09-27-2021, 04:00 PM
Soren
Soren observou enquanto os papeis passavam pelos alunos que prontamente escolhiam suas partes. Não parecia que daria qualquer problema e todos estavam dispostos a colaborar. O comentário de Mathew despertou uma risada breve de Aleksei e voltou a olhar para o aluno problemático.
- Que surpresa, o nerd gordo alérgico a sexo. - ele fez questão de comentar em alto e bom som, ao se colocar de pé e pegar mais um cigarro, parecia fazer aquilo para lhe irritar.
Tirou o cigarro das mãos do outro de novo.
- Eu já disse qu--
- Eu já ouvi. - Aleksei deu um passo ágil na direção do presidente até se aproximar o suficiente das costas dele e encostar o queixo no ombro alheio. - Então é com você que eu tenho que dormir?
Soren desvencilhou imediatamente do grego que continuou se divertindo da cena geral, disfarçando como conseguia o calafrio que percorreu o corpo com a proximidade alheia.
- Falta mais alguém para sortear? - a pergunta de Benjamin foi bem feliz para desviar a atenção da sua situação.
Tamotsu
Vivien e Abel riram discretamente no centro do palco, entretidos com o comentário de Aleksei. Enquanto isso, outra confusão se desenrolava na platéia.
- Eu não vou puxar porra de papel nenhum! - Tamotsu rosnou para o garoto que levava as coisas do sorteio. Era o último a ter que escolher um papel para si.
- Não precisa. Você vai ser o Atchim. É o único que falta.- Ulrik respondeu.
- Vou ser anão nenhum esse caralho! - inclinou-se para frente, rosnando.
- Aceite seu papel com dignidade.
- Ou então o que? - Tamotsu desafiou, mas também sentiu uma leve aura de intimidação, especialmente ao ver o outro lamber os lábios brevemente e lhe encarar com a expressão séria. Mas não era covarde.
- Se você for mais colaborativo na base das ameaças, garanto que não vai se arrepender por esperar uma minha. - respondeu simplesmente.
Abel entrou em pânico momentâneo. Provocações como as de Aleksei eram melhores que a tensão entre os outros alunos.
- Erm... n-não briguem... é só... uma peça boba... e...
Tamotsu olhou para o papel na mão do outro e rapidamente o pegou, então levantando dali em direção a saída, se lixando se iriam discutir os papéis. Abel até respirou aliviado com o fim da tensão, e Ulrik voltou ao seu lugar, quieto, calmo.
- T-talvez seja melhor... continuarmos amanhã? Todos dispensados! E leiam os textos!
[Fim do primeiro ato]
Skurai
E em algum lugar da Academia, um grupo peculiar se junta.
[Início da Cena 1]
Estrelando: Soren, Dieter, Abel e Benjamin.
*Claquete*
Benjamin
Como sempre, não tinha muito trabalho no Conselho Estudantil, exceto seguir as indicações e fazer o que César precisava. E Benjamin estava sempre disposto a atender os mandados do presidente do Conselho. Por isso tinha acabado por entrar na peça para ser os olhos e ouvidos do mais velho, e no meio tempo, podia passar as informações com o presidente do Conselho Disciplinar também. Assim que aproveitou para pegar algumas pastas de alunos de clubes que tinham saído da detenção para levar até Soren.
- Boa tarde, Soren. César me pediu para trazer essas fichas de clubes. São de alunos liberados para participar do festival. - disse, estendendo as pastas para o rapaz.
- Hm. Vou dar entrada. - conferiu as pastas por cima, segurando-as debaixo de um dos braços. - Alguma coisa sobre aquela peça idiota?
- O primeiro ensaio é amanhã... - Benjamin apenas sorriu sem graça diante do comentário de Soren.
- Pelo menos é mais fácil dar conta de todos esses delinquentes num lugar só. - ele suspirou resignado diante de mais uma risada do secretário. - Mais alguma coisa?
Dieter Rupert
Dieter estava em polvorosa, se não podia fugir, então iria se juntar a eles, ou a quem quisesse sua companhia, e como o Teatro teria sua companhia forçada por algumas semanas, nada mais justo que mergulhar no trabalho e tentar tornar aquilo menos pedante para todos.
