[Drive] Fatal Help [Emil; Arman; Isaac]
#1
Emil

Nem podia acreditar que já estava 6 meses na instituição, o tempo pareceu correr tão rápido que nem esperou por ele, no meio de tanta correria, Emil ainda encontrava tempo para ficar sozinho com as lindas plantas de St. Clavier, os jardins de lá eram lugares dignos de pontos de turismo para o jovem, adorava ficar lá quando não tinha nada marcado com os amigos ou algum filme interessante para assistir.

Como sempre, foi a um lugar confortável para usar o celular, respirar fundo e talvez tirar umas fotos, quem sabe não pediria a opinião do colega de quarto sobre abrir um blog com fotos de plantas que encontra.

A diversão não durou muito, notou um certo grupo de adolescentes aglomerados a uma certa distância de onde estava, pelo que conseguiu notar pareciam os típicos bullies, depois de tantas conversas com Aleksei Emil sabia melhor que não adiantava engajar em interações sociais com essas pessoas, seguindo seu espírito conformista estava disposto a deixar o bando de lado e se safar de futuros problemas, mas algo chamou sua atenção. Um barulho tão sutil, quase um sussurro perdido no ouvido alheio.

Não era um barulho humano, parecia mais... O piar de um pássaro, guardou o celular no bolso incrédulo, de tantas coisas que essas pessoas poderiam estar fazendo, estar machucando um animal indefeso era a mais repugnante delas. Os conselhos de Aleksei persistiram em sua cabeça, mas se não ele, quem ajudaria o passarinho? Não era em nenhum grau uma brincadeira justa, os garotos se divertiam amontoados ao redor do pequeno animal e isso fervia o sangue do pseudo-loiro.

-O que eu faço... Eu não quero me meter...na verdade eu não devo me meter... mas... – soltou em um sussurro, ainda sem tirar os olhos do grupo se levantou e limpou as roupas, cortando o último fio de Juízo que restava- Antes eu do que ele, pelo menos útil para salvar um passarinho eu sou!

Com toda a coragem que conseguiu foi marchando na direção dos adolescentes, os pedidos de socorro do pássaro cada vez ecoando mais alto em seus ouvidos, o guiando para um futuro incerto.

-Com licença... Eu escutei uns barulhos e notei que vocês estão mexendo num passarinho...e... e bem..eu.. bem, eu queria que vocês parassem, o bichinho não tem como se defender... – Deu leves toques no ombro de algumas das pessoas envolvidas, sentia as palmas das mãos começarem a suar, assim como a sua testa, mas agora era tarde demais, ou saída daí com o passarinho ou saía com ele do mesmo jeito, essa brincadeira de mal gosto acaba por aí.- Então por favor parem com isso, tem muita... coisa para vocês fazerem num lugar como St. Clavier.

Arman

Havia uma exposição para preparar depois dos jogos interescolares. Faria parte de uma exibição com outros alunos de St. Clavier e de Limoges-Collet na galeria de Cerise, então Arman estava mais focado em conseguir novas peças particularmente de fotografia, já que queria mudar os ares dos quadros que estava pintando e não sentia muita diferença ou impacto. As fotografias eram mais interessantes. Por isso estava com óculos de lentes coloridas daquela vez, uma roxa e outra verde, com a câmera em mãos e buscando algumas coisas ao redor que fossem interessante.

Já tinha saído dos terrenos ao redor dos prédios principais de St. Clavier, passando pelos arbustos e jardins no caminho até sequer perceber que estava perto dos dormitórios. Sentou-se entre alguns arbustos, ajustando a lente da câmera várias vezes para focar em detalhes da paisagem, trabalhar com diferentes focos, movimentos e o que mais pudesse tirar do cenário restrito. Talvez devesse andar pela cidade e achar coisas mais interessantes. Mas ao meramente pensar nas coisas interessantes, algo lhe chamou a atenção na lente da câmera que estava desfocado por conta da distância.

Olhou através do visor e ajustou a lente de novo para conferir um grupo de alunos altos o suficiente para serem do time de basquete e um aluno baixo o suficiente para obviamente estar sendo abusado de algum jeito. Ainda observou pela lente da câmera por uns instantes o desenrolar da situação com os avanços dos alunos mais altos e os empurrões tão característicos. A roupa do loirinho estava amarrotada, ele parecia segurar alguma coisa nas mãos e não ajudou quando os alunos mais altos avançaram mais e puxaram a camisa já desarrumada.

Por fim, Arman desligou a câmera e se levantou do local onde estava, andando a passos não muito apressados na direção do grupo de estudantes. Deixou a câmera no meio do caminho, no chão, sabia que não ia ser muito conveniente tê-la em mãos na situação óbvia de bullying. Assim que alcançou o grupo, estendeu a mão para o ombro do aluno mais alto que estava ainda agarrando a roupa do garoto loirinho mais novo.

