Meu Dia de Cerise
#2
Renaud

[“Responder ou não responder, eis a questão.” -- Renaud, Sasha]

Aquela semana tinha começado como o caos em sua vida, mas a sexta seguia morna, em verdade tudo estava meio “morno”. Não que desgostasse da sensação, era melhor que sentir nada, ou que estivesse tudo muito bagunçado para conseguir lidar, ao menos naquele “meio termo”, ia tentando voltar a sua rotina. Precisava de uma rotina, lhe ajudava a lidar com a ansiedade gerada por pequenas coisas que estavam fora do lugar e aos poucos ia lhe dando controle, mesmo que fossem coisas idiotas como: ir a aula como um aluno normal. Tinha praticamente faltado toda a semana, e mesmo que fosse um aluno muito bom, com notas altas, não podia se dar ao luxo de no final do ano letivo deixar tudo ir ralo abaixo. Mesmo que tivesse disposição nenhuma, ainda nem tinha terminado de arrumar o quarto, mas não estava com pressa, estava arrumando devagar como em um ritual de retomar o controle do lugar que agora lhe parecia estranho. Dormia lá, apenas para não abusar da boa vontade de seu irmão mais do que já estava fazendo. Por causa da aparência abatida, tinha sido liberado do treino de natação, e ainda estava sem cabeça para as atividades do conselho estudantil – estava evitando o lugar, e tinha plena consciência disso - mas tomaria seu tempo para digerir as situações e quem sabe, segunda tentasse ir lá? Não podia deixar Isaac com o pior período do ano, sozinho, ainda era sua responsabilidade também, e já era um amigo imprestável em outras instâncias, não queria ser naquele ponto também.

Diferente da programação noturna de estudar sozinho e trabalhar até tarde nos artigos e nos dados dos experimentos, o Blanco tinha sido chamado para repassar matéria com Sasha, afinal, ele tinha ido a todas as aulas que tinha faltado. Bem, não era algo tão estranho assim no fim das contas. Mas aos poucos a cabeça ia sendo ocupada com equações e números e ao menos se distraía das preocupações emocionais. Já tinham passado dos assuntos das aulas e agora Renaud falava do projeto de extensão que trabalhava na Paris-Sud, os experimentos contaminados e porque as duas últimas semanas foram estressantes por ter de apresentar uma explicação aos investidores de seu pai.

E quebrando o ritmo da conversa, o telefone do Blanco alertou a chegada de mensagem, sabia que o aparelho estava no silencioso, mas se tinha tocado, devia ser algo de seu pai lhe cobrando trabalho, e puxou o aparelho para si:

-- Falando nele, deve está me cobrando a revisão dos relat-…! – Renaud travou na fala ao passar o olho no visor do aparelho, vendo o outro número de prioridade que tinha lhe enviado a mensagem. Sentiu todo o sangue fugir de seu rosto e ficou pálido, o estômago revirou e sentiu um nó lhe enforcar na altura da garganta lhe impedindo de falar momentaneamente. Ficou tão atônito que o aparelho escorreu dos seus dedos de volta a mesa. Claro que a reação exagerada do Blanco chamou a atenção de seu irmão, ele puxou a cadeira mais próximo fazendo aquele som característico no assoalho de madeira:

-- Ei Renaud, o que houve? – Ele olhou para o Blanco com ares de preocupação, mas claro, a expressão mudou de pronto, quando o mais velho passou o olho no visor do Celular, vendo a mensagem piscando, mesmo sem o telefone ser desbloqueado. Renaud ainda estava travado como se todo o ar fosse concreto e duro demais de por pra dentro, e antes que conseguisse tomar coragem pra esboçar qualquer reação, viu o aparelho ser arrastado em sua direção.

O Blanco ergueu o olhar para encarar o moreno mais velho, que não estava nem um pouco contente, mas notou o irmão suspirar resignado, sem adicionar nenhum comentário. Voltou a atenção ao aparelho e só ouviu o som característico das rodas no chão de madeira, o que indicava que seu irmão tinha lhe dado espaço para responder. Segurou o celular com cuidado, como se fosse algo delicado, que iria quebrar se pressionasse demais e passou muito tempo ponderando, muitas coisas passaram por sua cabeça, e tinha tantos receios do resultado daquela conversa, poderia ter a confirmação de seus maiores medos, ou encarar uma situação completamente diferente. Estava suando frio e tinha noção daquilo, mas detestava a ideia de incerteza gerada daquela bagunça toda, engoliu em seco destravando o celular com a digital para só então começar a digitar uma resposta.

“Sábado, Telhado do prédio administrativo, 16hs. Estarei lá.
Att: Renaud Blanco.”

Depois de apertar em enviar, não sabia descrever como se sentia, não tinha qualquer palavra em seu vocabulário que servisse para descrever seu estado mental. Sabia apenas, que fisicamente estava cansado. Largou o aparelho sobre a mesa, levando a mão ao rosto, não sabia exatamente se tinha feito a escolha certa, sabia que ainda não estava “estável” emocionalmente para falar com o loiro, talvez nunca estivesse de fato, mas tinham de conversar, dar um fim naquilo, para o bem ou para o mal, e isso era uma verdade indiscutível.

* * *
Leona

[“Murmúrios particulares” – Leona, Carissa]

Tinha se tornado um hábito novo para Leona ficar na delegacia até tarde, não que fosse diferente em NY, mas tinha outras opções do que fazer quando não queria estar somente no trabalho, acompanhar algum jogo em estádio, e torcia para um número considerável de times para ter sempre alguma temporada ativa para assistir, ou ir nos bares de sempre se distrair. No entanto, em Cerise, não tinha adquiro nenhum hábito do tipo, não sabia nem qual era o time local da cidade pitoresca. Talvez porque para a loira, ainda fosse necessário se convencer de que se estava ali por tempo indeterminado - e já estava a alguns meses - tinha de fazer valer seu tempo. Apesar do desgosto de seus colegas de trabalho, ao menos oficial Riviere, ou melhor, Carissa, se sentia mais instigada com as investigações que estava propondo, baseando-se nas estatísticas criminais e em todo um histórico policial conturbado da cidade de interior. Muito embora, sabia e podia traçar que parte daquela energia se devia a tudo aquilo parecer um grande “seriado americano de investigação”, não desgostava da animação no todo, mas no fim das contas não forçava a parceira a seguir a mesma rotina de trabalho que impunha a si mesma e principalmente a fazer hora extra. Às 16 horas quando terminava o expediente, a mais nova retornava para o kitnet, enquanto Leona estendia o horário as vezes até quase de madrugada caso fosse necessário relendo arquivos antigos e adicionando aquelas novas informações em sua memória.