Tinha pensando em como dar algum efeito especial a peça sem graça, algo além do simples gelo seco, talvez algo que causasse uma fumaça colorida ou tivesse um cheiro estranho. Discutiu as ideias com o aluno de teatro - em bem verdade o contagiou - sobre como seus experimentos poderiam tornar aquela peça mequetrefe em quase um show da broadway. Mas ai tinham os impedimentos, tinham de falar com os carcereiros, e isso significava tentar convencer os conselhos.
- Oh sim Sosô, uma não, mas umas duas ou três coisas. Tem tempo? Sempre, não é? Tão atencioso e prestativo com todos os alunos! - sorriu amarelo, já passando o braço pelo ombro de Benjamin de forma extremamente casual - Benjin, lindo como sempre, me ajude aqui com seu quase chefe. - virou-se para Soren com aquela cara de quem chupava um pomar de limões todos os dias, sabia que ia ser um trabalho árduo convence-lo, precisava de toda ajuda possível ali.
Abel
Abel tinha ouvido todas as maravilhas científicas de Dieter nos últimos minutos, e estava decididamente convencido que aquelas coisas só poderiam vir dos devaneios e sonhos de um cientista maluco. Mas isso que tornava tudo tão interessante. Se tudo que ele havia proposto desse certo, poderiam dar a volta por cima naquela peça, assim como em outras por vir.
- Sosó- digo! Monsieur Halstein, monsieur Rupert trouxe maravilhosas ideias para a peça! - falou com uma animação digna de uma criança, os olhos escuros brilhando. - Podemos ter fumaça com cores vivas, efeitos de iluminação que só poderiam sair de um sonho... cheiros...! Ahhh, monsieurs Eu faria fantasias lindas para combinar com os cenários criados por monsieur Rupert! - completou, segurando-se para não dar um gritinho. - Isso pode animar todo mundo para a peça. Ontem ninguém pareceu muito colaborativo, você bem sabe. - isso foi um tanto decepcionante para si, pois amava o teatro. - Quem sabe fazemos fumaça o suficiente para que monsieur Vlahos esqueça que precisa fumar!
Soren
Benjamin mal teve tempo de responder mais detalhes sobre o Conselho Estudantil, quando ouviram a voz estridente de Dieter acompanhada da de Abel numa enxurrada de informações sobre as possibilidades de efeitos especiais na peça. Soren apenas sorriu diante da empolgação dos dois novos alunos - um sorriso bem falso para quem já estava acostumado -, mostrando-se atencioso e prestativo como o rapaz tinha dito. Dieter não explicou muita coisa, Benjamin ainda fez uma expressão surpresa com todas as possibilidades que Abel tinha explicado, mas Soren apenas continuou com o mesmo sorriso de presidente.
- Você não estaria tão empolgado se soubesse a quantidade de explosões e de danos a materiais pelos quais o Sr. Rupert aqui já foi responsável, Abel. - comentou ao membro do clube de teatro, mantendo o sorriso amistoso. - Mas o Conselho de Diretores gosta da quantidade de prêmios, então não podemos reclamar de todos os materiais repostos constantemente, não é? Então, por que não continuamos a peça na mesma segurança de antes? Nada de fumaça colorida e Aleksei não vai fumar durante a peça, não se preocupe.
Dieter Rupert
Dieter manteve o braço ainda sobre o ombro de Benjamin enquanto escutava todo o falatório de como era um aluno destruidor do patrimônio da poderosa Academia. Mas o que era a ciência sem riscos? As vezes imaginava com o que o Soren divertia o seu tempo ele precisava de atenção ou de algum brinquedo novo, algo colorido que sacudisse pra afastar o mal humor.Encarou Benjamin, apontando acusadoramente para Soren: - ta vendo porque eu disse que precisava de ajuda. - largou o secretário para se aproximar do presidente do conselho disciplinar, mas não tirou o mesmo nível de ousadia, simplesmente porque estava ali pra tentar convence-lo - além de lá no fundo saber que não se abraça cobras -
- Sosô, não seja assim tão negativista! Nem ouviu minha ideia ainda, e juro que consigo fazer fumaça sem precisar de fogo, logo sem causar incêndios ou explosões. - o moreno fechou a mão parecendo empolgado, com o tipo de expressão que era típica de quando ia realmente explodir alguma coisa: - precisamos de emoção Sosô! Emoção!!
Abel
Certamente que Dieter não tinha falado nada da parte de explodir coisas da escola constantemente. Isso fez com que o membro do clube de teatro erguesse a coluna e arregalasse os olhos um pouco, olhando de Benjamin para Soren como se tivesse acabado de ouvir alguma novidade.
