09-01-2021, 04:46 PM
A decisão de Daniel Vaughn ao se meter num trem que o levaria de Londres até Paris foi tão impulsiva quanto qualquer outra decisão de um adolescente mimado e revoltado decidido a ir contra os pais. Ele nunca podia fazer nada sozinho, sempre tinha um dos funcionários do seu pai no seu pé, porque certamente os pais não tinham muito tempo para lhe dar atenção ou ouvir que precisava de mais do que um celular de última geração e um videogame novo. Não adiantava reclamar muito ou fazer besteiras como roubar cigarros da bolsa da mãe e arrumar detenções numa das escolas mais caras e renomadas de Londres. No fim das contas, ele só fazia aquilo para "chamar atenção" e "envergonhar" a família.
Se era pra chamar atenção e envergonhar a família, o que melhor do que buscar a pessoa que já tinha fama de fazer aquilo pelos Vaughn? O tal tio Benjamin morava numa cidadezinha do interior da França, trabalhando numa academia famosa internacionalmente, e claro que ele tinha descoberto metade daquelas coisas nas pesquisas online e a outra metade de ouvir uma discussão bem calorosa da sua tia com seu pai sobre entrar em contato com Benjamin. Se meter numa viagem sozinho com uma permissão falsificada dos pais para ir ficar supostamente com a tia na França e ir para Cerise foi provavelmente a aventura mais inconsequente que o jovem Daniel, em seus meros 14 anos de idade, tomou.
Ao menos, o que tinha de rebeldia adolescente, tinha de determinação, porque depois das quase três horas no trem para Paris e mais quase três horas para a tal cidade de interior, Cerise, ele entregou o endereço que tinha roubado das mensagens da tia Mary Ann para o seu pai e bateu finalmente na porta do que deveria ser a casa do tio Benjamin. O relógio já marcava mais de 23h e no bairro residencial tranquilo de uma cidade de interior, não tinha muito movimento além dele mesmo descendo de um táxi que pegou na estação de trem.
Com uma mochila nas costas com algumas trocas de roupas, metido num par de calças jeans surrado, um casaco com capuz grande e folgado de marca famosa, as mãos enfiadas nos bolsos com alguns bandaids nos dedos e na cara das confusões recentes que tinha arrumado na escola, ele ainda parou para dar uma boa olhada na porta de entrada da casa do endereço. Ele tocou finalmente a campainha duas vezes até ouvir alguma resposta do outro lado e quando a porta se abriu, para dar lugar a um homem loiro, gordinho, com olheiras ao redor dos olhos claros, um par de óculos torto e os cabelos bagunçados, a primeira coisa que Daniel fez foi contorcer a expressão numa careta de desagrado e decepção. Era aquele o tal tio Benjamin de quem sua tia falava?
- [Você é o Benjamin?] - a pergunta veio em um inglês britânico com o sotaque bem acentuado.
Se era pra chamar atenção e envergonhar a família, o que melhor do que buscar a pessoa que já tinha fama de fazer aquilo pelos Vaughn? O tal tio Benjamin morava numa cidadezinha do interior da França, trabalhando numa academia famosa internacionalmente, e claro que ele tinha descoberto metade daquelas coisas nas pesquisas online e a outra metade de ouvir uma discussão bem calorosa da sua tia com seu pai sobre entrar em contato com Benjamin. Se meter numa viagem sozinho com uma permissão falsificada dos pais para ir ficar supostamente com a tia na França e ir para Cerise foi provavelmente a aventura mais inconsequente que o jovem Daniel, em seus meros 14 anos de idade, tomou.
Ao menos, o que tinha de rebeldia adolescente, tinha de determinação, porque depois das quase três horas no trem para Paris e mais quase três horas para a tal cidade de interior, Cerise, ele entregou o endereço que tinha roubado das mensagens da tia Mary Ann para o seu pai e bateu finalmente na porta do que deveria ser a casa do tio Benjamin. O relógio já marcava mais de 23h e no bairro residencial tranquilo de uma cidade de interior, não tinha muito movimento além dele mesmo descendo de um táxi que pegou na estação de trem.
Com uma mochila nas costas com algumas trocas de roupas, metido num par de calças jeans surrado, um casaco com capuz grande e folgado de marca famosa, as mãos enfiadas nos bolsos com alguns bandaids nos dedos e na cara das confusões recentes que tinha arrumado na escola, ele ainda parou para dar uma boa olhada na porta de entrada da casa do endereço. Ele tocou finalmente a campainha duas vezes até ouvir alguma resposta do outro lado e quando a porta se abriu, para dar lugar a um homem loiro, gordinho, com olheiras ao redor dos olhos claros, um par de óculos torto e os cabelos bagunçados, a primeira coisa que Daniel fez foi contorcer a expressão numa careta de desagrado e decepção. Era aquele o tal tio Benjamin de quem sua tia falava?
- [Você é o Benjamin?] - a pergunta veio em um inglês britânico com o sotaque bem acentuado.
