[Drive] Larica [Fleur; Dieter]
#1
Fleur

Fleur tinha marcado de encontrar com Dieter no fim do dia, depois do horário das aulas em St. Clavier. Sair com o professor de biologia tinha se tornado parte de sua rotina diária especialmente depois de deixarem bem claro o relacionamento entre os dois. Era uma companhia refrescante, considerando que fazia muito tempo desde que tivera algum tipo de relacionamento íntimo… e era ainda divertido por conta das reações bem adversas de Arman para com o professor em sua casa.

Mesmo com o encontro marcado, ela decidiu tirar o dia para ficar em casa e fazer uma boa faxina, como não fazia há algum tempo. Gostava de cuidar ela mesma da própria casa e entre o trabalho na Antique e a criação de Arman, conseguir parar para fazer aquele tipo de coisa era quase uma terapia, porque significava que não tinha que se preocupar com o andamento dos negócios nem com o paradeiro do filho já bem crescido.

Ela começou o trabalho logo cedo, às nove da manhã, e conseguiu dar conta da sala e dos quartos, sem se preocupar em parar para almoçar, fazendo apenas alguns lanches no meio do caminho. Teria continuado com a faxina até limpar os banheiros, mas sabia que aquilo lhe deixaria mais cansada do que relaxada, então preferiu só tomar um banho demorado, sentar no sofá da sala agora muito bem organizada e ler um livro de romance enquanto as horas passavam até o horário que Dieter iria para sua casa. Deixou o livro de lado quando o relógio já marcava pouco mais de 15h, depois de ter dispensado o próprio almoço, talvez fosse uma boa ideia preparar algo que pudesse comer com Dieter quando ele chegasse.

Parou por alguns instantes diante da geladeira e dos armários, pensando nas possibilidades do que preparar para comerem. Comida francesa já era bem recorrente, então talvez fosse bom testar algumas receitas que gostava e outros locais, mesmo que não tivesse visitado pessoalmente.

Antes que pudesse se dar conta, já estava preparando mais do que pretendia inicialmente. A primeira coisa que fez foi a massa de strudel, com o recheio de maçã, já que a sobremesa precisava ir antes para a geladeira por vinte minutos para só depois ir para o forno. Pensou em preparar apenas um frango a kiev e no instante seguinte, já estava distraída fazendo outros pratos principais com couve recheada, a receita polonesa, e um cozido de carne e legumes, da Croácia. Os pratos lhe deixaram distraída o suficiente para esquecer da hora e já passava de quatro da tarde quando o cheiro da comida já invadia não só a cozinha, mas provavelmente a casa toda.

Dieter

Viver em uma cidade pequena e pitoresca como Cerise estava lhe rendendo certamente experiências muito interessantes, às vezes mais experiência do que gostaria, mas como nada se perde na pesquisa, tudo se aprende. E tinha plena e total certeza que da próxima vez que precisasse se livrar de evidências crime, não as queimaria, se estas contivessem a capacidade de causar-lhe qualquer dano ou efeito colateral imediato. Não que subestimasse o efeito que a erva poderia causar em seu organismo, conhecia a mesma de verões passados, no entanto, não podia supor que o seu corpo reagiria de forma tão imediata e intensa a mesma. Tinha de admitir que era uma planta de altíssima qualidade no fim das contas, triste fim que tinham a queimado toda de uma vez.

Depois de um banho longo para tirar qualquer cheiro que a queima da erva poderia ter deixado em seu corpo, o australiano estava gargalhando no banho, a sensação de limpeza era algo inebriante com certeza, nada tinha haver com os efeitos psicossomáticos causados pelo uso intenso em doses cavalares de Cannabis. O professor de Biologia, enquanto se arrumava, gesticulava de forma exagerada e conversava com o próprio reflexo no espelho, crente de que estava sendo completamente discreto, expandiu a conversa para suas espécies empalhadas de outros dias de aulas de taxidermia. Certamente qualquer professor que também estivesse nos dormitórios naquele horário, estranharia a felicidade transbordante do australiano, que já estava fazendo os sonzinhos do solo de guitarra que uma das músicas que ouvia.

Dieter pôs uma camisa de botões de tecido fino, de cor verde escuro, combinou com calça jeans de lavagem escura, sapatos e cinto marrons claro, e por cima pôs um colete cinza. Estava terminando de se arrumar até perceber os olhos visivelmente vermelhos, a ponto de ser totalmente visível que havia algo de errado com o professor. Se não fosse a euforia evidente, poderia até colocar a culpa em alguma doença nos olhos, mas o professor não estaria tão alegre se estivesse doente, sendo conhecido pelo histórico de hipocondria. Então restava por um óculos escuro para ao menos sair da academia masculina, esperava que até chegar a residência de Fleur, já tivesse aliviado, embora por ter uma boa memória, sabia que os efeitos não passariam tão cedo. Mesmo assim não conseguia parar de rir.

Depois de pegar uma condução até a parte residencial de Cerise, chegou a casa de Fleur, apenas uns poucos minutos depois do horário combinado, nada que gerasse uma discussão sobre atrasos, e mesmo que gerasse, sabia que ao tirar os óculos escuros, teria uma outra discussão. No mínimo, mas ainda estava rindo. Isso claro, até se aproximar da cerca baixa que dava acesso ao jardim da casa da mulher, o cheiro de comida lhe despertando a sensação de fome, mas não qualquer tipo de fome. Era como sentir um abismo se formando dentro de si, como se não tivesse feito refeições a vários dias, todo o seu corpo se arrepiou na expectativa de comer aquilo que estava sendo preparado.

Cortou o caminho do jardim em alguns poucos passos largos e logo estava batendo na porta com urgência, como se sua vida dependesse daquele breve instante entre ele e o maior banquete de sua vida. Tudo separado por uma fina camada de madeira compensada chamada porta:

-- CHEGUEEEEEEEEI! -- comentou em alto, bom som, em seu sotaque australiano característico, que usava quando estava dando aulas, ou quando estava dissociando em esquizofrenia falando com o próprio celular.

Fleur

Fleur estava provando da comida enquanto tirava a sobremesa da geladeira para levar ao forno. Faltava pouco para terminar o preparo e antes que pudesse conferir a hora para a chegada de Dieter, ouviu as batidas desenfreadas na porta que lhe deixaram bem alarmada. Baixou o fogo e deixou a colher de pau de lado, estava usando uma roupa simples com uma calça legging justa, sandálias e uma camisa um pouco folgada e com mangas 3/4 que não lhe atrapalhavam na cozinha. Seguiu até a porta, ainda estranhando o ímpeto das batidas até ouvir o grito desnecessário de "cheguei" do lado de fora.

Ela quase parou no corredor por um instante, arqueando as sobrancelhas. Não tinha aberto a porta ainda, mas já podia deduzir que Dieter devia estar no mínimo bêbado para fazer aquele tipo de estardalhaço. Não que ele fosse uma pessoa naturalmente discreta, mas aquele tipo de entrada era novidade. Seguiu calmamente até a porta, abrindo-a e dando espaço para um Dieter excessivamente animado, com um sorriso enorme no rosto e óculos escuros - que também eram uma novidade comparado aos óculos de grau que ele sempre usava.