Porém ainda gostava da ideia da fumaça colorida. E de luzes. E de coisinhas que o clube de teatro nunca tinha feito. Colocou as mãos a frente e moveu-as como se estivesse pesando algo em uma balança invisível, ignorando momentaneamente o sorriso completamente cheio de educação (porque imaginava que ele apenas queria mandar ambos à merda).
- Monsieur Halstein, o monsieur Rupert tem razão. Ele pode ser maluquinho, mas a peça vai ser um completo desastre sem EMOÇÃO! - exagerou a expressão, então agarrando Dieter por trás para se proteger da ira de Soren, enfiando a cabeça por baixo do braço dele como se estivesse com uma armadura. - E está faltando muita emoção aí no seu coraçãozinho. - comentou, fazendo um leve bico. - Além do que, se explodirem alguns alunos, você vai poder ter uma folguinha dos encrenqueiros! - sorriu amarelo, apenas fazendo piada. - Ahhh, vai... deixa pelo menos a gente testar. Até entrego um ofício e um relatório de 30 páginas para você reportar. - se escondeu mais uma vez por trás de Dieter, antes de encostar o queixo no ombro do outro. - Preciso vir de terno para você aceitar? Preciso, Mr.Vaughn?
Soren
Soren suspirou discreto, sabendo que mais justificativas e insistências viriam. Até Benjamin deu de ombros, olhando com um sorriso amarelo da dupla para o presidente do Conselho Disciplinar.
- Bom... não custa nada deixá-lo testar, não é? É a área de especialidade dele. - Benjamin tentou defender a ideia. Embora estivesse ali para ajudar o Conselho Estudantil, sabia que Soren podia ser bem inflexível.
E ele apenas observou as explicações dos outros dois, deixando uma risada breve escapar aos lábios quando eles tentaram enfatizar as emoções da peça.
- E não é decepcionante que justo o aluno do clube de teatro não acredita que os atores da peça possam expressar emoção suficiente com suas atuações? Eu sei que não tem os atores mais excepcionais, mas se nem você acredita neles, acho que a peça está fadada a falhar. - deu de ombros como se fosse uma grande decepção. - E você conseguiu danificar materiais mesmo sem coisas inflamáveis, Sr. Rupert, não esqueça.
Dieter Rupert
Dieter apenas se deixou ser usado como uma muralha por Abel, embora nem fosse assim tão grande, não era como se Soren e Benjamin fosse do tipo ofensivos que precisasse de proteção física. No máximo precisariam de soro antiofídico para as próximas palavras do presidente do conselho disciplinar.
Dieter riu de forma exagerada quase caricata como se estivesse imitando um vilão maligno de algum seriado infantil, e ainda moveu as mãos imitando o gesto característico de vilão: - so faltou isso pra completar a cena. - o moreno comentou em relação as palavras de Soren seguido do sorrisinho de canto de boca: - falta muita emoção nessa Academia toda, não só na gente, ou no teatro, ou mesmo no festival. Mas vamos lá Sosô, acompanhe meu pensamento se puder: - o moreno brincou, embora devesse levar toda a situação a sério se queria realmente convencer o outro sujeito de alguma coisa:
- Primeiramente, esse tipo de efeito de fumaças coloridas pode ser descrito de forma técnica, é um experimento que uma criança pode fazer em casa, quem dirá vários jovens adultos. Segundo, se pensar de forma mais profunda que a superficial, o máximo de ruim que poderia acontecer seria que nós, pessoas carinhosamente escaladas para essa fantástica atividade nos divertiríamos fazendo ela, e sei que isso não é do seu interesse imediato, no entanto, se a peça for tão incrivelmente péssima como todos imaginam que vá ser, como ficaria os conselhos? Afinal, não é culpa do clube de teatro se um bano de não atores executa uma peça ruim, no entanto, se algo organizado e vistoriado tão de perto pelos dois conselhos a ponto do próprio presidente do conselho disciplinar tomar do seu precioso tempo para vistoriar, for tão incrivelmente medíocre, como as pessoas vão olhar para o tipo de acompanhamento dos conselhos? Será que vale mesmo a pena colocar toda uma bela carreira de conselho bem visto a perder por um bando de péssimos atores? - Dieter respirou em seguida, depois de falar tanto, e arrumou os óculos no rosto, cruzando os braços em seguida esperando uma resposta do saudoso Sosô.
Abel
Abel franziu a testa quanto ao comentário de Soren.
