09-27-2021, 01:35 PM
Boyd
A vida estava corrida nos últimos dias. Após a chegada calorosa e as descobertas nada apropriadas da residência das companheiras de trabalho, meio que à contragosto Leona “convidou” Boyd para participar do grupo de investigação, pode-se chamar assim, para encontrar Kyle Baile, um ex SEAL, supostamente morto, que apareceu para turistar na cidade e matar algumas pessoas. Veja bem, é muito comum os EUA vacilarem com os veteranos de guerra, mas geralmente os vacilos não envolvem problemas de nível internacional. Toda essa investigação sofria de um sério problema, que era o objeto de investigação está morto. Fica difícil pedir reforços, aumento de investimento em segurança, ajuda do governo estrangeiro, tudo isso para pegar um defunto, e isso era o que Leona enfrentava agora.
Não fosse o bastante, o chefe da polícia local era um puta preguiçoso, ele preferia tapar os olhos do que enxergar uma ameaça do nível que aparecia naquele muquifo de cidade. Toda essa pressão e trabalho excessivo, fazia o texano imaginar se a oficial Blanche era loira mesmo ou se o cabelo perdeu a cor devido ao stress de trabalhar em meio a um monte de incompetentes. Como não tinha mais o que fazer, o cowboy constantemente fazia infinitas horas extras, revendo os pequenos delitos mal resolvidos, apreendendo drogas, dando tapa em delinquentes, coisas divertidas do gênero. A coisa mais comum era ficar na delegacia e dormir lá, fazendo com que conhecesse a rotina da delegacia. Leona era a primeira a chegar e a última a sair. Ela podia ser um saco, mal humorada, mas ela trabalhava duro, mais do que qualquer um, até ele mesmo.
A relação entre os americanos da delegacia era estranha, ela constantemente reclamava dele usar a delegacia como hotel, ele dizia que aquela noite na casa dela deixou ela muito preocupada com seu bem estar e isso era bonitinho. O acontecimento seguinte era variável, as vezes ela grunhia algo inumano e saia, as vezes ela parava para bater boca por mais tempo do que desejava, mas a convivência tornou-se algo até divertido. O único momento mais tenso foi o que ele considerava o trote do local, que foi quando Leona após a briga matinal corriqueira, perguntou se ele tinha tomado café, até oferecendo-se para fazer algum na cafeteira. Ora, é impossível alguém errar isso, certo?! Errado. Impressionante foi o momento da degustação, onde ele, que jamais havia provado formol do necrotério após utilizado num defunto, mas tinha certeza que o gosto era igual. Mas aquilo foi uma ótima lição, jamais confie que algo é à prova de falhas.
Toda essa rotina de ver que o texano estava sempre trabalhando, deve ter sido o indicativo que ele era confiável para auxiliá-la numa tarefa importante como aquela, que era achar um cara, altamente treinado, sem o aparato tecnológico nem pessoal, numa cidade labiríntica. E o pior era saber que ele parecia estar sempre um passo à frente da polícia. Mas também, com os representantes do departamento, isso não era lá uma grande surpresa.
As coisas realmente impressionantes relacionadas ao departamento, começaram a se mostrar com o aparecimento das necessidades no processo investigativo. Um dos cachorros da polícia foi subtraído do prédio e os restos mortais foram encontrados na cama do psicólogo de St. Clavier, Aleksei Dimitri Vlahos, alvo da obsessão desse psicopata procurado. Nesse caso, a polícia sabe exatamente o que fazer, com as medidas forenses para não danificar evidências, certo?! Assim como no caso da cafeteira, errado. Os imbecis do departamento esculhambaram a cena do crime, contaminaram toda, impressionante. Se os pivetes da academia fossem colocados para cuidar da cena, dificilmente fariam tanta porcaria como os oficiais. Dessa forma, Boyd percebeu que somente três pessoas nesse departamento eram aptas, além de preparadas para pegar esse cara, ele, Leona e Carissa.
Com os constantes avisos de Boyd que já estava passada a hora de chutar algumas portas, geralmente respondidos por Leona que os trâmites legais tinham que ser seguidos, a resposta dela mudou recentemente. Motivo? Informações sobre um psicopata solto na cidade, armado, treinado e perigoso vazaram para a mídia. Claramente, uma informação dessas não seria um vazamento do próprio departamento, certo?! Errado de novo. Os animais, tentando mostrar que tinham o pau maior que Leona, vazaram para pedir o apoio da população para um disque denúncia. Ora, quando você precisa de uma velha de 90 anos ligar para realizar o seu trabalho, você é realmente uma desgraça. Com isso, os ânimos ficaram exaltados e o inferno de filtro dos trotes e informações úteis começou. Pobre Carissa.
