08-29-2021, 01:09 AM
Dieter
O Australiano estava caminhando com sua rotina e seus experimentos sociais, finalmente tinha tido tempo de ir buscar os hardware novos que tinha encomendado da China e tinha instalado em seu laboratório. Tudo corria bem, e logo poderia ligar toda a aparelhagem, claro se não fosse um sujeito paranóico, que ainda fosse conferir tudo umas duas vezes antes de arriscar ligar tudo. Tinha muitos dados colhidos desde o começo do ano letivo que precisava computar e apurar. Dieter usava calça jeans escura, cinto e botas marrom claro, camisa marrom sépia de linho com alguns botões e um colete verde oliva, como o clima estava mais agradável, tinha dispensado o blazer e se pudesse nunca usaria gravatas na vida.
Estava distraído ponderando se iria direto para casa de Fleur, pelo horário ela já estaria em casa, ou se bateria perna pelo bairro residencial para trombar com os amigos que já tinha feito na região, mas antes que pudesse tomar qualquer decisão, uma folha de papel soprou em sua direção. Pelo reflexo pegou ela em mãos e leu um trecho, sua memória não lhe falhava, conhecia aquele tipo de escrita, muito embora estranhasse a temática, mas sabia que o amigo tinha uma queda por criaturas estranhas e mundos fantasiosos. O Australiano apenas olhou na direção da casa do escritor para confirmar que o caos vinha de lá. E mesmo àquela distância conseguia observar folhas de papel presas nos arbustos do jardim que estava ajudando a cuidar.
Com certeza o mais jovem estava com algum problema para lidar, se aproximou em passos ligeiros, deparando-se por outro lado com uma figura que não conhecia ainda, arrumou o par de lentes no rosto antes de falar qualquer coisa: -- Boa hora! Parece que Julian está com algum problema por aqui! Hahahah! Precisam de ajuda? -- comentou em seu bom sotaque australiano, erguendo uma das folhas que estava em mãos na direção do homem que ainda não conhecia:
-- Eu deixo de aparecer uns dias ele já está dando um jeito de bagunçar o jardim e tudo mais. -- comentou em tom de brincadeira já se adiantando em juntar algumas das folhas de papel que estavam largadas próximo a cerca baixa que separava o jardim da casa do passeio público.
George
Estava juntando as folhas consigo como podia, tomando o devido cuidado para não amassar ou danificar as mesmas conforme havia feito com a primeira resgatada ao tentar puxá-la na prensa na janela. Estava agachado próximo aos arbustos, juntando algumas das folhas quando ouviu a voz do estranho que mais parecia familiarizado com o senhor Holt.
Levantou-se de onde estava, reconhecendo a folha que fazia parte daquele conjunto de anotações do escritor na mão do homem maior. Sorriu um tanto sem graça pela situação na qual se encontrava, mas logo tratou de se aproximar para recuperar a folha que o estranho parecia ter resgatado.
- Boa tarde, senhor. Estava tentando ajudar Julian com os livros do escritório, mas terminei abrindo a janela e tudo isso saiu voando. Obrigado por recuperar o papel. - agradeceu, virando-se brevemente, o pescoço ainda suado por toda a correria dentro do espaço abafado sem ventilação e as idas e vindas da escada. - O senhor é amigo dele? Ele acabou de levar uma queda da escada, mas já está na cozinha descansando.
Realmente, esperava que Julian tivesse lhe obedecido pelo menos daquela vez. Não era difícil seguir uma sugestão tão simples que havia dado apenas para que a situação do outro não piorasse.
- Ele ainda deve estar espirrando por conta de toda a poeira nos livros e o lugar é meio fechado, então… - tentou explicar, terminando por voltar a observar os arredores em busca das outras folhas. - Acho que ainda vou tentar encontrar os documentos dele. - referiu-se ao material que voou com o sopro de vento pela janela, observando o sujeito maior vez ou outra, tentando se lembrar se já havia visto o homem em algum lugar por aquela vizinhança.
Dieter
O australiano observou com atenção a figura do homem, parecia mais velho que a si mesmo, mas isso se devia a barba e do jeito mais fechado e formal, mas tinha de se acostumar algum dia, que os franceses não são por natureza animados em um primeiro encontro. Dieter sorriu amplamente, carismático, principalmente depois que o outro lhe disse que Julian tinha caído da escada, aquilo era o tipo de coisa que realmente acontecia com ele:
-- Vindo do Julian eu não estranharia nada disso. A propósito eu me chamo Dieter Rupert, trabalho como professor de biologia em St. Clavier, e nas horas vagas eu ajudo com jardinagem, venho ajudando o Julian com esse jardim desde o começo do ano. -- o moreno se encaminhou até a portinhola que dava acesso a casa e no meio do caminho juntou o restante das folhas que faltavam serem recolhidas, afinal duas mãos a mais auxiliam a tornar o serviço mai ligeiro e simples: -- Eu ainda tenho algum tempo ainda, então posso ajudar aqui, e fazer uma visita ao moribundo. -- Estendeu as demais folhas na direção do amigo de Julian, que agora mais de perto conseguia ver como ele tinha uma estatura mais baixa, estendeu-lhe a mão também para um aperto de mão. Embora a sensação de poeira e suor lhe deixasse incomodado, o outro tinha lhe dito que Julian estava na cozinha, tão logo entrasse poderia lavar as mãos.