No entanto, até mesmo o trabalho saturava a leoa as vezes, precisava de intervalos para relaxar a mente e por tudo e ordem. Naquele fim de tarde foi diferente, tinha separado um punhado de arquivos em ordem decrescente do histórico criminal de Cerise, mas não estava com cabeça para lê-los e absorver seu conteúdo como era devido. A falta de horas de alívio mental, estavam começando a cobrar de sua produtividade, tinha plena consciência disso. E para a surpresa dos outros oficiais, apenas duas horas depois do expediente normal ter acabado, a loira saiu da delegacia. Lá no fundo de sua mente, achava que precisava de um cigarro, mas também tinha plena consciência que isso era o peso de velhos hábitos, mas deixou a ideia de lado, também porque não queria chegar deixando o kitnet de Carissa impregnado com o odor de tabaco.

Não pegou trânsito na volta, cortando o espaço da delegacia até o apartamento muito mais rápido do que se tivesse saído no horário de pico de fim de expediente, não eram nem 19 horas. Como não tinha o hábito de estar cedo no apartamento, nem sabia se a janta já estaria feita, se Carissa tinha saído até o apartamento de Eveline ver seriados ou qualquer coisa que ela fizesse longe de sua vista. Abriu a porta devagar para espiar Kitty que estava entretido com algum inseto pequeno que correu para atrás da cortina, mas não deu tanta atenção ao gato irritante. Tirou os sapatos e caminhou de meia no apartamento que parecia tão silencioso? A televisão da sala estava desligada, mas as janelas estavam abertas o que indicava que a morena mais nova estava em casa. Dormindo? Talvez.

Caminhou em passos discretos para checar se a morena mais nova estava de fato dormindo, e no silêncio quase total do apartamento seus ouvidos captaram um som estranho vindo do cômodo. Por costume, a loira parou, e prestou atenção no que seus ouvidos captavam. A porta do quarto estava entreaberta, mas não o suficiente para que pudesse ver interior, ou mesmo a cama, mas a fresta da porta deixava escapar os murmúrios vindos do cômodo menor com mais facilidade. Caminhou mais devagar se aproximando da porta, e a voz ficava cada vez mais reconhecível, embora o tom, fosse completamente novo para loira. Caminhou tão devagar, quase como se houvesse toda uma tensão do que poderia estar acontecendo ali, e de novo outro murmúrio? Parecia diferente. Em seguida, um suspiro longo, como se fosse alívio? Não. Era diferente, mas de que era?

Tudo aquilo parecia estranho, mas impelida pela curiosidade, a loira permaneceu próxima da porta, quieta, e chegou a controlar a própria respiração por um instante e no silêncio completo, pôde ouvir murmúrios ora mais altos, ora mais baixos, que iam lhe remetendo a outro tipo de som, seguidos de suspiros discretos e respirações profundas. Leona franziu o cenho em estranheza, por um instante confusa, sabendo o que era, e não sabendo reconhecer aquilo na voz de Carissa.

Até seus ouvidos captaram um outro som, ainda mais discreto, hora mais baixo, hora mais audível, ritmado, como uma sequência de pequenos e curtos toques em algo molhado.

De súbito, sentiu todo o sangue subir para o rosto ao tomar ciência “do quê” estava ouvindo, a reação foi tão exagerada no próprio corpo, que o coração acelerou de forma que as batidas pareciam mais altas do que os gemidos contidos da morena mais nova, vindos do quarto.

Nem sabia por onde começar a tratar do assunto - se é que era pra tratar dele - nem imaginava que reação Carissa teria se soubesse, então Leona não teve outra reação, que não sair do apartamento. Caminhou alguns bons quarteirões sem saber que expressão tinha no rosto, comprou algo pra jantar e apenas uns bons 45 minutos depois, que retornou para o apartamento. Não comentou nada. E tratou o restante da noite como sempre fazia.

Muito embora, tivesse de admitir que aqueles “sons” não sairiam de sua memória, seja por ser boa, seja porque inconscientemente não queria “esquecer”. E se pegou imaginando se a morena mais nova, sempre fazia aquilo quando chegava do trabalho. Ponderou consigo mesma, se não deveria voltar mais cedo, algumas vezes, até perceber o quão estranho todo aquele cenário estava se desenvolvendo. Era melhor só pensar em trabalho mesmo.

* * *
Isaac

[“Não mexa com meu prato” – Isaac, Renaud]

Aquele fim de semana não poderia estar melhor, comparado ao que tinha experimentado nas últimas semanas. Ainda estava com o punho machucado por conta do movimento errado no treino de esgrima, as pastas na sala do Conselho Estudantil estavam fora de lugar devido à sua falta de atenção e ao trabalho novo de Yure naquela sala, o trabalho na Delegacia tinha sido suspendido por causa do machucado no punho, mas a despeito de todos os pormenores negativos… Ethan tinha voltado para ele e estava tudo bem, de novo. A sensação de satisfação era tão grande que até se pegou sorrindo algumas vezes, o que só percebeu porque Yure tinha se assustado ao continuar a arrumação na sala do Conselho Estudantil nos horários vagos da manhã de sexta.

A aula de reforço para os segundanistas foi literalmente reforçada. O que supostamente tinha dado de assunto nos últimos dias, repassou com mais ímpeto, exigindo respostas corretas dos três por uma longa hora sem dar um intervalo sequer para que eles descansassem os pulsos com a série de anotações que estava exigindo. Mas conseguiu facilmente cobrir o assunto de três semanas, mesmo que os três talvez não tivessem assimilado. Bom, eles pareciam realmente abatidos ao serem liberados faltando dez minutos para o fim do horário do almoço.

E foi naqueles dez minutos também que fechou a sala do Conselho Estudantil para ir almoçar. Mesmo que faltasse pouco tempo para o fim do horário de almoço oficial, não era como se tivesse aulas no primeiro período da tarde, então poderia almoçar com um pouco mais de calma e esperar que a aula de Ethan terminasse, para encontrá-lo no segundo horário da tarde, que sabia ser livre para o loirinho. De novo, um sorriso involuntário tinha surgido no seu rosto e só percebeu aquilo por conta da expressão confusa do auxiliar do refeitório ao lhe servir a porção de carne do dia.

Seu prato de comida estava cuidadosamente arrumado e separado, até mesmo as pequenas porções de ervilha e milho não se misturavam no prato com refeição estritamente balanceada. Já tinha até esquecido o que tinha comido nos últimos dias. Procurou uma das mesas livres no refeitório, especialmente porque naquele horário só via alguns poucos quartanistas – os outros que planejavam estender o período de folga tinham saído do local depois de lhe avistar se sentando. Tirou o terno branco para deixar sobre o encosto da cadeira para não amassar e nem sujar no almoço, tomando o tempo até para dobrar as mangas para cima, três voltas cada, antes de começar a se servir. Mas antes mesmo de levar a primeira porção de arroz à boca, avistou o lugar bem diante de si ser tomado por um Renaud de aparência um pouco… distraída? Ele não estava com uma bandeja com o prato de almoço, então apenas o encarou por um tempo, como se esperasse algum comentário, mas deu a primeira garfada antes.

