[Drive] Passeio de Pobre [Viola; Sasha]
#2
Viola

Viola apenas se encostou à divisória do provador enquanto Sasha redescobria as próprias roupas, inclusive o boné de marca que ela tinha conseguido encontrar no meio de toda aquela bagunça. Até tinha que admitir que era interessante sair catando roupas no meio daquela pilha de coisas usadas bregas, só não faria aquilo em voz alta.

Se virou para acompanhar Sasha quando ele foi pagar e ainda comentou que não roubava "mais", o que até despertou a curiosidade da loira, afinal, só conhecia o Sasha Peyrac que era estudante de St. Clavier, cadeirante e presidente do Conselho Disciplinar. Não dava para pensar que ele não roubava "mais". Na verdade, não sabia muita coisa além do óbvio sobre o moreno. Logo estavam saindo do brechó para ir até o tal museu que ele tinha comentado e Viola ainda se pegou olhando um pouco para os locais ao redor, naquelas construções bem pitorescas que eram características da cidade e que ela mal conhecia.

- Hm, está convencido demais para quem acabou de colocar roupas decentes. - ela disse, colocando o óculos escuro de volta agora que estavam sob o sol. - Você que tá escolhendo os lugares pra ir mesmo. - ela deu de ombros sobre a escolha para ir ao museu, ainda estava com outra coisa na cabeça. - Você já roubou mesmo? - ela não resistiu a perguntar, podia ser só alguma piada sem graça do moreno que ia descobrir naquele instante.

Sasha

O passeio diferente no brechó parecia ter animado Viola um pouco mais, porque ela nem reclamou quando tornou a chamá-la de “Vi” por brincadeira, e até deixou que escolhesse o próximo lugar, sem nem pedir pelo retorno do táxi desnecessário. Pegou a loira olhando os monumentos ao redor, e admitia, aquela parte pitoresca de Cerise era bem agradável.

Só certamente não esperava que ela fosse fazer a pergunta sobre sua piada sobre roubar. Arqueou a sobrancelha, abrindo um sorriso largo. Ela estava interessada sobre si?

- Já sim, você não? – respondeu prontamente, olhando para a loira por um instante enquanto chegava na porta do museu, que tinha uma rampa pequena que conseguia subir por conta própria. As portas do museu estavam abertas para quem quisesse entrar, o que queria dizer que o ar condicionado estava quebrado de novo. – Eu achei que o passatempo de toda adolescente que tinha dinheiro para comprar tudo era furtar coisinhas em lojas. Filmes americanos ensinando errado de novo. – falou, seguindo por dentro do museu.

O local era cheio de cacarecos velhos dos tempos em que Cerise sub existia de vinhedos, mas espalhadas pelos corredores, podia ver algumas pinturas interessantes de pintores locais. A maioria era de retratos de trabalhadoras do vinhedo, um tema recorrente em um pintor cujo nome estava nas placas mas não lembrava no momento.

- Acho que foi por isso que me escolheram pro Conselho Disciplinar. Tenho mais manha na ponta do dedinho do pé que três dos maloqueiros riquinhos de St. Clavier. Tenho experiência de lidar com delinquente, já que pode-se dizer que já fui um. - comentou, dando de ombros. - Mas não se engane. Não roubava nada grande. Só uns furtos pequenos de lanche na venda de um velho do bairro, e tirava dinheiro da carteira de uns otários que puxavam briga com os moleques da minha gangue. – comentou, então apontando para um quadro. – Eu sempre gostei desses quadros. Dizem que o pintor namorou cada uma dessas moças. Mesmo que só uma vez, ele homenageava elas nessas imagens, do jeito que ele lembrava delas. Tem umas fotos das moças reais em algum lugar do museu. A diferença é gritante, chega a ser engraçado.

Viola

- É claro que não! Que ofensivo! Que pensamento estúpido que todas as meninas ricas roubam. - ela respondeu com todo o ímpeto que tinha deixado de lado nos dez últimos minutos, como se estivesse realmente ofendida com a ideia, a ponto de cruzar os braços numa postura até defensiva quando entraram no tal museu, que não tinha lá muita coisa de impressionante.

Viola colocou o óculos escuro de novo sobre os cabelos agora que estava dentro do museu e até olhou nos arredores para as peças e quadros, mas não era como se entendesse muito de arte e dizer que reconhecia a importância das peças era bem mentira. As pinturas eram bonitas, os objetos eram velhos e ela não fazia ideia de pra que servia metade deles, mas acabou de novo, se pegando mais interessada na narrativa de Sasha sobre como tinha sido escolhido para o Conselho Disciplinar e como, surpreendentemente, além de ter roubado coisas, tinha sido um delinquente e até tinha uma "gangue".

- Como assim "minha gangue"? Você tinha uma gangue?! - ela franziu o cenho em confusão. Não prestou atenção num centavo do que ele disse sobre os quadros por onde passavam. - Eu sei que você não é o cara mais bem educado de St. Clavier, mas eu achei que tinha aprendido esse jeito de falar e de se vestir mal em filme idiota americano, ou algo do gênero. Você não é tipo um filhinho de família rica que os pais estão tentando se livrar não?

A ironia era que ela era exatamente a filhinha de família rica que a mãe estava tentando esconder, e só o pensamento lhe colocou uma careta inconsciente no rosto.

