Babylon [Lucius]
#1
Marion

Naquela manhã tinha encontrado com Lucius para acompanhá-lo em uma aventura no tatuador. Tinha sido interessante ver que ele era um sujeito muito mais alternativo do que esperava, e claro, era bom estender o convite da manhã para sair com ele mais uma vez, dessa vez em um ambiente mais familiar a Marion: um clube. Como tinha dito pela manhã, passaria a noite no The Capitol com uns amigos, e se precisasse, poderia dormir na casa dos seus pais ou quem sabe desse sorte com Lucius.

Enviou uma mensagem para ele enquanto estava encostado em um muro próximo da boate muito conhecida em Cerise. A música era alta o suficiente para que o som vazasse um pouco para o lado de fora, e Marion já tinha cumprimentado alguns conhecidos do clube, e certamente não passava despercebido usando uma camiseta e calça jogger beges com detalhes pequenos em verde, e um tênis branco blocudo. Queria poder dançar a noite toda.

“Estou na frente do The Capitol. Olha aí a localização Wink”, deixou na mensagem, enviando junto a localização do clube. “Ah, e não se preocupa pra entrar. É por minha conta que eu que chamei. Mas venha de sapatos confortáveis, a gente vai dançar muito!”

Acabou rindo sozinho, o que chamou a atenção de um par de meninas da fila, que ele graciosamente dispensou muito rápido. Podiam ser dois garotos bonitos, não reclamaria.

Lucius

Depois de voltar para St. Clavier, tomar um banho e trocar de roupa, passou o resto da tarde organizando seu orçamento e cronograma de estudo, trocando mensagens em alguns momentos com sua psicóloga online. Havia prometido a Marion que sairia com ele durante a noite para um clube e ainda que a oferta lhe deixasse um tanto quanto desconfortável por ser uma experiência nova, acabou concordando em aceitar o convite em gratidão pela companhia do sujeito em lhe acompanhar pela tarde e, principalmente, por ser uma oportunidade de conseguir socializar novamente. Caso se sentisse muito desconfortável, poderia chamar um uber e voltar para o dormitório dos alunos.

Se arrumou com uma opção de roupa que fosse despojada. Não levou bolsa dessa vez, guardou o celular e a carteira com os documentos dentro de sua jaqueta, tomando o cuidado em deixar pelo menos sua psicóloga ciente de onde iria naquela noite. Apesar de saber da mulher não ter a função de ser sua responsável, gostava de pensar nela como uma amiga, ainda que soubesse que, no fundo, ela não era exatamente aquilo. Enviou mensagem para sua mãe em Paris, certificando-a de que já havia conhecido um sujeito agradável que tinha lhe convidado para sair. Não se preocupava em fazer as coisas sozinho, mas era confortável a ideia de dar satisfação a alguém que se importava consigo sobre o que estava acontecendo.

Como ainda não sabia exatamente como chegar no devido lugar através do meio de transporte local, demorou alguns minutos até que conseguiu chegar na frente do tal The Capitol. Durante o trajeto, tomou o cuidado de informar ao amigo sobre o motivo de seu atraso. Avistou Marion não muito distante após atravessar a rua, o traje do sujeito ajudando-o a se destacar facilmente na multidão. Acenou ao se aproximar, sibilando um pedido de desculpas enquanto gesticulava com as mãos.

Desculpe. Seus amigos esperaram muito? Resolveu perguntar, notando a quantidade de pessoas que já se formavam na fila. Pelo menos havia se certificado de usar um bom desodorante, sempre estava com um perfume agradável de fragrância amadeirada, não lhe agradava a ideia de estar sem um bom odor.

Marion

Quando Marion viu Lucius ao longe, acenou de forma animada e amigável para o moreno, notando como ele estava arrumado, e certamente não deixando de notar o perfume gostoso quando ele se aproximou, ao que teve o descaramento de se curvar na direção dele e dar uma tragada breve ainda de uma distância e abrir um sorriso largo.

- Não se preocupa com meus amigos, não. Eles estão bem acompanhados. Quer dizer, eu também, agora né? – Marion comentou com um ar confiante, dando um par de tapinhas amigáveis em Lucius. – Olha como você é bonito! – riu, chamando-o com a mão e um maneio de cabeça para que fossem até a fila. – Meus amigos já entraram. Mas eu só saio com eles para dançar então... não é como se fossem sentir minha falta.

Deixou bem explicado que Lucius era provavelmente a única pessoa que ele esperaria naquela situação, deixando a fila andar para que pudesse finalmente chegar a vez dos dois de receber pulseiras e entrar no clube aquela noite.

- O que quer pra beber? – perguntou a Lucius antes que entrassem, porque a música dentro do Capitol era mesmo muito alta. Bastou que abrissem a porta para que ficasse claro que o lugar era feito apenas para festejar, pois havia pontos muito escuros, um bar muito iluminado e dançarinos fazendo bonito sobre plataformas. – Só pra avisar, nada de bala. A galera que vende aqui é muito suspeita!

Lucius

Ficou surpreso por um instante com a aproximação do amigo, ainda mais quando ele fez questão de lhe cheirar. Encarou o sorriso do outro ao ser elogiado quanto a sua própria aparência, fazendo um breve sinal em agradecimento pelas palavras dele. Achou estranho por um momento ele tratar outros como amigos apenas para dança, mas não era como se tivesse muitos amigos para fins de comparação. Entrou com Marion ao receber a pulseira, contente pelo outro saber o suficiente sobre linguagem de sinais para se comunicarem no meio daquela música alta. Aproximou-se do amigo para ouvir o conselho dele sobre bala e concordou brevemente. Definitivamente não queria fazer uso de nenhuma droga.

Água. - sinalizou. Não fazia ideia de quanto custava a bebida ali e também não queria gastar muito. Gostava de opções de diversão que fossem mais baratas e havia seguido até ali para dançar e, principalmente, assistir o amigo dançando ao vivo. Não estava mentindo quando disse ao sujeito que ele tinha habilidade com a performance corporal. Já havia assistido alguns vídeos dele online e, de fato, era um bom entretenimento assistir o outro dançar. Não que não soubesse sobre ritmo e musicalidade, mas era algo distinto tocar uma música no piano ou no violão e interpretá-la com seu próprio corpo.

Observou as pessoas ao redor, o olhar de um brilho mais âmbar em meio a iluminação mais forte do bar destacando seu rosto de pele morena em meio aos fios escuros do cabelo com alguns fios fora do lugar pela correria que havia sido até chegar ali. Moveu os dedos longos sobre a mesa do bar como se facilmente acompanhasse a batida do ritmo da música mais animada, ignorando os olhares estranhos em sua direção. Certamente que, sendo alguém novo na cidade, poderia ser uma atração diferente, mas preferia muito mais uma única companhia a ser o centro das atenções.

O que vai beber? É muito caro? - perguntou ao amigo ao lado, sinalizando-o de forma discreta, movendo os lábios para que ele pudesse entender de forma mais clara e para não demonstrar a estranhos que era mudo ali.

Marion

Marion abriu um sorriso satisfeito com a resposta de Lucius sobre o que queria beber e fez o pedido no bar, sendo atendido rapidamente. Imaginou que ele era o tipo bem comportado, mas depois de ver a tatuagem, talvez tivesse um lado mais solto dele. Mas considerando que mal se conheciam, talvez ele se reservasse o direito e permanecer sóbrio. Quem sabe com o passar da noite ele não se sentia mais confortável?

De todo modo, era bom ser acompanhado de um homem bonito como Lucius. Se a beleza dele já tinha lhe chamado atenção na casualidade do dia a dia, vê-lo arrumado e iluminado pelas diferentes luzes do clube eram quase um presente. Não demorou quase nada para notar que ele atraía bastante a atenção ao redor, e até podia ver as moças que tinha dispensado antes passando e olhando para ele.

Retomou a atenção para Lucius quando ele perguntou o que iria beber, e aproximou-se dele, ficando perto o suficiente para que trocassem sinais sem se atrapalharem.

- Nada ainda. – respondeu, sinalizando também para não ter que levantar a voz. – Na verdade eu quase não bebo quando saio. Às vezes vodka. Mas prefiro dançar muito. E aí na saída tomo alguma coisa ou fumo... depende do DJ. – riu, ouvindo a batida ficar mais agitada em uma música conhecida que estava tocando na rádio por aqueles dias. Não resistiu mexer ombros e pescoço, apreciando o ritmo. – Você vai dançar comigo, não-

- Marion! – Um rapaz alto de moletom e barbicha deu um tapa no ombro do moreno. – Achei que não ia vir! Deixa de flerte barato e vamos lá pra frente! O Kir vai tocar! – ele falou animado, praticamente puxando Marion pela roupa.

- Espera, espera, Henri! Esse aqui é um amigo meu, não vou deixar ele sozinho! – Marion protestou. – Lucius, Henri. Henri, Lucius.

- Ele dança? – Henri questionou, e então olhou pra Lucius com a sobrancelha arqueada. – Você dança?

- Ah, Henri! O Lucius não fala, entã-

- Eu não quero saber se o seu casinho não fala, eu quero saber se ele dança! – Henri mostrou ambas as mãos como se estivesse falando o óbvio. – E aí, Lucius? Shuffling? Locking? Poppin’? Macarena?

O recém-chegado citou cada estilo, fazendo um breve freestyle no trechinho da música alta que estava tocando, até mesmo sensualizando Macarena no ritmo da batida, e embora Marion estivesse um tanto confuso, foi impossível não abrir um sorriso para o conhecido e se juntar na Macarena, o que animou Henri, que seguiu sozinho na dança. Então Marion olhou pro amigo novo de St. Clavier e coçou a nuca com um riso desconcertado.

- [Desculpa]. – sinalizou para que o outro não ouvisse.

Lucius

Ouviu a resposta de Marion e aproveitou a aproximação do atendente do bar para pedir uma garrafa de água, movendo os lábios e contando com o entendimento do outro ao apontar para a garrafa de água mais próxima do balcão. Não deu atenção para os olhares curiosos em sua figura, apesar de não deixar de notar cada um deles. Estava ali para se divertir a convite de um amigo. Observou os movimentos de Marion e não deixou de esboçar um sorriso com o canto dos lábios, divertindo-se com a desenvoltura dele, a personalidade mais leve e alegre lhe fazia pensar naquele momento como um encontro mais simples, afastando seus pensamentos dos problemas do dia a dia.