- Ei. Parem com isso.

O aperto no ombro do estudante foi forte, o suficiente para incomodá-lo para que ele virasse em sua direção, assim como os outros dois que ouviram o chamado.

- Tch, dá o fora. - o rapaz desvencilhou o ombro do aperto forte, encarando Arman com uma expressão pouco amigável. - Não é da sua conta.

- Só estamos conversando com o nosso novo amigo aqui. - o segundo aluno passou o braço por cima do ombro do loirinho, obviamente incomodado com a situação.

Arman olhou através das lentes coloridas dele, para os outros dois, e numa reação quase automática, desferiu um soco certeiro no rosto do que tinha abraçado o aluno novato. As reações dos outros dois foram apenas esperadas, depois de um breve instante de surpresa: partiram para cima dele também.

Trio de Basquete [Louie (Franjinha), Hugo (Risadinha) Joseph (Mal Encarado)]

Louie detestava gente intrometida, já não bastasse o calouro gordo metido a merda, agora tinha de lidar com o esquisito que tira foto de mato. Depois de assistir Hugo tomar um soco na cara direto e sem aviso, Louie sabia que a conversa ali seria na base da violência, que fosse, então, mais uma advertência pra conta.

Louie não era tão forte, mas tinha um corpo longo, e braços ágeis, e soltou o punho fechado na lateral do rosto do fotógrafo fazendo o par de lentes coloridas cair no chão, para a surpresa do francês de franja reta, o esquisito não era tão fácil assim de derrubar, e nem era lento como fazia parecer. A resposta não veio dos punhos mas em um chute bem colocado na altura da coxa pouco acima do joelho, não o suficiente pra quebrar mas pra jogar o corpo do estudante de basquete para o lado desequilibrado.

Joseph que já estava de sangue quente e querendo espancar o de menor, agora ia despejar sua raiva em quem aguentaria sem ter de se sentir culpado caso ele quebrasse alguma coisa no processo. Enquanto Louie era jogado de lado, Joseph enlaçou o corpo do esquisito por trás impedindo que ele movesse os braços livremente. Mas antes que qualquer um dos outros rapazes conseguissem aproveitar a brecha, o esquisitão jogou a cabeça pra trás com vontade, em tempo Joseph se esquivou, mas não previu que o movimento seguinte, onde o fotógrafo apoiou os pés no chão e jogou o corpo pra trás fazendo com o que o loiro mal encarado acertasse as costas contra uma árvore, afrouxando o aperto.

Tão logo se viu livre, Joseph teve tempo de abrir os olhos pra ver o punho fechado do esquisito acertar seu rosto bem em cheio, fazendo com que sua cabeça ainda acertasse a madeira atrás em um som seco pelo impacto.

Hugo estava com o nariz sangrando, e estava surpreso diante daquela confusão que um cara com um jeito tão avoado tivesse reflexos tão bom pra briga, estava começando a considerar aquilo uma má ideia pra comprar.

Louie se aproximou pela diagonal crente que ia conseguir flanquear o fotógrafo, mas antes que pudesse de fato acertá-lo o moreno girou o corpo e acertou uma cotovelada na altura do maxilar do francês. A dor foi aguda e o ouvido zuniu alto, mas o moreno não parou por ali, terminando o giro do corpo, veio um segundo soco com a esquerda, com menos força, mas o suficiente pra jogar o corpo de Louie de volta para o chão atordoado.

No momento que Hugo se levantou, o fotográfo fixou o olhar nele, dava pra ver o corte no rosto deixado pelo local acertado anteriormente, e ele não estava com a mínima expressão de quem estava arrumando uma briga o que era no mínimo perturbador. O que queria dizer no mínimo que ele não ia lhe deixar sair dali com apenas um soco no rosto. Sem contar tempo e sem pensar demais na consequência dos atos, Hugo se jogou sobre o corpo de Arman, caindo sobre ele por um momento, acertou-lhe um soco na lateral do rosto, sem tanto impacto porque o moreno desviou. A reação do fotógrafo foi rápida em lhe devolver um tapa na altura do ouvido, e inverter as posições, jogando Hugo de costas para o chão, e Arman lhe desferiu socos sobre o rosto e depois sobre os braços que o jogador estava usando pra se defender.

Joseph chutou o fotógrafo esquisito pra longe de Hugo, e Louie puxou o colega do chão pra que ele se levantasse rápido. E diferente do que o trio de jogadores esperava o esquisitão era bom de briga e se levantou rápido batendo parte da poeira:

-- Vai lá ficar com o gordo, ele não vale esse esforço não…! -- Hugo falou com os dentes sujos de sangue, passando a mão sobre o rosto arrebentado.

