08-29-2021, 09:16 PM
Charles
Enviou a resposta para o outro cadeirante avisando que só poderia no outro domingo, ignorando toda a brincadeira sobre ser o seu “cafetão”. Ouviu atentamente ao que o amigo ruivo falava sobre as teorias da conspiração e luta para passar de ano. Não se preocupava muito com a última parte, apesar dos pesares sabia que o amigo conseguiria e já haviam bem conversado sobre isso da última vez: - Eu me pergunto como um lugar só consegue reunir tantas pessoas estranhas, logo em uma cidade como Cerise.
O jogo iniciou e enquanto ajustava algumas configurações, legendas, volume de audio e etc, continuou a comentar sobre as situações, apesar de ser um tópico que não entendia muito, as “tretas românticas”.
- Do tanto que você fala que o Isaac e o Ethan brigam, eu me pergunto porquê eles continuam juntos. Não faz sentido se vão discutir por qualquer coisa. - comentou, afinal, se não estava funcionando não precisavam simplesmente terminar? Facilitaria bastante para ambos os lados - E eu fico surpreso com a gralha estar incomodado com algo, de tudo o que você falou isso é o que me surpreende mais - não que não se preocupasse com Oliver, mas do que ouvia de Yure, sabia que o amigo de seu amigo conseguia se defender bem - Mas o Oliver está bem, certo? E como raios tudo isso acontece em poucos dias?!
Por fim colocou o jogo para iniciar e começou uma série de cutscenes e alguns breves tutoriais sobre o mundo cyberpunk onde o jogo se passava.
Yure
O loirinho tinha um ponto, se o Ethan e o testa de ferro brigavam tanto, porque eles ainda namoravam? Certo que Yure e Monique tinham os seus desentendimentos de vez em quando, mais porque os dois viviam em internatos, e o pouco tempo que tinham, o ruivo estragava fazendo badernagem e ficando de detenção - entendia o ponto de Monique de verdade -. Pegou o controle e prestou atenção nas explicações do jogo, no que dava pra entender, porque só ia entender quando começasse a jogar de fato, perdesse um monte de itens, vidas, ou muitas outras coisas valiosas, mas para o bem, ou para o mal, o amigo era paciente em lhe explicar as coisas.
Ficou calado por um tempo, mas porque estava fazendo movimentações básicas e tentando testar os comandos, tornou a prestar atenção quando Charles falou do acontecido com Oliver:
-- Ah, ele ficou bem mal viu, porque ele nunca tinha passado por algo assim, os merdas do time de basquete tem histórico do pior tipo: bullying, destruição de patrimônio, só as queixas de abuso que são abafadas, porque eles são filhos de gente rica e tals… -- o ruivo franziu a testa, porque lembrar da situação lhe irritava: -- então, a merda foi que passaram a mão no Oliver, eu encontrei com ele choroso no corredor, ai o que eu fiz? Disse pra ele ir na sala do conselho falar com o Peyrac, porque ele que resolve essas coisas, e fui atrás dos babacas do time de basquete. Sendo que a merda ficou pior, porque o Mucha-Luta, por algum motivo, ficou muito bravo porque o Oliver não revidou nos merdas lá, sendo que o Oliver já tinha levado bronca antes por revidar nos garotos, ai eu acho que o estresse bateu, e eles começaram a brigar no meio do corredor. Teve de vir o Vice-presidente do Conselho Estudantil, que tem uma fama de ex-membro de gangue e tals e tals, pra separar os dois, os meninos disseram que ele deu um mata-leão no Mucha-Luta e botou ele pra dormir, digno de UFC a coisa toda. O Mucha-Luta foi pra enfermaria apagadaço, e eu, Oliver, e os merdas do time de basquete fomos tomar bronca do Sasha. Claro, que ele botou quente nos merdas lá, mas não tem como expulsar os meninos pq eles são ricos, mas ele fechou o clube de basquete como punição. Foi tenso. Ainda me dar dor de cabeça essa situação toda. Oliver tá todo “coisado” depois disso, não deixa a gente dar abraço, não deixa a gente chegar muito perto, eu fico puto, que ele tenha de passar por isso, e uns merdinhas com pais ricos, tem a situação passada pano.
Respirou fundo, enquanto fazia coisas aleatórias no joguinho, mais seguindo o que o Charles estava fazendo do que pensando propriamente nas ações:
-- enfim, muitas tretas.
Charles
Sempre que o amigo ruivo ficava em silêncio, Charles sabia que ele estava prestando atenção e pensando, as vezes pensando até demais. Não sabia exatamente sobre o que, mas talvez tivesse a oportunidade de perguntar depois. Também estava se acostumando com os controles e com a visão em primeira pessoa, sempre se perdia um pouco com o tanto de informação que esses jogos colocavam na tela.
Se surpreendeu com o tanto de informação que veio em seguida sobre St. Clavier. Se perguntou por um momento se realmente estavam falando da academia ou de algum tipo de filme de luta. Mas não pode evitar de fazer uma cara de desgosto quando o assunto com o bullying ficou mais sério, principalmente pela situação com Oliver e a situação no final disso tudo: - Primeiro, eu tenho medo desse vice-presidente, por que das coisas que você já me falou do “Mucha Lucha”, para ele fazer ele apagar… Bem. - decidiu não pausar o joguinho enquanto falava, talvez deixasse a situação um pouco tensa.
- Tretas até demais. E o gralha é irritante, mas ele tomou a decisão certa, me irrita mais é esses infelizes ainda estarem por lá. - resmungou, não se considerava próximo de Oliver, mas a ideia de pessoas se aproveitando das outras o deixava bastante irritado. Ponderou por um tempo sobre o que fazer. Pensou em sugerir a Yure que convidasse o outro amigo para o treino, mas muito provavelmente a última coisa que ele iria querer fazer seria algo relacionado a basquete.
- Vai dar um tempo para o Oliver, ou vai tentar fazer alguma coisa? - perguntou enquanto atirava contra alguns monstrinhos dentro do jogo, achava a voz do robô que os seguia um pouco irritante.