– Você não vai comer? – perguntou finalmente, voltando a pegar mais uma porção do prato, agora de salada, sem misturar os outros tipos de comida que tinha colocado ali.

– Só sentei porque avistei você sozinho aqui Isaac.

Renaud pareceu se esquivar da pergunta, mas não deu tanta atenção àquilo. Ele estava relativamente normal, com o uniforme alinhado e apenas umas marcas mais fortes debaixo dos olhos. Mas estivera daquele jeito nas últimas semanas, devia ter muito trabalho. Talvez ele só estivesse mais sério. E ainda tinha lhe chamado pelo nome inteiro, o que era um pouco… estranho?

– Você quase perdeu o horário de almoço. – o vice-presidente continuou, sem empolgação na voz, apoiando o queixo na palma da mão.

– Estava dando aula de reforço para o trio de segundanistas. Sempre almoço tarde. – respondeu, daquela vez pegando apenas uma porção da carne, com cuidado para que as outras porções no prato não se misturassem. – E eu sempre como sozinho.

– Hunm... – o murmúrio foi a única resposta que ouviu de Renaud enquanto continuava comendo, sempre colocando porções diferentes no garfo, sempre na mesma ordem. Mal percebeu o olhar dele indo do prato para sua expressão e sua atenção só foi atraída por um suspiro pesado do Blanco. – Mesmo?! Pensei que você almoçava mesmo que de vez em quando com o Eth-...?! – parou a sentença, passando a mão no rosto: – desculpe, não queria falar dele.

A resposta automática de Isaac, daquela vez, foi até sorrir mais evidentemente com a preocupação inédita de Renaud. Não porque o outro tinha se mostrado preocupado, mas porque aquele sentimento já não tinha mais fundamento.

– Não tem problema. Já resolvemos a situação. – respondeu, com um ar bem satisfeito, indo então, para o arroz, começar a ordem de porções de comida do zero de novo. – Eu quase não almoço com ele porque nossos horários não batem. Encontro com ele depois das aulas da tarde ou no meio da manhã.

– Que bom. – a resposta de Renaud foi um pouco pausada e Isaac levantou a atenção do prato para o outro, deixando a faca de lado, de novo com uma expressão talvez mais feliz do que o costumeiro. Não conseguia ver nada demais na expressão alheia, mas ele estava tentando sorrir? Ignorou o pensamento, mas Renaud foi mais rápido em completar. – Não queria ter de me acostumar em conviver com você daquele jeito Isaac.

O complemento de Renaud veio num tom mais sóbrio e até ergueu o rosto um pouco, arqueando as sobrancelhas e ficando com uma expressão que os outros facilmente julgariam como irritada. Na verdade, estava só confuso.

– Que jeito? Eu não tenho “outro jeito”. – respondeu, convencendo-se de que mesmo com Ethan afastado, ele estava agindo naturalmente com as pessoas ao redor… mesmo que se sentisse em péssimo estado emocional e mental.

– Certamente tem, meu caro Isaac. As pastas do conselho fora de ordem não são totalmente na conta do Lukashenko.

Ainda havia aquele sorriso estranho no rosto de Renaud, como se houvesse algo errado. Estava com a boca ocupada com ervilhas e foi tempo suficiente para que Renaud pegasse a sua faca e roubasse uma rodela de tomate do seu prato. Encarou-o com uma expressão ainda mais indignada, mas não reclamou do roubo, apenas usando o garfo para colocar as outras últimas rodelas de tomate de volta no lugar, bem a tempo de ouvir a continuação da resposta dele.

– E nem na minha conta, apesar de ter faltado alguns dias, meu trabalho está em ordem.

– Eu sei que seu trabalho está em ordem. – respondeu, voltando a comer e evitando responder o comentário anterior. Afinal, era bem verdade que tinha bagunçado algumas de suas funções, mas isso não queria dizer que tinha ficado explícito em suas ações como estava se sentindo incomodado, certo? – E não bagunce meu prato, pegue um pra você.

– Eu não baguncei, eu furtei. – Renaud corrigiu porque não tinha tirado todo resto do lugar, mas o suficiente para que Isaac percebesse a diferença no prato a ponto de consertar.

Não notou a expressão surpresa no rosto alheio, mas não notaria muita coisa agora que estava feliz com a ideia de que tinha se acertado com o namorado. Estava até distraído com o pensamento renovado, quando mais uma vez, ele pegou um pedaço de beterraba do outro lado, bagunçando minimamente as ervilhas no processo.

– Não estou com vontade de comer, seria um desperdício pegar um prato inteiro pra mim.

– Então pegue pouca comida. – Isaac juntou as ervilhas que tinham se afastado, continuando a comer de onde tinha parado. – Seu furto bagunçou minhas ervilhas.

– Mesmo que eu quisesse, eu não iria conseguir comer tudo mesmo. – ele deu de ombros, parecendo um pouco mais entretido e vívido do que no início da conversa dos dois.

Isaac partiu um pedaço de carne, mas antes de conseguir pegá-lo para comer, Renaud foi mais rápido, se servindo dele. Encarou-o com uma expressão ainda mais indignada, olhando dele para o prato como se houvesse um erro absurdo ali. Primeiro, porque era a sua próxima porção de comida… segundo, porque Renaud tinha comido. Se ele tinha comido, então devia continuar as porções? Rendeu-se a pular a carne e pegar o arroz, continuando a comer agora com pouquíssima comida restando proporcionalmente no prato inteiro. Não podia fazer mais uma rodada sem um dos itens para comer até o final.

– Culpe a forma arredondada delas, que as colocam mais facilmente sobre ação da gravidade pra se moverem em superfícies planas.

Mesmo roubando algumas coisas de seu prato, até mesmo Isaac conseguia notar como ele contorcia a expressão sem vontade de comer.

– Se você não quer comer, não bagunce meu prato. – retrucou, mesmo que ele tivesse explicado “logicamente” que não tinha feito bagunça alguma. De fato, só não conseguia chegar a explicação normal de que ele estava bagunçando o seu “jeito de comer” metódico. – E por que não conseguiria comer?

– Podia te dar uma longa explicação técnica... – Renaud girou o pulso que segurava a sua faca, num gesto lento e pensativo, o que deu tempo de Isaac comer quase tudo no prato, restando apenas as últimas porções da salada e o último pedaço de carne. – Não estou sentindo gosto, então fico enjoado, logo não tenho apetite.