Acompanhou o outro para dentro da casa de Julian, e realmente o local estava uma bagunça, certeza que Fleur iria dar broncas no amigo até o ano novo. Mas se ateve a dar dois toques na madeira da casa: -- Oh de casa! é daqui que tem um moribundo alérgico que caiu da escada? -- o australiano comentou com seu típico tom de brincadeira, não sabia dizer se Julian era muito frágil porque vivia alérgico, ou se era muito resistente por não quebrar nenhum osso nessas estripulias em que se metia.
George
Agradeceu mentalmente pelo outro parecer reconhecer o comportamento do escritor e ainda por lhe oferecer ajuda, ainda que ele fosse ainda só um estranho. Ficou menos preocupado quando ele resolveu se apresentar, lhe dando mais detalhes sobre sua identidade e lhe ajudando com aquelas folhas perdidas. De certo que sendo Julian como era, ele precisava de toda a ajuda que pudesse conseguir para viver sozinho em uma casa como aquela. Ajuda com o jardim, ajuda com os móveis e os livros, não ficaria surpreso se ele tivesse algum tipo de diarista na casa também.
- Ah. - fez uma breve pausa, juntando os papéis em uma única mão antes de bater a mão um pouco suja pela poeira e suor no lado da calça antes de corresponder ao cumprimento do sujeito amistoso. - George Blunt, professor.
Acompanhou o moreno mais alto ao terminar com as folhas no jardim, entrando logo atrás do mesmo para fechar a porta e deixar os papéis reunidos até então no sofá perto das pilhas de livros que já havia reunido. Seguiu na direção das escadas pelo corredor, observando ao passar o encontro do professor com o escritor. Buscou observar para ver se Julian ainda estava apoiado nas cadeiras com os quadris no gelo antes de rumar para as escadas.
Queria terminar seu trabalho de carregador, mas ainda havia folhas de anotações pela escada, justamente onde imaginava que o escritor deveria ter escorregado ao subir e descer os degraus correndo. Suspirou conformado, abaixando-se para recolher as folhas ali também, uma a uma pelos degraus, a fim de evitar novos acidentes pelo mais novo.
Julian
Julian se resignou a seguir as indicações de George em meio à série de espirros. Sentou-se sobre a bolsa de gelo improvisada, sentindo o calafrio por causa da temperatura fria atravessando suas roupas, que logo estariam molhadas com o gelo derretido. Ao menos seria um pouco refrescante e diminuiria a dor obtida pelos impactos. Colocou os pés em cima da outra cadeira e pegou o copo de água, bebendo em curtos intervalos, já que ainda parava para espirrar uma ou outra vez. O nariz estava mais vermelho do que o resto do rosto, tomou metade da água e devolveu o copo à mesa, pegando o pano úmido para passar no rosto e pressionar o nariz, na esperança de que diminuísse um pouco a crise alérgica. George apenas lhe deu as ordens no mesmo tom que estava acostumado de Fleur e levantou a mão num sinal de positivo enquanto ele anunciava que ia sair para buscar os outros papeis.
- Sim, sen-atchim! Senhor. - respondeu ao mandado dele. Até teria se levantado para ir terminar o trabalho, mas os quadris estavam doendo e a alergia era muito irritante. No fim das contas, só se ajustou melhor na cadeira, inclinou a cabeça para trás sobre o encosto de madeira e colocou o pano molhado cobrindo o rosto todo para fechar os olhos e relaxar um pouco.
Os espirros diminuíram um pouco de frequência e alguns breves instantes se passaram, em que já estava sentindo a umidade do gelo atravessando suas calças. Seria bem engraçado levantar dali com uma mancha de água na bunda, mas pelo menos estava em casa. Ficou naquela posição por mais um tempo até ouvir uma voz diferente lhe alcançando os ouvidos e a reação foi automática ao quase pular da cadeira, levantando o rosto e tirando os pés do apoio para observar o novo visitante que estava no portal de entrada da cozinha.
- Dieter!! Oi! - inclinou-se na cadeira para cumprimentar o outro e só sentiu a dor nos quadris, colocando uma careta de dor imediatamente. - Ai, ai, ai!!! Arghhh, agora eu to com a bunda tod-atchim! Molhada. - levantou-se da cadeira, passando a mão nos quadris e olhando para as costas para tentar ver o quanto tinha molhado da calça, mas voltou a atenção logo para Dieter, na animação usual. - Eu não esperava que você viesse hoje! Atchim! Eu já baguncei mais coisas no jardim, porque e-atchim! sou péssimo cuidando dele. Mas pelo menos agora o July est-atchim! em Paris, então ele não vai bagunçar as coisas, hein. Atchim! E você? Tá bonitão, vai visitar a Fleur? - prendeu o ar em seguida para evitar os próximos espirros, mas foi inevitável e cobriu o rosto no automático com o pano molhado.