Yure
Lembrar da situação que tinha acontecido com Oliver de fato deixava o ruivo muito desgostoso, tanto que por alguns instantes, se não fosse o jogo lhe puxando a atenção, teria saído de sua expressão mais distraída, para uma bem irritada. Apesar de ser bem expressivo e bem aberto sobre o que sentia, não costumava fazer expressões irritadiças de verdade, no máximo abuso momentâneo por alguma situação errada. Mas “raiva de verdade” era algo que poucos de seus amigos podiam dizer que já tinham presenciado, mas conseguiu abstrair com o joguinho:
-- vou, tô dando espaço na verdade, porque tipo, a gente sai, estuda, mas eu mantenho distância dele, aviso de longe que to chegando perto, pra ele não se assustar, pergunto se ele quer um abraço, ao invés de só abraçar ele. Essas coisas, não sei quanto tempo vai demorar pra ele se acostumar de novo, mas tô fazendo a minha parte. -- O ruivo mudou de posição cruzando as pernas e ajustando a postura, quando jogava tinha a tendência de ficar todo tronxo daí dava pouco tempo, sentia que ia ficar dolorido:
--Já do vice-´presidente do conselho estudantil, o pessoal lá em St. Clavier, chama ele de: “cão”, porque parece pelo que o pessoal do quarto ano falou, uns quatro anos atrás ele e a Mama o presidente do conselho estudantil eram membro de gangues e tals. E meio que eles se elegeram pros cargos no conselho porque as outras chapas tinham medo deles, e porque o pessoal geral na escola ou era apaixonado pelo Didier, ou tinham medo do “cão”. -- Falou aquilo com ares de quem não estava muito impressionado, porque de fato nunca tinha visto nada daquilo, só ouvido falar, então não tinha ideia do quanto daquilo era real: -- Mas pelo que eu já falei com ele, não acho ele assustador, ele também não é bonito, mas é bonito, não sei explicar. Ele é educado comigo, me explica as coisas na sala do conselho, faz brincadeiras com o testa de ferro, rir, e faz os trabalhos dele, acho ele bem normal até, sabe. Diria que é só história e tals, mas se ele apagou o Mucha-Luta que tem até uns prêmios de Karatê, então ele é forte mesmo. Mas assim, o Oliver não parece forte, mas é, além de ser legal. Então as pessoas podem ser fortes e serem legais, e ao mesmo tempo causarem medo nas outras pessoas com a força que elas tem, ou algo assim.
Seguiu imitando as coisas que Charles fazia, já pegando um ou outro esquema do ritmo de jogo, e ficando mais entretido com o que estavam fazendo: -- E ah, ele o Blanco, vice-presidente do conselho estudantil, é amigo do Peyrac, o presidente do disciplinar, eu já vi eles conversando pelos corredores do prédio de exatas. -- comentou a cargo de nota, já que Charles já tinha conhecido Sasha, no fim, Cerise era como uma cidade de interior, todo mundo se conhecia um pouco.
Charles
Sabia que havia poucos momentos em que o amigo ruivo ficava de cabeça quente, e um desses era quando mexiam com seus amigos. Era fácil para Charles de perceber que o amigo estava se controlando ao máximo para não parecer irritado - mais do que realmente estava:
- Eu acho que você está fazendo o que pode. Só do fato de você estar com ele já é o que muita gente não faria - admitiu enquanto fazia alguns comando rápidos no controle para desviar dos inimigos do jogo - Com certeza vai levar algum tempo, quando ele se sentir confortável para falar sobre, provavelmente ele vai.
Não se achava a melhor pessoa para dar apoio para as pessoas, mesmo Yure tendo dito da última vez que era um bom amigo nessas horas, não confiava tanto assim nas suas próprias palavras. Deixou as pernas em outra posição depois que viu o amigo se ajeitar na cama, afinal a ultima coisa que iria querer é as pernas formigando e doloridas, e então continuou a jogar.
Ouvir a história do dito “cão”. Membros de gangue em St. Clavier? Quanto mais o ruivinho falava sobre o passado dos dois, mais Charles tinha certeza que tudo isso parecia situação de filme, ou até de um jogo: - Ele parece aqueles personagens que você acha que não faz nada, mas que aí tem algum ataque muito especial que pega todo mundo desprevenido. - comentou com as sobrancelhas levemente franzidas mas concentrado no jogo. Quando Yure mencionou sobre Sasha e o “cão” se conhecerem, Charles até deixou com que o personagem levasse dano dos inimigos:
- Não me surpreende que o Sasha seja amigo dele - resmungou, imaginando o tipo de amizade que os dois deveriam ter. Se não tivesse receio do Blanco, certamente sentiria pena por ter que aturar o outro cadeirante - Ele não tem noção do perigo, mas me surpreende a paciência do vice-presidente. Me pergunto como os dois se conheceram? - perguntou mais para si mesmo do que para o ruivinho, mas como não tinha nenhuma intimidade com Sasha, não fazia nenhuma ideia qual seria o passatempo dele além de irritar outras pessoas no supermercado.
Yure
O ruivo se distraiu por um momento tentando lembrar se já tinha ouvido alguma conversa sobre Sasha e o vice-presidente do conselho estudantil, mas não vinha nada em mente, só que eles faziam química, logo estudavam na mesma turma. E pareciam sempre, muito íntimos conversando como se fossem amigos de longa data:
-- Assim, se eu disser que eu sei como eles ficaram amigos eu tô mentindo. Sei que eles parecem muito chegados, ouvir do ruivo do primeiro ano, o Adam, que o Blanco as vezes dorme com o Peyrac, mas eles não tem cara de quem se “pegam” sabe. Mas o Adam comentou que isso deu uma treta com a Mama, porque na real, mesmo que ninguém diga, o Blanco e a Mama parecem namorados, real oficial. Mas pelo que o povo fala, nem são, e tão brigados, ou estavam… não sei dizer porque não tô acompanhando de perto.
Yure apontou pra tela notando que quando ele passava por uma determinada área o campo parecia “bugar” a cor da roupa do personagem, era o primeiro bug pra lista. Aí naquele momento lembrou de outra situação tosca que tinha rolado recentemente em St. Clavier:
-- ah sim, essa treta dos dois rendeu a ponto que sobrou pros meninos do primeiro ano. -- o ruivo deu um risinho, porque lembrar da história sendo contada em tom dramático pelo amigo lhe fazia mais achar graça do que ficar com pena: -- então, a Mama como eu já lhe disse antes provavelmente, tem hábito de ajudar calouros e tals, daí quando ele some, os meninos parecem umas baratas tontas. Ai lá estavam os meninos do primeiro ano, sem ajuda da Mama porque ele não tava afim, e os meninos tem a brilhante ideia de ir bater na porta do “cão” pra pedir explicações, eu preciso dizer que foi uma péssima ideia?
