09-30-2021, 04:39 PM
O tempo já não era mais percebido pelo jovem Blanco, ele apenas existia, e como era doloroso existir. Renaud aceitou o gesto de cuidado do médico, e depois suas palavras indicando que iria se ausentar por algum tempo. Assentiu positivamente e acompanhou com o olhar o psicólogo se afastar de si e ir além da porta da enfermaria.
O moreno mais novo se sentia miúdo, pequeno e vulnerável, como não se sentia a muito tempo. Queria um boné pra cobrir seus olhos, ou sentir o perfume doce próximo a si. Até pensava que tinha de sentar, recompor a aparência para receber os amigos em uma condição melhor. Mas não tinha porque criar uma alegoria de “melhora”, porque não tinha nenhuma energia para aquele tipo de encenação. Fechou as pálpebras por um instante, e naqueles momentos se entregou momentaneamente ao cansaço, a respiração menos sofrida.
Apenas quando ouviu o som da porta se abrindo, que Renaud reabriu os olhos para encarar as duas pessoas mais importantes que tinha na vida.
Todo o seu interior se remexeu, e sentiu descargas elétricas passarem pelo corpo, como um arrepio, numa urgência real de proximidade, contato e cuidado. Lembrava-se momentaneamente das vezes em que esteve hospitalizado como queria ser visitado por alguém, e como deixou aquela vontade escondida, porque precisava ser forte, não podia demonstrar que precisava de atenção.
Afinal ninguém nunca ia.
Mas agora é diferente.
Sentou-se sobre a maca com alguma dificuldade, já que não podia apoiar as palmas das mãos para erguer o corpo, em tempo de ouvir as palavras de Sasha que “sentia muito” e o pedido de Didier se “podia” se aproximar.
E mesmo que já tivesse chorado desesperadamente antes, ainda sentia que estava desabando em tristeza. Passou o braço pelo pescoço do namorado abraçando-o, mas se inclinou em direção a Sasha, passando o braço livre na direção do irmão. Abraçando os dois em simultâneo mesmo que fosse uma posição desconfortável.
Não havia dignidade no luto, e para Renaud bastou ter os dois próximo de si, para se entregar mais uma vez a um choro copioso, menos desesperado que o anterior, mas igualmente triste. Precisava muito deles dois, queria estar melhor, mas não estava, e só podia confiar que eles o aceitassem daquele jeito esmigalhado.
O moreno mais novo se sentia miúdo, pequeno e vulnerável, como não se sentia a muito tempo. Queria um boné pra cobrir seus olhos, ou sentir o perfume doce próximo a si. Até pensava que tinha de sentar, recompor a aparência para receber os amigos em uma condição melhor. Mas não tinha porque criar uma alegoria de “melhora”, porque não tinha nenhuma energia para aquele tipo de encenação. Fechou as pálpebras por um instante, e naqueles momentos se entregou momentaneamente ao cansaço, a respiração menos sofrida.
Apenas quando ouviu o som da porta se abrindo, que Renaud reabriu os olhos para encarar as duas pessoas mais importantes que tinha na vida.
Todo o seu interior se remexeu, e sentiu descargas elétricas passarem pelo corpo, como um arrepio, numa urgência real de proximidade, contato e cuidado. Lembrava-se momentaneamente das vezes em que esteve hospitalizado como queria ser visitado por alguém, e como deixou aquela vontade escondida, porque precisava ser forte, não podia demonstrar que precisava de atenção.
Afinal ninguém nunca ia.
Mas agora é diferente.
Sentou-se sobre a maca com alguma dificuldade, já que não podia apoiar as palmas das mãos para erguer o corpo, em tempo de ouvir as palavras de Sasha que “sentia muito” e o pedido de Didier se “podia” se aproximar.
E mesmo que já tivesse chorado desesperadamente antes, ainda sentia que estava desabando em tristeza. Passou o braço pelo pescoço do namorado abraçando-o, mas se inclinou em direção a Sasha, passando o braço livre na direção do irmão. Abraçando os dois em simultâneo mesmo que fosse uma posição desconfortável.
Não havia dignidade no luto, e para Renaud bastou ter os dois próximo de si, para se entregar mais uma vez a um choro copioso, menos desesperado que o anterior, mas igualmente triste. Precisava muito deles dois, queria estar melhor, mas não estava, e só podia confiar que eles o aceitassem daquele jeito esmigalhado.