-- Vai ter volta isso…! -- Louie murmurou para o calouro, mas logo espiou sobre o ombro pra se afastar o mais rápido possível dali.

Joseph ainda chutou um monte de terra na direção do menino gordo encolhido no chão, e depois acelerou o passo pra longe, a última coisa que queria era ter de continuar brigando até ficar completamente inútil, por causa de um gordo de bosta.

Iriam se vingar mais cedo ou mais tarde.

Emil

Tudo tinha acontecido tão rápido, num instante foi conversar com o grupo e em outro estava encolhido sendo empurrado enquanto segurava o pequeno animal. Não tinha ideia de como reagir naquela situação, não queria apanhar e não sabia brigar, estava perdido, estranhou quando já não sentia o abuso alheio e decidiu levantar o rosto.

Aparentemente alguém viu o que estavam fazendo e veio pará-los, não conseguiu ver a pessoa direito, a adrenalina não o deixava focar em apenas uma coisa mas notou óculos diferentes. O que sucedeu o encontro foi horrível, o penetra desferiu um golpe em um dos bullies e uma grande briga começou, Emil não tinha estômago para ver tudo então virou o rosto para outro lado, comprimindo ainda mais o próprio corpo. Sentia a respiração curta e rápida, o coração batendo sem controle, não era justo um desconhecido se machucar por ele, talvez se o moreno pedir para deixarem ele em paz ou pedir para deixarem ele ir e continuarem o que estavam fazendo... Não, provavelmente eles não o escutariam, talvez a situação até piorasse.

Como em um transe, o tempo parou e a situação ao seu redor pareceu sumir, tantos pensamentos na sua cabeça que não sabia no que prestar atenção, não lembrava de como se meteu nessa situação mas os diferentes cenários de como ela terminaria pareciam lúcidos, “Eu tenho que sair daqui... Eu preciso sair daqui…” repetia para si mesmo, contraindo o que conseguia de sua postura.

- Por favor... não machuquem ele... ele não tem nada a ver...p...por favor... - a visão ficou borrada, provavelmente estava na beira de chorar - vocês podem voltar a m...me empurrar, mas deixem ele ir...

Se a respiração estava errática, pior tinha ficado, o garoto dava suspiros altos, as mãos agora dormentes e olhos procurando desesperadamente no que focar, sem sucesso, tinha a impressão que iria morrer, nada pior que isso nessa situação, um pouco de terra grudou nos lábios entreabertos do garoto ao serem jogados em sua direção por um dos adolescentes, não que tivesse percebido alguma coisa.

“Não consigo salvar um pequeno pássaro…”

Arman

A situação toda virou uma confusão muito rápido. Arman queria que tudo tivesse acabado com as palavras ou ao menos com o primeiro soco, mas não foi o caso. Levou um murro em resposta no rosto que jogou o seu óculos para longe e ainda deixou uma sensação quente no rosto. Fazia tanto tempo que não entrava numa briga que talvez fosse mais difícil acompanhar os movimentos, mas logo descobriu que não era nenhum bicho de sete cabeças. Era igual ao que fazia quando era mais novo e se metia em confusão com Carbella.

Ele podia não ter experiência com outros tipos de luta, mas conseguia reagir mais rápido do que pensar no que fazer. Afastou o cara que lhe socou com um chute, e depois foi preso pelas costas, mas tentou dar uma cabeçada e depois jogou o corpo para trás com ele até baterem num tronco. Foi o suficiente para se libertar e se safar do ataque lateral, parando o rapaz levantando o cotovelo com força. Ainda adicionou um soco no rapaz para afastá-lo de vez.

Parou os olhos sobre o primeiro cara que tinha acertado e ele não perdeu tempo em avançar em sua direção, meio sem saber o que fazer, pelo visto. Os dois acabaram caindo e Arman teve que desviar de um soco lateral em seu rosto que ainda tinha uma sensação viscosa. Devolveu o ataque dele com um tapa no ouvido até empurrá-lo de volta contra o chão e atacá-lo daquela posição. Só parou o que estava fazendo quando sentiu o chute na altura das costelas e saiu de cima do jogador, que se levantou até rápido para quem tinha levado umas boas surras.

Arman se sentou no chão, ouvindo as ameaças estúpidas e ignorando prontamente. O garoto gordinho ainda estava encolhido ali perto, mas ao menos não tinha sido parte da briga. Ele já parecia bem machucado também de antes de receber ajuda. Arman deixou que os alunos se afastassem e olhou ao redor, pegando o óculos torto para ajustar um pouco com as mãos. Uma das lentes estava arranhada, mas não estava quebrado. Ele colocou o óculos de volta no rosto, mesmo danificado, e bateu um pouco a roupa, levantando para andar até o garoto.

