sentia que a dor de cabeça estava ficando pior por causa da conversa excessiva, além de se sentir com o corpo muito quente também. O loiro levou a mão ao rosto e passou na testa, pressionando os olhos, notavelmente abatido.
- Desculpe por atrapalhar, eu só queria… um remédio pra dor de cabeça. - Benjamin adiantou, sentado na maca, tossindo mais algumas vezes, o que era muito inconveniente, já que aquilo só piorava a cabeça.
- Eu acho que precisa de mais do que um remédio pra dor de cabeça, Benji, por que não me deixa fazer um exame corporal completo?! - Jaydee sugeriu, pegando o estetoscópio que não serviria de nada senão lhe divertir e atormentar o enfermeiro. - Pode começar tirando a camisa! O que acha, Kenny? Eu te deixo colocar o supositório.
Mathew
Sentiu o sangue lhe subir à cabeça ao ouvir as provocações do médico. Como se aquilo não fosse o bastante, Benjamin estava de fato não se sentindo bem naquela situação e precisava de cuidados. Tomou o estetoscópio das mãos do médico e franziu o cenho, irritado.
- Eu acho que vou tapar sua boca com esparadrapo se não parar de gracinha e começar a fazer o seu trabalho direito, doutor! - tratar o sujeito como um “doutor” era extremamente humilhante para o enfermeiro. Não julgava que o sujeito fosse requer capaz de cuidar de seu namorado naquela situação, que diria exercer a profissão em toda a sua complexidade.
Ignorou o médico por um instante, buscando o próprio celular pela urgência da situação com Benjamin, aproximando-se do inglês para poder lhe segurar o queixo, sem forçar a mandíbula.
- Abra a boca, preciso ver se está com algum foco ou inflamação na garganta, Benjamin. Há quanto tempo está se sentindo mal? - perguntou, preocupado com a saúde do outro, mas ainda tenso pela irritação latente com o médico. Usaria a lanterna do próprio celular para verificar se havia alguma inflamação, irritação ou pior, foco de infecção.
Benjamin/Jaydee
Benjamin quase se assustou com a aproximação do médico para lhe fazer mais exames, mas foi Mathew que se colocou entre os dois e ameaçou tapar a boca dele com esparadrapos. Jaydee riu em resposta ao enfermeiro e levantou as mãos como na defensiva.
- Eu faço o meu trabalho direito, você que não tá deixando, Kenny. - ele respondeu, cruzando os braços e mantendo só um passo de distância de Benjamin enquanto observava os cuidados do enfermeiro com o namorado.
Benjamin acabou sorrindo da interação dos dois, mas nem terminou de sorrir, tossindo outras vezes de novo com a garganta doendo. Ele abriu a boca como o outro tinha pedido, mas bastou que Jaydee visse que o enfermeiro ia usar o celular, se adiantou para pegar a lanterna e acendeu, girando-a na direção de Mathew e Benjamin.
- Não é muito profissional usar a lanterna do celular, Kenny.
- Eu… acordei com dor de cabeça. A tosse veio mais depois das aulas… - Benjamin explicou, esfregando os olhos de novo com a dor incômoda.
- Tsc, tsc, tsc, já veio trabalhar desse jeito, é claro que ia piorar, Benji, não tem ninguém pra cuidar de você em casa? - a pergunta de Jaydee foi proposital para provocar Mathew. - Se fosse comigo, eu não te deixaria nem levantar da cama, é uma ofensa um homem como você doente de uma garganta inflamada.
Mathew
Ainda visivelmente irritado com a situação, pegou a lanterna das mãos do médico após guardar o celular de volta no bolso com a lanterna desligada. Segurou o rosto do namorado com cuidado e pediu mais uma vez que ele abrisse a boca. Ajustou os óculos antes de estreitar o olhar, constatando alguns pequenos focos de inflamação na garganta do homem. Como professor, ele deveria ter forçado ainda mais a garganta ao dar aula e aumentado o processo de inflamação.
