[Drive] Bem vindo a Gris! [Zazou; Xavier]
#1
Zazou

Em geral, não se importava com quantas pessoas entravam e saíam de Gris. O bairro era um bairro como outro qualquer, no qual funcionavam negócios, passeavam pessoas, e embora fosse renegado por sua má fama de perigoso, até os mais alto escalão de Cerise apreciavam os bares baixa renda do porto. Mas uma coisa que tinha lhe incomodado há um tempo era a polícia, que por conta de um ou outro evento fora do comum ocorridos em Gris, tinham decidido fazer umas rondas muito inconvenientes. Isso estava incomodando os habitantes – que em geral estavam do seu lado – e seus amigos. Se alguém tinha que fazer ronda, era ele, não a polícia. Odiava a polícia.

Por isso suas orelhas ficaram em pé quando um dos seus tinha dito que viu um rapaz que trabalhava no porto observando umas negociações corriqueiras de venda de drogas. Talvez isso não lhe incomodasse, não fosse a perspectiva de que o sujeito poderia chamar a polícia para mais umas rondas ali, e estava cansado de afugentar policiais. Sondou o local de trabalho do rapaz para saber quem ele era através de uns conhecidos, e logo tinha descoberto o nome de Xavier Renard, que era um sujeito que tinha mudado há pouco tempo para Gris com o pai. Um menininho bem criado de Paris certamente não conhecia o jeito que a cidade funcionava ainda. Era hora de apresentar para ele os vizinhos.

Zazou foi até a casa que tinha descoberto ter sido alugada pelos Renard bater à porta. A visão do sujeito certamente chamava a atenção dos moradores antigos, e muitos novos que já tinham ouvido falar das histórias do homem que cuidava daquele bairro. Zazou não era difícil de identificar com os dreads falsos caindo pelas costas, uma jaqueta surrada jeans, uma camisa estampada velha e uma calça folgada nas pernas, além das sandálias velhas bem presas no pé. Foi acompanhado de um par de conhecidos: um amigo íntimo que era seu braço direito quando resolvia coisas com os moradores, e o traficantezinho que tinha visto o rapaz, para confirmar se era ele mesmo. Mas não pretendia conversar com tanta gente ali. Se – e somente se – o rapaz colaborasse, poderia até dispensar os outros. Enquanto esperava uma resposta, viu as pessoas gradualmente entrando em casa, preparando-se para o pior.

- É Zazou. Abra essa porta. Vim conversar. – falou com a voz até calma, esperando a resposta amigável a seu pedido.

Xavier

A chegada em Cerise não tinha sido tão tranquila quanto Xavier queria. Era pra ser uma cidade pequena, uma vida nova e uma página nova principalmente para seu pai se livrar de alguns velhos hábitos. Os primeiros dias até tinham sido fáceis conhecendo a cidade e algumas pessoas estranhas, mas depois de iniciar o trabalho, tinha se deparado com algo que não queria, fugiu, caiu numa cova, torceu o pé e estava só torcendo pra que ninguém soubesse mesmo o que tinha visto no porto.

A única coisa boa daquela chegada a Cerise era que seu pai estava um pouco mais tranquilo, mas velhos hábitos não morriam. E depois de já ter torcido o pé, voltado para o trabalho escondendo o machucado que não melhorou e ter o pai voltando às bebidas enquanto ele estava fora de casa, a última coisa que precisava era lidar de novo com os acessos de violência do mais velho e ganhar uns novos cortes e roxos no rosto.

Agora, além do pé dolorido que estava em cima do sofá com uma bolsa de gelo, tinha também um curativo do lado do olho roxo e uma bolsa de gelo ali, para amenizar o roxo na cara antes de ir para o trabalho em um par de horas. Ao menos tinha conseguido deixar seu pai na cama. Queria só ficar de perna pra cima e se recuperar dois centavos, mas o descanso foi atrapalhado pelas batidas firmes na porta.

Xavier se levantou muito a contragosto, indo mancando até a porta para abrir, bem a tempo de ouvir a apresentação do outro lado. Já tinha rodado o trinco da porta, não dava para voltar atrás. Tinha ouvido mesmo certo? Era o tal de "Zazou"? Aquilo não era história pra criança dormir?

A reação de hesitação de Xavier foi bem notável ao abrir a porta numa fresta e encarar o homem do outro lado com uma expressão de poucos amigos - não que estivesse propositalmente desafiando o homem peculiar do outro lado da porta, era só sua expressão convencional mesmo quando estava obviamente com medo. Ele não era como as pessoas tinham descrito exatamente, o que lhe causou um sentimento de estranheza com as roupas esquisitas e de susto pelo homem estar à sua porta junto com outros dois caras mal encarados. Tinha como piorar a sua estadia naquela cidade infeliz que devia ser uma melhora na sua vida de merda? O som mais audível naquele momento foi o de Xavier engolindo em seco, segurando o trinco da porta com certa força, tanto pelo medo, quanto para se apoiar.