- Monsieur, você que está no Conselho Disciplinar sabe muito bem que tem muita gente sem conserto no mundo. Eu estou tentando atuar como professor, não encenando Jesus Cristo. – falou, fazendo um sinal claro de que só um milagre iria fazer com que todos aqueles alunos aprendessem a atuar, suas falas e ainda fossem colaborativos até o final daquela semana.
Dieter então completou a linha de raciocínio como se fosse um vendedor de porta em porta insistente. Ele não dava razões pouco convincentes como se fossem as mais importantes, porém, pode logo ouvir as mais importantes depois. Como se não fosse nada, o outro aluno ameaçou o conselho de fracassar miseravelmente também com aquela peça, de modo muito convincente. Olhou para Dieter até surpreso, pois não imaginava que o aluno cientista modelo da academia teria tanta maldade no coração, mas isso... honestamente, era até interessante.
- Difícil lavar as mãos assim. – pontuou com um ar entretido, ainda olhando atento para Soren e Benjamin, esperando um parecer. É, talvez Dieter conseguisse um milagre.
Benjamin
Benjamin até se surpreendeu com a vivacidade da dupla e a tentativa desesperada de convencer Soren a ajudá-los naquilo. Não conhecia o presidente do Conselho Disciplinar tão bem, mas até estava começando a se convencer de que eles podiam fazer algo de interessante para a peça. Olhava cuidadosamente de Dieter e Abel escondido para Soren, como se estivesse analisando a expressão do presidente, sem deixar de notar como o sorriso agradável dele lentamente começava a sumir. Talvez não fosse um bom sinal, especialmente depois de toda a explicação de Dieter e de como aquilo ia cair na imagem dos Conselhos.
- Se é uma coisa que crianças podem fazer, eu acho que não é um problema... - Benjamin tentou intervir mais uma vez, afinal, ele ainda era a única pessoa do Conselho Estudantil... embora tivesse a impressão de que César talvez não aceitasse.
Finalmente, depois de toda a insistência e do longo discurso de Dieter, agora sem estar com aquele sorriso ensaiado, Soren suspirou longamente, olhando do aluno de ciências para o de teatro.
- Certo, vocês podem tentar. - respondeu finalmente, mais condescendente. - Mas se algo der errado, Dieter não vai poder acessar nenhum laboratório dentro da Academia por três meses, o mesmo para Abel e o teatro. Agora, se me dão licença... o ensaio é depois das aulas, senhores.
Fez apenas um aceno e lançou aquele sorriso mais amigável para se retirar do local, desfazendo a expressão para uma de desagrado de novo quando estava longe o suficiente. Benjamin apenas sorriu da atitude, voltando-se para Dieter e Abel.
- Ele não é tão ruim quanto parece... - deu uma risada um tanto sem graça. - Eu também tenho que voltar para a sala do Conselho. Boa sorte para os dois.
Dieter Rupert
Sabia que tinha jogado muita coisa de uma vez nas mãos de Soren pra ele pesar, mas não desgostava completamente do presidente do conselho disciplinar, só tinha plena certeza que ele precisava de um relaxamento - seja lá qual for - pra colocar um pouco de emoção de verdade nos sorrisos de plástico. E ficou surpreso quando ele concordou, claro deixando os dois alunos bem avisados que teriam de arcar com os riscos:
- Não se preocupe Sosô, quem sabe você acaba gostando do resultado final. Obrigado. - Agradeceu em tom mais ameno, quase parecendo civilizado em seu agradecimento. Mas apenas esperou que o outro se afastasse para comemorar devidamente, erguendo os braços acima da cabeça com uma expressão de plena vitória.
E então virou-se para Benjamin, passando o braço pelo ombro do sujeito, e dando tapinhas amigáveis na altura do peito do loiro: - Muito Obrigado Benjim, sem sua ilustre participação não teríamos conseguido convence-lo. - Então se afastou de súbito apontando pra ele com uma expressão decididea - que podia ser compreendida facilmente com loucura. - Espere e verá! Espere e verá Benjim! - em seguida riu descontraído: - Vai lá, não vamos mais te atrapalhar, vai lá, antes que o "Ave Cesar" te encha os ouvidos.
