Julgando a vida alheia [Diodoro]
#1
Depois de dar a notícia ao amigo sobre sua situação na cidade, suas visitas se tornaram corriqueiras. Geralmente quando largava do plantão ou não estava tão cansada a ponto de ir direto para seu novo apartamento, resolvia passar pela funerária para encontrar o agente fúnebre que havia se tornado sua melhor companhia para lanchinhos noturnos na cidade. Sempre havia algo novo para comentar com o sujeito, fosse sobre o trabalho no hospital ou sobre sua vida pessoal com os encontros e desencontros com os funcionários do mesmo lugar. E Diodoro era um bom ouvinte. Para sua mais recente surpresa, ele até estava começando a falar mais sobre sua própria situação e dores de cabeça, como o problema com a própria família ao empregar o sujeito acidentado no cemitério.

Quando não convidava o sujeito para sair e jantar, levava algo para comerem, principalmente lanchinhos que bem sabia que a mãe dele faria cara feia se descobrisse que ele estava consumindo. Bem, a comida do hospital era bem sem graça e imaginava que trabalhando naquela funerária, o apetite do homem não buscava alimentos muito distantes daqueles que lhe trouxessem alguma satisfação emocional em contraste com a morbidez dos caixões e corpos para preparar.

Chegou na entrada no estabelecimento com sua bolsa de lado e duas sacolas de compras do mercadinho onde havia parado no caminho para chegar até ali. Estava com os trajes de tonalidades claras entre o branco, cinza e o beige, a saia de corte reto até os joelhos e a blusinha de tecido leve branca, acompanhada nos brincos dourados e finos que costumava usar. O jaleco estava na bolsa, pois precisava levar a peça para lavar depois do plantão.

Parou antes de apertar a campainha do lugar, mantendo o semblante mais neutro, pois nunca sabia quando o homem poderia estar atendendo algum cliente ou quando Brigida poderia estar na funerária. Ainda que ficasse animada de encontrar o amigo, mas era saudável para quem procurava o estabelecimento encontrar uma doutora como ela toda sorridente por ali. No mínimo seria tachada como, assim como imaginava que o pai de Diodoro diria, "rude". O agente fúnebre já tinha muito em seu próprio prato para se preocupar com aquele tipo de rumor.
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#2
Aquela noite tinha sido tranquila na funerária. Sem trabalhos para dar conta, sem papelada para preencher, sem pessoas inadimplentes para cobrar – sim, às vezes fazia esse tipo de ligações, embora fosse muito melhor que Brigida as fizesse, para evitar a aura de mafioso. Até dispensou Xavier cedo, pensando em fechar tudo e dormir em casa caso nada lhe atrapalhasse.

Aliás, lembrar de seu apartamento lhe lembrou do evento recente passado nele.

Diodoro sentou à escrivaninha e murmurou algumas reclamações para si mesmo, supondo que estava desafiando demais sua moral ali. Encarou a tela desligada do computador da funerária para julgar o próprio reflexo, e de relance, viu que uma pessoa tinha chegado à porta. Natalia. Será que… deveria falar com ela? Ela tinha ajudado antes… não tinha?

- Natalia. - Diodoro chamou ao abrir a porta, convidando a médica para entrar saindo do caminho. Notou as sacolas na mão dela e estendeu a mão, esperando que ela quisesse ajuda para pegar as compras.
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#3
Encarou o semblante de Diodoro e olhou por cima do ombro do sujeito, procurando em seu campo de visão de havia ainda mais alguém por ali na funerária antes de entrar. Ao invés de entregar as sacolas, todavia, entregou para ele sua própria bolsa e caminhou até o balcão onde ficava o computador, verificando também abaixo dele apenas para saber se Miro estava por ali, afinal de contas gostava do gatinho.