Das informações variadas e inúteis, somente o horário mais comum que supostamente Kyle era visto era mais comum. Muito comumente de noite, andando à esmo em Rouge, Pourpre, L’Encre, Gris provavelmente ninguém faria denúncia. Nada que já não fosse imaginado, faltava gente para patrulhar, só isso. Mas os animais imaginaram que isso faria o trabalho mais fácil, que perfilar é coisa de adivinho. Ignorantes. Pode ser estranho, mas passa longe de ser esoterismo. Funciona, não é o método do texano, mas funciona. Levando isso em conta, decidiu andar à paisana entre o distrito residencial, com uma garrafa de whisky exposta, claramente cometendo uma infração. Passava entre as ruas das residências, atento aos movimentos, quando algo que parecia um pé, deitado, próximo de alguns entulhos. Ao se aproximar, mão próxima à pistola, finalmente algo mais chamativo veio aos seus sentidos, um cheiro muito comum ao seu nariz, cheiro de morte.
Sua experiência no combate à cartéis fez com que, mais do que gostaria, encontrasse corpos em decomposição. Era comum corpos mutilados, faltando pedaços, inclusive faltando cabeças, mas isso era algo que mexia com seus sentimentos. Era o corpo de uma criança. Nitidamente mutilada e espancada, faltando os olhos, se decompondo, exposto para quem quisesse ver, provavelmente o corpo foi mantido em um local isolado, improvável passar esse tempo todo caído aí sem ser notado. Os sinais mostravam um exagero na morte, claramente algo passional. Os olhos mostravam um dos traços que ligavam a Kyle, mas o desleixo que mostrava uma ligação negativa com a vítima era algo fora do perfil do assassino. Tudo isso estava no perfil traçado por Leona, com os levantamentos e pesquisas, então era claro que perfilar não era adivinhação. A incoerência era o crime ser passional e o corpo ser deixado como se não fosse nada, sem sinais de remorso, era sentimento demais na execução e sentimento de menos no despejo, provavelmente Kyle estava envolvido, mas não era só ele. Boyd podia ser avesso à burocracia, mas tinha ótimos instintos e era um ótimo detetive, quando se dispunha a colocar a cabeça para funcionar, suas habilidades como pistoleiro eram mais afiadas, mas a cabeça não servia só para segurar o chapéu.
Como pai de uma garota pequena, aquela cena trouxe um ódio crescente em seu peito. Uma raiva quase que incontrolável. Não importa o que acontecesse agora, esse cara não seria mais preso, Boyd iria pessoalmente mandá-lo para o inferno e fazer esse favor para o Tio Sam. Após algumas longas respiradas para recuperar-se da cólera, pegou o telefone e solicitou uma equipe completa de legistas, reforços para isolar a área e esbravejou que os imbecis viessem preparados para fazer seu trabalho direito, pois incompetências não seriam mais toleradas. Só faltava uma pessoa para ser chamada, pegando o telefone do bolso, efetuou a chamada para ela. Não sendo atendido, ligou para Carissa, que dividia o apartamento com ela e dado o horário, estaria acordada.
- Alô, Carissa, pode chamar a Leona, por favor, ela não ta atendendo minhas ligações. Ok, eu espero, obrigado. - após algum tempo esperando, finalmente ela atendeu - Leona, encontrei um corpo aqui no meio do distrito residencial, vou te passar a localidade exata. Traga luvas e material de perícia extra pra mim, prepare o estômago também, é uma criança... – a pausa para não perder o controle novamente para a raiva – e está feio.
Leona
Como se estivesse presa em um ciclo infinito de problemas e portas fechadas, o trabalho na delegacia seguia cada vez mais intenso. A loira estava acostumada ao trabalho incessante quando ainda estava no departamento do FBI, no entanto, estar cercada de oficiais competentes e de um sistema policial do qual tinha crescido dentro e conhecia muito bem, lhe dava segurança. A situação era completamente desfavorável para si, estava em uma delegacia pequena, pouco aparelhada, e com pouca autonomia para agir, estava cercada de pessoas desinteressadas e com pouca fé no próprio trabalho, exceto alguns poucos oficiais, que diga-se de passagem estavam tão sobrecarregados quanto ela. Todo dia, era um dia onde recebia muita informação, para encaixar no grande quebra cabeça que estava a investigação acerca do ex SEAL Kyle Baile. E por mais que fosse uma excelente profissional, tinha um limite de o quanto conseguia fazer e agir, sem ter acessos a determinadas áreas da cidade, ou a reforço no corpo policial para dar conta das áreas que precisavam ser investigadas.
E como se não fosse suficiente, o sujeito sabia como agir, e ia deliberadamente fechando o cerco, atormentando mais seu objeto de obsessão, provocando a polícia a ponto dela cometer erros primários, e parecia que tudo seguia conforme o psicótico queria. Por sorte, ou talvez por conveniência ele não tinha matado ninguém em Cerise ainda, e isso indicava que ele ainda tinha algum receio de agir de forma tão livre dentro da cidade. No entanto, sequestrar e matar um cão da polícia, já indicava que os níveis de ansiedade do psicótico estavam altos, e que logo, ele passaria daquele segundo estágio de perseguição, para o terceiro, onde ele passaria a matar outras pessoas para aliviar a vontade de matar seu próprio objeto de obsessão.