Sasha

Viola pareceu realmente ofendida com a ideia de que ela poderia roubar alguma coisa. Com isso, pelo menos sabia que ela era uma boa garota. Mimada e irritante como fosse, ao menos tinha sido criada para ser uma menina de boa índole, e isso salvava ao menos uma parte da alma dela. Uma pena que tinha voltado a todo o ímpeto malcriado de uma única vez. Antes ela deveria estar só distraída com a paisagem.

Só que o interesse de Viola seguiu, na coisa mais inesperada, que foram suas memórias. Não sabia se era exatamente porque ela era uma boa menina e não tinha encontrado com um delinquente de verdade nunca na vida, mas as perguntas sobre ele levaram Sasha a um humor nostálgico, que lhe fez entortar os lábios com as memórias. Fazia muito tempo desde a última vez que tinha visto todos eles, exceto talvez por Renaud.

O que lhe tirou da reflexão momentaneamente foi a ideia dela de que era um filhinho de família rica jogado em St. Clavier. Sasha riu, mas riu tão alto inicialmente que a risada ecoou pelo museu vazio, e cobriu a boca para se conter.

- Eu?! Rico??! HAHAHA! Mas tô passando mesmo uma boa impressão todo cheiroso e de cabelo cortado! – a ideia lhe parecia até absurda. – Longe disso! Sou bolsista integral! Minha família é toda pobre. A gente não é miserável, mas estudei a vida toda em escola pública. E exatamente contrário a sua ideia, tô nos dormitórios porque tô fugindo dos meus pais, não o contrário. – comentou, ainda com um sorriso largo no rosto. – E a gangue... bom, eu tô chamando de gangue, mas eram só meus amigos de badernar. Mais família na época que minha família, diga-se de passagem. Já que cê é uma lady, não te levo pra fazer um passeio de pobre das antigas comigo... eu gostava de fumar, e beber cerveja, namorar, badernar, dar uma coça nos otários. Subi na vida, agora sou o bandido que põe moral nos bandidos. – riu, quase se entretendo com a conversa mais do que com o museu. Talvez porque tivesse muito tempo que não falasse do passado. E Viola era tão simples e impressionável que nem se importava em se abrir daquela forma.

Viola

A risada exagerada de Sasha lhe deixou ainda mais constrangida porque imaginou que ao menos uma coisa tinha acertado do outro, mas não perdeu a oportunidade de retrucar também quando ele falou sobre passar uma boa impressão e que era bolsista de St. Clavier.

- Como é que eu ia adivinhar que você é bolsista?! Pra mim todo mundo naquela escola é rico! - ela retrucou, ainda assim curiosa com o resto da história, especialmente o fato de que era ele que estava fugindo da família e não o contrário.

Mas logo ele explicou mais sobre o que fazia com a tal "gangue" dele que era só um grupo de amigos que saía para fazer baderna. Bom, adolescentes saindo para fazer bagunça, bebendo e fumando, isso era mais comum de se ouvir falar, claro, e muitas das meninas com quem ela já tinha competido em concursos de beleza antes de ir para Limoges-Collet gostavam de fazer daquelas de vez em quando - fumar e beber, a despeito da idade -, e era o que gostava de usar contra elas naquele tempo.

- Esse passeio já não é de pobre o suficiente? - ela comentou, rodando os olhos. - Eu não fumo nem bebo e nem nada disso aí pra sair pra esse tipo de passeio. E quem é que chama alunos de St. Clavier de bandidos? São só um monte de meninos mimados que nem em Limoges-Collet. Você não põe moral em nada com esses bonés. - ela deu uma olhada para os lados nos quadros que ainda não estava prestando muita atenção. - E por que é que está fugindo dos seus pais? Isso é uma mudança de ares.

Sasha

De fato, as vezes tinha a impressão que todo mundo em St. Clavier era rico, então não tiraria mais sarro de Viola que aquilo. Já não esperava mesmo ser confundido com alguém rico.

- Nah, nem todo mundo é privilegiado. Tem aluno que só consegue estar lá porque tem talento, em esportes, ou em estudos, ou qualquer coisa. Nisso tenho que dar o braço a torcer pra St. Clavier. – comentou, dando de ombros, chegando numa parte do museu onde tinham uma quantidade imensa de documentos.

De certa forma, Viola estava certa. St. Clavier estava cheia era de meninos mimados, mais do que bandidos. Nenhum deles andava cometendo nenhum crime grave. Claro que tinham uns ou outros que deixavam rumores absurdos no ar, ou que aprontavam além do que podia prever, mas no mais, via um monte de meninos sem ninguém para por moral.

- É, você tem razão. São mais meninos mimados que bandidos. Mas aí que tá... se acham sempre no direito de terem seus mimos e vontades atendidos que não ligam pra quem atropelam no caminho. Eles gostam de ter razão. Eu tiro a razão deles. – Sasha falou, fazendo uma cara de que tinha achado a própria frase de filme de ação “nada mal”. – Ah, e em minha defesa, não uso bonés na escola. Até fico de gravata arrumada. – riu.

Foi até uma parte dos documentos que tinha fotos antigas, apontando para os nomes que eram iguais aos das pinturas, mostrando as imagens originais das mulheres que tinham visto antes. Mas Viola ainda parecia mais interessada em sua história que na dos outros.