Acabou sendo pego de surpresa pela presença de um estranho, alto de barbicha, que parecia em um estado de urgência para levar Marion para um lugar onde aparentemente um tal de Kir estava tocando. Poderia não escutar com muita clareza em meio a todo aquele burburinho de pessoas e música agitada, mas tinha uma ótima capacidade visual em ler lábios. Gesticulou brevemente para Henri, cumprimentando-o com um sorriso educado. Ignorou a parte sobre ser um “casinho” de Marion e passou a prestar atenção nas sugestões de ritmos específicos que já havia visto em algumas descrições de vídeos que já havia assistido do recente amigo. Riu discreto com a tentativa de sensualização com a clássica macarena e acabou concordando, afirmando com a cabeça positivamente sobre saber dançar. Pegou e pagou pela garrafa de água, aproximando-se de Henri para poder segui-lo. Fez uma menção com a cabeça, chamando por Marion.

Não precisa se desculpar. Eu sei dançar. Só não danço tão bem quanto você. - respondeu ao outro, sinalizando rapidamente, esperando que ele pudesse compreender o que estava dizendo.

Marion

Apesar do momento levemente desconfortável que imaginava ter feito Lucius passar com Henri, no momento em que ele respondeu finalmente o questionamento de seu amigo de festa, a resposta lhe deixou de orelhas em pé e muito mais animado. Então ele dançava! Abriu um sorriso largo quando o moreno explicou que ele sabia dançar, mas não era tão bom quanto Marion. O seguiu animado enquanto iam na direção do barulho do meio da boate, onde a música ficava ainda mais alta.

- Bom, não importa quem dança melhor. Importa se você dança comigo! E então? – Marion perguntou, ajudando com os gestos enquanto seguiam pela boate, afinal, a música podia ser insuportável de vez em quando.

Henri estava junto com outros dois rapazes quando chegaram. Um deles parecia ser apenas um pouco mais novo que o grupo, parecia muito devagar e relaxado, o que era um imenso contraste com a energia do segundo sujeito, um rapaz com o cabelo quase todo raspado e incontáveis tatuagens nas mãos e braços e que dançava freneticamente sem parar um único instante.

- Marioooooon! Maaaariiii! Mamaaaaaa! – o rapaz que estava dançando freneticamente correu para dar um abraço no moreno, e então olhou para Lucius com um sorriso de orelha a orelha. – Você é muito lindo, está solteiro?? Vamos dançar! – ele voltou a dançar ao redor de todo mundo, mudando entre shuffling e uma imitação fajuta de galinha. – Ó o drop!!

- Quem é seu amigo? – o sujeito mais relaxado perguntou, tão na paz que nem parecia que tinha tanto barulho ao redor. – Oi, tudo bem? Hugo. E aquele maluco é o Bil. O Henri você já conheceu, né? – perguntou, estendendo a mão para Lucius.

- Que foi que ele tomou? – Marion perguntou com uma sobrancelha arqueada.

- Nem pergunte. – Hugo olhou para trás um instante para ver se Bil estava vivo no meio da multidão. Mas ele estava mais vivo que a pequena multidão toda.

- Ah, Lucius, Kir é um amigo do Bil e do Henri, ele é Dj. Aquele cara que está subindo no palco e conectando o equipamento. – Lucius apontou, ouvindo enquanto a música mudava quase que imperceptível para outro remix e a iluminação acompanhava o ritmo, e o outro Dj tomava o lugar. Bil tinha ido assobiar e aplaudir quase na frente do palco enquanto um remix de 7/11 começava a tocar. – Me mostra o que você sabe, Lucius?

Marion começou a bater palmas devagar no ritmo da música, e então começou a acompanhar o ritmo devagar com os ombros e o corpo. Os amigos dele não foram tão devagar, e não levaram mais que a introdução da música para começar a dançar também, empolgados no mundo deles, tanto quanto Marion estava ficando gradualmente mais empolgado com a ideia de dançar com Lucius.

Lucius

Apenas lançou um olhar interessado para o amigo que lhe convidada para dançar, permanecendo quieto enquanto seguiam o amigo dele para que conhecesse o restante de rapazes daquele grupo. Gostou de conhecer o tal de Hugo. Ele lhe passava uma tranquilidade e uma atmosfera mais amistosa ao seu gosto que o sujeito, com o que imaginava ser um apelido, Bil. Sorriu com o canto dos lábios ao ser elogiado pelo tal de Bil, mas escolheu ignorar a pergunta dele sobre estar “solteiro”. Estendeu a mão de volta para Hugo, cumprimentando-o em silêncio antes de sinalizar para ele, passando suas mãos uma sobre a outra, aproximando os indicadores e apontando para o mais tranquilo na linguagem de sinais.

Prazer em conhecer você. - ergueu o olhar para observar o local onde o tal Kir, amigo DJ do grupo, deveria começar a tocar. Sorriu mais abertamente ao notar como aquelas pessoas estavam mais relaxadas no espaço da boate, dançando em meio a outras pessoas sem se preocuparem em serem julgados. Aos seus olhos, eles nem precisavam se preocupar, até mesmo o engraçado Bil imitador de galinhas possuía uma boa desenvoltura com o próprio corpo.

Voltou novamente sua atenção para Marion, o amigo parecia ainda estar entrando em um ritmo confortável. Lembrou dos vídeos dele e como ele parecia livre e empolgado com a apresentação dos próprios movimentos ao ritmo da música mais popular, ainda que nem todos os ritmos que ele fosse capaz de usar fossem frenéticos. A batida que tomava o The Capitol não era estranha aos seus ouvidos, já havia escutado aquela música em outro ritmo no celular, em vídeos e em playlists aleatórias enquanto buscava distração após passar do seu horário estudando música. Podia ser do tipo reservado, não isso não significava que não se sentisse mais confortável na companhia de um amigo como Marion, que até o presente momento havia se mostrado um sujeito divertido e leve.

Suspirou, relaxando os ombros para começar a seguir os movimentos do outro. Como estavam em uma boate, não era estranho estar dançando, ainda que não fosse nenhum profissional naquilo como o sujeito parecia ser. Lembrava que alguns passos dele nos vídeos e, para sua sorte, possuía um bom jogo de cintura e flexibilidade para se mover ao ritmo da batida do DJ. Baixou o olhar para acompanhar os passos do moreno, ficando a frente dele. Passou a mão pelos fios escuros do próprio cabelo ao erguer a cabeça para encarar Marion, esboçando um sorriso mais confiante por estar ali.

Marion

Apesar de Marion achar que Lucius demoraria mais tempo para se sentir à vontade para dançar com eles, considerando que havia uma boa parte dos visitantes que estava ali só para beber, ele foi bem rápido em se jogar, o que lhe animou ainda mais. Hugo e Henri, que ainda dançavam perto dos dois, também se animaram com o novo companheiro de dança, enquanto Bil parecia dar voltas no lugar inteiro, parecendo mais uma pipoca saindo da panela que um dançarino como os amigos.

- Fiuuu! Ele dança! – Henri gritou animado, sacudindo os braços para o alto enquanto começava outra música.

- Mesmo se não dançasse, o importante é se divertir, não? – Hugo respondeu, dando um tapinha no amigo e fazendo shuffling ao redor dele com a calma de um monge budista.

- Isso aí, Hugo! – Marion e Hugo bateram as mãos, e como se fosse um sinal idiota, Marion começou a fazer shuffling e Hugo mudou o estilo de dança. O aluno de St. Clavier virou novamente para Lucius, aproveitando que tinha sido ele mesmo quem tinha decidido dançar ao seu redor. Tinha que admitir, claro, Lucius era muito bonito, ele tinha ciência disso, e cada movimento que ele fazia lhe mandava sinais mistos se ele tinha interesse ou não em algo além de amizade. Marion até pegou a mão de Lucius para dançarem juntos, brincando com o amigo sem invadir demais o espaço dele. – Sabe dançar o suficiente pra essa jogada de cabelo me dar um nervoso, ein! – riu, soltando o outro em seguida.

A playlist do DJ Kir era super animada, e pelo jeito que o grupo dançava, eles não parariam até a madrugada ou o clube fechar. Cada um até parou para mostrar habilidades individuais, com todos abrindo espaço para Bil fazer break, Henri mostrar que era excelente de Locking e Hugo surpreender com as caras e bocas enquanto fazia twerking ao som de “Get Low”. Também não deixaram de incluir Lucius sempre, silenciosamente ensinando a ele como dançar o refrão de “Lean On” com todos eles, e algumas pessoas no Capitol que acharam o grupo agitado no mínimo chamativo.

Quando o DJ encerrou a setlist e outra pessoa entrou no lugar dele com um som menos agitado, Marion estava pingando de suor e rezando para não aparecer demais na roupa bege.

- Wheeeew! Estou morto! – fingiu um desmaio, jogando quase o corpo todo pra trás antes de voltar. – Isso foi muito bom! – deu um tapinha amigável em Lucius. – Água? Pra dois? Tipo, água pra dois pra cada um de nós, que acha? – riu, parecendo um ser humano muito animado com o rosto vermelho de fazer exercícios. E Bil seguia dançando. – O que achou??

Lucius

Não se incomodou com a aproximação dos amigos de Marion ao seu redor. Eles pareciam leves e divertidos, mas em nenhum momento invadiram seu espaço ou lhe deixaram desconfortável. Contudo, não conseguiu ignorar o toque alheio em sua mão, ainda que por um período curto de tempo. Talvez fosse pelo fato de usar muito de suas mãos para tocar piano ou para sinalizar, mas o gesto lhe fez prestar um pouco mais de atenção no semblante do amigo que havia lhe convidado até ali. O jeito engraçado do sujeito, misturado à aproximação “inocente” do mesmo lhe deixavam mais na defensiva, por não estar habituado àquele tipo de sinais incertos. No final das contas, ele poderia muito bem estar levando tudo na brincadeira e não queria ser o amigo que estragava tudo ao raciocinar demais naquela situação.

Esboçou um sorriso comercial e educado, compartilhando do momento de brincadeiras e de passinhos ridículos, aceitando a oferta de aprender com os amigos de Marion, não se importando de tentar imitar o passo deles.
Concordou com um aceno positivo sobre a água, removendo a jaqueta que estava usando no processo, revelando os braços e a tatuagem que Marion já tinha conhecimento. Amarrou a peça na cintura e passou as duas mãos pelo próprio pescoço, sentindo como também estava suado, os fios escuros mais compridos colados na pele de sua nuca. Aproximou-se de Marion, tocando-lhe o ombro para lhe chamar a atenção antes de sinalizar: Onde fica o banheiro? Encarou o amigo, esperando que ele pudesse lhe dar indicações de qual direção seguir, a água lhe faria muito bem depois que pudesse se livrar um pouco daquele suor.

Marion

Lucius lhe passava uma imagem bem fechada. Talvez fosse porque era um extrovertido natural, e completamente “aparecido” comparado com ele (era até bem mais agitado que o resto do grupo, até mesmo Bil, que certamente estava sob influência de alguma coisa). Ao menos ele se sentia confortável com seus amigos, talvez por eles serem mais respeitosos sobre o espaço alheio.