Olhou para Jaydee com o cenho franzido com o comentário sobre o enfermeiro ficar e não ter saído naquele dia. Obviamente, se soubesse que o namorado estava naquela situação, não teria deixado que ele fosse trabalhar naquele dia, mas Benjamin havia saído antes de sua pessoa da casa em que moravam. Baixou o olhar por um instante, sentindo-se culpado por não ter percebido antes o estado do inglês.
- Respire fundo quando eu mandar, ok? - pediu a Benjamin, usando o estetoscópio da enfermaria e afastando o tecido da camisa do loiro sem sequer antes pedir permissão para puxar o tecido para cima. Encostou a parte metálica e fria do aparelho nas costas do namorado onde poderia ouvir os pulmões. - Respire fundo.
Ficou concentrado para ouvir se havia secreção nos pulmões ou algum chiado e logo que terminou de auscultar o inglês, arrumou a camisa dele, colocando-a no lugar.
- Vai precisar de um anti-inflamatório e analgésico agora. E um expectorante que vai tomar de doze em doze horas. - explicou a Benjamin, deixando o estetoscópio de lado. - Como não apresentou febre, deve estar no início do processo infeccioso. Vai precisar de alguns dias de atestado. Se for dar aulas, usar a sua voz pode retardar o processo de recuperação.
Informou ao namorado tentando ser o mais profissional possível. Logo em seguida, pediu licença, ainda visivelmente chateado com toda aquela situação. Contudo, precisava que ele tomasse o remédio e descansasse para que se sentisse melhor. O que mais lhe incomodava era a verdade por trás das palavras do médico. Deveria de fato ter percebido que o inglês não estava bem. Estava sendo displicente de novo. Como poderia dizer que se preocupava com ele quando não percebia sequer quando o homem estava ficando doente? Era uma vergonha ser alguém que sonhava em ser médico deixar o namorado adoecer daquela forma e ainda ir para o trabalho.
Benjamin/Jaydee
Benjamin ainda fez um aceno negativo com a cabeça para a acusação de Jaydee sobre ter sido melhor cuidado em casa. Ele mesmo que tinha fugido antes de se render à preocupação excessiva de Mathew, no fim das contas, que tinha fundamento naquele dia.
- Não é isso... foi minha culpa, eu que saí... cedo demais. - Benjamin respondeu, em curtos intervalos com uma tosse leve. Ele fez o que Mathew pediu e respirou fundo, mas não deixou de notar o olhar muito curioso do médico por cima do ombro de Mathew, principalmente quando ele afastou o tecido da sua camisa.
- Eu podia ter feito isso. E eu acho que seria melhor tirar a camisa, pra não atrapalhar demais, sabe? - Jaydee sugeriu, com um sorriso largo que certamente só irritaria Mathew, mas Benjamin não fez mais do que continuar seguindo as instruções do enfermeiro.
- Mas estamos no começo do ano letivo... - ele tossiu outra vez, sentindo o desconforto notável na garganta. - Não posso ficar sem dar aulas agora.
- Você sempre pode ficar mais doente e eu cuido de você quando vier pra enfermaria, Benji. - Jaydee sugeriu, as mãos enfiadas nos bolsos do jaleco, quando ele deu a volta em Mathew para se sentar ao lado de Benjamin na maca.
Mathew
Não conseguia esconder a própria expressão de desaprovação para o médico que insinuava que queria ver seu namorado sem camisa. Se afastou para buscar a medicação determinada e não conseguiu esconder o revirar de olhos quando o médico ainda arrumou aquele apelido ridículo para Benjamin. Retornou para perto da maca, arqueando uma sobrancelha diante da proximidade de Jaydee com Benjamin.
- Em uma semana, tomando o medicamento e repousando a garganta, você vai ficar melhor. Não pode deixar de dar aula por uma semana? - perguntou para Benjamin, ciente de como ele levava o próprio trabalho a sério. Estendeu os comprimidos para o loiro com um copo plástico com água.
Mathew arrumou o próprio par de óculos antes de cruzar os braços, voltando sua atenção para Jaydee como se ele fosse algum tipo de aluno adolescente rebelde de St. Clavier.