- Ahh, meus pais são um par de hipócritas. Sei que me alimentaram e me criaram, mas meu pai dava muita surra em mim e na mãe quando eu era mais novo, não me queriam em casa porque eu arrumava encrenca, meu pai ameaçava, minha mãe dava razão a ele... – Sasha falou com a careta de quem estava cansado de pensar nessa história. – Aí o filho problema de repente vira cadeirante e todo mundo fica cheio de “Sashinha isso, Sashinha aquilo”. Não engulo esse negócio. Um momento tô levando surra, outro tô sendo paparicado. Ah, vá. Aí como não sei ficar calado, melhor evitar a briga. St. Clavier veio em bom tempo. – Sasha comentou, apertando a boca e franzindo a testa, sacudindo a cabeça negando expressivamente aquela história toda. – Você deve entender. Todo mundo tem encrenca com os pais nessa idade. Você é tipo uma filhinha de família rica que os pais queriam se livrar, Vi?

Viola

Estava certa sobre os meninos mimados, mas pelo menos Sasha parecia estar convencido de que fazia alguma diferença tirando a razão deles. Foi inevitável lembrar de Annica e todos os discursos incansáveis sobre o que fazer ou não fazer, e agora que estava no mesmo quarto que a albina, podia ver como ela conseguia lidar com as outras alunas de jeitos muito específicos. Era um pouco diferente do que Sasha estava colocando, com certeza, mas os dois eram muito diferentes no fim das contas.

De novo, não prestou atenção nas informações que ele estava mostrando das peças do museu, mais ainda quando ele falou tão casualmente que os pais eram hipócritas e que levava surra do pai e que a mãe só dava razão ao ato. Ouvir que alguém levava surra dos pais também não era tanto novidade para Viola, mas era novidade o jeito que Sasha colocava aquilo, como se não lhe afetasse tanto quanto soava.

- Eu não ia pensar nunca que você levava surra do seu pai. Mas até tem umas caras suas que dá vontade de bater. - ela tentou desconversar, deixando de lado a parte de que ele tinha virado cadeirante em algum ponto daquela narrativa. Até teria perguntado no meio da curiosidade, mas a ideia de que podia ter sido culpa do pai dele lhe perpassou a mente e no instante seguinte, a pergunta foi sobre os pais dela. Numa reação automática, ela levou uma das mãos até os cabelos, segurando uma das mechas e deslizando os dedos ali repetidamente. - Hm. Minha mãe não queria passar a vergonha de descobrirem que... - ela parou olhando as fotos, tentando evitar a palavra bem óbvia para lhe definir. E teria desconversado tudo, mas achou injusto depois de ter perguntado tanta coisa ao moreno. - Que esse cabelo é falso. Eu não sirvo mais pra ela e ela me mandou pra cá com a desculpa de que estava na hora de começar a focar nos meus estudos.

Sasha

Supunha que se fosse qualquer outra menina ouvindo aquela história, ouviria no fundo da voz delicada um “tadinho”. Mas uma das coisas engraçadas de Viola era que, a despeito dela ser delicada, ela era muito seca. Acabou rindo da colocação dela sobre ter de fato umas caras suas que dava vontade de bater, supondo que era bem melhor aquela reação que relevava as partes ruins de seus tempos áureos que se ela tivesse de repente, ficado com pena, o que também não digeria bem.

Sua pergunta fez com que Viola fosse pegar nos cabelos loiros, e Sasha notou o leve nervosismo dela de não saber inteiramente se respondia ou não. Mas talvez porque ele fosse bem honesto sobre o que tinha passado, ela também tinha decidido ser honesta. O caso dela talvez fosse muito diferente do seu, mas não deixou de franzir a testa para a história de Viola.

- Sei que a mãe é sua e só você tem o direito de julgar, mas ela também é bem babaca, viu? – Sasha resmungou, talvez porque estivesse momentaneamente pensando na situação da Viola, que era apenas por conta de cabelo. – Queria saber o que passa na cabeça de uma pessoa assim. Vergonha do que, pô? Servir de que? Você é a filha dela, não um processador de alimentos. E não é como se ter ou não cabelo tivesse te mudado por inteiro. Claro que muda algo, mas não muda se você é bom ou ruim, ou útil ou inútil. Se filho só servisse quando fosse bom e perfeito, vinha com garantia de troca. Não queria amar incondicionalmente, não tinha filho, ora. – Sasha disparou com uma leve irritação, como se fosse óbvio, esticando as mãos para fora e parando por um instante. – Mesma coisa dos meus. Meu velho morre de vergonha das merdas que faz, fica todo manso e cuidadoso comigo na frente dos outros. Xinga e dá na cara da minha mãe em casa. Eu não mudei em nada. Sou o mesmo de antes, nem mais frágil, nem mais cego, nem mais útil. E ele é o mesmo babaca de antes. A diferença é só aparência. E que diferença isso faz, se no fim, nada muda?

A aparência que falava não era a aparência física dele ou de Viola, mas as aparências que os pais deles tentavam manter a troco de tratar os outros de forma miserável.