O ruivo se arrumou na cama e então encarou o amigo loiro de seu lado: -- pelo que o Adam disse, o Blanco, pegou o Emil, e arremessou ele nos outros meninos do primeiro ano no corredor dos dormitórios. O Adam só não levou uns sopapos porque o Testa de ferro chegou e falou com o Blanco e ele parou. O Adam me contou isso chorando, mas eu nem consegui levar a sério, porque ele é tão exagerado, nem deve ter sido isso tudo. Hahahah.
Charles
— Huh. Bem, eles não precisam “se pegar” para dormir no mesmo quarto. Talvez seja só, sei lá, companhia? - Charles se sentia uma senhorinha teorizando sobre a vida alheia do cão de St. Clavier e a Mama. — Então é meio que um triângulo amoroso? Bom, pelo menos na cabeça da Mama… Mas o gralha só causa problemas hein?!
Resmungou enquanto fazia alguns comandos dentro do joguinho, tentando replicar o bug que Yure havia causado. Ele realmente tinha um bom tato para encontrar falhas em programação. O loirinho com certeza chamaria o amigo ruivo para ser um beta tester caso fizesse algum joguinho ou aplicativo no futuro
Ficou curioso com o amigo rindo, ao menos ele estava se distraindo da raiva que estava pelo acontecimento com Oliver. Charles escutou com atenção o desastre que estava para ocorrer com os primeiranistas, Yure mal começou e o cadeirante já tinha certeza que a desgraça era certa.
— Mas eles são idiotas?! Se todo mundo sabe que o vice-presidente bota esse medo todo, eles foram perguntar logo pra ele?!
Charles inclusive pausou o jogo quando Yure deu mais atenção a lhe contar a história, aproveitando para massagear as pernas com cuidado enquanto o ruivo contava sobre a desventura que ia de mal a pior. Inclusive ouviu um nome familiar ali, Emil. Só pode sentir pena do garoto gordinho.
— Se ele tava chorando eu daria pelo menos a dúvida. Aliás, como ficou o Emil? Ele disse a mesma coisa sobre o que aconteceu? - parou para pensar, então atento Isaac estava envolvido nessa coisa toda? — O Isaac também tá no meio desse burburinho da Mama e do Cão?
Yure
O ruivo pensou sobre um possível triângulo amoroso entre o Sasha o Blanco e a Mama, e acenou negativamente, achando aquilo muita loucura, primeiro porque o Blanco era muito normal, e o Sasha muito safado, e a Mama, muito mãe, então aquilo parecia tudo errado. Se distraiu a ponto de perder tempo no joguinho em uma das ações que estava fazendo. O ruivo gesticulou com a finalidade de pausar o jogo, e se esticou:
-- Eu vou pegar algo pra lanchar, essa conversa toda de triângulos amorosos, faz quadradinho do amor, tá me deixando com fome. Há! -- Não demorou na cozinha, roubando suco, e lanchinhos, trouxe a tigela na boca com os salgadinhos dentro, numa mão dois copos, e na outra a caixa de suco. Posicionou tudo em seu devido lugar, antes de voltar a sua posição de jogo:
-- Assim, eu não sei dizer se o povo todo se pega lá nos conselhos, eu passei algumas semanas no Disciplinar, o Sasha ele tem de companhia de aluno só o Mucha Luta, e no geral, eles são muito tranquilos trabalhando, resolvem tudo rápido e depois cada vai fazer seus trabalhos. Eles tiravam tempo pra me ensinar como funcionava a papelada e eu cumpria minhas detenções suave. Aprendi um monte sobre planilhas, formatação de documentos e outras firulas. -- O ruivo encheu a boca de salgadinho de cereais e grãos, feliz pelo sabor de tomate seco que era seu preferido agora que era vegetariano: -- Já do conselho estudantil a dinâmica é um pouco diferente, o Blanco e o Isaac são amigos, eles fazem os trabalhos bem ligeiro, e depois ficam conversando sobre coisas deles, já vi falarem de eventos, livros, emprego, comida, montes de coisa. Nunca vi a Mama no Conselho trabalhando, então nem sei como é com os três juntos.
O ruivo seguiu jogando e bateu em algo invisível, porque tinha se distraído e ido demais em uma direção errada, acabou rindo, e ficou repetindo pra mostrar ao amigo o outro bug: -- Mas assim, eu já ouvi do Adam que a Mama não se dá bem com o Sasha, e que eles meio que brigaram na frente da enfermaria um tempo desse, agora o que os dois estavam fazendo na frente da enfermaria aí eu já não sei. E é, tem um boato que os calouros acham que o Isaac tem uma câmara de tortura no quarto dele, porque o pessoal já escutou gritos altos vindos de lá. Mas assim, a considerar que o Isaac namora caras, ele devia só tá namorando alguém e os calouros confundiram os barulhos. Mas pensa na criatividade de pensar numa câmara de tortura medieval num quarto.
O ruivo desatou a rir bem menos estressado que antes, já que tinham mudado drasticamente de assunto, tinha até esquecido que estava amuado quando chegou: -- E sim, antes que eu esqueça, o Emil e os outros meninos do primeiro ano estão bem, por isso eu acho que foi exagero do Adam, não tinha ninguém com nada quebrado.
Charles
O amigo ruivo havia negado a possibilidade de um triângulo amoroso entre as três figurinhas de St. Clavier, mas era bastante suspeita esse tipo de interação entre eles. Obviamente, não era da conta de Charles e o cadeirante também pouco se importava com o que eles faziam ou deixavam de fazer, mas caso ouvisse alguma reviravolta sobre todo esse caso, não ficaria surpreso nem um pouco.
