[Drive] Set up Lunch [Mathew; Aleksei; Benjamin]
#1
Mathew

Recebeu uma mensagem da irmã mais nova de Benjamin para convidar o psicólogo da instituição para qual trabalhava para um almoço com seu namorado no domingo. Estava bastante apreensivo com aquela situação, pois bem sabia o quanto Benjamin se sentia desconfortável com o grego por perto. Ainda assim, era complicado ter de conviver com os dois em seu ambiente de trabalho, ignorar a presença de Aleksei quando na verdade não lhe faltava vontade ou assunto para conversar com o amigo, e ao mesmo tempo não causar desconforto ao namorado.

Havia conversado com o psicólogo previamente, visitando-o antes do horário de trabalho acabar para poder informá-lo dos planos para um almoço no domingo. Não sabia da disponibilidade do outro, então achou melhor perguntar ao homem se ele teria algum tempo livre no final de semana. Acabou por trocar algumas novas mensagens com Mary Ann pelo telefone, gastando muito mais tempo agora com o celular devido ao planejamento sobre o tal almoço. Admirava o grego como seu amigo, apesar das brincadeiras de mau gosto que ele e Dieter costumavam pregar em sua pessoa sempre que tinham a oportunidade de fazê-lo. Pensou em convidar o professor de biologia também para evitar com que Benjamin pensasse que tinha algo específico por Aleksei Vlahos, mas o moreno mais alto sempre parecia bem mais ocupado.

No sábado, após confirmar o evento com Mary Ann e o andamento do planejamento, adiantou seus estudos, intercalando seu interesse nas matérias que deveria estudar e o lugar que escolheriam para o almoço. Pensava em algo como frutos do mar, clássico da cidade, típico e sem muitas surpresas. Na verdade, se fosse ser surpreendido, preferia que fosse positivamente, pois detestaria ter de lidar com Benjamin emburrado e lhe julgando pelo resto do dia diante de sua amizade com o psicólogo.

De noite, mencionou do almoço de domingo, sobre saírem para comer em um dos restaurantes de frutos do mar de Cerise, o mesmo lugar que havia pedido ajuda para a irmãzinha dele para escolher. Não fazia ideia de como Benjamin encararia aquela situação, mas esperava que ao menos ele desse alguma chance para o novo cenário. Já no horário noturno, após encerrar seus estudos e os afazeres em casa, encontrou com o namorado na cama, ponderando sobre como mencionaria o almoço com o psicólogo no dia seguinte.

- Benjamin. - começou, tentando chamar a atenção do inglês enquanto removia o próprio par de óculos antes de acomodar-se na cama. - O que acha de almoçarmos fora amanhã? Eu… eu convidei o Aleksei para almoçar com a gente. - comentou, pressionando os lábios ao aguardar a reação do outro diante daquela conversa. Já era de se esperar que ele imaginasse que algo assim aconteceria, porque não conseguia esconder quando estava apreensivo ou preocupado.

Benjamin

Benjamin tinha parcialmente resolvido o problema com Mathew e Aleksei em sua mente desde a última briga por conta de um almoço desavisado. Ainda não gostava do psicólogo, mas a presença dele e a proximidade que parecia até proposital com Mathew lhe deixava muito incomodado. E para piorar o seu desgosto pelo psicólogo, ainda recebeu uma bronca enorme da irmã mais nova por agir daquele jeito sem sequer estar disposto a conhecer os amigos do seu namorado. Não ficou com um ânimo muito melhor ao longo da semana, mas sabia que Mathew tinha intimidade para conversar sobre todas aquelas coisas com Mary Ann, e com as palavras dela somada à atitude de Mathew, sabia que havia alguma coisa errada ali.

As suspeitas se confirmaram quando saiu do banho para a cama na noite de sábado, depois de ter corrigido alguns exercícios de alunos a tarde inteira. Deitou-se na cama e Mathew veio logo em seguida, sugerindo que almoçassem fora no domingo. Muito especificamente na companhia de Aleksei. Franziu o cenho em irritação assim que ouviu o nome alheio, encarando o namorado a contragosto.

- Você está falando demais com Mary Ann. - respondeu, obviamente contrariado porque não teria como negar o pedido direto especificamente depois de todo o sermão da irmã. Mas não respondeu logo sobre aceitar ou não ir almoçar fora. Não ia poder negar mesmo, então era melhor nem confirmar.

Mathew

Entreabriu os lábios, inquieto diante do franzido do namorado. Fechou a boca quando ele lhe respondeu sobre conversar com a irmã mais nova dele. Cruzou as pernas, inclinando-se para a frente ao apoiar os cotovelos nos joelhos, acompanhando o outro com olhar.

- Eu não sabia como falar sobre isso direito com você porque você não parece gostar dele. - tentou se explicar, voltando-se para Benjamin enquanto pressionava os joelhos com as mãos. - Vamos, Benjamin. Vamos ser eu, você e o Aleksei. Ele não é tão ruim assim. - fez uma breve pausa, relembrando de todas as vezes que o grego lhe colocou em situações desconfortáveis. - Quero dizer, ele também é nosso colega de trabalho e meu amigo. Por que não dá uma chance pra ele? Não vai ser tão ruim assim.

Virou-se para Benjamin, sorrindo mais gentil para o inglês que já havia se deitado. Segurou a mão do loiro, trazendo-lhe os dedos até os lábios.

- Vamos, Benjamin. Por favor. - pediu, esperando que ele aceitasse, pois realmente apreciava a companhia do namorado e não queria ter de se dividir entre o convívio com ele e o psicólogo, pois certamente acabaria ficando dependente apenas de Benjamin e não achava que aquilo fosse saudável para ambos. Conhecia os amigos do inglês e não simpatizava com o japonês violento, o tal de Nakamura, Hinomura, nem se recordava direito o sobrenome dele, mas havia aprendido a conviver na presença do mesmo no decorrer dos dias trabalhando sob o mesmo teto que ele. Só desejava diminuir a irritação do inglês na presença de seu amigo. Sem mencionar que não se recordava de Aleksei possuir muitos amigos além dele e do professor de biologia e aquilo também lhe preocupava, apesar de nunca ter parado para conversar sobre o assunto diretamente com o grego.

Benjamin

Respirou fundo porque não sabia o que fazer para sair daquela situação. Mas tinha que admitir que talvez fosse até uma boa ideia ficar mais próximo de Aleksei e descobrir o que ele queria de verdade com Mathew, porque o enfermeiro parecia não perceber, mas a intimidade deles era demasiada.

- É claro que eu não gosto dele. Ele é bonito, rico, bem sucedido e tem um interesse inexplicável em você. - retrucou, remexendo-se na cama para se sentar encostado aos dois travesseiros. - Queria saber como iria se sentir sabendo que saio o tempo todo com um amigo que é íntimo até demais de mim.

Sentiu a aproximação e o toque em sua mão, rodando os olhos e suspirando de novo, sabia que ia acabar se rendendo à insistência dele e não queria começar estragando o relacionamento recente com a irmã.

- Eu vou, Mathew. - respondeu bem a contragosto, ajustando a posição da cama para ficar deitado por fim. - Mas agradeceria se você achasse amigos feios. E que não andam lhe beijando em parques de diversão.

Ainda respondeu com um tom bem óbvio de acusação, mas a despeito de todas as implicações e o tom irritado, deitou-se próximo de Mathew, passando a mão por cima do peito dele para dormir. Seria um domingo longo, mas ainda tinha um pouco de esperanças de que não fosse tão ruim.

Mathew

Arqueou as sobrancelhas, surpreso com as colocações de Benjamin. A aparência de seus amigos era assim tão importante pra ele? Desviou o olhar sobre o comentário acerca dos amigos íntimos, pois sabia que o melhor amigo dele, Stephen, já havia sido bastante íntimo de seu namorado. Respirou fundo, recordando de que sequer havia retornado a encontrar a única amiga que havia feito naquela cidade após toda a resolução daquele caso.

Voltou a observar o namorado quando, já deitados, ele passou a mão em seu peito em sinal de que iriam dormir. Já era o bastante que ele havia aceito o convite para o almoço com Aleksei. Queria mandar uma mensagem positiva para Mary Ann, mas tinha receio de se afastar do outro e deixá-lo irritado além do que já parecia contrariado. Então apenas estendeu a mão para a cabeça do homem, respondendo-o com um afago carinhoso antes de aceitar o merecido descanso.

No dia seguinte, acordou como de costume, sempre cedo para poder arrumar o café da manhã e cuidar dos afazeres domésticos. Como era domingo, deixou que Benjamin ficasse o tempo que quisesse na cama, já bastava ele sempre ter que aturar seus roncos barulhentos de madrugada. Enquanto estava ocupado na cozinha, trocou mensagens com Mary Ann sobre o assunto da noite anterior, informando-a sobre o sucesso do pedido.

Posteriormente, aproveitando o momento de preparo do café da manhã, receoso, telefonou para o psicólogo, perguntando-se mentalmente se ele já estaria acordado naquela hora do dia. Não sabia também se ele atenderia o telefone que conseguira no trabalho, mas ao menos desejava confirmar se o convite para o almoço, local e horário, estava tudo de acordo com ele também, já que o tinha convidado. Bateu os ingredientes para algumas panquecas no liquidificador enquanto esperava ele atender a ligação, inquieto.

Benjamin

Benjamin se rendeu ao sono apenas porque era o que podia fazer. Não teve uma noite muito tranquila, provavelmente por conta dos pensamentos negativos que permeavam sua mente, mas ainda assim, dormiu mais do que o namorado na manhã de domingo, acordando apenas próximo das dez da manhã para ter o pensamento renovado de que iriam almoçar na companhia de Aleksei. Bom, talvez devesse dar mais crédito aos sentimentos de Mathew e menos à sua insegurança. Mary Ann também tinha batido na mesma tecla por horas a fio enquanto conversava com ela por celular.

Resolveu tomar logo um banho para acordar melhor e renovar o humor, para então descer até a cozinha e sentir o cheiro de panquecas e ouvir a voz de Mathew se despedindo de alguém no telefone. Alcançou a cozinha vestindo uma calça de malha confortável e uma camisa básica, apenas porque esperava ficar em casa ainda por algum tempo antes de irem para o almoço, cuja hora nem estava ciente ainda.

- Bom dia. - cumprimentou o namorado, aproximando-se direto da chaleira para se servir de uma xícara de água quente e colocar um sachê de chá de camomila, provavelmente precisaria dele. - Com quem estava falando? - perguntou sobre o telefonema que ele tinha encerrado bem antes.

Mathew

Manteve o celular apoiado entre o ombro e o queixo enquanto cozinhava, reconhecendo a voz do outro lado da linha até respirar mais aliviado. Pelo menos ele havia atendido o telefone. Perguntou sobre o almoço, o compromisso para o qual havia convidado o outro no dia anterior. Franziu o cenho diante da resposta dele sobre a própria aparência. Gostava de conversar com ele, não necessariamente de como ele se vestia ou de como se apresentava. Também não era cego e admitia que ele tinha uma boa aparência, mas não era algo que parava para admirar ou lembrava da existência todos os dias. Já ia se defender no telefone quando ele lhe acusou de não ser bom lendo as pessoas quando ouviu passos mais próximos e prontamente imaginou ser o namorado, desligando a chamada quase que imediatamente, despedindo-se bruscamente.

Contorceu-se para se livrar do celular, colocando-o de lado na mesa da cozinha para terminar as panquecas, sorrindo animado ao ser cumprimentado inicialmente por Benjamin. Aproximou-se após diminuir o fogo das panquecas para poder cumprimentar Benjamin de volta com um carinho mais íntimo, tocando-o na cintura para beijá-lo no ombro quando ouviu a pergunta enquanto ele preparava o próprio chá.

- Ah… - parou no meio do trajeto, afastando-se alguns centímetros ao processar sua resposta. - Era o Aleksei. Eu liguei para confirmar se ele iria sair conosco hoje ou se tinha esquecido. - disse, sem enxergar porque dizer algo diferente daquilo poderia ser inadequado. Já havia sofrido antes omitindo informações de Benjamin e não desejava passar por aquilo de novo. - Bom dia. - sorriu mais aliviado por ainda conseguir admitir aquilo, ainda que soubesse de como era a convivência do namorado com o amigo. - Conseguiu descansar? Você dormiu bastante. - perguntou enquanto separava as panquecas recém prontas e cheirosas.

Colocou as panquecas em um prato único na mesa, escolhendo outros pequenos para poderem se servir. Não era de se gabar, mas ao menos as panquecas sabia fazer muito bem, aquele costume canadense que sua família sempre tinha nos finais de semana logo cedo pela manhã não morreria nunca se dependesse dele e de suas irmãs. Serviu-se de duas das panquecas e uma xícara de café pelo hábito do trabalho, lembrando de buscar alguma fruta para acompanhar a refeição, estava tentando cuidar um pouco da própria saúde e não preocupar demais o namorado.

Benjamin

Esperava mesmo que a resposta fosse que ele estava falando com a família no Canadá, tanto que ficou mais atento à xícara enquanto Mathew deixava o celular do lado para se aproximar e responder exatamente o que Benjamin não queria ouvir. O beijo no ombro e o toque na cintura deviam ser só para amenizar o seu humor, de fato, mas uma hora teria que se acostumar, não era? Só esperava que o almoço provasse que estava mesmo pensando besteiras aquele tempo todo. Só suspirou pesado com a resposta do namorado e tomou um gole do chá, ainda quente, enquanto Mathew terminava de fazer as panquecas.

- Sim, eu dormi bem. - respondeu, tentando devolver o tom amigável a despeito de ainda não gostar da ideia do almoço. Mathew estava se esforçando, e desde a última discussão, tinha prometido que ia se esforçar também para não ser tão paranoico daquele jeito. Resignou-se aos próprios pensamentos inadequados e continuou tomando o chá, sentando-se à mesa apenas olhando as panquecas que ele tinha preparado, mas sem se servir. - As panquecas estão com um cheiro bom.

Continuou apenas tomando o chá enquanto ele se servia de duas panquecas e fruta, observando o namorado por um instante e apoiando o cotovelo na mesa, com o queixo na costa da mão. Sinceramente, para alguém que nunca tinha se firmado num relacionamento duradouro... ele mesmo estava sendo mais difícil de lidar com Mathew. E queria que aquilo desse certo, então era melhor se entender com os amigos dele também.