A explicação dele foi direta, apenas o encarou de volta com as sobrancelhas arqueadas.

– Mas se você não comer, vai ficar doente. – respondeu o óbvio, como se ele precisasse daquilo mesmo que lhe fizesse ficar nauseado.

Pegou o último pedaço de carne e já ia levar a boca, mas não tão rápido até ouvir o último comentário de Renaud

– E... você está quase terminando, vai bagunçar a comida de todo jeito.

O comentário não foi tão inesperado, mas ele parou o gesto de levar a carne até a boca quando o Blanco bagunçou o resto dos grãos de milho com os de ervilha, a salada e a última porção de arroz. Parou com a boca aberta, mas ficou naquela posição por alguns segundos até devolver o garfo com a carne para o prato, agora completamente desordenado, erguendo o olhar realmente irritado para o vice-presidente daquela vez.

– Eu queria poder bater em você. – reclamou, desistindo do resto de comida, ainda com a expressão completamente emburrada. “Queria” apenas bater nele, primeiro, porque não conseguiria, segundo, porque ainda havia algo de estranhamente diferente no outro para não lhe despertar a costumeira aura perigosa. E ele ainda deu de ombros, como se confirmasse que mesmo que tentasse, não conseguiria. Bom, era um fato.

Desdobrou as mangas, abotoando os punhos de novo e vestindo o terno alinhado para pegar a bandeja e levar até o balcão, mas antes mesmo de começar a andar, voltou a atenção para Renaud.

– Vamos comigo. Antes que você bagunce o prato de mais alguém. – falou aquilo mais como um tom de imposição do que de convite, não que esperasse que Renaud lhe seguisse, mas pelo jeito que ele parecia, um tanto diferente, talvez fosse melhor estar acompanhado.

– Com toda essa delicadeza, tem como negar? – a resposta de Renaud foi surprendentemente condescendente. Até o encarou de volta para conferir que ele estava lhe acompanhando, mas retomou o caminho normal, um pouco satisfeito.

Deixou a bandeja no balcão para pegar um copo de suco. Ainda olhou um tanto ameaçador para o vice-presidente, virando-se de modo que o copo de suco não ficasse no alcance dele. Pegou outro copo com a mão direita estendendo pra ele.

– Pode beber desse, se quiser.

A resposta de Renaud demorou um pouco a vir, daquela vez com uma risada um tanto… cansada? Ele parecia cansado, de fato. Talvez devesse diminuir o trabalho no Conselho Estudantil.

– Certo, certo, eu entendi, não vou bagunçar o seu suco, seja lá como se faz isso.

– Pelo menos beba o seu. Parece que está precisando comer qualquer coisa. – adicionou, finalmente seguindo para fora do refeitório, de volta à sala do Conselho. Ou quem sabe passar em algum lugar mais calmo para descansarem um pouco mais? Renaud parecia precisar daquilo.

* * *
Isaac

[“[Flashback] O quadro assombrado” - Isaac, Renaud]

Já fazia uns bons cinco meses desde que tinha se tornado secretário do Conselho Estudantil para ficar de olho em Renaud e Didier, como alguns professores preocupados tinham lhe pedido. Não foi surpresa que a maior parte do trabalho caísse em suas costas, sua necessidade de organização lhe impedia de deixar as coisas tão na mão do Presidente e do Vice-presidente desinteressados. Organizou as coisas, separou em pastas e categorias, entrou em contato com os alunos e grupos e até começou a instruir o tesoureiro e o diretor de rp. O problema é que em um mês, o tesoureiro tinha desistido do cargo, sabe-se lá por que. Mais um mês e o diretor de RP também tinha desistido do cargo e daquela vez deixou bem óbvio ao sair da sala do conselho que "esse cara é doido!". Logo entendeu que o problema sempre vinha de Renaud, embora não entendesse todo o desespero dos alunos que pareciam com medo de serem mortos ali mesmo.

Renaud parecia até uma pessoa bem normal, e embora ele fosse tão desleixado quanto Didier, quando o trabalho do Conselho Estudantil aumentava, ele aparecia. Se era para ajudar ou matar o tédio, não fazia muita diferença, contanto que facilitasse seu trabalho.

Estavam às vésperas de um dos festivais interescolares, com Limoges-Collet, e os grupos de esportes estavam em furor. Uma série de pedidos e submissão de orçamento e coisas que Isaac fazia questão de negar porque não estava de acordo com as regras. Naquela semana em particular, Renaud tinha aparecido mais vezes na sala do Conselho para ajudar com a papelada e as assinaturas que podia colocar em lugar de Didier.

- Falta pegar as assinaturas dos coordenadores do festival e dos gerentes dos clubes para não ter problemas com Limoges-Collet. - Isaac tinha uma série de documentos nas mãos, enquanto caminhava até a sala do Conselho na companhia de Renaud. - Está faltando o do clube de Natação e de Rugby.

- Eu pego o de natação, estou indo pra lá depois da aula. - Renaud estendeu a mão na direção de Isaac para receber a pasta, mas percebeu naquele mesmo instante que o esgrimista tinha parado no meio do caminho. - Isaac?

Renaud olhou para trás para perceber que Isaac tinha parado para andar até a parede no fim do corredor e ajustar um dos quadros antigos da escola que estava - aparentemente - milimetricamente desalinhado.

Renaud não podia acreditar que o outro tinha parado por causa de um quadro pseudo torto, mas se ele era tão paranoico com organização como estava se mostrando ao longo daqueles dias… é, até que ele podia estar muito incomodado com um quadro. Pensando bem, o que ele faria se todos os quadros estivessem só um pouco tortos? A ideia fez o vice-presidente sorrir mais amplamente, tendo de conter o ímpeto de mostrar os dentes, pois se sorrisse de forma tão descarada deixaria margens para perguntas.

- Renaud? - daquela vez Isaac estava estendendo os papéis para o time de natação, e só então o Blanco pegou os documentos, com uma expressão ligeiramente satisfeita, à qual Isaac não deu muito valor.

- O que mais? - ele aceitou a pasta e continuaram andando, mas Renaud encarou os quadros ao longo do caminho, com um pensamento novo na cabeça.

É talvez fosse um bom jeito de matar o tédio e se divertir não? Ficou de tão bom humor que podia ele mesmo ir atrás do time de Rugby além do time de natação.


* * *
Adam

[“Se eu fosse você” – Renaud, Didier]

Adam sabia muito bem por experiências passadas, que tomar café antes de dormir não seria uma boa escolha, mas não conseguiu evitar. Algumas horas depois de suas duas xícaras de café, o ruivo ainda estava acordado, o que seria um problema, dado ao seu horário de aulas no dia seguinte.