Dieter
O australiano não ficou nada surpreso de encontrar Julian parecendo um corpo no corredor de hospital, jogado com um pano sobre o rosto. Queria poder achar uma explicação para a má sorte do amigo somada a saúde frágil, mas isso ficaria para outro dia, e um outro experimento. Acenou para que o outro levantasse com mais cuidado, e em sua mente, espirrasse em outra direção, que não a sua:
-- Tem dias e dias não é Julian? As vezes estamos com a bunda molhada, às vezes com tudo molhado, olhe pelo lado bom, se fosse uma chuva, você estaria em uma mistura de crise alérgica com gripe. Não parece nada confortável, não acha? Vou usar sua pia. -- Avisou apenas a critério de hábito, embora se sentisse minimamente confortável para caminhar no caos que era a casa do outro: -- E sim, eu já estava avisado que July estaria longe, Fleur me avisou, e disse que você não precisava de um cachorro pra estragar o jardim, você tinha todo o talento necessário para tal. Mas eu boto fé que você consegue aprender a cuidar do jardim, é mais fácil que você se livrar da alergia pelo menos. -- deu de ombros, depois de lavar as mãos, buscando álcool no armário no local que já conhecia para desinfectar as mãos: -- E sim, novamente, vou encontrar com ela, mas tenho tempo ainda, ela ainda deve estar no trabalho. Me diga Julian, porque você não lava o rosto, e toma os antialérgicos? como a crise está forte, você pode tomar dois de uma vez, almoçou ao menos hoje? senão vai ter de tomar com leite ou algo assim pra não afetar tanto seu estômago. Sabia que você não pode misturar antialérgico com antigripal senão você pode causar falência no fígado? Ah, e eu passei o olho em algumas das folhas que saíram voando pelo seu jardim, não sabia que estava fazendo drama sobre dragões, como seria a vida cotidiana de um dragão em crise? Será que eles tem crise de meia idade? hahah! -- o australiano começou a tagarelar era o tipo de efeito que Julian tinha sobre si.
Julian
Julian apenas deu espaço para que ele usasse a pia e o seu álcool, já estava até acostumado com todas as vezes em que Dieter já tinha lhe ajudado com o jardim e algumas em que tinha visto seu péssimo estado de saúde. Procurou uma cadeira enxuta para se sentar e manteve o pano cobrindo o rosto parcialmente para não ter que espirrar demais perto do professor.
- Hahaha, eu não precisav-atchim! Mesmo de um cachorro pra destruir tudo. - ele respondeu, respirando fundo e sentindo a frequência de espirros diminuir pelo menos um instante. - Meus anti-alérgicos estão lá em cima, to com preg-atchim! Preguiça de subir pra pegar... já já pas-atchim! Passa. Você não devia perder tempo aqui, Dieter, a Fleur deve sair do trabalho da-atchim! Daqui a pouco-atchim!! - suspirou longamente quando teve chance, apoiando o queixo na mesa e deixando o pano molhado enrolado no rosto, os braços jogados sobre a mesa enquanto Dieter ainda mantinha a distância, apoiado à pia. - Eu almocei mais cedo, e trouxe torta também pra comer depois de arrumar as coisas atchim! Sabe que o George veio me ajudar porque eu encont-atchim! Encontrei ele na padaria e ele tá me ajudando a-atchim! Trazer as coisas do primeiro andar... atchim! - esfregou o nariz, e no instante seguinte, já tinha se colocado de pé quando ele disse que tinha achado algumas das suas folhas no jardim. - Ah!!! Você pegou as que fugiram?! Atchim! Obrigado! Atchim! Hahaha, eu não vou fazer um drama de dragões, é uma história de fantasia que eu quero escrever tipo... desde que eu morava na Holanda-atchim! Mas é uma boa pergunta se eles têm crise de meia-idade, hahaha! Você quer ver as minhas anotações?! - ele nem esperou a resposta e andou na direção da sala de estar, para mostrar as poucas pilhas que já estavam ali tomando boa parte do espaço - Eu to trazendo tudo pra sala porque eu tenho um amigo novo que-atchim! Que não pode subir as escadas, ele é cadeirante, e ele gosta dessas coisas de fantasia e eu disse que ia mostrar minhas pesquisas pra ele, daí o George tá me-atchim! Ajudando a trazer tudo... e aí ele abriu a janela e eu esqueci de avisar e ventou e o vento levou tudo pra fora e atchim! Foi aí que eu desci as escadas correndo e escorreguei e caí de bunda, hahah!
Ele parou na entrada da sala, abrindo os braços como se fosse abraçar tudo que já estava lá, mostrando para o australiano a quantidade de informações que tinha.
- Aí… todo o meu trabalho e motivo da minha crise alérgica, hahaha-atchim! - anunciou, com a animação de adolescente com a qual Dieter já estava bem acostumado.
Dieter
Não duvidava que Julian estivesse com preguiça de pegar os anti-alérgicos, mas era um fator a mais ele ter disposição para mexer em tantos livros antigos e empoeirados e não ter pensado que isso tudo lhe deixaria incapacitado de tanto espirrar. Julian era certamente peculiar, mas isso o tornava interessante, embora pudesse dispensar as crises de espirro que não eram nem um pouco higiênicas. Acenou positivamente para a explicação do mais novo acerca da padaria e de como tinha encontrado com o outro homem, e certamente se fosse possível, Julian só se alimentaria de bolo, mas não podia culpá-lo quando tudo que Fleur preparava era tão saboroso.
