[Drive] Crônicas de Vizinha da Madame Rubeux [Wilbert; Dia]
#1
Dia


Com todo arrependimento que uma mulher poderia sentir em uma vida de apenas 24 anos de duração, Dia auxiliou Wilbert na mudança. Não que ele tivesse que trazer muita coisa - Eram apenas roupas e pequenos objetos pessoais – mas o lado de relação interpessoal entre Dia e seu novo inquilino que era desgastante. Como poderia ter sido tão estúpida a ponto de permitir que Wilbert fosse morar ali, nem tinha ideia.

Apresentou a ele o apartamento pequeno com uma cerveja na mão para ajudar a engolir aquele sapo. Primeiro o quarto em que ele ficaria, depois onde era o seu (bem em frente, porta a porta, o inferno!), depois banheiro, itens do banheiro pequeno, sala de estar onde ficava também sua mesa de jantar e por fim a cozinha. E nessa aproveitou para pegar já a segunda cerveja enquanto apresentava onde ficavam comida e panelas, tudo organizado como se esperaria de uma professora de economia doméstica. E quando terminou tudo e ajudou Wilbert a pelo menos abrir as caixas para começar a arrumar tudo, já estava na terceira cerveja.

Deixou que ele organizasse tudo enquanto se trancou em seu quarto para beber e ver televisão de porta trancada, e se arrepender totalmente da situação em que se meteu. Dormiu largada na cama, ainda com a roupa de casa, com a perna pendurada para fora e as garrafas vazias no chão.

Na manhã seguinte, estava com a cabeça estourando e a bexiga cheia. O despertador lhe acordou já no último toque para se arrumar para ir trabalhar. Levantou-se com o cabelo bagunçado e abriu a porta as pressas para ir ao banheiro, empurrando a porta apenas para encontrá-la emperrada. Dia abriu mais amplamente os olhos azuis e empurrou a porta de novo. Nada. Então ouviu de dentro do ruído do chuveiro, o que fez com que apertasse as coxas mais juntas.

- Funske...! – lembrou subitamente que ontem tinha ajudado ele a se mudar. Encostou o corpo na porta e então deu duas batidas. – Funske...! Vai demorar ainda? Eu preciso usar o banheiro e ir trabalhar, sim?

Wilbert

Após a mudança conturbada em que precisou lidar com o contragosto bem perceptível da morena, acabou se acomodando bem no apartamento. Não era como se nunca tivesse vivido em um ambiente mais modesto como aquele. Demorou o restante da tarde e da noite para terminar de organizar tudo no novo apartamento, tomando cuidado para não desorganizar o que já estava ali e era de posse da morena com quem dividiria o aluguel. Chegou até a bater na porta do quarto da mulher à noite para perguntar o que ela gostaria para o jantar e de manhã quando saiu logo cedo para sua corrida matinal, perguntando se ela gostaria de lhe acompanhar. Bem, aparentemente a morena era bem acomodada ao próprio conforto de casa e não havia dado as caras desde após ter se fechado no próprio quarto.

Como de costume, após a própria corrida, foi ao banheiro para tomar um banho e lavar os cabelos. O problema era que o apartamento apenas possuía um único banheiro. Sequer ouviu as primeiras batidas na mulher na porta, esfregando os fios claros com a espuma e o ruído da água atrapalhando ainda mais sua audição. Tomou um banho relaxante até se livrar de toda a espuma, ouvindo o ruído esquisito de alguém batendo à porta.

- Blanco?! - perguntou, estranhando o som até a mulher responder, irritadiça e urgente para que saísse dali. - Ah, já estou saindo! - avisou, passando mais alguns minutos para deixar o banheiro limpo e se secar, mantendo uma toalha firme enrolada à cintura e outra menor em seus ombros. - Já vai!

Arrumou o próprio cabelo, secando-o adequadamente antes de destrancar a porta do banheiro, dando passagem para a morena que parecia desesperada para usar o banheiro.

- Todo seu. - ofereceu, deixando a porta do jeito que ela havia permitido que ficasse, entreaberta. Deu de ombros, seguindo para se trocar em seu quarto, vestindo uma cueca, calça social e camisa azul clara de botões. Calçou os sapatos limpos e foi até a cozinha, colocando seu próprio avental que havia trazido de seu antigo apartamento.

Preparou panquecas e ovos mexidos com algumas bananas e maçãs cortadas para o café da manhã, assim como deixou o café quente e a jarra de suco de laranja. Deixou tudo pronto à mesa. Havia até preparado a mais para sua colega de aluguel, visto que aparentemente a mulher havia dormido demais e perdido a hora. Removeu o avental, pronto para se sentar e comer, verificando antes as mensagens perdidas em seu celular, pois não gostava de fazê-lo enquanto comia.


Dia

Pra começar, seu primeiro chamado foi completamente ignorado. Franziu a testa e apertou mais as pernas, então bateu com um pouquinho mais de força, ainda sem sucesso. Não queria incomodar os vizinhos, mas Wilbert só poderia ser surdo de tanto ouvir a própria voz, então bateu mais forte.