- Ei. Tudo bem? - chamou a atenção do menino, sem tocar nele para não acabar o assustando como se fosse alguém que ia continuar batendo nele. Nem tinha percebido que havia sangue escorrendo de um corte acima do olho esquerdo, exceto pela sensação viscosa no rosto que tinha sido ignorada. - Eles já foram.

Emil

As batidas do coração em seus ouvidos eram altas mas felizmente não o bastante para isolá-lo da situação geral. ''Quem que se meteu no meio? Adam deve estar ocupado e Yure com os amigos dele, não faz sentido...'', pelo menos a briga devia ter diminuído ou cessado, já não parecia ter tanta gente no local, o garoto cuspiu o resto de terra que ficou presa nos lábios e os limpou com uma das mangas da camisa. Pensou em correr o mais rápido que podia mas foi chamado a atenção por uma das vozes de antes.

Olhou na direção do som e viu o penetra, usando um óculos danificado com lentes coloridas o encarando, não apenas isso, mas ele estava com um corte feio acima de um dos olhos, que sangrava livremente, o que o mesmo pareceu não notar, de fato, parecia mais interessado no mais novo.

-Uh?...eu acho que si-aah! o olho! me desculpe, seu olho ta cortado por minha culpa! me desculpe mesmo eu não queria te meter nisso... - saiu da pose contraída em que estava para pressionar o sangramento com a manga do uniforme enquanto abanava levemente a região com a outra mão, aproveitou e olhou o resto do rosto do garoto em busca de mais cortes- você não precisava ter brigado com eles, desculpa... foi tudo minha culpa, eu vou te ajudar a ir na enfermaria e cuidar disso, me desculpa mesmo...

Que situação, como ele iria explicar para o enfermeiro que aquele garoto se machucou, certamente ganharia uma advertência, ou pior... Talvez seja suspenso por ter instigado ele a brigar, sentiu o rosto aquecer de vergonha, mais uma vez decepcionando as pessoas.

-Você pode me denunciar para o diretor, é o mais justo depois de tudo... - tirou a manga para ver a situação da ferida, mas depois de uma olhada rápida colocou de volta, melhor prevenir. - Eu vi uns garotos mexendo com um passarinho e eu fui conversar e pedir para eles pararem... ah, o passarin... -olhando para onde tinha se encolhido, a única presença era do corpo de uma ave morta, as asas abertas em ângulos estranhos e o bico entreaberto, olhos abertos e agora já sem vida. - O que eu fiz...

Arman

O garoto gordinho pareceu demorar um pouco para assimilar que os bullies tinham fugido. Mas quando saiu da posição de defesa agarrado a si mesmo, ele pareceu um pouco mais energético, a ponto até de estender a mão até o seu rosto e pressionar a área acima do olho. Não fazia ideia do motivo, mas sentiu uma dor incômoda com a pressão dele, franzindo um pouco a expressão.

- Hm. Não precisa. - não precisava se desculpar, nem ir para a enfermaria, nem sabia qual o motivo do nervosismo dele até ver a mancha vermelha na manga da camisa dele. Naquele horário, só a ideia de voltar até o prédio administrativo para ir até a enfermaria lhe deixava cansado. Os dormitórios estavam mais próximos, mas enquanto pensava no que fazer, ele voltou a falar alguma coisa sobre denúncia para o diretor, até parecer se dar conta do que tinha acontecido ao passarinho.

Arman olhou do menino para o passarinho morto e junto à expressão desolada do garoto, foi fácil entender o que tinha acontecido. Num gesto quase automático, levantou uma das mãos até o topo da cabeça com os cabelos assanhados dele.

- Está tudo bem. Você fez bem. Está machucado? - tentou consolar o rapaz, abaixando-se perto do garoto e olhando rapidamente para o passarinho morto. Voltou a atenção para o loirinho. - Podemos enterrá-lo. - apontou para o passarinho, ainda com uma mão afagando os cabelos loiros.

Emil

Sentiu o nó na garganta começar a se formar e a visão borrar, tinha imaginado vários finais para a situação, vários menos esse. Não conseguiu parar de encarar o corpo torcido do animal do seu lado, tinha esquecido dos seus arredores até sentir a mão em sua cabeça em um leve carinho.

-Eu estou bem... É só...

Não conseguiu conter as lágrimas que seguiram o gesto, se sentiu inútil e frustrado por não apenas ter matado o animal, como ter machucado alguém que nem conhecia no processo. O outro garoto manteve a compostura e deu a ideia de enterrar o pássaro, a ideia foi aceita com um aceno positivo do mais novo enquanto usava a outra manga da camisa para cobrir o próprio rosto e consequentemente secar as lágrimas teimosas.