- Que horas está marcado? - perguntou sobre o almoço, tentando parecer menos incomodado com a ideia.

Mathew

Conhecia o namorado tempo o bastante para notar quando ele parecia desconfortável com alguma coisa e aquele assunto acerca do psicólogo já havia passado pelas discussões entre ambos diversas vezes. Enquanto mastigava uma das panquecas, ouviu a pergunta sobre o horário e bebeu um pouco do café para conseguir engolir e responder.

- Marquei para uma da tarde. Mas não se preocupe, já liguei fazendo a reserva, então não corremos o risco de não encontrar uma mesa. - sorriu, orgulhoso da própria organização. Bem, estava fazendo aquilo pelo namorado também. Queria que ele se entedesse com o psicólogo. Sabia que Aleksei podia ser irritante em alguns aspectos, odiava quando ele sempre lhe fazia parecer um completo idiota, lhe aconselhando sobre assuntos que antes pareciam complexos, mas no pensamento dele, pareciam bem óbvios e simplórios.

Terminou de comer as panquecas rápido como de costume. Não era do tipo que demorava em suas refeições quando estava de bom humor. Estava esperançoso que tudo acabaria dando certo no final. Levantou-se para colocar a louça na pia, lavando e secando as mãos antes de se aproximar do namorado novamente, tocando-lhe as costas em um afago breve.

- Coma alguma coisa, Benjamin. Eu vou cuidar de algumas coisas antes de sairmos. Também preciso de um banho. - sorriu, passando a mão livre pelos cabelos do parceiro. - Quer que eu faça alguma coisa para você? - perguntou, prestativo como de costume. Diferente do convívio durante a semana no trabalho ou quando estava muito cansado em casa, nos finais de semana estava muito mais inclinado a realizar as vontades do namorado, principalmente considerando que ele não deveria estar acostumado aquele tipo de relacionamento mais cotidiano.

Benjamin

Mathew estava obviamente muito empolgado com a ideia do almoço, embora ficasse incomodado com aquilo, sabia que era apenas porque finalmente tinha aceitado se aproximar mais do amigo dele. O máximo que tinha de aproximação com Aleksei Vlahos era nos corredores da Academia e quando tinham que tratar de algum assunto dos seus alunos, nada mais que aquilo. Tivera pouco contato e depois de perceber como ele e Mathew tinham uma intimidade exagerada, tinha se afastado ainda mais.

Não deixou o incômodo tão óbvio, concentrando-se ainda no chá, e depois da confirmação que o almoço só seria dali a três horas, bom, achou melhor se servir das panquecas também.

Começou a comer enquanto Mathew arrumava os pratos na pia, ainda estava se servindo quando ele terminou e se aproximou para tocar-lhe os cabelos e oferecer ajuda em alguma coisa. Negou com um aceno de cabeça rápido.

- Não, vou aproveitar para terminar de preencher alguns dados da disciplina. - respondeu, continuando na cozinha enquanto ele ia tomar banho e se arrumar.

Como tinha dito, ainda parou para fazer parte do trabalho da Academia e só quando o relógio já marcava mais de meio-dia foi que se arrumou, colocando uma camisa básica azul clara, com a gola redonda, os dois botões abertos perto do pescoço. Vestiu uma calça mais escura e calçou os sapatos, adicionando apenas o relógio de pulso. Não se arrumou muito mais do que aquilo, colocando apenas a carteira e o celular nos bolsos, já imaginava que Mathew ia sair com uma mochila inteira de primeiros socorros. Conferiu o horário no relógio de pulso enquanto esperava que Mathew terminasse de se arrumar.

- Mat, eu vou chamar um táxi. - avisou ao namorado, já pegando o celular para fazer a ligação.

Mathew

Concordou com um aceno de cabeça com as atividades do namorado, deixando-o em paz enquanto se arrumava para saírem. Ainda precisava organizar algumas coisas em casa antes de começar a se arrumar. Poderia acumular muito mais objetos que Benjamin, porta retratos, cartas e acessórios domésticos, mas sempre foi um homem organizado e cuidava muito bem da residência em que agora vivia com o inglês. Em breve, esperava poder se mudar com o homem para Paris e quem sabe poderia encontrar alguma moradia perto de onde estudaria ou trabalharia. Os planos para o futuro ainda eram nublados e precisava conversar com Benjamin sobre o que ele desejava também, pois não considerava mais ele fora de seu futuro para tomar aquele tipo de decisão sozinho.

Após o banho, vestiu uma calça jeans, uma camisa polo cinza, um par de sapatos e arrumou a própria bolsa. Sempre andava com sua bolsa no caso de precisar em alguma emergência, e como era um enfermeiro, não podia deixar ninguém desamparado no caso de alguma necessidade, ao menos pensava daquela forma. Lembrou de carregar o celular e arrumar o cabelo daquela vez. Geralmente tinha os fios assanhados pela falta de memória ao acordar e verificar a própria aparência no espelho antes de ir trabalhar, estava sonolento demais ao lavar o rosto.

- Certo! - concordou com o namorado ao ouvir sobre o táxi enquanto deixava o quarto para verificar as portas e janelas da casa. Retirou o celular do bolso novamente, verificando o telefone do amigo psicólogo e esboçando um sorriso, antecipando que seria um bom almoço para que finalmente ele e Benjamin se conhecessem melhor.

Assim que o táxi chegou, informou o endereço do restaurante ao qual se encontrariam com Aleksei. Era um ambiente mais boêmio e tranquilo, perto da orla, um tanto distante do distrito residencial. Durante o trajeto, comentou sobre os pratos que havia pesquisado do cardápio e que poderiam experimentar naquele almoço, a grande maioria incluía frutos do mar e, para sua alegria, lula frita, uma das especiarias favoritas e que não tinha oportunidade todos os dias de comer.

- Acho que é aqui. - informou ao namorado assim que saíram do táxi, indicando o restante do trajeto que teriam de fazer a pé devido ao restaurante não ficar acessível às vias de veículos comuns. Não muito distante, havia um restaurante de esquina com grandes janelas de vidro que permitiam a visão interna do ambiente. Era um ambiente amplo e bem iluminado que no final de semana parecia bem frequentado. - É aquele ali. - apontou, verificando no próprio celular o endereço do lugar antes de segurar a mão do inglês, guiando-o ao se aproximar. Estava mesmo empolgado com aquele encontro e com a comida também.

Aleksei

O pedido de Mathew para que fossem almoçar no domingo tinha sido no mínimo interessante, especialmente porque envolvia também o namorado dele, Benjamin, que sempre se sentia ameaçado por sua presença. Não tirava a razão do inglês, afinal, ele fazia muitas coisas de propósito apenas para fazer com que o inglês ficasse enciumado, que reafirmasse o relacionamento com Mathew - e claro, para se divertir com todo o espetáculo que o enfermeiro tirava disso.

Enquanto se arrumava no fim da manhã do domingo, riu em frente ao espelho, especialmente porque Mathew tinha pedido para que ele "não parecesse tão bonito". Usou uma roupa muito básica que já estava acostumado a repetir, com uma camisa de gola alta vinho e uma calça social de gabardine preta. Colocou ainda o blazer conjunto da calça para pegar o próprio carro e ir até o restaurante em que tinham marcado o almoço, às 13h.

Chegou no local um pouco adiantado, o valet ficando com as chaves de seu carro para estacionar, enquanto seguia para a mesa reservada com uma recepcionista. Não usava os óculos falsos naquele dia, mas talvez devesse ter colocado o acessório só para se esforçar em "parecer menos bonito". Dispensou o garçom enquanto as suas companhias não chegavam, sentado a uma mesa de quatro lugares com poltronas acolchoadas confortáveis. Sentou-se com as pernas bem cruzadas, analisando a carta de vinhos, mesmo que estivesse ali dirigindo. Não teve muito tempo para escolher uma bebida, logo avistou Mathew se aproximando com a animação usual, acompanhado de Benjamin, com uma expressão socialmente satisfeita.

- Boa tarde, Mathew, Vaughn... - levantou-se para cumprimentar os dois, mantendo o sobrenome do professor apenas porque não tinha intimidade suficiente, estendendo a mão para cumprimentá-los.

- Só Benjamin está bom. Boa tarde, Dr. Vlahos, certo? - Benjamin respondeu, tentando manter-se mais sensato logo no início da conversa. Mas o sorriso foi bem forçado especialmente ao encarar o psicólogo de perto. Como é que Mathew não queria que se preocupasse com um homem tão bonito daquele perto de seu namorado?

- Só Aleksei, por favor. - Aleksei devolveu a cortesia, notando facilmente o desconforto do inglês antes de se sentarem.

Mathew

Não ficou surpreso com a pontualidade do psicólogo, mas torceu os lábios diante da forma com a qual ele havia escolhido ir até ali. Havia dito para ele tentar não parecer tão bonito e era daquela forma que ele surgia? Certamente poderia mostrar algumas das roupas de seu vestuário para que ele entendesse o recado. Ainda assim, não deixou de cumprimentá-lo, sorrindo mais abertamente assim que ele e seu namorado aceitaram ser chamados pelos primeiros nomes.

- Boa tarde. - sentou-se a mesa, dando espaço para ficar entre Aleksei e Benjamin, logo localizando o garçom não muito distante. - Oi, Aleksei. O que houve com seus óculos? É estranho te encontrar sem eles.

Comentou casualmente, notando aquele detalhe. Jurava que já o tinha encontrado antes sem aqueles óculos, mas sempre estranhava pelo fato de estar habituado mais com o grego no ambiente de trabalho em que ele usava os óculos com frequência. Verificou o horário em seu celular só para ter certeza que não estavam atrasados. Sabia que o psicólogo era bem educado com seus horários e ficaria incomodado em deixá-lo esperando depois de convidá-lo para aquela saída.

Olhou para os lados, pensativo sobre o garçom. Sabia que o grego gostava de alguns pratos da culinária local, mas não tinha muito certeza sobre Benjamin pois não saíam muito para jantar devido ao trabalho de ambos e por seu hábito de preferir pedir comida e comer em casa.

- Já pediu alguma coisa? - perguntou ao amigo, mais calmo ao se dar conta de que talvez ele já tivesse feito algum pedido.

Aleksei

Aleksei encarou a dupla que se acomodou à mesa, achando ainda mais interessante como Benjamin parecia desconfortável e Mathew era incapaz de notar aquilo. Mas não fez nenhum comentário a mais, achando a cena inteira muito divertida para lhe distrair em mais um fim de semana em que não tinha a oportunidade de viajar até Paris.

- Eu só uso óculos durante o trabalho, Mathew. - ele respondeu, como se aquilo fosse um detalhe que o enfermeiro já devesse ter notado. Mas não se ateve ao detalhe, negando com um aceno de cabeça sobre ter feito o pedido e deixando Mathew se preocupar em procurar o garçom. Benjamin estava mais interessado em olhar o menu demoradamente e eventualmente lhe encarar de volta para perceber que estava sendo observado. - Estava esperando por vocês. Pode ficar à vontade, eu vou pedir uma salada.

A última coisa que precisava era pedir pratos com frutos do mar e já imaginava que os outros dois iam fazer aquilo, afinal, era a especialidade da cidade e do restaurante. Mas voltou a atenção para Benjamin primeiro, ignorando a presença de Mathew.

- Então, Benjamin, como estão as coisas na sua vida de casado com o Mathew aqui? - perguntou ao inglês que pareceu travar por um instante ao olhar o cardápio para então levantar o rosto e encará-lo de volta com outro sorriso forçado.

- Nós não somos casados, Aleksei. - Benjamin corrigiu de imediato, tentando não parecer tão incomodado como já estava com a presença alheia. Voltou a atenção para o namorado sentado ao seu lado. - Mas não lhe culpo por não saber de detalhes, Mathew aqui é especialista em esquecer de comentar coisas importantes para os amigos sobre mim. Vou pedir uma salada de entrada também.

Mathew

Concordou com a resposta do outro sobre só usar óculos no trabalho, voltando sua atenção para o cardápio ao ouvir que ele pediria apenas uma salada. Considerou observar o que o namorado pediria, mas seus olhos foram diretamente para a opção de aperitivos com lula frita. Contudo, acabou erguendo o olhar assim que Aleksei perguntou sobre a vida de casados dos dois. Sentiu o rubor lhe tomar parcialmente a face. Obviamente já havia pensado sobre o assunto do matrimônio, ainda mais com o casamento de seu irmão Gerald, mas diante de seu objetivo atual de conseguir se tornar um médico, resolveu que aquele desejo ficaria para discussões posteriores.

- Nós não--
Já ia responder ao grego ao mesmo tempo que Benjamin, mas ele acabou respondendo primeiro. Sorriu discreto diante da resposta pouco antes de ouvir seu complemento. Não conseguiu esconder o semblante boquiaberto com a resposta do namorado. Ele havia mesmo acabado de falar que esquecia de falar detalhes sobre ele para os amigos? Sabia muito bem do que ele estava falando e a quem estava fazendo referência, mas Aleksei era seu amigo bem antes de conhecer a enfermeira ruiva cereja e bem se recordava que já havia falado bem mais para ele sobre a vida com Benjamin que para a moça. Deveria ser alguma coisa da profissão do homem que lhe fazia conseguir falar tanto sobre tanta coisa.

Pensou em responder aquela sentença, mas apenas pressionou os lábios, voltando sua atenção para o cardápio novamente. Não havia sentido em responder aquele comentário. Ainda conseguia se recordar de como Benjamin havia lidado com todo aquele caos que havia criado. A última coisa que desejava era retomar o assunto e tornar o almoço ainda mais tenso para ele.

- Eu vou pedir essa porção de lula frita. - comentou antes de chamar o garçom para fazerem os pedidos das duas saladas e a porção de lula frita. Era seu dia de folga e estava mesmo ansioso por poder enfim experimentar aquele seu prato favorito que só conseguia comer em alguns restaurantes bem específicos de sua cidade natal. - Falando em casamento, meu irmão mais velho vai se casar esse ano finalmente. Acho que não tenho muitos amigos casados. O Dieter é viúvo. Você já foi casado, Aleksei? Eu nunca perguntei isso. Acho. - perguntou a fim de mudar de assunto e também pela própria curiosidade. Em suas conversas com o grego, recordava de sempre falar muito sobre si mesmo, sobre seu relacionamento com Benjamin ou sobre problemas pessoais, mas quase nunca falavam sobre Aleksei.