- Funske!! Eu preciso trabalhar!! – insistiu, não sabendo inteiramente se ele não estava lhe ouvindo ou se estava lhe ignorando de propósito até ouvir ele responder. O barulho do chuveiro que conseguia ouvir da porta não estava ajudando. Ficou mais aliviada quando ele disse que estava saindo, mas assim como suas amigas que diziam que estavam no caminho e levavam meia hora para chegar, Wilbert demorou muito mais do que “já estou saindo”. Acabou batendo de novo na porta, dessa vez mais agressiva. – Funske!! É pra hoje!!?

Quando ele finalmente abriu, sequer queria ouvir as palavras calmas dele. Entrou no banheiro correndo e ajudou dando uma empurradinha para Wilbert sair antes de fechar a porta e finalmente se dar o luxo de fazer suas necessidades. Se não estivesse tão aliviada, poderia matar. Enquanto ele se trancava para se arrumar que nem uma lesma loira de dois metros, correu para seu quarto para buscar suas roupas, e checou as mensagens enquanto usava o banheiro, antes de tomar uma ducha rápida, se vestir numa calça social de tecido azul marinho e uma blusa de manguinhas preta delicada. Prendeu o cabelo em um rabo de cavalo pois não teria tempo para deixá-lo impecável, e apenas correu para o quarto para pegar as sapatilhas azuis na sapateira.

Quando saiu, com a bolsa, olhou para a mesa de café da manhã posta por Wilbert e arqueou a sobrancelha. Ele tinha levado a sério a parte de cozinhar? Olhou para o relógio no pulso e então para o café.
- Depois limpe todos os pratos que sujou, Funske. Bom dia. – falou, engolindo a raiva e indo pegar a chave da moto e o capacete para resolver seu atraso.

Wilbert

A mulher tinha algum problema em administrar o próprio tempo ou havia tido uma noite horrível. Em qualquer uma das duas opções, não se enxergava como o problema ali. Havia até chamado a morena para correr cedo pela manhã, mas aparentemente o sono dela era mais pesado e a porta do quarto estava trancada para poder tentar acordá-la de fato. Contudo, o choque chegou quando ela encarou a mesa do café da manhã e pareceu não dar a mínima antes de sair correndo para ir trabalhar.

- Mas! Mas o café da manhã, sua-sua maluca! Vai sair sem comer?! Vai desmaiar no meio da rua de fome! - levantou-se, acompanhando a mulher até o elevador enquanto discutia, o tom de voz sempre alto. Franziu o cenho, furioso com o cenário de ter sua comida abandonada pela irresponsabilidade de horário da mulher.

Voltou para o apartamento, batendo a porta ao entrar, irritado. A morena se atrasava e ainda abandonava a comida que havia preparado. Teve de respirar fundo antes de terminar seu próprio café da manhã, terminando por deixar a porção que havia preparado para a mulher separada na mesa, coberta para ser levada no microondas ou requentada. Detestava a ideia de requentar a comida, mas não era como se nunca tivesse feito aquilo antes em sua vida.

Terminou seu próprio café da manhã, escovou os dentes, pegou seus pertences e fechou o apartamento antes de sair, certificando-se de deixar as luzes apagadas. Foi até a feira fazer as compras para o bistrô no dia que não precisava dar aulas em St. Clavier, mas acabou passando boa parte da manhã irritado com a ideia de sua comida ser negada. Deixou os ingredientes na cozinha do bistrô, preparando o que precisava para abrir o estabelecimento no horário de atendimento noturno. Entretanto, teve a ideia de preparar um almoço extra, considerando que acabaria comendo por ali mesmo. Fechou a cozinha e saiu rumo ao trabalho da morena, considerando que ainda precisaria voltar para o bistrô para trabalhar e dar continuidade ao que havia separado para fazer na cozinha pela tarde.

O transporte público na cidade do interior não era ruim e com o hábito de andar e tentar conhecer melhor Cerise, estava se acostumando à ideia de não poder dirigir seus veículos. Ao encontrar os portões da instituição feminina, fez uma pausa, verificando o horário próximo do almoço antes de verificar a segurança de Limoges. Após se identificar, indicou que precisava falar com a professora Blanco enquanto carregava a sacola com o almoço na mão livre. Resolveu aguardar que a segurança entrasse em contato com a professora, esperando em uma das entradas da instituição por encontrar a morena apressada e atrasada cedo pela manhã.

Dia

Certamente não esperava que Wilbert lhe seguisse, porque não tinha ideia de que um café da manhã servido como um hotel em sua casa era algo tão importante. Aliás, aquilo só podia ser uma provocação dele para sua colocação sobre querer uma pessoa para cozinhar em sua casa, porque não era possível que o loiro tivesse aquele espírito de dona de casa.