- Ora, ora, me parece excessivamente animado hoje, Dieter. A que devo toda essa empolgação? - deu espaço para que ele entrasse, analisando-o mais cuidadosamente apenas para descobrir se ele estava alcoolizado ou se apenas era uma das excentricidades novas do professor. Se fosse o primeiro caso, ficaria muito feliz em puni-lo pela situação.

Dieter

Os milésimos de segundos se mostravam a Dieter como o conjunto do passo-a-passo para compreender o significado de eternidade. Pois bem sabia que Fleur tinha ouvido seu chamado, mesmo que a casa fosse grande, sabia que tinha falado em tom audível pra quem sabe metade do quarteirão ouvir. E quando a porta finalmente se abriu, parecia que existia um vácuo tragando o corpo do australiano para dentro da casa, entrou rapidamente, buscando com o olhar a figura de sua digníssima amada. Mal esperou que ela fechasse a porta, tão logo a mão dela desencostou do trinco da porta, o homem de pouco mais de 1,80m envolveu o corpo de Fleur em um abraço carinhoso, mas a empolgação foi tamanha que a ergueu do chão e deu duas voltas antes de retorna-la ao chão:

-- hoje é um dia glorioso! Posso estar em sua presença, posso desfrutar do seu aroma maravilhoso, e inebriante. O trabalho deu certo de manhã, o experimento HCA anda muito bem, resolvi pequenas crises em St. Clavier bem em tempo de estar aqui. Que outro motivos eu precisaria para estar de ótimo humor? -- Dieter desatou a falar, e mal percebeu que estava jogando seu sotaque quase a ponto do seu francês ficar muito difícil de acompanhar. Estava quase falando inglês de novo, pelo nível de empolgação, o coração estava acelerado e a sensação de euforia só não era maior que a sensação de fome:

-- Como foi seu dia hoje? Vejo que aparentemente não foi para Antique, ficou muito ocupada? Demorei demais? Sei que me atrasei um pouco, espero não tê-la chateado.-- Falou tudo em inglês então, mas não se deu conta do fato, afinal, estava tão cheio de energia que quase se sentia um jovem de novo. Um jovem faminto, mas ainda assim um jovem com bastante energia.

Fleur

Não bastasse o grito e as batidas descompassadas na porta, ele ainda entrou apressado em sua casa e lhe abraçou carinhoso, o que seria normal, não fosse o fato de que tinha lhe erguido do chão e dado algumas voltas. A expressão de surpresa de Fleur foi genuina, de novo, por que não sabia se ele estava alterado de alguma forma por causa de álcool, ou se era só mais um dos lados excêntricos do professor. Bom, talvez ele só estivesse mesmo num ótimo dia em que as coisas estivessem dando certo? Podia dar o benefício da dúvida, já que ainda estava conhecendo algo mais de Dieter.

- Bom, que bom que está aproveitando o dia, então. - ela respondeu com um sorriso entretido também. Estava finalmente de volta ao chão, e o final da sentença dele ficou bem confuso com o sotaque pesado. - Eu estava...

Ela não teve tempo de completar a sentença, quando ele adicionou os comentários agora em inglês - ou o que ela imaginava que era inglês, considerando que mesmo com os turistas na Antique, não conseguia entender quase nada do idioma.

- Calma lá, Dieter. - apoiou a mão no peito dele, como se fosse para impedi-lo de andar mais ou talvez indicar que ele parasse com a empolgação. - Primeiro, eu não entendi nada do que disse, se era francês, você está precisando de mais prática. Segundo, tire os óculos, não estamos na praia. Eu estou terminando de preparar a comida, me empolguei um pouco com uns pratos diferentes. Espero que não tenha problema com culinária de outros locais da Europa.

Ela fez um aceno para que ele o acompanhasse até a cozinha, onde ainda tinha que terminar os pratos principais.

Dieter

O australiano sequer tinha notado que tinha mudado de idioma ao falar, mas era natural que o cérebro embora eufórico, estivesse confuso, e por um impulso natural, retornasse ao idioma principal de Dieter. A reação imediata do professor foi rir diante do comentário de Fleur sobre não ter entendido nada que tinha falado, mas riu de forma menos escandalosa, fazendo gestos com a mãos assumindo que era culpado naquela situação. Mas se sentiu plenamente agitado quando a mulher começou a descrever que tinha se animado e empolgado na cozinha com pratos de diversas regiões da europa:

-- primeiramente, perdão pela mudança de idioma, como posso dizer, eufórico porém com o raciocínio lento. Efeitos colaterais. -- resumiu brevemente, sequer estava pensando se Fleur iria associar o quadro com uso de drogas ilícitas, ou mesmo se ela veria problema nisso, os olhos ainda nitidamente vermelhos, as pupilas dilatadas, sua mente começava a trabalhar apenas na ideia de ter uma refeição memorável: -- E eu teria de estar muito louco, bem mais do que o costumeiro, para negar sua empolgação culinária. -- Comentou em tom de brincadeira seguindo a mulher e finalmente retirando o par de lentes escuras e trocando pelo óculos de grau que levava no bolso da camisa:

-- Como estava falando do meu dia e de que apesar dos acontecimentos não convencionais tudo transcorreu bem. O que eu lhe perguntei é como tinha sido o seu dia de forma geral, mas admito que agora estou bastante curioso com o que está preparando, conseguir sentir o cheiro de longe. Talvez por isso também, tenha passado o espaço do jardim mais rápido do que já fiz em qualquer outro dia! Hahahah!

Fleur

Fleur chegou à cozinha para conferir o quanto a carne já estava cozida para poder adicionar as verduras, o frango que tinha recheado era o que estava mais adiantado e cheirando melhor, especialmente por causa do tempero de ervas, a couve recheada, estava terminando de montar as peças para colocá-las alinhadas dentro da panela também. A quantidade de comida certamente daria para umas quatro pessoas, mas ela não se importava, podia deixar depois para Arman e até levar para Carbella, ou dependendo da fome de Dieter, nem sobrasse tanto quanto estava imaginando.

Estava concentrada no cozido para acertar o ponto, e Dieter veio logo em seguida, com as palavras bem mais comedidas e parecendo de volta ao normal. Fleur apenas sorriu, concluindo mentalmente que a entrada era mais um trejeito estranho do australiano.

- Bom, é uma novidade que esteja com o raciocínio lento, então eu vou considerar uma experiência excepcional. - Fleur respondeu, tirando um pouco do caldo com uma colher de pau para provar o gosto e voltando para adicionar outros temperos.

Com a explicação dele, agora em francês compreensível - a despeito do sotaque com o qual já estava acostumada -, foi mais fácil de responder ao questionamento alheio.