- Hm... que é? - aquela não tinha sido uma escolha de palavras muito feliz, mas nem se conseguisse raciocinar bem, teria respondido melhor. Será que ia morrer tão cedo mesmo?

Zazou

O passo arrastado na porta teria lhe tirado a paciência se não soubesse que ninguém iria correndo abrir a porta em Gris em sua sã consciência, menos ainda se soubesse quem era à porta. Saiu da frente da porta assim que chamou, pro caso do passo arrastado ser o tal Xavier decidindo ou não decidindo por arrumar uma arma pra se defender, mas quando ouviu o trinco, pôs a mão na pistola que carregava na cintura, e assim que ouviu o “que é” e o som claro dele engolindo saliva, levantou a arma pela fresta da porta até a bochecha do rapaz, que parecia já ter vários alvos roxos fáceis de acertar.

- É surdo? – perguntou, porque não iria se repetir. Tinha dito seu nome e que tinha ido ali conversar. Mais paciência que isso não precisava. – Abre essa porta. – o moreno sacudiu a cabeça negativamente, dando uma olhada rápida antes de empurrar a porta para dentro e entrar na casa. Olhou em volta, e depois pro rapaz, notando a aparência teoricamente intimidadora e o pé inchado. – Já mandei lhe darem uma surra?

- Acho que não, Zazou. Não lembro de ter mandado ninguém aqui não. – o outro visitante falou com um ar de indagação.

- Foi ele mesmo que viu os negócios lá no porto? – Zazou questionou o traficante que tinha sido visto, e ele afirmou com a cabeça. – Você, pode sair. Titi, vigia a porta. – Zazou então esperou os outros dois irem para abaixar a arma ainda no rosto de Xavier. – Já lhe explicaram como funciona por aqui, rapaz?

Xavier

Claro que a sua resposta não foi muito feliz e menos feliz ainda foi a reação irritada do tal Zazou para o seu desafio desproposital. A primeira reação do tal Zazou foi sacar uma arma e enfiar o cano em seu rosto, em resposta, a sua reação foi fechar os olhos com força, sentindo o corpo todo tremer com a sensação do metal contra o rosto e começando a rezar mentalmente para não morrer ali mesmo. Até perdeu a força na mão que segurava o trinco e deixou que ele empurasse a porta mais fácil, sem se mover do lugar além dos tremores de medo muito óbvios.

Xavier só engoliu em seco de novo quando ouviu-o perguntando se tinha mandado alguém lhe dar uma surra. Já recebia demais em casa para ainda arrumar surras fora dela. Só engoliu em seco de novo e negou com a cabeça, mas o outro nem devia ter percebido, já que um dos homens que o acompanhava reforçou a negativa. O rapaz não moveu um centímetro de onde estava, ainda sentia toda a tensão e o medo percorrendo o corpo com aquela arma em sua bochecha e nem a dor do pé e dos machucados no rosto eram o suficiente para lhe distrair.

Só quando ele mandou os outros saírem e abaixou a arma foi que Xavier sentiu o ar voltar a circular nos pulmões e estava quase chorando de medo com o homem armado a sua frente. Negou com a cabeça quando ouviu a pergunta de Zazou e manteve os ombros encolhidos e tensionados. Arriscou olhar o homem dos pés à cabeça de novo, mas o olhar parou na arma que ele segurava.

- Você... veio me matar? - era surpreendente que ainda houvesse um fio de voz no rapaz com o medo que estava sentindo.

Zazou

Provavelmente ele tinha criado juízo com a arma apontada pra cara, porque podia ver que ele tinha ficado mais tenso. Não precisava ser um gênio pra perceber o rapaz tremendo daquele jeito, muito menos os olhos apertados. Ele com certeza acabaria chorando se pressionasse mais, mas não era isso que tinha ido fazer ali. Não era nenhum diplomata, tinha absoluta certeza disso, mas também não era nenhum maluco que matava indiscriminadamente.

Mas tinha que dar o crédito porque ele ainda tinha coragem de fazer aquela pergunta. Porém estava lhe irritando que sabia que já tinha dito pelo que tinha ido ali.

- Já disse! – respondeu levantando a voz, ainda permanecendo com a arma na mão, embora agora ela estivesse longe do rosto do garoto. Com aquele pé, ele não lhe derrubaria nem com muito esforço, mas também não era idiota de ficar sem um apoio na frente dele. – Só se precisar. – adicionou, revirando os olhos de modo indiscreto.

Procurou uma cadeira próxima e puxou para sentar, nem se importando com o pé dele e que talvez ele que devesse sentar.