- Obrigada pela gentileza. - sorriu finalmente ao começar a tirar os itens de sua sacola. - Já jantou? Eu trouxe um lanche, já que a gente sempre sai pra comer, mas eu nunca sei quando você está livre, não é? - começou a mostrar o que havia comprado. - Eu trouxe queijo gouda, queijo do reino, provolone, hmmm, eu não sei se você gosta de gorgonzola, mas eu trouxe, tem esse saco de torradas da padaria perto do trabalho, tem um pote de geleia de frutas vermelhas, nutella... - fez uma breve pausa, pegando a última sacola para retirar uma garrafa de vinho tinto bordô suave Pinot Noir. - ... comprei isso já que a sua família é católica e católicos tomam vinho, então... - deu de ombros, colocando a garrafa no balcão.

Deixou as coisas no balcão para poder ir até os fundos lavar as mãos, mas antes se voltou para Diodoro, fazendo uma pausa em seu própria capacidade de falar pelos cotovelos.

- Dia ruim? - resolveu perguntar, ele não era muito de falar, então antes de lavar as mãos e começar a aproveitar o lanchinho que havia comprado com o amigo, achou melhor perguntar se ele estava bem ou de acordo com aquilo. Naquele horário, ele já deveria estar voltando para o próprio apartamento, afinal.
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#4
Natália lhe estendeu a bolsa ao invés das sacolas, e sem pensar duas vezes, pegou a mesma e levou até o gancho onde pendurava casacos. Imaginava que aquele monte de sacolas eram de comida, o que lhe deixava satisfeito, afinal, era sempre uma boa oportunidade um jantar junto de alguém. Até Miro já tinha lhe abandonado para caçar um rango extra no cemitério, embora estivesse começando a achar que seria melhor, para a sua saúde e segurança dele, que o trancasse antes que ele comesse algum rato doente.

Sacudiu a cabeça negativamente para a pergunta se tinha jantado e logo a médica começou a descrever tudo que tinha trazido ali, no geral, o conteúdo de uma tábua de frios, mas sem a tábua. E acompanhando a pretensa tábua de frios vinha também vinho. Diodoro não era grande bebedor, mas ficaria feliz de tomar uma taça ou duas com a amiga enquanto degustava os queijos que ela tinha trazido. Principalmente se isso o ajudasse a esquecer o assunto da vez.

Talvez seu rosto estivesse refletindo muito seus pensamentos, ou talvez Natália tivesse aprendido a ler além da sua expressão taciturna de sempre para lhe perguntar se o dia foi ruim. Novamente negou com a cabeça instantaneamente.

- Tranquilo. – respondeu simplesmente, indo até o armário para pegar uns pratos e talheres que guardava ali quando precisava comer na funerária. Montou tudo na salinha dos fundos, assim não precisariam usar a recepção, que já estava arrumada ou correr o risco de deixar a bancada com cheiro de gorgonzola. - ... Só distraído. – coçou a cabeça de leve depois de montar a mesa para dois, tirando o conteúdo da sacola e arranjando sobre a mesa. – O seu? – devolveu a pergunta sobre o dia de Natalia, afinal, ela tinha saído de lá até a funerária. Talvez ela quisesse conversar mais que ele.
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#5
Agradeceu quando ele ajudou a arrumar o espaço para o lanche noturno que teriam juntos. Começou a servir o vinho antes de começar a aproveitar os queijos na torrada. Estreitou o olhar quando ele falou que estava distraído apesar do dia tranquilo.

- Uma certa enfermeira tirando o pouco juízo que me resta. Tive que ouvir de uma criança de quem ela cuida se a menina não podia começar a trabalhar logo, provavelmente queria ajudar a irmã maluca. - comentou, dando de ombros enquanto bebericava do vinho. - E o que está te distraindo? É teu novo empregado? Eu ainda não encontrei ele. - fez uma breve pausa, erguendo a mão para tentar mensurar a altura do sujeito. - Ele é mais tipo eu e você. Ou... - ergueu a mão, apontando para o teto. - Ou é tipo o grandão?

Não via problema algum em mencionar o sujeito perigoso. Ele já havia tentado acabar com a vida de seu amigo mesmo, e acreditava que se até então ele não tinha terminado o serviço, só o faria se alguém tivesse uma boa quantia em dinheiro e interesse em matar o agente fúnebre, o que duvidava muito. Diodoro era muito bem em ser discreto e permanecer escondido. Diferente de sua pessoa que aonde ia parecia se deparar com aquele tipo de gente perigosa.