Quando finalmente pararam de dançar, o fato de Lucius parecer só cansado e ainda se manter distante, e pior, sequer lhe responder se tinha gostado lhe deu bem a entender que diferente dos menininhos fáceis que encontrava em St. Clavier, o moreno não tinha interesse nenhum em sair dali “acompanhado”. Bom, ao menos ele era interessante e parecia ser boa gente. Bem queria liberdade para tocar na nuca suada dele, mas podia se contentar em dividir uma água e dançar mais um pouco. Até Marion sabia quando parar.

Ergueu as sobrancelhas quando ele disse que queria ir ao banheiro. O Capitol não era como muitos bares esquisitos nos quais já tinha se metido, mas se perguntou se estaria tudo bem deixar ele ir sozinho.

- Naquela direção, logo depois do bar à esquerda. – Marion indicou, sinalizando também por conta da música alta. Arqueou a sobrancelha. – Quer que eu vá com você até a porta? – não deveria ter mal em perguntar. Ainda mais sem nenhum tom de malícia. – Não que seja esquisito por aqui, geralmente. Mas sei lá, por segurança.

Lucius

Observou melhor a localização da indicação do banheiro e já estava pronto para seguir após agradecer, quando se deu conta da oferta de companhia do outro para lhe acompanhar. Não costumava ter companhia alguma ao ir ao banheiro e até gostava bastante da privacidade, mas diante do comportamento alheio e do local ser desconhecido, acreditou que a decisão mais sensata era aceitar a companhia do então amigo.

Concordou com um aceno positivo de sua cabeça, deixando que ele mostrasse então o caminho para chegar ao tal banheiro. Assim que parou na porta, imaginou que deveria entrar sozinho, contudo, parou para observar melhor a situação do amigo, imaginando se ele também não estaria suado após dançar de uma forma tão animada, enérgica. Concluiu que ele não deveria se incomodar tanto com o próprio suor como ele, mas ainda assim ofereceu:

[Você pode entrar. Se quiser. Eu não me incomodo.] - disse para Marion antes de adentrar o banheiro, seguindo diretamente para a pia a fim de lavar as próprias mãos.

Suspirou ao se dar conta da sensação agradável da água fresca em suas mãos antes de lavar o próprio rosto. Ao erguer a face e se encarar no espelho, procurou com o olhar a presença de Marion no recinto. Fez uma pequena pausa antes de molhar as mãos novamente, passando os dedos então pela própria nuca como se quisesse se livrar do suor e da ideia de ter algum odor desagradável. Moveu a gola da camisa para que pudesse cheirar o tecido, a barra da peça subindo a ponto de seu abdômen ficar exposto. Terminou por largar o tecido da camisa, lavando as mãos mais uma vez antes de passar os dedos molhados pelo cabelo escuro, jogando-os para trás em uma tentativa de aliviar o calor pelo exercício realizado.

Marion

Guiou Lucius até o banheiro. Estava acostumado a esperar na porta pelos amigos ou entrar no banheiro para fins diversos, mas ser “convidado” a entrar foi uma novidade engraçada. Quase não resistiu arquear a sobrancelha para o moreno, afinal, não tinha sido uma ou duas vezes apenas que havia dado em cima dele. Porém, pelo visto, ou ele gostava de atiçar sua imaginação, ou era muito tonto.

De todo modo, Marion aproveitou para lavar o rosto também. Jogou um pouco de água, tirando o excesso com a mão para garantir que estava sóbrio (apesar de não ter bebido ou usado nada), porque cada gesto de Lucius parecia desenhado para lhe provocar gratuitamente, do jeito como ele molhava o cabelo para tirar o excesso de suor, até o jeito como ele levantava de leve a camisa no intuito de cheirá-la, deixando um pedacinho do abdômen exposto. Era um pouco respeitoso, mas amém, não era cego.

Pegou a manga do próprio moletom e aproveitou para enxugar o rosto, sabendo por experiência que o papel fino de enxugar as mãos era uma péssima opção.

- Bom, já vi que aqui está seguro. Então vou aproveitar pra sair, que se eu ficar olhando demais pra você, vai ficar perigoso pra mim aqui dentro. – Marion riu, movendo a mão como se banisse as ideias da cabeça. Ainda fingiu que iria sair e virou o rosto para Lucius, mexendo os dedinhos de forma esquisita. – E não fique sensualizando demais na frente do espelho. Reza a lenda que homem bonito no banheiro do Capitol pode ser encoxado pelo “Galegão do banheiro”, ein?? – ergueu as sobrancelhas de modo assustado, e depois saiu, fechando a porta atrás de si. Só não foi embora. Seria indelicado levar Lucius até lá e sair sem esperar por ele.

Lucius

Estava mais aliviado com a sensação refrescante da água em sua pele antes suada. Marion ainda havia feito a gentileza de lhe acompanhar até ali, o que era agradável por estar em um lugar novo e desconhecido. Olhou para o amigo pelo espelho quando ele brincou sobre ali ser perigoso para ele. Observou o moreno por sobre o ombro, surpreso com as palavras dele sobre estar “sensualizando demais”. Acompanhou o sujeito com o olhar pelo reflexo do espelho, sentindo o rosto ruborizar com a ideia de que esteja sendo vulgar de alguma forma.

Não queria causar uma impressão errada em Marion ou nos amigos dele, então achou melhor desamarrar o casaco da própria cintura, vestindo de novo a peça para se sentir mais coberto. Demorou alguns minutos para sair do banheiro, mexendo no próprio celular. Verificou as mensagens trocadas anteriormente com a psicóloga sobre o próprio receio com aquele encontro até decidir sair do banheiro finalmente.

Ficou surpreso de novo ao encontrar o amigo lhe aguardando do lado de fora, mas acabou por esboçar um sorriso, mais calmo com a presença do outro.

Desculpe. Demorei muito? - perguntou, parando para observar melhor os arredores e se dar conta que a música voltava a ter uma batida mais animada. - Seus amigos devem estar esperando. Vamos encontrar com eles? - completou, dando espaço para que outros entrassem no banheiro. Queria poder ainda se divertir com Marion naquela noite e voltar para o dormitório quando ele quisesse também ir embora. Ou talvez o amigo fosse embora dali com outra pessoa. Entre as opções, não queria ser um empecilho para o recente amigo que lhe parecia ser uma boa pessoa, apesar dos comentários insinuantes. Julgava que tudo deveria ser uma brincadeira da parte do outro.

Marion

Quando Lucius finalmente saiu, novamente vestido com o casaco, arqueou de leve a sobrancelha. Será que ele estava com frio depois de ter molhado a nuca, ou será que seus comentários tinham incomodado? Deveria parar de investir, afinal, ele parecia não ter interesse em nada além de sua amizade e uma boa companhia para balada. Achava isso um desperdício, aliás, pois era um excelente partido para um coração partido.

- Não demorou, não. Vamos voltar. – no caminho, bebeu a água para dar uma esfriada no corpo, voltando para o grupo de amigos que estava entre dançar e já beber alguns drinks, ou ao menos Hugo estava tentando, com Bil agarrado em seu pescoço tentando roubar um gole do copo. – Ei, Bil! Você não pode beber!

- Ei, Mariiii...! Só um golinho, vai, deixa! – Bil berrou quando Marion ralhou com ele, soltando do pescoço do outro amigo para se agarrar em Marion. Ele olhou para Lucius em seguida. – Você parece um cara muuuito legal, compra vodka pra mim? Só uma batidinha? Eu te dou dinheiro, vai? – o rapaz puxou então a carteira do bolso e estendeu a Lucius, mas Marion rapidamente colocou a mão e a carteira de volta no bolso do dono.

- Já vai começar com as ceninhas. Nem dê bola pra ele, que senão ele fica todo derretido em cima de você. – Henri riu, aproximando-se de Lucius e dando uma leve cotovelada de lado. – Um drink, Lucius? – ofereceu, mostrando uma garrafa de vodka barata.

- Eu queroooo! -Bil falou, agarrado ainda em Marion, esfregando o rosto nele. – Mama, me leva pra casa hoje~ Ninguém me deu uma dose, tô carente~

- Hoje eu tô acompanhado, Bil. Vai com o Henri e o Kir, quando ele pegar o dinheiro da noite. – Marion então afagou a cabeça quase raspada do outro que se tremeu inteiro de propósito, e Marion não resistiu acariciar o outro abaixo do queixo, já rindo. – Na próxima venha sóbrio e aí te faço carinho até você ronronar, gatinho~

- Miau! – Bil berrou, e Marion agarrou ele e encheu de beijos pelo rosto, para entretenimento de Henri e Hugo, que caíram aos risos.

- Ah! Lucius! Você vai voltar pro dormitório daqui? Sabe que tem toque de recolher né? – Marion falou, ainda fazendo cócegas em um Bil muito rendido. – Se quiser dormir comigo, fique a vontade. – piscou. – Quando digo comigo, digo na casa dos meus pais, que é pra onde eu vou daqui.

Lucius

Aproveitou que o amigo estava bebendo água para pedir um pouco e beber também. Observou a aproximação mais íntima do amigo dele, pendurando-se no pescoço de Marion. Cerrou os lábios, desviando o olhar assim que o sujeito se dirigiu para sua pessoa, pedindo para que comprasse vodka para ele. Sorriu para Henri de forma discreta, acenando em negativa com a oferta da bebida. De fato, até gostaria de experimentar o que lhe era oferecido, mas sabia que devido a sua condição de saúde, não era possível.

Sorriu um pouco constrangido, encarando Marion pelo fato dele parecer ocupado em lhe manter companhia, enquanto os outros amigos dele queriam se divertir com o rapaz. Desviou o olhar por um momento, achando, no mínimo, curioso como o mais novo, Bil, parecia tão à vontade ao ponto de esfregar o próprio rosto contra o de Marion, sendo correspondido com aquelas carícias casuais. Se ocupou em beber um pouco mais de água, batendo o pé de leve ao ritmo da música do ambiente, entretido com a batida mais animada e empolgante.

Quase se engasgou quando Marion lhe perguntou se iria voltar para o dormitório ou se dormiria com ele. Encarou o amigo pouco depois de verificar o horário da noite em seu celular, recordando do tal toque de recolher. Observou o tal de Bil nos braços do moreno e sorriu um pouco sem graça, sinalizando para Marion apenas com uma das mãos enquanto segurava a garrafa com água.

Se não é problema para você. Eu agradeço. - respondeu, acenando novamente antes que percebesse a atenção do sujeito. - Mas você não quer sair com ele? - resolveu perguntar, incomodado com a ideia de estar atrapalhando a noite do moreno com os amigos de longa data do outro. - Eu posso chamar um carro e voltar. - avisou, ponderando que se saísse em tempo, conseguiria chegar em St. Clavier para dormir.

