Visitante Inesperado, Impulsivo e Indesejdo [Mathew]
#37
- É a única que eu tenho. Principalmente pra você. - ele respondeu ao enfermeiro, com um tom de desdém, esperando que Mathew saísse do quarto e lhe deixasse sozinho.

Mas ao contrário da sua expectativa, ele entrou e ainda teve a ousadia de se sentar na cama. Daniel contorceu mais a cara em desagrado e foi obrigado a se sentar distante do outro, afinal, não tinha muito como reclamar dele entrar no quarto da casa deles. E pensando melhor, como é que seu tio tinha acabado morando junto com aquele gordinho? Não fazia o menor sentido.

Toda a explicação e os comentários preocupados de Mathew entraram por um ouvido e saíram pelo outro enqunto Daniel fazia todos os cálculos mentais pra entender a vida do tio Benjamin. Ele cruzou os pés em cima da cama, inclinando o rosto de leve e dando uma olhada de cima abaixo no homem que não parecia ter absolutamente nada de especial.

- Como é que você está namorando com o meu tio? - ele perguntou, mais curioso com aquela informação do que com todos os comentários preocupados. - Sério, você não tem nada de diferente. Não é bonito, não parece muito inteligente também. Por acaso você tá chantageando o tio Benjamin? Ele é muito bonito, mais do que a minha mãe e do meu pai até. E muito inteligente também. Eu soube que ele se formou como um dos melhores da turma, foi pra Oxford e teve uma carreira acadêmica impressionante. Ele ainda visitou e morou num monte de lugar diferente. Como é que ele vem parar nesse fim de mundo pra resolver namorar com um cara que nem você? Não faz sentido.
#38
Ficou incrédulo com a resposta mal criada do adolescente e ainda mais com a pergunta que se seguiu. Na verdade, aquele tipo de pergunta era o tipo de questionamento que fazia toda semana para si mesmo ao se olhar no espelho. Não era exatamente um sujeito bonito. Nunca havia sido um tipo atraente fisicamente e tinha um comportamento até um pouco atrapalhado, mas até mesmo durante sua adolescência, chegou a ter uma namorada. Não entendia ao certo porque a garota ou Benjamin se sentiam atraídos por sua pessoa, mas também nunca havia questionado isso a eles. E também não perguntaria a garota que agora era a esposa de seu irmão mais velho. Talvez Benjamin lhe respondesse, mas não queria enche-lo com suas dúvidas quando ele já estava tão inquieto com o aparecimento do próprio sobrinho.

- Se eu não sou muito inteligente, como é que eu vou chantagear seu tio? - devolveu a indagação do adolescente. - Você deveria perguntar isso ao seu tio. - respondeu, dando de ombros. - Eu também não faço ideia de porquê ele aceitou namorar comigo. - completou, então esboçando um sorriso ainda contente pelo inglês ter aceitado ser seu namorado.

Cruzou os braços, analisando a mochila do garoto à distância em silêncio, incerto do fato dele ter conseguido chegar até ali sozinho, sem a ajuda de ninguém.

- Então... toda vez que a gente for falar sobre um assunto sério, você vai fazer um comentário desagradável comigo? - perguntou ao menor, mais sério. - O que houve para você fugir de casa assim? Eu entendi que você está bravo com seus pais, mas aconteceu alguma coisa para que tomasse essa decisão? - não entendia ao certo como é que o garoto estava machucado ao chegar e imaginou que talvez aqueles machucados tivessem relação com o motivo dele estar ali.
#39
Daniel teve que concordar mentalmente que, se ele não era muito inteligente, certamente não teria como chantagear seu tio. De toda forma, tinha que se livrar logo do gordinho intrometido se quisesse fugir da casa antes dos funcionários que trabalhavam para o seu pai chegarem ali. Ele manteve as pernas cruzadas em cima da cama e pegou o celular para ficar rodando as mensagens enquanto Mathew calculava o que ia falar, e até arqueou as sobrancelhas pra ele quando perguntou se ele ia ser desagradável o tempo todo.