Ergueu uma das mãos em sinal de negativa de que o outro não precisava lhe agradecer por ter pego as folhas fugitivas, sabia que o moreno mais novo, lhe faria o mesmo favor se tivesse coordenação motora para tal. Riu junto, afinal não tinha como negar que se ele inventasse de fazer um drama sobre crise de meia idade de dragões era bem capaz de virar best seller, Julian era um ótimo escritor sem sombra de dúvidas, e tinha plena confiança que ele podia escrever qualquer coisa, se estivesse interessado e disposto para fazer.
E antes mesmo que pudesse responder o mais novo se levantou num solavanco, nem parecia que estava derrubado a alguns instantes por causa da crise alérgica, acompanhou mantendo uma distância segura caso houvesse qualquer incidência de espirros em sua direção. Então só naquele momento tinha compreendido o tanto de pesquisa que o outro já tinha levantado diante da expectativa de construir seu universo de fantasia:
-- Fascinante Julian! São muitos livros é praticamente uma biblioteca particular, tanta coisa antiga merecia que você digitalizasse para ter sempre como um acervo digital e acessível longe de poeira. Fiz isso com vários dos meus livros mais antigos de botânica, deixo em volume físico apenas aqueles que não de coleção e que eu posso repor com facilidade. Muitos desses livros já podem ser considerados antiguidades não? Já catalogou todos eles? Se precisar de ajuda posso vir em outro dia, melhor preparado e com máscaras e luvas, e lhe ajudo a digitalizar e separar os volumes. Se continuar os armazenando nessa poeira, vai acabar perdendo algum destes exemplares para mofo ou traças. Eu detestaria ver você perdendo pesquisa por problemas de armazenamento. Ainda bem que você encontrou um novo amigo que lhe estimulou a mexer em todas essas coisas guardadas. Mas da próxima vez tem de planejar melhor o começo da faxina, e tomar os anti-alérgicos antes de começar, para não ficar desse jeito! hahah!
O professor bateu palmas e riu, de forma descontraída, não estava zombando de Julian, longe disso, admirava a capacidade dele de acumular coisas e informações. Mas certamente seria uma grande perda se ele não conseguisse manter o bom estado dos próprios livros por sua desorganização crônica:
-- Mas me conte, sobre o que é seu universo fantástico?
Julian
Julian seguiu entre as pilhas que já estavam no chão enquanto George arrumava o que tinha voado no primeiro andar para continuar a trazer as coisas para o térreo. Ainda espirrou algumas vezes, mas esfregou o nariz com vontade, respirando fundo e sentindo a frequência dos espirros diminuir um pouco - a despeito do nariz avermelhado. Evitou tocar nos livros e mapas empoeirados para não piorar tudo.
- Eu não tenho catalogado não, assim, eu jogava tudo de mitologia na mesma pilha, e tudo de mapa na outra, e tudo de história em outra e assim eu me encontro. Não é lá muito organizado, mas se me perguntar alguma coisa específica, eu vou saber em que livro procurar. Não sei se eu ia me encontrar numa organização organizada de verdade, hahahah. - riu, espirrando mais duas vezes antes de parar do outro lado da sala, voltando a atenção para Dieter. - Eu já perdi monte de coisa pra traças e insetos, por isso eu geralmente mexo nos livros pra ver se tem alguma coisa comendo eles, de tempos em tempos. Mas não dá pra revisar tudo sempre, eu bem precisava de umas prateleiras mais organizadas. E minha casa é até grande, podia mudar a sala toda pra ter um monte de estantes de livros, aqui e ali, e com mesas e coisas pra pesquisa, isso ia ser legal! E o Charles ia poder vir aqui pra ver também! - ele disse, tomado pela empolgação da perspectiva, voltando-se para Dieter com um sorriso animado. - Hahaha, tomar os anti-alérgicos é uma ótima ideia!
Voltou para perto dos livros e estava prestes a pegar um deles, até espirrar mais uma vez e desistir no meio do caminho.
- Hm, talvez eu devesse mesmo ir buscar os- parou a sugestão de ir buscar os anti-alérgicos quando foi interrompido pela pergunta de Dieter sobre o que era o seu universo fantástico. - AHHHH! É bastante coisa! Eu fiquei pesquisando anos e anos e aí eu criei todo o universo desde que os deuses criaram o mundo, sabe? E aí existiam os dragões que tomavam conta da raça humana e eles viviam em harmonia, mas as coisas saíram do controle e daí eles entraram numa rebelião, e os humanos começaram a caçar os dragões e o mundo entrou no caos e em destruição, ao ponto de que eles despertaram os deuses que estavam adormecidos e ficaram enfurecidos com o que tinha sido feito da humanidade, eles se ergueram e dizimaram quase todos os humanos e os dragões e só quando a terra estava coberta por escuridão e silêncio, eles voltaram a adormecer, e os dragões e humanos que restaram, debilitados, juraram evitar que os deuses antigos despertassem mais uma vez, porque toda a vida conhecida podia acabar de verdade. E aí é que depois de muitos e muitos anos que os dragões começam a se extinguir e os humanos a se multiplicar mais e mais e mais, as pessoas já não acreditam mais nas lendas antigas e daí tem umas últimas raças de dragões que viveram em reclusão e decidem que os humanos não merecem tomar conta do mundo e querem reclamar a terra e despertam a guerra contra os humanos de novo, mas só tem uma pessoa que ainda acredita que as lendas antigas são verdade e que se a guerra não for impedida os deuses vão surgir do chão de novo e destruir o mundo todo de uma vez só e… atchim! - Julian esfregou o nariz, rindo do fato de que tinha falado tudo como se fosse num só fôlego, respirando fundo pra recuperar as energias. - Ah, mas isso é só o que tem antes porque no livro é a história do personagem principal que tem que impedir o despertar os deuses e aí eu estudei um monte de coisa de mitologia e escatologias e várias religiões e culturas e essas coisas de magia e criação do mundo e tal! Tem umas coisas aqui e tem outras também sobre mitologia, ah! Acho que ainda tá lá em cima, eu vou pegar pra te mostrar! Atchim!