Viola

A surpresa ficou bem estampada no rosto de Viola quando Sasha foi bem direto sobre a sua mãe ser babaca. Já tinha ouvido adjetivos piores enquanto competia, porque era o que as meninas faziam nos bastidores para tentarem atingir umas às outras, mas nunca nada tão sincero como só o moreno sabia ser, e que ela estava bem desacostumada. Acabou sorrindo de forma inconsciente, sem querer, não sabia o quanto Sasha conseguia entender do seu caso e o quanto conseguia explicar, do mesmo modo que não sabia entender a situação dele por inteiro, mas o ímpeto dele em lhe defender a despeito da aparência foi até revigorante, uma boa mudança da academia em que agora todas as meninas falavam pelas suas costas pelo que tinha escondido aquele tempo todo.

- Bom saber que você é idiota agora e já era idiota antes, então. - Viola adicionou ao comentário dele sobre não ter mudado. - E seu pai também parece um babaca, já que você colocou assim. - ela continuou alisando a mecha de cabelo, e depois de dar uma olhada breve ao redor, colocou o óculos escuro de novo. - Faz muita diferença pra minha mãe, e pra mim. Eu fui criada a vida toda pra ser bonita e ganhar concursos e ser exibida, se eu não sirvo pra isso, eu não sirvo pra minha mãe, simples assim. Ela nem se deu ao trabalho de vir me visitar quando fiquei no hospital.

Viola deu a volta na intenção de sair do museu, já que tinham alcançado o final do salão de exposição.

- Vamos procurar algum lugar pra comer, estou com fome.

Sasha

Viola, no fundo, era uma boa menina. Sabia que ela estava passando por problemas, e imaginava que muito era por conta dessas situações com a família dela, mas ficou satisfeito de que ouvir que ela tinha um aliado – nem que fosse para chamar a mãe dela de babaca – tinha arrancado um sorriso dela. E ela arrancou um seu, até bem em concordância, quando disse que seu pai também era um babaca.

Ouviu a conclusão dela sobre a história da família dos concursos de beleza e acompanhou enquanto ela fazia a volta para sair do museu.

- Sei que você não liga pra minha opinião, mas... não faz diferença pra mim, você ser assim. Você é linda, e é boa pessoa, embora seja chata para caralho quando quer. – falou com muita honestidade, achando a rampa de saída rapidamente, já que vivia visitando o museu. – Seria melhor se não fizesse questão de pessoas babacas assim na sua vida, mas pais são pais. O bom dos pais, ou da sua mãe, entretanto, é que um dia você vai sair da asa dela. Até lá, você vai sacar que a única pessoa pra quem você deve serviço é você mesmo.

Sasha seguiu por umas ruas, pensando em lugares interessantes para comer já que a garota estava com fome. Então parou por um instante, lembrando de uma lanchonete muito boa.

- Ei! Tem um tio aqui na rua de baixo que um churrasco grego muito bom. Kostya o nome dele. E se comprar dois sanduíches, ainda vem com a bebida. Ah, oh, ali! – apontou para o carrinho no meio da rua, e o enorme espeto de carne suculenta girando que deveria cheirar até o próximo quarteirão. – Dois, amigo! Quer dividir uma cerveja? – Sasha falou animado.

Viola

Viola estava acostumada a uma coisa de Sasha: ele era bem honesto boa parte do tempo que convivia com ele, então mesmo que quisesse retrucar as afirmações do rapaz de que era "linda" e "boa pessoa", acabou entortando os lábios sem encontrar as palavras, até ele completar que ela era "chata pra caralho".

- Chato é você, garoto, vê se se enxerga! - reclamou, os braços bem cruzados diante do corpo e o óculos escuro de volta ao rosto. - Eu não tenho muito o que fazer. E não sei fazer outra coisa além de ser bonita... o que já não é mais minha especialidade. E você sabe que eu não sou muito brilhante em matérias escolares. - ela adicionou aquele último detalhe a muito contragosto, seguindo o caminho naturalmente até ter os passos detidos quando Sasha mesmo parou com a cadeira de rodas. - O que foi?

Logo o cadeirante estava apontando muito animado para um lugar onde podiam comer churrasco grego e ainda com promoção de comida e bebida. Ela deu um giro nos calcanhares para ver o carrinho no meio da rua para onde Sasha seguiu sem ao menos lhe esperar dar o aval.

- Você não tá falando sério, né? - Viola perguntou a Sasha, num tom discreto para não chamar atenção do dono do local que não parecia nada limpo. - Um milhão de lugares pra comer nessa cidade turística e você quer comer comida no meio da rua nessa qualidade duvidosa?!

Sasha

Riu quando Viola colocou muito bem apontado que ele que era chato, e ela não sabia mesmo o que fazer já que não era boa nem em matérias escolares. Mas sendo bem sincero, tinham tantas coisas que ela podia fazer mesmo sem ser “linda” e inteligente, o que claramente a garota tinha dificuldades, que se perguntava porque ela estava tão fixada na ideia de ser modelo. Viola tinha que se achar numa profissão.

E não era gourmet, certamente, porque a reação dela para o carrinho foi muito questionável. Estava dizendo que a comida era boa. Podia não ser o lugar mais limpo do mundo, isso era fato, mas desde que a comida fosse bem temperada e o atendimento simpático, ficariam bem.

