Childcare [Irina]
#1
Xavier

O último roxo estava melhorando finalmente ao redor do olho esquerdo de Xavier. Tinha passado uma bela semana para que aquele machucado sarasse, mas ao menos estava de vida nova e emprego novo. Tinha chegado em Cerise havia apenas dois dias, depois de uma mudança conturbada e de ter conseguido quitar as dívidas que tinha em Paris. Queria só sumir do mapa com seu pai, e até ele estava mais tranquilo naquela semana de mudanças. O apartamento era pequeno e mal dava para ele e o pai morarem, e a mudança de uma casa em Cerise para um kitnet tão apertado talvez fosse um pouco complicada para o mais velho.

Naquele domingo, saiu pela manhã para poder conhecer um pouco mais da cidade e do que tinha ao redor. Precisava economizar bem e ter locais acessíveis perto do apartamento para que o seu pai pudesse visitar também. A cidade era pequena e bonita, e as pessoas lhe notavam com mais facilidade num local pouco populado principalmente pela expressão completamente fechada e o resquício do roxo no canto do olho. Passou por um pequeno mercado perto de casa, por algumas praças e alcançou uns lugares mais movimentados perto do centro, desviando um pouco do caminho que fez no dia anterior até o porto, onde estava trabalhando.

Passou por alguns homens mal encarados que pareceram não gostar da sua expressão, mas apenas os ignorou e seguiu seu caminho. Mais próximo do rio, num lugar que havia mais lanchonetes e até uma floricultura, havia pessoas mais amigáveis e que se afastavam dele numa reação que ele apenas esperava. Parou só quando sentiu o toque leve em sua perna e se abaixou para pegar uma bola de futebol que tinha sido perdida por um garotinho a alguns passos de distância. Se abaixou para pegar o brinquedo e estender de volta e a reação que obteve foi uma expressão de choro e o menino prestes a abrir o berreiro sem ao menos pegar a bola de volta.

- Ei, qual foi, moleque?! To te dando a bola de volta, vai chorar por que?! Nem te bati!

Foi o suficiente para que o garoto desatasse a chorar, deixando Xavier completamente desnorteado.

Irina

Estava Irina andando tranquilamente pela cidade, visitando alguns lugares conhecidos da cidade, tirando algumas fotos, com seu celular de todos os lugares possíveis, até mesmo de vasos de planta, a animais que apareciam em sua frente, como tem feito nos últimos dias, desde sua chegada na cidade. Praticamente todas as estruturas da cidade a deixam impressionada, por ser diferente das cidades que ela tinha visitado com seus avós.

Enquanto tirava algumas fotos, Irina ouviu murmúrios de pessoas que estavam um pouco próximos a ela, sobre o homem com cabelo branco estranho que por ali estava passando. Um tanto discreta Irina olha ao derredor, tentando ver essa pessoa que está gerando tantos murmúrios com tons preconceitos. Não conseguindo encontrar essa tal pessoa, Irina guarda seu celular, e segue para a área onde estavam as lanchonetes, que ficavam ali próximo.

Seguindo em direção a área das lanchonetes, Irina vê aquele tal homem de cabelo branco estranho bem mais a frente, como também vê as pessoas, procurando ficar o máximo de distância dele. Ao ver o homem de cabelo branco estranho parar e abaixar para pegar alguma coisa, Irina segue em frente e passa do lado dele, e ao olhar para o lado que ele estava vê o homem que estava com uma marca roxo no rosto, entregando a bola de uma criança, nesse momento Irina pensa: “Então é isso? estavam fazendo comentários toscos só por causa do olho roxo? Ele é só uma pessoa normal. As pessoas dessa cidade são … .” Sua linha de pensamento acaba sendo interrompida ao escutar o choro da criança.

Irina para por alguns instantes e volta, indo em direção a criança que estava chorando, e ao homem estranho. Ao chegar onde eles estão, Irina pega a bola das mãos do homem, rapidamente ela fala um tom educado: - Com licença Tio! - Coloca a bola no chão e começa a fazer algumas manobras de futebol para chamar a atenção da criança. Que acaba parando de chorar e fica olhando para Irina com as manobras de futebol. Enquanto faz as manobras, Irina rapidamente olha pro homem estranho, com um sorriso, tentando parecer simpática para com ele, e faz um sinal para ele seguir em frente.

Xavier

Xavier apenas rangeu os dentes com o choro do menino, não tinha feito nada para que ele reagisse daquele jeito e antes de pensar no que fazer, uma mulher se aproximou até pegar a bola de sua mão.

- Ei, o q-!! - estalou a língua no céu da boca enquanto a mulher se ocupava com a bola de futebol para fazer algumas manobras e distrair o menino que parou de chorar.

Tinha que ser uma criança mesmo, para fazer aquele tipo de exagero e alvoroço por nada. A mulher lidou mais rápido com o menino chorão e ainda lhe encarou de volta, sorrindo, fazendo sinal para seguir em frente. Fechou mais a expressão com a simpatia de graça, o rosto ficando levemente vermelho pelo fato de que tinha sido ajudado por uma garota depois de ainda ter feito uma criança chorar, mesmo que sem ser de propósito.

- Tch, eu não pedi ajuda! - ele retrucou com a mulher, enfiando as mãos nos bolsos para voltar ao seu caminho. - E essas crianças choram por nada.

Ele desviou dos dois para continuar andando, era melhor desistir de andar para conhecer a cidade e voltar para casa, o passeio de manhã era uma péssima ideia com aquele monte de gente lhe julgando literalmente pela sua cara.

Irina

Enquanto faz as manobras de futebol, Irina responde ao Homem de Cabelo Branco; -Você não precisava pedir ajuda, tava na cara que você sabe lidar com crianças, Tio *risos*. Irina faz um passa a bola pra criança que estava chorando, e se despede dela. Então Irina segue em direção ao Homem de Cabelo Branco, cutuca o ombro dele para chamar a atenção, passa para a frente dele e acena enquanto caminha. - Por nada Tio! Melhoras pro seus machucados, dizem por aí que um salmão gelado na cara, ajuda a melhorar isso aí. Ah! Você não me pediu ajuda, mas você tem cara de que precisa de uma “mão”! Irina chegue caminho, indo em direção ao ponto de ônibus mais próximo.

Xavier

Xavier só bufou ainda mais quando a garota fez questão de reforçar que mesmo que não tivesse pedido, já era óbvio que ele não sabia lidar com crianças e que precisava de ajuda. Com as mãos ainda enfiadas no bolso, olhou ao redor para tentar decidir por onde seguir, se continuava sua empreitada pela vizinhança na cidade nova ou se achava um caminho diferente e prático para voltar para casa.

Mas parou no meio do caminho quando sentiu o toque em seu ombro, a mesma garota de antes passando pela sua frente para lhe devolver um “por nada” pelo qual ele não tinha agradecido.

- Eu não preciso de ajuda, nem de conselho, e pare de me chamar de tio! Eu não sou velho! - bufou em uma resposta irritada, entredentes.
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Childcare [Irina] - by Xavier - 09-25-2021, 10:53 PM

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