- Ah, fica à vontade, se sinta em casa - respondeu irônico ao anúncio do furto de lanchinhos. Felizmente havia se abastecido bem com os tipos que agradavam bem Yure - Avise se precisar de algo - avisou enquanto o amigo saia da vista que tinha da cama do quarto. Aproveitou a pequena pausa para olhar no celular se havia alguma mensagem que precisasse de sua atenção imediata.
Viu o ruivo voltar fazendo malabarismo com todas as tralhas que estava trazendo, deu o espaço necessário para ele colocar tudo em seu devido lugar e tirou o jogo da tela de pause para que pudessem voltar à caça-aos-bugs que estavam fazendo.
- Uhm… - resmungou enquanto fazia comandos dentro do joguinho, felizmente tinha facilidade o suficiente de ouvir o amigo falar com a boca cheia de salgadinhos. - Olha, não falo nada do Sasha e do Mucha Lucha. Tipo, se eu fosse reclamar do Sasha seria que ele não presta, mas isso não é nada novo - prestou atenção no bug que o amigo fez, murmurando um ‘como você fez isso?!’ enquanto tentava repetir o que ele havia feito - Sei que você gosta da Mama, mas ela parece ser bem encostada no Vice e no Isaac. Tipo aqueles trabalhos de grupo, que de grupo só tem o nome mesmo e só uma pessoa faz o trabalho? Tá parecendo isso. E sério, as fofocas aí correm soltas ou é impressão minha? Não faz nenhum sentido alguém ter uma câmera de tortura dentro dormitório
Charles se sentiu aliviado por Yure parecer mais descontraído do que antes. Apesar de ter se assustado com a ideia da câmara de tortura do secretário, pensando como confundiram os barulhos. Pra toda mentira tinha um fundo de verdade, não é?
- Pelo menos o Emil está bem, é o que importa. Esse Adam é aquele do grupo de teatro que quer ser uma diva pop não é? Ele já deve estar indo bem com essas histórias malucas. Parece bem coisa inventada mesmo. - comentou, não gostava muito de pessoas que queriam muita atenção. E de ruivo-bagunça, já tinha atingido seu limite de vagas. Esperava que depois de algum susto desses, Emil tentasse tomar mais cuidado, pelo o que tinha visto do garoto no dia do cinema, ele não era muito bom em lidar com situações tensas.
Yure
O ruivo estava distraindo, entre pensar em coisas novas para falar ao amigo sobre St. Clavier e prestar atenção nas coisas do jogo, ficava encantado com o tanto de tempo que as pessoas levavam pra fazer as coisas toda do jogo. Charles que gostava de lhe explicar que tinha muita gente envolvida no trabalho de cada textura, luz, música, e mais um monte de termo difícil, e ainda assim, lá estava o ruivo achando problemas e bugs na iluminação que não refletia em todos os objetos:
-- Ah, o Adam, ele é uma diva, não é Pop ainda só porque não estreou nenhuma peça ainda do clube de teatro, mas só falta estourar nas mídias sociais mesmo. Na real, o nome dele é Adamastor, o tipo de nome que você espera em uma pessoa de 40 anos, mas ele tem 15, e por isso ele é chamado só de Adam. No clube de teatro ele se dá bem com as atividades todas, mas se diverte mais maquiando e preparando o povo pros exercícios e tals. Apesar de ser exageradamente chamativo, ele é bem confiável. -- Comentou enquanto jogava com uma mão só e pegava o copo de suco com a mão livre, tomando um gole breve pra molhar a garganta: -- Eu vou chamar ele pra fechar a chapa pra concorrer nas eleições do Conselho Estudantil, precisa ter: presidente, vice, secretário, tesoureiro e relações públicas: Eu, Oliver, Lui, Nan-li e Adam, não necessariamente nessa ordem de cargos, mas é isso aí.
Comentou voltando o copo de volta a mesinha de cabeceira e tomando uma posição mais confortável, balançando uma das pernas na beirada da cama: -- Eu tava falando com o Vice Blanco, e ele disse que o Isaac tava meio chateado porque não tinha nenhuma chapa pra concorrer as eleições que vai ter depois das provas finais, daí eu pensei que eu podia me candidatar, tipo, eu aprendi um monte de lá de como funciona, conheço um monte de gente, sou bem popular até certo ponto, e se isso deixar o Isaac mais feliz, já serve de agradecimento por ele me aturar nas aulas extras de história, vou passar de ano por causa dele.
Sorriu mais tranquilo pensando que era uma boa ideia, esquecendo completamente da parte de que o volume de trabalho no conselho estudantil é insano e talvez não tivesse se munido das pessoas mais aptas e acostumadas a esse tipo de serviço, com exceção é claro do Nan-li, ele seria um bom tesoureiro, números é a cara dele:
-- Ah, Charles! Eu queria que você já estivesse em St. Clavier, eu iria te convencer a entrar nessa maluquice comigo, com certeza você ia fazer o conselho funcionar. -- Encarou o amigo com um sorriso besta no rosto, tempo o suficiente de se distrair do joguinho e fazer alguma bobagem.
Charles
Charles sabia que o amigo ruivo era cheio de talentos escondidos, e acabava se divertindo bastante com a sua habilidade de encontrar defeitos em jogos. Certamente ele poderia ganhar dinheiro extra se oferecendo como beta tester em alguma empresa, pelo menos ia garantir que boa parte desses erros nem iria existir.
- Hmn. Realmente, eu não pensaria numa diva pop com o nome de Adamastor. - comentou despretensioso. Tendo sua atenção mais cativada com o grupo de pessoas com quem ele iria montar uma chapa - Eu entendo o Oliver, Lui e Nam-li, mas dá pra confiar nesse Adam? Eu não confiaria muito em alguém tão estrela assim. - até iria comentar mais sobre o tal do Adam, mas não queria agourar completamente a ideia de chapa do amigo. - Aliás, de onde veio a ideia de montar chapa?
Aproveitou para se esticar e por um pouco de suco no copo. Estava falando mais do que o normal, e um pouco de suco de laranja lhe cairia bem. Tomou alguns goles enquanto escutava a explicação do ruivo. Achava estranho imaginar Isaac abalado com algo, principalmente da imagem que tinha desde o encontro com ele em St. Clavier. O secretário não parecia ser o tipo que se incomodaria com algo assim.