Aleksei

A resposta de Benjamin foi extremamente incisiva e Aleksei manteve a boa expressão suave para apreciar a cara de Mathew que se contorceu em surpresa com aquelas palavras. O inglês podia parecer bem tranquilo de longe, mas dava para notar muito facilmente o incômodo dele ali e talvez se apertasse mais alguns botões ele quisesse lhe bater até o fim do almoço. Aquela ideia era interessante, tirá-lo do sério.

As palavras duras tinham incomodado bastante Mathew, então por que não dar uma colher de chá para o enfermeiro?

- Na verdade, sempre que nos encontramos, ele só sabe falar de você, Benjamin. O "casado" foi só pela força da expressão. Afinal, os dois parecem tão firmes. - Aleksei respondeu, recebendo outro olhar um tanto desconfortável do inglês por cima do cardápio.

Daquela vez o professor de inglês não retrucou suas palavras, mas os dois foram interrompidos por Mathew ao mudar de assunto decidindo o que pedir do cardápio. Sorriu com a escolha previsível do enfermeiro, já tinha dispensado o cardápio com o prato principal em mente, mas voltou a atenção para Mathew com a pergunta sobre seu status de relacionamento. Sorriu com os lábios fechados, especialmente por lembrar de outras coisas com a ideia de casamento.

- Não, nunca fui casado. Não acho que sou um homem de casamento. - respondeu, apoiando o cotovelo na mesa e o queixo nos dedos longos. - E você, Benjamin? Nunca pensou em casamento? Você tem um ar de quem gostaria de casar e ter uma família.

- Não, nunca pensei em casar e nem vou pensar. - a resposta de Benjamin mais uma vez foi bem direta, quando ele fechou o cardápio deixando-o de lado. Aleksei já esperava aquele tipo de reação, especialmente porque sabia que o inglês não tinha o perfil para casamento. Mas era bom implicar com ele e com as expectativas de Mathew também. - Vou pedir bouillabaisse.

Aleksei apenas concordou com um aceno de cabeça e fez um sinal para que o garçom se aproximasse, fazendo o pedido dos outros dois e adicionando o próprio pedido com uma entrada com salada e o prato principal de pato ao molho de laranja. Adicionou ainda o pedido de um vinho próprio de Cerise, voltando-se para Benjamin mais uma vez depois que o garçom se afastou.

- Você toma vinho, Benjamin? - Aleksei perguntou, bem a tempo do garçom voltar com a garrafa.

- Sim, obrigado. - Benjamin não pensou duas vezes antes de aceitar o vinho, para que aquilo desse certo, seria bem melhor beber um pouco mais. Ou seria uma boa ideia, ou uma péssima ideia.

De qualquer modo, o sorriso de Aleksei foi evidente quando o inglês aceitou o vinho.

Mathew

Parou de observar o cardápio quando Aleksei revelou que falava bastante sobre Benjamin em suas conversas. Baixou o olhar, sentindo o par de óculos escorregar pelo nariz com o leve rubor. Não que aquilo não fosse verdade, mas não precisava que o namorado soubesse.

Já estava prestes a concordar com o psicólogo sobre ele não ser muito de casamentos. De todo modo, imaginava ele se saindo muito bem em uma cerimônia. Ele sempre parecia pronto para algum tipo de evento, de qualquer forma. Contudo, sua atenção foi tomada quando a pergunta foi direcionada a Benjamin sobre um matrimônio. Entreabriu os lábios por um momento, observando o namorado ao seu lado falar sobre nunca desejar se casar.

Não havia como negar que já havia pensado sobre aquilo. Ainda mais com o casamento de seu irmão mais velho, fora criado em uma família em que o matrimônio carregava um significado muito importante. Baixou o olhar para o cardápio fechado sobre a mesa e fechou a boca, ajustando os óculos no lugar. Voltou sua atenção para o inglês novamente quando ele avisou que beberia vinho. Não comentou nada sobre beber. Na verdade, preferia evitar o álcool perto do grego e do australiano sempre que possível, não tinha lembranças muito boas de momentos embriagado na presença dos dois. E não queria ter mais nenhuma crise de asma desnecessária, ainda que tivesse começado a carregar o medicamento consigo na bolsa no caso de qualquer emergência.

Ficou quieto até que o garçom trouxesse os pedidos. Ainda estava processando a ideia de que Benjamin não desejava se casar e sequer pensava a respeito do assunto. Não queria tocar naquele assunto ali também, na frente do grego, o que poderia parecer mais uma sessão de terapia de casal que um almoço entre amigos. Pelo menos o atendimento no estabelecimento não era demorado para que as saladas chegassem acompanhadas de sua lula frita. Para acompanhar, pediu uma garrafa de água com gás, estava tentando ser um pouco mais saudável, afinal.

Um sorriso animado se formou no rosto do canadense assim que a lula frita foi colocada sobre a mesa. Era sua comida preferida e fazia tanto tempo que não experimentava um pouco que temia confundir o sabor e acabar achando que aquela lula pudesse ser ruim se comparada aquela que comia em sua casa do outro lado do oceano.

- Quer experimentar? - ofereceu primeiro ao namorado antes de pegar uma porção com seu garfo para levar até a boca, corando com o sabor delicioso do molho absorvido pela fritura crocante, a carna macia da lula sendo mastigada até se dissolver em sua boca. - Hmmm. - sorriu com a boca fechada, voltando sua atenção para Aleksei logo depois. - Quer? - ofereceu não apenas por educação, mas porque amava demais aquele prato para não desejar que seu amigo e namorado também pudessem provar.

Aleksei

O modo como Benjamin respondia e como Mathew reagia era interessante de se observar, mas quanto mais conversavam, mais palpável ficava o desconforto do inglês. Bom, não podia tirar a culpa dele, afinal, sabia que era um homem muito bonito e interessante para despertar ciúmes alheios. E claro, tinha uma boa porção de culpa em incitar ainda mais aquele lado do inglês. Mas gostava de se dar algum crédito, considerando toda a ladainha que aquele relacionamento tinha sido até se efetivar. Ciúmes era sempre uma boa ferramenta para dar alguns empurrõezinhos.

Mathew, por outro lado, parecia pego no meio do fogo cruzado. Cada negativa de Benjamin para as suas perguntas deixavam o enfermeiro desconfortável, isso porque sabia como ele gostava de se vangloriar pelo namorado inglês e como queria ter uma vidinha tradicional e com tudo que tinha direito do mais cafona e brega possível.

Não demorou para que o garçom trouxesse as entradas com salada. Notou como Benjamin já tinha se familiarizado com o vinho, bebendo meia taça antes de ter algo mais para comer. Tomou o tempo para começar a se servir, voltando, de novo, a atenção para Benjamin.

- Sei que você é inglês, Benjamin. Já visitou muitos lugares na Europa? O Mathew aqui não parece ter tido a oportunidade ainda de conhecer outros países além da França.

- Já visitei alguns países, gosto de estudar idiomas, mesmo que minha especialidade seja em ensinar inglês para outros. - Benjamin explicou, voltando a atenção para Mathew logo ao seu lado. - Ele disse que não visitou outros lugares? Eu acho que ele está sempre muito preocupado estudando para lembrar que pode viajar facilmente aqui.

- É verdade, Mathew está sempre estudando. - Aleksei voltou a atenção para o enfermeiro, bem a tempo do garçom trazer o prato que ele tinha pedido. A sua resposta inicial foi apenas se recostar à cadeira e se afastar um pouco do cheiro mais forte, embora o tempero disfarçasse mais aquilo.

Benjamin negou rapidamente com um aceno de cabeça, tomando um pouco mais do vinho, e automaticamente olhou para Aleksei quando Mathew ofereceu para ele provar também. O olhar era tão incisivo que o grego entendeu facilmente que ele não queria que aceitasse. Devia aceitar, só para abrir a boca e esperar que Mathew lhe alimentasse diretamente. Se não fosse fruto do mar.

- Não, eu não como frutos do mar. - respondeu, casualmente, servindo-se da salada para observar um Benjamin um pouco mais satisfeito com sua resposta, e de novo, puxando conversa com o inglês. - Mas então, Benjamin, o que pretende fazer quando Mathew passar no vestibular de medicina? Vai se mudar com ele para Paris?

Mathew

Pareceu um pouco mais animado com a iniciativa de Aleksei de mudar de assunto e tratar sobre viagens. De fato, não viajara muito desde que havia chegado na Europa. Seu foco sempre estava nos estudos, mas havia muito mais motivos pessoais naquele seu objetivo que simplesmente ser aprovado de novo em uma seleção para o curso de medicina.

Parou de procurar algo no cardápio ao ser observado por Benjamin, acompanhado do comentário sobre sempre estar ocupado estudando. Bem, aquilo não era nenhuma novidade, então concordou com um aceno positivo de sua cabeça, esboçando um sorriso discreto sobre o namorado lembrar que sempre estava ocupado estudando, não que aquilo fosse necessariamente algo ruim.

- Ah… - fez uma pausa, observando o grego até arquear uma sobrancelha, recordando muito bem que já haviam saído para almoçar em um restaurante que servia frutos do mar. - Desculpe, eu não me lembrava que não comia.

Pediu e voltou a comer, saboreando o tempero naquele seu petisco favorito. Poderia comer lula frita uma semana inteira e não reclamaria. Apenas a balança e sua família ficaria muito preocupada se soubesse que havia se rendido aquele vício novamente. Voltou sua atenção para Aleksei quando ele retornou a questionar Benjamin sobre os planos do mesmo, dessa vez sobre sua possível aprovação na universidade de Paris e a mudança de ares.

- Nós ainda não conversamos sobre os detalhes desse processo. - adiantou-se a responder, bebendo um pouco de água logo em seguida para evitar engasgar com o tempero da lula ainda em sua boca. - Hm. Primeiro, eu preciso passar no processo de seleção e a entrevista. Vamos com calma. - respondeu, tentando evitar a ansiedade desnecessária por se sentir atrapalhando os planos pessoais de seu namorado ou a carreira dele. A última coisa que desejava naquele momento de sua vida era impedir que o inglês desse continuidade a própria carreira profissional por sua causa.

Aleksei

A pergunta sobre o que fazer quando Mathew fosse para Paris pegou Benjamin um tanto desprevenido. Ele olhou do psiquiatra para Mathew que foi um pouco mais rápido para responder sobre não terem decidido ainda o que fazer, que a prioridade era que ele fosse aceito na universidade primeiro.

Aleksei continuou comendo a sua entrada, assim como Benjamin, agora mais interessado no prato até que o garçom viesse servir o prato principal dos dois. O desconforto do inglês ainda permanecia o mesmo e Aleksei precisou conter a vontade de rir diante da incapacidade dele de lidar com a suposta "ameaça" ao próprio relacionamento. Deu um tempo apenas para que o inglês começasse a se servir do prato principal.

- Vocês formam um belo casal, acho que se dariam muito bem em Paris. - a resposta foi no tempo ideal para que notasse o engasgar breve de Benjamin ao levar um pouco do caldo à boca. Ele se adiantou para cobrir a boca com um guardanapo.

- E você, Aleksei? Pretende trabalhar em Cerise pelo resto da carreira? - Benjamin aproveitou a chance para desviar a atenção de si mesmo, tomando um gole generoso do vinho ao qual Aleksei fez questão de reabastecer.

- Acho que não, sou uma pessoa que gosta de uma mudança de ares. - respondeu, um pouco mais sincero do que a conversa demandava. Tomou vinho também em meio às garfadas do prato que tinha pedido. - Atuar numa escola está sendo uma experiência nova e interessante até então.
Mathew

Olhou preocupado para Benjamin assim que ele deu sinais de engasgar com o caldo do prato logo após que ficasse animado com o elogio de seu amigo sobre serem um belo casal. Era bom ser reconhecido ao lado de Benjamin como um par, pois por muitas vezes se sentia inferior ao inglês - ainda que não revelasse isso com frequência para o homem. Sabia que ele tinha uma vida muito mais estável que a sua e havia passado por muitas outras experiências de relacionamentos que aquele. Certamente, ele deveria ser o mais preparado ali e ele ser considerado algum tipo de fracasso.

- Sério, Aleksei? E para onde você pretende ir daqui? Já pensou em Paris também? - perguntou, genuinamente animado com a ideia de poder continuar encontrando o grego. Ele era seu amigo, afinal, era normal que considerasse a companhia dele agradável e agora que Benjamin havia dado aquela oportunidade a saídas juntos, talvez fosse mais proveitoso que apenas se encontrar com o homem para falar do namorado. - Se algum dia for para o Canadá, pode me avisar, minha família iria adorar te conhecer!

Sugeriu, animado com a ideia de que algum dia sua família também pudesse conhecer os amigos que havia feito ali. Talvez pudessem conhecer Dieter também, seu pai certamente gostaria de conhecer o professor, talvez levá-lo para caçar com seu avô nas montanhas. Não lembrava da última vez que havia ido caçar com os mais velhos, não era assim tão empolgado com a ideia de caçar na neve, mas era uma tradição dos homens da família, então aceitava os costumes como um bom Morrisson.

- Ah, é verdade, Aleksei. Você acompanha as crianças, mas não me lembro de já chegarmos a conversar sobre onde estudou. - comentou, bebendo um pouco mais de sua água e ajustando os óculos no lugar. - Como foi que acabou se tornando um doutor? Psiquiatra, não é? Onde foi mesmo que se formou? - perguntou dessa vez, curioso diante da ausência daquela informação. Gostava de saber um pouco mais sobre seus amigos e só então percebera que quase nunca conversava sobre os problemas do outro, geralmente apenas falava dos seus, com frequência.

Aleksei

Benjamin ainda não tinha bebido muito, mas Aleksei até notou um breve rubor no rosto dele e pensou em atribuir àquilo ao prato quente do qual ele se servia. Seria interessante se o efeito da bebida fosse inesperado. Mas era ainda muito engraçado como Benjamin reagia de modo desconfortável a cada pergunta interessada de Mathew, como aquele olhar de lado que ele lançou ao enfermeiro ao lhe perguntar sobre para que lugar iria depois.