- Eu decidi fazer faxina hoje, mas só trabalhei pela manhã porque queria ficar de pernas pra cima. - ela explicou, fechando de novo a panela do cozido e tirando o frango do fogo que já estava no ponto. Lambeu a ponta dos dedos com resquícios dos temperos e seguiu até a pia para lavar as mãos e continuar o recheio do couve. - E pensei primeiro em preparar frango a kiev, que é russo, acabei lembrando de outros pratos e decidi fazer Peka, que é polonês, com mistura de carne e legumes cozidos, é bem tradicional, igual ao Gotabki, que é nada mais que couve recheado, receita polonesa também. - ela terminou de rechear as peças de couve para colocar o molho e levar ao forno, já ocupado com a sobremesa. - E de sobremesa, Strud--

A sentença ficou exatamente no meio do caminho assim que Fleur voltou a atenção para Dieter, focando no olhar do australiano que estava estranhamente e exageradamente vermelho. A boca entreaberta no meio do nome do prato foi tomada por um instante de surpresa e depois de compreensão. Então era por isso que ele estava tão alterado ao bater à sua porta? Os olhos femininos estreitaram ao mesmo tempo que um sorriso não exatamente feliz se curvava nos lábios. Ela apoiou uma das mãos na pia e a outra na cintura, encarando Dieter de onde estava.

- O que você tinha dito mesmo? Raciocínio lento? Efeitos colaterais? - ela perguntou, muito pontual, o dedo indicador batendo repetidamente na pia onde se apoiava.

Dieter

Embora não reconhecesse os pratos exatamente pelo nome e pela cultura a qual estavam associados, as descrições dos ingredientes traziam a imagem mental para o australiano, e aquilo certamente fazia seu estômago despertar como um titã liberado do Tártaro. Estava espiando os pratos enquanto a mulher falava, em outros dias, seus olhos estariam mais focados na figura feminina se movendo naquele espaço que dominava tão bem, com habilidade aprimorada por anos de profissão. Mas não naquela tarde, a fome muito maior do que a costumeira lhe jogava em um pensamento simplista que queria apenas que tudo ficasse pronto para que pudesse comer de fato.

Tornou a guiar o olhar para o rosto de Fleur quando a mulher interrompeu o nome da sobremesa no meio, e não decifrou exatamente o que cada conjunto de expressões queriam dizer. Talvez ela tivesse esquecido do nome por ser estrangeiro? Outros idiomas não eram necessariamente a especialidade de Fleur: -- “Strad” é um nome estranho pra sobremesa, parecia que você ia completar o nome mas parou no meio. -- pontuou primeiro levando a mão ao queixo pensativo, até ouvir os questionamentos seguintes de Fleur:

-- Verdade, eu também deixei a explicação pela metade! -- Acenou positivamente, cruzando os braços, concordando com Fleur, acreditando que o leve aborrecimento fosse devido a explicação dada pela metade: -- mas admito que fiquei com fome só de ouvir as descrições do que está sendo feito, claro que meu olfato também está agindo muito bem, também! Hahaha! -- Riu com a empolgação costumeira, mas logo arrumou o par de lentes de grau no rosto, com a expressão que poderia passar como “normal” se considerar as caras e bocas que o professor de biologia já costuma fazer, mas os olhos vermelhos, o deixavam com uma cara muito fora do normal:
-- Eu poderia falar sobre o dia todo de trabalho enquanto jantamos, se achar mais apropriado, claro. -- Pontuou deixando claro que quem escolhia era ela, estava na casa de Fleur, a última coisa que queria era contrariar a mulher e acabar saindo com fome, e com um castigo agendado ao invés de um próximo encontro: -- Como eu disse antes, tive de lidar com uma “pequena crise” depois do almoço o que tomou boa parte do meu tempo durante a tarde, mas agimos rápido, eu e os outros funcionários de St. Clavier responsáveis pelos jardins e aquele mar de plantas, e com um pouco de sorte consegui terminar tudo a tempo de chegar na hora combinada aqui.

O australiano não tinha nenhuma noção do perigo que estava correndo naquela conversa.

Fleur

Fleur ainda estava avaliando se ele estava só se fazendo de idiota ou se não queria entrar exatamente no assunto. Mas se ele não entraria no detalhe do motivo dos olhos estarem avermelhados e ele estar tão alterado, ela também não entraria. E pelo estado dele, sabia muito bem como toda aquela refeição o atraía. O que era bom, por que a depender da resposta, podia usar aquilo contra o australiano. Sorriu com o olhar ainda bem estreito quando ele disse que podia falar mais sobre o dia enquanto jantavam. Certamente não daria a oportunidade a ele de comer tão cedo naquela situação.

- Ah, não, ainda vai demorar um pouco para que os pratos fiquem prontos. - ela disse, voltando a atenção para o preparo da comida e fazendo questão de diminuir o fogo em todas as que estavam perto do ponto, inclusive de desligar alguns deles para não estragar o que estava preparando. Ainda foi até a geladeira e resolveu tirar várias verduras para preparar uma salada que nem estava em seus planos iniciais, mas por que não começar tudo do zero? Inclusive, tomando todo o tempo do mundo para lavar tomate por tomate, folha por folha. - E é Strudel, sobremesa alemã. - ela adicionou, conferindo a sobremesa no forno para que não passasse do ponto.

Deixou o forno mais baixo e tirou a sobremesa para que esfriasse bem no meio da mesa, perto de onde Dieter estava sentado, e ainda lançou um olhar direto para o australiano antes de trazer para a pia a tábua de madeira, um depósito com as verduras e a faca, começando a partir tudo lentamente enquanto os outros pratos permaneciam no fogo.

- Ainda temos um booommm tempo até o jantar todo ficar pronto, por que não me conta em detalhes o seu dia na academia? Queria muito saber como foi essa sua “pequena crise”. E eu me interesso bastante pela vida das pessoas ao meu redor, sabia? - ela sugeriu, até levando alguns pedaços de tomate à boca, mas deixando-os numa distância segura das mãos do professor.

Dieter

O professor de biologia ficou surpreso diante das descrições de que a comida ainda demoraria a ficar pronta, levando em consideração que tinham tantas panelas fumaçando, e tudo cheirando tão bem. Mas era difícil pensar de forma racional com todos aqueles estímulos ao seu olfato e estando com tanta fome como estava se mostrando. E não foi fácil manter o olhar em Fleur, e muito provavelmente ficou bem claro, que o olhar do australiano estava guiado para a travessa de comida posta na mesa bem em seu lado:

-- Incrível como a sua comida pode ter um cheiro tão bom mesmo estando no começo do preparo. -- E certamente não escapou aos olhos de Dieter quando a mulher levou a rodela de tomate a boca, teve de estreitar o olhar, e não sabia se ficava com inveja da rodela de tomate tocando os lábios de Fleur, ou da mulher estar comendo descaradamente na sua frente, sabendo que estava com fome.