- Eu não vou desmaiar, Funske. Eu vou só tomar meu café da manhã no trabalho. Limoges-Collet tem uma cafeteria bem agradável. – respondeu, respirando fundo e entrando no elevador. – Bom dia.

Revirou os olhos assim que a porta do elevador fechou, e enquanto seguia para o local onde estacionava a moto, colocou o capacete. Montou o veículo e deu partida antes que por um acaso do destino, Wilbert decidisse gritar da janela sobre o café da manhã. Na verdade, era bem capaz que se ele lhe xingasse falando conseguiria ouvir, porque aquele homem tinha desligado o botão de volume da voz.

Tirou da mente a manhã conturbada quando chegou no trabalho e tomou um café com algumas bolachas antes de dar as primeiras aulas de etiqueta da manhã. Na terceira aula teria economia doméstica e estava trabalhando a parte de cozinha, então, seria obrigada a provar vários pratos, o que saciaria o resto de sua fome. Retomou a paz enquanto ensinava as mocinhas a fazerem alguns pratos rápidos franceses e explicava os grupos de alimentos, apesar de uma ou duas preferirem comer os ingredientes ao invés de cozinhar. Com o toque, deixou que elas levassem seus pratos para os dormitórios, pois seriam ótimos jantares para quem não quisesse usar os vouchers para comer na cantina.

Quando sentou em sua mesa para organizar as listas de presença, recebeu o recado do telefone na sala dos professores que havia um homem lhe aguardando na entrada. O nome: demônio. Só podia. Com um suspiro longo, foi até a entrada, sem pressa alguma, olhando a figura alta ao longe.
- Funske. A que devo a visita no meio trabalho? Não era nada que pudesse esperar até eu chegar em casa? – falou calmamente, ainda calmamente, pensando que ele poderia ter ao menos ligado para avisar que iria.

Wilbert

Aguardou do lado de fora, os braços cruzados com a sacola plástica em uma das mãos. Quem visse de fora, pensaria que estava furioso com qualquer coisa, poderia até ser confundido com algum segurança, não fosse a ausência do uniforme, a expressão de desgosto era notável. Verificou no celular o horário algumas vezes, impaciente pela suposta demora da morena. Andou até algumas vezes de um lado ao outro do portão, desconfiado que talvez seu recado não tivesse tido entregue pelas guardas no portão. Era esquisito como aquele lugar deveria ser cercado apenas de mulheres.

Relaxou por um instante ao avistar a morena que se aproximava do portão, ao menos ela havia recebido o seu recado. Ainda estavam na época do verão e como estavam no horário de almoço, o sol lhe incomodava, mas nada com o que não estivesse habituado em cidades da Europa. Certamente que Paris lhe dava muito mais dores de cabeça que a pequena Cerise em relação ao clima.

- Trouxe almoço, Blanco. - descruzou os braços, estendendo a sacola com a marmita preparada para ela. Não era muito, a julgar pelo que já havia observado da morena comer no apartamento dela, mas era uma refeição balanceada, ainda mais a julgar pelo sumiço dela no jantar do dia anterior, e a corrida do atraso, pulando o café da manhã. - É filé de frango com purê de batatas e risoto. Tem alguns legumes cozidos, a salada iria ficar ruim nesse tempo.

Avisou como se fosse bastante óbvio explicar o cardápio original da quentinha que havia levado para a morena no trabalho.

- Não deveria pular o horário do café da manhã. Você nem jantou ontem. - disse, soando acusador como de costume.

Dia

A visão de Wilbert parado no portão do Limoges não lhe incomodava tanto por ele ser um poste fazendo sombra do lado do portão. Era porque era um homem intimidador, difícil de passar despercebido, e, cujos maneirismos ignorantes eram fáceis de perceber. Já tinha sua vizinha para falar que andava com alguns relacionamentos abusivos, não precisava mesmo que as seguranças da escola comentassem algo, ou que as alunas lhe vissem ali e começassem algum rumor sobre o namorado da professora Blanco.

Esperou para saber porque diabos ele tinha ido ali, na esperança que seu apartamento já não estivesse em uma pira de chamas, porém, quando ouviu que ele trouxe almoço, encarou-o muito seriamente de baixo, a expressão nada entretida. Trouxe almoço? Era isso? Resistiu com força o impulso de perguntar se tinha pedido delivery, talvez para não transparecer ainda mais sua irritação na frente da porta da escola.