George
Terminou de arrumar as folhas que haviam sido levadas pelo vento para fora da casa e continuou a trazer as pilhas e mais pilhas de livros cuidadosamente pela escada, prestando atenção ao diálogo do visitante com o dono da casa todas as vezes que passava perto da cozinha. Não se recordava do sujeito que havia lhe ajudado com as folhas do jardim conhecer o escritor, mas o que havia conseguido ouvir por cima, ele deveria ser algum amigo de Fleur também.
Ouviu a conversa sobre os medicamentos que o escritor deveria tomar e suspirou resignado ao largar uma pilha de livros na sala, concluindo que ele deveria ter tomado aqueles remédios desde o início. Ou melhor, deveria ter ficado com Fleur longe da casa com toda aquela poeira enquanto fazia o trabalho pesado.
Não conseguiu deixar de notar, contudo, como ele falava empolgado sobre o que escrevia em seus livros. Era de uma empolgação tão forte que chegava a imaginar seus filhos ouvindo sobre aquela história e ficando ansiosos para saber sobre o desenrolar dela. Não entendia o que ele queria dizer com dragões e humanos, pois não ouvia muito falar sobre mitologia e coisas fantásticas. Durante sua infância, nunca houve muito tempo para fantasia, de qualquer modo.
- Ah, Julian. - aproximou-se da cozinha, removendo a camisa que havia sido colocada contra o próprio rosto para não respirar a poeira e usou o tecido para secar o suor que lhe escorria pelo pescoço. - Terminei de descer com a maioria das pilhas, só falta mover alguns móveis. Isso moveu muita poeira pela casa. Se posso sugerir, por que o senhor não fica na casa de um amigo enquanto essa bagunça é limpa? Se ficar aqui, mesmo que tome o remédio que o doutor aí falou para tomar, não acho que vá melhorar continuando na poeira. - sugeriu, esperando a decisão do sujeito. Voltou o olhar para o tal Dieter, cumprimentando-o com um aceno de cabeça, esperando que ele concordasse com sua opinião. Ao menos julgava que fosse o mais sensato a se fazer naquele caso.
Dieter
O australiano ouviu com atenção o desenrolar da descrição e narrativa feitos pelo amigo, se parasse de prestar atenção por um instante sequer, certamente perderia algum ponto importante da trama. Não podia subestimar a capacidade de um autor de reter informações acerca de suas obras, embora também não duvidasse da capacidade de Julian de misturar plots e rearrumar os próprios universos com frequência, não era um escritor assíduo de ficção, embora se registrasse metade dos seus delírios teria mais temporadas que o seriado de Supernatural. Sorriu com o fechamento da explicação em torno de um espirro, aquilo era muito a cara do próprio Julian:
-- Estou vendo que está tudo aí, realmente só falta pôr no papel e organizar. -- Comentou em tempo do amigo do escritor adentrar a sala, ele estava realmente com aparência de quem estava fazendo todo o trabalho pesado sozinho. Se tivesse sido avisado com antecedência, teria se prestado a ajudar certamente, mas sabendo como Julian era a ideia deve ter surgido em um momento de impulsividade e decidiu concretizá-la. Estava em verdade surpreso do senhor George ter aceitado tomar partido de um dos momentos impulsivos do escritor, ele devia ser aquele tipo de pessoa muito legal para conseguir dizer “não” para os outros:
-- Dada a situação, o seu montante de coleção de livros e o estado em que a casa se encontra, eu realmente tenho de concordar com o seu amigo Julian. É melhor dormir na casa de outra pessoa enquanto a sua casa é limpa, e certamente você vai precisar de mais ajuda do que o senhor Blunt pode oferecer. -- Arrumou o par de lentes de grau no rosto olhando de George suado e empoeirado, para Julian, empoeirado e molhado: -- E se tivesse me avisado que faria uma faxina eu certamente teria me proposto a ajudar, mas hoje realmente não posso tomar partido no serviço.
Acenou negativamente, estava muito arrumado para sair com Fleur, para se dar ao luxo de cair na brincadeira com Julian, sabia que se aparecesse empoeirado, era capaz de receber um castigo terrível. Não queria testar os limites da criatividade da mulher para castigos, ela tinha um talento nato pra isso, tinha plena certeza, não precisava ser desafiada para mostrar o que tinha de mais obscuro naquele mente. Suava só de imaginar.