- A comida dele é uma delícia! Não julgue porque é um carrinho. A comida é cozida aí no espeto, não vai pegar nada não! Relaxa e aproveita, essa comida dele é bem melhor que muita coisa do dormitório de Limoges-Collet. – fez a propaganda, estendendo a mão para pegar um par de sanduiches muito recheados de carne, passando um para Viola. – Pega. Ei, ela acha que tua comida tem tempero de pó de rua, irmão.

- Ah, mas a mocinha não sabe que esse que é o melhor tempero?? – o outro exclamou, e Sasha deu uma risada erguendo o pão em concordância com o grego.

Pegou também uma cerveja e entregou uma à Viola.

- Você não dá pra ser gourmet assim, Viola. Tem que provar de tudo. E suspeito que não saiba cozinhar também.

Viola

A insistência de Sasha de que a comida era uma delícia não lhe convenceu, obviamente. Quase fez careta para a comida que o outro lhe ofereceu, um sanduíche com tanta carne que lhe dava vontade de colocar tudo pra fora antes mesmo de comer. Ela nem sabia por onde segurar o sanduíche muito recheado ou por onde sequer pensar em morder. Já tinha vomitado tanta comida nos últimos dias que aquilo era só mais um prato cheio para colocar para fora.

- Não coloque palavras na minha boca, eu não disse nada disso. - ela reclamou, ainda assim sem saber o que fazer com o sanduíche que com certeza não ia morder. Mas pegou a garrafa que ele lhe estendeu, só porque estava fechada antes e não era possível que a bebida também tivesse a mesma qualidade duvidosa.

Bebeu uma golada generosa da cerveja, sem ao menos saber o que era e usando a bebida mais para saciar o pouco de sede depois do ônibus e da caminhada no museu e no brechó. Nem teve tempo de reclamar do gosto da bebida, quando Sasha teve que apontar que ela também não sabia cozinhar.

- Claro que dá pra ser gourmet, eu tenho dinheiro pra isso. E não tenho que provar de tudo, posso provar o que sei que vou gostar. - mais um gole generoso na bebida que, de novo, ela nem parou para conferir que era cerveja.

Sasha

Sasha deu uma mordida no próprio sanduíche, notando que Viola não sabia nem por onde começar o dela. E ela tinha a boca pequena, certamente morderia um pedacinho de carne pequenininho por vez. Porém, enquanto tentava engolir o primeiro pedaço do pão, notou ela reclamando e bebendo a cerveja como se fosse água, o que fez Sasha arquear a sobrancelha. Ela sabia beber? Ou não tinha notado que era cerveja?

- Bom, Viola, você tem que provar primeiro pra saber se gosta. E nem tudo que você acha que vai gostar, você acaba gostando. Então claro que nem tudo que você acha que não vai gostar, você acaba não gostando também. Entendeu? – Sasha tentou argumentar de um modo bem confuso, até mesmo pra ele. – É tipo a comida da cafeteria de St. Clavier. Tudo muito chique, com os melhores ingredientes, o que seja, mas no fim das contas, o sanduíche dele é mais gostoso.

Sasha bebeu da cerveja, observando que Viola deveria estar com muita sede. Só esperava que não tivesse que dar uma carona pra ela. Seus braços não aguentariam tanto, mesmo que ela fosse magrinha.

- Tire um pedacinho da carne. Se não gostar, pode me dar o sanduíche. Eu levo pra jantar. – comentou, dando de ombros. – E pegue leve na breja. Quer outra?

Viola

Viola deu mais um par de longas olhadas para o tal sanduíche, pensando por onde devia morder aquilo, e já tinha tomado mais da metade da cerveja também sem perceber ou sentir qualquer efeito. Antes de finalmente morder uma borda que tinha escolhido depois de muita análise, ouviu todo aquele discurso sobre gostar e desgostar e a pergunta dele se tinha entendido. Arqueou uma sobrancelha para o outro.

- Você entendeu? - ela respondeu, como se a lógica fosse impossível até para o dono dela, e finalmente arriscou uma mordida muito pequena que a fez engolir mais pão do que carne, e nem se fizesse muito esforço, conseguiria comer muito mais do que aquilo.

Tomou outro gole da cerveja para ajudar a engolir o pequeno pedaço do sanduíche e a garrafa já tinha acabado, ela a deixou de lado para morder mais da carne, como Sasha tinha dito. Certamente ela nunca tinha provado comida de um carrinho no meio da rua, não era inteiramente ruim e também não era toda a maravilha que Sasha estava dizendo.

- Você é exagerado demais. - ela falou, estendendo a mão para indicar que queria outra bebida, mas franziu o cenho para ele ao ouvir o "pegue leve na breja", que foi quase como se o outro estivesse falando grego. - O que você disse?

Ela pegou outra garrafa e bebeu, de novo, como se fosse água, para tirar pouquíssimos pedaços do sanduíche e provar um pouco da carne, sabendo que vomitaria tudo mais tarde. Mas não chegou nem na metade do sanduíche quando se deu por satisfeita e já estava na terceira cerveja como se fosse água.

Sasha

Sasha abriu um sorriso convencido porque sabia que se ela lhe achou “exagerado”, era porque não tinha odiado o sanduíche, embora não pudesse dizer que Viola tinha gostado também. Mas ao menos por um instante ela tinha deixado de estigmatizar a comida, e tinha se dado o luxo de provar a comida do carrinho.