- Ele foi lá no meu apartamento um dia desses, te contei? Parei de me mudar. Eu nem durmo lá direito mesmo. - comentou, ocupando-se em comer e dar espaço para Diodoro responder.
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#6
Talvez Diodoro fosse a pior pessoa possível para ficar intrigado com a falta de contexto das frases, mas não entendeu nada do que Natália falou sobre a enfermeira. Só sabia que ela estava comendo o juízo da médica... que tinha levado a bronca de uma criança? Aliás, a menção da palavra “criança” lhe fez erguer as sobrancelhas. De certa forma, sentia uma leve azia com a ideia.

Quando ela mencionou Xavier pelo menos se sentiu distraído da conversa, sacudiu a cabeça que “não”. Não podia ter um funcionário melhor para a funerária, ele fazia todo o serviço direito, e não era exatamente o mais conversador dos rapazes. Exceto pelo fato de que agora ali parecia mesmo um serviço de matadores de aluguel. Mas novamente, a menção do “grandão” fez com que Diodoro abaixasse a cabeça e apoiasse o rosto na mão com um ar levemente tenso.

- É um bom menino... – respondeu sobre Xavier, afinal, se antes ele seria associado com um matador, agora seria um matador e outro tipo de criminoso? Não podia deixar.

E pelo visto, ele também tinha acesso ao apartamento de Natália. Será que ela teria o mesmo ímpeto de questionar Arsen como ele tinha? Ou será que ali se tornaria mais um refúgio de escapadas românticas do sujeito? O refluxo subiu até a garganta, estava até suando frio.

- Natalia... – Diorodo chamou, estendendo a mão até ela, muito mais livre para tocá-la, encostando suavemente a mão sobre o pulso dela para impedi-la de levar o copo à boca, porque a notícia poderia ser chocante. – Preciso... ajuda... acho que... ele tem um namorado. – o agente funerário estava tão imerso nos próprios pensamentos que sequer pensou em como isso poderia ser mal interpretado. Principalmente se fosse Hanna jantando ali.
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#7
Ficou mais aliviada em saber que o novo empregado de Diodoro não era alguém que deveria ser perigoso como seu visitante noturno ocasional e criminoso. Entretanto, não conseguiu evitar de perceber o mal estar que o agente fúnebre parecia estar passando. Ele parecia enjoado e claramente estava suando. Arqueou uma sobrancelha principalmente quando o moreno segurou sua mão, lhe impedindo de beber seu vinho.

Encarou o amigo de forma séria e desconfiada por alguns instantes antes de repousar o copo sobre a mesa, virando a cabeça um pouco de lado como quem estava tentando processar a informação que havia acabado de lhe ser servida.

- Espera. Espera! - moveu a mão livre, segurando a mão do outro entre as suas caso ele resolvesse fugir daquela situação. - Você tá me dizendo que precisa de ajuda com o seu novo funcionário porque ele... tem um "namorado"? - ergueu uma das mãos, fazendo o movimento das aspas com os dois dedos. - Dio, meu bem, você é gay? Quer dizer... - bateu na mão dele com carinho. - Tudo bem se você for, não tem problema, tenho um monte de amigos que são. Adoro um amigo gay, mas... - encarou o moreno, incrédula. - Dio, você não pode sair por aí arruinando relacionamentos alheios só porque se apaixonou pelo seu empregado... quer dizer, você sabe qual o tipo dele? - gesticulou para o amigo. - Eu posso te ajudar com um banho de loja, uma ida no spa, mas você tem que saber se o tipo dele é você, meu amor.