Fez uma careta quando Yure comentou sobre inserir Charles dentro dessa maluquice toda: - Eu preferiria que não. Essa ideia de estar numa chapa parece ser algo muito interessante, mas pela a quantidade de dor de cabeça que isso iria me dar, acho melhor não. E nem me venha insistir. - resmungou sobre a possibilidade. Apesar de tudo, sabia que se o amigo insistisse apenas um pouco acabaria cedendo. Bendito ruivo-problema.
Yure
O ruivo riu besta com cara de culpado quando o amigo lhe falou na lata que não queria ser incluído naquela ideia maluca de fazer parte do conselho estudantil, e ele tinha toda razão, aquilo era com certeza de todas as maluquices que já tinha feito, a mais fora da zona de conforto era aquela:
-- Ah, eu não sei se dá pra confiar total, o Adam é dedicado nas aulas de teatro, sempre vai, chega cedo, nunca falta, agora que ele falta aula, dorme demais, fura rolê com os amigos, essas coisas, acho ele meio monofunção, mas foi o único que topou fechar a chapa comigo. -- Falou com uma voz leve de desapontamento, depois de voltar a posição mais correta de sentar-se fazendo sandices no joguinho:
-- Na real, eu acho que ninguém tá levando a candidatura da gente muito a sério, porque né, tirando o Nam-li, não tem ninguém competente na chapa, digo, do tipo nerdão, boas notas, bom atleta, bonito, popular, desenrolado, cheio dos contatos. Tipo o Oliver é um ótimo atleta, é fofo, mas passa mais arrastado que dança da cobra, o Lui é o Lui, um anjo puro demais para esse mundo onde vivemos, acredito que ele têm o necessário para conversar com outros alunos introvertidos e que se sentem meio acuados, mas bem… todo o resto não dá muito pra contar com ele, até porque ele some de vez em quando, ele se perde da gente e demora umas horas pra se achar. O Nam-li vai fazer as planilhas de gastos na velocidade da luz, mas ele tem um total de 0 desenvoltura pra lidar com outras pessoas, conseguir patrocínios e essas coisas, além do povo ter um rancor por ele ter 14 anos e tá terminando o ensino médio.
Deu um resumo bem por cima dos amigos da chapa, e só sobrava falar de si mesmo, isso fez o ruivo murchar os ombros e levantar um sorriso nervoso que usava apenas quando ficava na defensiva:
-- Eu sei que eu dou conta de fazer, sabe, porque eu tô lá alguns dias da semana, e sei como os dois conselhos funcionam bem por cima, mas sei… Sendo que geral não bota fé, que o aluno bobão que tira notas medianas sirva pra botar moral em alguma coisa. Eu sou tipo aqueles vídeos de ratos brigando no Xwitter, todo mundo fala, mas ninguém leva a sério. Se eu ganhar essa eleição vai ser justamente porque o povo vai achar uma piada pronta um aluno baderneiro no conselho de manutenção das regras. Fazer o quê?
Charles
Charles estava bem desconfiado se Adam iria ajudar, mas o voto de confiança do amigo ruivo, apesar de todos os pontos negativos da “diva”, fez com que Charles desse um quarto de voto de confiança no garoto.
- Sabe que se ele não cumprir você vai ter que avisar à ele não é? Apesar que se ele fizer isso tudo ele deve ter bastante consciência de quando não está fazendo seus deveres. - alertou. Sabia que o amigo ruivo não era besta, muito pelo contrário, perceptivo até demais, mas sempre gostava de reforçar algumas coisas. Um dos problemas de Yure era ser bom demais.
Escutou ainda a lamúria sobre a sua chapa não ser levada à sério, não ter apoio dos outros alunos, mas na visão de Charles, eles tinham muitos pontos positivos. Principalmente por que Yure estava bem acostumado com os serviços de ambos os conselhos. O que as outras chapas poderiam oferecer? Um rostinho bonito? Era exatamente o que a chapa atual tinha e aparentemente só uma pessoa fazia o trabalho todo.
- Bom, pode até ser que eles não estejam levando à sério, mas você acabou de dizer vários pontos que vocês conseguem complementar. Contanto que tenha uma pessoa para fazer o “social”, isso já é positivo, e você consegue fazer social e entender como funciona o trabalho interno. Duvido muito que qualquer outra chapa formada consiga isso. Vocês devem conseguir ganhar por conseguir atingir vários grupos de pessoas diferentes. - comentou, quase imaginando toda a situação como uma estratégia de conquista de Age of Empires - Mas, se eles cometerem a estupidez de colocar vocês no conselho como uma “brincadeira”, torna tudo simples de provar eles ao contrário. Ainda assim é uma vitória, não da maneira que você imagina, mas uma vitória. Além de quê, se você pedir apoio pra chapa atual, duvido muito que o Sasha vá lhe negar isso. Seria bom também conversar com o Isaac e pedir apoio.
Sabia que Sasha era uma gralha irritante, mas ele tinha uma boa cabeça por todas as informações que Yure compartilhava. Então, ter o apoio da chapa atual do conselho disciplinar seria um bônus positivo. Não tinha certeza sobre Isaac, mas se Yure usasse as palavras certas, talvez tivesse sucesso.
Charles mal percebia que estava levando isso um pouco a sério demais, à despeito de alguém que havia dito minutos atrás que não queria nenhum envolvimento.
Yure
O ruivo estava contaminado por aquele sentimento de não pertencimento de não conseguir ser o suficiente para fazer um serviço que tinha em sua mente que conseguiria fazer, podia até ser um garoto hiperativo com problemas para lidar com algumas matérias, mas estava se esforçando tanto e a tanto tempo que queria que alguém lhe dissesse ao menos que estava fazendo um bom trabalho. Iria continuar o jogo, mas pediu um time para tomar mais suco, estava a aura da derrota, e nem o sabor frutado e refrescante conseguia reacender seu ânimo. Yure podia ser dificil de compreender pra algumas coisas, mas para outras era incrivelmente transparente, era muito fácil ler através de seus sentimentos quando nem o próprio ruivo estava fazendo muita questão de esconder. Talvez também, porque fosse com Charles, e mesmo que quisesse colocar a banca que estava animado, ele certamente iria perceber que tinha alguma coisa errada.