E então virou-se para Abel, mantendo a empolgação em toda a sua linguagem corporal exagerada: - E enquanto a nós! Temos muito trabalho pra fazer, se antes eu queria fazer isso só porque estava entediado, agora quero que fique ótimo, só pra ver a cara de surpresa de todo mundo com os resultados. - Sorriu travesso, no fim das contas estava se lixando pro castigo ou pra o que quer fosse, queria mesmo era fazer algo pra deixar todos completamente surpresos.
Abel
Benjamin era um alento naquele momento de tensão com Soren. Ele também parecia ser compreensivo quanto a situação de todos naquela peça, enquanto o presidente do conselho disciplinar parecia mais concentrado passar o julgamento na maneira leviana de todos de tratar o castigo.
Quando ele cedeu, abriu um sorriso largo, que foi logo desfeito ao ouvir que se fracassassem, teria que ficar longe do teatro por 3 meses. Era um tremendo castigo para algo que estava fazendo de favor para os conselhos, já que tinha seu papel no festival escolar. Quase prendeu a respiração enquanto assistia o moreno ir embora. Era um bolsista, não podia ficar longe do teatro por tanto tempo. Porém, também tinha que entender que estava fazendo uma aposta ali. E se não acreditasse em Dieter? E se fosse dar tudo certo e acabasse atrapalhando os outros? E o pior, se desacreditasse neles? Mas e se desse tudo errado?
Tentou falar algo, mas viu a pose de vitória de Dieter e se sentiu um tanto envergonhado pelos próprios pensamentos. Precisava decidir se confiaria no outro ou não, e ele até lhe passava certa confiança.
- O-obrigado, Benjim. Oops! Benjamin... monsieur Vaughn. – adicionou antes que Benjamin fosse embora, então respirando fundo para recuperar sua confiança. Abriu os olhos escuros e então ergueu os braços. – Isso aí! Vamos mostrar para eles uma peça espetacular, monsieur Rupert! – animou-se, então agarrando Dieter por ambos os ombros, a expressão animada indo a uma desesperada em instantes. – Mas que isso dê certo mesmo, que eu também sou bolsista e eu juro, que se você estiver mentindo para mim eu vou chorar na porta do seu dormitório.
Skurai
*Claquete*[Fim da cena um.]
Outro dia em St. Clavier, o mesmo grupo coagido selecionado pelo Conselho Estudantil se junta para o segundo ensaio.
[Início do primeiro ensaio oficial]
Papéis:
Caçador - Abel
Rainha Má - Vivien
Branca de Neve - Aleksei
Espelho - Lei
Príncipe Encantado - Dieter
Mestre - Wilbert
Dengoso - Ulrik
Atchim - Tamotsu
Feliz - Feliz
Zangado - Mathew
Dunga - Ciel
Soneca - Benjamin
Benjamin
Como sempre, não havia muito trabalho a fazer no Conselho Estudantil para ele. Mesmo na época do festival, os outros membros do Conselho estavam ocupados correndo de um lado a outro, cuidando das burocracias administrativas, entrando em contato com fornecedores, fechando orçamentos e preparando as reuniões. Como secretário, não precisava se preocupar com muita coisa além de deixar o cronograma organizado e fazer as atas das reuniões assim como os avisos. Por isso tudo estava terminado com antecedência e podia ir direto até o ensaio da peça de Branca de Neve. Não se surpreendeu por ser o primeiro a chegar ao teatro, um pouco adiantado, mas estava começando a se perguntar se o conjunto estranho de alunos apareceria ou não ali.
De qualquer jeito, precisava ficar a par de tudo e o presidente do Conselho Estudantil tinha reforçado mais uma vez a necessidade de ficar de olho naqueles alunos - alguns mais especificamente do que outros -, e lhe reportar qualquer coisa errada que decorresse da peça. Ao menos podia se divertir, talvez?
Mathew
Respirou fundo várias vezes para recobrar o próprio fôlego ao se apressar para chegar na horário certo para o ensaio. Estava cansado, como se costume, pela quantidade de afazeres que sempre arrumava para si próprio, mas não era como se isso afetasse seu humor completamente, apenas sua saúde. Chegando no local de ensaio, pensou ser o primeiro a chegar, justamente por ser tão pontual com seus compromissos, mas logo avistou o rapaz que era responsável pelo conselho estudantil, o tal inglês.
- Boa tarde, senhor Vaughn! - cumprimentou-o, esboçando um sorriso educado como sempre. O sujeito não era desagradável, era até bastante educado. Às vezes achava que ele era algum tipo de vampiro, por ser inglês, pontual e bem educado. Ele também tinha uma boa aparência, o pacote correto para o conselho estudantil. - Desculpe se me atrasei. Pensei estar no horário correto.