Ainda estava incrédula quanto ao empregado, e ainda mais curiosa em descobrir quem era o homem. Estava tentando formular uma imagem mental de como poderia ser o sujeito para fazer com que o tão recluso e introspectivo Diodoro ficasse de quatro pneus arriado por ele a ponto de lhe pedir ajuda. Não que fosse lá a melhor amiga para dar conselhos de relacionamentos quando sua própria vida amorosa era uma bela de uma locomotiva desgovernada rumo a um eterno precipício de putaria e decepções.
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#8
Diodoro não sabia como Natália tinha chegado a conclusão de que estava falando do novo funcionário, mas desta vez até tentou fazer uma retrospectiva das próprias palavras. Talvez o nervosismo de falar sobre Arsen tivesse bagunçado as informações na hora delas escapulirem da sua boca. E não ajudava que Natália estava lhe lançando várias outras perguntas uma por cima da outra.

- Não. O grandão. - tentou consertar, arregalando os olhos. Não sabia nem por onde começar, exceto que achou até amigável da parte de Natália lhe oferecer uma banho de loja e uma ida no spa caso precisasse arrumar um namorado. Se sentiu um pouco "uma linda mulher", mais desprivilegiado. - O tipo dele...

Diodoro até respirou fundo, encarando Natalia muito diretamente.

- ... É menor? - Diodoro então franziu a testa, talvez fosse ainda pior colocado assim, já que estava acusando o amigo (que já era um criminoso) de ser ainda mais criminoso. - Um menino. De St. Clavier. - Será que Natália entenderia seu dilema moral?
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#9
Cerrou os lábios e calou a boca assim que ouviu o timbre de voz do amigo, informando-lhe que estava falando do amigo criminoso deles. Se é que podia considerar um sujeito que nem sabia o nome como "amigo". Baixou os ombros, relaxando um pouco para prestar mais atenção no que o moreno estava falando.

Encarou Diodoro com uma sobrancelha ainda arqueada, chegando a mover seus lábios como se fosse interrompê-lo no momento em que ele falou sobre o outro ter um tipo "de menor". Desviou o olhar por um momento antes de soltar a mão do moreno, cruzando os braços e recostando-se em seu assento, processando a última informação com os olhos arregalados. Tentou lembrar dos meninos que estudavam em St. Clavier, a maioria um bando de himbos e bimbos, mirrados, magricelas, alguns mais redondinhos. Os que praticavam algum esporte costumavam ser maiores, mas não lembrava de nenhum que fosse tão grande quanto o amigo dos dois.

- Bem... - afastou seu copo para oferecê-lo para Diodoro, escolhendo beber da própria garrafa de vinho, era melhor estar alcoolizada para aquela realidade absurda. - ... estamos brindando ao quê, então? À morte por sexo desse menino? - fez uma breve pausa, dando um generoso gole em seu vinho. - Ahnn... quero dizer, o sujeito é gigante, deve ser... - ergueu o olhar, interessada por um instante na decoração inexistente do teto da funerária. - ... eu saberia, já atendi ele. - deu de ombros. - A gente quase já transou, sabia? Eu nego em qualquer oportunidade. Tenho certeza que ele consegue acabar com meus quadris sem esforço nenhum. E olha que eu já aguentei muita coisa, viu. - apontou a garrafa para o amigo, suspirando. - Por favor, Dio, me diz que esse menino tem seguro saúde.

Parecia brincadeira, mas conseguia sentir bem o desespero do amigo. O sujeito era tão grande e forte que conseguia quebrar o pescoço de alguém com uma mão só se quisesse. E se o namoradinho dele fosse um adolescente menor de idade, uma criança, aquilo estava muito errado. Contudo, para um criminoso, aquilo só deveria ser mais uma estrelinha na cartela de infrações dele.
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#10
Natália parecia estar passando pela mesma contemplação que Diodoro passou após o choque inicial -- na verdade o choque durava até agora -- de descobrir sobre o relacionamento de Karen. Isso porque ela não tinha conhecido o rapazinho: era um menino mirrado oriental de fala muito mansa e completamente confortável perto da figura gigante. Não sabia se ele sabia onde estava se metendo.

Pegou o copo de bom grado, tomando um gole, e se segurando para não cuspir pelo nariz quando ela falou "morte por sexo" do pobre rapaz. Se segurou tanto que o vinho escorreu por seu nariz após um horrível som de engasgo. Pegou um lenço do bolso para limpar a bagunça. Era NISSO que ela estava pensando?