Julian
Julian espirrou mais uma vez, mas foi interrompido pela chegada de George também. Ficou empolgado com a resposta de Dieter sobre ter que colocar as coisas no papel, mas logo a empolgação foi sumindo quando George ainda sugeriu que ele fosse dormir na casa de um amigo.
- Mas eu não quero ir dormir em outro lugar, logo agora que tá tudo aqui! E eu posso chamar o Charles pra ver tudo também! E nem é tanta poeira assim, nem abrimos meu quarto, vai que está inte-atchim! Atchim! - virou o rosto para o lado, esfregando o nariz com a proximidade de George que só estava trazendo mais poeira acumulada também. - Eu vou ficar bem, eu vou!
Já tinha esquecido mais uma vez que era para subir as escadas e ir atrás do anti-alérgico, especialmente quando Dieter ainda reforçou que ele poderia dormir na casa de algum amigo e teve que suspirar conformado, inclusive com mais um par de espirros seguidos do suspiro longo.
- Tá bom, eu vou pra casa de alguém, tem um monte de gente que eu conheço na vizinhança, nem vou precisar ir muito longe. - ele respondeu, o nariz completamente vermelho depois de todos os espirros e esfregadas no rosto. - Ahh, eu não pretendia fazer faxina não, na verdade eu tive a ideia muito recente porque eu fiz um amigo novo! O Charles! E ele gosta dessas coisas que eu escrevo, do mesmo universo e tudo mais, mas ele é cadeirante, e não teve como ir lá no meu escritório ver as anotações, aí eu pensei em trazer tudo pra cá porque ele poderia ver, mas agora eu vou ter que limpar tudo. E encontrei com o George na Antique e ele precisava tamb- ahhh!!! A Antique! Você tá todo arrumado aí, Dieter, não está atrasado pra encontrar com a Fleur?! Ela vai ficar uma fera se você demorar muito. Onde vocês vão?? Vai pra algum lugar na cidade? Perto da praia? Ou no centro, na parte histórica? Ou fora da cidade?!
Começou a lançar as perguntas sem ao menos se preocupar com a discrição, aproveitando enquanto não era interrompido por outra crise de espirros.
George
Teve vontade de levar a própria mão até o espaço entre as sobrancelhas e pressionar a ponte de cartilagem do nariz diante do discurso de Julian Holt sobre não precisar de ajuda. Ele claramente era o que mais precisava de ajuda ali. Ouviu a história de Julian sobre conhecer um novo amigo que era cadeirante e se perguntou mentalmente de onde conhecia algum homem cadeirante com aquelas características. Vivia em Cerise há muito tempo, mas não se lembrava de nenhum sujeito assim.
Acabou indo até a pia da cozinha após verificar a hora da tarde em seu celular. Precisava lavar as mãos e os antebraços antes de sair. Só ergueu a cabeça ao se dar conta da possibilidade do homem mais alto e arrumado ser algum conhecido amigo, namorado, da dona da Antique. Não disse nada, guardou a nota mental sobre a informação para si. Não era de fofocas, e certamente a vida alheia não lhe era de direito para ficar perguntando detalhes. Sabia como a dona da Antique passou boa parte da vida dela ali na cidade em situação desagradável devido ao misto de boatos e fofocas. Ela e o filho que era um homem feito, o tal de Arman.
- Julian, desculpe interromper, mas eu preciso ir buscar meus filhos na escola. Esse trabalho vai levar mais tempo do que eu imaginava. - começou, secando as mãos na própria roupa, tentando ficar minimamente apresentável afora o suor e a poeira. - Eu volto amanhã para continuar o serviço, não se preocupe com isso. Vou deixar meu número e combinamos o horário melhor. Não deixe de se cuidar. - passou pelo escritor, dando-lhe pequenos tapinhas nas costas antes de se dirigir ao recém conhecido professor. - Com licença, professor.
Pediu, fazendo menção de apertar a mão do homem ao se despedir, mas logo voltando a limpar a mesma na própria calça.
- Desculpe, nos falamos melhor da próxima vez. Tenha uma boa tarde, professor. - acenou antes de se dirigir a saída da residência, mais apressado em não perder o horário dos garotos na escola. - Até amanhã, Julian! - despediu-se, dando uma breve olhada para trás ao sair, considerando que ainda não conhecia o professor direito e que ele ficaria a sós com o escritor, mas considerando o fato de que Fleur talvez fosse amiga do homem, não deveria ser uma pessoa suspeita.
Dieter
Deveria achar incrível a forma como Julian não percebia sua tendência a por tudo em caos, mas também, não o conhecia de outra forma, ou a tanto tempo para saber se ele já teve outra forma que não essa: caótica. Ao menos não precisou continuar insistindo até que ele percebesse que era uma má ideia continuar naquela casa bagunçada e empoeirada, não entendia como qualquer ser vivo que não traças gostariam de um espaço desarrumado assim. Arqueou as sobrancelhas quando o mais novo começou a lhe bombardear de perguntas, já supondo que iria sair com Fleur - que era verdade - e para onde iriam como se fosse um jogo de adivinhação:
-- Fiquei de encontrar ela em casa, mas não se preocupe eu sair cedo, nem quero imaginar o que ela faria comigo se eu chegasse atrasado. E desta vez ela quem decidir pra onde vamos, ficamos alternando nas surpresas de locais de encontros -- o australiano riu: -- mas acho que nada vai superar pedalar 10km pro vinhedo, pra amassar uvas com os pés. -- arrumou o par de lentes de grau no rosto, e logo George veio em sua direção, anunciando sua despedida.