Engoliu em seco e riu meio desconsertado, de quem estava com o raciocínio lento, embora aquilo parecesse que estava fugindo do assunto. Pigarreou e cruzou as pernas de forma masculina, arrumando as mãos juntas:

-- Então, meu dia, certo? No primeiro horário da aula de biologia aos alunos do primeiro ano, eles certamente não são gênios de pensamento, eu creio que mesmo que explicasse por todo o ano os elementos simples de botânica eles ainda assim confundiria as características de uma briófita. Mas enfim, eu estou usando um sistema de trabalhos por aula, para que eles possam acumular pontos como se fosse um sistema de pontos de supermercado. Funciona pra deixar até os menos interessados com os exercícios em dia. -- Arrumou o par de lentes de grau no rosto, e descruzou e cruzou as pernas de novo, inquieto e sentindo o estômago mais fundo que um buraco de minhoca que dá em outra dimensão do universo: -- Já as aulas dos segundanistas sempre são engraçadas, temos alunos tipicamente palhaços que me fazem aquelas perguntas estúpidas de genética sobre doenças recessivas. Almocei cedo na companhia do enfermeiro Morrison e do Dr. Vlahos como costumeiro.

Dieter perdeu momentaneamente a linha do raciocínio pensando se não poderia chegar perto de Fleur para roubar beijinhos e quem sabe beliscar alguma coisa. Seria que seria punido por isso. O australiano se levantou e se aproximou de Fleur, levando as mãos até a altura dos ombros da mulher em uma carícia gentil, depositando um beijo ali:-- Espero não atrapalhar muito… -- completou rindo, e aquela distância dava pra notar com certeza que a vermelhidão nos olhos de Dieter não era normal: -- Sobre a “crise” foi como comentei só ocorreu no horário da tarde, eu sempre fico surpresa com o nível de criatividade daqueles alunos usado para fins “não convencionais”.

Certamente toda aquela engenharia para manter as plantas bem regadas não era coisa de alguém leigo, era fruto de esforço e estudo, totalmente destinado para fins ilícitos. Um desperdício de energia certamente, mas quem podia culpar os jovens de gastar seu tédio plantando maconha? Talvez a polícia, certamente.

Fleur

Fleur continuou cortando a salada muito lentamente, tomando seu tempo e se entretendo com a atividade de deixar o professor ainda mais desesperado pela comida. Sabia muito bem os efeitos das drogas e o olhar vermelho e a atenção recorrente no cheiro e nas travessas da comida lhe denunciavam como ele devia estar bem desesperado por uma boa refeição. Bom, tão melhor ainda continuar o que estava fazendo e prolongar a tortura.

- Hmmm, sim, eu imagino que o seu problema não seja só com os alunos do primeiro ano, porque Arman não gosta muito dos trabalhos que passa. - ela adicionou o comentário, apenas para prolongar mais e mais a conversa. - O psicólogo e o enfermeiro, não é? Você devia trazê-los para comer aqui um dia, quem sabe? Será que eles gostariam da comida? Eu posso pensar em muitos pratos diferentes para testar, com sobremesas especiais também. O que acha? Ah, eu não fiz nada australiano, alguma recomendação que seja acessível aqui na França?

E jogou uma rodela de pepino na boca também. Dieter parou o comentário para andar em sua direção e se aproximar, apoiando os braços em seus ombros e depositando um beijo breve ali.

- Não está atrapalhando. Eu bem poderia usar uma massagem depois do tempo em que estou na cozinha. - ela disse, terminando de cortar as coisas bem a tempo dele mais uma vez citar a crise e não detalhar o que tinha feito para estar com o olhar bem vermelho. Proposital ou não, estava lhe deixando bem irritada como se estivesse evitando especificar o assunto. Colocou a faca sobre a tábua com uma força desnecessária que provocou um barulho alto na cozinha, até se levantar, arrastando a salada para dentro de um outro recipiente antes de se levantar e virar de frente para Dieter. - E o que exatamente foi essa crise de que tanto fala? Me parece o assunto mais interessante do seu dia, não?

Dieter

O Australiano estava levemente distraído com os movimentos de Fleur ao manusear o pepino e comer uma rodela que mesmo sem preparo algum lhe pareceu muito saborosa. Acenou positivamente com um sorriso claro no rosto de culpado, afinal Arman tinha todos os motivos para detestar as atividades que passava para ele: -- Certamente você gostaria muito de conversar com os dois, é um divertimento a parte a interação de níveis tão opostos. -- completou brevemente sobre trazer Mathew e Aleksei para jantarem, os dois eram tão diferentes, em verdade, os três juntos eram muitos diferentes entre si, o que configurava uma piada pronta.

Estava pronto para se distrair depositando mais um beijo sobre o ombro de Fleur, mas sentiu que havia algum problema quando viu a força com que a mulher lançou a faca sobre a tábua. Mas estava com fome, e o cheiro da cozinha não lhe ajudava a se manter focado nos detalhes, ou talvez fosse o efeito colateral da droga lhe afetando muito mais do que tinha suposto. Alargou o sorriso, embora não fosse o momento mais adequado para rir, e aquilo lhe fez parecer culpado:

-- Então, sobre a “crise”... -- olhou em volta como se pudesse haver qualquer agente da organização ali prestes a ouvir o que tinha a dizer: -- Todos os dias eu tenho de checar a estufa, e eventualmente eu dou a volta no entorno do prédio pra saber se há alguma praga em potencial no jardim que possa afetar as plantas dos estudos. -- Se afastou brevemente, arrumando os óculos no rosto: --Nas minhas voltas pelo jardim eu encontro todo tipo de vestígio de interação entre adolescentes, mas hoje eu encontrei uma muda de “Canabbis”...! -- Encarou a loira por apenas um instante antes de continuar com o relato: -- Como se não bastasse a planta estava em ótimas condições, com todo um sistema de irrigação usando garrafa pet pra que ele não tivesse de ir lá olhar e regar a planta várias vezes. Então surgiu a dúvida, se havia uma tão bem escondida e tão bem cuidada poderiam ter mais não é?

Fez outra breve pausa, e riu sem motivo, apenas porque falando aquilo em voz alta fazia tudo parecer ainda mais idiota: -- Então pedi ajuda a outros funcionários conhecidos, e nos dividimos em uma caça a erva criminal, quase um roteiro de filme trash classe B, depois de uma hora, juntamos várias mudas, e tivemos de nos desfazer delas, por sorte resolvemos tudo, sem ter de acionar a direção. Mas ficamos com algum efeito colateral imagino. Fascinante a criatividade adolescente para o crime.

Fleur

Fleur não escondeu o longo suspiro quando ele ainda alargou mais o sorriso. Cruzou os braços, apoiando os quadris à mesa até cruzando os tornozelos numa postura exageradamente fechada. Não que ele fosse perceber, no estado em que estava, mas já estava irritada o suficiente para deixar bem claro em palavras que não era nada agradável recebê-lo em casa daquele jeito, especialmente sem ele ter lhe dito desde o começo o que estava passando.

Logo começou o relato de que ele tinha que fazer algumas rondas no jardim para conferir o estado das plantas e no meio delas, claro que houve o relato de encontrar mudas de maconha. O que não era minimamente surpreendente, considerando que estavam em um internato masculino cheio de moleques ricos. Eles tinham dado um jeito na situação, mas claro que o jeito não foi especificado e aquilo só fez com que Fleur estreitasse mais os olhos, sorrindo de um jeito que não estava nem um pouco nos olhos.