- Obrigada, Funske. Não precisava. – Dia estendeu a mão e pegou a sacola, segurando-a as mãos enquanto se aproximava de Wilbert o suficiente para que a sombra dele cobrisse boa parte de sua pessoa. Olhou de esguelha para ver se a segurança estava ali ou se alguma aluna passava, não notando nenhuma figura estranha. Quanto mais pensava em qualquer motivo para ele ter saído de sua rotina para lhe entregar aquilo, mais sua cabeça raciocinava que aquilo deveria ser alguma pegadinha por causa de ter dito que gostaria que alguém cozinhasse para ela, e ele ainda deveria estar ressentido com isso. Será que o contrato não tinha já passado um cimento na história toda? Encarou o loiro, firme. – E quando eu digo não precisava, eu quero dizer não faça isso de novo. Não contratei quentinhas, nem uma mãe. Você é meu inquilino. E a última coisa que eu preciso que faça é que saia do nosso espaço comum, que é meu apartamento, para vir ao meu trabalho para dar motivos pra meninas exercitarem as línguas inventando rumores criativos sobre mim. Entendido? – murmurou, sabendo que se fosse pega naquela conversinha capaz da própria segurança começar a fofoca.

Esperava que Wilbert tivesse a sensatez de lhe ouvir daquela vez, já que estava em seu trabalho, sem nenhuma de suas respostas agressivas em estilo próprio. Mas poderia reforçar o “entendido?” assim que ele começasse com qualquer reclamação de sua ingratidão.

Wilbert

Apesar de expressão séria, a morena aceitou o almoço que havia levado para ela e não pareceu reclamar a priori. Contudo, tão pronto ela se aproximou, arqueou a sobrancelha em estranhamento diante da invasão de seu espaço pessoal. A mulher parecia muito preocupada em ser vista ali com ele, observando os arredores como se sua presença fosse indesejada, ainda que apenas na porta da instituição para garotas.

Encarou a mulher, fazendo um esforço monumental para respirar fundo e olhar também de esguelha ao redor, certo de que naquele sol, não havia muita companhia além da morena a sua frente.

- Quem foi que falou sobre alguém cozinhar para você? - cruzou os braços, mantendo o tom de voz natural que usava, ou seja, alto como de costume. - E me admira muito a senhora preocupada com rumores de garotinhas. E eu que pensava que a sua família tivesse mais que um dedo de influência nessa cidade. Tcs. - descruzou os braços, dando um passo para trás, afastando-se da mulher. - Quer saber? Faça como quiser. A mamãe aqui vai voltar para o trabalho.

Franziu o cenho, irritado com a ingratidão da mulher que havia desprezado seu café da manhã depois de ter ido dormir sem sequer jantar na noite anterior. Se havia se mudado para a residência dela apenas para ver ela fugir de todas as refeições, era melhor que ela tivesse deixado isso bem claro no começo. Sentia-se feito um imbecil que havia saído do próprio trabalho enquanto ela ainda pensava que estava em casa como uma boa doméstica. Deu as costas para a mulher e deixou ela falando sozinha ao partir. Irritado como estava, se continuasse ali na porta da academia, discutindo com ela, certamente que não acabaria nada bem. O sol não era a única coisa que estava esquentando sua cabeça.


Dia

Dia arqueou a sobrancelha para a indignação de Wilbert quando ela assumiu que ele tinha feito o almoço para ela. Afinal, se ele tinha se dado o trabalho de ir até lá entregar para ELA, para quem mais seria? Não era possível que ele iria fazer o sonso e dizer “mas é que sobrou do almoço”. Se tinha sobrado, ele podia bem embalar e comer no dia seguinte, e não levar para ela. A ideia toda era bem ridícula.

Levou a mão até entre os olhos e esfregou sobre o nariz com um longo suspiro. Não iria discutir na porta de Limoges Collet, por mais que Wilbert estivesse pedindo. Um adulto como ele certamente deveria ter mais bom senso. Não era medo que tinha de rumores das garotinhas, mas do incômodo que eles lhe causariam ao longo do dia. A última coisa que precisava era ficar clicando a língua sempre que ouvia um “hihihi” “hahaha” no corredor.

- Até logo, Funske. Bom trabalho. – respondeu com muita calma, dando meia volta e entrando na escola de novo.

Como esperado, o resto do turno de trabalho foi recheado de olhares. Meio dia não deveria ter uma aluna na portaria, mas os olhos dessas meninas eram quase de águia quando elas queriam. As menos descaradas comentavam tudo às suas costas. As mais descaradas perguntavam diretamente se Dia tinha algum interesse em pessoas mais velhas. Já até podia ver o tablóide da escola escrito por mademoiselle Arianne. O turno chegou ao fim com muitos suspiros frustrados. Mas ao menos pode pegar a moto e voltar pra casa para um pouco de paz, já que Funske deveria trabalhar até tarde no bistrô.

Com a casa para si, assistiu televisão, deu uma verificada se tudo estava empoeirado, foi ao mercado e comprou alguns croissants quentinhos. Pensou logo em fazer um jantar rápido, porém, lembrou-se que Wilbert tinha lhe servido o almoço. Revirou os olhos com a ideia de que também poderia estar sendo ingrata, embora tivesse dito “obrigada” (com certeza essa delicadeza não tinha ignorado) ao loiro, e então fez o jantar para dois. Preparou uma bisque rápida de camarão para comer mergulhando também os croissants novinhos, o que provavelmente o chef iria reclamar, mas que para Dia até tinha um sabor de casa. Deixou separado uma tigela da bisque e dois croissants para o seu novo inquilino, cobertos sobre a mesa.