-Desculpa... Eu sei que não tenho mais tamanho pra chorar por isso... - respirou fundo e esperou as lágrimas cessarem e em meio à fungadas, voltou a atenção para o ferimento alheio, engolindo o nó na garganta perguntou - seu dormitório é perto? Qualquer coisa eu devo ter band-aids no meu, e você pode ir pra enfermaria de lá para darem uma olhada nele... desculpa você ter que me ver chorar assim

Levantou-se do chão e bateu fora a poeira e terra das roupas, tentando o máximo não olhar para o bicho imóvel - Sei que não é momento para isso, mas pode me chamar de Emil, Emil Allard se quiser falar com o diretor ou algo assim... - após se apresentar, o loiro olhou em volta e andou até o celular que devia ter caído durante o tumulto e o colocou de volta no bolso, sem nem checar um possível dano.

-É... você sabe onde tem uma pá por aqui?

Arman

A tentativa dele de dizer que estava bem foi bem falha. Logo as lágrimas brotaram do canto dos olhos, mas Arman até esperava aquele tipo de reação, dada a postura do menino. Ele devia ser um primeiranista e estava preocupado não com a situação dos rapazes lhe importunando, mas com o fato de que o passarinho estava morto e que o próprio Arman tinha se machucado no processo. Ele era bom bom garoto no fim das contas.

- Hm, não precisa se desculpar. E você não precisa ter "tamanho" para chorar se está triste com alguma coisa. - avisou, finalmente tirando a mão do topo da cabeça com os cabelos assanhados. Estendeu as mãos grandes para pegar o passarinho morto com cuidado, ele já tinha concordado em enterrarem-no e perto da raiz da árvore parecia uma boa ideia. Só deixou o passarinho de lado para dar espaço para enfiar as unhas na terra e começar a cavar. - Eu não fico nos dormitórios. Mas posso te acompanhar até o quarto, você que precisa de mais ajuda agora.

Ele continuou cavando o buraco com uma das mãos sem muitos problemas, enquanto o rapaz parecia se recompor ao se levantar e bater a poeira das roupas. Talvez ele estivesse compenetrado demais para perceber que já tinha começado a cavar, e ainda estava falando algo sobre o diretor. O que o diretor tinha a ver com a situação deles?

- Arman. - retornou a apresentação para o garoto, bem a tempo dele perguntar por onde havia uma pá. Parou de cavar no mesmo instante, embora o buraco já estivesse mais do que o suficiente para caber o pequeno passarinho. - Hm... podemos procurar uma... - só então ele percebeu que talvez o tal Emil quisesse ter cavado ele mesmo o buraco. - Você quer terminar de cavar? Posso procurar uma pá.

Emil

Arman não perdia tempo em serviço, Emil mal tinha se recomposto e o buraco para o pássaro já estava quase pronto, nem se importou de sujar as próprias mãos ou as roupas no processo. Surpreso, o menor apenas encarou o buraco por alguns segundos enquanto o outro tinha recebido a deixa de procurar a pá, sem muito mais o que fazer.

-Ah… Nah, não precisa mais, eu acho, ta até fundo - voltou a atenção para Arman, que agora já não cavava mais.- Eu posso botar a terra por cima agora, só pra vc não se sujar mais... - deu um pequeno sorriso tímido, não estava sabendo lidar com a situação.

Voltou para o lado do outro e com uma certa delicadeza, talvez até nojo, segurou o passarinho, tentando não pensar na situação toda.

-Deve estar fundo o suficiente, o passarinho nem é tão grande - colocou o passarinho no buraco e olhou para o maior - é… é isso, ainda estou com pena dele, sabe… Tão pequeno, nunca pensei que ia fazer algo assim - colocou as pequenas mãos na terra e colocou-a sobre o animal até o cobrir por completo, depois deu pequenos tapinhas para prensar a terra junta.

-Melhor irmos lavar as mãos, se encontrarem a gente aqui talvez não vão gostar, e também para você não tocar na sua ferida com as mãos assim, estou com agonia só de imaginar - apoiou as palmas no chão e depois de poucos esforços se levantou, provavelmente mais tarde escutaria reclamação do Adam por ser sujado a famigerada pia da maquiagem de terra. Mas não se importava muito com isso agora, poderia pagar algumas cherry colas depois para ele deixar de fazer bico -...Você vem comigo, Arman?.

Arman

Emil logo dispensou a ideia da pá e ele mesmo se aproximou para pegar o passarinho morto com certo cuidado e colocar no buraco. Juntou a terra sobre o animal e bateu um pouco para terminar de cobri-lo. Arman ainda bateu as mãos sujas na calça, e sem pensar muito no fato de que estava sujo, passou a mão no topo da cabeça do rapaz.