Marion

Acabou rindo descaradamente do engasgo de Lucius quando questionou se dormiriam juntos. Ao menos uma vez naquela noite tinha conseguido dar um direto de direita no moreno. Não era possível que nesse ponto das interações dos dois, ele não notasse seu interesse. Embora ele não parecesse igualmente interessado. Hugo e Henri pareciam notar que suas tentativas falhas não tinham surtido nenhum efeito, e os amigos até ergueram os copos para Marion em simpatia. Estar agarrado com Bil não estava ajudando sua conta.

Arregalou os olhos quando Lucius perguntou se não preferia sair com o outro.

- Eu? Não, não! Com certeza prefiro ir com você! – Marion respondeu, deixando Bil com uma carinha tristonha. – Você tem o Kir no seu coraçãozinho, eu só lhe encho de carinho porque você está um grude.

- Mas ele não me dá bolaaaa~~ - Bil esperneou, sendo tirado de perto de Marion por Henri, puxado pela gola da camisa.

- Vamos, vamos, você tá atrapalhando a chance do Marion... vamos dançar? Olha a batida! Tuts, tuts!

E sem nem pensar duas vezes, o humor de Bil mudou da água pro vinho, e ele começou a dançar animado perto do grupo, sem preocupação alguma no mundo.

- Não liga pra ele não, que quando o efeito passar, ele vai ficar todo deprê e com a cabeça toda bagunçada. A gente já conhece e dá conta do Bil. Não dispense a saída com o Marion só por causa dele. – Hugo aconselhou com paciência, dando um sorriso e uma cutucada amiga em Lucius.

- Então dorme lá em casa! A gente pode dançar mais hoje a noite, e aí prometo que te dou uma toalha pra tomar um banho quente e te enrolo como um bom menino antes de dormir. Dou até um beijinho pra bons sonhos! – Marion riu, estendendo as duas mãos a frente e chamando Lucius para dançar já se mexendo no ritmo das músicas ainda mais animadas que o novo dj tocava.

Lucius

Observou as reações do grupo de onde estava, acompanhou como, ao que tudo indicava, o tal de Bil tinha sentimentos pelo músico que se chamava Kir. Não tinha certeza se ele era músico de fato, mas entendia que ele era o responsável pelo que estava tocando enquanto dançavam. Aparentemente, o tal de Bil era muito carente de contato físico e, por isso, estava inclinado a ficar nos braços de Marion. Na verdade, depois que ele foi removido da companhia de Marion por Henri, imaginou se o rapaz não se importava qual fosse o amigo que o abraçasse.

Concordou com um aceno positivo para Henri quando ele lhe recomendou não dispensar a saída com Marion. Olhou na direção de Marion, ouvindo as palavras dele e processando que o interesse dele parecia estar além de uma amizade convencional. Concluiu mentalmente que ele deveria gostar de garotos, recordando, então, dos comentários insinuantes dos amigos dele que agora conhecia pessoalmente nos vídeos do dançarino.

Ficou na sua, aceitando a oferta da dança, segurando as mãos de Marion. Porém, prestou atenção na reação do outro ao, propositalmente, deslizar o indicador e o médio pelos pulsos dele ao aceitar o convite. Manteve um olhar mais atento sobre as reações do então amigo, tentando acompanhá-lo nos passos da dança, inutilmente, a julgar que ele era bem melhor que sua pessoa naquele quesito. Não era do tipo que tinha muita energia social para manter a mesma empolgação que Marion e seus amigos, contudo, estava contente por estar ali e poder observar, de forma presencial, os corpos que se moviam ao ritmo animado. Tentou recordar da energia na quadra de basquete e em como a adrenalina da competição fazia com que se concentrasse e melhorasse seus reflexos.

Você vai me beijar? - sinalizou, encarando o outro, mais sério, considerando a “brincadeira” dele com o comentário sobre lhe colocar para dormir. Preferia ser direto, principalmente por ter confiado no outro a ponto de aceitar estar ali com ele e os amigos que até então não conhecia.

Marion

Sabia que seus amigos tinham um ritmo diferente da maioria das pessoas, até o próprio Marion. Treinavam muito dança, e aquelas noites eram a chance de eles dançarem por mais hobby, socializarem, saírem com outras pessoas ou entre eles mesmos, mas Lucius parecia estar aguentando bem o tranco que era estar naquele grupo. Por isso queria dançar mais com ele, afinal, era seu convidado. Se o abandonasse para dançar com os outros não faria sentido.

Sentiu um toque diferente no seu pulso quando Lucius tomou suas mãos, e então olhou para o gesto do rapaz e abriu um sorriso. Não sabia se ele tinha feito de propósito ou se tinha percebido o próprio gesto singelo. Mas já tinha sido rejeitado de tantas formas diferentes que ignorou o toque, apenas puxando o amigo para mais uma maratona de dança, com todos os movimentos que podia ensinar a ele, do shuffling a dança da minhoca tonta. Não importava muito se estavam bonitos dançando. O que fazia diferença para Marion era se ele estava se divertindo.

Virou para Lucius, notando que ele estava já “perdendo a bateria” do começo da noite, e observou os gestos dele para si, até parando de mexer os pés por um breve segundo. Apesar de ficar inicialmente confuso, Marion abriu um sorriso amplo, e então estendeu as mãos para as de Lucius, trazendo-o mais para perto. Encarou-o direto, um pouco mais quieto e então arqueou uma das sobrancelhas.

- Se você quiser. Quando você quiser. – deixou bem claro, para ter certeza que Lucius não estava aceitando só pela sua insistência e pela dos seus amigos. Então riu, sinalizando para ajudar a compreensão com o volume da música ficando subitamente mais alto. – Eu até diria “onde” você quiser, mas eu te beijaria inteiro, sabe?

Lucius

Esperava apenas uma resposta, mas foi pego de surpresa pela atitude do mais alto ao lhe trazer para perto. Encarou o outro de volta, sem dificuldade de ler os lábios dele pela proximidade. Estava habituado a uma intimidade mais agressiva e menos educada que a de Marion, por isso ficou um tanto sem reação quando ele ainda sinalizou, indicando que poderia lhe beijar “inteiro”. Cerrou os lábios, sentindo um calafrio lhe descer até a barriga.

Estendeu uma das mãos até o próprio rosto, permanecendo parado em meio a todas aquelas outras pessoas dançantes. Não prestou mais atenção nas pessoas e deslizou os dedos para a mão dele, segurando-a sem pressão. Virou o corpo, sinalizando para que ele viesse junto e saísse do meio daquelas pessoas, ainda que a música alta não lhe incomodasse.

Olhou por cima do ombro, questionando-se um tanto incerto se o outro aceitaria se afastar dali com ele. Não era do tipo indiscreto. Na verdade, o tipo de intimidade que era acostumado a ter era sempre mais reservada. Respirou fundo, esperando que o outro não percebesse o tremor leve em seus dedos pela ansiedade de estar tomando aquele passo.

Marion

A surpresa de Lucius com a sua resposta lhe deixou com um leve quê de incerteza. Achava que ele tinha finalmente respondido aos seus avanços, mas tinha mesmo? Talvez fosse mesmo um acidente, ou talvez ele quisesse chamar sua atenção para comunicar algo. Quanto mais Lucius demorava para reagir, mais ficava com a impressão de que tinha ido longe demais com a abordagem direta. Nem todo mundo era saído como ele e seus amigos e tudo bem se Lucius não fosse, mas também não era sua intenção assustar demais.

Porém o toque delicado em sua mão e o sinal de que deveriam sair dali pôs um sorriso em seu rosto. Acenou discretamente para os rapazes na pista de dança e seguiu Lucius sem hesitar, notando como ele parava para ter certeza se estava seguindo para longe do barulho, para algum lugar mais discreto. Havia um leve tremor na mão dele, o que não achava animador. Começou a tecer mil teorias: será que na verdade Lucius era um cara hetero de mente aberta que agora queria experimentar, mas tinha medo do olhar dos outros? Será que na verdade ele estava no armário ainda? Achava o jeito dele lhe tirar dali um pouco inocente, considerando o quão direto tinha sido na abordagem. Ele estaria mais seguro de não ser devorado perto da luz.

- Ei, Lucius! Lucius! – chamou o outro, notando que o lugar onde tinham ido estava bem mais vazio, quieto e escuro que o resto dos lugares. Pegou a mão do moreno, segurando os dedos levemente trêmulos, com a pose confiante e o sorriso bem humorado no rosto. – Você está tremendo. Respira... expira... – falou rindo, fazendo gesto com a mão livre. – Agora... se te ofendi com a cantada e você quer me dar um murro, não era a intenção não. Mas olha... – soltou a mão de Lucius e ficou parado frente a ele, as palmas da mão do lado do corpo em uma postura toda aberta. – É com você. Entre bater ou beijar, você não ia machucar um partido como eu, né? – o tom de Marion era leve, afinal, não queria que Lucius se sentisse pressionado ou achasse que era um sujeito super sério. Até machucaria um pouco o orgulho se ele risse, mas assim não perdia a amizade.

Lucius

Ainda podia ouvir os próprios batimentos acelerados pela ansiedade do momento. O amigo sequer deveria fazer ideia do que aquilo significava para ele - e também não o culpava pelo desconhecimento. Relaxou com o toque mais gentil em sua mão, incerto de como reagir quando Marion percebeu o tremor em seus dedos. Ouviu as palavras dele, soando aos seus ouvidos como uma ordem familiar que, de uma forma estranha e peculiar, conseguia lhe fazer relaxar. Estava mais acostumado a obedecer ordens do que realizar apenas a própria vontade.

Concordou com um aceno positivo enquanto a voz do amigo lhe passava segurança sobre o respeito a sua vontade. Ergueu o olhar, encarando o rosto do maior com aquele sorriso mais confiante e o ar de graça. Permanecer mais sóbrio, o brilho âmbar de sua íris denunciando sua atenção ao rosto de Marion em meio aquela penumbra.

Não respondeu a pergunta do rapaz, erguendo as mãos com os dedos ainda trêmulos para o rosto do amigo. Sua pele era naturalmente mais quente e relaxou ao contato com o pescoço do mais alto, apreciando a sensação tátil ao passar com a ponta dos dedos nos pêlos curtos do cabelo raspado de Marion. Esperou por alguma reação do outro antes de cortar a distância entre ambos, juntando seus lábios aos do outro rapaz, os olhos semicerrados.

A sensação não era ruim, sentia-se estranho por iniciar aquele contato físico mais íntimo. Conhecia Marion há pouco tempo, o sujeito de personalidade mais leve, divertida e amistosa não lhe passava nenhuma sensação de ameaça. Contudo, não gostava de se expor demais, ainda mais ao se sentir admitindo que estava confiando no amigo ao ponto de beijá-lo.

Marion

Lucius era adorável, mas era muito sério. Talvez fizessem bem para Marion conversar com ele depois sobre relaxar um pouco, ou quem sabe ele não fizesse mesmo o tipo que gostava de relacionamentos casuais. Mas isso era para outro momento. Já bastava Lucius se preocupando. Mas pelo menos ele tinha decidido tomar uma atitude.