Espiou para a mão, não tão limpa, o outro limpa-la na própria calça não ajudou a torna-la mais limpa, olhou da mão do homem para o rosto dele, e levou a mão até a dele com uma leve relutância, em um aperto breve:
-- Em uma próxima vez, vamos conversar mais, de preferência limpos e acompanhados de algo pra beber. -- sorriu de forma carismática ao homem. Tão breve cessou o aperto de mão, foi até a pia da cozinha para higienizar as mãos com sabão adequadamente:
-- Qualquer coisa se quiser, você já arruma as bolsinha de dormir, e vai comigo até a casa de Fleur e já pede teto e comida, ela vai te largar lá sozinho enquanto a gente sai, muito provavelmente.
Julian
- Obrigado pela ajuda, George! Amanhã a gente continua sim! Vou estar melhor dos espir-Atchim! - ele curvou a cabeça de novo e cobriu o nariz, satisfeito que só tinha sido um espirro. - E traga os meninos pra brincar da próxima vez, quando estiver tudo limpo, hahaha. Eu vou arrumar umas roupas pra dormir fora então, eu volto já, Dieter.
Julian seguiu escada acima a passos bem apressados para jogar um par de roupas dentro de uma mochila de carregar de lado, junto com escova de dente e roupa de baixo. Mas foi apenas aquilo que colocou, ignorando toalha e qualquer produto de limpeza. Sabia que tinha tudo na casa de Fleur mesmo e fazia um tempo que não se distraía com a lentidão de Arman. Quem sabe ele estivesse pintando algo novo. Ainda aproveitou para lavar o rosto e pegar os anti-alérgicos, tomando um deles no processo antes de descer as escadas correndo também.
- Pronto, podemos ir! Prometo que não vou atrapalhar o encontro de vocês. - Julian riu largamente e seguiu com Dieter pelo caminho até a casa de Fleur que ficava no mesmo distrito, embora a umas boas quadras de distância.
Mas o tanto que ele conversava e o quanto Dieter lhe respondia fazia com que o caminho parecesse bem mais curto, a ponto de já estarem no jardim de Fleur quando ele percebeu que estava no meio de uma descrição sobre seus livros nunca escritos.
- Ah, chegamos! Fleurrrr!!! Eu vim dormir aqui!!! Minha casa tá uma bagunça cheia de poeira e eu acho que vou morrer de alergia lá, Arman tá em casa?!?! - Julian já chegou correndo pelo caminho da entrada para bater na porta, falando com a própria porta.
- Que barulho é esse na entrada da minha casa, Julian? - Fleur abriu a porta para pousar os olhos primeiro no adulto-criança de quem cuidava com mais frequência do que Arman. - Eu estou ocupada hoje.
- Eu sei, eu trouxe a sua ocupação. - Julian sorriu largamente e apontou para Dieter logo atrás de si, para que a mulher desviasse o olhar na direção dele com um sorriso discreto. - Hmmmm, você tá toda bonita hoje, Fleur, nem vim atrapalhar o seu encontro.
- Está insinuando que não estou bonita nas outras vezes que me vê, Julian? - a loira arqueou uma sobrancelha com cara de julgamento. Ela usava um macacão de tecido leve, com um laço na cintura e sandálias abertas de salto médio, os cabelos amarrados num coque lateral simples e uma maquiagem leve no rosto.
- É claro que não! Você tá sempre bonita, Fleur. - o outro consertou, rindo sem graça antes que levasse um tapa na nuca.
Dieter
Era sempre muito agradável conversar com Julian mesmo que precisasse manter pelo menos dois metros de distância por causa dos espirros e das reações exageradas do homem, e embora a caminhada dali até a casa de Fleur fosse bem considerável, o caminho foi preenchido com conversas que iam de plots políticos a grandes guerras fantasiosas. Tão logo estavam na frente da casa de Fleur, o moreno mais novo já começava a mostrar sua personalidade infantil peculiar. Mas se distraiu da conversa com Julian quando pos os olhos sobre a mulher, Fleur era sempre encantadora, mas era realidade que qualquer coisa adicional que ela pusesse a fazia ficar várias vezes mais deslumbrante, não cansaria nem tão cedo de apreciar a imagem da mulher a sua frente.
Se aproximou da residência percorrendo o curto caminho da portinhola até a entrada da residência em si, reduzindo a distância entre o australiano e a francesa, para complementá-la com um beijo amistoso nos lábios: -- Desculpe a demora, mas no meio do caminho as anotações do Julian estavam voando pela janela e aquilo foi atípico o suficiente pra me chamar a atenção. -- O homem riu de forma carismática como de costume, pra só então completar: -- Ele realmente precisava de uma ajuda, ainda bem que eu apareci lá, bem capaz dele dormir no meio da poeira e do caos que estava lá e amanhã nós termos um Julian no noticiário da manhã.