- Você fica linda com óleo no lábio, sabia? – Sasha brincou, falando sobre a gordura da carne que tinha ficado na boca da garota quando ela tinha tentado comer a carne. – E eu disse pra pegar leve com a breja.

Porém Viola lhe ignorou efetivamente e enquanto estava no fim da cerveja e no fim do sanduíche, a garota já tinha descido três cervejas e comido só metade do pão. Sasha só então percebeu que era muito, muito provável que ela não tivesse noção alguma de cerveja, considerando que aquela era uma garrafa de carboidratos e modelos e carboidratos não se misturavam. Exceto sem querer, como naquele momento. Pegou metade do sanduíche que ela não parecia mais querer comer e entregou ao vendedor.

- Tio, embala pra viagem. – Sasha pediu, pegando logo em seguida a metade do pão de Viola embalada em papel manteiga, colocado em uma sacolinha fina que parecia que rasgaria a qualquer momento. Com cuidado, colocou a comida em sua mochila. – Tá tranquila pra andar, Viola? Bora seguir o rumo. Não sabia que você conseguia beber tanto assim. Já já vai querer parar em todos os banheiros no caminho. Talvez eu devesse chamar você e a Gasparzinho pra sair. Se bem que se você ficar bêbada de verdade pode ser que eu esteja colocando sua castidade em risco. – falou, reminiscente sobre as raríssimas mulheres maravilhosas que lhe acompanhavam na sagrada cerveja que bebia sempre que ele e os moleques da gangue conseguiam e pensando que Annica poderia usar Viola para palitar os dentes, se ela não fosse tão problemática.

Viola

Viola só olhou torto para Sasha quando ele ainda apontou que ela ficava "linda" com óleo nos lábios. Não respondeu como o faria usualmente, só pegou um guardanapo e limpou a boca, voltando a beber a cerveja e ignorando os comentários de Sasha até ele pegar o resto do seu sanduíche e pedir para colocar para viagem.

Ela terminou de beber a cerveja e procurou na bolsa a nota de euros para pagar pela comida também, ajustando os óculos no rosto para seguirem caminho, sabe-se lá para onde que Sasha ainda iria inventar. Ao menos eles já estavam mais perto de Limoges do que St. Clavier, e aquilo não lhe demandaria outro ônibus ladeira acima.

- É claro que eu estou. - ela retrucou sobre poder andar, e ainda sugeriu chamar Annica para saírem juntos e beberem. - Você só pode estar louco, Annica? Bebendo? A presidente certinha do Conselho Disciplinar de Limoges-Collet? - Viola nem resistiu a dar uma breve risada, dando algumas passadas curtas, mas acabando por passar a frente de Sasha mais de uma vez no ritmo desregulado da andada. - Ou será que é por isso que vocês se entendem?

Sasha

Tinha que admitir que Viola estava certa. Seria muito engraçado ver Annica bebendo. Mas imaginava que cheia dos rumores sobre como ela ficava perigosa perto das novinhas de Limoges-Collet, provavelmente bêbada aí que não teria filtro. Isso, ou aquele belíssimo sasquatch começaria a rir. Ver Annica gargalhando. Seria hilário.

Viola provavelmente já estava bêbada mas em termos de comportamento ainda estava bem. Só trocava um pouco os pés. Andar naquele ritmo com ela só atrapalhava.

- “Se entender” é um pouco forte. A gente conversa civilizadamente. Menos quando eu chamo ela de gasparzinho... abominável mulher das neves... boneca de cera... Iceberg... espera, não... ainda não usei iceberg... – parou pra pensar, então dando uma acelerada para ficar na frente de Viola, porque com ela se movendo em um ritmo diferente do seu, acabaria batendo nela sem querer com a cadeira de rodas. – Eu me dou bem com você, Vi! Somos uma grande dupla: um químico e sua assistente de laboratório de pernas lindas. – deu uma piscadela, brincando com Viola, olhando para ela por um instante. – Mas pra ganhar salário tem que me dar o boletim, porque senão, vamos ter que revisar toda a química orgân-

Sasha ia completar o que dizia, mas estava tão focado em Viola que nem viu quando a cadeira deu uma súbita inclinada para o lado. Quando pensou que iria cair, ficou preso ali no meio de estar inclinado e não estar. Olhou para baixo, e viu que sua roda tinha ficado presa em um buraco.

- Mas só pode ser brincadeira... – fechou a cara, olhando para Viola, com a expressão de quem sabia que não teria força para empurrar a cadeira sozinho para fora do buraco.

Viola

Viola quase abaixou o óculos para olhar para Sasha diretamente quando ele listou a série de apelidos que usava para se dirigir a Annica, o que era bem assustador considerando como a presidente do Conselho Disciplinar podia ser severa.

- Bom, pelo menos você tem a vantagem de não poder pegar suspensão com ela. - Viola comentou, fazendo uma careta para ele por trás dos óculos quando reforçou sobre ela ser a "assistente" de pernas lindas dele. - Humpf, como se eu fosse mesmo ser sua assistente. Você não tem nada que ver o meu boletim. E eu já não gosto de outros assuntos, menos ainda de química orgânica.

Ela continuou nos passos que eventualmente passavam de Sasha e só então ouviu o comentário dele, bufando em resposta porque ele supostamente estava falando sobre o seu desgosto com a matéria.