- Foi um acidente. - ele tentou reforçar para Emil, que estava muito abalado pelo fato de que ele mesmo tinha esmagado o bichinho.

Concordou com um aceno de cabeça silencioso quando ele sugeriu irem lavar as mãos, e ainda falou sobre a ferida. A reação automática foi levantar a mão até o supercílio cortado, que já tinha inclusive esquecido que estava machucado.

- Que feri-? Ah, é... - ele lembrou da mancha de sangue, mas o machucado já estava com uma camada de sangue seco. - Espere aqui.

Levantou-se para voltar até onde tinha deixado a câmera para ir ajudar Emil e a pegou do chão de volta, para então acompanhar o garoto de volta aos dormitórios. Voltou com ele mais para se certificar que não acabaria encontrando os jogadores de basquete de novo, mas o encontro que teve no saguão do dormitório foi provavelmente mais massante.

- O que foi que aconteceu com vocês dois?! - a voz de Isaac só não era mais rígida do que as sobrancelhas franzidas dele ao se colocar no caminho deles antes de subirem as escadas.

Emil

Sentiu a mão de Arman na sua cabeça, não ia falar nada sobre sujeira já que nessa altura qualquer ato de apoio é bem vindo, ele tentava de qualquer maneira fazer com que Emil entendesse que foi um acidente. Embora tenha alertado Arman sobre o machucado, foi como um incentivo já que o mesmo tocou na ferida com os dedos sujos, com isso, emil respirou fundo e bateu as mãos para tirar o excesso de terra, o maior pareceu não ligar e depois de buscar a câmera parecia mais disposto a sair de lá. Isso porque não contaram com a aparição do secretário do conselho estudantil.

-Uh… Senhor Lemont… é que…- embaralhou as palavras ao ver a expressão fechada de Isaac, trocou olhares com Arman e Isaac- Eu… Eu me meti em uma briga e o Arman me ajudou… quebraram os óculos dele e ele se machucou… desculpa -retraiu a postura enquanto esperou a repreensão do mais velho.

- Por favor não brigue com o Arman, ele não fez nada de errado…

Arman/Isaac

Arman nem se deu ao trabalho de abrir a boca para explicar e se tivesse tentado - o que seria uma explicação muito resumida que Isaac precisaria de tradução e perguntaria mais coisas -, nem teria conseguido, já que Emil foi mais rápido em gaguejar a explicação.

- Uma briga? Que tipo de briga? Quem estava implicando com você? - Isaac parecia ainda mais irritado com a expressão mais fechada, ao ponto de cruzar os braços diante do corpo. - Quero nomes. E vai precisar relatar a situação para o Conselho Disciplinar. - ele explicou diretamente a Emil. Voltou a atenção para o Arman calado de sempre e depois de uma olhada breve para o estado dele e a câmera, já até imaginava o que tinha acontecido. - Venham comigo, precisam cuidar desses machucados.

Ele fez um aceno na direção da escada. Seria um caminho bem mais longo para chegarem até a enfermaria da escola e considerando o horário avançado no sábado, nem tinha certeza se o enfermeiro ainda estava lá. Arman ainda olhou de Isaac andando na direção da escada para Emil e depois para a saída. O secretário do Conselho Estudantil conseguia ser bem chato quando queria, talvez fosse melhor só ir para casa enquanto ele estava distraído.

- Nem pense em ir embora sem limpar esse sangue, Arman. - Isaac parou no primeiro degrau da escada como se já previsse a reação do outro. - E se tentar ir embora, eu aviso à Carbella. Venha, Sr. Allard.

Isaac deu espaço para que Emil passasse primeiro e só notou um Arman com uma expressão de derrota seguindo para subir as escadas.

- E não encoste nas paredes.

Emil

A postura e o tom de voz de Isaac eram diretos, ele não estava para brincadeira naquele momento. Logo disse que a situação teria que ser reportada para o Conselho disciplinar, uma das coisas que o mais novo estava tentando evitar, principalmente depois de tantas perguntas sobre os outros envolvidos.

Emil apenas acenou para as palavras do mais velho. Não tinha a menor intenção de ir contra a sua autoridade, sabia que ele era alguém muito responsável no que fazia e sua palavra era ordem. - Sim, Sr. Lemont - foi até as escadas para apressar toda essa interação, no entanto viu que Arman não parecia o mínimo interessado nas ordens de Isaac, parecia repensar suas oportunidades de fugir, no entanto, logo elas foram reduzidas ao negativo depois de ser pego no ato.

Com um semblante menos nervoso, Emil sussurrou para o novo amigo que tudo ficaria bem, logo ele estaria livre para fazer o que quisesse.