Tomou um banho e decidiu vestir um short doll preto com rendas nas barras, para depois relaxar no sofá assistindo programas de variedade. Preguiçosa, agarrou a almofada do sofá e zapeou até achar um programa de culinária entediante. Ficou entre assistir a televisão e cochilar, mas acabou se rendendo a um cochilo no fim da noite.

Wilbert

O dia havia sido tranquilo do trabalho e conseguiu até se sentir melhor após uma longa noite de atendimento a alguns clientes entre locais e turistas. Ficou até o fechamento das portas, tratando de se certificar de que tudo estava limpo e organizado para o dia seguinte. Pegou o transporte público de volta para o apartamento que dividia com a mulher que havia lhe dado uma boa dor de cabeça no primeiro dia em que havia se mudado para a residência dela. Pensou em subir as escadas, entrar no apartamento, tomar um bom banho e seus remédios, assistir alguma coisa e ir para a cama dormir. Não havia vizinhos pelos corredores naquela hora da noite e, apesar de suas esperanças, ao entrar no apartamento, acabou encontrando a televisão ligada, a morena no sofá.

Não disse nada até entrar no apartamento e trancar a porta, carregando em uma sacola além de sua bolsa lateral, algumas das sobras do jantar servido no bistrô, imaginando se a morena teria algum interesse em sua comida ao voltar para a residência. Encarou a cena da televisão ligada e já ia desejar boa noite para a mulher, quando notou que a mesma parecia acomodada demais no sofá. Aproximou-se apenas para se dar conta de que ela estava adormecida já. Procurou, portanto, o controle remoto para desligar a televisão.

Foi até a cozinha para guardar as sobras do jantar, voltando para a sala apenas para se deparar com uma porção de bisque com dois crossaints sobre a mesa da cozinha, cobertos. Indagou-se com a ideia de que aquela porção poderia ter sido deixada para ele, mas preferiu acreditar que não a considerar o desgosto da morena com a sua presença mais cedo no trabalho dela. Guardou a comida na geladeira e tratou de deixar a própria bolsa em seu quarto, retornando para a sala sem fazer muitos ruídos para poder pegar o celular da mão adormecida da professora, deixando-o no bolso da própria calça antes de levantá-la do sofá nos braços, carregando-a para o quarto dela.

Precisava tomar um banho, pois ainda estava com o odor da cozinha, dos temperos e do perfume dos cozidos, mas podia cuidar disso assim que a mulher estivesse dormindo em seu próprio quarto. Ser professor em uma instituição como Limoges não deveria dar menos dor de cabeça que lecionar em St. Clavier. Colocou a mulher na cama com cuidado para que ela não acordasse no processo e ligou a ventilação do ambiente. Antes de sair, se deu conta de que de fato estava agindo como se fosse a mãe dela e tal realização só lhe fez ter mais raiva. Preparar qualquer tipo de refeição para a mulher era uma perda de tempo, mas infelizmente era a única coisa que conseguia se sentir bem fazendo por outras pessoas. Não esperava que ela fosse entender aquilo algum dia.

Separou o lixo para colocar para fora antes de ir tomar um longo banho para esfriar a cabeça. Assim que escovou os dentes e tomou os remédios, saiu para trocar de roupa, acomodando-se com uma calça de moletom e uma regata cinza. Ao invés de ir dormir, ficou na sala assistindo a alguns programas de reality show enquanto respondia a mensagens da própria irmã, curiosa com a mudança repentina de apartamento e sobre sua estadia prolongada em Cerise.

Dia

Dia acordou devagar depois de rolar na cama para um lado e o outro, ao ouvir da televisão um programa que certamente não era de culinária, e ruídos de brigas da programação de baixa qualidade com reality shows que certamente passaria longe em dias normais. “Quem foi que mudou de canal...?”, resmungou para si mesma enquanto tateava a cama, mas ao notar que o teto não parecia o teto da sala, franziu a testa, sentando-se na cama devagar e esfregando o rosto. Quando ela tinha ido para o quarto?

A morena respirou fundo e caminhou até a porta com a expressão de poucos amigos de quem tinha acabado de acordar, e então notou a mesa de jantar limpíssima e Wilbert calmamente sentado em seu sofá assistindo programas desnecessários.
- Eu poderia jurar que tinha dormido no sofá. – Dia comentou, então entrando na sala. – Comeu a bisque? – questionou o loiro, notando que não apenas estava tudo limpo como ele também já tinha dado conta de levar o lixo para fora. Pena que tinha esquecido de si mesmo. Haha.