E foi sem surpresa com que Leona atendeu a ligação do oficial Garret naquela madrugada diante da notícia do mesmo ter encontrado um corpo: -- Estou a caminho. – foi o que a loira respondeu simplesmente, sabendo que havia uma série de procedimentos a seguir. A loira se vestiu rapidamente com roupas adequadas para missão em campo, e levou equipamento necessário para tal. Havia certa inquietação em Leona, já tinha visto corpos de crianças antes durante algumas investigações pontuais, mas não faziam parte de sua rotina, afinal, a loira não trabalhava na seção de casos especiais. Mas diferente de outras vezes, aquela sensação desgostosa se instaurava em si, talvez porque agora fosse mãe de uma criança e isso lhe deixasse apreensiva.
Não demorou para chegar ao local, pondo o par de luvas plásticas antes mesmo de entrar na cena do crime, e levando consigo o que o outro tinha lhe requisitado também. Se aproximou a área já fechada no perímetro de investigação marcado com as faixas amarelas, as áreas de contenção para afastar possíveis curiosos. Não demorou para avistar o oficial Garret, e se aproximou e estendeu o par de luvas na direção do outro: -- Está meio distante da sua casa, e fora do seu horário de ronda, mas está bem no meio da nossa área de investigação. —Se referiu ao ponto onde estavam, bem entre as áreas que precisavam cobrir onde o seu alvo já tinha sido visto diversas vezes. Não demorou para avistar o corpo que estava sendo devidamente fotografado, e ao observar o mesmo com maior atenção a expressão de Leona mudou, os olhos claros fixaram na imagem da garota de cabelos loiros longos, agora sujos de lama, o corpo todo espancando, mas as proporções batiam, e o rosto, apesar de deformado e parcialmente deteriorado, mesmo sem os olhos, ainda era reconhecível para a memória da oficial. A pausa na fala de Leona junto a expressão delatavam que ela já tinha reconhecido o corpo, e a confirmação veio na voz mais séria e pesada da loira ao dizer o nome da criança:
-- Adelaide Laurent…
Boyd
Boyd deu de ombros ao ouvir o comentário sobre a localização dele, nada precisava ser dito sobre aquilo. O trabalho precisava ser feito, era algo importante demais para se deixar passar ou ser relapso. Enquanto a maior parte dos oficiais do distrito estava ocupado demais cheirando os rabos uns dos outros, essa ameaça passeava pela cidade como se fosse o dono dela, isso deixava o texano doente. Ele tinha chegado nessa cidade, então jamais deixaria um criminoso brincar e fazer o que quisesse debaixo de seu nariz, o criminoso mandado para o hospital era um ótimo cartão de visitas.
O que se seguiu, ao ver a reação de Leona mudar quase que imediatamente ao ver a criança, foi uma experiência nova. A loira geralmente demonstrava claramente suas emoções, geralmente raiva ou descontentamento com as ações dos outros. Essa expressão mostrada por ela era nova, algo que ele jamais tinha visto. Não tinha tempo de convivência o suficiente para passar por uma situação onde ela mostrasse algo mais humano, algo além da máquina que ela quer que as pessoas acreditem que ela é. Em seguida, ao citar o nome da garota, Boyd ficou surpreso, mas na verdade nem deveria. Claro que ela sabia de quem se tratava a criança, a memória dela era algo impecável. O pior tipo de pessoa para se ter um relacionamento, teria disponível para um relatório a quantidade de vezes que você deixou a caixa de leite na porta da geladeira, a quantidade de vezes que você franziu o cenho ao saber que a mãe dela viria jantar e coisas do gênero. A loira vivia de tromba o tempo todo, o que só mostrava que Agatha Cristie estava certa, os elefantes não esquecem. Esse último pensamento, caso fosse um criminoso qualquer, seria externado. Não com uma criança inocente morta, nem mesmo seu humor corriqueiro sairia agora.
- Certamente você viu o mesmo que eu, emoção demais, emoção de menos. Kyle certamente deve estar envolvido, mas não creio que fez isso diretamente. O vazamento para a imprensa não falava nada sobre os olhos, não tem como ser um copycat.
A contagem de corpos finalmente tinha começado, estava aberta a temporada de caça. Com aval ou sem, já não havia mais tempo a perder com burocracia. Infelizmente, ou não, as pessoas da delegacia finalmente iam saber o motivo dele ter sido mandado para um lugar mais pacato. Pela pouca convivência, bem como pela estima construída nos dias que se passaram, ele ao menos daria um aviso a Leona, agora era pedir perdão, não mais permissão.