Às duas da manhã, Adam ainda não conseguia dormir, então estava apenas assistindo alguns reviews de maquiagens recém lançadas. Seu colega de quarto Emil já no décimo terceiro sono e o ruivo só conseguia pensar na inveja que estava sentindo de Emil, que estaria completamente descansado amanhã, enquanto Adam provavelmente estaria com duas bolsas da Chanel debaixo dos olhos.

Foi aí que a noite começou a ficar estranha, o jovem ouviu barulhos vindos do corredor, como se fossem pessoas andando rápido, e um deles sendo distinto som de salto alto. Só poderia estar delirando, alguém andando de salto alto essa hora da madrugada, então sua curiosidade falou mais alto e decidiu espiar, pra saber se estava ficando maluco ou não. Andou na ponta dos pés até a porta, abriu a mesma e colocou a cabeça pra fora pra espiar e não acreditou no que seus olhos estavam vendo. O vice-presidente do Conselho Estudantil Renaud Blanco trajando roupas femininas, salto salto, corset, peruca e maquiagem borrada junto de Didier, sua Mama, que usava roupas masculinas, terno, cabelo preso e sem maquiagem.

Como uma coisa dessas poderia estar acontecendo Adam não sabe, mas o fato é que está acontecendo e não conseguiu parar as perguntas que se formavam em sua cabeça, como é possível o Vice Presidente Blanco saber andar tão bem de saltos, de quem eram aqueles saltos, o que eles foram fazer tão tarde, será que era tudo um delírio pela falta de sono? Emil não ia acreditar quando lhe contasse na manhã seguinte.

* * *
Yure

[“Muita Informação” - Yure, Charles]