Adiantou-se a pedir desculpas, pois se ele já estava ali, deveria estar fora do horário. Na dúvida, conferiu com seu relógio de pulso o horário correto e, para sua surpresa, estava dentro do horário.
- Estou na hora certa! Por que chegou tão cedo, Vaughn? - questionou o inglês antes de se livrar de sua mochila de sempre nas costas para poder observar melhor o sujeito.
Vivien
Vivien havia pedido dispensa aquele dia das duas últimas aulas para poder treinar sozinho. Com o festival se aproximando, teria os jogos de exibição com o time de Rugby, mas graças a seu primo, seu tempo de treino após as aulas havia sido cortado para dar lugar a uma peça ridícula. Se não fosse muito bem quisto na academia, certamente teria um desempenho péssimo nos próximos jogos. Pior que ainda precisava treinar mais os passes, e só podia fazê-lo cedo pela manhã com os outros jogadores.
Chegou no teatro na hora, os cabelos ainda úmidos do banho rápido após o treino, pois não podia se deixar atrasar com gente do Conselho Estudantil apenas esperando captar suas falhas. Não fosse serem os olhos de César, deixaria aquele secretário lhe olhar o quanto quisesse.
Chegou logo atrás do gordinho, então tocando a cabeça dele e afagando os cabelos claros como se lidasse com um bichinho.
- Deve ser porque é o trabalho dele. – respondeu pelo outro, então sorrindo para Benjamin com um ar leve. – Mas está fazendo um trabalho maravilhoso. Não se preocupe. – brincou.
Dieter Rupert
Dieter tinha passado alguns dias bem ocupado, claro que dava atenção aos seus experimentos, mas toda a sua energia mental estava investida em pensar em como deixar aquela peça morta já do concebimento da ideia, para algo tão espetacular que faria todos se questionarem porque eles não eram o clube principal de Teatro. Claro que tinha tomado alguns cuidados de fazer os experimentos que fossem mais perigosos fora da Academia, mas no fim tinha boa ideia de como criar efeitos de fumaças controlados e coloridos, nada que um pouco de química, aliado a criatividade não desse jeito. Mas claro isso ainda dependia de acionamento de terceiros já que estaria atuando e ainda tinha de conversar com Abel, mas no fim das contas tinha de ir pro ensaio.
Chegou ao Local alguns poucos minutos antes do horário, só porque seu relógio biológico lhe impedia de deixar os horários passarem no esquecimento. Mas não estava tão arrumado, estava sem a gravata do uniforme, o terno estava sobre a bolsa cheia de tralhas, a camisa de botões estava fora da calça e dobrada até a altura do cotovelo. Os cabelos estavam totalmente desalinhados:
- Boa hora senhores, como estão? Cheios de disposição e energia para mais um ensaio Glorioso?! - acenou negativamente, rindo das próprias palavras - Benjin com a mesma expressão de bom menino, Kenny, querido Kenny, tomou seus antialérgicos? Não tenha uma crise no meio do ensaio. - Dieter largou a bolsa num canto se jogando em uma das cadeiras preguiçoso, tirando os óculos pra massagear o encontro dos olhos e bocejar: - Vivi, quase não lhe vi, foi porque tirei os óculos, perdoe a falta de finesse!
Abel
Abel correu para alcançar o teatro. Tinha lido o script e esperava que todos tivessem feito o mesmo, pois naquele primeiro ensaio, queria ter uma ideia de como eles interpretavam seus personagens. O texto em si era muito cru, tal qual o conto de fadas, mas quem sabe, como Dieter com seus efeitos especiais, com um pouco de improviso e personalidade, pudessem dar aos personagens uma cara que encaixasse mais com o grupo também. Queria que eles se divertissem. Seu pescoço dependia disso.
Entrou logo atrás de Dieter, notando que haviam poucas pessoas ali. Mas era o suficiente para começarem alguma cena, quem sabe. Carregava consigo uma sacola de props.
- Boa tarde! Fico feliz que tenham chegado cedo. Temos muito o que fazer hoje! – cumprimentou-os, colocando a sacola sobre o palco, notando brevemente que o St. Clavier de nome naquela sala tinha olhado Dieter torto por um instante. – Um, dois, três, quatro... cinco comigo... bom, dá para fazer algo. Leram o script?