- Viu meus meninos no porto, então vim lhe perguntar: falou com a polícia sobre o que viu? Falou com alguém sobre o que viu? Não minta. – perguntou de modo muito pontual, esperando que a resposta fosse negativa.

Xavier

A resposta no tom mais irritado não contribuiu para acalmar os ânimos de Xavier, certamente. Ele tensionou os ombros ainda mais e estremeceu dos pés a cabeça, esperando alguma surra ou tiro, mas o outro só adicionou que faria aquilo "só se precisasse", o que não era em nada reconfortante.

Xavier arriscou olhar para o outro lado do apartamento, ao menos torcendo para que o seu pai não acordasse, ainda bêbado, para piorar a situação e fazer com que os dois fossem assassinados ali. Mas só suspirou depois de perceber que tinha prendido o ar até então quando o tal Zazou procurou uma cadeira para se sentar.

- Falar sobre quê? - Xavier o encarou um tanto confuso, meio pelo medo, meio pelo fato de que o medo não lhe permitia raciocinar muito bem... e já não era lá uma pessoa muito brilhante. Só depois de alguns segundos foi que o ocorrido de algumas noites atrás, que tinha lhe garantido aquele pé inchado, voltou à mente e ele engoliu em seco com uma expressão que denunciava que tinha mesmo visto algo e estava com medo de morrer por aquilo. - Ah... eu nem sei o que eu vi direito. E num falei com ninguém não... nem com a polícia. - ele respondeu bem sincero, ainda de pé diante do homem que estava muito confortável em seu pequeno apartamento. Não é como se alguém fosse mesmo acreditar no que ele tinha visto. Não com aquela cara de que ele mesmo era o criminoso.

Zazou

Finalmente o garoto não fez a mesma pergunta pela enésima vez, e olhou ele de baixo, erguendo as sobrancelhas. Pelo visto a questão não era se ele era surdo, mas se era esperto. E pelo visto, não era. Por que mais além da cena que ele viu no porto – e fugiu – iria até ali? Só se fosse para fazer propaganda sua, e no momento ele não estava merecendo.

Tinha algo de sinceridade no rapaz, provavelmente o medo de morrer. Mas não estava convencido em tudo que ele tinha dito. Na verdade, com o bom juízo que tinha, não tinha sido convencido de nada.

- Não minta. Correu pra que, se nem sabe o que viu? – perguntou pontualmente, estendendo a arma para fora, se ajeitando na cadeira e apontando o cano para o pé machucado de Xavier. – Três segundos pra contar “o que nem sabe que viu direito” e com quem falou sobre isso. E se for meia história, vou lhe dar um motivo pra não correr mais quando vir algo que não tem certeza. – falou, olhando o rapaz no meio dos olhos. – Três.

Xavier

- Num tô mentindo.

Xavier ainda retrucou, mas de novo, encolheu os ombros quando o outro apontou a arma na direção do seu pé que já não estava muito bom, especialmente porque só era mais desgraça acumulada para aquela semana e aquela cidade. E aquilo só lhe fez lembrar da série de desgraças que tinha passado por causa daquela porcaria de situação no porto.

- Eu já disse que não sei! - a resposta veio com um pouco mais de ímpeto do que precisava, e ele mordeu os lábios com a pressão da contagem regressiva. - Eu tava fazendo o meu trabalho, tá, e quando voltei pra os contêineres, eu passei pelo caminho errado e eu só vi um monte de cara que eu não conhecia. Eu num vi o que tava no contêiner, e tinha uns caras... armados... e eu saí correndo.

Ele suspirou pesadamente. O olhar estava bem indiscretamente fixado no cano da arma apontado para o seu pé, ao menos era para o pé. Não tinha muito que dizer além de esperar que ele acreditasse na história e era bem capaz de já ter apagado metade do que tinha visto da memória, porque a única coisa que lembrava era do medo de morrer por ter visto a cena. E pelo visto estava prestes a morrer.

- Eu fui parar no cemitério e caí numa cova. - apontou o próprio pé. - Achei que o coveiro queria me matar também, mas é só um cara estranho que pagou o táxi pra mim.

Zazou

Zazou até pensou em contar o dois, mas nem precisou, o rapaz lhe deu uma resposta bem mais assertiva de que não sabia, o que lhe fez arquear uma sobrancelha. Aquilo era pura reação e sentimento. Uma pessoa em seu perfeito juízo, mentindo para ele, não teria coragem de gritar na cara dele daquela forma, especialmente com uma arma apontada para um pé inchado.

Deixou que ele continuasse a história sobre a ida até a funerária e ter caído na cova, o que era tão ridículo que até deu um riso pelo nariz em um breve momento, descrente pelo azar do rapaz. Recém-chegado em Gris, corrido do trabalho por causa de um susto com umas pessoas armadas, fugiu para um cemitério, caiu em uma cova e machucou o pé. E aí voltou pra casa para encontrar o líder dos caras armados questionando ele com uma arma.