Dieter riu mais abertamente, sem qualquer pudor, mesmo que estivesse em certo ponto fazendo graça da situação do amigo que não estava nada boa em meio a alergia que ele mesmo tinha causado bagunçando tudo na própria casa. Mas também, não era como se estivesse mentindo:
-- E então, vamos pra onde? -- O australiano sorriu, empolgado com o local para onde a mulher o levaria, os locais eram sempre surpresa, a única dica era o dresscode da situação pra não ter de pedalar de terno, ou ter de ir em um restaurante fino com moletom de exercício.
Fleur/Julian
Fleur só riu da resposta pronta de Julian para a sua aparência e passou a mão no topo da cabeça dele como se fosse uma criança mesmo. Permitiu a aproximação de Dieter e retribuiu o beijo breve nos lábios dele, ouvindo então a explicação sobre como os dois tinham se encontrado e a demora para voltarem.
- Eu já disse para se cuidar melhor, Julian, você é pior do que uma criança, é impossível. - Fleur rodou os olhos, ficando ao lado de Dieter para dar espaço para que Julian entrasse na casa. - Arman está no quarto, vá lá atormentá-lo.
- E o Arman já se acostumou com vocês dois? - Julian perguntou, com um sorriso arteiro. - Há quanto tempo já estão namorando? Eu acho que vocês são um ótimo casal! Mas Dieter não pode se incomodar quando eu vir roubar seus doces, Fleur.
Fleur até abriu a boca para responder, mas só com a pergunta de Julian foi que ela percebeu um detalhe importante que tinha facilmente deixado de lado só por conta da convivência com o professor de biologia.
- Namorando? Não sei, ainda não fui pedida em namoro. - Fleur respondeu, passando a mão em volta do braço de Dieter como se fossem sair já. - O que acha, Dieter? Quer namorar comigo oficialmente? Podemos matar o Arman do coração com a notícia.
Ela sorriu divertida, e Julian foi até pego de surpresa com o comentário, sentindo-se como se ele não devesse estar ali naquele momento, por mais casual que a conversa parecesse.
Dieter
O australiano sorriu, sabendo que provavelmente Arman estaria ocupado com alguma pesquisa que tinha lhe proposto a fazer a última coisa que ele precisaria para manter a concentração era justamente um Julian espirrando e tagarelando várias informações que o mais novo não tinha como absorver. No entanto, o comentário de Julian sobre a quanto tempo estavam namorando pegou o professor de biologia com razoável surpresa, e encarou a mulher ao seu lado, que tinha enlaçado seu braço e diminuído a distância entre os dois.
E antes que pudesse elaborar qualquer frase que justificasse a situação, Fleur comentou com a maior naturalidade o que seria uma formalização do relacionamento que tinham, sorriu de volta, beijando a mulher na testa:
-- Sim, com certeza, a antecipação da expressão dele já me diverte. -- devolveu a gracinha com o mesmo tom descontraído, afinal, assim como para Fleur, para o australiano era apenas natural que já tinham um relacionamento, tanto que a formalização do mesmo, nem tinha sido necessária, não ao menos até aquele momento: -- E julian, como eu posso fazer surpresas, se você fica antecipando o roteiro? Têm de conter seu lado escritor nessas ocasiões.
Seguiu mantendo o tom divertido e Fleur próxima de si, porque era exatamente assim que se imaginava nesse momento de sua vida, com humor renovado, mas leve, e muito bem acompanhado.
Fleur
Fleur sorriu agradada com o beijo na testa e a resposta positiva. Embora tivesse tratado os encontros dos dois como algo muito casual, sem terem definido nada até então, a constância com que se encontravam e a intimidade crescente bem denunciava que os dois eram mais do que parceiros casuais. E embora Fleur fosse bem adepta da casualidade, não era como se tivesse idade para continuar saindo como uma adolescente. Mas foi Julian que fez uma expressão de surpresa e depois de susto quando Dieter reclamou com ele sobre antecipar o roteiro. A reação do homem foi quase exasperada.
- Ahhhh!!! Desculpe, Dieter, eu não sabia! Eu achei que vocês já tavam juntos de verdade e não que ce ia pedir a Fleur ainda em namoro e…! Você devia ser mais romântica e esperar ele pedir também, Fleur, eu estraguei tudo sem querer!!! - ele falou rápido demais, como se estivesse mesmo preocupado em ter estragado um pedido de namoro entre os dois. O exagero dele só fez com que Fleur desse uma risada breve.
- Não se preocupe, Julian, só entre e vá fazer companhia ao Arman, sim? - ela fez um sinal abanando a mão para ele, como se estivesse enxotando-o para dentro de casa. - E não nos espere acordado!
- Tá bom, tá bom, divirtam-se! - Julian seguiu para dentro da casa e Fleur riu de novo, saindo com Dieter e fechando a porta atrás de si.
Antes mesmo de dar o primeiro passo, a loira se aproximou mais de Dieter, passando as mãos sobre os ombros dele e unindo o corpo ao dele, deixando o rosto perigosamente próximo.
- Se ainda quiser me pedir em namoro, eu prometo que faço uma expressão de surpresa. - ela comentou, aproximando o rosto até selar um beijo intenso com o australiano, sentindo-se estranhamente mais satisfeita só por terem definido o relacionamento dos dois.
[Thread encerrada]