Abriu a boca quando ela adicionou casualmente que eles quase transaram, sem saber bem onde ela queria chegar com isso, mas ponderou que talvez fosse bem melhor que ela tivesse os quadris destruídos naquele caso. O menino seria morto, certamente. Aliás, isso queria dizer que Karen não era interessado apenas em menores?

- N-Não sei. - Diororo levou a mão até a testa, os olhos claros muito arregalados. - Natalia... devo... conversar? - Diodoro suspirou longamente. - Faz... diferença? Com o menino... falo com o menino? - os olhos giraram por um instante enquanto ele pensava de forma confusa sobre tudo.
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#11
Voltou a encarar o amigo, notando que ele havia engasgado com o vinho. Estendeu a mão, ajudando o outro a limpar a bebida escorrendo do nariz. Fez uma nova pausa, bebendo mais um pouco da garrafa antes de encher o copo do moreno de novo.

- Tá maluco?! - franziu o cenho para o agente fúnebre quando ele cogitou conversar com o criminoso. - Você já esqueceu o que ele fez com a sua cara? - ouviu ele falar sobre o menino. - Ah, não... não, o menino? Não, Dio, claro que não. Quer dizer, sei lá... - baixou o olhar, mastigando um pouco de queijo com bolachas para forrar mais o estômago. - ... eu posso explicar para ele sobre preliminares e lubrificantes com anestesia... - suspirou, fechando os olhos e apoiando o cotovelo na mesa e o queixo na palma da mão, a garrafa na outra.

Mesmo que falasse com o menino, o adulto era o grandão e ainda lhe custava entender como ele havia arrumado um namorado que podia ser um menor de idade. Talvez Diodoro estivesse exagerando, mas duvidava muito que ele poderia inventar tudo aquilo sobre o maior, com certeza ele havia visto algo.

- Eu estou sóbria demais para essa conversa. - ergueu o olhar, encarando o moreno de novo. - Vou beber mais um pouco e a gente liga pra ele e chama ele aqui pra conversar... - fez uma nova pausa. - Quero dizer, ele que é o adulto, não é?! Argh... eu não queria morrer hoje. - apontou a garrafa para o amigo. - E não vou deixar você falar sozinho com ele sobre um assunto delicado desses! E se ele ficar nervoso de novo?! Eu é que não vou ligar pra sua irmã e dizer "hey, adivinha quem bateu as botas, Brigida?" ou "hey, bambinos, adivinha quem vai ganhar um presente a menos do tio Dio nesse Natal?"???! - encher a boca de bolacha com geleia e queijo. - Neshm penshar shque vshou deishar isho roshlar!
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#12
Às vezes Diodoro esquecia mesmo o que Karen tinha feito com sua cara. Era difícil e confuso demais para explicar para Natalia porque achava que ele não faria mais aquilo, de explodir daquele jeito, e não era como se estivesse sendo sensato quando pensava assim. Mas não lhe incomodaria falar com Karen. Só que seus olhos quase afundaram no rosto quando ela mencionou a ideia de que poderia resolver algo falando com o garoto sobre preliminares e lubrificantes com anestesia. A ideia lhe parecia ainda mais perturbadora que falar com um assassino de aluguel.

Quando Natalia falou que estava sóbria demais para aquela conversa, Diodoro concordou silenciosamente e estendeu o copo que Natalia tinha lhe dado. Lhe embrulhava o estômago a ideia de ter que conversar sobre algo assim com Karen, mas alguém precisava intervir. Pelo bem dos dois?

Os ombros de Diodoro murcharam a medida que ela falava sobre sua possível morte em caso de conversar assim. Não podia afirmar com toda a certeza que ninguém ia morrer por causa disso, mas achava a conclusão dela muito drástica.

- Ele que... está errado. Não vai... ficar nervoso. - Diodoro engoliu em seco, com um total zero certeza de que estava falando algo correto. Lavou a garganta com vinho. - ... Como assim ligar? - questionou. Não tinha telefone no qual contactar o moreno. Ela tinha? Por que?
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