- Esse cara conhece a cidade, conhece o departamento e conhece os métodos padrões. Trabalhar normalmente não vai funcionar para pegá-lo. Eu vou caçar esse bastardo como o animal que ele é, meu único arrependimento é que eu só vou poder matá-lo uma vez.
Leona
A oficial tinha um bom autocontrole e alguns bons anos de profissão nas costas o suficiente para manter a expressão mais focada e guardar todas as repercussões emocionais que ver aquela cena lhe causava. Talvez por fazer já alguns anos desde o último caso que envolvia crianças, ou por agora ser mãe de uma criança um pouco mais nova do que a vítima, aquilo atingia Leona como uma machadada no meio do peito. Obviamente o que não ficou evidente na expressão da oficial ficou na mão fechada firmemente ao lado do corpo como se aquilo fosse o máximo que podia externar dentro da situação de trabalho.
Sua mente organizava todas as informações visuais relevantes, e sabia que por não ter os olhos aquilo ligava o caso ao Kyle, no entanto, o estado em que o corpo se encontrava, mostrava o nível de espancamento que demonstrava sentimentos demais para o psicótico descrito nas anotações e observações de Aleksei. Como se fosse capaz de ler seus pensamentos, o oficial Garrett começou a expor seus apontamentos sobre o caso, e com mais tempo para avaliar a cena, ele já tinha colocado os pontos nos “í” sobre as incoerências da morte daquela criança. A loira acenou positivamente concordando com as observações feitas: -- é impossível ser um copycat. E sim, a única coisa que é “assinatura” do nosso alvo são os olhos faltantes, todo o resto é de autoria de outra pessoa. Mas quem? -- Os legistas confirmariam muito provavelmente que os olhos tinham sido arrancados após a morte da criança, logo, o assassinato da mesma, não teria sido feito pelas mãos do próprio Kyle, no entanto, todo o resto da cena podia ter sido orquestrado pelo psicótico. Aquilo lhe dava margem para acreditar no nível de persuasão que o homem poderia ter, mas ele teria de ter encontrado alguém ou muito sugestionável, mas isso lhe deixaria com problemas para que a pessoa tivesse coragem para a execução. Ou talvez outro doente mental? mas para ter acesso a pessoa, ele teria de saber qual o tipo de doença mental, e ter conhecimento de caso, pelo menos a nível de um psiquiatra, para saber como acessar e como lidar com o tipo de doente e como sugestiona-lo. Ou quem sabe, alguém que tivesse rancor da pequena Adelaide, mas o quê uma criança de oito anos poderia ter feito de tão imperdoável para que alguém a quisesse morta?
Obviamente sua linha de raciocínio foi interrompida diante dos comentários de Boyd, que estava lhe avisando com todas as letras que iria quebrar as indicações do que um bom oficial tinha de fazer no exercício de sua função. Bem, no momento, Leona estava precisando de outro tipo de “bom oficial” um que pudesse ajudá-la a solucionar aquele caso, e se era necessário ir pela tangente, então que assim fosse. Leona observou Boyd longamente enquanto ele falava, o encarando nos olhos, e depois estreitou os mesmos, fechando em seguida e respirando fundo, acenando positivamente ao que ele tinha dito:
-- Adelaide Laurent, é filha única de Juliette Laurent, a criança estava sob a guarda de Anabelle Dupont, dona do restaurante Sauté. A criança foi dada como desaparecida há dois dias, após sair da escolinha, a cuidadora chegou além do horário de buscar a criança e a mesma já tinha saído na companhia de outra pessoa, estava desaparecida desde então. Existe um investigação corrente sobre a mãe da criança, no dia 23 de Fevereiro ela deu queixa de incêndio criminoso em sua fazenda de flores nos limites da cidade, e em seguida, sumiu da cidade, sem deixar qualquer registro. Após laudo dos bombeiros, observou-se que o incêndio realmente foi criminoso, mas não bate com nenhuma assinatura de gangues da cidade, não existe registro de qualquer envolvimento ilícito de Juliette com nenhum grupo criminoso também, que indicasse vingança, e o incêndio foi em proporções maiores do que seria ligado a simples “vandalismo”. Os únicos vínculos dela eram com a floricultura e o SPA que tem em sociedade com Madame Dupond. Ela é procurada apenas por uma queixa de abandono de menor, feita por mim. -- Leona respirou fundo, reorganizando as informações que eram mais relevantes acerca da criança, e do caso da mãe dela, além dos demais pontos que seriam importantes falar para o oficial: -- O caso de Julliette Laurent está no arquivo, na seção xxx, caso n° xxxx-x, vai precisar ser reavaliado agora que a criança foi encontrada, para saber se tem alguma indicação que leve a alguém que tivesse ódio dela, a ponto de poder descontar na filha da mulher.