- Então, vocês dividiram só a caça, Dieter? - ela perguntou, incisiva. - Porque eu gostaria de saber o que se passou em sua cabeça quando achou que seria uma boa ideia aparecer na minha casa chapado depois de se "desfazer" das mudas de maconha sem informar a ninguém.

Daquela vez ela bateu o pé de leve algumas vezes, inquieta, esperando a resposta dele. Ele podia estar drogado, mas talvez conseguisse entender o que estava falando finalmente. Descruzou os braços e apoiou uma das mãos na cintura e a outra na mesa atrás de si, numa postura um pouco menos agressiva.

- E é melhor ter trazido pra mim, ou vai ficar sem comida e sem mulher. - ela levantou os dedos, para ajudá-lo a enumerar as coisas que ele ficaria sem, mas acabou adicionando um sorriso descarado no final da frase.

Dieter

Normalmente o australiano era suficientemente perceptivo para notar alterações de humor nas pessoas, mesmo quando estas eram sutis, mas não naquela tarde. Em específico fazia alguns longos anos desde a sua última experiência com canabis e todo esse hiatus somado a idade tinha certamente deixado seu corpo menos apto a lidar com os efeitos colaterais da mesma. Senão, deveria ter sido simples perceber toda a fúria por trás dos olhos de Fleur, antes que ela lhe chegasse com perguntas incisivas como “dividir a caça”.

Ergueu as mãos em sinal claro de defesa, e arregalou um pouco os olhos como quem estava compreendendo a gravidade da situação apenas naquele momento, ou no que dava pra compreender dentro de seu próprio estado: -- Eu não estou necessariamente “chapado”, certo que eu entrei meio que correndo pelo seu quintal, bati na porta com mais força do que sempre, e falei em inglês, e um pouco alto… hmmm..! -- o professor baixou os braços desviando o olhar e fazendo uma careta de reprovação para si mesmo: -- é, eu estou “chapado”.

E estava tentando tecer qualquer linha de raciocínio em sua cabeça mas era difícil pensar com a mulher batendo o pé em reprovação e o cheiro de comida lhe atentando o estômago faminto, até que seus ouvidos captaram a última frase de Fleur:

-- Como assim ter trazido pra você? Peraí…! -- o australiano se enrolou um pouco em seguida fez uma expressão de surpresa exagerada: -- Isso é novidade pra mim também. Se eu soubesse não teríamos queimado tudo nos fundos do prédio antigo, nos livramos de todas, mas tanto o jardineiro quanto o zelador tinham aparente muita experiência em lidar com esse tipo de situação. Posso perguntar a eles como arrumar pra você da próxima vez que encontrar com os dois.

Estendeu as mãos a frente do corpo como se desse como derrotado diante daquela discussão, não tinha usado tudo pra fins de ter um barato, e não sabia que a mulher gostava, senão tudo seria mais fácil.

Fleur

Ver o desconserto de Dieter era divertido. Mais ainda quando ele se enrolou tentando justificar como não estava chapado até ele mesmo notar que estava sim. Ele ainda ficou completamente perdido na própria situação até ouvir a sua sugestão final e demorar a associar o que estava sugerindo. Não que fosse uma pessoa que fumava, ou que usava drogas, mas também não era o tipo que nunca tinha testado nada e podia até concordar que uns brownies de maconha eram interessantes de vez em quando - contanto que nenhum deles chegasse até Arman. Provavelmente, a última vez que tinha sequer sentido o cheiro de maconha tinha sido antes de Arman nascer, sem contar os adolescentes drogados que passavam nas ruas de vez em quando.

Ele se confundiu ainda mais com a sua sugestão de que se soubesse do desfecho, teria lhe trazido algo também. Se afastou da pia onde estava apoiada e se aproximou o suficiente de Dieter para que os corpos quase colassem.

- Bom, isso significa sem comida… - aproximou-se o suficiente para que os lábios roçassem contra os dele. - E sem mulher.

Fleur apenas piscou e se afastou, antes de completar o gesto, voltando para o fogão para desligar e separar tudo que ainda estava preparando. Foi até o armário para pegar pratos, talheres, suportes e montar a mesa, levando todos os pratos para postá-los com o cheiro invadindo a cozinha.

- Hmm… o cheiro está ótimo, não está? - comentou para o australiano, depois de colocar a última travessa sobre a mesa. - Quer que eu descreva o gosto para você?

Dieter

Estava difícil acompanhar o humor de Fleur naquela tarde, não sabia dizer se ela estava com raiva, revoltada, ou apenas se divertindo com a situação, e por não entender completamente o humor da mulher, não tinha como tecer uma reação adequada pra situação. Como se não bastasse a fome abissal que sentia devido ao efeito colateral do uso da erva, a aproximação de Fleur, gerou outros tipos de “efeitos” no australiano. Sentiu uma inquietação e calor perpassar todo o corpo, e sabia que aquilo não era por causa da droga. Entreabriu os lábios em reflexo, mas o contato foi por um momento muito ínfimo para que efetivasse um beijo entre os dois.

As palavras de Fleur foram muito claras, e a única reação do moreno mais alto, foi morder o lábio inferior e fazer uma careta breve de quem tinha tomado toda a ciência de como tinha feito merda naquele encontro dos dois.

Suspirou exageradamente derrotado diante do comentário de Fleur sobre o cheiro da comida, acenando positivamente, e então acompanhou a mesa se sentando mas sem buscar um prato para si:
-- Por favor, se não tenho outra opção, ao menos aprecio você degustando a própria comida. -- Riu sem de fato achar graça, embora toda a situação lhe parecesse um cenário de comédia romântica, era rir pra não chorar.

Fleur

Fleur fez exatamente o que tinha proposto, pegou o próprio prato e serviu uma porção muito pequena de cada uma das coisas que tinha preparado. Um pedaço do frango recheado com molho de ervas do frango a kiev, uma pequena porção da carne e dos legumes do prato polonês Peka e um pedaço do couve recheado do Gotabki. Sentou-se na mesa exatamente diante de Dieter, numa postura muito reta, como se estivesse num restaurante elegante, para tirar pequenos pedaços das porções já reduzidas e levar aos lábios tão lentamente e propositalmente apenas para que o professor apreciasse a comida tocando-lhe os lábios e a língua.

- Hmmm. O tempero do frango está ótimo. - ela comentou, depois de mastigar o pequeno pedaço e engolir. - Um pouco forte, eu acho, mas nada que acabe com o gosto da receita. E claro, eu coloquei um toque especial que não estava na receita original. Quer saber o que é? Não, é melhor você mesmo provar e descobrir depois, não é? Ah... é, você não está com tanta fome. - as palavras saíram afiadas antes dela pegar uma porção da carne para comer também. - O gosto contrasta bastante com o Peka, que está bem mais sóbrio. Mas delicioso do mesmo jeito, e a carne está tão macia que desliza na boca. Igual ao couve... no ponto!

Ela sorriu, depois de fazer todas as caras e expressões possíveis de intensificar o simples ato de comer. Sorriu satisfeita diante do olhar atento e quase desesperado de Dieter por ter que lhe observar comer obviamente morto de fome causado pelo efeito da maconha deixando o sistema. Ainda levou o garfo até a boca, lambendo os dentes do mesmo intencionalmente.