Ulrik
- Seis. – a voz soou de detrás da cortina, nos bastidores do teatro. Abel deu um sobressalto. – Eu estava aqui há um tempo já.
Ulrik saiu de detrás da mesma vestindo um chapéu de cone com o uniforme perfeitamente alinhado, o que dava uma impressão até engraçada para o que inicialmente pareceu ser um caso de Fantasma da Ópera. Ele era furtivo, e isso ficava claro de agora. Mas não parecia ter muito senso comum.
- O-O que você estava f-fazendo escondido ali esse tempo todo? – Abel perguntou automaticamente, mas tinha medo da resposta.
- Observando. – Ulrik respondeu de modo tranquilo, sentando-se então em uma cadeira e cruzando as pernas de modo tranquilo. – E estudando meu papel. Não sou bom atuando.
Bom, mas nenhum deles era de fato.
Benjamin
- Eu tenho que chegar cedo por conta das tarefas do Conselho Estudantil, você não está atrasado. - Benjamin respondeu, mas não teve muito tempo de prolongar a conversa com o nerd, concordando com um aceno de cabeça e um sorriso discreto diante do comentário de Vivien.
E mal Vivien entrou no teatro, foi seguido pelo animado Dieter, Abel e até mesmo Ulrik, que lhe surpreendeu ao sair detrás da cortina. Não tinha percebido a presença do rapaz ali, mas ao menos a maioria dos interessados estavam lá. Era estranho que o presidente do Conselho Disciplinar ainda não tivesse chegado.
- Já li o script. Não vamos esperar os outros chegarem? - Benjamin perguntou, adiantando-se até o único que entendia de teatro ali. Na verdade, tinha que manter um bom registro de todos os que estavam presentes na peça para que houvesse a punição necessária depois, palavras de César.
- Sinto muito pelo atraso. - o anúncio veio da entrada do teatro, com Soren ajustando o terno bem alinhado do uniforme e acompanhado de Aleksei. - O Sr. Vlahos aqui não lembrava o caminho para o teatro.
- Eu não sinto nada. - Aleksei estava com o uniforme mais ajustado do que da última vez, apenas o colarinho da camisa aberto, mas os cabelos estavam molhados e ele passou a mão nos fios lisos para colocá-los para trás, antes de se sentar numa das fileiras mais afastadas como se fosse apenas um expectador.
- Estão todos aqui? - Soren perguntou, dando uma olhada ao redor.
- Se mais ninguém tiver se escondido, creio que falta chegar Stephen, Lei, Tamotsu, Ciel e Wilbert.
Lei
Talvez Lei apenas fosse muito discreto, mas era bem pontual. O que estava lhe atrasando era o fato de estar seguindo Aleksei e Soren, que andavam muito mais devagar que ele, honestamente. Mas se chegariam todos juntos, não tinha porque passar.
- Presente. – Lei levantou a mão, diminuindo a conta de Benjamin de faltosos.
Vivien pareceu feliz com a chegada de Soren. Não pela chegada de Soren, claro, mas porque Aleksei aumentava a conta de pessoas bonitas naquela sala, mesmo que fosse descaradamente delinquente. Não conseguiu resistir a soltar um assobio discreto com aquela jogada de cabelo, mas seu favorito ainda era Benjamin, até por conta de todo o contexto divertido que seria vê-lo encarar César depois.
Abel juntou as mãos, satisfeito.
- Bom, não podemos esperar por todos! Assim atrasaremos muito o ensaio. Desde que a maioria dos papéis principais estejam aqui, podemos começar! – falou, animado, então pegando o papel. – Temos a Branca de Neve, a rainha má, o príncipe, o espelho e alguns anões. Podemos passar as primeiras cenas. Que tal um exercício de aquecimento?
Abel explicou animado os movimentos para aquecer a voz e o corpo, e como todos deveriam fazer gestos que lembrassem seus papéis. Não esperava nenhum milagre, mas já foi bastante progresso ver Ulrik beliscando as próprias bochechas para tentar ganhar alguma cor.
Wilbert
Wilbert chegou a tempo de ver o tal gordinho, Mathew, dar um passo para trás ao aparentemente notar a presença de Vlahos no ambiente. Ele não seria o anão Zangado? Queria aquele papel, seria tão mais fácil detestar aquela "Branca de Neve". Bem que podiam arrumar uma das meninas de Limoges para ao menos ser a protagonista ao invés do sujeito de cabelos molhados.