- Não tenho planos por enquanto. Talvez eu volte para Amsterdã, foi onde fiz meu mestrado. - respondeu o grego, comendo porções pequenas, mas até Aleksei precisou parar de comer quando ouviu o convite inesperado para ir ao Canadá e a reação de Benjamin foi mais óbvia ao beber de novo o resto do vinho de uma só vez. Sorriu, voltando a atenção para Mathew. - Bom, eu certamente vou lembrar do conv-

- Mais vinho, por favor. - o pedido de Benjamin foi obviamente para lhe impedir de completar a resposta. O inglês estendeu a taça em sua direção e estava com uma expressão mais obviamente desagradada com a ideia de que o "amigo" de Mathew fosse visitar a família dele.

Aleksei apenas concordou com um aceno de cabeça, reabastecendo a taça do inglês quando Mathew voltou a curiosidade para si de novo. Benjamin podia ter se servido do prato principal, mas ele se preocupou em tomar mais um gole do vinho.

- A escolha do curso foi do meu pai. Mas eu aproveitei a área que mais me interessava para conhecer melhor as pessoas. - lançou um olhar de Mathew para Benjamin que ainda estava interessado no vinho, voltando a olhar para o enfermeiro. - Eu me formei na Universidade de Atenas e fiz mestrado e doutorado na Holanda.

- Eu não sei como ainda não sabe onde o Aleksei se formou, considerando o tanto que vocês conversam o tempo todo. - Benjamin quase interrompeu a resposta de Aleksei, finalmente voltando a se servir do bouillabaisse.

O sorriso de Aleksei foi quase automático. Então ele ficava mais conversador quando ficava bêbado? E a resistência a álcool dele era aparentemente baixa. Tinham chegado apenas ao fim da primeira garrafa - e Aleksei só tinha se servido de uma taça.

Mathew

Notou como o inglês estava bebendo rapidamente ao ponto de interromper Aleksei para pedir mais vinho. Sorriu para o grego em resposta a positiva dele sobre ir ao Canadá e conhecer sua família. Percebeu os olhares de Aleksei entre ele e o namorado e baixou o olhar para a taça de vinho de Benjamin.

- É porque quando conversamos, eu sempre falo mais de mim mesmo ou de nós, Benjamin. Na verdade, quase não conversamos sobre você, Aleksei. - olhou para o amigo e riu baixo antes de estender a mão por sobre a do namorado, tocando-lhe o pulso devagar, sem fazer pressão. - Não beba tão rápido, Benjamin, pode passar mal.

Aconselhou o namorado, ciente do histórico dele em todos os momentos em que havia ingerido bebida em demasia. Lembrava de quando ainda sequer eram namorados e de quando fora passear com os amigos dele apenas para descobrir que ele e o professor Hinomura já haviam dormido juntos. E não queria admitir, mas não confiava em bebida na presença do grego, muito menos se Dieter estivesse ali. Olhou para os lados por um instante com aquela possibilidade antes de soltar o pulso de Benjamin, mais interessado em ainda se alimentar com as lulas fritas.
Bebeu um pouco mais de água antes de voltar sua atenção para Aleksei, usando do guardanapo na própria boca antes de continuar, ponderando sua curiosidade para tentar não parecer invasivo demais e causar desconforto a Benjamin e ao amigo.

- E por que resolveu vir para Cerise, Aleksei? O Dieter sempre foi professor que eu saiba, mas já você já atendeu em algum lugar fora daqui? - perguntou, aproveitando da oportunidade, afinal de contas, já que estava com o namorado ao seu lado, não havia porque comentar sobre seu relacionamento ou sobre suas dúvidas pessoais naquele momento.

Benjamin

Benjamin apenas olhou para o namorado pelo canto do olho, imaginando exatamente outra situação em que Mathew tinha conversado demais com uma amiga, mas não tinha falado tanto do relacionamento dos dois - não tinha falado nada, na verdade. Olhou para o enfermeiro um tanto irritado quando ele ainda lhe aconselhou a não beber tanto.

- Eu acho que você sabe selecionar bem os amigos para quem fala de mim, Mat. - Benjamin riu forçadamente para o namorado, bebendo um pouco mais do vinho quando o enfermeiro perguntou a Aleksei sobre o motivo dele ter decidido ir até ali. - É, Aleksei, você não parece o tipo de pessoa que combina com Cerise. Parece alguém que gosta de cidade grande.

Aleksei apenas observava a troca de comentários entre os dois, contendo a vontade de rir das reações que estava tirando do inglês com o rosto já avermelhado.

- Só queria mudar de ares um pouco, mas eu sempre atendi pacientes, embora fossem mais adultos do que adolescentes. - respondeu, quase não dando atenção ao seu prato com pato. Mas fez um sinal para que o garçom trouxesse outra garrafa de vinho e aproveitou para terminar o pouco que ainda restava na sua taça. - Por que acha que eu sou uma pessoa de cidade grande, Benjamin?

- Já conheci muita gente igual a você, você só não combina com esses lugares pequenos. Também não é do tipo que parece gostar de um relacionamento sério, e disso eu entendo bem - o inglês respondeu, bem confiante das próprias palavras. - Só não entendo por que é que está tão interessado no Mathew.

Aleksei não conseguiu exatamente esconder a surpresa - que seria facilmente interpretada como diversão no arquear de sobrancelhas e no sorriso escondido atrás da taça de vinho. E nem tinha sido um litro de vinho ainda para que o inglês chegasse naquele assunto.

Mathew

Estranhou o olhar lançado para si, mas apenas resolveu seguir com a situação. Ele ainda fazia questão de lhe recordar do problema todo que havia causado por não falar sobre o relacionamento dos dois para a ruiva cereja. Baixou o olhar para seu prato, terminando as lulas fritas. Não havia pedido nada do prato principal e não estava nem com tanta fome assim, havia ido ali pela oportunidade de uma conversa amigável entre os dois e a chance de comer lula fruta, pelo menos a comida havia conseguido lhe satisfazer com sucesso.

Todavia, quase chegou a engasgar na própria água ao ouvir o questionamento e a especulação do namorado para com seu amigo grego. Arqueou uma sobrancelha antes de voltar sua atenção para Benjamin, descrente que ele havia feito mesmo aquele tipo de pergunta para Aleksei.

- Benjamin, nós estamos em um relacionamento sério, não estamos? E que tipo de pergunta é essa? Eu e ele somos só amigos. Só porque ele escuta boa parte dos meus problemas e quase não fala nada sobre ele mesmo, não quer dizer que não haja motivos para sermos amigos. - defendeu Aleksei, descrente também sobre o namorado ainda trazer a tona a sua memória a lembrança de todos os possíveis casos que ele já teria tido ali em Cerise. Fez uma careta até mesmo a lembrar de Hinomura.

Estendeu a mão para afastar a taça de vinho do inglês do homem, franzindo o cenho no processo ao se dar conta de que Aleksei já havia pedido uma segunda garrafa.

- Por que pediu outra garrafa? Benjamin, é melhor beber água. - tentou aconselhar o namorado, recordando de quando o grego havia lhe drogado com a ajuda do professor australiano. Apesar de considerá-lo ainda seu amigo, não confiava em beber nada alcoólico na presença de nenhum dos dois.

Aleksei

Aleksei queria ter respondido, mas por que não dar tempo para que Mathew associasse a informação antes? Além do mais, não teve como falar algo a mais quando o enfermeiro engasgou com a água ao ouvir as palavras bem incisivas do namorado. Deixou que ele respondesse, apenas observando a interação e aproveitando para se servir do novo vinho que o garçom tinha deixado na mesa dos dois, colocando também na taça de Benjamin enquanto Mathew parecia bem focado em tentar explicar ao namorado que não havia nada entre eles.

- Eu acho que há mais motivos para que ajam como mais do que amigos. - Benjamin respondeu muito diretamente. Era verdade que a bebida parecia cortar todos os filtros educados do inglês, o que deixava as coisas mais interessantes. - Você parece especialista em não perceber quando outras pessoas estão interessadas em você Mat.

O inglês tentou beber o vinho recém-abastecido, mas Mathew foi mais rápido em tirar a taça de perto dele, indicando que bebesse água.

- Eu não sou uma criança, Mathew. - Benjamin respondeu, fazendo questão de usar o nome inteiro dele, pegando a taça de volta para beber e se virando para Aleksei, até então, calado. - Vai dizer que não estava mesmo se insinuando para o Mat todas as vezes que os vi juntos?

Aleksei arqueou as sobrancelhas numa falsa surpresa. Aquilo estava muito divertido para deixar que acabasse ali mesmo. Desviou o olhar e levou a taça à boca, numa óbvia tentativa de se fingir de desentendido.

- Bom... o que quer dizer exatamente com “se insinuando”? - perguntou, retornando o olhar divertido para Benjamin. Foi fácil notar a raiva estampada no rosto do inglês e ele apenas se levantou, deixando a taça de lado.

- Eu vou ao banheiro. - não esperou resposta de Mathew ou de Aleksei, passando direto pelo enfermeiro para ir até o banheiro a passos até bem firmes para quem estava levemente afetado pelo álcool.

Aleksei o acompanhou com o olhar, voltando a atenção para Mathew em seguida.

- Ora, ora… eu não sabia que o inglês podia se alterar desse jeito. - o grego riu com o próprio comentário, tomando mais um gole breve do vinho.
#2
Mathew

Levou a mão livre até a própria cabeça, tocando a testa e segurando a armação dos óculos, ouvindo as palavras do namorado sobre os motivos de Aleksei para ter “interesse” em sua pessoa. Sentia-se culpado ali, pois suas escolhas ruins haviam alimentado aquela insegurança do namorado, mas isso não queria dizer que acreditava que o amigo tivesse segundas intenções ali. E mesmo que algum dia isso chegasse a ocorrer, não poderia correspondê-lo pelos motivos óbvios.

Ouviu a reclamação do inglês sobre não ser uma criança e o observou beber um pouco mais. Estava começando a ficar mais preocupado com aquele cenário, ainda mais quando Aleksei não respondeu diretamente a Benjamin sobre suas intenções.

- Benjamin… - tentou chamar pelo namorado, segurá-lo pela mão e impedi-lo de sair dali, mas ele já havia ido embora. Franziu o cenho, sem compreender as ações do grego antes de se voltar para o mesmo, inquieto. - Por que não disse a ele que somos apenas amigos, Aleksei? E não peça mais vinho, ele já bebeu demais!

Pegou o guardanapo antes de se levantar, deixando a mochila ainda onde estava para poder ainda observar o grego, afastando-se para logo em seguida voltar para a mesa e avisar:

- Eu vou ver se está tudo bem com ele. Espere um pouco, está bem? Eu volto logo. - pediu, afastando-se rapidamente para perguntar ao garçom sobre o banheiro. Não fazia sentido deixar Benjamin sozinho e embriagado, ainda mais considerando que ele estava irritado com toda aquela situação que o havia convencido a encarar depois de tantas conversas com a irmã dele.

Procurou pelo inglês, preocupado que talvez ele pudesse não estar muito bem devido à bebida com álcool ingerida. Talvez fosse uma boa ideia apenas pedir a conta e tentar marcar outro encontro com seu amigo em outro dia, talvez quando estivessem acompanhados de Dieter.

- Benjamin? - chamou pelo namorado, procurando-o no outro cômodo do estabelecimento.

Benjamin

Aleksei apenas fez um aceno em desaprovação com a cabeça com a preocupação exagerada de Mathew e voltou-se para o prato principal finalmente.

- Mathew, pare de tratar seu namorado como se fosse criança. - retrucou com o enfermeiro, mas apenas concordou com um aceno de cabeça quando ele disse que ia buscar pelo inglês.

Riu com a diversão momentânea, voltando para a sua refeição enquanto tinha alguns instantes de paz e imaginou que os dois provavelmente teriam uma discussão acalorada no banheiro, o que lhe daria tempo de comer. Mas não foi o que aconteceu quando avistou Benjamin retornando para a mesa com uma expressão um pouco confusa. Pelo visto, ao menos, ele tinha lavado o rosto. Benjamin se sentou no lugar de novo, só então parecendo perceber que estavam sozinhos.

- Onde está o Mat?

- Ele foi ao banheiro, procurar por você. - Aleksei respondeu prontamente.

Benjamin apenas franziu o cenho, encarando Aleksei como se não acreditasse numa palavra do que ele tinha dito. E tinha acabado de voltar do banheiro também... embora fosse bem diferente do que estava acostumado em banheiros masculinos.

- Vocês não combinaram mais nada enquanto eu estava fora? Ou comentaram alguma coisa a mais sem mim? - o comentário era realmente infantil àquela altura, e quando ele estendeu a mão para pegar a taça de vinho, foi Aleksei que a tirou do caminho. Não reclamou como tinha feito com Mathew, apenas encarando o psiquiatra de modo descrente.

- Pare de agir como uma adolescente virgem, Sr. Vaughn. - Aleksei retornou a um tom mais composto do que aquele que usava sempre brincando com os outros para se divertir. Colocou a taça de água ao alcance de Benjamin daquela vez. - Eu não estou interessado no Mathew e se eu estivesse, seria muito fácil consegui-lo com essa sua atitude infantil.

- Do que est-

- Deveria dar um pouco mais de valor ao que tem, Benjamin. - Aleksei suavizou um pouco o tom com o inglês. - O Mathew realmente gosta de você, e ele não estava mentindo quando disse que toda vez que conversamos, é porque ele está falando de você e de todas as inseguranças que tem. Eu sei que dei motivos para acreditar que havia alguma coisa aqui, mas... sem querer ofender, o seu namorado passa muito longe de ser capaz de me satisfazer. - sorriu um tanto convencido, notando a expressão de Benjamin passar facilmente de uma irritada para incomodada. - Eu estava só me divertindo e, confesso, testando até onde o relacionamento de vocês pode ir. Você pode não ter experiências com esse tipo de relacionamento, mas bem deveria estar disposto a testar. Acredite, é difícil encontrar um parceiro duradouro em casos como o nosso, ainda mais um tão dedicado assim.

Fez um aceno na direção do salão quando Mathew finalmente decidiu voltar depois de não achar o namorado. Benjamin apenas encarou o enfermeiro a distância, voltando a atenção para Aleksei logo a sua frente.

- Ainda não gosto de você. - o inglês respondeu, a sinceridade reforçada pelo efeito do álcool, dessa vez com um tom bem mais condescendente.