Isaac

Arman foi obrigado a seguir os dois mesmo que não achasse muito necessário. Subiram os lances de escadas até o último andar e Isaac andou direto até o próprio quarto. Abriu a porta para dar espaço para que os dois entrassem e Arman procurou logo lugar para se sentar na cadeira à mesa de estudos de Isaac, que só lhe encarou com a expressão de desagrado como se ele fosse bagunçar tudo.

- Pode sentar. Sr. Allard. - Isaac indicou a outra cadeira vaga no quarto que era ocupado apenas por ele.

Seguiu até o banheiro e pegou a caixa de primeiros socorros, voltou para perto de Arman, que estava mais interessado em ligar a câmera e conferir as fotos que tinha tirado, para descobrir que até tinha captado de longe e um tanto desfocado os alunos que tinham implicado com Emil.

- Levante a cabeça, Arman. - Isaac pegou o algodão e o álcool na caixa de primeiros socorros para pressionar sem muita delicadeza no machucado acima do olho do fotógrafo.

- Arh…! - Arman contorceu a expressão numa de dor com a falta de delicadeza do outro. Já estava bem acostumada com Carbella sendo mais delicada.

- Sr. Allard, explique a situação. Me dê nomes. - Isaac demandou ao loirinho enquanto ainda limpava o rosto de Arman sem a menor delicadeza, arrancando mais gemidos de protesto e caretas inéditas.

Emil

O resto do caminho até o dormitório de Isaac foi dominado pelo silêncio. Agradeceu pelo mesmo ter aberto a porta e esperou que ele desse permissão para sentar, para assim ir em uma cadeira. Olhou em volta, o quarto realmente tinha o ar de seriedade.

Emil abriu a boca em protesto ao ver a falta de delicadeza com que o mais velho cuidava do machucado de Arman, mas nada saiu. Tinha se acostumado a cuidar do irmão mais novo e os barulhos de desconforto e caretas do novo amigo traziam várias memórias, decidiu em desviar o olhar dos dois, mexendo os próprios dedos.

- Desculpe Sr.Lemont, eu não conheço as pessoas. Mas eu posso descrever o que eu lembro deles... O que aconteceu foi mais culpa minha, eu estava tirando umas fotos e vi que uns garotos altos estavam machucando um passarinho, um deles tinha uma franja assim - descreveu o formato e o tamanho com as mãos - e era menor que os outros dois, outro estava rindo bastante, a risada dele era estranha - imitou a risada alheia baixo, lembrando de como o nariz do mesmo se contorcia para rir - e tinha um que estava com a cara totalmente fechada, eles eram bem altos, diria alto tamanho basquete... Eu fui até lá e pedi para eles soltarem o passarinho mas aí eles começaram a me empurrar, zoar e levantar, o Arman apareceu e pediu para eles pararem e eles se juntaram para perto dele, aí a briga começou. - depois da explicação, o menor olhou para Arman, que ainda estava fazendo caretas de dor, tinha escondido o fato que ele tinha começado a briga para liberar ele de pelo menos um pouco da punição que iria resultar disso tudo, estava começando a ficar com pena dele com cara careta.

-Eu fiquei encolhido então não vi tudo.

Isaac

Isaac não parou de cuidar do machucado de Arman enquanto Emil descrevia o que tinha acontecido. Mantinha a atenção nos dois com clareza e depois de tirar o sangue seco da testa do outro, foi bem mais fácil ver que o corte, de fato, não tinha sido tão forte. Arman até diminuiu a quantidade de caretas quando ele foi terminando de limpar tudo, ao menos não precisava de pontos. Ele pegou um spray para hematomas na caixa e estendeu para Arman, sabendo que não serviria de muita coisa.

- Passe onde estiver dolorido. Se está com isso na cara, deve ter levado outros golpes. - ele instruiu ao moreno, quando Emil terminou o relato. Arman ignorou o spray que Isaac deixou na cama ao lado e continuou olhando as fotos na câmera.

O secretário do Conselho se voltou para o aluno, sem se importar com a falta de retorno de Arman, com a qual já estava acostumado.

- Primeiro, não foi sua culpa, Sr. Allard, estou certo disso e nem precisaria de um relato detalhado. - ele fez questão de reforçar aquilo, as sobrancelhas franzidas com uma expressão que parecia ainda mais fechada. - Segundo, eu tenho uma ideia de quem são as pessoas que fizeram isso, e se são reincidentes, você precisa falar diretamente com o Conselho Disciplinar para tomarem as medidas. Você foi a vítima, vão levar o seu relato em consideração, mesmo sem alguma prova específica. - voltou-se completamente na direção de Emil. - Agora, onde você se machucou?

Antes que Emil pudesse responder, Arman que estendeu a câmera na direção de Isaac, mostrando o visor com uma das fotos que tinha tirado antes. Podia não estar com o foco exatamente no trio, mas era o suficiente para identificar os alunos.