Caminhou até uma das primeiras fileiras de cadeiras do espaço, a julgar que mais cedo ou mais tarde teria de interpretar um daqueles caricatos anões. Deu de ombros, só queria se livrar daquele trabalho e ir embora. Não tinha nada o que fazer ali com aquele bando de alunos desocupados. Havia coisas mais urgentes com o que ocupar sua cabeça. Não fazia ideia do que Hinomura estava fazendo ali, deveria estar com ele treinando nos tatames, mas ao invés disso estavam ali, tendo de lidar com uma peça de teatro bem fora do comum.
Cruzou os braços e esperou que as primeiras cenas fossem ensaiadas, afinal de contas, o anão Mestre só aparecia depois que a "Branca de Neve" já estava na casa dos anões mineradores. Observou novamente o anão que deveria ser o "Zangado" tentar fazer uma cara de bravo no ensaio de aspirantes a atores daquele grupo distinto. Sua cara atualmente, mal humorado como de costume, era bem mais "Zangado" que o sujeito que parecia estar congelando o próprio cérebro depois de tomar uma colher maior do que a boca poderia segurar de um sorvete bem gelado.
- A-Abel! - ouviu o loirinho canadense chamando o sujeito de ar afetado. - Não é melhor trocar os papeis? Acha mesmo que eu deveria fazer o Zangado? Eu meio que fico irritado, mas não sei se minha cara fica boa o bastante para o papel. Eu tentei no meu quarto no espelho, mas não sei... o que acha? - o sujeito parecia deslocado, não muito diferente que a maioria ali.
- Ao menos é verdade que não gosta da Branca de Neve. - comentou casualmente, sequer se importando se alguém ouviria ou prestaria atenção em seu comentário, sua voz não costumava ser ouvida além dos momentos quando o professor lhe solicitava para que o fizesse. E qual não foi sua satisfação quando o gordinho pareceu constrangido com a verdade de que não gostava de Vlahos. O sujeito não se importava, de qualquer forma, não deveria deixá-lo constrangido por uma bobagem daquelas.
Aleksei
Aleksei apenas arqueou as sobrancelhas ao observar a tentativa de Abel de fazer com que os outros começassem a se "aquecer". Soren tinha sentado num lugar bem oposto ao seu e longe dos outros, com uma prancheta e anotações que começou a riscar.
Benjamin se juntou ao aluno de teatro para tentar aquecer também, embora não fosse lá essas coisas. O grego só olhou ao redor parando nas figuras interessantes até ouvir a voz do gordinho desesperado e do aluno emburrado. Aproximou-se por trás do nerd, as mãos nos bolsos, discreto o suficiente a ponto de encostar o nariz na nuca dele.
- Quer que eu te deixe zangado, gordinho? - soprou a nuca do outro, afastando-se só pra ver a reação e se divertir.
Mathew
Estava de fato sem saber como lidar com toda aquela situação de ter de interpretar um personagem. Tirando as vezes que havia sido convidado pelos outros nerds do internato para jogar RPG e sempre negava por estar muito preocupado com o próprio trabalho como babá ou com os estudos que tinha de terminar para as disciplinas que cursava, não fazia ideia de como fingir ser alguém. Na verdade, não gostava de ter de fingir ser alguma coisa. E não era lá um cara muito irritado, só se chateava com algumas injustiças às vezes.
- Ahhhhhhh!!!
Sobressaltou-se, pulando para frente para proteger o nariz e a boca. Sequer se deu conta da aproximação alheia enquanto esperava por uma posição de Abel que parecia ser o mais empolgado ali em guiar o ensaio. O problema não era só ouvir a voz do sujeito desagradável, mas o ar soprado em sua nuca, fazendo-lhe imaginar que ele estaria novamente com um cigarro na boca.
- I-Isso não tem graça! - levou as mãos até a própria nuca, procurando algo com a suspeita de que ele teria feito algo além de soprar sua pele. - Fique longe de mim! Não quero nenhuma ajuda de você!
Avisou ao sujeito, preocupado que ele fosse continuar a lhe provocar. Não queria brigar com ninguém ali, mas queria distância daquele garoto. Ele não parecia se importar com nenhuma responsabilidade e, diante do comportamento alheio, não estava interessado em nada além da própria diversão. Não gostava daquele tipo de aluno e nem queria se aproximar dele além do que a atividade julgasse necessário. Já havia tido um ataque de tosse desagradável o bastante no primeiro ensaio para divisão dos papeis.