- Por que o senhor não vai assinar um atestado para o professor Vaughn, doutor? Preciso levar o documento na administração para que possam atualizar a disponibilidade dele no sistema de aulas durante esta semana. - voltou a atenção para o inglês, ainda de braços cruzados, o ar mais sério que de costume. - É melhor repousar na enfermaria até que o remédio faça efeito e a sua febre diminua.
Queria poder passar a mão na cabeça do namorado e demonstrar que tudo ficaria bem, que era só uma inflamação na garganta e que logo ele ficaria bom, mas ao mesmo tempo não queria dar nenhuma desculpa para que o médico fosse mais invasivo do que ele já estava sendo.
Benjamin/Jaydee
Jaydee só se divertiu com as reações exageradas de Mathew, mas Benjamin estava, de fato, se sentindo mal e incomodado, então ele só teve como rir do cuidado de Mathew e das ordens para que ele fosse fazer um atestado para o inglês.
- Tá bom, tá bom, vou fazer o atestado para o Benji. - Jaydee avisou, e no mesmo instante, foi Benjamin que estendeu a mão para segurar a roupa dele, o que lhe deixou bastante interessado. - Opa…? Posso te ajudar, Benji?
- Não precisa… de atestado. - Benjamin insistiu, tossindo algumas vezes, soltando a camisa de Jaydee. - Eu… vou tomar esse remédio e descansar um pouco aqui, vou estar melhor para as aulas da tarde, a febre já vai ter passado.
Jaydee deu uma boa olhada em Benjamin e depois olhou para o enfermeiro, cruzando os braços diante da atitude irresponsável do inglês, mas não era nenhuma novidade com a qual ele não estava acostumado.
- Então, Kenny? O que acha? Seu namorado aqui não parece uma pessoa muito sensata cuidando de si mesmo. Eu posso ficar de olho nele hoje, não se preocupe. - o médico sugeriu, com um sorriso divertido de orelha a orelha.
Mathew
Não podia acreditar no que estava ouvindo vindo de Benjamin. Se ele estava tendo um quadro de febre, já deveria estar se sentindo mal desde manhã cedo. Como enfermeiro, era uma vergonha que não tivesse percebido isso antes. Acompanhou com certo incômodo o gesto do inglês de pedir para que o médico não preparasse o tal atestado, segurando-o pelo jaleco que um dia havia sido seu. Ficou quieto enquanto Jaydee lhe sorria de forma divertida, encarando-o com certa seriedade.
- Tudo bem. Fique de olho nele, por favor, doutor. - usou de toda sua força de vontade para tentar se manter educado com o médico, sorrindo-lhe de volta com certo sarcasmo antes de se aproximar do homem, aproveitando que Benjamin ainda estava febril para prestar atenção no que dizia. - Olhe, se você fizer qualquer coisa enquanto ele está doente, eu juro que entro com um pedido de cassação do seu registro médico, doutor. - ameaçou, tendo um pequeno lapso de memória de um certo professor desagradável que havia tentado lhe abusar sexualmente quando começou a trabalhar ali.
Certo de que o homem não seria tão idiota em abusar de Benjamin logo depois de ter lhe alertado sobre sua própria desconfiança, afastou-se para sua própria mesa, pegando alguns papéis da gaveta com formato de documentos para registros das entratadas de pacientes na enfermaria. Arrumou a documentação rapidamente, acostumado com a democracia de St. Clavier, e pegou seu próprio telefone. Saiu da enfermaria para telefonar para a administração, informando a situação de Benjamin e explicando que ele não estaria em condições de saúde para dar aulas pela tarde. Solicitou que os alunos fossem informados pelo sistema da escola e retornou para a enfermaria para buscar por Jaydee.
- Doutor, pode vir aqui um segundo? - chamou pelo outro, esperando que Benjamin já estivesse descansando naquele momento. - Preciso que assine o documento de atestado do professor Vaughn, ele não tem condições de dar aulas hoje de tarde. Já informei a administração sobre o caso, mas preciso que assine o documento já que o profissional de maior título agora. - explicou, tentando se manter profissional frente ao médico.