- Eu já disse que não gostava disso antes, qual o problema?! - ela retrucou, só depois de mais uns dois ou três passos percebendo que Sasha não estava mais acompanhando. - O que foi agor-?

Viola parou de falar ao olhar para trás e notar que Sasha tinha parado de lhe acompanhar. Ela automaticamente inclinou o rosto para o lado, sem perceber, em seu estado semi-sóbrio, o detalhe muito óbvio de que ele tinha ficado preso.

- Por que você parou?

Sasha

Podia não ter muita certeza que Viola estava bêbada antes, mas quando ela continuou andando apesar de ter parado, pode entender que ou o álcool tinha afetado a garota, ou ela era mesmo lerda. Sasha bufou da cadeira quando ela questionou o que tinha acontecido, e levantou as mãos antes de apontar ambas para o lado da cadeira inclinado, com a roda presa no buraco.

- Um acidente de percurso. – respondeu prontamente, talvez até um pouco mal humorado, os lábios apertados de indignação. Até queria descer da cadeira no chão quente para tentar tirar a cadeira dali, mas sabia que sentado não teria muita força ou jeito suave de tirar o objeto dali. Precisava de ajuda de outra pessoa. Ou alguém que empurrasse a cadeira junto consigo para desprender a roda do buraco, ou alguém que pudesse lhe tirar da cadeira e tirar o objeto em seguida. A primeira opção, com Viola, parecia a mais fácil. Sasha até suspirou profundamente, porque pior que pedir ajuda de alguém, era pedir ajuda de alguém bêbado. – Vi, minha roda está presa. Preciso que você me ajude a empurrar a cadeira. Vem aqui e dá uma forcinha, vai?

Sasha até demonstrou com as mãos nas rodas da cadeira que não tinha força para tirar a roda dali sem a ajuda dela, forçando um pouco para sair sem sucesso algum. Sequer se mexia. Já não bastava a pouca acessibilidade naquela área da cidade.

Viola

Viola demorou um pouco para assimilar a situação, e embora pudesse culpar a bebida por causa da reação lenta, mesmo que não tivesse bebido, ainda estaria bem fora da curva pensar que Sasha tinha parado no caminho por causa de um "acidente de percurso". Ela acabou inclinando o rosto para o lado quando ele explicou que a roda da cadeira estava presa e precisava de ajuda para empurrar.

- Eu não sei porque você acha que a minha "forcinha" vai ajudar, eu mal levo livros pra aula. - ela respondeu, voltando o caminho para ajudar o outro, bem perdida no que fazer. - Segure aí.

Ela deixou a bolsa no colo de Sasha e deu a volta até atrás da cadeira dele, dando uma olhada onde a roda tinha emperrado para poder empurrá-la para fora do buraco. E com toda a força irrisória que tinha junto à energia de Sasha para ajudar a empurrar as rodas também, ela conseguiu dar um impulso com a ponta dos pés e finalmente sentir o solavanco da cadeira saindo do buraco.

O que a loira não esperava era ter impulsionado um pouco demais, a ponto de esquecer de soltar as alças da cadeira e se deixar levar pelos braços, enquanto os pés demoraram a processar que devia acompanhar também, caindo no chão logo atrás de Sasha de um jeito bem ridículo a ponto de ralar os joelhos e ficar com as palmas das mãos vermelhas.

- Ai, ai, ai!!! - ela choramingou, sentando-se no meio fio da calçada abanando as mãos avermelhadas. - Eu não acredito nisso!

Sasha

Sasha muito controladamente guardou para si que Viola provavelmente não levava livros para a aula porque eles não faziam diferença, com a dificuldade de estudar que ela tinha; ou talvez ela tivesse essa dificuldade porque ela não levava livros para a aula. Queria sair do buraco ali, e sua única ajuda no momento era Viola.

- São duas forcinhas, a minha e a sua. Vai dar certo! – Sasha incentivou, colocando as mãos nas rodas para empurrar assim que sentisse Viola pronta para fazer o mesmo.

A força irrisória de Viola foi o suficiente, pois assim que deu um tranco na roda e a loira empurrou também, saiu de uma vez do buraco, até rodando um pouco para frente com a cadeira, olhando para trás para ver o tamanho da encrenca da qual tinha saído. Mas o que viu ao invés disso, foi a loira estatelada no chão que nem uma menina pequena aprendendo a correr. Ela era surpreendentemente desastrada para uma super modelo bêbada.

- AHAHAHAHAHAHAHA! – claramente não controlou a risada, embora estivesse preocupado, vendo a garota com as mãos raladas por tentar lhe ajudar. – Desculpa...! Desculpa... ‘cê tá bem? - perguntou, vendo que a pobre Viola estava tão desolada que até tinha sentado no meio fio e esquecido das roupas limpinhas dela. Pegou a água e uma toalha da bolsinha que carregava na cadeira, colocando a toalha por cima do ombro e a água no chão.

Travou a cadeira e após um curto processo de perna primeiro e corpo depois, desceu da mesma, colocando-se em uma posição sentada do lado de Viola no meio fio.