[22:52, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Hey, Charles, taí? Cara, aconteceu algo muito louco hoje, tô aqui pensando, e só sei que é verdade porque minhas costas doem (ง ื▿ ื)ว
[22:55, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ?
Oque dessa vez? Causou mais alguma coisa em St. Clavier ou caiu do skate?
[22:57, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ:Cara! Não cara! E sim! foi coisa em St. Clavier e tinha haver com as minhas detenções ou quase mas não tem a ver com skate ( ̄▽ ̄*)ゞ
[23:00, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não tem como uma coisa ser meio a meio assim.
[23:02, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então! 'cê quer saber da história toda ou vai ficar me corrigindo? O Ichigo é meio Hollow, meio shinigami, meio quincer, meio fullbringer e ninguém reclama! Eu posso está meio ferrado de detenções, não ter a ver com skate e mesmo assim ter sido louco!!
[23:02, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ( `ε´ )
[23:03, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ಠ~ಠ
[23:04, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Desembucha então
[23:04, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não sabia que andava lendo esses mangás. Boa comparação.
[23:07, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Eu fiquei com um cara de St. Clavier hoje! (ノ°▽°)
tipo
ficar ficaaaaaaar
(//ω//)
[23:09, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... oh.
O mesmo tipo de ficar que você fica com as garotas?
[23:09, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ᇂ_ᇂ
[23:10, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então eu pensei que depois de ter saído com a Hanna eu não ia querer ficar com mais ninguém que fosse daquele "jeito"! 'cê sabe que só se pega mas não liga pra todo resto mas...
[23:11, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi tipo como a Hanna sendo que sem a parte do choro e desilusão amorosa depois (ง ื▿ ื)ว
[23:20, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Hm... ᇂ_ᇂ
Então, ele é como a 'Hanna', mas sem a parte ruim basicamente? Não vá se apegar de novo.
[23:21, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Não! não! de jeito nenhum! dessa vez eu fui sabendo que era só sexo sem a parte de se apegar mesmo (ง ื▿ ื)ว
[23:26, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Huh...
E quem foi? Pra você ficar falando sem parar.
Apesar que isso não é uma novidade.
[23:30, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ficou curioso não foi? (ง ื▿ ื)ว (ง ื▿ ื)ว (ง ื▿ ื)ว
[23:32, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (¬_¬)
[23:32, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Você que não sabe falar de uma vez!
[23:34, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sasha Peyrac lembra do nome? Presidente do Conselho disciplinar! Ando tanto naquela sala que tá até rolando uns climas! ahuahauhauhauhauha
(っಠ‿ಠ)っ
[23:35, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: O que vive te dando trabalho extra?
[23:36, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E que é cadeirante?
[23:36, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ಠ_ಠ
[23:36, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Isso aê! pra você ver Charles! Você ainda tem chance!
(ง ื▿ ื)ว
[23:36, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahauhauhauhuaahuahuha
[23:37, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Se quiser saber falo mais senão paro por aqui ( ̄▽ ̄)/
[23:37, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: 'xá só mudar de posição aqui e deitar de lado
[23:40, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (≖︿≖)(≖︿≖)(≖︿≖)!!!
[23:41, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Faça oque quiser (¬_¬) 'To sem fazer nada mesmo.
[23:43, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Então pra começar eu sempre disse que ele era mais legal que o Mucha luta porque ele fazia umas piadas e tals mas nada sério ou pelo menos eu não tava achando que fosse cantada me dê um desconto que eu ainda to aprendendo a diferenciar uma coisa da outra
[23:44, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Hm.
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai num dia desses eu cheguei lá como sempre e tals e eu não sei se foi impressão minha mas ele jogou charme pro meu lado namoral eu pensei que ele ia me beijar na sala do conselho disciplinar
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: sabe como ia ser louco? quebrar regras com o presidente do conselho das regras na sala do conselho das regras??
[23:46, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: hauhauahuahauh
[23:48, 17/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ...
Isso ia acabar é te causando alguma outra detenção, isso sim.
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Provavelmente! mas foi divertido! Ele foi bem direto sabe? Do tipo não ficou jogando umas cantadas nadavê tipo
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: "bom dia, os passaros cantam, o céu tá lindo, vamos transar?"
[23:56, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauhauh
[23:57, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ele disse pra tomar cuidado com algumas coisas que eu falava! porque eu sou animado o tempo todo e concordo com as pessoas as vezes sem nem saber o que elas querem direito
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Daí ele usou das minhas próprias palavras pra me dá uma cantada! foi bem criativo!
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauhauha
[23:58, 17/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ( ̄▽ ̄)/
[00:00, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se alguma pessoa te disser isso algum dia, acho que é melhor você correr viu
[00:01, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E o que é que você acabou dizendo pra ele entortar tanto assim pra ser uma cantada?...
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Olha eu não vou lembrar exatamente o que eu disse porque eu não lembro o que eu comi ontem, quem dirá o que eu falei na sala do conselho!
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi algo como eu sabia que ia ter castigo por aprontar, e que ele podia mandar qualquer coisa pra mim que eu fazia, era só pedir
[00:02, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ou coisa assim
[00:03, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: mas daí eu tava falando dos serviços e das detenções e tals, nadavê com segundas intenções
[00:04, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Daí ele desdobrou, algo como: Quando você disse que é só "pedir" que você "faz" se eu tava falando só do serviço do conselho ou se ele era livre pra "pedir outras coisas no futuro"
[00:04, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: foi genial, ele transformou a minha frase de concordância bosta numa cantada legal
[00:09, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... o assunto mudou bem rápido, hein?
[00:09, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Ele realmente é bom nisso. (ಠ_ರ)
[00:10, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Neh? Uma hora tá lá a gente zoando os apelidos dos outros membros do conselho, ele rindo, eu rindo, falo besteira, dai pow, logo antes de sair com o papel que libera a gente dos castigos, ele me passa essa cantada ~ヾ(・ω・)
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: E claro! eu devolvi rindo, porque né? Olha a minha cara de quem recebe cantadas todos os dias?
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Mas nem tava nervoso nem nada. tava mais surpreso mesmo, do tipo: "hey nossa! isso foi legal! mas é sério? Tu quer sair comigo?"
[00:11, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ahuahauhauha
[00:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas você não recebe? ( ̄へ ̄)
[00:12, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Você já tinha comentado outras vezes, inclusive
[00:12, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Devo receber, mas se eu não noto, é como se não recebesse né?
[00:13, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: tipo, quando eu comento com você é quando eu NOTO! agora faças as contas mentais de quantas vezes foram '-'
[00:13, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: bem poucas ╮( ̄ω ̄Wink
[00:21, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Verdade. Yure Lukashenko é um cabeça-de vento.
[00:22, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ( ̄へ ̄)Faz sentido
[00:23, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Do tanto que você já me falou desse Peyrac, ele parece fazer é mais raiva. Principalmente com todo esse trabalho
[00:23, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Não que você não mereça ( ̄へ ̄)
[00:25, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sei lá, ele faz raiva, mas é engraçado
[00:25, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sabe quando uma pessoa te faz muita raiva, mas ao mesmo tempo 'cê não consegue ter raiva da pessoa porque quando ela não te faz raiva ele é legal pra caramba/
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ?
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: pronto é algo assim
[00:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: (ง ื▿ ื)ว
[00:30, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ... Tá. Eu sei bem.
[00:30, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Pode continuar -A-
[00:31, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E você saiu com ele por isso?
[00:31, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sim
[00:31, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Na real eu tava curioso já faz um tempo
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: tipo tem o Rick e o Arth eles namoram faz tempo e tals mas como o Arth é na dele eu não vou lá perguntar pra ele como é sair com um cara
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e o Rick tu sabe com o sujeito é? Ele ia me zoar até o fim dos tempos se eu fosse perguntar umas coisas assim pra ele
[00:32, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai um outro amigo meu começou a namorar também e se o namorado dele num fosse o testa de ferro eu até me aventurava em conversar mais sobre essas coisas
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ai tu soma minha curiosidade
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: + o fato do Sasha ser bonito
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: + o fato dele ser ousado e falar as coisas na cara
[00:33, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e eu tinha a tarde livre também já tinha acabado a detenção \õ/
[00:38, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Acho que a sua curiosidade já é mais forte que todos os outros pontos
[00:38, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Sendo bem sincero
[00:39, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Aliás, não acho que isso seja algo que se pergunte aos outros \ᇂ_ᇂ\
[00:39, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Mas sanou a curiosidade então?
[00:42, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Sim
[00:42, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: quer saber dos detalhes ou isso seria demais? (ง ื▿ ื)ว
[00:47, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (≖︿≖?)...
[00:47, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: entendo isso como um não?
[00:48, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Com certeza. Detalhes demais até de voce. ᇂ_ᇂ
[00:49, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Se quiser falar mais, versão resumida e com cortes.
[00:52, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Ok, entendi, versão resumida.
[00:57, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Foi bom! muito bom! Não sei se é melhor com garotas ou garotos. Sei que é bom de todo jeito. Eu não sabia que 'cês podiam se excitar normal, só leva mais tempo. Que depois das coisas todas as pernas ficam fracas e é dificil até de caminhar.
[00:59, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: O mais legal é que ele ficou bem deboas por eu não ter experiência com caras e foi tranquilo, por incrivel que pareça. Doi menos do que a galera faz de propaganda negativa ahuahauhaua
[01:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Meus olhos agradecem o resumo.
[01:11, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (¬¬) _Vocês? ... cada caso é caso.
[01:12, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Agora eu entendi a parte das pernas (≖︿≖)...
[01:12, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: e é?? sabia não! Mas e no seu caso é normal e ligeiro? ou você não sabe dizer? ou não vai querer me dizer? (ง ื▿ ื)ว
[01:14, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Informação demais!!
[01:14, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: ►◄ ►◄!
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: AHUAHAUHAUHUAHUAHUHAUAH
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: deboas! deboas! relaxa cara!
[01:15, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: 'cê sabe que eu tava de zoa? neh?! ヽ( ̄ω ̄(。。 )ゝ
[01:20, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Sei, sei.
[01:20, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: (-_- )ノ
[01:20, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Tá, já incomodei você demais, mas posso deixar recado que dá pra sair com caras de boas sem ter treta?
[01:21, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: recado dado!
[01:21, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Vou descansar as costas e as pernas (ง ื▿ ื)ว
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Tá. Recado recebido ( ̄へ ̄
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: Vê se não estraga essas pernas, ou vão ter que te arrumar lugar no time de basquete.
[01:25, 18/1/2014] Charles ΦωΦ)ノ: E MENOS INFORMAÇÃO!
[01:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: ok ok ok! Entendi o seu recado também.
[01:26, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Valeu por ler, e ficar até essa hora.
[01:27, 18/1/2014] Yure ☆ミ(o*・ω・)ノ: Você é um bom amigo cara! (ノ´ з `)ノ

* * *
Renaud

[“Aperitivo” – Renaud, Wilbert]

Depois da tarde e noite de perversão na companhia do digníssimo professor da eletiva de gastronomia, o jovem Blanco tinha mais motivos para comparecer a matéria eletiva. Não porque tivesse desenvolvido algum tipo de atração no professor, mas sim, porque mesmo depois de toda a diversão que proporcionou ao homem, o mesmo manteve a postura hetero de sempre. E acabou se tornando uma diversão a parte, atentar contra a moral e bons costumes do professor Funske quando ele menos esperava, mesmo nas coisas mais simples do cotidiano daquela cozinha.

Naquela tarde o Blanco estava responsável pelo estoque, e pelos materiais que seriam utilizados naquela aula. Estava entre as prateleiras da despensa com uma prancheta em mãos, sem o terno, apenas com a camisa de botões, com a manga dobrada até a altura do cotovelo, e um avental, marcando sua cintura. Quando o professor adentrou o espaço estreito para conferir, já reclamando da falta de alguns materiais:

-- Será que eu vou ter de prestar outra reclamação pra essa instituição, onde está a droga do fermento!