- Bom, eu acho que você não consegue ver muito bem tão longe, não é? - a loira se levantou, com o prato numa mão e o garfo na outra, até dar a volta na mesa e parar ao lado de Dieter. Fez um sinal com o garfo, indicando que ele afastasse a cadeira um pouco da mesa até ter espaço suficiente para passar uma perna por cima das dele, sentando-se de frente para o australiano, com uma perna de cada lado do corpo dele e segurando o prato entre os dois, a única coisa que os separava completamente. - Melhor assim, hm?

Pegou mais uma porção com o garfo e levou até os lábios de novo, mastigando longamente até engolir, remexendo os quadris sobre as pernas dele como se estivesse apenas procurando uma posição melhor para se sentar.

- Então, acha que merece comer, Dieter?


Dieter

O australiano tinha seu lado voyer, mas tinha suas dúvidas o quanto conseguia apreciar de Fleur comendo, sem ser lembrado que estava com fome constantemente por seu estômago roncando ferozmente. Queria poder desviar o olhar, mas sabia que qualquer coisa que lhe tirasse do castigo imposto pela mulher, poderia deixá-la ainda mais brava, e sabia, por experiência própria que ela era mais terrivelmente criativa quando estava irritada.

Encostou na cadeira, arrumou os óculos de grau no rosto, e cruzou os braços, sentindo o estômago completamente vazio, sob efeito colateral da droga. Observou longamente, acompanhando os gestos da mulher em partir a comida em pequenos pedaços, e levar a boca. O australiano lambeu os próprios lábios, e engoliu em seco acompanhando o mesmo gesto da loira:

-- Só posso imaginar. -- foi o que o australiano se permitiu responder diante da sequência de comentários detalhando cada pormenor do sabor da comida. Só pelo aroma, o moreno mais velho podia supor o sabor de cada coisa, quase podia sentir em seu paladar, chegava a sentir a boca cheia de saliva diante da vontade que lhe comia, enquanto lhe era negado comer. Não esqueceria aquela lição certamente, e arrumaria um fornecedor para satisfazer os devaneios excêntricos de sua namorada.

Quando Fleur se levantou, e se aproximou de si, teve um vislumbre de esperança que seu castigo terminaria, se estivesse menos drogado teria lido nos olhos da mulher que o castigo só tinha começado. A expressão de Dieter foi de plena surpresa quando ela se sentou em seu colo, e não teve qualquer reação imediata. Mas assim que sentiu o peso da mulher sobre seu colo, sentiu algo além de fome percorrer seus pensamentos, e a visão toda daquele castigo começava a lhe deixar de sangue quente.

Sorriu de volta para a mulher naquela pouca distância: -- ainda não, pode continuar comendo, estou apreciando. -- riu de forma maliciosa pra loira e bem sabia que ela entendia qual era seu parâmetro naquele momento.

Fleur

Fleur apenas inclinou o corpo um pouco mais para trás, as costas encostando à mesa e o prato ainda erguido entre os dois para continuar comendo as pequenas poções. Sorriu com a resposta dele, de quem nem ia tentar comer alguma coisa mesmo com todo aquele barulho vindo do estômago e da fome que ela sabia que o efeito posterior da maconha causava. Levou o garfo à boca e lambeu os dentes com vontade, sorrindo para a resposta de que ele estava apenas apreciando.

- Bom, nós sabemos como você gosta de apreciar, não é mesmo? Que bom. - ela respondeu, continuando a refeição na mesma posição por um longo e torturante tempo, em que fazia questão de comer com calma, lamber os talheres e ainda se mover inquieta sobre o colo dele.

Longos minutos se passaram em que ela ainda comentou várias vezes o sabor da comida que estava provando, até terminar o que tinha de pouco em seu prato para se virar e se servir de mais, sem necessariamente sair do colo de Dieter. Ainda conseguia até ouvir o som da barriga dele roncando, até se posicionar de novo de frente para ele com o prato reabastecido. Pegou uma porção pequena de novo, mas ao invés de levar à boca, guiou o garfo e leve na direção da boca dele.

- Embora eu goste do seu lado voyer, se você não tiver energia suficiente, não vai dar para continuarmos o nosso encontro, não é? - ela sorriu descarada, ainda com o pedaço de carne a alguns centímetros de distância dos lábios dele. - A não ser que você tenha outra ideia em mente, e aí pode passar o resto do dia sem comer.

Levou o pedaço à boca e engoliu, sorrindo apenas esperando pela resposta do professor. Moveu os quadris e aproximou mais os corpos.

- Você não merece muito minha bondade, mas… eu que não mereço ficar sem sexo. - mais uma vez, pegou outro pedaço da comida e daquela vez esperou que ele abrisse a boca para alimentá-lo de verdade.

Dieter

Certamente estava com fome, mas era certo também que a imagem de Fleur lambendo o garfo lhe deixava com muita fome para além do que seu estômago lhe alertava. E claro que aquela distância com o sorriso confiante que a mulher sustentava diante de si, era mais do que suficiente para o australiano perder parte da sua compostura. O corpo estava quente, e muito em breve ia ficar fácil para que Fleur, estando sentada em seu colo, percebesse a animação particular do professor de biologia.

-- Assim tão de perto, é claro que eu gosto de apreciar, quase esqueço da fome, mesmo estando drogado. -- Sorriu de volta, igualmente descarado, e embora a mulher seguisse lhe maltratando com o pedaço de carne a centímetros de sua boca, tinha vontade de beija-la e sentir da boca dela o sabor do molho e dos temperos: -- Eu tive energia pra chegar até aqui, posso deixar uma das refeição pra depois, até porque… -- fez uma breve pausa, levando as duas mãos até a cintura da mulher, acariciando a região e subindo pelas costas com a palma das mãos abertas: -- agora, eu estou mais interessado na sua boca, e tudo que eu posso captar dela… prometo não desmaiar no processo.

Brincou, com o maior descaramento que podia, estampado na cara, e embora ainda estivesse com fome física, estava com muito desejo também, jogaria na conta da droga, que lhe deixou mais animado e desinibido. Como se precisasse estar drogado pra isso:

Sem pedir permissão e aproveitando da ousadia dada pela loira, o australiano deslizou a língua pelo pescoço, fazendo um caminho úmido até a orelha, mordiscou o lóbulo e a cartilagem. Os rostos próximos, roçou a barba por fazer contra o rosto de Fleur, depois se afastou apenas o suficiente para afastar o prato de comida das mãos da loira e o deixa-lo sobre um dos balcões próximos. E sem mais ressalvas tornou a dar atenção a loira, enlaçando-a pela cintura, envolvendo entre os braços, fazendo um rastro de beijos até a boca de Fleur, saboreando o gosto da boca, e os resquícios do sabor da comida, nunca um beijo tinha lhe deixado tão visivelmente excitado e agitado.

O Australiano estava duplamente faminto.