- Beba a água, Benjamin. Assim vai poder aproveitar a reconciliação quando chegar em casa. - Aleksei respondeu, bem em tempo de Mathew chegar e não poder ouvir nada de sua conversa anterior.

Mathew

Continuou procurando pelo namorado no banheiro, começando a ficar cada vez mais preocupado sobre onde ele estaria se não estava ali no banheiro. Chegou a ter de pedir desculpas a um dos homens no banheiro por não perceber que a porta dele estava apenas encostada no cubículo do vaso sanitário. Suou nervoso e saiu após lavar as mãos, ajustando os óculos no lugar para tentar retornar a procurar pelo inglês. Acenou para o garçom para lhe perguntar se ele havia visto o homem que lhe acompanhava assim que havia chegado ali. O sujeito estava pronto para lhe ajudar quando notou o aceno de Aleksei e arrumou os óculos de novo, surpreso ao reconhecer o inglês já sentado à mesa.

Aproximou-se a passos rápidos da mesa para poder se sentar ao lado de Benjamin, estendendo a mão para poder lhe tocar o ombro, notando que ele havia voltado para beber água.

- Fui procurar você. Está tudo bem, Benjamin? Você sumiu. - perguntou, mais preocupado que irritado com o desencontro entre ambos. - Pelo menos está bebendo água. - sorriu, ainda imaginando que ele estaria chateado com aquele encontro.

Voltou então sua atenção para Aleksei que havia sido deixado sozinho ali na mesa para que fosse atrás do namorado. Ainda que não gostasse que ele não fosse direto sobre não terem nada além de uma amizade ali, não queria que a experiência do almoço fosse desagradável para o homem.

- Desculpe ter que te deixar sozinho antes, mas ainda bem que o Benjamin voltou. - sorriu, animado, afastando a mão do ombro do namorado para poder voltar sua atenção para o cardápio, pensativo. - Vão pedir alguma sobremesa? - perguntou, tentando desviar do assunto anterior que havia provocado todo aquele clima desagradável. Não se importava com as negações desaprovadoras de Aleksei, ele mesmo já havia lhe colocado em algumas situações desconfortáveis. Por outro lado, talvez ele fosse a pessoa com quem se sentisse mais confortável para conversar em particular sobre seu relacionamento com o namorado. Não que Dieter também não fosse um bom amigo, mas era diferente de certo modo.

Benjamin

Benjamin precisou se conformar em beber água, não por conta do que Aleksei tinha apontado, mas porque sabia que já estava ficando alterado demais. E de fato, era constrangedor que um homem de quem nem gostava estivesse lhe tratando como uma criança... e com razão. Não gostava dele antes por conta do que achava de ameaça para Mathew, não gostava agora por conta da frustração causada pelas palavras óbvias sobre seu comportamento ciumento e inseguro.

Aleksei voltou a se servir do seu prato principal quando Mathew já tinha voltado e o silêncio foi facilmente deixado de lado pelo enfermeiro. Benjamin apenas concordou com um aceno positivo quando foi questionado sobre o estado pelo enfermeiro e continuou a refeição tão mais quieto do que antes.

- Não se preocupe, tivemos uma conversa interessante, não foi, Benjamin? - Aleksei falou, voltando-se para o inglês que apenas sentiu o rosto corar de constrangimento da situação anterior. A última coisa que precisava era que Mathew descobrisse que tinha levado um sermão do psiquiatra.

Mas os dois mal tinham chegado à metade do prato principal, teve que conter a vontade de rir quando Mathew perguntou pela sobremesa.

- Você não devia estar preocupado com sua saúde, Mathew? - Aleksei indagou, olhando então descaradamente para Benjamin. - Se eu fosse você, eu tomaria cuidado para não perder o namorado em boa forma.

Voltou a comer, debaixo do olhar bem descrente de Benjamin para aquela cantada desnecessária.

- Eu não quero sobremesa, estou satisfeito. - Benjamin adicionou, deixando um pouco ainda do seu prato principal de lado e voltando a se servir de água.

Mathew

Ficou mais tranquilo quando Benjamin concordou informando que estava bem. Notou como Aleksei parecia ainda provocar seu namorado com o corar do inglês ao comentário do doutor. Mathew, ao ouvir as palavras de Aleksei sobre sua saúde, baixou o cardápio, pensando que ainda estava com fome, mas que talvez devesse deixar a sobremesa de lado se queria perder alguns quilos e conseguir uma boa forma.

- Benjamin sabe que estou tentando cuidar da minha saúde. Só que é difícil fazer isso. Às vezes eu me distraio por conta dos estudos ou do trabalho. - comentou, não levando a mal o comentário sobre perder Benjamin. - Ele é que não come tanto assim.

Estendeu a mão sobre a do namorado, sorrindo-lhe amistoso como de costume. Aquele tipo de demonstração de afeto em público era uma das coisas com a qual estava se acostumando a lidar desde o incidente com toda sua falta de empatia que quase levou aquele relacionamento ao término definitivo.

Apesar de já ter desistido da sobremesa, ainda passou algum tempo comentando com o psiquiatra sobre as situações do trabalho mais recentes, desde aventuras com cenários de alunos em grupos na enfermaria devido a surtos de dor de cabeça pré-provas até quase acabar se trancando no próprio local de trabalho após sair em um dos dias, distraído pelo próprio trabalho. Sempre tinha muito o que contar e sempre era muita coisa sobre o trabalho. Tinha desejo de poder passar mais tempo com o namorado, mas se sentia com sorte de ao menos poder trabalhar no mesmo ambiente que ele.

O rumo da conversa não se prolongou demais até que pedisse a conta, aparentando ainda estar pensativo sobre algo. Se havia conhecido Benjamin no trabalho e se podiam estar mais próximos por causa daquilo, o que aconteceria se fosse aprovado em alguma cadeira de medicina em uma nova instituição?

- Vamos para casa? - perguntou ao namorado antes de tomar qualquer decisão, guardando o próprio cartão após pagar pelo almoço. Talvez ele desejasse ir para outro lugar e como havia bebido, não sabia se de fato a água já teria feito efeito de minimizar a embriaguez.

Aleksei

Benjamin não fez mais do que ignorar o comentário do psiquiatra, distraindo-se com a água já que não pediria mais nada para comer. Aleksei foi o último a terminar o prato principal, especialmente pela quantidade de perguntas que Mathew lhe fazia agora que estava sem nada para ocupar a boca. Era engraçado como Mathew começava lhe perguntando alguma coisa, mas depois desatava a falar de si mesmo e de Benjamin, em algumas situações o inglês inclusive parecia ficar ainda mais constrangido e voltou a tomar alguns goles de vinho alternados com a água. Foi mais de uma vez ao banheiro também, mas os assuntos ficaram resumidos ao trabalho em geral.

Depois de um longo relato da semana em que mais uma vez sabia de uma série de informações sobre Mathew, o trabalho, o namorado e a família, pediram a conta para encerrar o tal almoço conturbado. Ao menos daquela vez o enfermeiro fez a coisa certa em chamar o namorado para irem embora primeiro.

- Sim, vamos. - Benjamin concordou, levantando-se primeiro para conferir que ainda estava bem sóbrio a despeito da quantidade de vinho que tinha bebido de uma só vez. - Foi um... prazer, Aleksei.

Aleksei se levantou para devolver o aperto de mão do inglês, sorrindo um tanto descarado ao encarar Benjamin diretamente nos olhos.

- Me conte depois o quanto aproveitou da minha sugestão. - Aleksei comentou diretamente com Benjamin, que ainda demorou alguns instantes a processar que ele estava falando de "aproveitar a reconciliação" quando chegasse em casa.

- Até St. Clavier. - Benjamin apenas terminou de se despedir, para seguir primeiro até a saída do restaurante.

- Até St. Clavier também, Mathew. - Aleksei se despediu do enfermeiro, deixando que eles seguissem adiante para sair do restaurante e pedir um táxi enquanto ainda terminava a última taça de vinho.

Mathew

Despediu-se animado do psiquiatra, contente por ele também ter aceitado participar daquele encontro para um almoço, mesmo ciente das circunstâncias. Acenou com a mão, deixando que ele continuasse a apreciar do vinho enquanto se preocupava com o retorno para casa. E eles também haviam se despedido educadamente. Estava um pouco apreensivo quanto ao estado de seu namorado, então resolveu avisar pediria um táxi para voltarem para casa. Não perguntou novamente se Benjamin estava bem, pois imaginava que ele ainda estivesse chateado pelo encontro ao qual o tinha convidado.

Assim que o transporte chegou, o que não demorou muito, esperou até que o inglês se acomodasse para dar instruções ao motorista de onde precisavam ir. Não estava tão habituado a andar de táxi, mas era o veículo mais agradável para alguém que havia bebido não sendo tão tolerante para bebida como era Benjamin.

- Obrigado, Benjamin, por ter aceitado ir ao almoço hoje. - agradeceu ainda no táxi, voltando sua atenção para o namorado, sorrindo-lhe de fato satisfeito por ele ao menos ter tentado participar daquele almoço que sabia ter sido algo desconfortável para ele. Não imaginava que o inglês se tornasse amigo ou amigo íntimo de Aleksei, mas ao menos era bom o bastante saber que poderiam ter uma conversa juntos. Ao menos esperava que sem o vinho da próxima vez.

Estendeu a mão novamente sobre a do outro naquele gesto público que pouco a pouco se acostumara a realizar. Lembrava de como Benjamin havia lhe falado sobre não ser gay de fato, mas que só havia se aproximado dele por estar carente emocionalmente. Ainda pensava sobre aquelas palavras quando estava distraído no trabalho, mas nunca trazia o assunto a tona novamente por imaginar o quão difícil era para o inglês, que havia passado por tantos relacionamentos superficiais, ter de lidar com ele.

- Ainda vai trabalhar hoje? Quero dizer, cuidar dos assuntos das suas aulas. Talvez eu precise de ajuda com as minhas redações. Interessado? - perguntou ao namorado pouco antes de chegarem e pagar a corrida do táxi. Perguntou se ele estava interessado, pois bem sabia que Benjamin estava acostumado com a rotina de correção de textos, mas não fazia ideia se ele de fato estaria disposto após o almoço e todo aquele vinho.

Benjamin

O caminho de volta para casa pareceu mais longo, só porque havia uma série de coisas novas na cabeça de Benjamin depois daquela conversa estranha. Só acenou com a cabeça para concordar quando ele lhe agradeceu por ter ido ao almoço. Estava um tanto sonolento por conta do vinho, mas ao menos tinha parado de falar tanto. Devia agradecer à quantidade de água que tinha bebido exatamente por culpa de Aleksei, o que lhe deixava ainda mais frustrado. Suspirou pesadamente, ouvindo o pedido de Mathew sobre as redações. Só notou a mão dele sobre a sua quando ele lhe chamou atenção e começava a perceber como os toques dele estavam mais assertivos em público.

- Não, não vou trabalhar. Mas eu preciso de um banho, e descansar um pouco, acho que bebi um pouco além da conta. - admitiu, com um ar ainda pensativo. - Podemos ver suas redações mais tarde? - sugeriu, quando finalmente chegaram em casa, esperando apenas que Mathew pagasse a corrida para saírem do táxi.

Desceu e foi até a entrada da casa, passando primeiro para deixar a carteira e o celular sobre a mesa de canto, assim como a chave. Deixou que Mathew fechasse a porta enquanto seguia direto para o primeiro andar, até o próprio quarto, para ir ao banheiro tomar um banho demorado e relaxante, estava precisando de água fria para se recuperar e alinhar os pensamentos.

Mathew

Assim que chegaram em casa, notou como Benjamin parecia de fato mais exausto pelo almoço e provavelmente pela bebida, mas não se incomodou com a resposta dele sobre deixar para olhar suas redações depois. Concordou que ele fosse primeiro tomar um banho e, enquanto Benjamin se recuperava, cuidou de preparar a cama para o descanso dele, assim como uma bebida quente para que ele tomasse para evitar a ressaca depois.

Respirou fundo antes de ir para o banheiro do corredor, tomar um banho e escovar os dentes, algo rápido apenas para se sentir limpo em casa. Vestiu a cueca, uma bermuda de tecido de algodão e uma camisa branca branca com o símbolo do aquário de sua cidade Natal. Tinha uma coleção daquelas peças com estampas que lhe lembravam sua casa.

Porém, antes de voltar às suas atividades, foi até o quarto, dirigindo-se ao banheiro para procurar por Benjamin. Ele sempre ficava sonolento quando bebia, ou às vezes alterado e perdia a noção da identidade das pessoas ao seu redor. Buscava chamá-lo para que tomasse logo a bebida e fosse descansar.

- Benjamin? - chamou, batendo na porta de maneira mais educada, ajustando os óculos no rosto para buscar pela imagem do namorado.

Benjamin

Benjamin demorou mais do que pretendia no banho, mas só porque não estava com uma noção de tempo muito boa. Ficou debaixo do chuveiro por alguns longos minutos, tanto que só saiu do seu estado de torpor quando ouviu as batidas na porta e o chamado de Mathew. Piscou algumas vezes, como se quisesse despertar do sono e dos pensamentos que ficaram um pouco mais dormentes.

- Estou saindo. - respondeu ao chamado de Mathew só para que ele não começasse a pensar que tinha se acidentado, embora a porta estivesse destrancada e o enfermeiro pudesse entrar quando bem entendesse.

Pegou uma toalha para colocar em volta da cintura e tirou o excesso de água do corpo e dos cabelos, para sair finalmente do banheiro e encontrar Mathew à porta com aquela mesma expressão preocupada de sempre. Observou a cama arrumada e a bebida no criado mudo ao lado do móvel, seguindo primeiro até o guarda-roupa para pegar uma cueca e uma calça de malha, dispensando a camisa daquela vez para sentar-se à cama.

- Eu não estou bêbado, Mat, se está preocupado com isso. - ele respondeu, tomando um gole da bebida quente que aliviava ainda mais a sensação de leve tontura pelo álcool. Acomodou-se melhor na cama, deixando a caneca de lado de novo. - Você ainda vai trabalhar?

Mathew

De fato, ficou aliviado quando o namorado saiu do banho. Ele parecia normal, exceto pelos movimentos um pouco mais lentos, mas imaginava que era por conta da bebida que ele havia ingerido. Acompanhou-o com o olhar enquanto ele se trocava e ofereceu ajuda para pegar a toalha dele e cuidar para que fosse estendida no banheiro para secar depois. Aquela rotina da vida doméstica era bem confortável e familiar para ele, enquanto imaginava que Benjamin não deveria estar habituado aquele tipo de convívio.