- Tá dizendo que eu sou desagradável? Você que é intrometido, não tem nada comigo nem com a minha família, vai cuidar da sua vida. Eu vim atrás do meu tio, não de você. E por que é que eu ia falar de alguma assunto sério com você? Tá louco? - Daniel bufou, com uma expressão de pura indignação para Mathew, e até rodou os olhos quando ele perguntou o que tinha acontecido pra fugir de casa e que ele estava bravo. - Eu fugi porque eu quis e porque eu posso, e daí. Posso fazer o que quiser que meus pais não ligam mesmo. O tio Benjamin já terminou de trabalhar? Eu quero falar com ele, não com você.
#40
Ouviu a reclamação e o tom mal criado do garoto. Ele parecia bem franzino para um adolescente, mas com certeza tinha força na língua, apesar da má vontade em agir de forma mais responsável.

- Daniel, eu e o seu tio Benjamin estamos namorado, eu considero ele como parte da minha família. Nós temos uma boa relação com sua tia também, e isso deveria significar algo para você. - explicou, o tom mais sério, notando a tentativa do outro de continuar desviando do assunto e impor a vontade dele naquela conversa. Franziu o cenho com a ideia irresponsável dele agir daquela forma, justificando a própria imprudência na ausência dos pais. - Como pode falar assim? E a sua tia Ann? Você pensou nela quando fez essa loucura?

Apesar de estar tentando ter a atenção do menor enquanto buscava colocar um pouco de juízo na cabeça do mais novo, ele continuava a lhe ignorar, dando mais atenção aquele aparelho inconveniente como a grande maioria dos adolescentes mimados que costumavam estudar em St. Clavier. Arrumou os óculos e antes que o garoto pudesse lhe responder, acertou-lhe um peteleco no meio da testa do menor, chamando-lhe a atenção mais uma vez.

- É falta de educação ficar no telefone quando um adulto está falando com você, Daniel.
#41
Daniel só contorceu a expressão em uma de desagrado e descrença de novo com o reforço dele de que estava namorando o seu tio, ele só podia estar drogado pra achar que aquilo faria alguma diferença na relação dos dois, que gostaria que continuasse inexistente, para todos os efeitos.

- Eu já disse que você não tem nada com isso. Não sabe nada da minha tia nem dos meus pais nem de mim, vai procurar o que fazer. - ele retrucou, ainda dando atenção ao celular e depois de ver as mensagens, só alternou as telas entre aplicativos sociais e procurou o que fazer. Quem sabe quanto mais o ignorasse, ele iria embora mais rápido para seguir com o seu plano.

Mas enquanto esperava que ele só saísse do quarto e desistisse de tentar tirar alguma informação, sentiu o toque brusco na testa e ergueu o rosto na direção do outro, com a expressão incrédula.

- AU! Falta de educação é você ficar aqui insistindo em conversar comigo quando já disse que eu não quero falar com você, ninguém disse que você é intrometido e inconveniente?! A vida é minha, eu não te conheço, se manda, gordinho! E se me bater de novo, eu te denuncio na polícia! - ele reclamou a plenos pulmões, passando a mão na testa onde ele tinha lhe atingido e usando aquilo de escudo também pra que ele não fizesse de novo.

Mas conveniente ou não, o som da campainha soou na casa toda, insistente, e agora ele não tinha muito tempo para fugir dos funcionários do seu pai já que o gordinho tinha lhe tomado o tempo.

- Não vai atender não? Me esquece.
#42
Teve vontade de rir com a reação exagerada do garoto ao receber um mero peteleco na testa. Observou em silêncio o gesto dele de cobrir o lugar, como se fosse atingi-lo novamente. Ignorou as reclamações do mais novo, ouvindo alguém novamente lhe chamando de intrometido e inconveniente. Aquela não seria a primeira, nem a última vez. Havia algo de errado com o garoto, algo que podia ter machucado o sobrinho de Benjamin, e iria descobrir o que era.

Virou-se na direção da porta ao ouvir a campainha, estranhando inicialmente o chamado, mas logo concluindo que deveria ter o pai de Daniel. Ergueu-se prontamente, imaginando que Benjamin não queria estar sozinho caso fosse atender a porta. Levantou-se da cama, franzindo o cenho ao ouvir a ordem mal criada do garoto.

- Deve ser seu pai. - comentou, indo até a porta para poder sair do quarto. - Vou conversar com ele, não se preocupe. - tentou assegurar o garoto, caso ele estivesse com receio de como o pai dele iria reagir.

Saiu do quarto para descer as escadas, procurando por Benjamin no caminho até a porta, imaginando se ele não preferia ficar no escritório, cuidando do próprio trabalho. Não demorou a atender a porta, curioso em saber como seria de fato o tal irmão mais velho do namorado.
#43
Benjamin não progrediu em nada no trabalho, e depois daquele par de horas em que ficou tentando se distrair e só conseguiu uma dor de cabeça maior, não esperava que a resposta de Andrew para a fuga de Daniel fosse tão rápida, afinal, já tinha dado tempo suficiente para ele sair de Londres e chegar em Cerise?