Sentiu as mãos em seu rosto e nos cabelos curtos da nuca e esperou satisfeito que Lucius se aproximasse. Sorriu brevemente, deixando que ele tomasse toda a atitude, lhe dando apenas o benefício da dúvida de fechar os olhos e ficar com a cara mais ridícula enquanto esperava um beijo. Pelo menos nesse ponto, não foi decepcionado.

Estendeu uma das mãos até o braço de Lucius, tocando-o com cuidado, e então moveu os lábios sobre os dele, devolvendo o beijo hesitoso e inocente.

- Viu? Não foi tão ruim, foi...? – perguntou sem sair daquela postura, embora o barulho do clube não permitisse que falasse tão baixo. Beijou Lucius mais uma vez, indo suave a princípio, aproveitando o gesto mais próximo para dar um pequeno passo mais a frente e puxar de leve os braços dele para que ficassem em volta do seu pescoço, tentando deixar o espaço entre os dois ainda menor. Estava tentando não ser muito afobado, mas considerando que Lucius era muito bonito, ninguém podia lhe culpar por querer mais, deixando o beijo mais firme e intenso.

Lucius

Tensionou com o toque em seu braço, mas não se afastou enquanto o beijo iniciado era correspondido. Não estava habituado aquele tipo de gentileza, então apenas entreabriu os lábios quando se deu conta de que o amigo estava intensificando o gesto. Seguiu as orientações de Marion, mantendo os olhos ainda semicerrados ao envolvê-lo pelo pescoço. Sentiu o contato com o corpo masculino do mais alto ainda que por sobre as camadas de tecido e tensionou novamente com a proximidade.

Respirou pelo nariz, inclinando a cabeça de lado para que o encaixe com a boca do outro ficasse mais confortável. Felizmente (ou não), tinha experiência o bastante para não perder o fôlego de forma breve. Misturou sua língua com a de Marion, as mãos livres chegando a tocar o cabelo do outro, entretendo-se novamente com os pelos mais curtos da nuca do moreno. Finalmente fechou os olhos por um instante, ouvindo a música animada e mais distante.

Continuou beijando o amigo sem ressalvas de quando interromper o contato. Poderia manter os lábios nos dele pelo resto da noite se Marion assim desejasse. Não se sentia coagido ou intimidado pelo rapaz. Na verdade, tinha uma inusitada e calorosa sensação de cumplicidade que nunca imaginou sentir por alguém de uma forma íntima como aquela. Era novo e assustador, ao mesmo tempo, mas não era como se estivesse preso ao outro. A liberdade, de certo modo, lhe deixava inseguro.

Marion

O contato iniciou de um jeito inusitado, mas ao menos, à medida que avançava, com receio ou não, Lucius devolvia as carícias com a mesma intensidade. Sentiu os dedos dele passarem por sua nuca meio raspada, lhe dando um arrepio agradável quando somada a sensação das línguas se enroscando. Suas mãos, vendo Lucius parecendo mais confortável com o contato, desceram dos braços até as costas, e das costas até a cintura, trazendo-o um pouco mais para perto, parando um breve instante para retomar o fôlego, sem tirar um centímetro da proximidade que tinha conseguido conquistar, antes de retomar o beijo.

- Mas eita, que bitoca gostosa!! Eu quero alguém pra me pegar assim também, ô, tô muito solteiro pra ficar olhando vocês! – a voz de Bil soou bem do lado dos dois, mas bastou ele começar para Marion subitamente abrir os olhos e parar o beijo, olhando de esguelha para o amigo. – Que foi??

Marion soltou um longo, longo suspiro e virou Lucius de costas para Bil, para que ele não tivesse que passar essa vergonha, já que imaginava que ele não gostava de ser visto. Mas não soltou o moreno, abraçando-o e segurando-o contra o próprio corpo.

- Você não precisa ficar olhando, sabe? – Marion falou com um tom que claramente parecia uma bronca. – Vá pedir água pro Henri, você está suado. Aproveita e avisa a eles que eu já vou.

- M-mas mãe...! Tá, tá... eu vou, eu vou. – Bil respondeu, saindo a passos pouco confiantes, como se metade da energia que ele tinha no começo da noite já tivesse ido embora.

Só então Marion soltou mais o abraço de Lucius, procurando o rosto dele com uma expressão que era ao mesmo tempo divertida, mas aceitava que aquilo tinha sido bem esquisito.

- Desculpa por ele. – Marion pediu, então abrindo um sorriso. – Eu acho que já tive agitação o suficiente por hoje. A proposta se mantém: quer dormir lá em casa? Se não quiser, eu te levo de volta pro dormitório.

Lucius

Sentiu os ombros relaxarem e a cabeça ficar mais leve com as mãos do amigo que agora lhe tocavam a cintura. Encarou o moreno quando ele se afastou um pouco para recuperar o fôlego. Apreciou o momento para buscar oxigênio também, os lábios ainda entreabertos esperando o instante em que se conectaria com o rapaz de novo. Entretanto, foi pego de surpresa pela voz do amigo de Marion, o tal de Bil. Pensou em virar o rosto para o lado e evitar encontrar o olhar de Bil, mas ao que parecia Marion havia sido mais rápido.

Não ousou se mexer de onde o amigo havia lhe colocado, de costas para o amigo dele. Estranhou o abraço naquela situação, mas não relutou, descendo os braços até conseguir apoiar as mãos nos ombros dele. Ouviu a voz de Bil se distanciar e o pedido de desculpas de Marion. Encarou o sorriso no rosto do outro e ficou um tanto quanto confuso. Ele havia se arrependido, por acaso?

Deu um passo para trás depois de ouvir ele repetir aquela pergunta sobre voltar para dormir nos dormitórios ao invés de dormir na casa do rapaz. Ele havia acabado de lhe beijar, ou melhor, havia correspondido ao seu beijo, isso queria dizer que ele gostava da sua companhia, não era? Não entendia porque ele continuava a questionar se não queria que ele o levasse de volta para o dormitório em St. Clavier. Primeiro, duvidava que naquele horário, eles lhe deixariam entrar sem nenhuma advertência. Segundo, ele estava chateado com o que havia acontecido? Mas até que parte? Será que com “agitação”, ele estava falando do beijo também? Ele parecia bastante preocupado em lhe deixar confortável naquela situação, mas não sabia até que ponto ele só estava sendo condescendente. Um sujeito como ele não precisava se dar ao trabalho.

Eu fiz algo errado? - resolveu sinalizar, perguntando diretamente a Marion, incerto sobre ele ser o tipo de pessoa que talvez mascarasse o próprio desconforto com aquele sorriso divertido. Ele, com certeza, parecia o tipo social mais preocupado em deixar seus amigos confortáveis que agir de forma inconsequente. Encarou o maior, o semblante sério de costume.

Marion

Quando mais lidava com Lucius, menos entendia de fato o novo amigo. Primeiro ele pareceu ignorar seus avanços, até imaginou que ele estava pensando naquilo tudo como uma forma de amizade francesa. Depois ele passou a aceitar seus convites, mas tinha parecido meio relutante em fazer isso na frente de outras pessoas. Agora, estava dando a chance dele fugir, mas a primeira coisa que ele lhe perguntou foi se tinha feito algo de errado. Marion ergueu de leve as sobrancelhas. Talvez fosse melhor deixar tudo claro?

- De jeito nenhum, inclusive, beija bem, obrigado. – Marion falou com um tom educado bem humorado, sinalizando também dado o espaço entre os dois e o volume da música ao redor, tudo para reforçar o que dizia, ainda que não soubesse expressar tudo aquilo com toda a certeza do mundo em sinais. – Eu que não tenho sido claro. – ponderou um instante. – Talvez isso te surpreenda... mas eu sou gay. – Marion riu, e então respirou fundo para não seguir fazendo piada, afinal, estava tentando se explicar pra Lucius. – E eu te acho um gostoso. E eu estou te chamando para dormir na casa dos meus pais, que é meio arriscado, mas dá para pelo menos para dar uns amassos e dormir de conchinha, ou mais, se eles não estiverem em casa.

Claro que teve que parar para pensar bastante antes de ter qualquer vaga ideia de como seria explicar aquilo em língua de sinais, afinal, nunca tinha usado isso para flertar com ninguém. O resultado foi uma série de sinais muito desconjuntados, embora a fala fosse bem completa.

- Só não quero que ache que é obrigado, sabe? Você não parece o tipo que transa num primeiro encontro, e longe de mim te pressionar a isso só porque somos amigos. Estou fazendo suas rotas de fuga e lhe dando escolhas. – explicou, pensando que provavelmente estava satisfeito com sua explicação. Então aproximou-se um pouco de Lucius, roubando-lhe um beijo breve. – E aí? Me conte seus limites e eu te digo quão rápido eu consigo chamar um táxi.

Lucius

Apreciou o esforço de Marion ao tentar manter a comunicação através dos sinais ainda que ficasse atrapalhado com as palavras. Continuou encarando o outro ao ser elogiado e permaneceu sério diante da afirmação do outro sobre ser gay, aquela risada dele não fazendo sentido para sua pessoa, enquanto ouvia o amigo falar sobre um assunto que julgava ser mais pessoal.

Ficou levemente surpreso quando ele revelou os próprios planos, expectativas, de poder lhe dar uns “amassos” e dormir de conchinha. Apesar do nervosismo do outro, ainda conseguia ler os lábios dele com facilidade. Ouviu todo o discurso sobre suas “rotas de fuga” e opções, a declaração do amigo de que não queria lhe obrigar a nada lhe deixando com um calafrio esquisito no estômago, um do tipo agradável.

Não rejeitou o beijo breve e, ao ouvir a pergunta sobre seus limites, baixou o olhar por um instante. Era estranho ouvir aquelas palavras na voz de alguém que parecia se preocupar com seu bem estar. Sorriu discretamente com o canto dos lábios antes de voltar a encarar o rapaz, sinalizando: Você e eu… podemos tomar um banho antes?

Perguntou de forma sugestiva como se aquela condição fosse um de seus limites. E de fato era. Detestava pensar na ideia de ter o amigo lhe tocando sobre a pele suada de toda aquela saída para dançarem. O outro também já havia visto boa parte de seu corpo na visita à tatuadora, mas não julgava estar quite com ele, pois apesar de já ter visto muitos vídeos do dançarino nas redes sociais, não tinha uma ideia clara do físico alheio. - E você… - cutucou o outro em sinal para que ele prestasse atenção. - … não pode usar o celular.