- Eu sei que não. - comentou em resposta, estendendo a mão para o rosto do namorado, segurando-o pelo queixo com o polegar movendo em um breve carinho na face do inglês. - Mas precisa descansar também. - sorriu, encarando o parceiro antes de observá-lo sem camisa e, ocasionalmente se recordar das palavras do psiquiatra sobre sua própria saúde, como precisava vigiar o que comia e como cuidava de si mesmo. - Ainda tenho coisas para estudar, nada mais do trabalho por hoje. Quer que eu fique com você?

Ofereceu, sentando-se ao lado do loiro na cama, afastando as cobertas para que ele pudesse se acomodar melhor. Sabia que Benjamin naquele estado ficava sempre muito sensível, detalhe que também fazia lhe recordar como se arrependera por deixá-lo voltar sozinho para St. Clavier depois da primeira vez que o vira embriagado.

- Desculpe ter envolvido sua irmã nisso tudo. - pediu, apenas aproveitando já que agora estava sozinho com o outro. Estendeu a mão para os cabelos dele, notando como ainda estavam úmidos. - Ainda está chateado comigo pelo encontro? - perguntou com um meio sorriso no rosto, esperando uma resposta positiva. Apesar da educação de ambos, ainda conseguia enxergar que Benjamin não gostava de seu amigo psiquiatra.

Benjamin

Não respondeu tão prontamente se queria ou não que Mathew continuasse ali, mas se deitou quando ele afastou as cobertas. Até queria a companhia do loiro e sabia que ele também tinha que estudar, o que acabou lhe trazendo um pouco mais da conversa do almoço de volta à sua cabeça. A reação automática foi rodar os olhos quando ele pediu desculpas por meter Mary Ann naquela armação, mas só suspirou longamente, aceitando a carícia breve nos cabelos ainda molhados.

- Claro que estou, com os dois. - retrucou, com um franzir de cenho irritado. Mas amenizou a expressão logo em seguida. - Mas foi melhor do que eu esperava. Eu ainda não gosto desse seu amigo... mas estou bem convencido de que é só o que são. E eu vou querer saber o que andou falando sobre mim para ele, Mathew.

Sabia que era sempre a pessoa mais insensata daquele relacionamento com relação a ciúmes. Enquanto Mathew, por outro lado, parecia bem desligado de como podia lhe causar desconforto naquele âmbito. Estava curioso para saber o quanto os dois tinham de assunto sobre o seu relacionamento, mas deixou o pensamento de lado por um instante.

- Quando é o seu teste para a faculdade de medicina, Mat? - perguntou finalmente algo que estava ainda martelando a sua cabeça desde antes no almoço.

Mathew

Sorriu um tanto sem graça diante da resposta do outro sobre ele e Mary Ann, mas deixou que ele continuasse, lhe revelando que ainda não gostava de Aleksei. Não havia como forçar um gostar ali. Também não simpatizava com Hinomura, mas conseguia aceitar a proximidade dele com seu namorado devido ao relacionamento com Stephen pela amizade. Acabou rindo e ficando um tanto corado ao ouvir a declaração do outro sobre saber o que andava falando dele para o psiquiatra. Talvez aquele não fosse um assunto mais adequado para uma conversa, pois bem se recordava das tantas vezes em que havia sido pego no trabalho pesquisando conteúdo impróprio no próprio computador.

- Ah… a prova? Hm. No próximo semestre. Já separei os documentos para enviar. Não precisa se preocupar com isso. - respondeu ao inglês, baixando o olhar, sentado. - Já andei pesquisando algumas coisas também sobre alojamentos no campus e outras opções de moradia mais próximas. Talvez eu consiga a bolsa de pesquisa ao entrar, mas vai depender muito da minha avaliação. Posso ir passar alguns dias por lá durante as aulas e voltar no final de semana para casa.

Ergueu a mão para o próprio cabelo, coçando a nuca pensativo sobre aquele assunto. Sabia que Benjamin possuía uma formação bem completa e por isso lecionava em St. Clavier. Já havia sido um milagre conseguir trabalhar ali sendo apenas um enfermeiro do Canadá, mas na loucura de sua vida, estava contente de ter tido ali a oportunidade de encontrá-lo.

- Não precisa vir comigo para Paris se não quiser, Benjamin. Eu sei que se importa com seu trabalho também. Muitos alunos também iriam sentir sua falta se fosse. E não é como se fosse demorar tanto assim, é só o curso de medicina e a residência. Com o tempo, acho que posso me acostumar a rotina. - a verdade era que não sabia se aquilo de fato era uma boa ideia. Já havia sido difícil deixar sua família para trás no Canadá. E não queria se distanciar do namorado em meio aquela nova experiência. Por outro lado, também não queria forçá-lo a lhe seguir, sendo que o inglês já possuía uma carreira promissora.

Benjamin

Mathew não iria simplesmente adivinhar o que tinha em mente se não falasse, era óbvio, menos ainda como ele costumava ser denso naquelas situações de sentimentos e relacionamentos. Encarou-o de baixo, já bem deitado no seu lado da cama enquanto ele começava a ponderar sobre como já tinha pesquisado o local e alojamento, cada vez mais incomodado com o rumo dos próprios pensamentos que levavam a morar em Paris longe de Benjamin.

Benjamin queria a oportunidade da conversa para falar algo mais ao enfermeiro, mas ele desatou a criar possibilidades e alternativas para viver em Paris sem a sua companhia. Ainda imaginava, lá no fundo, que ele só não lhe queria por perto. Mas sabia que Mathew era sincero demais para aquilo e considerava muito a sua situação, então teve que se resignar ao lado racional dos pensamentos de que Mathew só não queria lhe incomodar com a possibilidade. Além do mais, já tinha dado tantos sinais de que não se sentia confortável num relacionamento tão sério, que o outro tendia a ser bem cauteloso.

- Não vai demorar tanto? Seis anos de estudo e dois de residência. Isso é pouco tempo pra você, Mat? - perguntou, deitando-se de lado na cama, apoiando o rosto na mão e o cotovelo no colchão para encará-lo melhor. - Já imaginou o que pode acontecer em oito anos de um relacionamento à distância? As coisas podem mudar, Mat... e você vai conhecer muita gente nova no seu curso, gente que entende das mesmas coisas que você.

A sugestão era bem inclinada para o fato de que provavelmente, aquilo não daria certo. Ainda deixou que Mathew considerasse aquilo por um instante, mas logo depois voltou à postura deitado de tronco para cima, encarando-o um pouco de lado.

- Eu até tinha pensado em ir pra Paris, fazer o meu doutorado... mas já que você pesquisou tanto sobre os alojamentos e a rotina... eu não vou atrapalhar o seu planejamento. - respondeu, com um ar um tanto travesso.

Certamente aquelas palavras eram mais da influência do álcool, mas no fundo, sabia que queria se agarrar àquele relacionamento com Mathew... sabia que era difícil encontrar alguém tão dedicado como ele, infelizmente, era exatamente como o psiquiatra tinha dito e aquilo lhe frustrava.

Mathew

Desviou o olhar quando o namorado se virou para lhe observar naquela pose crítica. Pressionou os lábios com o questionamento retórico dele sobre seis anos de curso e a residência não ser “pouco tempo” como estava colocando. Sabia que não era, mas esperava que passasse rápido pra voltar para casa. Pressionou os próprios dedos quando ele mencionou sobre as coisas serem passíveis de mudança.
Era complicado de fato imaginar aquele relacionamento a distância, ainda mais pensando em como o namorado conseguia criar aquelas situações sobre as pessoas que poderia conhecer com assuntos em comum aos seus. Era natural que conhecesse pessoas com objetivos semelhantes, mas aquilo não queria dizer que tinha planos para encontrar nenhum outro namorado que fosse substituir o inglês. Não esperava se sentir da mesma forma com alguém como se sentia com Benjamin.

Apesar dos pensamentos acerca do tempo, acabou sendo pego de surpresa pelo comentário do outro sobre o mesmo ter pensado em segui-lo, indo para Paris, fazer o próprio doutorado. Aproximou-se de sobressalto do namorado, apoiando a mão com a lateral da cama, ao lado de onde ele estava deitado, observou-o de cima, empolgado e atrapalhado ao mesmo tempo.

- Você também quer ir para Paris?! Ah…! - ajustou os óculos que quase caíam sobre o inglês antes de se deitar ao lado dele, se bruços. - E-Eu não queria que parasse sua carreira por minha causa, Benjamin! Mas… seria ótimo… seria maravilhoso se fosse também para Paris! - sorriu, entusiasmado só com a possibilidade dele de fato estar próximo enquanto enfrentava a universidade. Foi difícil se ver longe de sua família todo aquele tempo e agora que tinha o inglês, não desejava se separar dele ao mesmo tempo que não queria atrapalhá-lo. - Você… tem certeza sobre fazer o doutorado em Paris? Isso não vai te atrapalhar? - perguntou, um tanto mais calmo, tentando ser sensato apesar de sua vontade de seguir adiante e levar o namorado consigo.

Benjamin

A sua resposta despretensiosa foi suficiente para deixar Mathew completamente exasperado. Teve que conter a vontade de rir da reação que causava nele, especialmente porque estava começando a se acostumar com aquelas pequenas reações e grandes expectativas que o enfermeiro tinha do relacionamento dos dois. Era um sentimento bom, no fim das contas, mesmo que seu almoço não tivesse sido o mais feliz com a presença do psicólogo.

Talvez realmente valesse a pena investir naquele relacionamento como, infelizmente, Aleksei tinha ressaltado. Podia estar constantemente inseguro com a situação, mas era sempre bom ter Mathew tão empolgado com as menores coisas. Moveu-se na cama apenas porque ele fez pressão no colchão e logo estava sobre si, ajustando-se então ao seu lado de bruços falando com a empolgação de uma criança.

- St. Clavier é um bom lugar para se trabalhar, mas não é exatamente uma carreira duradoura, Mat. Eu não tenho para onde crescer lá dentro, e afinal de contas, ainda não tirei o meu doutorado. - respondeu, com a sinceridade que estava começando a desacostumar a usar. - Eu acho que ir para Paris vai fazer mais bem a minha carreira do que mal.

Apoiou o cotovelo na cama para ter mais suporte e empurrar Mathew pelo ombro até que ele estivesse deitado na cama. Virou e se colocou por cima dele, deitando-se sobre o namorado com os braços apoiados no peito alheio, encarando-o de cima daquela vez.

- A não ser que você encontre outra pessoa que queira levar pra Paris, aí eu vou ter que procurar outro lugar pra fazer o meu doutorado, bem longe de você. Eu ainda não fui para Moscou, pode ser uma boa mudança de ares. - sugeriu, com o mesmo ar travesso de antes, mas com um sorriso mais calmo no rosto daquela vez.

Mathew

Não podia esconder o sorriso no rosto com a ideia de poder ir para Paris com o namorado. Chegou até a imaginar que ele poderia fazer doutorado na mesma universidade em que cursasse medicina. Seria maravilhoso poder ir para a universidade e esperar ele sair das aulas para irem juntos para casa. Estava tão preso imaginando aquela fantasia que sequer percebeu quando Benjamin lhe empurrou para ficar por cima. Apesar do vinho, ele parecia bem ativo ainda, então o encarou de volta, satisfeito pelo bem estar do outro.

- Não sabia que gostava tanto assim de frio. Moscou? Sério? - acabou rindo da ameaça do namorado, sem sequer se incomodar com o peso dele sobre o seu. Tinha que admitir que em meio a todas as confusões que ocorreram nos últimos meses, sentia falta daquele tipo de proximidade. Estendeu as mãos para a cintura de Benjamin, afagando-lhe a curva antes de subir uma das mãos para as costas dele, carinhoso como de costume. - Por que acha que eu deixaria você por outra pessoa, Benjamin? Não há como existir um inglês que me deixe mais maluco que você.

Manteve o sorriso, forçando o tronco ao se inclinar, beijando o namorado suavemente nos lábios em um selinho. Suspirou ao voltar a apoiar a cabeça no travesseiro, ainda entretido em observar o inglês em seus braços. Ainda se recordava que ele havia bebido vinho e que poderia estar daquele jeito pela bebida, mas estava contente pela sinceridade dele não lhe machucar naquele momento. Às vezes, Benjamin podia lhe fazer perceber o quão idiota podia ser em relação a sua própria percepção das pessoas.

- E eu não conseguiria me formar… - falou mais baixo, erguendo um dos braços para apoiar abaixo da própria cabeça, usando a mão livre para bagunçar os cabelos do inglês, tentando deixá-lo menos atraente aos seus olhos, sem muito sucesso. - … eu continuaria sentindo sua falta longe daqui. - admitiu, pensando em como a ideia daquilo acontecer lhe assustava mais do que quando deixara o Canadá para trabalhar ali em Cerise.

Benjamin

Apenas concordou com um aceno de cabeça quando ele perguntou se gostava tanto de frio. Com certeza preferia frio ao calor, mas o clima ameno da maior parte das cidades europeias sempre lhe agradava. Deu de ombros ao sentir a mão dele subindo pela sua cintura até as costas.

- Talvez tenha uma inglesa ruiva que lhe agrade. - respondeu com um tanto de ressentimento ainda pelo que já experienciara com Mathew, mas não o suficiente para lhe fazer entrar no mesmo assunto que costumava lhe deixar bem incomodado. Aceitou o beijo breve nos lábios e apoiou o queixo nos braços cruzados em cima do peito dele. - Mas vai ser difícil encontrar uma inglesa ruiva, de qualquer modo.

Mathew se ajustou na cama, admitindo facilmente que sentiria sua falta de qualquer jeito. Gostava de ouvir aquilo, como era importante para o enfermeiro. Sorriu de volta, apoiando as mãos ao lado do rosto dele para se inclinar um pouco mais e alcançar o rosto do loiro.

- Bom saber que não pode mais viver sem mim. - respondeu contra os lábios dele, inserindo a língua logo em seguida, pedindo espaço para que ele lhe retribuísse um beijo mais intenso do que o breve selinho anterior, numa mistura do gosto de frutos do mar e vinho.