O som da campainha alarmou Benjamin e ele saiu do quarto para ir até a porta, mas percebeu a própria hesitação com o fato de que teria mesmo que encontrar com o irmão mais velho. Ele já tinha fugido tanto do outro, que era quase absurdo como só a menção do mais velho podia lhe deixar abalado. Antes mesmo que chegasse até a porta de entrada, Mathew que apareceu no corredor, ele desceu as escadas, então devia ter estado no quarto ou falando com Daniel também.

- Ah, Mat, o Daniel não desceu? - Benjamin perguntou ao namorado, que passou primeiro até a porta para atender depois de ouvirem a campainha sendo tocada uma segunda vez. - Eu posso atender...

Mas Benjamin não fez muito esforço para passar por Mathew e ir abrir a porta, na verdade, o enfermeiro que o fez, e na expectativa de encontrar Andrew, na verdade, Benjamin colocou os olhos num homem engravatado, com a postura rígida do que parecia ser um segurança, ele era um pouco mais alto do que Benjamin, cabelos pretos em corte militar e olhos pequenos também escuros. Ele olhou de Mathew para Benjamin e depois para o corredor além dos dois, como se buscasse algo dentro da casa com o olhar.

- [Essa é a residência do Sr. Mathew Morrison? Vim em nome do Sr. Vaughn, para buscar o garoto Daniel.] - ele anunciou, em inglês. Na frente da casa, um carro preto estava estacionado, com outro homem que parecia tão suspeito quanto o primeiro que tinha se apresentado. Benjamin só olhou de um para outro, um pouco confuso com o que responder primeiro. Com Mary Ann indo pra China e um irmão que não queria nem ouvir a sua voz, como é que ele ia confirmar que os dois homens ali realmente tinham sido enviados por Andrew?
#44
Arrumou os óculos em seu rosto ao observar o sujeito de terno na porta da casa com curiosidade, estranhando o fato dele não parecer em nada com a imagem que tinha do irmão mais velho do namorado. Observou o carro que esperava mais distante e arqueou uma sobrancelha, desconfiado e decepcionado com a ideia de que o pai de Daniel não estava ali para buscar o filho pessoalmente. Lembrou do que o garoto havia dito ao reclamar os pais e suspirou resignado, imaginando que teria que admitir que ele estava certo sobre aquilo.

- [Bom dia. Quem é o senhor?] - resolveu perguntar primeiro, sendo mais educado do que deveria, julgando que o sujeito era só um empregado e não tinha nada a ver com aquele problema familiar. - [Eu sou o senhor Morrison. O senhor tem alguma autorização por escrito? Ou eu posso falar com o senhor Vaughn?] - questionou, estranhando chamar o irmão de Benjamin pelo sobrenome do mesmo. Preferia chamá-lo de "cunhado", mas temia que nunca chegaria aquele momento, considerando a impressão negativa que tinha do sujeito que sequer conhecia pessoalmente.

Virou-se para Benjamin por um instante e tocou o ombro do namorado, movendo o polegar em um carinho particular antes de indicar o caminho das escadas, sorrindo casualmente ao tentar assegurar ao outro que estava tudo bem ali.

- É melhor ir ver se o garoto está bem. Eu posso resolver isso aqui, não se preocupe. - disse ao namorado, voltando a atenção para o estranho com cara de segurança particular, aguardando que ele lhe desse alguma satisfação além de ser só um garoto de entregas, como se o garoto fosse algum tipo de carga.
#45
Benjamin sentiu um certo alívio de não ter que encontrar com Andrew, por outro lado, não sabia se devia só confiar que os dois homens trabalhavam para o seu irmão mais velho e estavam ali para buscar o seu sobrinho inconsequente. Bom, se eles realmente trabalhavam para a família, Daniel que deveria ser capaz de confirmar aquilo.

Mathew foi mais ágil em perguntar se ele tinha alguma autorização por escrito e no minuto seguinte, o homem de expressão fechada pegou um papel de dentro do bolso interno do terno e estendeu para Mathew, com uma procuração assinada em nome do irmão de Benjamin dando responsabilidade sobre Daniel. Quase parecia que aquela não era a primeira vez que acontecia, e Benjamin só podia supor que aquela era mesmo a assinatura de Andrew.