Benjamin/Jaydee
Benjamin desistiu de continuar protestando ou falando com Mathew e Jaydee, ele estava com mais dor de cabeça e sentia o corpo mole, então só aproveitou para se deitar na maca disponível e fechar os olhos uns instantes, pelo menos diminuía a incidência da luz nos olhos e talvez melhorasse a sua dor de cabeça.
Mas Jaydee recebeu o aval de Mathew para cuidar de Benjamin e só sorriu mais satisfeito com a falta de escolha do enfermeiro, dando uns tapinhas no ombro dele, amigáveis, e antes que pudesse concordar, ele adicionou uma breve ameaça que fez com que Jaydee arqueasse as sobrancelhas, franzindo o cenho logo depois.
- Hmmmm, falando desse jeito, você está me lembrando alguém, Kenny... quem será? - Jaydee levou uma mão ao queixo, pensativo, e deu um tapa seguro nas costas do enfermeiro. - Pode deixar comigo que eu resolvo com o Benji, vai lá cuidar da parte chata.
Mathew foi tomar conta da documentação e fazer ligações para a administração. No meio tempo, Jaydee ainda se sentou na cadeira de rodinhas ao lado da maca de Benjamin, que com os olhos fechados para descansar, não tinha nem como ser atazanado. Mas Jaydee estava ocupado pesquisando coisas na internet, bem a tempo de Mathew voltar e lhe chamar enquanto ele estava muito focado no celular.
Jaydee não prestou muita atenção no que Mathew tinha pedido sobre o atestado, porque finalmente sorriu satisfeito ao achar o que estava procurando numa das imagens do google.
- ACHEI! Aqui! É você, Kenny!!! - ele mostrou uma imagem de um hamster com uma legenda que lia "Just wait... I will destroy you". - Você nunca me disse que era famoso, Kenny!
Mathew
Olhou para a imagem que o médico lhe apresentava com inicial surpresa, seguida de descrença e decepção. Não era possível que St. Clavier havia contratado algum tipo de gênio perturbado. Aquela instituição mais parecia um hospício aos seus olhos que de fato uma instituição de ensino. Encarou o médico e respirou fundo, buscando do fundo de seu ser o autocontrole para não dar um sermão nele por estar em navegação aleatória quando deveria estar cuidando de Benjamin. Contudo, pensou duas vezes, considerando que a ideia do médico cuidando de Benjamin lhe deixava mais de mau humor.
- Muito engraçado, doutor. - respondeu com um leve sarcasmo, apresentando o documento que havia separado para ele assinar. - Pode assinar aqui então o atestado do professor, por favor? Já está tudo registrado, o horário de atendimento, o nome e o número de registro do professor. Só preciso informar à Direção para que coloque o aviso online para os alunos, mas isso não demora. - cruzou os braços, esperando que o homem assinasse o documento. - Infelizmente, eu não posso mais assinar esses documentos, visto que o senhor agora é o responsável pelo setor.
Virou o rosto na direção para onde Benjamin deveria estar, e começou a pensar em como havia chegado naquele ponto. Esperava que pelo menos o namorado confiasse em sua pessoa para lhe falar quando não estava se sentindo muito bem. Ou talvez estivesse sendo alguém que exercia muita pressão sobre o inglês. Talvez pudesse dar mais espaço para o outro falar sobre seus problemas quando se sentisse mais confortável. A dúvida sobre seu relacionamento lhe deixava inquieto, mas Jaydee era a última pessoa naquela instituição, se não uma das últimas, com quem gostaria de ter uma conversa sobre esse assunto. Por isso, ficou calado.
Jaydee
Jaydee só continuou rolando os resultados de imagens com vários hamsters e legendas distintas, rendendo-se à risada enquanto mostrava mais deles para Mathew, praticamente ignorando as instruções dele sobre o procedimento convencional para que pudessem dar o atestado para o professor de inglês.