Mathew

Segurou o riso com a história do namorado sobre uma inglesa ruiva. Certamente deveriam haver pessoas inglesas e ruivas, mas preferia mesmo não encontrá-las e acabar discutindo com o namorado por um motivo tão bobo, mas que no fundo lhe fazia ainda se sentir mal por tê-lo machucado ao ser irresponsável com aquele relacionamento. Concordou com um aceno positivo sobre a dificuldade em achar pessoas ruivas, desejando que de fato não precisasse conhecer mais ruivos pelo bem do ciúmes que o namorado sentia. E que também havia alimentado nele omitindo informações com a enfermeira.

Sentiu as mãos em seu rosto e relaxou, esquecendo do peso que ainda estava em sua consciência por todo problema que havia causado ao ser beijado daquele modo mais intenso pelo inglês. Não hesitou em retribuir o ato, apertando o tecido da camisa dele entre os dedos. Benjamin tinha aquele jeito de se aproximar e lhe fazer corar até as orelhas desde o primeiro encontro que tiveram.

- Hmm…! - suspirou contra os lábios dele ao mover uma das pernas entre as dele, sentindo-se mais confortável ao aliviar a pressão entre suas pernas mais próximas. Com os olhos semicerrados, inclinou a cabeça de novo, desejando que ele não parasse enquanto afastava o tecido da camisa dele, subindo a peça pelas costas para poder tocá-lo diretamente sobre a pele e a linha da coluna, pressionando com a ponta dos dedos o caminho da lombar.

Era agradecido por Benjamin ser bem mais comportado no trabalho e por terem deixado os dormitórios de St. Clavier para dividirem aquela casa. De certo, perderia o emprego se o inglês continuasse sempre tão próximo daquela forma. Ainda se recordava de quando se escondera na casa dos próprios pais para poder dormir com ele. Benjamin merecia uma dedicatória em sua vida por todas aquelas loucuras que já fizera.

Benjamin

Sentiu-o se mover debaixo de si, especificamente com a perna entre as suas, o que lhe deixou com um calor a mais considerando que já estava de sangue quente por conta do vinho. Respirou entre os lábios dele, apenas para puxar mais ar para os pulmões e retornar o beijo enquanto as mãos de Mathew passavam por baixo de sua camisa e por suas costas, os dedos pressionando a extensão da coluna até onde a camisa iria naquela posição.

Cessou o beijo, encarando o namorado de cima e se apoiando na cama para se sentar sobre os quadris dele, dando espaço suficiente para tirar a própria camisa e voltar a se debruçar sobre ele, beijando-o de novo nos lábios e então no queixo e no rosto, roçando os quadris contra os dele, já sentindo o volume abaixo de si. Sorriu contra os lábios de Mathew, baixando as mãos para puxar a barra da camisa dele também, enfiando os polegares então no cós da calça que ele usava, para abrir espaço suficiente para colocar a mão direto no membro alheio, pressionando-o sobre o tecido da cueca em movimentos precisos de vai-e-vem.

Voltou os lábios para o rosto do canadense, invadindo a boca dele mais uma vez em um beijo intenso, sugando a língua e mordiscando o canto dos lábios. Afastou o rosto o suficiente apenas para deixar que um suspiro excitado escapasse finalmente dos lábios.

- Hnn-- lambeu os lábios alheios, a mão ainda continuando nos movimentos sobre a ereção do namorado.

Mathew

Prendeu a respiração no instante em que o namorado se moveu sobre seus quadris. Todavia, não teve muito tempo de reação assim que o inglês voltou a lhe beijar. Sorriu com o rubor que lhe tomava a face, principalmente com os beijos do outro em seu rosto. Afastou as mãos, deixando que ele ficasse livre ao encontrar sua pele, mas logo arqueou os olhos, sentindo o toque mais íntimo em sua calça, mais especificamente, por dentro dela.

- Hmm! Benja-! - não teve como reagir novamente ao ser beijado intensamente pelo outro. Benjamin sob o efeito da bebida era sempre mais urgente e intenso que quando tinham a oportunidade de ter aquele tipo de momento juntos. Podia sentir ainda a pele dele muito próxima e os dedos do professor contra seu volume, ainda que por sobre o tecido.

Não podia simplesmente deixar que ele fizesse tudo ali, então logo aproveitou que ele estava sentado sobre seus quadris para estender uma das mãos, tocando-o sobre a coxa e a perna flexionada, os dedos buscando os dedos e a sola do pé direito do parceiro. Sabia o quanto ele era sensível naquela região e talvez fosse justamente por isso que gostava tanto de acariciá-lo ali.

- Benjamin… - chamou-o entre os beijos trocados, sentindo-se naturalmente febril pela proximidade e o estímulo constante em suas calças. Tocou o peito do outro, afastando-o alguns centímetros antes de segurá-lo pelo pulso que lhe estimulava para poder puxá-lo pelos quadris ao se sentar, trazendo-o para o seu colo de novo. Removeu a própria camisa no processo, demorando alguns instantes, atrapalhado com o par de óculos que esquecera estar na sua face. Guiou a mão dele de volta para o que estava fazendo anteriormente enquanto devolvia o gesto, não apenas massageando-o a parte frontal, mas pressionando-o uma das nádegas ao envolvê-lo de novo. A respiração não demorou muito a se tornar mais pesada e constante enquanto seus lábios também deixavam o beijo intenso para procurar pela pele nos ombros e pescoço do inglês.

Benjamin

Com o corpo naquela proximidade, conseguia sentir o próprio membro roçando contra o corpo alheio, os movimentos da sua mão sobre a cueca de Mathew eram o suficiente para lhe incitar também e manteve o corpo o mais próximo do dele possível. Não estava tão bêbado quanto da última vez que lembrava ter feito aquilo com o enfermeiro, então ainda estava em plena consciência de suas ações e com certeza lembraria tudo no dia seguinte, além de aguentar dormir com o namorado sem apagar no meio do caminho, claro.

Tensionou os músculos ao sentir a mão dele deslizando pela sua coxa até o pé, contraindo os pés com um calafrio que lhe percorreu o corpo em resposta ao toque. Abafou um gemido contra os lábios de Mathew até ele impulsionar o corpo para se sentar, puxando-lhe para se ajustar melhor ao corpo alheio. Cessou os movimentos por um momento, dando espaço apenas para que ele tirasse a camisa com os óculos tortos no rosto. Riu da visão, tirando os óculos dele para colocá-los de lado, voltando aos beijos e posicionando a mão de novo sobre a ereção de Mathew.

Contraiu as nádegas ao sentir a mão dele, remexendo-se sobre os quadris alheios. Cessou o beijo e puxou a mão do namorado para o rosto, lambendo a ponta dos dedos dele e deixando-o completamente úmido de saliva. Guiou a mão dele para os seus quadris de novo, posicionando-a exatamente dentro da calça e da cueca, para sentir a umidade da saliva direto na vala.

- As roupas... estão no caminho... - falou contra os lábios do outro, esperando que ele lhe ajudasse com a calça enquanto se afastava para tirar a camisa também.

Mathew

Sorriu diante da risada no namorado por ser atrapalhado com os óculos. Era bom poder ouvir Benjamin rindo depois de tantos problemas com o encontro daquele almoço. Mas foi ter seus dedos na boca dele que realmente lhe acendeu a percepção do quanto sentia falta de poder ter aqueles momentos mais íntimos com o namorado, que não eram sempre possíveis devido ao trabalho ou as preocupações diárias de um casal.

Acabou rindo com as palavras do namorado, pressionando-o sobre a entrada apertada com o dedo úmido da saliva do próprio, provocando-o apenas o bastante antes de segurá-lo pela cintura, empurrando-o para que se deitasse de costas na cama enquanto lhe removia as calças e a cueca. Ajoelhou-se na cama, acomodando as coxas lado a lado com os quadris do inglês. Estendeu a mão para a camisa do outro, apenas afastando-a pelo abdômen do homem, descendo a ponta dos dedos até conseguir tocá-lo sobre o órgão, envolvendo-o em seus dedos e a palma da mão mais quente.

Manteve o sorriso no rosto como se tivesse algo planejado naquele momento e, sem muito mais esperar, deslizou a palma da mão livre pela coxa direita de Benjamin, puxando-lhe a perna para apoiá-la contra seu corpo. Arranhou a parte interna daquela região, pressionando-o a carne antes de segurá-lo pelo tornozelo. Moveu os quadris, acomodando a própria ereção ainda dentro da própria calça com as nádegas nuas do namorado deitado de costas.

Deslizou os dedos gentilmente pelo tornozelo do inglês antes de se inclinar para beijá-lo no calcanhar, entreabrindo os lábios para mordiscá-lo pela região lateral dos pés. Manteve os olhos em Benjamin enquanto voltava a mover os dedos no órgão dele em sua mão, estimulando-o antes de pressionar os lábios contra os dedos do pé do outro, entreabrindo-os para lamber e chupá-lo ali, dedo a dedo em um estímulo peculiar até para si mesmo. Assistir como Benjamin era sensível nos pés e suas reações tão sinceras e genuínas lhe deixavam verdadeiramente excitado.

Benjamin

Logo Mathew tinha invertido a posição dos dois e o encarou de baixo enquanto ele se livrava de suas peças de roupa para facilitar o processo. Sentiu a mão dele passando por sua camisa para afastá-la do caminho até retornar na direção do membro, para envolvê-lo com a palma da mão quente. Ele não estendeu muito o movimento em sua ereção, deslizando o toque pela sua coxa até puxar a perna contra o corpo. Já até imaginava o que o namorado pretendia, então apenas sorriu em resposta, o rosto avermelhado tanto pelo efeito ainda latente do álcool quanto pelo calor crescente do ato.

- Hnnn, Mat... - suspirou pesadamente quando ele roçou a ereção contra suas nádegas, contraindo os pés quando Mathew estendeu o toque até morder a região sensível, que lhe fez estremecer dos pés à cabeça. - Hmmm... arhh!!

Estendeu a mão até o criado mudo ao lado da cama na intenção de pegar lubrificante na gaveta, mas a sua intenção foi deixada de lado ao sentir os lábios dele pressionando sobre os dedos e a língua passando úmida nas áreas mais excepcionalmente sensíveis. Instintivamente, pressionou as coxas junto, sentindo o tremor passar pelos quadris, levando uma das mãos até a boca para morder os dedos.

- Ahhhhh... bom... mais, Mat... - pediu ao namorado, contraindo os pé diante dos toques mais estimulantes, esquecendo-se por aquele instante de retribuir as carícias do namorado e de voltar a tentar pegar o lubrificante.

Mathew

Sorriu com o canto dos lábios diante das reações provocadas no inglês. Por isso possuía um apreço especial pelos pontos sensíveis do outro. Sentiu as coxas de Benjamin contraídas e resolveu por passar a mão livre pela lateral do corpo masculino até poder tocá-lo no membro já excitado, masturbando-o devagar com a palma da mão e a ponta dos dedos. Era sempre curioso como Benjamin tinha as melhores reações quanto se tratava do toque mais preciso nos pés, por isso não hesitou em pressioná-lo na parte inferior destes, sentindo a tensão da contração muscular antes de afastar os lábios por um instante, o rastro de saliva escapando de sua boca antes de se aproximar mais uma vez, mordendo-o pela lateral dos pés.

Trocou a atenção para o outro pé, repetindo as provocações e os estímulos até sentir as contrações nas coxas do namorado mais urgentes. Segurou-o pelas pernas, afastando as coxas devagar para que pudesse admirar a visão do loiro na cama, excitado demais para lembrar do que iria fazer. Sorriu diante daquela cena e logo estendeu as mãos para a cintura do parceiro, ajudando-o a se acomodar melhor deitado na cama enquanto se inclinava para beijá-lo sobre o abdômen, mantendo as pernas dele lado a lado com seu tronco.

- Posso te dar uma massagem nos pés… se chegar cansado na enfermaria… sabia? - ofereceu, a ideia em sua cabeça lhe parecendo muito excitante ao mesmo tempo que não conseguia se ver em um cenário mais irresponsável para o seu próprio trabalho. Benjamin talvez não soubesse de todas suas fantasias ou pensamentos inapropriados quando se pegava distraído no intervalo de trabalho ou quando passava horas estudando para as provas na universidade. Da mesma forma que sabia que, sendo um professor bonito como era, Benjamin deveria ter diversos alunos apaixonados secretamente por ele. E aquilo lhe incomodava.

Não perdeu muito mais tempo, deixando de estimulá-lo tão diretamente com a palma da mão para colocar a glande do órgão latente em sua boca, pressionando-o com os lábios antes de envolvê-lo com a língua. Com o convívio e a prática casual, pouco a pouco se via melhor em acertar os desejos e as vontades de Benjamin. Afastou os lábios, respirando fundo antes de continuar a estimulá-lo em sua boca, o rosto corado pelo esforço e os cabelos loiros já bagunçados lhe caíam sobre a face. Parou durante o ato, ofegante, tomando a iniciativa de ir até a gaveta em busca do lubrificante.

Deitou-se ao lado de Benjamin, inclinando-se para poder beijá-lo sobre a testa, carinhoso como de costume, antes de envolvê-lo pela cintura, virando-o de lado. Escorregou uma das pernas por entre as dele, afastando-lhe as coxas antes de passar o produto na palma das mãos, deixando que escorresse por entre seus dedos até as nádegas do parceiro. Pressionou o dedo médio antes de inserir o segundo, devagar ao perscrutá-los pelo canal apertado, estimulando a passagem enquanto buscava pelo ponto mais sensível do outro ali, curvando os dedos no interior dele ao pressionar a região da próstata, empurrando os próprios dedos para que o outro pudesse se sentir mais relaxado com os estímulos.

- Benjamin… - chamou pelo namorado ao encará-lo, a própria ereção ainda apertada em sua calça e cueca, o volume já bastante evidente ali a ponto de conseguir sentir a pulsação pela excitação do momento. Curvou os dedos novamente no interior do outro antes de beijá-lo na boca e escorregar a perna um pouco mais por entre as coxas dele, deitado de lado. Aproximou-se um pouco mais até sentir os abdômen mais próximo do dele. Suspirou de prazer com a leve pressão do corpo do outro em seu membro, a barriga contraída pela urgência que também possuía por algum alívio.