- Certo. - Benjamin concordou com Mathew sobre ir ver Daniel, enquanto ele checava o papel de autorização. - De toda forma, o Daniel deve conhecer os dois, então vai ser mais fácil com ele aqui.

- [Seja rápido, temos que voltar à Londres.] - o segurança fez questão de adicionar antes que Benjamin sumisse no corredor para ir buscar o sobrinho.

Ele não era nem um pouco agradável e Benjamin até ficou em dúvida se deveria mesmo deixar o garoto ir embora com os dois, mas não tinha muito o que protestar com o homem e menos ainda com Andrew. Então ele só andou até o quarto de hóspedes e bateu um par de vezes na porta antes de abrir.

- Daniel, tem um funcionário do seu pai aqui para lhe lev- Benjamin parou de falar assim que abriu a porta e notou que o quarto estava vazio. - Daniel?

Ele voltou pelo corredor para checar que a porta do banheiro estava aberta e o garoto não estava em nenhum outro cômodo. Andou até o quarto de novo e depois de uma olhada mais cuidadosa, notou que a mochila não estava no quarto e a janela estava aberta.

- Só pode ser brincadeira...! - Benjamin suspirou resignado, incrédulo que o garoto realmente tivera a capacidade de fugir pela janela. Ele andou até a janela, nervoso que ele podia ter se machucado descendo do primeiro andar, mas quando se debruçou pelo parapeito, avistou o garoto que tinha caído no chão de grama como se fosse um gato, pronto para escapar para o lado oposto da entrada da casa, onde os funcionários de Andrew conversavam com Mathew. - Daniel! O que está fazendo?!

O chamado de Benjamin chamou a atenção não só de um Daniel que estava tentando fugir, mas também do homem que estava parado ao lado do carro estacionado na entrada. O segurança se virou para avistar Daniel e ao mesmo tempo que o garoto começou a correr, o segurança fez o mesmo para alcançá-lo antes que ele pudesse escapar.

- Eu estou velho demais pra isso! - Benjamin reclamou consigo mesmo, voltando pela entrada do quarto para descer as escadas e sair da casa no meio da confusão.
#46
Franziu o cenho e arqueou uma sobrancelha, incomodado com a forma grosseira do segurança em dizer ao seu namorado para que fosse rápido. Aquele cenário era extremamente nocivo para uma criança ou adolescente, imaginava que era por situações como aquela que Daniel tinha uma péssima educação. Na verdade, a educação dele era bem parecida com alguns alunos de St. Clavier, o internato era cheio de filhos ricos de famílias influentes de todos os lugares do mundo. Era quase uma Hogwarts de meninos ricos, só que sem a magia.

Ficou esperando o retorno do namorado quando acabou sendo pego de surpresa pela reação do outro segurança após o ruído de algo caindo no chão, algo que não parecia tão leve quanto um gato. Ouviu Benjamin descendo pelas escadas e quando olhou em sua direção e não viu Daniel, não demorou para que os neurônios se juntassem em uma sinapse para entender o que havia acontecido: o garoto havia fugido pela janela.

- Merda! - adiantou-se, seguindo Benjamin para fora da casa antes de tentar correr atrás do segurança que parecia perseguir o sobrinho do namorado. Não era nem de longe o tipo atlético, estava mais para sedentário esforçado. Entretanto, era do sobrinho de Benjamin que estava falando, então não desistiu ao sentir os pulmões queimarem com a corrida ao tentar acompanhar, sem sucesso, o segurança. - Daniel! - gritou a plenos pulmões, a garganta doendo pelo fôlego que faltava. Normalmente, quando se tratava de seus sobrinhos, só de chamá-los, eles sabiam que estava irritado.
#47
Daniel aproveitou que o tio e o namorado dele tinham ido atender os funcionários de seu pai para se livrar deles. Infelizmente, a conversa com o enfermeiro gordinho tinha atrasado o seu plano de fuga e precisou ser rápido ao sair pela janela e andar cauteloso pelo telhado do térreo até a beira e calcular a queda que deixaria os seus pés no mínimo dormentes. Mas não era como se estivesse desacostumado a pular das janelas de dormitórios e de casa para fugir.

A única coisa que não esperava era que seu tio acompanhasse a sua fuga e além de lhe avistar, alertasse ao segurança da sua presença. Daniel só teve tempo de dar uma olhada rápida para trás quando o homem lhe avistou para correr em sua direção.