Atravessou para a cozinha e sem muita pressa e encheu um copo de água para si mesma, tomando em goles grandes. Tinha apagado o suficiente para começar a achar que tinha bebido antes de dormir embora tivesse certeza absoluta que não tinha.
- Eu deixei alguma garrafa de cerveja na cozinha? Eu acho que não bebi, mas não sei como cheguei no quarto. – disse, olhando longamente para Wilbert sem saber se deveria sentar ou não do lado dele. Mas estava tão ranzinza e preguiçosa que nem tinha vontade de brigar com ele por estar ali, afinal, o erro estúpido de convidá-lo tinha sido dela. Jogou-se no sofá e pegou o controle remoto, mudando de canal para um programa menos irritante, zapeando brevemente para ver se tinha algum filme de ação ou corrida na televisão.

Wilbert

Desviou o olhar do reality show sobre mulheres que estavam tentando sair com um rapper rico ao mesmo tempo para avistar a professora que havia adormecido no sofá quando chegou no apartamento. Ela estava certa sobre dormir no sofá e talvez devesse ter deixado que ela ficasse dormindo ali, mas daí não teria a televisão para si e não estaria assistindo o reality show que acompanhava já na segunda temporada.

- Bisque? - arqueou uma sobrancelha, desviando o olhar novamente do programa para observar a morena na cozinha. - Ah… não. Eu deixei na geladeira.

Revirou os olhos com a falta de raciocínio da morena sobre ter sido ele o responsável por colocá-la na cama. Estava preparado para suportar a falta de esperteza alheia, afinal, ela deveria ter acabado de acordar, mas não esperava que ela fosse roubar o controle remoto e mudar o canal, alterando a programação do que estava assistindo.

- Eu estava assistindo a televisão. - declarou, franzindo o cenho e encarando a morena descarada. - E eu não toquei na sua comida. Você deveria lembrar de guardar sua comida na geladeira ou ela vai estragar. Não ensinaram isso na aula de economia doméstica? - não resistiu com a provocação, estendendo o braço para roubar o controle remoto da morena e retornar a programação para o reality show que estava assistindo, The Flavor of Love.

Dia

Dia ainda estava um pouco adormecida, mas já começava a acordar, especialmente depois de achar um programa sobre carros em um canal aleatório de ciências. Quando Wilbert tomou o controle de suas mãos e começou a reclamar de sua comida, virou os olhos para o lado dele, encarando-o com todo o mau humor que podia conter em um corpo de 23 anos.

- Você está mexendo no celular. – respondeu em um tom seco, segurando o controle remoto como se fosse a própria vida. Ele não iria tirar do programa sobre carros agora que tinha achado algo bom para assistir. Especialmente para colocar naquele programa ruim. – E pra sua informação, eu guardei minha comida na geladeira. Só deixei fora a bisque pra você jantar. Se chama cortesia, mas duvido que você conheça a palavra. Aliás, se fosse pra alimentar alguém azedo como você, não faria diferença se a comida está bem refrigerada ou não. – Dia resmungou em retorno das ofensas, afastando a mão de Wilbert do controle remoto.

Franziu a testa, já completamente acordada, e então, rapidamente colocou o controle remoto dentro da parte de baixo do short doll, prendendo-o entre suas coxas.

- Onde já se viu assistir um programa horrível daqueles... – falou com um tom claro de julgamento.

Wilbert

Não sabia se ficava indignado pela mulher ter lhe deixado um jantar depois de toda a discussão sobre ter descartado seu café da manhã e desdenhado seu almoço; ou a ousadia dela em esconder o controle remoto na parte baixa do short, acusando-o de prestar mais atenção ao próprio celular.

- Deveria ter me avisado então, depois de reclamar da minha comida o dia todo, acha mesmo que eu vou chegar em casa achando que me deixou o jantar? - reclamou de volta, franzindo o cenho ao ter o gosto pessoal julgado por alguém que preferia assistir documentários sobre carros. - Mas que porra?! Devolva o controle, Dia!

Brigou com a morena, avançando para arrancar o controle do meio das coxas dela. Poderia arrancar o acessório televisivo dali, ao menos era o que esperava, vencer a força das coxas dela sem precisar empurrá-la. Não era a favor de violência contra mulheres, havia crescido em um lar predominantemente feminino e de criação tradicional, estava mais acostumado a aguentar as birras das irmãs que revidar fisicamente.

- Você não tem que acordar cedo amanhã para dar aula, não? - debochou, achando desagradável a própria sorte com o sono inconstante da mulher. Ela poderia só dormir, não? E lhe deixar em paz. Seria ótimo, considerando que ainda demoraria a conseguir dormir de fato.

Dia

Olhou pra Wilbert com o cenho franzido quando ele ainda falou com irritação sobre o jantar que tinha deixado ainda por cima lhe acusando de reclamar da comida o dia todo. Para completar, o homem levantou a voz e tentou pegar o controle apesar do lugar onde tinha colocado. Dia prontamente fechou as pernas e apertou o controle entre as coxas, levando uma mão para firmar ainda mais a base, deixando a outra livre para estapear a mão de Wilbert.