- Você é muito fudido, moleque. – foi só o que Zazou disse antes de guardar a arma devagar de volta nas roupas e desencostar da cadeira, apoiando os antebraços nos joelhos para olhar Xavier de uma posição menos ameaçadora. – Olha. Vou te ensinar rapidão como funciona Gris: se vai ficar aqui, nenhum dos meus mexe com você. E se mexerem com você, pode me falar, ou falar ao Titi. Mas não com a polícia. A gente odeia a polícia. Você fecha o bico sobre o que a gente faz, o que a gente carrega, o que a gente trafica, e a gente te deixa em paz e seguro. O que cê viu no porto... cê vai ver de novo. E vai ver outras coisas. Crie colhões, Gris é assim.

Zazou levantou da cadeira, encarando Xavier porque talvez ainda precisasse ficar mais claro para ele no que estava se metendo.

- Se souber viver com isso... se não tiver opção, seu fudido, Gris cuida de você. Mas cuide de Gris também. – Zazou acrescentou, esperando que o garoto lento estivesse entendendo o que estava explicando de modo muito claro. – Nada. De. Polícia. Entendeu? A gente resolve. E se você chamar a polícia, pode ter certeza que não bato na sua porta pedindo pra conversar. Cê vai sonhar com uma bala bem aqui. – levou o indicador até a têmpora, batendo nela um par de vezes para indicar onde ía a bala. – Alguma pergunta?

Xavier

Xavier nem conseguiu esconder muito a expressão de abuso quando o criminoso ainda reforçou que ele era "muito fudido", ele estava sendo irônico, já que estava ali para fuder ainda mais a sua vida nova que devia ter sido tranquila?

Logo ele explicou como é que funcionava o tal bairro em que tinha ido morar, já sabia que era um lugar de baixa renda, mas até fazia mais sentido o valor ter sido tão baixo se tinha um maluco controlando o lugar. Xavier já não gostava muito daquele submundo de tráficos e chefes de gangue e coisa do tipo - e aquele na sua frente era bem exótico -, já tinha passado por muita dificuldade justamente pra pagar empréstimos. Mas se podia ficar ali, vivendo a sua vida em paz, sem ter que se meter com ninguém, tão melhor que ninguém viesse se meter com ele também. Parecia um problema a menos. A matemática simples na sua cabeça funcionava.

Ele se inclinou para trás quando o tal Zazou se levantou. Ao menos a arma não estava mais apontada em sua direção. E até para ele era bem simples de entender que não era para chamar a polícia - nunca tinha se dado bem com eles também, no fim das contas. Só concordou com um aceno de cabeça e encolheu os ombros com a proximidade para que ele batesse com o indicador em seu rosto, deixando bem claro que ia lhe matar se fizesse o contrário.

- Não. - respondeu logo sobre ter alguma pergunta. E naquele instante, só queria que o maluco saísse do seu apartamento para poder descansar. Cerise era muito cansativa.


Zazou

Tinha tomado o rapaz por bem lento no princípio, mas até que no prolongar da conversa entre os dois – se é que aquilo podia se chamar de conversa – o tal garoto começou a perceber como tudo funcionava, o que deixou Zazou agradado, pois só assim não tinha que se repetir, e tampouco enfiar uma bala na testa dele. E tudo culminou em um entendimento assumido e nenhuma pergunta a mais, o que era quase música para os ouvidos do líder da gangue de Gris.

- Bom. – foi o único elogio que poderia dizer ao aprendizado gradual do rapaz enquanto estavam ali na casa dele. Podia ter destruído muito mais, mas pelo visto o próprio Xavier tinha se poupado daquilo lhe dando a resposta que queria. – Precisar, já sabe. Procure por mim ou pelo Titi. E tenha um problema de verdade antes de vir atrás da gente.

Não precisava nem completar com uma ameaça, tinha certeza que Xavier já sabia perfeitamente o que queria dizer. Zazou se espreguiçou um instante e então seguiu até a porta, um pouco mais calmo que não havia nenhuma polícia agendada para aquele mês. E se houvesse, por acaso do destino, Xavier reganharia o apelido de “fudido”.

O traficante saiu tão rápido quanto entrou, saindo pela porta e chamando o tal Titi para acompanhá-lo finalmente, enquanto iam embora. Tinha muito o que resolver ainda, e nenhum tempo para desperdiçar desejando boas vindas a um garoto há um bairro que ia ensinar muito a ele ainda. E de preferência, tudo resolvido apenas entre eles.

[Thread encerrada]


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[Drive] Bem vindo a Gris! [Zazou; Xavier] - by Lil - 09-22-2021, 02:59 PM

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