Leona fez uma pausa breve, novamente tomando um pouco de fôlego, e pegando o telefone e puxando o atalho da central, mas não sem antes voltar a falar com Boyd ao seu lado: -- Eu vou tomar conta da delegacia e vou falar com a cuidadora da criança. O senhor, oficial Garret, têm o restante do dia para tratar dos assuntos que forem relevantes a investigação em campo. -- Com isso a loira estava apenas afirmando que o outro tinha carta branca dela para ir investigar onde fosse, iria cobrir as costas dele da burocracia e dos inquéritos até onde conseguisse. Afinal, por mais que desgostasse de quebrar leis, queria ver o desgraçado do Kyle morto, tanto quanto o próprio Boyd, e se o oficial estava se propondo a fazer o serviço sujo de rua, o mínimo que a loira podia fazer, era assumir a culpa como responsável por todos os atos dos policiais envolvidos no caso que ela estava a frente.
Boyd
Era uma quantidade de informações realmente impressionante para se puxar da memória, a raiva que sentia dificultou um pouco, mas conseguiu se concentrar o suficiente para acompanhar as informações. O problema era outro, essas informações trouxeram mais perguntas à cabeça do texano. Ninguém tão limpo, com moral tão ilibada fugiria às pressas dessa forma, ainda por cima deixando uma criança para trás. Os indícios falados, afastavam a parte de uma eventual vingança com relações ao incêndio e a garota, quem quer que estivesse disposto a incendiar uma fazenda, não deixaria se passar uma quantidade grande de tempo antes de pegar a criança. O tempo entre a denúncia e a fuga também era suspeito, era provavelmente de algo que representava um perigo, mas não o suficiente para ameaçar sua filha. O melhor palpite, alguma ilegalidade estava para ser descoberta e ela fugiu antes de ser presa. O incêndio foi utilizado como queima de evidências, afora um possível seguro que ela tivesse para receber da fazenda, mas isso teria que ser analisado nos arquivos do caso.
- Ninguém tão exemplar foge assim, afora que alguém disposto a tocar fogo numa fazenda não esperaria tanto para pegar a menina. – Boyd fez uma pausa para organizar as ideias relacionadas aos casos que conhecia de incêndios em laboratórios, não era um especialista no assunto, mas já tinha visto vários imbecis morrerem queimados cozinhando. – Esse incêndio é bem providencial, certamente foi criminoso, mas o tamanho que ele tomou pode ser devido aos materiais usados para produção de alguma droga. Se a análise dos bombeiros foi só sobre ter sido usado um acelerador, foi superficial. Eu não vi os arquivos do caso, nem sou especialista em química, mas um incendiário criminoso não usaria a mesma coisa que um produtor de narcóticos para o crime. Se procurarem algum elemento estranho, tenho um palpite que vão encontrar.
Mas esse caso era secundário, no momento a preocupação do departamento era Kyle, que se mostrava confiante o suficiente para andar na área residencial, e caso fosse confirmado que ele esteve envolvido no rapto da criança, numa área escolar e ainda por cima durante o dia. Mas essa confiança que ele adquiriu, poderia ser justamente o que derrubaria o ex SEAL. Para raptar uma criança, ele precisaria de um veículo, bem como essa criança não foi escolhida aleatoriamente, então precisaria de uma vigília, mesmo que pequena para saber a rotina. Câmeras podem ter pego esse veículo que ele usou, mesmo que ele tenha usado uma placa fria, numa cidade desse tamanho, Boyd acharia facilmente quem fabricou a placa, afinal ele não traria uma placa dessas na mala. Com isso, Kyle precisava de contatos na cidade, ele certamente era um cara persuasivo e boa praça, mas o texano também sabia ser, um aperto do jeito certo fazia qualquer vagabundo cantar.
- Eu vou continuar meu passeio, tenho alguns lugares para visitar, volto para delegacia quando descobrir alguma coisa interessante. Quando precisar de alguns suprimentos também, tipo aquelas batatinhas da máquina, eu adoro o que uma automática pode oferecer.
Era chegada a hora de recolher informações. Um dos lugares mais propícios para iniciar era no estabelecimento de Lilú, o Corde Liers Club. Muitas pessoas passavam lá, muitas confissões eram feitas, lá era um lugar estratégico. Em seguida, dependendo do que conseguisse lá, voltaria para a delegacia e pegaria munição. Os criminosos dessa cidade estariam prestes a se tornarem cidadãos preocupados, cheios de boa vontade para oferecer Kyle para a polícia. Um bom empresário não deixaria seu negócio ser atrapalhado pela polícia, ainda mais por causa de um puto estrangeiro que veio só para bagunçar.