Fleur

Dieter não pareceu mais tão interessado na comida depois dos outros estímulos mais diretos que a loira deu. Sorriu com a determinação dele em deixar a comida de lado para aproveitar o contato entre os corpos e arqueou as costas um pouco, com a mão dele subindo pela área.

- Bom, se você desmaiar, só vai deixar a sua situação ainda pior. - ela disse, apoiando uma das mãos sobre o ombro masculino, enquanto a outra ainda estava segurando o prato entre os dois. - E se você desmaiar, não vou me preocupar em colocar sua roupa de volta para chamar a emergência. Vai ser uma história engraçada para contar aos amigos...

Ela não impediu a aproximação do professor, apenas inclinou o rosto um pouco para o lado, para permitir que ele beijasse a área, a língua úmida passando pelo seu pescoço e lhe dando alguns arrepios que sobrepunham a sua fome também. Arqueou os ombros com a mordida no lóbulo da orelha, movendo-se sobre os quadris alheios, quase se esquecendo do prato que estava segurando até o próprio Dieter o pegar para deixar de lado.

Sorriu com a atitude dele e se deixou levar, então retribuiu o beijo intenso, passando os dois braços em volta dos ombros largos para pressionar os seios contra o peito alheio. Podia sentir o corpo todo de Dieter reagindo abaixo de si, a ereção rija pressionada contra seus quadris e restrita pelas peças de roupa. Levou uma das mãos até a nuca dele, permitindo que o beijo se prolongasse até sentir o ar faltar, roçando os quadris com mais intensidade sobre o colo dele, considerando que já havia todas aquelas camadas de tecido entre os dois.

Dieter

Certamente a sua cabeça estava em outro foco, os efeitos da droga se misturavam e distorciam as percepções já suficientemente alteradas do australiano. Mesmo que estivesse com fome, não tinha como simplesmente negar que Fleur era uma mulher deslumbrante, e sentia o corpo todo reagir muito mais rápido do que em qualquer outro encontro dos dois antes. Talvez fosse o efeito colateral da erva, ou talvez fosse apenas muito desejo reprimido mesmo, porque um simples beijo já tinha sido suficiente para deixá-lo completamente excitado.

As mãos tatearam o corpo da mulher, desenhando caminho pelas costas, sobre as vestes, em seguida, desenha o caminho reverso, porém, buscando espaço por baixo das camadas de tecido, as digitais buscando a pele da mulher. Era como se irradiasse calor e fosse possível tatear o calor, enquanto circundava a cintura e buscando se livrar ao menos de uma das camadas de roupa que estavam no caminho.

Cessou o beijo apenas o tempo de livrar Fleur da parte de cima da roupa dela, sorriu satisfeito e seguiu depositando beijos sobre o colo da loira, o gosto da pele era diferente - talvez fosse a fome física - mas sentia em seu paladar o sabor da pele da mulher muito mais apetitoso que antes. Afastou a peça do sutiã com a própria boca, buscando com pouca paciência o seio agora exposto, abocanhando a região com toda a boca, deslizando a língua sobre a região sensível do mamilos, sugando a área. A outra mão desceu fazendo caminho as nádegas, apalpando a área com vontade, estava notoriamente muito excitado, e talvez a mesa próxima fosse conveniente ao momento.

Fleur

Era notável como Dieter estava sedento por contato, as mãos passeando pelo seu corpo com urgência enquanto os lábios traçavam o caminho pela pele alva onde uma fina camada de suor começava a se acumular. Se a cozinha já parecia quente com a quantidade de coisas que tinha deixado no fogo até então, agora o calor estava ainda mais intenso com a sensação áspera dos dedos dele percorrendo suas costas por baixo do tecido da camisa que ela logo facilitou para que fosse tirada, curvando-se um pouco para trás no processo.

A sua camisa fora do caminho, Fleur voltou as mãos para o peito dele e foi sua vez de procurar os botões da roupa alheia. Teria voltado a beijá-lo nos lábios, mas achou bem mais interessante o avanço alheio para beijar-lhe o colo e afastar o sutiã do caminho, mordiscando e beijando o seio, gesto que facilmente despertou um gemido de prazer da loira que invadiu a cozinha inteira. Ela aproveitou para deslizar as mãos por dentro da camisa de Dieter, as unhas fincando no peito alheio enquanto procurava os botões para terminar de se livrar da peça também.

Fleur lambeu o canto dos lábios, inclinou os quadris para cima contra as mãos dele enquanto desceu as mãos todo o caminho pelo tronco alheio, até alcançar o cós da calça e passear com as mãos sobre o volume notável que havia debaixo das peças de roupa dele.

- Parece que está mesmo com fome, hm, Dieter? - ela sorriu contra os lábios dele, pressionando a palma da mão na ereção alheia, fazendo movimentos de vai-e-vem para estimulá-lo ainda mais.

Dieter

Quanto mais o australiano seguia com as carícias mais intensas no corpo da mulher em seus braços, maior era a sensação de que o calor que emanava do contato dos corpos era palpável, era como se deslizasse não somente na maciez da pele alva exposta, mas também no calor que a envolvia como uma fina camada de seda. A voz de Fleur facilmente tomava o cômodo todo, e ecoava em sua cabeça, deixando a excitação tomar cada parte do corpo do australiano, deixando-o de pronto arrepiado.

As unhas afiadas sobre sua pele, lhe despertaram para a sensação do toque de Fleur em seu corpo, respirou fundo contra a pele do colo, deixando um rastro morno adicional, e um gemido morreu na garganta. Se livrou da peça de roupa, expondo o corpo, agora já bem menos bronzeado, do que quando chegara em Cerise. Ergueu um sorriso safado diante do comentário de estar com fome, poderia responder em pé de igualdade, mas apenas se livrou do par de lentes de grau, aquela distância não precisaria delas. Envolveu a cintura do corpo feminino com os braços, proporcionando um bom apoio, para erguer Fleur de seu colo e pô-la sobre a mesa:

-- Não sei dizer, quem é refeição de quem aqui. Mas se eu fosse chutar, diria que é você quem me come. -- Brincou, reduzindo a distância, para tomar os lábios de Fleur em outro beijo intenso, aproveitando para deslizar as mãos para o quadril, apalpando a região das nádegas com vontade, na mesma medida, que se debruçava sobre o corpo da loira. Nem sequer passava pela cabeça do australiano que qualquer pessoa que entrasse da sala teria visão dos dois na cozinha.

Fleur

Fleur deu espaço para que ele se livrasse da camisa e sentiu os pelos contra a sua pele, assim como o calor que aumentava a sua excitação. Logo Dieter se livrou também dos óculos e num movimento cuidadoso, mas ágil, lhe envolveu pela cintura para dar um suporte e então lhe colocar sobre a mesa de jantar. Ela apenas sorriu mais satisfeita, mordendo o lábio inferior com a colocação pontual que ele fez logo em seguida.

- Ah, eu vou comer… com prazer. - ela respondeu antes de ter os lábios tomados pelos dele de novo num beijo intenso. As pernas se estenderam para se envolver na cintura alheia, puxando-o para perto a ponto de sentir a ereção dele roçando contra sua virilha, mesmo que impedida por algumas camadas de roupas dos dois.