- Abaixe essa voz, olhe a hora! – reclamou, agora bem desperta, após o susto dele tentar tirar o controle do meio das suas pernas, dando um tapa para afastar a mão de Wilbert. – Tempo, lugar e situação! Você não pode me trazer comida na escola como se fosse minha esposa e eu tivesse esquecido a marmita! Escola é lugar pra fofoca! Mas não tem nada de errado em fazer um pouco de comida a mais porque estou em casa, isso é só gentileza!

Deu mais dois tapas na mão de Wilbert, cruzando tanto as pernas que se ele avançasse mais, era capaz dela cair pro lado no sofá, tão tensa que estava.

- E eu não reclamei o dia todo da sua comida. Eu nem estive com você o dia todo! – acrescentou, tentando assistir o programa de televisão em paz. – Eu posso acordar cedo, tendo dormido a hora que eu quiser, aliás. E não quero dormir agora. Acabou de chegar e quer mandar na hora que eu durmo, sinceramente.

Wilbert

- Eu não estou gritando, eu estou falando normal com você, diabos! - franziu o cenho, descrente que ela havia mesmo travado as pernas com o controle remoto e ainda estava lhe dando tapas para que não alcançasse o aparelho. - Sério?! Eu jurava que a escola era um lugar para aprender, mas não me surpreende que um lugar rodeado de tantas mulheres seja movido pela fofoca. - riu com o próprio sarcasmo. - Ei!

Tentou avançar de novo contra ela para recuperar o controle, ignorando a reclamação dela sobre sua consideração de horário. Acabou tomando alguns tapas em resposta em sua mão e franziu o cenho novamente, pronto para avançar mais uma vez contra ela atrás do controle remoto quando se deu conta de que ela acabaria caindo pela lateral do sofá.

- Oi! - segurou a morena pelo braço, usando um pouco mais força para impedir que ela lhe batesse de novo. Ao invés de receber novos tapas, puxou a figura da mulher mais para cima, afastando-a do risco de cair do sofá. - Tcs! Foda-se! Você vai dormir primeiro de qualquer forma!

Largou a mulher, afastando-se no sofá para poder buscar o próprio celular. Tinha plena certeza que se saísse dali e fosse para seu quarto, a morena dormiria de novo em cinco minutos no sofá, tal como quando havia encontrado ela ao voltar do trabalho. Só precisava esperar um pouco e a morena que estava lhe causando novas dores de cabeça acabaria cochilando ali e teria de colocá-la de novo na cama como a mulher teimosa que ela era. Encarou o celular com raiva, vez ou outra observando o programa que ela estava assistindo apenas para julgar o conteúdo, considerando que poderia estar vendo o reality show que acompanhava.

Dia

- Em que planeta esse é o volume normal da voz humana? – ela perguntou de volta, sacudindo a cabeça negativamente, descrente que ele ainda estava tentando pegar o controle. E foi obrigada ainda mais a revirar os olhos com o comentário que só ele tinha achado graça. Tinha que ser Wilbert para rir das próprias piadas. – Não me surpreende que você tenha feito um comentário tão ridículo.

Defendeu-se como podia, considerando que Wilbert era enorme e muito forte, ainda segurando o controle a todos os custos, mesmo que isso significasse que terminaria aquela briga com o cabelo bagunçado e com a bunda no chão. Não cedeu espaço, nem mesmo quando ele agarrou seu braço, puxando com igual força, até ele lhe colocar de volta no sofá. Respirou fundo, supondo que ele tinha sido até gentil de não lhe deixar cair, mas não agradeceu, afinal, quem queria roubar o controle era ele.

A desistência dele só lhe deixou feliz, afinal, podia finalmente assistir seu programa de televisão. Só que diferente da rápida dormida no sofá no fim de expediente, Dia ficou bem interessada nas narrativas dos donos de carros históricos, no que falavam sobre os modelos, os motores, as peças novas entre outros. Ela não parecia que sairia dali nem tão cedo.

- A Ferrari 250 GTO é um carro fantástico, mas olha a elegância desse Zagato. É um item lindo de colecionador. Eu imagino a emoção de quem comprou um desses em 60, podendo correr a 250 quilometros por hora em uma pista limpa... olha o som desse carro. – Dia comentou, mais para si mesmo do que para Wilbert, então lembrando que era com Wilbert que estava falando. – Você não dorme?

Wilbert

Observando o próprio celular e as matérias sobre os restaurantes mais famosos europeus, arqueou uma sobrancelha com o discurso da morena sobre os carros e suas respectivas capacidades motoras e de desempenho. Respirou fundo, erguendo o olhar do celular para observar o que ela estava assistindo.

- Spyker C12 Zagato? Ele tem um motor eficiente e está bem mais em conta que a Ferrari. Ela está batendo recorde de valor em leilão. Com o preço dela, você enche a sua garagem de Zagato. O meu favorito é o Alfa Romeo 2600 Spider, clássico, bonito, tradicional, teto retrátil. - comentou, mesmo sem ter sua própria opinião requisitada. - Não estou com sono.