Leona
/LilúCertamente não estava enganada de imaginar que oficial Garret era mais habilidoso do que as piadas ruins dele mostravam. Ele tinha muita experiência em campo, mas também tinha raciocínio de investigador, o que era bom, considerando que já pensava por muitas pessoas, podia deixar que o oficial tomasse conta de si mesmo, e tomasse suas próprias conclusões, era um estresse a menos para administrar:
-- Eu também considerei tudo suspeito, como fui eu que pedi os laudos dos bombeiros, pedi que fossem recolhidas amostras duplicadas, a que foi pra análise superficial e a segunda para o arquivo caso fosse necessário, retomar o caso já que ele estava inconclusivo. -- em seguida Leona ligou para central, e indicou mais detalhes do que queria que fosse feito, enquanto o corpo estava sendo recolhido. Sabia que não podia despachar ele direto para o legista sem autorização dos responsáveis, mas sinceramente, tinha urgência de saber o que foi feito, para traçar o perfil do segundo assassino, e isso seria mais um processo pra sua conta. Desligou o aparelho para tornar a dar atenção ao oficial Garret que já estava anunciando a própria saída: -- Você vai precisar de boas informações pra requerer a reabertura desse caso, eu posso adiantar a justificativa de ligação da morte da criança com o nosso alvo, pela assinatura, mas não tenho como ligar a motivação do segundo assassino com o caso da mãe dele, a menos que seja achado alguma evidência importante. -- Leona observou longamente enquanto ele se afastava: -- vou estar lá na delegacia quando você voltar, e as suas batatinhas também. -- dito isto, a loira se encaminhou para os peritos que fotografavam a cena, indicando outras questões que precisavam ser fotografadas.
A medida que a madrugada avançava, a noite começava a ser deixada de lado, e aos poucos o céu começava a assumir um tom roxo azulado, o que normalmente queria dizer para todos os trabalhadores noturnos que seu turno estava prestes a acabar. Lilú estava terminando de por a casa em ordem, as meninas estavam despachando os últimos clientes íntimos, enquanto a dona do Corde Liers Club, se livrava dos últimos clientes do bar, que já estavam todos muito bêbados para voltar para casa de pé pelas ruas cerisienses e assistiu o taxi seguir caminho, parecendo um pequeno carro de palhaço.
Estava usando um vestido roxo brilhante, que mesmo naquela pouca luminosidade, marcava bem as curvas da mulher. E claro, aquela hora da madrugada, era estranho ver gente se encaminhando naquela rua em direção ao seu bar, e a loira estreitou os olhos para averiguar quem estava dando o ar da graça tão perto do horário de fechar:
-- Vejam só quem está de volta! Olá meu Cowboy favorito! -- a loira jogou os fios sobre o ombro de um jeito charmoso, enquanto lançava um sorriso travesso para o novo visitante: -- Estamos fechando, então eu sei que seu fuso-horário pode estar com problemas de adaptação ainda, mas aqui não é pousada pra dormir depois de uma noite de farra. Principalmente uma noite de farra que não foi no meu bar. -- Lilú pontuou, com seu jeito brincalhão, apenas esperando pra saber que tipo de novidades seu mais novo amigo estava lhe trazendo aquela hora da madrugada.
Boyd
Em qualquer outro dia, Boyd acharia o ritual de convencimento para entrar após o horário de encerramento das atividades interessante, mas não era este o caso. Era certamente uma visão interessante, sua anfitriã, num vestido brilhoso e justo que enganava os sentidos, não demonstrando certeza das dimensões da moça até estar muito perto. Para alguém de vontade fraca, a proximidade suficiente para compreender todas as suas curvas era uma distância perigosa, um caminho tortuoso e sem volta. Poderia percorrer essa estrada quando tudo isso tivesse acabado e pudesse dormir em paz, paz de algumas horas, até mais algum imbecil cometer um crime e precisar ser devidamente educado.
Lilú como sempre estava sendo simpática, fazia parte do trabalho dela, e notoriamente ela fazia isso muito bem. O texano aproximou-se, ainda com a garrafa de whisky na mão, entendendo a questão levantada sobre farras em outros lugares. – A pessoa que vem até aqui para dormir, tendo tantas outras coisas interessantes para fazer, certamente deixou de viver a muito tempo. – Permitiu-se um pouco de humor, tentando manter seu ar de sempre, mas era mais do que claro o esforço para colocar a irreverência na fala, até algumas horas atrás, fluida. – Preciso entrar e conversar com você, Lilú, não viria te encher se não fosse importante.
Estava mostrando a importância do assunto, bem como a importância dela para iniciar o diálogo. Ele estava a muito tempo em campo, esteve em inúmeros interrogatórios, alguns deles não dava pra usar violência, o que era uma pena, tornava tudo mais devagar. Sabia muito bem algumas técnicas para não ser usado e sair de mãos abanando, ora, ela era uma fonte muito valiosa de informações, seria muita idiotice dele imaginar que só ele a buscaria para descobrir coisas de seu interesse. Teria que ser cauteloso com toda essa simpatia, se fornecesse mais coisas do que conseguisse, teria somente perdido tempo, afora o certificado de incompetência.