Ela só cessou o beijo ao sentir a necessidade de puxar o ar pela boca, arqueando as costas sobre a superfície da mesa, as mãos passando por cima dos ombros largos para se apoiar melhor no corpo masculino ao jogar a cabeça para trás e guiá-lo também no caminho pelo seu queixo e pescoço, para que ele mesmo descesse os beijos pelo colo dos seios. Mas antes que Dieter sequer tivesse a oportunidade de continuar o caminho da felicidade, um barulho sonoro invadiu a cozinha e ela teve que erguer o rosto sobre o ombro de Dieter para encarar um Arman com uma expressão mais surpresa do que já tinha visto a vida inteira e uma câmera profissional caríssima caída no chão. Os lábios do moreno estavam entreabertos pela surpresa e embora Fleur soubesse que devia devolver a surpresa, ela nem fez questão de folgar as pernas em volta da cintura de Dieter para que ele também entendesse o que tinha acabado de fazer o barulho soar alto na cozinha.

- Feche a porta quando sair, querido. - ela respondeu para Arman, que demorou alguns longos segundos para processar o comentário antes de se virar tão rápido quanto ele conseguia correr nas maratonas antes de decidir se tornar fotógrafo e pintor. Só então a mulher voltou a atenção para o homem bem acima de si, segurando o rosto dele com as duas mãos e virando em sua direção. - Onde estávamos?

Dieter

Podia chutar que toda aquela disposição adicional que sentia formigando por seu corpo, era efeito da droga, mas em verdade sabia que era muito mais o efeito de Fleur sobre si do que qualquer outra coisa poderia lhe proporcionar. Não diria que a mulher era viciante em termos pejorativos, mas certamente que quanto mais dividia carícias com a loira, seu corpo e sua mente queria muito mais contato para satisfazer a própria vontade. Somado ao fato que todos os comentários, olhares, sorrisos de Fleur apenas lhe instigavam a querer proporcionar o mesmo tipo de prazer a mais do que ela lhe oferecia. Ela era a mulher mais envolvente que conhecera nos últimos tempos e não estava minimamente arrependido de nada no meio daquela dinâmica.

É claro, até ouvir o som da porta e de algo caindo ao chão, e ainda bem que estava de costas, porque o corpo todo do australiano ficou tenso, não chegou a perder a ereção por baixo da roupa, mas de certo que não queria olhar pra trás pra dar de cara com o aluno consternado porque estava transando com a mãe dele em cima da mesa de jantar. Cena digna de um filme de comédia romântica, mas era apenas a realidade.

A resposta de Fleur simples e direta, tão ao estilo da mulher, lhe fez abrir um sorriso, embora imaginasse que Arman não tivesse levado o comentário nem um pouco na brincadeira, encarou a loira quando ela perguntou onde estavam:

-- Ah, em algo sobre você me comer… e coisas assim! -- sorriu de volta reduzindo a distância para unir os lábios em um beijo intenso, de perder o fôlego. Envolveu o corpo de Fleur entre os braços e pressionou o baixo ventre contra o da mulher, movendo o quadril para que ela sentisse todo o volume contido pelo tecido. Tateou com as mãos pressionando a pele alva da loira com os dedos, e apalpando toda a região das costas e descendo até as nádegas, depois fez o caminho inverso, subindo pela cintura e indo até os seios, envolvendo os mesmos com as mãos acariciando toda a região e circundando os mamilos com os polegares.

Afastou-se do beijo apenas quando o fôlego acabou para descer os beijos pelo pescoço e colo, para dar atenção a cada um dos seios, envolvendo-os com a boca e deslizando a língua por toda a região sensível dos mesmos. Estava com fome, e em verdade, queria sentir todos os sabores de Fleur em seu palato.

Fleur

A presença de Arman até surpreendeu um pouco Dieter, o que Fleur percebeu pelo modo que os músculo tensionaram abaixo de si, mas ao menos ele não tinha de modo algum se desestimulado pela presença, ao contrário, ainda sentia a ereção roçando entre suas pernas nas áreas mais sensíveis continuando a lhe estimular a despeito das camadas de roupa. Ouviu a resposta sobre sua pergunta e nem teve como complementar, retribuindo o beijo intenso até perder o ritmo por conta dos braços fortes em volta de si e o movimento da pelvis. Deixou gemidos sonoros escaparem entre os lábios de Dieter e até sentia a fina camada de suor se formando entre os dois corpos com um cheiro agradável de excitação.

- Hmmm... Dieter... - ela soltou o ar longamente entre os toques intensos do mais velho, desceu as mãos pelos ombros e braços alheios, até achar o caminho entre os dois corpos e passar a mão sobre a ereção contida ainda pelas peças de roupa. Pressionou o membro com a palma da mão, sentindo o calor dos corpos apenas aumentar. A outra mão, envolveu por cima dos ombros de Dieter e fechou os dedos nos curtos fios de cabelo da nuca do professor. - Dieter...?

A muito contragosto, puxou os cabelos dele com mais energia, para que ele parasse de dar atenção aos seus seios e pudesse lamber os lábios dele de volta. Mas não aprofundou o beijo e nem continuou com a carícia sobre a ereção, o encarou diretamente por um par de segundos.

- Vamos para a cama... embora eu goste da experiência, prefiro não estragar toda a comida que já está na mesa. - ela sorriu contra os lábios dele, esperando que o outro desse espaço para que descesse da mesa e seguissem até o quarto no primeiro andar para continuar aquela refeição.

Dieter

Ouvir a voz de Fleur chamando por seu nome apenas adicionava ainda mais excitação ao seu estado já bastante atiçado diante da troca de carícias, somado a adrenalina de terem sido pegos no meio do “ato” por um de seus estudantes era um adicional, que fazia o australiano está animado quase como um adolescente. E talvez por isso, ou por efeito da droga, não notou o tom de Fleur para que desse atenção e parasse com as carícias pontuais que distribuía pelo corpo da loira.

Apenas quando sentiu os fios da nuca serem puxados com mais intensidade, deixando escapar uma respiração pesada em resposta, foi que se deu conta, que Fleur queria lhe anunciar que a aventura na cozinha estava muito boa, mas que a despeito de tudo, não queria desperdiçar o trabalho que já tinha tido em preparar a comida. O professor de biologia sorriu em resposta concordando com um aceno de cabeça: -- Ah, eu concordo plenamente, estamos como dois adolescentes pegos no meio de uma badernagem. -- Dieter beijou brevemente Fleur em resposta, e adicionou força nos braços para puxa-la para seu colo, já que ela já estava com as pernas bem cruzadas em seu corpo.

-- É, eu ainda sou bom nisso. -- o australiano brincou, a despeito de ter disposição para erguer o peso da mulher nos braços, e nem se importou de levar as peças de roupa que já tinha tirado, apenas fez caminho para o quarto, onde poderiam saciar a fome que tinham um do outro. E certamente, depois, ainda teriam um belo jantar para saciar a fome posterior a toda essa aventura juvenil dos dois.

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[Drive] Larica [Fleur; Dieter] - by Lil - 08-29-2021, 12:20 AM

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