Estava em verdade cansado de parecer que estava feliz e animado todo tempo, quando estava era cansado de estar sempre estudando, e sempre tentando ser responsável, e mesmo que estivesse melhor de fato, ainda era tratado como um idiota descerebrado, e olha que burro o ruivo nunca tinha sido, preguiçoso e distraído até vai, mas burro não.
Então quando Charles lhe falou o óbvio, que podia pedir ajuda aos outros membros do conselho estudantil e disciplinar como Sasha e Isaac, o ruivo parou, sem assimilar aquela informação imediatamente, os olhos observando fixamente o amigo, como se estivesse numa tela de carregamento para alguma reação. Ok, para além de um pouco preguiçoso e distraído, as vezes era lento para assimilar situações que poderiam ser consideradas óbvias. E quando finalmente teve a realização de que de fato poderia pedir ajuda aos membros mais antigos, toda a energia de Yure voltou, e ele se aproximou do loirinho, levando as duas mãos até o ombro do rapaz, até assustando Luma que estava no décimo sétimo sono. Sacudio o rapaz um pouco, a energia voltando para seu ser, os olhos brilhantes o sorriso radiante:
-- você acha mesmo que eles iriam me ajudar? Acredita mesmo que o Isaac ou mesmo o Sasha iriam falar por mim tentando me indicar? Se bem que das pessoas que eu já vi cumprindo as detenções todos pareciam super desinteressados em aprender só eu que parecia estar mais animado com a coisa toda que era mostrada e apesar dos pesares até o Isaac tem um pouco de paciência de me ensinar as coisas será que se eu pedir eles realmente vão me ajudar? Isso seria tão bom!!!!!
Charles
Charles estava empolgado tanto no jogo quanto na ideia que estava bolando mentalmente. Aceitou o pedido do amigo de dar um tempo no jogo, e era tão claro quanto o dia é dia e a noite é noite que Yure estava bastante incomodado com toda a questão da chapa do conselho estudantil. Por isso, planejou com ainda mais cuidado como poderia ser o “plano de ataque” para as eleições.
Comentou tudo bastante despretensioso, olhando no celular enquanto falava, mais com o intuito de não encarar o amigo e jogar mais pressão do que ele precisava. Na cabeça de Charles, havia sido um plano de ataque excelente, e se Yure conseguisse os reforços esperados com Isaac e Sasha, não haveria do que reclamar.
Percebeu o silêncio do amigo, o que o fez tirar os olhos do celular para espiar o que se passava na cabeça dele, aproveitando para pegar um pacote de bolinho também, já era hora de repor sua taxa de açucar. Apenas não esperava que o amigo segurasse seus seus ombros tão empolgado com toda a ideia, praticamente fazendo Charles jogar o bolinho do outro lado da cama, e Luma voltar dos sonhos.
- Por que não iriam? - respondeu, ainda sendo chacoalhado - você mesmo faz serviço pra eles, o Sasha gosta de você, o Isaac deve ver você se esforçando já que até reforço você está tendo com ele, e bem, acredito que isso que vai comprar ele. Então por que não? Só vai saber se for lá falar com ele. Mas as chances disso dar certo são bem altas.
Apesar de estar com a mesma cara indiferente de sempre, um pouco surpreso pelo susto que havia tomado, ver o amigo mais animado deixava Charles menos preocupado. Não tinha muita confiança para conselhos, se considerava péssimo para isso, mas se havia ajudado Yure, já era um saldo positivo.
Yure
O ruivo estava mais contente agora, e podia tirar tempo para comer, pegou bolinho e parte do salgadinho de batata doce chips, pra poder degustar, precisava repor as energias depois de tanto trabalho que tinha tido pra fazer a cabeça funcionar. Luma como vingança de ter sido acordada de seu sono magistral, avançou sobre as pernas de Yure dando patadas e mordidas de advertência que da próxima vez, vai ser a morte do rapaz:
-- Calma minha senhora!!! -- o ruivo reclamou com a gata mas fez questão de recolher as pernas para não ser pego de surpresa de novo, fez o gesto em v com os dedos e apontou para os próprios olhos e depois para a gata. Numa sugestão óbvia de que iria ficar de olho nela. Depois de terminar o pacote de lanchinhos, fez questão de catar todos os farelos para jogar no lixo e só então, ir lavar as mãos, enxugar antes de voltar a se sentar e pegar no controle do jogo:
-- Hey Charles, antes da gente voltar a jogar de fato, eu queria um conselho seu, tu pode me ouvir com mais atenção que o normal pelos próximos, tipo 10 minutos? Ou eu to exigindo demais?
Comentou com bastante sinceridade, não estava com o ar abatido de antes, mas estava falando mais pausadamente do que de costume, o que indicava no mínimo que o ruivo iria entrar em algum assunto mais sério, para querer opinião de terceiros de forma tão clara.
Charles
Pela cara do amigo ruivo, Yure estava satisfeito com a ideia. Não sabia como ele iria pôr em prática, mas tinha confiança que ele faria dar certo de alguma maneira. Viu a gata dar um de seus ataques na perna do amigo ruivo, seguindo por Luma sibilar algo que deveria ser muito ameaçador na língua dos gatos.
- Ele não vai mais te assustar, tá tudo bem - estendeu a mão para a gata, que rapidamente cheirou e deu as costas para o dono, se sentindo traída demais para aceitar carinho do próprio dono, fazendo com que Charles apenas aceitasse o desgosto temporário da gata - Você vai precisar convencer ela a te aceitar de novo.
Comeu algum dos lanchinhos junto a Yure e esperou que ele voltasse do banheiro para poder lavar as mãos também, não iria arriscar de sujar e engordurar os controles de seu video game. Estava pronto para se transferir para a cadeira quando o amigo chamou sua atenção, fazendo com que Charles prestasse mais atenção. Yure pedir diretamente para ouvir sobre um problema era algo novo, então o mais novo teve de se posicionar melhor:
- … Não, não está exigindo demais - Charles se ajustou sobre a cama, poderia passar ali o tempo que precisasse - Quando você quiser começar a falar, fique à vontade. - a última coisa que iria querer é apressar o amigo a falar.