- É claro que você pode assinar, Kenny. É só imitar a minha assinatura, não é difícil, viu? - ele fez uma rúbrica bagunçada na folha que Mathew tinha lhe passado, sem nem ter lido alguma informação. - Mas o meu carimbo ainda é dos EUA, não tem problema, mas um dia eu arrumo um da França. Seu namorado inglês ainda está dormindo, mas ele está com o nariz entupido. Você devia cuidar melhor do seu namorado, Kenny, parece que ele vai ter uma noite difícil.
O médico deu uns tapinhas nas costas de Mathew antes de seguir na direção da maca em que Benjamin estava para colocar a mão na testa dele e medir a temperatura diretamente ao invés de só usar um termômetro. O professor de inglês continuou no sono incômodo mesmo com a aproximação.
- É, ele está com febre mesmo. - Jaydee apontou. - Eu vou buscar café, você quer café? Eu acho que a gente devia ter uma máquina de café aqui, é muito inconveniente ir buscar lá fora. - e sem nem esperar a resposta de Mathew, ele saiu da enfermaria conversando consigo mesmo sobre café.
Mathew
Encarou o médico com descrença. Não podia acreditar que ele estava falando tão abertamente sobre falsidade ideológica para que assinasse por ele como se de fato fosse o atual responsável pela enfermaria. Considerando sua própria realidade, não era uma mentira completa o fato de ainda ser o responsável ali, porque pelo visto o homem estava mais preocupado com as imagens engraçadas no próprio celular. Franziu o cenho quando o médico ainda fez questão de insinuar que não cuidava bem de Benjamin.
Acompanhou o outro em silêncio após guardar a documentação em uma pasta sobre sua própria mesa após tirar uma foto dos papéis para não correr o risco de ter de pedir ao homem para assinar de novo. Observou o toque alheio em Benjamin e entortou os lábios com a proximidade, esperando que ele fizesse alguma insinuação sacana para reclamar de novo.
- Não, obrig-
Mal teve tempo de responder quando o outro deixou a enfermaria. Respirou fundo, suspirando devagar antes de chegar mais perto de Benjamin, colocando a mão sobre a testa dele, afastando alguns dos fios mais claros. Em breve, o remédio para febre deveria começar a fazer efeito, até lá, Benjamin continuaria inquieto. Buscou o cobertor da maca para cobrir melhor o inglês, cuidando para que ele ficasse sem os sapatos e mais confortável. Puxou uma cadeira para se sentar ao lado da cama. Não precisava sair dali de qualquer modo, pelo menos até algum aluno precisar de sua atenção.
Benjamin
Benjamin não tinha entendido muito bem a situação na enfermaria e a postura do tal médico, mas Mathew não parecia gostar muito do homem. Exceto que ele se vestia de um jeito estranho, não parecia uma má pessoa. Mas o inglês não teve tempo de processar muito sobre o novo funcionário de St. Clavier devido ao próprio estado físico, só aceitou o descanso na enfermaria, mesmo que tivesse colocado na cabeça que precisava dar aula em um par de horas. Só que o descanso que ele achou que lhe ajudaria a se recuperar não ajudou muito e quando ele acordou, foi por causa de uma crise de tosse, sentindo o nariz congestionado e o corpo mole.
Ele se revirou na maca, para acordar e encarar Mathew sentado na cadeira ao seu lado. Até deu uma olhada ao redor, mas o médico estranho não estava por perto.
- Mat? - ele chamou a atenção do namorado, levantando-se para sentar na maca, o chamado acompanhado por mais uma tosse insistente. - Que horas são…? Perdi a aula?
Ele levou a mão até a cabeça, sentindo a dor intensa. Talvez não fosse uma boa ideia insistir em trabalhar naquele resto de dia, o que quer que tivesse, podia contaminar os alunos também.
Mathew
Percebeu o movimento inquieto de Benjamin e a tosse incômoda. Ajustou-se na cadeira, acompanhando o outro com o olhar, chegando até a esboçar um sorriso quando o outro perguntou sobre ter perdido a aula. Pelo menos ele ainda parecia saudável o bastante para se preocupar com o próprio trabalho. Levantou-se da cadeira, notando a mão dele na própria cabeça. Talvez fosse alguma sinusite, mas a tosse poderia indicar algum problema de garganta, ou até mesmo poderia ser um reflexo de uma sinusite.