- Isso é bem útil. - Isaac olhou para a câmera, confirmando apenas os pensamentos de quem tinham sido os agressores.

Emil

Não tinha como ler as expressões do mais velho, na verdade até era possível, mas seria o mesmo que fazer uma prova em que a toda alternativa certa seria a que tivesse escrito raiva. Se seu companheiro de quarto estivesse aqui, de certeza falaria da quantidade de rugas que ele estava preparando para ter. Sendo assegurado mais uma vez da sua isenção de culpa, o garoto sentiu-se levemente aliviado, parecendo um pouco confuso quando perguntado sobre possíveis machucados.

Não respondeu, já que Arman decidiu mostrar o que conseguiu da situação para Isaac. O mais novo apenas olhou de longe as fotos, com isso já tinham material mais que suficiente para o Conselho Disciplinar punir os agressores.

- Ah... Bem, eu não me machuquei. Eles apenas me empurraram mesmo... Eu vou passar no Conselho Disciplinar assim que puder então... - sentia a força das sobrancelhas franzidas na consciência. Se ele fosse um policial, ia conseguir umas boas confissões.

-Quando estivermos liberados eu peço para o Arman me passar as fotos e vou falar da situação - Tirou o celular do bolso, a película não estava com nenhum dano do ocorrido, talvez um pouco empoeirada, mas ainda assim o aparelho funcional. - Um... Com licença senhor Lemont, quando eu for levar as coisas para o conselho... É protocolo eles notificarem os pais de todos os envolvidos?- perguntou de forma apreensiva.- Ou só em casos mais sério e essas coisas?...

Isaac

Isaac deixou a câmera de lado depois de confirmar quem eram os possíveis agressores de Emil. Se o time de basquete já estava por um fio, com certeza não teriam um time para participar dos jogos interescolares ou de qualquer competição fora de Cerise. Os rapazes até podiam ter famílias influentes, mas havia limite para tudo.

- Faça isso. - Isaac guardou as coisas para cuidar dos machucados, já que Emil tinha especificado que não estava machucado. Ainda deu umas boas longas olhadas no rapaz para se certificar de que ele estava inteiro e deixou estar. Arman com certeza gostaria de ser liberado o quanto antes.

Ele guardou tudo o que tinha tirado na caixa de primeiros socorros de novo, para devolvê-la ao banheiro, mas parou ao ouvir a pergunta de Emil sobre a notificação aos pais.

- Depende da situação, Sr. Allard. Mas a única pessoa que pode dizer isso é o presidente do Conselho Disciplinar, esse tipo de decisão geralmente é tomada por ele. - Isaac explicou, devolvendo a caixa para o banheiro e voltando. - Vocês estão liberados. E não esqueça de passar no Conselho na segunda, Sr. Allard.

Arman sequer esperou mais autorização ou deu tempo para Isaac mudar de ideia. Andou a passos largos na direção da porta e só não saiu de uma vez porque parou para esperar por Emil, fazendo um aceno com a cabeça para que ele lhe acompanhasse, como se estivesse ajudando o mais novo a fugir da prisão. Já tinha o ajudado com os jogadores de basquete, era melhor terminar de acompanhá-lo antes que os outros procurassem retaliação.

Emil

Emil sentiu um suspiro se formando ao escutar que talvez seus pais fossem notificados desse acontecimento, mas não deixou o sentimento tomar conta de si, ainda tinha muita coisa pra resolver. Acenou positivamente ao ser liberado e relembrado de passar no Conselho.
Quem pareceu feliz com a liberação foi Arman, que praticamente sumiu do quarto parando apenas para esperar o gordinho, que depois de uma despedida breve ao mais velho seguiu o amigo, depois de passar um tempo com ele estava começando a pegar o jeito das suas interações.
O caminho de volta foi tranquilo, Emil preferiu deixar silêncio entre eles e apenas apreciar a companhia até seu destino. Ao chegarem, o mais novo sugeriu trocarem contatos para a entrega dos arquivos e possíveis informações sobre o caso depois, com os arquivos em posse, fez questão de os compilar para fácil acesso.
- Arman, muito obrigado por ter me ajudado, não sei o que teria feito se você não tivesse aparecido – deu um sorriso terno para o maior, que depois de uma confirmação se despediu e foi em seu caminho.
Agora sozinho, Emil teve o primeiro momento para digerir tudo o que aconteceu no dia desde tirar fotos de plantas para briga escolar, soltou o suspiro guardado e ao se recompor começou a se preparar mentalmente para quando segunda chegasse, outro dia longo assim como esse.

[Thread encerrada.]


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[Drive] Fatal Help [Emil; Arman; Isaac] - by Lil - 08-29-2021, 01:22 AM

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