Achou melhor deixar aquela questão clara, como Marion estava sendo claro com ele. Sabia que o moreno era socialmente ativo virtualmente, mas não tinha segurança em conseguir se expor nas mídias sociais, mesmo que fosse uma única foto com o outro. Imaginava que se tirassem alguma foto juntos, mesmo que não fosse em uma situação mais íntima, e o amigo postasse em suas mídias sociais, teria que lidar com um tipo de atenção indesejada.

Marion

Esperou uma reação de Lucius. Ele de fato era muito sério, nem para rir da sua piada sobre sair do armário. Mas o fato dele ser sério apenas ressaltou o pequeno sorriso quando terminou de questionar os interesses dele, lhe enchendo de uma breve esperança que ele iria aceitar seu convite. Não que duvidasse necessariamente que era um bom convite. Só não sabia se Lucius tinha interesse em ir tão longe.

A resposta de Lucius – na verdade a proposta – era que tomassem banho primeiro. Abriu um sorriso largo, afirmando com a cabeça prontamente. Estava suado, e o amigo também. Embora não ligasse muito para essas coisas, desde que ninguém estivesse mal cheiroso de fato, podia respeitar um homem que gostava de limpeza.

A outra condição era que não usasse o celular. Ergueu as sobrancelhas com a ideia de que usaria o celular em um momento íntimo, mas imaginou que se ele não era muito fã da ideia de se expor, talvez o celular aumentasse o pavor dele da saída casual. Isso ou Lucius tinha tido uma péssima experiência com uma sex tape.

- Eu posso te garantir um banho longo, atenção total sem nem pensar nas notificações do celular, meu corpo todo pra você e um lençol quentinho. – garantiu com um sorriso leve no rosto, e um ar de um pouco mais de seriedade enquanto sinalizava também para reforçar o que estava dizendo a Lucius. – E o que surgir no meio do caminho a gente negocia.

Puxou o moreno mais uma vez em sua direção, roubando um beijo longo dele, e então, pegando-o pela mão para que fossem arrumar o prometido táxi muito rápido como tinha dito. E Marion não demorou a cumprir a promessa, pagando o táxi no caminho para a casa dos seus pais.

Seus pais moravam numa área rica. Apesar da casa não ser uma mansão, era grande o suficiente para ter piscina, uma bela cerca viva e janelas grandes. Deu uma olhada na entrada da garagem para ver se o carro estava lá, o que era certo, considerando a hora e a ausência de peças interessantes no teatro. Nem perdeu tempo fazendo um sinal de silêncio para Lucius, tirando a chave do bolso e segurando no moletom para que não fizesse muito barulho. Olhou para dentro como um ladrão tentando roubar uma galeria de arte, e entrou a passos delicados, fechando a porta atrás de si. Chamou Lucius pela sala, conseguindo ouvir o ronco distante do seu pai no silêncio aquela hora, e então passou para longe das escadas, atravessando duas salas até chegar em um quarto grande e arrumado que era suíte.

- É o quarto de visitas. Mas eu troquei pelo quarto lá de cima porque é mais fácil pular a janela desse. – riu, cochichando enquanto abria a porta, trancando quando Lucius passou por ela, para garantir que não seria atrapalhado. Então tirou o moletom, largando no cesto de roupas perto da porta, abrindo a porta do banheiro enquanto tirava a calça. – Me acompanha?


Lucius

Duvidava que o amigo fosse capaz de fazer algo que pudesse lhe assustar, justamente por considerar que Marion era uma boa pessoa, de humor bem mais leve que o seu. Não era exatamente com as notificações do celular com o que estava preocupado, mas acreditava que Marion tinha captado o sentido de sua preocupação. Terminou correspondendo o gesto do outro, beijando-o de volta, sempre com os olhos semicerrados, acompanhando o processo que antecedeu a viagem pelo táxi para a residência do amigo.

Assim que foram se aproximando da casa de Marion, fez algumas notas mentais sobre o espaço onde ele vivia. O lugar parecia ter sido retirado de um daqueles sets de filmagem de filmes adolescentes com protagonistas de famílias com dinheiro. Verificou o modelo do veículo parado na viagem e adicionou novos cifrões a sua conta mental. Só para cuidar daquele lugar, deveriam trabalhar com alguns empregados, alguém para ajudar com a faxina e alguém para limpar a piscina. Perguntou-se mentalmente se não conseguiria alguns trocados se oferecendo para aquele tipo de serviço.

Arqueou a sobrancelha com o sinal de silêncio de Marion, como se fosse algum tipo de piada de mau gosto consigo. Estava acostumado a se mover sem fazer nenhum ruído para não incomodar terceiros. E, de longe, percebeu que havia outras pessoas na residência. Estranhou a falta de preocupação dos moradores e, provavelmente, os pais de Marion, com a chegada do filho naquele horário da noite sem aviso. Eles poderiam ser facilmente roubados.

Ao chegarem no quarto, observou o ambiente em meio a penumbra e ficou incrédulo quanto aquele ser o quarto de visitas. Era grande o bastante para só o amigo morar ali. Concluiu, previamente, que toda aquela vida facilitava o bom humor de Marion e o fato dele parecer tão despreocupado com o que estavam prestes a fazer. Observou o rapaz já na porta do banheiro, sem parecer impressionado com o convite, e começou a se despir, removendo as peças e dobrando-as com cuidado, deixando todas separadas com seu celular e carteira.

O corpo moreno era bem delineado pelos músculos do abdômen, coxas e braços, o porte atlético de quem gostava de praticar esportes era evidente, ainda que na pouca luz. Como ele tinha trancado a porta, não se preocupou com a nudez, apesar de ainda estar usando a boxer preta, esperando ser apresentado ao banheiro do amigo. Imaginava que o lugar era proporcional ao resto da casa e era grande o bastante para ambos. Estava curioso para saber quais eram os produtos que Marion gostava de usar também.

Marion

O bom de Lucius era que pelo visto sua timidez era mais ligada ao fato de se expor. No Capitol, ele parecia infinitamente preocupado com toda a situação de estar “nos pegas” com outro cara, e pareceu desconfortável com a ideia de ser visto por Bil (embora se pensasse bem, também ficaria constrangido considerando o quão intrometido Bil era). Agora, em seu quarto, ele tinha feito apenas um passar rápido de chave e Lucius já se prontificou a tirar as roupas, deixando-as de modo organizado no quarto.

Fez questão de observá-lo por cima do ombro. Ele era um pouco mais baixo, mas nada gritante, porém tinha o porte de quem praticava esportes e a tatuagem lhe deixava com uma impressão diferente, mesmo incompleta. Ele parecia sério – na verdade, ele ERA sério –, mas naquela situação não hesitou em pontuar na sua mente “sério E gostoso”. Nem percebeu quando levou o indicador ao lábio, admirando indiscretamente.

Marion não estava longe do mesmo porte atlético, dançava desde que se entendia por gente, então tinha o corpo todo forte, embora não fosse um monte de músculos. As divisões do abdômen apareciam fácil com o movimento, e bem sabia que o piercing em seu umbigo chamava a atenção justo para eles. Mas a pequena tatuagem delicada no ombro certamente contrastava sua imagem e de Lucius ainda mais.

- Ah, esqueci de perguntar. – falou, se desfazendo da roupa de baixo e jogando no cesto também. Tinha orgulho do bumbum pequeno e durinho, Lucius podia olhar à vontade. – Banho completo primeiro ou posso te ajudar a se lavar? O box tem espaço o suficiente para dois. – falou, indicando o banheiro com um gesto convidativo. O lugar era grande o suficiente e estava bem limpo. Não tinha nenhuma banheira, mas tinha prateleiras organizadas, gabinete para banheiro com um espelho imenso e um box de vidro com espaço para caber duas pessoas tranquilamente. Toalhas estavam enroladas cuidadosamente sobre o gabinete. Claramente Marion não voltava para casa com frequência, porque tudo estava arrumado pronto para receber uma visita.
#2
Estranhou a falta de alguns produtos específicos no banheiro como cremes de cuidado com a pele, colônias ou as vitaminas que costumava deixar no banheiro que dividia em St. Clavier. Seguiu para o box, satisfeito pelo espaço que havia para que pudesse tomar um bom banho. Ouviu a pergunta do amigo e voltou sua atenção finalmente para ele, finalmente parecendo dar mais atenção a parte baixa do corpo alheio. Encarou a cena um tanto descrente pela nudez do rapaz, mas ficou curioso com a peça que ele tinha no umbigo. Passou uma das mãos pelo próprio cabelo escuro, trazendo os fios para trás antes de decidir remover a boxer que estava usando, acomodando-se a própria nudez na presença do outro.

Adorava como Marion estava sendo cuidado com os próprios passos e toques. Apesar da personalidade que inicialmente parecia inconsequente, ele parecia educado o bastante para considerar suas vontades. Não fazia ideia do que ele gostaria que fizesse para atender suas expectativas, mas de certo não tinha a intenção de rejeitá-lo naquele encontro. Deu alguns passos na direção de Marion e tocou-lhe o pulso, deslizando os dedos até poder segurar a mão dele. Guiou o rapaz para o box dele, ocupando-se em abrir o registro da água, tomando a frente ao sentir o frio do jato até que a temperatura se acomodasse a de um banho morno. Soltou a mão de Marion, ocupando-se em ajudar a água morna a alcançar o espaço entre os fios de seu cabelo enquanto deslizava os dedos entre eles, trazendo-os para trás novamente.

A água está boa. - sinalizou para o outro, estendendo a mão em um sinal de convite para que ele se aproximasse. Estava mais confortável com a sensação da água lavando seu corpo, removendo o suor e os possíveis odores que teriam impregnado seu corpo no lugar que visitou.
#3
Não sabia bem se Lucius estava nervoso ou escandalizado por se sentir a vontade de ficar nu. Tinha dito que queria terminar aquele dia dando uns amassos extra e dormindo de conchinha. Enquanto para nada daquilo precisava necessariamente tirar as roupas, já que estava ali, no conforto da própria casa, por que não? E claro, não deixou de notar a olhada que ele lançou para baixo, o que lhe fez abrir um sorriso orgulhoso prontamente. Em seguida, devolveu o mesmo olhar de cima a baixo do moreno, mais abaixo, erguendo ambas as sobrancelhas antes de abrir outro sorriso, mordendo de leve o lábio inferior. Sabia bem o queria fazer dali.

Lucius tocou sua mão de forma delicada, lhe convidando a ir até o box também, e o acompanhou sem problemas, deixando que ele ligasse a água e pegasse o primeiro jato frio, observando por um instante a água correndo pela pele dele, e a forma como ele tirava os cabelos molhados do rosto. A água certamente parecia boa, mas não só a água.

Aproximou-se com o sinal positivo dele, apoiando uma mão em cada lado de Lucius na parede, entrando dentro da linha do jato do chuveiro e olhando para cima, tirando-o de debaixo da água por um instante, para deixar a água forte cair um pouco sobre as costas que tinham ficado suadas de tanto dançar.