- Não se preocupe com isso, já pedi para avisar aos seus alunos sobre sua situação. - informou ao inglês para que ele se acalmasse. Estendeu as mãos para o rosto do namorado e afastou a mão dele da testa, pressionando-lhe a região das têmporas. - Sente muita dor de cabeça ou tontura quando se levanta? Pode ser uma sinusite.
Afastou os cabelos claros do rosto dele e se afastou para poder pegar algumas vitaminas e água, assim como a máscara para nebulização.
- Vou falar com o doutor quando ele voltar para poder fazer os exames necessários. Você não costuma ficar mal assim. - comentou, oferecendo a bebida e o comprimido para o inglês. - Só vou esperar ele retornar e vou chamar um carro para irmos para casa. Onde deixou suas coisas? - perguntou, acreditando que cuidar de Benjamin era mais importante naquele momento que ficar na enfermaria. Poderia tirar as horas de trabalho depois ou ter a carga horária descontada de seu salário, não se incomodava com isso.
Benjamin
Benjamin ainda sentia o corpo quente e a cabeça dolorida, já tinha perdido tempo demais descansando na enfermaria mesmo, pelo menos Mathew tinha providenciado para avisar aos alunos que estava doente e precisava descansar. Não ia passar o resto do dia na enfermaria, então só pensou que seria uma boa ideia chamar um táxi de uma vez para ir para casa.
- Não sinto tontura, só dor de cabeça. - Benjamin respondeu, apreciando o toque alheio por um instante. Só quando Mathew voltou com o comprimido e a água foi que notou que o médico invasivo não estava mais na enfermaria. - Não precisa ir comigo, Mat, eu vou primeiro descansar, você pode esperar o horário encerrar. Além do mais… não pode deixar a enfermaria vazia, não é?
Ele tomou o comprimido e ajustou as roupas, procurando o celular nos bolsos, mas provavelmente tinha ficado junto com suas coisas na sala dos professores.
- Acho que deixei tudo na sala dos professores. Eu vou pegar as coisas e pedir um táxi para casa. - ele respondeu, levantando-se da maca para sair da enfermaria. - O médico novo é uma pessoa bem curiosa.
Mathew
Respirou fundo e segurou o namorado pelos ombros antes que ele saísse da sala. Encarou o inglês com certa seriedade e acabou suspirando resignado com a atitude alheia.
- Agora nós temos um médico aqui em St. Clavier. E você está doente. Eu vou deixar o novo médico tomando conta da enfermaria. Acredite, pelo currículo dele, ele é bem capaz de cuidar de alguém doente. E vou te levar para casa. - explicou pausadamente tentando fazer um pouco de juízo entrar na cabeça do inglês.
Afastou-se para pegar a própria cadeira mais confortável, virando-a para o inglês para que ele pudesse se acomodar ali enquanto pegava seu computador e pertences para voltarem para casa juntos. Não queria discutir com Benjamin, muito menos com ele naquele estado, mas estava fora de cogitação permitir que ele voltasse para casa sozinho e doente. Ainda não tinha certeza do que ele havia pego como doença, então imaginou que seria melhor levar alguns medicamentos da enfermaria para tosse e antipirético para o caso da febre retornar.
Esperaria o médico retornar para conversar com ele sobre sua ausência para cuidar do namorado. Só esperava que ele não fosse demorar muito. Precisava dar seu número para o homem no caso dele precisar de algum tipo de auxílio com a enfermaria e estar ausente dali. Sabia que naquele momento seu trabalho também deveria consistir em auxiliar o novo médico, mas julgava que cuidar de Benjamin era sua prioridade no momento.
Benjamin
Benjamin não teve escolha senão esperar que o tal médico retornasse para que eles pudessem voltar para casa. Acabou se sentando na cadeira que ele lhe ofereceu enquanto Mathew organizava as próprias coisas e precisava buscar as suas também na sala dos professores. Mas o tempo que esperaram pelo retorno do novo médico pareceu se estender demais, ou talvez Benjamin estivesse muito cansado, porque os minutos que se passaram pareceram uma eternidade, a ponto de alguns alunos aparecerem na enfermaria com queixas de dor de barriga ou dor de cabeça, e serem atendidos por Mathew.