Adicionou por fim, o que não era mentira. Costumava ter muitos problemas para dormir, de qualquer forma. Já havia tomado a medicação, mas ela levava algum tempo para mostrar seus efeitos. E dependendo de sua raiva ou hiper foco, o efeito do medicamento demorava um pouco mais até fazer efeito.

- O seu horário de sono vai ficar todo bagunçado se chegar em casa e for logo dormir para acordar de madrugada quando precisa ir trabalhar na manhã do dia seguinte. - avisou, o tom de irritação sempre presente em sua voz, como alguém que precisava reclamar de alguma coisa, ainda que fosse apenas uma bobagem, todos os dias.

Dia

Dia arqueou a sobrancelha quando Wilbert levantou a cabeça para comentar sobre o programa, especialmente por ele mencionar um carro mais atual do que os mostrados no programa, assim como os preços de leilão, até finalmente perceber que era um programa de carros antigos.

- Funske, eu certamente quero correr nesses carros, mas não acho que tenho uma garagem para colocar um sequer. E estava falando do Aston Martin DB4 GT Zagato que acabou de passar, enquanto você estava olhando suas mensagens. – comentou, entortando os lábios quando ele disse que não estava com sono. – E você estava assistindo televisão, certamente.

Ouviu a reclamação posterior de Wilbert, ainda prestando atenção no programa de televisão. Quanto mais ele falava que aquele ritmo dela não era saudável, mais tinha vontade de virar a madrugada assistindo qualquer coisa que estivesse passando, mesmo que fosse a reprise de vários filmes do Godard que ninguém queria assistir.

- Obrigada, mãe, mas acho que considerando que faço isso desde que me tornei independente, o que faz mais de quatro anos, e que você chegou ontem, vou dispensar seu conselho com um sorriso amigável. – Dia virou-se para Wilbert, então abriu um sorriso, em seguida voltou para a tela, dando mais atenção aos carros antigos no final do programa.

Wilbert

Franziu o cenho antes de revirar os olhos ao ser chamado de “mãe” mais uma vez pela morena. De certo que acabaria com aquele apelido pela quantidade de vezes que a professora escolhia lhe chamar por ele. Voltou o olhar para a televisão, acompanhando alguns outros modelos de carros antigos que estavam sendo apresentados na matéria.

- Já é um milagre que você não tenha nenhum problema da cabeça ou de qualquer tipo por ter hábitos ruins. - comentou, tentando soar menos agressivo e falhando miseravelmente, pois o timbre de voz nunca mudava. - Não se ofenda, não a culpo por ter hábitos ruins. Você é nova, uma hora a vida cobra o preço. - sorriu com o canto dos lábios, considerando que de fato ela era mais jovem ali, ainda que muitas vezes caísse na provocação alheia tal como se tivesse a mesma idade mental que a mulher.

Levantou-se em pouco tempo, travando a tela do celular e saindo para a cozinha, fazendo questão de passar pela frente do sofá para atrapalhar a visão da mulher do programa que ela estava assistindo.

- Vou para a cama. Boa noite, Blanco. Lembre de ir para a cama depois, vai ficar com dor nas costas se dormir no sofá. - alertou uma última vez, sequer se incomodando em ficar para ouvir qualquer tréplica da morena e partindo diretamente para o seu quarto alugado. Não tinha expectativa de dormir logo, mas ficar na cama e ficar assistindo vídeos no próprio celular lhe deixava menos estressado e talvez isso ajudasse com o sono. Na manhã do dia seguinte, poderia acordar cedo para fazer sua corrida matinal e lembrar que não precisava cuidar do café da manhã da mulher que lhe chamava de “mãe”.

Dia

Dia arqueou a sobrancelha para o conselho de medicina prático de Wilbert, em que ter hábitos ruins faria mal a sua cabeça, o que quer que isso significasse. Claro, seu corpo certamente sentiria eventualmente, mas até lá, teria consertado sua vida.

- Fala por experiência, não é, Funske? – perguntou com um pesado tom de ironia, esperando que ele parasse de tentar lhe dar lições de moral. Só que tinha que admitir que se a vida cobrava o preço, estava cobrando dela agora que tinha que conviver com o chef dali em diante.

Franziu a testa quando ele decidiu que pararia para se despedir bem na frente da televisão, sabendo que aquilo era apenas uma provocação barata de Wilbert. Ignorou o último comentário, apenas deixando o corpo escorregar no sofá para que se deitasse e pudesse terminar de assistir o programa de televisão sozinha e em paz. Já não estava com paciência para provocar Wilbert.

Assim que ele fechou a porta do quarto, fez questão de mostrar a língua e jogar-se ainda mais preguiçosa no sofá. Se podia se garantir em uma coisa naquela situação era que seria um inferno sua convivência com Wilbert dali em diante.

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[Drive] Crônicas de Vizinha da Madame Rubeux [Wilbert; Dia] - by Lil - 09-21-2021, 11:36 AM

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