- Hm. Está ótimo mesmo aqui. – Marion riu amarelo, sentindo parte do corpo encostar em Lucius, mas ainda mantendo certa distância do moreno, afinal, sua intenção não era esmagá-lo contra a parede. – Ei, Lucius... vira de costas pra mim...? – pediu, tocando a mão do moreno de leve, guiando-o para que se virasse sem puxá-lo de forma alguma, desligando o chuveiro ao mesmo tempo. A mão que tinha segurado a de Lucius, levou até o pescoço molhado, passando por baixo do queixo para erguer a cabeça dele de leve. – Prometo que só vou tocar da cintura pra cima... por enquanto. – Marion falou com um leve riso, antes de deixar o barulho de uma tampinha dura ecoar no banheiro naquela hora silenciosa, e então passou os dedos pelos cabelos de Lucius, espalhando o que parecia ser xampu pelo cheiro cítrico e pelas espumas que começaram a cair pelo lado do rosto do moreno. Passou os dedos por dentro dos cabelos, massageando o couro cabeludo sem bagunçar demais os fios escuros, dando atenção perto das orelhas e nuca. Colocou os cabelos de Lucius para trás também, impedindo que a espuma caísse nos olhos dele. – Olha, queria dizer que o sabonete líquido tem um aroma ainda melhor, ein? – brincou.
#4
Não deixou de notar os olhares e os gestos que o outro fazia com a própria boca e os dentes. Ficou curioso com as reações de Marion, pois nunca havia lidado com alguém de modo tão pessoal que esboçava aquele tipo de reação de interesse tão sincera. Deu espaço para que ele também aproveitasse do jato de água que agora estava morno. Não se incomodou com o contato do corpo dele com o seu enquanto estavam no banho. A sensação de estar se limpando era maior que a de invasão de espaço pessoal.

Virou-se de costas, seguindo as indicações do amigo quando ele lhe guiou. Ergueu o olhar por um instante, dando-se conta de que Marion havia desligado o chuveiro. Sentiu um leve arrepio com a mão em seu pescoço e os ombros tensos com a breve sensação de expectativa, ainda mais quando aqueles dedos deslizaram para sua cintura. Aproveitou que estava virado para parede e apoiou as mãos nela, dando atenção ao desenho das peças de cerâmica ali, tentando evitar que a situação aumentasse sua tensão. Ouviu a promessa de que ele só daria atenção a parte superior de seu corpo e pressionou os lábios juntos, baixando o olhar, apreensivo.

Estranhou o toque em seus cabelos e o aroma cítrico agradável que vinha do produto que começava ser aplicado em seus cabelos. Relaxou com as mãos que começava a massagear sua cabeça. Respirou fundo, uma das mãos voltando ao lado de seu corpo, os olhos semicerrados com o aroma que tomava o ambiente com a espuma produzida. Suspirou por um instante, os ombros mais relaxados e a sensação agradável de estar sendo cuidado pelo amigo lhe deixando com uma estranha sensação de felicidade.

Esperou que a massagem em sua cabeça diminuísse de intensidade e se virou devagar, segurando as mãos do outro que estavam cobertas com a espuma do produto. Segurou as mãos dele e removeu a espuma que cobria os dedos dele, estendendo o resquício do produto pelo pescoço de Marion, subindo os dedos pela nuca dele até se recostar ao outro, o próprio abdômen em contato com o do amigo. Recostou a testa com a do rapaz e o encarou por alguns instantes antes de abraçá-lo, relaxando o corpo com o do outro contra o seu. Fazia muito tempo que não sentia a tensão deixando seu corpo enquanto estava na presença de outra pessoa, ainda mais naquele tipo de situação mais íntima. Queria agradecer ao outro pelo gesto, mas como não conseguia colocar aquilo em palavras, esperou que ele entendesse o recado com seu abraço. A temperatura do corpo alheio sendo bem convidativa em meio ao cenário da nudez de ambos.
#5
Não importava muito se era um amigo de longa data ou recém-conhecido, Marion gostava de dar um “tratamento de rei” para quem estivesse com ele, significasse isso uma rapidinha no banheiro do The Capitol ou um serviço completo de salão de beleza. Bem verdade era que gostava de agradar as pessoas que lhe agradavam, e Lucius não era exceção, por isso ficou bem satisfeito ao vê-lo relaxar com sua massagem no couro cabeludo. Durante suas investidas anteriores, ele parecia lhe ignorar, depois passou a lhe corresponder de forma desconfortável. Se pudesse dar a segurança que ele precisava ali, tinha cumprido seu papel, afinal, queria prazer a dois, não era?

Abriu um sorriso para o amigo quando ele se virou em sua direção e deixou que ele pegasse a espuma, acompanhando brevemente com os olhos enquanto ele levava as mãos até sua nuca, ensaboando os fios curtíssimos. Sentiu um arrepio agradável, ainda mais com a aproximação dele, e sentiu a proximidade muito maior quando o abdômen dele encostou no seu, e as pernas roçaram de leve. Abraçou o corpo de Lucius de volta, mantendo as mãos acima da cintura como tinha prometido, das costas para um rastro de xampu que escorria da nuca. Podia, pelo menos, ver que Lucius estava apreciando sua companhia, e aproveitou a testa encostada na sua para roçar de leve os lábios nos dele mais uma vez, leve como o contato entre os corpos dos dois.

- Com licença... – falou antes de se afastar um pouco e trazer a mão das costas pelo peito do moreno, subindo até o queixo para levantar de leve a cabeça dele. Então ligou mais uma vez a água, tirando o xampu da cabeça dos dois e deixando a espuma escorrer nas pequenas brechas entre os corpos. Sem o sabão no caminho, não hesitou em beijar o moreno mais uma vez, as mãos passando pelos cabelos dele, colocando-os para trás, os dedos ajudando a espuma diluída a deslizar pelo pescoço e o peito, pressionando a pele morena com a ponta dos dedos. Não descolou o abdômen do dele de forma alguma, apenas movendo o quadril discretamente ao sentir as coxas e o baixo ventre roçando. Marion respirou fundo enquanto aprofundava o beijo, buscando a língua de Lucius, e mordiscando de leve o lábio dele. - ... Se eu puder tocar abaixo da cintura, me morde. – instruiu, sabendo que não queria sair daquela distância para ver nenhum gesto do moreno.
#6
Permitiu que ele lhe abraçasse e, ao contrário do que estava acostumado de esperar naquele tipo de sensação, estava apreciando o carinho e o toque mais íntimos vindos do amigo, ainda que ele fosse só um amigo que havia feito há tão pouco tempo. Fechou os olhos com a água encontrando seu rosto e a espuma deixando seu cabelo. Engoliu a saliva de sua boca e sentiu com melhor precisão onde estavam os dedos de Marion em seu pescoço, ainda que por um breve instante enquanto ele deixava a água lavar o produto de cheiro agradável de sua cabeça.

Correspondeu o beijo do outro conforme ele intensificava o ato, o abdômen se contraindo com os toques em seu pescoço e peito. Com o quadril encostado ao amigo e as pernas roçando umas nas outras, sentiu os lábios dele se afastarem com um convite de uma mordida. Encarou o rapaz, surpreso pela pergunta por um momento, o corpo molhado e quente, não apenas pela temperatura da água que não parava de cair. Pousou as mãos nos ombros de Marion, atraído pelo auto controle dele e pelo cuidado que o rapaz mantinha em lhe pedir permissão antes de atender as próprias vontades.

Segurou Marion pelos ombros no lugar, pressionando os polegares de leve na ligação entre as clavículas e os ombros, antes de se aproximar de novo, acompanhando atentamente as reações do parceiro. Entreabriu os lábios no pescoço dele, beijando-o com certo cuidado antes de chegar ao pé do ouvido dele, o peito pressionado contra o do outro, o batimento cardíaco acelerado denunciando sua ansiedade. Não pensou duas vezes antes de mordê-lo na cartilagem da orelha furada. Relaxou as mãos nos ombros dele, envolvendo-o pelo pescoço com eles ao se afastar só o suficiente para voltar a encarar o amigo, a feição mais leve, ainda que fosse notória sua expectativa em como ele poderia lhe tocar.
#7
Notou o corpo de Lucius muito mais confortável naquela situação que enquanto estavam no The Capitol. Podia dizer que ele estava correspondendo bem aos seus avanços, e sinceramente, um entendimento mútuo era muito excitante para Marion. Tomou a liberdade de pressionar mais o corpo contra o dele, embora as mãos não saíssem da altura do peito como tinha anunciado. Qualquer roçar das coxas ou do baixo ventre era “mera coincidência”, mas não havia dúvida que as reações menos nervosas de Lucius começavam a lhe excitar.

Ficou mais quieto enquanto Lucius tentava lhe segurar no lugar, o peito próximo o suficiente para que sentisse os batimentos acelerados dele enquanto os lábios tocavam seu pescoço de um jeito suave. Até inclinou levemente a cabeça para que ele tivesse mais espaço para lhe beijar ali. Porém, o rapaz decidiu ir até sua orelha, mordendo de leve, um arrepio agradado com a permissão lhe passando por todo o corpo. Os dedos até apertaram um pouco mais as costas de Lucius, e Marion soltou um breve suspiro enquanto ele lhe encarava mais uma vez, parecendo mais decidido.

- Como quiser... – foi a sua resposta, os dedos descendo firmes pelas costas úmidas de Lucius, acompanhando a coluna até as nádegas, trazendo o quadril dele mais próximo ao seu, encaixando a perna entre as dele e desligando a água um instante antes que inundassem o box. Sentiu o corpo de Lucius mais próximo e mais quente, o que tornava tudo mais interessante para os dois, esperava. Devolveu a mordida na orelha com a mesma leveza nos lábios de Lucius. – Pode me morder mais forte da próxima... não dói tanto quanto me excita... – falou com um ar de riso, mordendo suave o queixo de Lucius, depois beijando o pescoço e descendo pelo trapézio e o ombro tatuado.

O bom de Lucius ser alto era que não precisava ter muito trabalho para alcançar o peito, mordiscando de leve o mamilo, deslizando a língua como um silencioso pedido de desculpas pela breve dor. Uma das mãos apertou a coxa firme, subindo até a cintura enquanto chegava na altura do umbigo, beijando o abdômen. Ajoelhou no chão devagar e então puxou o joelho de Lucius devagar para não desequilibrá-lo, beijando-o pela parte interna da coxa, mordendo a parte com mais carne.
#8
Com as mãos do amigo percorrendo seu corpo, sentiu-se cada vez mais exposto, principalmente quando o toque chegou em suas nádegas, o movimento guiando sua posição. Quando Marion desligou a água, ficou um pouco mais envergonhado, pensando que, apesar de estar ali em meio ao toque íntimo, havia dito inicialmente que iria tomar um banho. Encarou o outro quando ele pareceu inclinado a ideia de dor que uma mordida poderia causar, os ombros tensionados com a expectativa de causar dor ao outro e ele gostar.