O inglês resolveu se isolar numa das macas também para não atrapalhar o atendimento e nem passar o que quer que tivesse para os outros alunos, muito provavelmente era alguma gripe ou virose e era bom continuar descansando. Depois que o enfermeiro dispensou o segundo aluno com queixas de dor de barriga e ainda parou para atender um que tinha se machucado de uma queda na correria do ginásio para as salas de aula, Jaydee ainda não tinha retornado.
Depois que Mathew desinfetou os machucados e colocou os curativos para liberar o rapaz para o dormitório, Benjamin já estava se sentindo incomodado de novo com a cabeça pesada e a vontade de só deitar na própria cama. Ele se aproximou do enfermeiro depois daquela longa espera.
- Você tem muito trabalho aqui, Mat, e eu não sei porque o médico está demorando tanto. Acho melhor eu só ir para casa enquanto você termina as coisas aqui. Eu vou ficar bem.
Mathew
Estava começando a ficar irritado com a demora do médico que parecia não querer voltar para o trabalho. Contudo, estava acostumado com aquela rotina de trabalho e não se incomodava de continuar atendendo os alunos que chegavam. Passou a mão pelos cabelos, tentando manter a cabeça no lugar, apesar de ainda estar preocupado com o bem estar de Benjamin.
Voltou-se para o namorado quando ele parecia inquieto para ir logo para casa. Respirou fundo e se aproximou do inglês, estendendo as mãos para o rosto dele, os polegares acariciando as bochechas. Concordou com um breve aceno da cabeça. Ele descansaria melhor em casa que na enfermaria enquanto trabalhava.
- Tudo bem, eu vou chamar o táxi para você, Benjamin. - afastou os fios claros do rosto dele, o semblante ainda preocupado. - Eu vou voltar mais cedo para casa, prometo. Você pode me mandar uma mensagem quando chegar, por favor? - pediu ao outro, afastando-se para poder pegar os pertences do outro e o próprio celular para chamar o táxi. - Vou te acompanhar até a entrada, eu não vou sair ainda, então não se preocupe, se aparecer algum aluno, eu volto rápido. - explicou, evitando que ele se preocupasse com seu trabalho naquele momento. Queria poder ir com o loiro para casa, mas na ausência do médico, seria irresponsável de sua parte deixar a enfermaria fechada o resto da tarde. Quando acabasse seu horário de trabalho, poderia voltar correndo para casa e cuidar de Benjamin como gostaria.
Benjamin
Benjamin só aceitou os cuidados de Mathew e ficou mais satisfeito que ele aceitou lhe chamar um táxi para voltar para casa primeiro. Bem queria só chegar no seu quarto e dormir um pouco mais para ter mais disposição. Mathew também certamente não demoraria para chegar em casa, então seria bem cuidado, o que era uma novidade interessante para o inglês que estava bem acostumado a se cuidar sozinho quando estava doente. Agora que estava se acostumando com o relacionamento com Mathew, aquele quadro lhe deixava sentindo falta da presença alheia e dos cuidados exagerados, mais do que gostaria de admitir.
- Eu aviso quando chegar. - Benjamin concordou, abafando uma tosse insistente que só fazia a cabeça doer mais.
Ele só concordou com um aceno de cabeça sobre ser acompanhado até a saída e que Mathew voltaria rápido se tivesse algum aluno doente ou machucado. Até o táxi chegar e eles saírem do anexo administrativo para que Benjamin pegasse o táxi, o tal médico não tinha retornado à enfermaria. O inglês só parou antes de entrar no táxi e segurou a mão de Mathew, puxando-o para perto para aproximar o rosto do dele e encostar os lábios na bochecha do namorado.
- Volte logo pra casa. Perdi o costume de ficar sozinho, é culpa sua. - ele pediu num fio de voz, antes de entrar no táxi para seguir o caminho.
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