- Aqui, me dá a mão. – falou, pegando a água para lavar as mãos da loira, jogando também um pouco no joelho e dando a toalha para ela enxugar. – Obrigado, Vi. – agradeceu honestamente, encostando o ombro na loira por um instante. – Agora... não demore pra enxugar porque não sei se esse chão está quente... e certamente a mistura de cerveja, churrasco duvidoso e chão quente vai dar dor de barriga em nós dois.

Sasha então ergueu ambas as sobrancelhas.

- Ah. Será que dava para sair da cadeira antes de fazer você empurrar? – se questionou, realmente ponderando sobre isso.

Viola

Já não bastava a ardência nas mãos e nos joelhos e os filetes de sangue dos arranhões, ainda teve que ouvir a risada descarada de Sasha depois de tê-lo ajudado, o que só fez com que a garota ficasse mais vermelha do que o sangue, enchendo as bochechas de ar em irritação.

- Você é um idiota! E eu que ainda fui ajudar! Eu devia era ter te deixado preso o resto do dia aí!!! Não preciso de mais uma pessoa rindo da minha cara! - ela reclamou a plenos pulmões, até chamando atenção das pessoas que passavam ao redor, a mesma cara de menina mimada choramingando porque tinha perdido uma boneca. Nesse caso, alguns pedaços de couro dos joelhos.

Ela nem pensou em se levantar de onde estava e não prestou atenção em Sasha se sentando ao seu lado. Olhou para os sapatos que ainda estavam inteiros a despeito da queda e não percebeu que a roupa estava suja. Se distraiu com Sasha sentado ao seu lado e o cérebro alcoolizado ainda lhe fez pensar como é que ele tinha chegado ali. Por sorte, nem sentiu a ardência nos arranhões por causa do efeito do álcool e pegou a toalha para limpar as mãos e os joelhos a tempo dele pensar se poderia ter saído da cadeira. A reação foi quase automática ao se virar para Sasha e bater nele várias vezes com a toalha.

- Você é muito idiota, sabia?! Não era você o inteligente de nós dois! Olha o meu estado agora! Eu devia era empurrar essa cadeira pra longe e deixar você aí no meio fio!

Sasha

Sasha até se sentiria culpado de rir de Viola, mas estava rindo apenas pelos motivos certos. E ela não ajudava, porque parecia de fato uma criança pequena com as bochechas inchadas e os joelhos ralados, choramingando porque não deveria rir da cara dela.

E sua realização tardia sobre poder ter saído da cadeira e tornado aquele trabalho mais fácil só fez despertar a fúria da loira, que começou a lhe bater com a toalhinha, obrigando Sasha a se defender com uma mão, e apoiar a outra no chão rapidamente para não tombar para o lado, com a ausência de um equilíbrio maior na conexão entre cintura e quadril.

- Eu sei! Ai-! Eu sei, calma, Viola!! – até riu, porque não tinha como não rir de estar apanhando a toalhadas de uma adolescente mimada com os joelhos e mãos raladas e bêbada. – Não ameaça minha cadeira não! Eu batizo seu sapato bonitinho, viu?? Ai! – ameaçou de volta, mas antes que ela pudesse retrucar, segurou a loira pelos pulsos, usando ela pra se reequilibrar na posição sentada – Eu prometo que não vou rir mais... hoje! E... por que eu fui lento, a gente pode voltar de táxi para Limoges Collet. – abriu um sorriso simpático, então dando um beijo em cada palma da mão da loira. – Pra sarar.

Viola

Viola não teve como continuar batendo em Sasha com a toalha, logo ele tinha lhe segurado as mãos e ela só bufou irritada com a reação dele para se salvar de sua agressividade. Já ia desvencilhar do aperto nos pulsos, quando ele comentou sobre não rir mais naquele dia e ainda poderem voltar de táxi para Limoges Collet. Ao menos aquilo era uma vantagem no seu dia inesperado. Mais inesperado ainda, entretanto, foi quando ele deu um par de beijos nas palmas das mãos que deixou a jovem com o rosto extremamente vermelho em constrangimento pelo gesto.

- O que está fazendo! - ela puxou as mãos para longe dele e para junto do corpo, o rosto mais vermelho do que a bebida poderia ter causado. - Você não toca uma mulher sem a permissão dela!

E antes que ele pudesse pensar em alguma outra gracinha, ela se colocou de pé quase num salto, mantendo o pouco equilíbrio e mantendo a distância dele.

- Eu vou chamar um táxi, você espera aí. - era o melhor jeito de se afastar de Sasha e torcer para que o rosto ficasse menos quente.

Como tinha dito, ela foi atrás de um táxi e logo ela e Sasha já estavam acomodados, ele no banco do carona e ela no banco do passageiro. E não foi nenhuma surpresa que Sasha tivesse uma conversa muito entretida com o motorista do táxi até pararem diante dos dormitórios de Limoges-Collet para que ela descesse primeiro. Mas antes de sair do carro, ela ainda se voltou para Sasha, aproveitando que ele estava no banco da frente e não podia lhe atormentar mais.

- Hm… obrigada, por hoje. - ela agradeceu quase num fio de voz, como se fosse uma vergonha fazer aquilo em voz alta. - Mesmo que você seja um péssimo guia turístico.

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[Drive] Passeio de Pobre [Viola; Sasha] - by Lil - 08-29-2021, 12:42 AM
RE: [Drive] Passeio de Pobre [Viola; Sasha] - by Lil - 08-29-2021, 12:42 AM

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