-- Atrás do senhor, prof. Fusnke…! -- o moreno mais novo se virou na direção do professor, apontando a prateleira atrás do homem, mas sem deixá-lo de fato se virar para olhar a direção que estava indicando. Pressionou o corpo contra o do loiro, fazendo questão de colar os quadris e aproveitou para ficar de ponta de pé e estender o braço em direção a prateleira, para aproximar os rostos, e fez questão de lançar um sorriso safado para o mais velho, encarando-o de perto:

-- Qu-!! – Logo o rosto de pele alva tomou uma cor mais acentuada, mesmo a pouca luz da dispensa, era notório que o homem mais velho estava desconcertado e a expressão irritadiça se acentuou ainda mais a ponto das palavras se perderem:

-- Aqui…! Precisa de mais alguma coisa Prof. Funske? – Mostrou a lata de fermento em mãos, se afastando apenas um pouco do corpo do mais velho, encarando-o de perto, mas fez questão de descer o olhar escuro entre os corpos, notando como os ânimos estavam exaltados por parte do professor: -- alguns minutos para tomar um ar…?

Sorriu descarado, se afastando do homem mais velho, para que ele pudesse tomar um fôlego e acalmar a cabeça para que pudesse se concentrar na aula. Será que se sorrisse para ele no meio da aula, ele perderia as palavras de novo? Poderia testar quem sabe.

* * *
Charles

[Olimpíadas do Tédio - Charles, Ulysses]

Charles havia chegado à Cerise já fazia algum tempo, e nesse pouquíssimo tempo teve várias idas e vindas do hospital, e alguns encontros surpresa com figuras irritantes - porém curiosas. Nisso incluía o garoto ruivo com quem havia dividido o quarto por alguns dias na sua última internação. E isso havia sido um inferno, porém não pode dizer que não tornou o tempo preso no hospital menos saturado.

Já fazia algumas semanas desde a última internação e estava finalmente se re-acostumando a estar em casa. Sentia falta dos joguinhos, em especial dos que não eram portáteis, por isso estava aproveitando o tempo que tinha livre em casa entre os compromissos para matar um pouco da saudade dos seus jogos favoritos.

Estava sentado em sua cama com alguns edredons sobre as pernas - Charles acreditava que ajudava a evitar um pouco de dormência depois de muitas horas de jogatina - e prontamente ligou a TV. Assim que a imagem apareceu, estava no canal de esportes, havia tido um campeonato de e-sports na noite passada junto com a reprise de jogos passados e tinha finalmente tido a chance de acompanhar as finais.

Mas ao invés de ter as competições de jogos online, estava passando uma das partidas das olimpíadas, mais especificamente a competição de esgrima. Como não acompanhava o esporte, estava pronto para mudar o canal até ouvir um dos locutores mencionar que um dos jovens competidores era um estudante de St. Clavier.

“St. Clavier?”, o cadeirante repetiu mentalmente, deixando o controle de lado enquanto ponderava, essa não era a tal academia famosa que por um acaso ficava em Cerise? Inclusive era o lugar que Yure - o ruivo irritante - havia falado tanto e que haviam tantas pessoas incríveis e tudo mais? Bem o típico lugar que não aguentaria passar nem 10min. Achou curioso a coincidência, não entendia muito de esgrima se não o básico do básico, mas decidiu assistir para ver no que daria. Ficou muito bem largado entre travesseiros e almofadas na sua cama enquanto assistia toda a competição.

Provavelmente havia pegado a programação pela metade, por que não demorou até que o vencedor olímpico fosse anunciado, e era o tal aluno de St. Clavier, Ulysses. Aparentemente ele havia participado de mais sei lá quantas competições e feito mais sei lá quantas coisas, enfim, parecia ser um daqueles “alunos modelos”, que coincidentemente eram alunos “imbecis” que tinham uma personalidade completamente oposta. Pelo menos, essa era a ideia inicial que Charles havia tido. Após o término da partida tiraram um momento para entrevistar o ganhador da medalha e - surpreendentemente para Charles - ele não parecia bem encaixar na ideia de aluno boçal. Soava mais como alguém que verdadeiramente se esforçou, curioso. O garoto de cabelos pretos não quis admitir mas ele não parecia ser tão ruim assim, e a TV era ótima em mostrar as pessoas sendo estúpidas.

“Talvez St. Clavier não seja tão insuportável assim” foi o primeiro pensamento que teve ao final da entrevista. Mudou de canal quando o foco do esporte passou a ser outro e decidiu voltar aos seus joguinhos. Quem sabe pudesse dar uma olhada no site da instituição depois, não que fosse dar em algo mas...

Quem sabe.

* * *
Isaac

[“[Flashback] Lembranças de um término” - Isaac, Carbella]

O encontro e a conversa com Carbella tinham sido estranhamente metódico como estavam acostumados. Estava namorando com a ruiva há um ano, mas podia contar facilmente quantos encontros tiveram naquele longo ano, já que as rotinas dos dois eram bem conturbadas entre estudos, afazeres e trabalhos e às vezes se viam uma vez por semana ou duas vezes por mês. Não foi completamente inesperado encontrar com Carbella naquele fim de semana e ouvir da namorada que o relacionamento dos dois estava sendo injusto com ambos e que o curto tempo que tinham para se encontrar não era o suficiente. Ela tinha que cuidar da irmã, trabalhar, estudar, sempre estava cansada e ele tinha exatamente a mesma rotina.

Não houve uma sessão de desespero e de choros como naqueles filmes românticos. Na verdade, Isaac ficou calado alguma parte do tempo, associando tudo o que a ruiva falava que simplesmente não podia contestar. Era verdade, os dois tinham muito pouco tempo para o outro e aquilo era, em certo ponto, frustrante. Tudo o que foi colocado naquele último encontro foi bem lógico e não podia discordar da decisão sensata que Carbella estava tomando pelos dois. Sabia que ela estava pensando nele também, ela sempre fazia aquilo.

Quando voltou para St. Clavier naquele dia, estava um pouco mais distraído que o costume. Não ligou para os alunos correndo nos dormitórios da escola ou para os chamados e apelidos que raramente entendia. Também não se preocupou com as organizações de trabalhos e coisas referentes ao Conselho Estudantil. Apenas seguiu até o próprio quarto, para tomar um banho, trocar de roupa e tentar estudar alguma coisa. Afinal, era só mais um dia comum para sua rotina em St. Clavier, não era? Não havia muito em que pensar naquele caso.