Yure
Apesar de ser um completo cabeça de vento em maior parte do tempo, o ruivo as vezes colocava as ideias em ordem, ou ao menos tentava né? Não podia dizer que tudo que estava pensando fazia completo sentido, e por isso precisava de uma segunda opinião. E lá estava Charles todo atento, nem reclamou, o que era uma novidade para Yure, mas pudera, ele era um de seus melhores amigos, não podia subestimar a capacidade dele de perceber quando precisava de ajuda, como naquela tarde em específico.
Nem sabia oficialmente como entrar no assunto, nem sabia se era um assunto relevante, mas era algo que vinha e voltava e incomodava até o próprio cabeça de vento Yure Clarke Lukashenko, então, talvez fosse um assunto:
-- Sabe, eu não sou bom dando voltas, e nem dando muita introdução no assunto, eu vou falar o que eu to pensando, e ai você me diz se eu to viajando, certo? Certo. -- respirou fundo, e sentiu-se tenso, porque agora que tinha de falar, nada parecia fazer muito sentido, mas daí teria de falar de todo jeito, porque já disse que falaria:
-- Seguinte, eu tô namorando a Monique né? Nem sei mais a quanto tempo, sei lá, uns três meses? A gente se conheceu super por acaso, e eu só queria ajudar ela de uns doidos na rua mal encarados que pareciam uns tarados, levei a menina pra um rolê, cuidei do pé dela e no final do dia eu era namorado postiço. Tipo, de mentira mesmo, lembro que te contei na época, e pra mim parecia de boas, porque, não era sério, e eu não precisava levar a sério, porque era só pra ela poder sair de casa e poder fazer novos amigos, fazia sentido na minha cabeça na época. Por que se for parar pra pensar depois do lance da Hanna tudo que eu menos iria querer, era trocar beijo com alguma guria, porque eu ainda tava balançado na época, tanto que depois quando a gente se encontrou no Shopping e ela tava com o nojento do Nicolas eu fiquei quieto mas tive uma sensação bem chata, tipo raiva e inveja, sei lá, briguei com a Monique e o que era pra ela fazer amigos, deu tudo errado, eu me machuquei, e fiquei de cama, depois no apartamento, e ela veio me visitar, e dançamos juntos, e brincamos, e aí ela ficou mais amiga, e depois eu conheci o Sasha, e eu já não me sentia mais mal com a Hanna, e eu tava curioso com os caras, e eu saí com ele mesmo sendo namorado postiço da Monique. Depois a gente começou a namorar sério, nem lembro porque eu aceitei, mas tipo, eu não tava bem ciente de como ia ser, nunca tinha namorado na vida. Um dia desses falando com o Ethan ele me perguntou porque eu não tinha “tara” na Monique, e eu não sei dizer, só sei que é assim, tipo eu gosto dela, quero cuidar dela, mas ela nem deixa, e esconde coisas de mim que nem o negócio da mãe dela, e eu não sinto as mesmas coisas do mesmo jeito que foi com a Hanna e o Sasha, e eu não sei se to sendo honesto com a Monique, se tô com raiva ou sei lá. Só sei que tá estranho.
O ruivo respirou fundo depois de falar o novo texto da constituição da França, mas estava corado não somente pela falta de ar, mas porque aquele assunto bagunçava sua cabeça.
Charles
O loirinho cruzou as pernas, massageando a área novamente para evitar mais dormência, pela cara que Yure fazia, já conseguia imaginar que ele tinha bastante coisa ali para falar. E Charles havia prometido escutar. Espiou rápido para ver onde estava a gata, como não a viu nos arredores, supôs que ela voltou a dormir debaixo da cama. Felizmente, não teria que enxotar a gatinha do quarto para dar espaço ao ruivo falar sem ser interrompido:
- Se você brisar só um pouco eu vou avisar. - assegurou Yure, estava o encarando bastante atento, tentando perceber os detalhes se ele estaria muito nervoso ou não. E por tudo que estava vendo, ele estava tenso até demais. Charles teve bastante cuidado para não expressar a confusão e a pequena curiosidade que sentia no rosto.
E com isso, o amigo ruivo colocou tudo para fora, e Charles ouviu sem nem pensar em corta-lo. Não faria nem se estivesse pensando demais. Ficou surpreso que toda a fonte de preocupação fosse Monique. Certamente, o próprio cadeirante não havia ido com a cara da morena logo de cara, mas isso era por que o próprio sabia que era chato até demais com pessoas novas, mas esse não era o caso. Fazia breves acenos positivos com a cabeça quando a fala do amigo terminava em algum tipo de pergunta.
Toda a história com Hanna havia sido realmente um problema pra Yure. Bem lembrava como o ruivo havia ficado mal, especialmente com o reencontro no shopping. E no meio disso até o gralha apareceu. Podia reclamar o quanto quisesse do infeliz, mas não poderia desconsiderar que ele fez bem ao outro. No fim de toda a fala de Yure, veio o problema principal, como se sentia com Monique depois de namoros falsos e verdadeiros.
O loirinho cruzou os braços, pensativo sobre a situação. Todo o encontro dos dois, desde o começo, havia sido bastante turbulento, fato. Mas não foram feitos apenas de tensões, tiveram momentos muito bons, momentos que Charles inclusive participou. Não conhecia Monique no começo, mas conseguia perceber que ela era tão ruim quanto ou até pior que o próprio cadeirante quando o assunto era amizades, à maneira dela::
- Minha opinião sobre a situação, primeiro você não viajou - começou, parando de massagear as pernas - Segundo, acho que ela “tomou mais espaço” do que você imaginava? Tipo, você mesmo disse que podia não levar à sério, e você teve um monte de experiência onde você levou a sério e não deu certo, tipo a Hanna. Aí teve o Gralha, e querendo ou não a situação foi de “olhe, você não precisa se apegar” , e logo depois você e a Monique começam a namorar, que é algo que você tem que levar a sério de algum jeito. O problema também fica que você quer cuidar de todo mundo, e ela ter todas as paredes levantadas dificulta uma situação que você já nem sabe como lidar por que tá entre amigo e namorado. - pegou um pouco do suco para beber um pouco. Nunca que estava acostumado a falar tanto assim. Coisas que não fazia pelo cabeça de vento - Talvez você não tenha “tara” porque você não vê ela como a sua namorada, mas como a amiga que você quer cuidar? Eu não sei. - Colocou o copo de volta no criado mudo - Eu não sou a melhor pessoa pra falar dessas coisas, mas pra mim é o que parece.