- Ah, merda! - o adolescente correu o mais rápido que conseguiu, mas com os funcionários já acostumados com as suas fugas, ele não teve muita chance de ir além de duas casas com a pouca vantagem que tinha e o segurança lhe agarrou logo pelo tronco e pelo pescoço.

- Fique quieto, garoto! Nós vamos te levar de volta pra casa. - o segurança que segurava Daniel com força reclamou, mas Daniel impulsionou o corpo para frente, tentando pisar no pé do segurança sem muito sucesso.

- Arhhh! Você tá me sufocando, me solte! - ele se debateu, segurando o braço do segurança em volta do seu pescoço e se debatendo ainda mais. A sua reclamação ao menos surtiu algum efeito no segurança que folgou um pouco o aperto do pescoço e sem pensar duas vezes, Daniel enfiou os dedos no braço dele numa mordida segura por cima do terno.

- Ouuu!!! Tá doido, moleque?! - o movimento do segurança para afastar o braço da mordida foi suficiente para Daniel conseguir se desvencilhar dos braços e se livrar do segurança, mas mal teve tempo de correr para fugir, esbarrou contra o que parecia uma parede, que era o segurança que tinha abordado Mathew e Benjamin na entrada da casa.

- Já chega, Daniel. - o homem que mais parecia o exterminador do futuro falou, segurando Daniel com um braço sem muito esforço. - Vamos voltar para Londres, seus pais estão esperando.

- Eu não quero! Eu não vou voltar pra casa, não tem ninguém esperando coisa nenhuma, eu vou ficar aqui com o meu tio!!! Você não manda em mim! - ele se debateu de novo, chutando a canela do segurança que só lhe segurou com mais força para impedir que ele se soltasse.
#48
De certo que o garoto e ambos os seguranças conseguiam correr bem mais que ele. Chegou apenas no momento em que o garoto estava terminando de dar um chilique, gritando e se debatendo como a criança mimada que era. Respirou fundo algumas vezes tentando recuperar o próprio fôlego com o rosto vermelho pela corrida inesperada. Colocou a mão sobre o próprio peito, franzindo o cenho para a cena que o adolescente estava fazendo com os empregados do pai.

- Isso... não vai... dar certo... - tentou falar, fazendo uma nova pausa antes de recuperar o fôlego finalmente. - Ele não quer ir! E vocês não vão conseguir levar ele sem terminarem machucando o menino! - aproximou-se dos seguranças, irritado com aquela situação em que a paternidade do irmão de Benjamin tinha acabado de lhe colocar, juntamente com o namorado. - Tudo bem, Daniel! Você pode ficar! - observou melhor os seguranças. - Podem soltar o garoto. Ele não quer ficar? Ele vai ficar. É melhor que acabarem machucando ele e dando algum problema com o pai dele. Ele vai mudar de ideia, vai ficar uma semana, depois vai sentir falta de casa e vai voltar. - adicionou, imaginando que, de fato, o garoto acabaria entediado de uma vida em Cerise, considerando que era uma cidadezinha do interior francês sem os luxos que ele deveria estar acostumado em ter vivendo sob as graças dos pais dele.

Apesar do ar mimado do garoto, algo lhe incomodava da fala dele sobre não ter ninguém esperando ele em Londres. Conhecia aquela realidade na vida de muitos dos alunos de Benjamin em St. Clavier, muitos dos garotos ali viam de famílias importantes, famosas ou ricas que não pareciam dar a atenção necessária a educação dos próprios filhos. Era uma realidade bem diferente da sua, considerando que costumava reclamar de todo o caos que sua família causava quando estava de volta. Nem mesmo distante, eles deixavam de lhe enviar mensagens todos os dias, até mesmo cartas e presentes eram recebidos todos os meses por ele e agora por Benjamin também que seus pais juravam que era só seu "melhor amigo" ali em Cerise.

- Sinto muito pelo trabalho de vocês em vir até aqui, mas estamos cuidando bem dele. E o Benjamin é mesmo o tio do garoto, ele não deveria ser proibido de estar aqui, não é? - tentou dialogar em defesa do garoto, preocupado, na verdade, com a situação desagradável que Benjamin poderia ter de lidar estando ali no lugar dele. Sabia que a relação entre os irmãos já era problemática o suficiente para que Benjamin tivesse que se estressar com o comportamento birrento do sobrinho.


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