Mas foi mais difícil se concentrar do que esperava e alguma coisa ainda lhe incomodava na situação inteira. Podia pensar e repensar um milhão de vezes todas as explicações lógicas que ele e a própria Carbella tinham estabelecido para o término dos dois, mas ainda sentia algo estranho, incômodo, lá no fundo que tornava difícil respirar. Desistiu de tentar entender o que estava se passando e só ficou deitado na cama, olhando para o teto do quarto que não dividia com ninguém, sem ao menos tentar ler algo para se distrair. E só depois de alguns longos minutos encarando o nada foi que lembrou, com detalhes, de uma situação que tinha acontecido alguns anos atrás, naquele mesmo dormitório e com os mesmos motivos.

Seu primeiro namorado em St. Clavier também tinha ido embora, e daquela vez, ele mesmo tinha dado os motivos óbvios pelos quais não poderiam ficar juntos, já que o mais velho tinha uma carreira a seguir e não fazia sentido ficarem apegados a mensagens ou ligações quando os dois tinham outros objetivos de vida. Provavelmente, tinha se sentido do mesmo jeito, ao se despedir do ex-namorado antes dele viajar para outra cidade, outro país, e os dois perderem parcialmente o contato.

Isaac fechou os olhos e respirou fundo, ainda sentindo um forte incômodo que não lhe deixava em paz. Não tinha mais nada que ser feito, então, era melhor só se resignar ao trabalho e aos estudos e, quem sabe, buscar outros tipos de distração que não fossem um relacionamento sério. Aquela foi uma das poucas noites que podia lembrar não ter dormido tão pesado como estava acostumado. E no dia seguinte, talvez... apenas talvez... tivesse pegado mais pesado com os alunos causando problemas nos corredores da escola e nos clubes. Mas certamente não tinha nada a ver com o seu término.

* * *
Adam

[“Maldita aposta” - Adam, Renaud]

Foi com uma aposta besta que Adam soube que talvez aquele fosse seu último dia na Terra. O ruivo sabia que perdendo a aposta viria alguma gracinha que Celeste e Noah jogariam na mesa pra Adam ser obrigado a cumprir.


Só não achava que iriam tão longe ao ponto de mandá-lo direto à morte. A “gracinha” que os meninos haviam escolhido, seria de ir ao Vice-Presidente do Conselho Estudantil, Renaud Blanco, o assustador “cão” da Mama, e pedir um beijo. Claro que ele é bonito, sempre bem vestido, bem alinhado, tinha um bom porte físico e tudo mais, mas o Vice-Presidente Blanco não é das pessoas mais amigáveis de St. Clavier, pra dizer no mínimo intimidador.


O ruivo estava queimando seus neurônios, pensando numa maneira de chegar no vice-presidente de uma maneira que o mesmo no mínimo não risse da sua cara, ou que lhe dê um esporro ou algo do tipo. Seus amigos haviam dito que nesse horário o Vice-Presidente estaria na cozinha dos quartanistas, no caminho, sentia que estava andando no corredor da morte. Mas Adam encontrou uma cena diferente do que esperava, viu o Vice-Presidente com roupas normais, calça social, camisa branca, um avental e uma tiara que mantia sua franja segura, era uma visão que nunca esperava ver, ele estava assobiando e até cantarolando. Pelo lado bom, aparentemente, esse era um bom dia para o vice-presidente? Esperava que sim.
Foi se aproximando da bancada onde ele estava, mantendo a calma.

- Vice-presidente Blanco, boa tarde. Não queria atrapalhar o senhor, mas já atrapalhando... houve uma situação que me trouxe aqui, é um tanto complicada, porque o meu ta na reta. Então, aconteceu que eu entrei numa aposta besta e perdi, e eu to aqui agora porque quem perdesse, teria de pedir um beijo ao senhor.

Renaud estava ocupado, aparentemente testando alguma nova receita, porque tinha um temporizador que logo apitou assim que o ruivo abriu a boca. Renaud ergueu uma das mãos, pedindo um minuto, e foi até o forno elétrico tirando uma leva de biscoitos que tinham um aroma maravilhoso, do tipo que te esquentam por dentro só de sentir o cheiro. Renaud sorriu entretido, e só depois se deu conta que o ruivo menor estava do lado dele:

- Então, o seu "está na reta", você ganha o quê se cumprir a aposta? Já que te pediram pra descer no inferno e pedir favores ao diabo. -- perguntou sem parecer muito interessado, mudando os biscoitos para um prato, haviam bisnagas coloridas que indicavam que ele ainda iria decorar os biscoitos.

Os biscoitos que o vice-presidente havia tirado do forno realmente cheiravam muito bem e estavam com uma cara maravilhosa, mas esse não era o foco. Ele tinha um ponto, o que o ruivo ganharia com isso? Se sobrevivesse, teria uma história boa pra contar, mas só se desse certo.
- Bom, eu acho que eles não tinham muitas esperanças de que eu voltasse vivo daqui, então eles não especificaram nada. Mas como eu perdi, tive que vir.


Sorte de Adam que parecia que o vice-presidente parecia estar mais amigável que o normal, isso poderia ser preocupante? Talvez, mas esse era o momento perfeito.

Renaud não pareceu muito interessado de toda forma no que o ruivo dizia, entretido em pegar as bisnagas e fazer padrões geométricos milimétricos nos biscoitos. Terminando um dos modelos de decoração o Blanco encarou satisfeito o resultado. E então repousou a bisnaga, limpou as mãos no avental, e então segurou o queixo do ruivo mais novo por baixo, fazendo-o olhar para cima, e com a outra mão afastou a franja longa expondo a testa do menor e depositou um beijo ali. Depois ainda de perto encarou o menor com um sorriso que podia até ser maldoso:

- Pronto vá lá e se vingue, peça qualquer coisa pra eles de volta, se eles não especificaram pode ser qualquer coisa que quiser. Aproveite o poder.

Deu dois tapinhas sobre os cabelos ruivos do garoto e depois se voltou para o balcão novamente puxando o celular para tirar foto do modelo de biscoito, mais entretido em seu próprio trabalho.


Chocado é o mínimo que o ruivo podia estar. Antes da situação, talvez estivesse pálido de medo, mas depois, de certeza está vermelho de vergonha e com os olhos arregalados. No momento que o vice-presidente, se aproximou, não sabia se era uma coisa boa, ou se seria seu fim. Mas o mais velho depositara um beijo em sua testa.


Talvez em um universo paralelo o ruivo considerasse que isso poderia acontecer, mas havia acontecido. Depois do conselho do mais velho, de procurar sua vingança,


- M-muito obrigado, vice-presidente Blanco. – Disse o mais novo tentando segurar no último fio de sanidade que lhe restava e indo em direção à sala de convivência encontrar com Celeste e Noah com a bela e assustadora pra lhes esfregar na cara.
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Meu Dia de Cerise - by Lil - 08-23-2021, 11:35 PM
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