Yure
Ouviu com atenção o que seu amigo dizia, em outros dias teria ido abusar seu padrinho, mas ele tinha seus próprios corres amorosos, e coisas pra tocar, e sua mãe estava tão ocupada com a academia feminina que não tinha cara de pedir pra ela lhe ouvir mais uma vez com dor de cotovelo. Então, lá estava Charles Eadgar ouvindo seus lamúrios, não era de tudo uma novidade, porque o ruivo apesar da pose de bon vinvant, era um reclamão nato também, nisso eles se davam bem. Mas os pontos levantados pelo loirinho fizeram bastante sentido na cabeça do ruivo, e isso ficou claro em sua expressão.
Sabia que não via Monique exatamente como uma namorada, ou como uma parceira em potencial, mas gostava de ficar perto dela, e se sentia dividido sobre o que exatamente estava sentindo por ela. No fim, ela importava mais que suas outras amigas, mas não era o mesmo tipo de sentimento de desejo de querer explorar outras coisas que a morena poderia compartilhar. Estava inteiramente confuso sobre aquilo, e isso lhe deixava com uma sensação amarga na boca, devia mesmo era conversar com ela:
-- Tipo, eu sei que nesse meio tempo, é meio culpa minha porque topei o lance de namorado postiço e fui aceitando as coisas sem questionar… só pra agradar ela, no fim nem liguei muito pra como eu me sentia, porque né, eu não ligo pra muita coisa quando é comigo. -- suspirou, e murchou os ombros: -- eu gosto de passar tempo com ela, é legal, é divertido, eu certamente trocaria uma festa de fim de semana com possibilidade de ficar com outras pessoas pra estar com a Monique, mas essa falta de desejo nela, me deixa confuso, e faz parecer que eu to sendo desonesto com ela…
O ruivo repousou o controle do videogame sobre o colo, e usou as duas mãos pra jogar os fios ruivos pra trás, e passar a mão no rosto, esfregando o mesmo, deixando com uma expressão mais avermelhada e corada, e por fim repousando as mãos em torno do pescoço: -- Eu sei que tenho de falar sobre isso com ela, mas eu nem tenho ideia de por onde começar, e eu sinto, que independente de como eu falar, eu vou machucar a Monique, mas se continuar assim, eu vou machucar ela de todo jeito…que bela bosta de namorado eu tô me saindo.
Charles
Charles ficou um pouco mais aliviado quando o ruivo pareceu concordar com alguns pontos que havia levantado. Se sentia falando sobre algumas coisas nas cegas, então ver que estava surtindo algum efeito deixava o cadeirante mais tranquilo. Por isso, deixou que ele absorvesse bem o que foi conversado e deu espaço para que ele falasse.
Novamente, continuou acenando de maneira positiva conforme ele falava, para não parecer que estava ignorando ou não pretando atenção no que ele dizia. Teve de concordar que foi desleixo do amigo ruivo não perguntar sobre toda a situação e sair, quase que praticamente, empurrando ela com a barriga. Só não podia concordar com o amigo dizer que ele estava sendo desonesto com Monique. Afinal, só por que não sentia desejo algum, quer dizer que todo o resto seria também invalidado? Segurou a vontade de encara-lo com um olhar de julgamento, pois não ajudaria a situação em nada, mas não concordava que ele estaria sendo um namorado ruim.
- Olha, Yure - começou, esperando que ele voltasse sua atenção para o loiro, e então levantou o dedo indicador - Primeiro, você não está sendo um namorado ruim. Segundo, eu concordo que que você deveria ter se perguntado mais quando todo o envolvimento começou, por que eu também fiquei surpreso quando você mencionou a história de namorado postiço - abaixou o dedo e fez gestos pequenos enquanto falava - Mas você não pode querer carregar a culpa dessa parte apenas para você. Afinal, ela também sugeriu. Os dois tem culpa no cartório, mas não é por terem culpa que de tudo é ruim. Mesmo se não existir esse... Desejo que você fala, não quer dizer que o que você sente por ela não seja algo real. Se gosta de passar tempo com ela, você não está sendo desonesto.
Suspirou depois de falar tanto, e aproveitou que o amigo ruivo havia deixado o controle sobre o colo e o pegou de volta sem muita cerimônia. Não que estivesse negando ele de jogar, apenas para deixar mais avontade já que quanto mais conversavam, mais tenso ele aparentava:
- Bom, você está botando pra fora, isso já é bom. Pior seria se você com tudo isso na cabeça tentasse conversar com ela sem ter pensado melhor, aí as coisas poderiam ser tortas. - comentou, tentando falar de uma maneira mais leve - Mas você não está sendo um "namorado bosta". Você nunca nem namorou pra saber o que fazer, então não pode esperar ter solução pra tudo. Se dê um crédito
Yure
Não esperava definitivamente ouvir do loirinho que essa noção de desejo físico não era essencial para que o relacionamento dos dois fosse honesto e real. Aquilo deu uma renovada significativa no humor do ruivo a ponto que ele até ajustou a própria postura sentando-se mais apropriado, enquanto encarava o amigo de longa data. Riu da constatação óbvia de que nunca tinha namorado, e por isso era natural cometer erros e alguns acertos no meio do processo, acenou positivamente concordando com as palavras ditas por Charles:
-- Você tem razão, talvez eu só esteja complicando demais algo que é mais simples. Mas é como você mesmo falou, eu nunca namorei antes, então não sei até que ponto isso tá certo ou tá errado, mas eu sei que me sinto bem quando estou perto dela, isso não é mentira. -- Sorriu mais feliz e principalmente aliviado, tinha sido uma boa ideia se abrir com Charles, apesar dele não ter tido nenhum relacionamento sério antes, o fato dele ter esse ponto de vista de fora ajudava a ver coisas que o ruivinho sendo o cabeça de vento que era não conseguiria ver naturalmente.
O ruivo se aproximou de Charles e agarrou o mesmo em um abraço apertado, mesmo diante de protestos e grunhidos de reprovação, bagunçou o cabelo dele e depois se afastou: -- Vamos jogar agora, que a gente já teve conversa melodramática pra uma vida toda.
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