A respiração acelerou, assim como os batimentos quando ele passou a percorrer seu corpo com a boca. Era estranho ter uma boa sensação se prazer que não lhe fazia se sentir diminuído, agredido. Não se importou com as mordidas em seu corpo, o amigo era carinhoso nos toques e parecia estar inclinado a lhe dar toda a atenção necessária naquela noite. Ficou surpreso quando Marion se ajoelhou, mas não se moveu de onde estava, seu corpo já dando sinais de que estava excitado com as carícias do outro.

Ao receber a mordida na coxa, levou a mão em reflexo ao próprio rosto, desviando o olhar do que Marion estava fazendo, contendo um suspiro de prazer ao ser tocado daquela maneira. Podia sentir seu próprio membro lhe traindo, respondendo positivamente às carícias do amigo ajoelhado. Com receio de perder o apoio, usou a mão livre para se apoiar na parede do box, o abdômen contraído na expectativa de ser mordido novamente. Baixou o olhar mais uma vez, continuando na expectativa do que Marion estava tentando provocar, além da sua ereção.
#9
Lucius parecia surpreso com o caminho que tinha tomado, mas Marion tinha decidido e dito desde o clube que tinha interesse assim nele. Talvez ele realmente fosse tímido para aquele tipo de aproximação, ou estivesse desacostumado com tipo de provocador barato que era Marion, mas no fim das costas, não se negaria a dar a Lucius o que prometeu. E pelas reações do corpo dele, ele não parecia nada contra a ideia. Era só um toque leve, só isso, e depois poderiam terminar de tomar banho, de verdade dessa vez.

- Não gosta de olhar...? – Marion perguntou com um ar divertido quando Lucius desviou o rosto, encostando a bochecha por um instante na coxa do moreno como quem se fazia de fofo, ainda que grande como Marion era, estava longe de ser um adjetivo bom para descrevê-lo. – Uma pena... eu acho esse ângulo bem excitante... – adicionou, abrindo um sorriso largo. – Me empurre se não gostar... mas eu duvido.

Marion sentiu as coxas molhadas e firmes de Lucius com os dedos e deu mais uma mordida nele próximo a virilha, sentindo o próprio corpo completamente excitado naquela situação, Beijou o moreno pelo púbis, levando uma das mãos até a semi-ereção dele, a língua deslizando por toda a extensão. Envolveu a glande com a língua, massageando-a por baixo enquanto a mão livre ia até o próprio corpo, beliscando o mamilo e descendo até o membro que já doía sem ser tocado. Atiçou Lucius com a língua, indo do pênis até mais embaixo, voltando para toma-lo com a boca, o corpo todo estremecendo com a sensação da ponta escorregando de leve em direção a garganta.
#10
Franziu o cenho quando ouviu do outro a pergunta sobre não gostar de olhar. A respiração estremeceu em seu peito quando o rapaz encostou o rosto em sua pele, exibindo uma intimidade facilmente adquirida. Cerrou os lábios com os arrepios e contrações que percorriam seu baixo ventre enquanto Marion lhe tocava e proferia aquelas palavras de uma forma mais ousada e confiante. Ele não parecia maldoso, e era estranho estar tendo aquelas sensações sem o receio de ser punido por ter uma resposta errada ao parceiro.

Estalou a língua no céu da boca antes de suspirar prazerosamente, baixando o olhar para observar seu membro em contato com os lábios de Marion. Com os ombros tensionados e a ponta dos dedos em seus pés contraídas com a sensação da penetração na boca do outro, soltou o apoio da parede, levando as mãos para o rosto do rapaz. Atencioso, deslizou os polegares nas maçãs do rosto descarado, apreciando a imagem do outro ajoelhado a sua frente, satisfazendo uma necessidade de contato íntimo que sequer havia percebido que lhe faltava.

Entreabriu os lábios, deixando escapar mais um suspiro de prazer enquanto os ombros relaxavam. Encarou o outro, os fios escuros voltando a cair pelo seu rosto. Segurou o queixo de Marion com cuidado, introduzindo o polegar que antes massageava a bochecha na boca do outro, afastando os dentes até ele tensionar a mandíbula. Moveu os quadris, deslizando o órgão pela língua do outro até encontrar a garganta. Estremeceu, respirando fundo novamente ao manter a pressão ali, as mãos livres na cabeça do rapaz, os dedos deslizando pelos fios escuros.

Piscou algumas vezes, dando-se conta do que estava fazendo com o amigo e afastou as mãos do cabelo dele, os ombros tensionando mais uma vez. Desviou o olhar novamente, afastando as mãos para as próprias costas a fim de evitar tocar o outro de novo e forçar o corpo dele a reações desnecessárias. Era prazeroso, de qualquer forma, sentir a boca dele lhe envolvendo. Só não sabia o que fazer a respeito das reações do corpo dele e como retribuir aquele tipo de atenção sem machucá-lo.
#11
Lucius não era o tipo acostumado a sexo casual, isso era óbvio pela tensão no corpo dele apesar dele lhe observar atentamente, como se estivesse descobrindo todo um novo panorama. Marion que era acostumado demais, mas não queria muito de Lucius, primeiro para não assustar, segundo porque aquele era um momento só para aumentar um pouco a intimidade e desestressar. Ao menos pensava assim.

Por isso Marion ficou satisfeito quando Lucius deixou um pouco da timidez de lado para tocar seu rosto, que respondeu prontamente com um olhar satisfeito e um leve suspiro quase ronronando de satisfação com o fato dele tomar alguma atitude. Deixou o membro dele escorregar para fora de seus lábios, abrindo um sorriso agradado antes de tomar a ereção novamente na boca. Sabia que ele não ia achar ruim.

Inesperado como fosse, o polegar foi até sua mandíbula, segurando sua boca, lhe arrancou um suspiro ainda mais satisfeito. Sentiu a ereção ir mais fundo em sua garganta, e tentou relaxar para não engasgar, mas apreciava a abordagem mais agressiva de Lucius naquele momento. Apoiou uma mão nos azulejos atrás de Lucius, a mão que segurava o próprio membro aumentando o ritmo dos movimentos enquanto Marion sentia a garganta tomada e o nariz tentando controlar a própria respiração enquanto ele movia os quadris. Até fechou os olhos para se concentrar na sensação dos dedos em seus cabelos.

Só que elas cessaram de repente, e ao entreabrir os olhos, viu Lucius escondendo as mãos como quem tinha feito algo errado. Levou a mão até a base do membro dele, tirando o volume da garganta, abrindo a boca por um instante, mas sentindo apenas a saliva e um leve incômodo.

- ...Cof....! Hahh... cof cof… tudo bem... – Marion tentou falar com um leve ar de riso, mas não tinha como ser convincente com a voz trêmula. – ... Tudo bem, Lucius... eu gostei... olha... – falou, colocando o corpo um pouco pra trás para exibir a própria ereção, tocando o topo úmido. – Hnn... acho que nós dois precisamos de alívio...

Marion se levantou sem pressa, deixando ainda um beijo no abdômen de Lucius e no peito, ficando de pé novamente frente a ele. Provavelmente ele acharia mais confortável assim, embora pelo que tinha aprendido segundos atrás, Lucius gostava de ir um pouco mais intenso do que esperava. Levou a mão até a dele, entrelaçando de leve os dedos enquanto beijava o rosto do moreno próximo aos lábios, evitando a boca supondo que ele, sendo uma pessoa mais limpinha, não gostaria de dar um beijo direto no próprio pênis.

- Assim fica mais fácil... – guiou a mão de Lucius até o próprio membro, deixando-o livre para lhe tocar e ficando livre para fazer o mesmo, pressionando os dedos em torno da ereção do moreno, massageando-o antes de começar a mover a mão.
#12
Ficou mais constrangido pelo engasgo do outro, imaginando que era o resultado de ter forçado ele com uma atitude desagradável. Estranhou o ar de riso que seguiu o engasgo e baixou o olhar, encarando o amigo que conseguia admitir sem nenhum receio que havia gostado daquilo. Ele ainda estava se expondo, deixando claro a própria excitação com aquele momento e com o que havia acabado de fazer. Não fazia ideia do tipo de "alívio" que o rapaz tinha em mente, pois ainda se sentia perdido com o que podia ou não fazer com o outro.

Acompanhou o rapaz se erguer a sua frente com o olhar, um arrepio percorrendo sua coluna com a sensação dos beijos e do carinho mais atencioso a sua presença ali. Estranhou a sensação de cumplicidade e de conforto com os dedos dele nos seus e os beijos próximos de seus lábios. Deixou-se guiar pelo dançarino que lhe permitia tocá-lo no órgão já ereto. Encarou o outro, mas não afastou a mão de onde ele havia lhe colocado, os lábios deixando escapar um suspiro em um misto de prazer e conformidade pelo comportamento do outro que lhe parecia complexo.

Encarou o rapaz, os fios escuros do seu próprio cabelo colados ao desenho de seu rosto enrubescido, porém sem esconder o brilho dos olhos mais claros. Não moveu a própria mão a priori, os dedos desenhando o formato do talo, percorrendo as veias do membro pulsante até chegar ao topo, a unha curta do polegar chegando a pressionar a entrada do canal masculino. Não removeu o olhar do rapaz, acreditando na ideia de que ele estava disposto a lhe permitir aquela intimidade ainda que fosse um tanto quanto desconfortável.

Soltou o membro dele, deslizando as unhas pelo baixo ventre até a cintura do outro, a outra mão tocando o queixo de Marion até deslizar para o pescoço dele, escorregando o toque até a nuca. Trouxe o amigo para si, sentindo a contração do próprio baixo ventre quando sua glande entrou em contato com o abdômen e o membro dele. Moveu-se para trás até recostar com a parede do banheiro de Marion, escolhendo estar em contato com a superfície fria ao invés de colocar o outro naquela posição. Era só um convidado ali, nada mais que justo. Recostado à parede, manteve a pressão na nuca do amigo, apreciando a sensação agradável dos fios curtos em seus dedos. Soltou a cintura dele, voltando a dar atenção à masturbação do parceiro. Aproveitou a aproximação para aproximar o órgão dele do seu, imitando o estímulo constante do amigo em seu próprio membro. Devolveu os beijos no rosto de Marion em meio a suspiros e gemidos baixos de prazer. Manteve o movimento com os dedos no órgão do parceiro em um ritmo inconstante, provocativo, que variava entre um vai e vem mais rápido e um massagear da glande com a palma da própria mão toda vez que se dava conta de que o rapaz estava ficando animado demais. O próprio corpo já dava sinais de que não estava muito longe de um orgasmo, a ponta da sua glande já começando a deixar escapar o líquido viscoso, lubricando a extensão do membro com o gozo prévio.


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