Kyle era cauteloso demais, dificilmente ela saberia onde ele está, e mesmo que soubesse, dificilmente Boyd teria algo bom o suficiente que pagasse uma informação tão valiosa. Já não era mais segredo para ninguém o quão problemático era seu alvo, e sua vida só não se tornou um inferno pior de informações desencontradas pela ajuda de Carissa e por não ter aparecido alguém rico, influente e desocupado o suficiente para oferecer uma recompensa a quem der informações que levassem ao paradeiro do sujeito.
Lilú
A loira certamente não tinha habilidades sobrenaturais de adivinhação, mas era fácil notar que tinha alguma coisa incomodando o cowboy sempre engraçadinho. E dado o que estava acontecendo na cidade nos últimos dias, até estranhava que o humor do americano só tinha sido afetado agora. Isso significava no mínimo que algo bem pior, acima das expectativas para o jovem policial que estava bem acostumado a essa vida de lidar com quem não prestava. A loira não mudou de expressão, oferecendo seu sorriso de sempre para o moreno mais novo:
-- Entre, você sabe que eu sou especialista em quebrar galhos, ou derrubar árvores inteiras a depender do que for necessário. -- brincou, dando espaço para o mais alto entrar, fechando a porta do bar em seguida. Dentro os funcionários arrumando cadeiras e limpando balcão, alguns até cumprimentaram o cowboy de outras vindas dele ao local:
-- Meninos e Meninas, fechamos por hoje, estamos que nem lotérica, atendemos só quem está dentro do prédio depois das portas trancadas. -- a loira lançou um risinho, que foi seguido por alguns, e guiou o cowboy, até sua sala. Imaginava que ele não queria de fato um quarto pra dormir, então levou ao escritório que tinha, sala pequena, mesa e poltronas confortáveis, jogos de copos e bebidas variadas. O cheiro de cigarro era bem característico tendo em vista o cinzeiro cheio de bitucas. A loira se enfurnava ali pra dar conta de papelada chata ou quando a conversa era muito séria pra se ter no meio do bar:
-- Fique à vontade, se quiser gelo pra acompanhar a bebida, ou cigarro pra amaciar a garganta, parece que tem muitos espinhos pra por pra fora Cowboy. -- A loira não sentou do outro lado da mesa, puxou um copo com gelo para si mesma, e um copo sem gelo para Boyd, deixou que o próprio servisse as duas bebidas, ficando em uma das poltronas na frente, pra poder ficar próxima do mais novo, cruzou as pernas de um jeito feminino e sedutor de sempre, apenas esperando a bomba que ia cair bem em seu colo.
Boyd
Pegando a garrafa de whisky que trouxe, aproveitou o convite e não fez cerimônia para servir-se, bem como sua companheira. Geralmente não degustava com gelo, a vida era ríspida e dura de engolir, a bebida não precisava ser tão diferente. Parou o tempo do primeiro gole para aproveitar a visão de Lilú em sua frente, algo bonito para retirar temporariamente o corpo daquela criança de sua mente. Sem perder muito mais o tempo dela, nem o próprio, começou o diálogo.
- Você sabe que estou atrás do baderneiro dos EUA que devia estar morto, mas não está, certo?! Ele já passou dos limites e minha paciência se esgotou. Eu achei uma criança na zona de conforto dele, uma criança. Filho da puta. – Boyd tomou um trago do copo, para não engolir a raiva em seco – Preciso que você me conte o que sabe sobre ele e seus passeios. Caso não saiba de muita coisa, preciso que passe um recado pra mim.
Após falar, sentou-se finalmente na poltrona próxima a Lilú, olhando fixamente para ela, analisando suas reações, assim como sabia estar sempre sendo analisado. A intenção não era falar como uma ameaça, mas era claro que ele não estava a fim de perder muito tempo. Ainda tinha diversas casas para visitar, caso não recebesse muito conteúdo. Existiam diferenças gritantes entre o tom que estava usando ali e o que usaria nos próximos felizardos. Gritante era, inclusive, uma referência apropriada para o que estava planejando para o restante de seu tour. Precisava extravasar, diferente do que geralmente é feito no estabelecimento da loira, não era nada bonito de se ver.
Lilú
Estava acostumada as notícias baterem em sua porta muito antes que em outros lugares, e não era surpresa ter policiais vindo lhe dar notícias em troca de outras, mas era certamente não usual receber aquele tipo de informação. O corpo de Lilú não demonstrou nenhuma surpresa óbvia ao saber da criança, sem tremores, sem gestos exagerados, mas seu olhar se estreitou, e os olhos castanhos ficaram nublados, como se tivessem momentaneamente perdido o brilho. Seu rosto gritava “filho da puta”, mas não precisou verbalizar. Levou a mão ao copo de bebida e balançou o mesmo levemente fazendo o gelo ceder um pouco.
