11-15-2021, 11:32 PM
Geralmente Diodoro não ficava com vergonha da própria falta de sorte, afinal, a vida toda tinha sido o irmão com quem toda a família descontava a vontade de falar mal; também não era o tipo sortudo ou cheio de vida; enfim, era difícil que se sentisse constrangido por alguma coisa. Tanto era assim que a primeira risada de Xavier lhe surpreendeu mais por ser de Xavier do que por ser uma risada. Porém, quando ele reafirmou que não estava sendo um dia fácil, até ficou um tanto consciente de que era seu funcionário recém-contratado que estava lhe falando isso, e que toda a situação era um pouco patética demais até para Diodoro, que suspirou longamente, resignado.
Porém, Xavier começou a tirar comida da própria marmita e colocar na tampa, e antes que percebesse, ele tinha oferecido parte de seu almoço para Diodoro. Talvez para ele, fosse apenas um gesto de boa índole, mas para um franco-italiano faminto, cuja comida era uma forma de expressar familiaridade, o gesto era quase comovente. Exceto, claro, que o agente funerário só demonstrava a surpresa na cara, e olhe lá.
Respondeu silenciosamente que sim e então foi até a outra sala buscar alguns talheres que usava para comer as marmitas que pedia para a funerária, sentando-se a mesa com Xavier.
- Eu lavei. – falou, erguendo de leve a faca, implicando que tinha usado para cortar um morto em algum ponto da vida. Mas era mentira claro. Uma piada do bom humor que tinha se reestabelecido com a solidariedade do funcionário. – Obrigado. Mesmo. – agradeceu, pegando um pouco da comida oferecida a si, comendo bastante satisfeito.
Porém, Xavier começou a tirar comida da própria marmita e colocar na tampa, e antes que percebesse, ele tinha oferecido parte de seu almoço para Diodoro. Talvez para ele, fosse apenas um gesto de boa índole, mas para um franco-italiano faminto, cuja comida era uma forma de expressar familiaridade, o gesto era quase comovente. Exceto, claro, que o agente funerário só demonstrava a surpresa na cara, e olhe lá.
Respondeu silenciosamente que sim e então foi até a outra sala buscar alguns talheres que usava para comer as marmitas que pedia para a funerária, sentando-se a mesa com Xavier.
- Eu lavei. – falou, erguendo de leve a faca, implicando que tinha usado para cortar um morto em algum ponto da vida. Mas era mentira claro. Uma piada do bom humor que tinha se reestabelecido com a solidariedade do funcionário. – Obrigado. Mesmo. – agradeceu, pegando um pouco da comida oferecida a si, comendo bastante satisfeito.