Benjamin

Afastou as pernas sem muita resistência quando Mathew passou as mãos entre elas, aproximando-se para beijar-lhe a cintura e sugerir aquela ideia que era no mínimo absurda. Mas não mudou a expressão de prazer para uma de desgosto, senão deu a resposta que teria dado usualmente.

- Não seja idiota... Mat... - respondeu, estendendo a mão até o topo da cabeça do enfermeiro, afagando os cabelos loiros até sentir a língua em sua ereção. Apoiou os pés na cama, contraindo-os e puxando o tecido consigo ao sentir as ondas de prazer percorrendo o corpo com mais facilidade. - Ahhhnn--

Fechou as mãos com mais força em volta dos fios de cabelo de Mathew ao sentir a ereção gotejar na boca dele, agradecendo mentalmente quando ele deu um tempo para se afastar e deitar-se ao seu lado, finalmente alcançando o vidro de lubrificante para se aproximar e lhe beijar sobre a testa. Acomodou-se ao corpo de Mathew quando ele estendeu a mão com o lubrificante até o canal apertado, uma das pernas dele entre as suas e o braço livre em sua cintura. Arqueou as costas ao sentir os dedos pressionando o canal mais fundo, segurando o lençol na cama com vontade, a respiração um pouco descompassada com as sensações de prazer que continuavam a percorrer o corpo.

- Hnnn - devolveu o beijo dele, aproveitando para abafar um gemido mais alto quando Mathew curvou os dedos até pressionar a área mais sensível dentro do ânus, próximo à próstata, o canal se contraindo em resposta em volta dos dedos alheios. Apoiou uma das mãos no peito dele, enquanto descia a outra entre os dois corpos, tocando direto a ponta da ereção dele com um dos dedos também, o curto espaço entre os corpos tornando o calor ainda mais intenso, assim como o prazer. - Mais fundo, Mat... - murmurou entre os lábios do enfermeiro, começando a mover os quadris de forma sinuosa em resposta ao toque direto dele.

Mathew

Os toques de Benjamin sempre lhe causavam aquela sensação febril, fossem seus fios puxados pelo outro ou ele lhe tocando sobre o peito. Podia sentir a respiração descompassada do namorado contra seus lábios, mas não hesitou em continuar penetrando-o e estimulando o canal que se contraía em resposta. Ao ouvir o murmúrio de Benjamin, suspirou prazerosamente com a sensação do toque em seu membro já rijo nas calças. Recostou a testa com a do outro e buscou o ar mais uma vez ao voltar a beijá-lo, sua língua procurando pela dele antes de remover os dedos do canal, segurando uma das nádegas do parceiro no processo.

- Benjamin… - chamou pelo loiro mais uma vez contra os lábios dele. Estendeu a mão sobre a nádega para a cintura dele, escorrendo a perna de novo por entre as dele ao puxá-lo sobre si. Deitado de costas para a cama, apoiou o cotovelo do braço esquerdo no colchão, erguendo o tronco para tocar o peito do namorado com a mão livre, deslizando os dedos até o pescoço dele, segurando-o com a leve pressão dos dedos, virando o rosto dele para poder beijá-lo diretamente no pescoço, mordiscando a região até a cartilagem da orelha. - Meus dedos… não vão tão fundo…

Disse ao namorado com um sorriso discreto nos lábios. Preferia aquela posição por se considerar pesado muitas vezes para o outro, ainda mais ele estando parcialmente embriagado. Trouxe a mão que estava em seu peito para seus lábios, beijando os dedos com carinho antes de observar Benjamin agora por cima de seu corpo. Podia sentir a própria ereção pedindo por um pouco de alívio e a dele pressionada contra seu baixo ventre.

Largou a mão do loiro, tocando-lhe o rosto e entretendo-se em lhe beijar a face, os lábios, o queixo, o pescoço, sempre muito bem entretido na visão do outro sobre si, o rosto corado e quente pela excitação do momento. A imagem de Benjamin excitado sobre seus quadris era o bastante para lhe tirar o fôlego e naquele momento, queria que ele lhe tirasse às calças.

Benjamin

A proximidade e intimidade que Benjamin tinha com Mathew era algo com o que tinha aprendido a se acostumar. Afinal, tinha sido o primeiro parceiro dele e era engraçado pensar nisso algumas vezes em que estavam juntos. Mas gostava daquela sensação também de ineditismo, e embora ele fosse inédito para Mathew no sexo, era inédito para si ter aquele tipo de proximidade com um parceiro… melhor, um namorado.

Apreciava os toques mais cuidadosos e as carícias específicas, curvou o corpo à medida que as mãos e os lábios dele passeavam pelos caminhos bem conhecidos, até que ele tirasse os dedos de seu interior com um murmúrio de protesto, para mudarem novamente a posição e ficar deitado sobre o corpo alheio. Sentiu a ereção dele sob seus quadris, a calça prendendo o volume rijo. Apoiou os cotovelos ao lado do corpo de Mathew, deixando os corpos ainda muito próximos como se precisasse sentir o calor do corpo alheio. Beijou os lábios dele e desceu para mordiscar o queixo, roçando mais os quadris contra os dele para só então se afastar e dar espaço entre ambos para ajudá-lo a se livrar das últimas peças de roupa.

Voltou a se aproximar, agora ajoelhado com as pernas ao lado do corpo do enfermeiro, posicionando os quadris sobre a ereção. Segurou a base com uma das mãos e a outra, usou para auxiliar afastar as nádegas e facilitar a penetração, mas não foi tão paciente como Mathew esperava, provavelmente. Desceu os quadris até conseguir que a glande penetrasse o canal apertado, deixando um gemido breve escapar em aprovação.

- Hmm… isso… hahhh - mordeu o canto dos lábios, o corpo relaxando com a penetração, para então descer o quadril num movimento rápido e intenso, alcançando a base da ereção de Mathew, o membro rijo afundando em seu canal. - Ahhhh!! Hmmm!!

Mathew

Pressionou os lábios após ser beijado neles, a sensação da boca de Benjamin em seu queixo, roçando os quadris contra os seus lhe fazia lembrar o quão sensível era a proximidade com o inglês. Ao finalmente se ver livre de sua calça, suspirou aliviado - o mesmo alívio que não durou muito tempo assim que Benjamin voltou a se aproximar, sentando em sua ereção. Levou as mãos até a cintura dele para que fosse mais devagar, sem muito sucesso.

- Aah-Ah! B-Benja--! Hmmmm! - arqueou os ombros, apertando a cintura do namorado ao sentir o próprio órgão pulsar no canal apertado. - Ahnnn! De… devagar… !

Pediu ao loiro, sentindo o baixo ventre aquecer com a sensibilidade ao penetrar o interior do outro de novo. Afastou uma das mãos da cintura de Benjamin, levando a mesma até os próprios cabelos, afastando-os para trás com a contração de seu próprio abdômen. A respiração pesada era evidente no peito, assim como os suspiros de prazer que escapavam de seus lábios diante da visão do namorado montado em seus quadris.

Teve de fechar os olhos por alguns minutos, a mão sobre a própria cabeça, escondendo o rosto com o braço ao começar a pensar no próprio trabalho para tentar não chegar a um orgasmo tão rápido. Não queria gozar naquele instante, ainda que se sentisse curiosamente mais sensível que o normal - talvez fosse apenas a satisfação por ter feito as pazes de novo com o namorado. Mas ainda assim não queria chegar a um orgasmo tão rápido e frustrá-lo no processo. Contudo, era bem difícil manter a cabeça distante dali ao ouvir os gemidos de Benjamin enquanto o mesmo guiava a penetração.

Benjamin

Benjamin sentiu o corpo estremecer com as mãos de Mathew firmes em sua cintura, mas a despeito do pedido dele para que fosse devagar, esperou apenas o tempo de se acostumar com a penetração para começar a se mover, inclinando o corpo um pouco para frente para conseguir um suporte melhor com as mãos apoiadas na cama ao lado do corpo do namorado.

Numa casa, como já estavam morando, não precisava conter os gemidos de prazer, nem mesmo no meio do dia, ainda mais quando estava levemente embriagado, o que lhe deixava ainda mais desinibido. Observou enquanto Mathew cobria o rosto com um dos braços e segurou-o, afastando-o do caminho para se aproximar, beijando-o de forma totalmente desritmada ao precisar manter a respiração ofegante. Sentiu o membro roçando entre os abdomens dos dois, o que lhe estimulou a fazer ainda mais movimentos, o rosto totalmente vermelho sentindo a ereção gotejar em antecipação ao momento de clímax.

- Ahhhhh!!! Mat-- hnnnnn!! Goze dentro de mim... ahhhh-- bem fundo...! - pediu, contra os lábios do namorado, acelerando o ritmo dos movimentos que estavam lhe deixando notadamente cansado pela respiração pesada e desritmada. Mas também estava próximo o suficiente ao orgasmo para saber que não duraria mais um mero toque diretamente em seu membro.

Mathew

Contraiu o próprio abdômen com o arrepio de ter o braço afastado para encontrar os lábios do namorado. Sentir a língua dele com a sua em um movimento simultâneo e errático com o de vai e vem dos quadris do inglês era excitante em demasia. Podia sentir a respiração se misturando a do outro e os ruídos que ele deixava escapar da própria garganta, sem medo de ser ouvido pelos vizinhos, lhe deixavam ainda mais absorto naquele cenário de prazer.

- Benja-min! Ahhngh! - arqueou os joelhos, acompanhando-o no movimento assim que ele se curvou para se apoiar. Estendeu as mãos novamente para o corpo do namorado, puxando-lhe mais para si, pressionando seus dedos nas costas do homem sobre si. E tal como buscava pelo próprio alívio, escorregou a mão livre por entre ambos, estimulando diretamente o membro pulsante do outro.

Já podia se sentir febril em meio ao movimento contínuo de fricção. E como já se sentia sensível demais pelo tempo que passara sem ter aquele tipo de aproximação do outro, não rejeitou a ideia dele de gozar naquela mesma posição. Entreabriu os olhos, observando o namorado pouco antes de alcançar o clímax, gozando em sua mão, sobre seu abdômen, estremecendo sobre seu corpo. Em meio aos próprios gemidos de prazer, alcançou como esperado o próprio orgasmo, obedecendo ao loiro e movendo os próprios quadris com um esforço momentâneo ao estocá-lo mais a fundo, gozando no interior do canal apertado. Terminou pressionando mais do que gostaria as costas do outro, sentindo as unhas arranhando a carne do parceiro assim que alcançou o orgasmo.

A respiração descompassada se manteve durante muito mais tempo do que gostaria também, mas era um homem com muitos problemas respiratórios, então não era nenhuma surpresa. Afagou o corpo sensível pelo sexo recente do namorado, segurando-o pelos quadris para afastá-lo, removendo seu membro do interior do homem para sentir o líquido ainda quente escorrer por entre as pernas dele.

Benjamin

A mão de Mathew escorregou entre os dois corpos e o toque direto em sua ereção lhe fez estremecer no mesmo instante, contraindo o ânus em volta da ereção alheia. Não conseguiu manter o ritmo do beijo, afastando-se o suficiente apenas para que Mathew conseguisse continuar os movimentos em sua ereção, e deixou os gemidos escaparem com mais intensidade.

- HAHHHHHH!! AHNNNNNN--!! M-MAT N-N-NGNNNN!! - o sêmen escapou entre ambos os corpos, adicionando ao cheiro de suor e sexo, Benjamin ainda moveu os quadris algumas poucas vezes, desalinhado com as estocadas de Mathew, o interior contraído em resposta ao orgasmo que lhe fez estremecer completamente até se deixar jogar cansado sobre o corpo do namorado.

Gemeu em resposta quando sentiu as estocadas mais fortes resultarem no orgasmo do namorado também, com o calor lhe preenchendo o interior e lhe causando outro tremor de excitação. Contraiu as costas com a sensação das unhas alheias fincando em suas costas, mas não se incomodou com aquilo. Facilmente se rendeu ao cansaço, deitado sobre o corpo de Mathew, mais pelo sexo e com o adicional de estar sob o efeito da bebida. Gemeu em protesto ao sentir o membro dele escorregar para fora do ânus, causando-lhe a sensação bem conhecida de corrimento com o sêmen escorrendo também.

- Hhmmm... - o gemido saiu baixo, junto a um suspiro agradado pelo sexo com o namorado. Não se moveu muito da posição em que estava, apenas sentindo o peito dele subir e descer com a respiração pesada. A mente estava mais cansada e oscilando entre a consciência e o sono, que se provou bem mais pesado do que tinha esperado, embora o resultado de beber sempre fosse dormir rápido. Àquela altura, sequer percebeu as palavras que deixou escapar antes de cair no sono, pouco preocupado com a bagunça e a sujeira na qual estava deitado. - Hm... não me deixe aqui sozinho, Mat...

Mathew

A respiração estava ofegante diante de todo o esforço e era só o que conseguia ouvir além da voz de seu namorado. Não pensou em nenhum momento se seus vizinhos haviam ouvido o que fizeram ali. Sentia-se feliz pelo carinho de Benjamin sobre si. Sorriu com o apoio do outro em seus braços e negou com a cabeça sobre deixá-lo sozinho, afagando a cabeça do inglês antes de beijá-lo sobre os cabelos.

- Você sabe… que eu nunca… vou te deixar sozinho. - sussurrou para o loiro, fazendo um breve esforço para movê-lo para o seu lado, abraçando-o sem apertá-lo. Fez uma pausa para poder usar as cobertas da cama para se limpar do suor e do sêmen, ajudando o namorado também no processo, visto que ele estava sonolento. Respirou fundo antes de se erguer da cama para vestir uma cueca e trocar os lençóis, permitindo que Benjamin descansasse. Buscou seu par de óculos e puxou os travesseiros para deixar o namorado mais confortável na cama.

Saiu do quarto para verificar as portas e janelas da cama antes de voltar com uma garrafa de água que já havia bebido pela metade e como o clima ainda estava quente, ligou o ar condicionado e fechou as cortinas, finalmente acomodando-se na cama com o inglês, deixando seus óculos de lado. Buscou o cobertor antes de abraçar o namorado, mantendo-o próximo, mas pela cintura, pois sabia que ele se sentia sufocado pelo pescoço. Sorriu antes de observar o namorado, desejando-lhe um bom descanso mentalmente antes de fechar os olhos para acompanhá-lo no sono.

[thread encerrada]


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