10-16-2021, 05:22 PM
Xavier já tinha percebido que Diodoro não era de conversar muito, o que tanto facilitava o seu trabalho quanto tornava entediante - às vezes um pouco assustador. Não era que fosse uma pessoa exatamente anti-social, mas o agente funerário era estranho, então talvez fosse melhor só manter o relacionamento profissional estritamente silencioso. Quando terminou de ajudá-lo com a bagunça no chão, ouviu ainda o som seco da cabeça dele batendo contra a mesa quando ele tentou se levantar e o encarou com uma expressão que podia parecer muito irritada, mas era mais a preocupação com o franzir de cenho de um rosto que já era naturalmente pouco amigável.
Ele não voltou a perguntar se o agente estava bem, entregou os papeis que tinha juntado e pegou a vassoura para voltar ao seu trabalho, mas teve a atenção desviada inúmeras vezes pela série de pequenos acidentes que ainda acompanharam Diodoro o resto do dia: o tropeção no carpete, mais papeis espalhados no chão, uma crise de espirros, e provavelmente algum acidente a mais na sala em que ele cuidava dos cadáveres, porque Xavier só ouviu a movimentação quando passou pela porta fechada, dividido entre a curiosidade de olhar lá dentro e o receio de olhar os cadáveres.
Xavier terminou tudo que tinha que limpar naquela manhã bem a tempo de Diodoro voltar para mesa de trabalho a perguntar se queria hambúrguer. Só tinha entendido a pergunta muito objetiva porque ele já tinha lhe perguntado mais de uma vez desde que tinha começado a trabalhar ali. Mas, como de costume, ele já estava acostumado a levar a própria comida.
- Não, tenho meu almoço. Posso ir comer agora? - ele perguntou.
Ele não voltou a perguntar se o agente estava bem, entregou os papeis que tinha juntado e pegou a vassoura para voltar ao seu trabalho, mas teve a atenção desviada inúmeras vezes pela série de pequenos acidentes que ainda acompanharam Diodoro o resto do dia: o tropeção no carpete, mais papeis espalhados no chão, uma crise de espirros, e provavelmente algum acidente a mais na sala em que ele cuidava dos cadáveres, porque Xavier só ouviu a movimentação quando passou pela porta fechada, dividido entre a curiosidade de olhar lá dentro e o receio de olhar os cadáveres.
Xavier terminou tudo que tinha que limpar naquela manhã bem a tempo de Diodoro voltar para mesa de trabalho a perguntar se queria hambúrguer. Só tinha entendido a pergunta muito objetiva porque ele já tinha lhe perguntado mais de uma vez desde que tinha começado a trabalhar ali. Mas, como de costume, ele já estava acostumado a levar a própria comida.
- Não, tenho meu almoço. Posso ir comer agora? - ele perguntou.