Ouviu tudo que o cowboy tinha a dizer, e só após ele terminar de falar se resignou a tomar um gole da bebida sentindo o álcool descer em sua garganta até o estômago que parecia mais oco do que o costumeiro:
-- Eu sei algumas coisas sobre o que está acontecendo na cidade com nosso visitante indesejado. -- apontou a cadeira para que ele se sentasse, talvez a conversa demorasse um pouco mais de tempo. Tomou outro gole breve, e alternou as pernas cruzadas antes de começar a sua narrativa:
-- Das pessoas que eu conheço, nenhuma delas está envolvida diretamente com ele, o que eu sei, e o que todas as línguas da cidade estão comentando, é que ele de fato chegou, e se estabeleceu sem contatos diretos com as facções locais, quem deu o passe de entrada certamente deve ter mais influência em Paris do que aqui estabelecido na própria cidade. -- Aquilo não dizia tanto, afinal muitos podiam esta pondo o corpo fora, mas não estava mentindo sobre o abarcado geral da situação: -- dos bordéis que eu saiba ninguém deu abrigo, os chineses também não estão envolvidos até onde eu sei… Nem os russos, nem os italianos, muito menos os Turcos… O cabeça do tráfico de drogas nem em Cerise está, e não vi ninguém nos pontos dele falando qualquer coisa em prol do sujeito, a maioria é unânime na mesma pergunta: “quem mandou esse cara, e pra pegar quem”.
A loira se arrumou na própria cadeira e deixou o copo de bebida de lado pra acender um cigarro, oferecendo para o cowboy a cortesia. Deu um trago breve deixando a fumaça tomar o cômodo pequeno e desviou o olhar brevemente: -- Quem era a criança achada? Já identificaram quem era? -- Pausou a narrativa sobre o que o americano tinha lhe perguntado propositalmente, como se estivesse trocando uma pergunta por outra. Até porque, se era uma criança de Cerise, tinha grandes chances de ser de algum conhecido, e a mera ideia de ter o filho de algum amigo morto dessa forma lhe gelava a espinha e aumentava o oco que tinha no próprio estômago. Embora nada disso transparecesse em sua fisionomia além do olhar estreito de quem estava pensando muito mais do que estava falando.
Boyd
Boyd ouviu todo o relato de Lilu sobre os criminosos da cidade e sua incapacidade de cuidar do seu próprio território. Caso qualquer pessoa usasse o termo crime organizado para relatar quaisquer que sejam as atividades ilegais dessa cidade, ofenderia até mesmo o oficial, pois essa definição estaria um abismo distante da realidade. Eram um grande bando de patetas incapazes, vivendo suas vidas patéticas em seus esquemas minúsculos. Que desgraça de lugar.
Negando o cigarro oferecido, organizou as informações que recebeu e as que daria, realmente não receberia muita ajuda na localização dele, tinha gente debruçada nisso o tempo todo, o próprio texano entre os oficiais, mas ainda não tinha colhido informações o suficiente para encurralá-lo por definitivo. – Já, é a filha de uma florista que sumiu da cidade, o caso foi arquivado mas em momento oportuno eu devo me envolver nesse outro lance – Finalizou, tomando mais um gole da bebida. – Preciso que você avise a esse bando de frouxos que eu vou continuar fazendo visitas aqui a todos eles, e que nenhum deles vai ter paz para trabalhar e vender/produzir/comprar suas coisinhas enquanto eu não pegar esse cara, então é melhor eles se mexerem e descobrirem onde ele vem se enfiando. Diferente desse cara, que eu vou finalizá-lo em momento oportuno, eu vou passar muito tempo aqui e, quanto mais tempo demorar para esse cara ser pego, mais irritado eu vou ficar.
Provavelmente Lilu já sabia de quem se tratava, essa informação não atrapalharia as investigações em nada. Muito pelo contrário, se ainda sobrasse um resquício de maternidade nesse animal que abandonou a criança aqui, poderia ser que ela voltasse, o que deixaria o desfecho da investigação mais fácil.
Além de todas as coisas na sua cabeça, ainda tinham algumas coisas desconexas em como foi apresentada a criança e a realidade do segundo assassino. Alguém com esse tipo de comportamento dificilmente explode num alvo específico assim do nada, era mais provável ter uma experimentação anterior, então pessoas com risco de vida elevado vinculado ao trabalho eram um alvo comum para esse tipo de animal. Precisavam extravasar seus demônios íntimos, mas não poderia ser em qualquer alvo, teria que ser alguém constantemente negligenciado pelas autoridades para manter o ato furtivo. Dependendo de como continuarem as negociações com sua amiga de copo, enveredaria por esse caminho para oferecer o pagamento em conjunto com mais informações.
