03-27-2022, 04:17 PM
Se fosse fácil entender apenas com palavras, Renaud pularia fora daquele barco de lamentação muito rápido. Mas Didier sabia, na forma mucha e de lágrimas reprimidas do namorado, que embora ele entendesse suas palavras, elas não faziam sentido; ou embora elas fizessem sentido, ele não as entendia. E Didier nem esperava que ele compreendesse tudo, afinal, era um discurso tanto para si mesmo quanto para o moreno, e o próprio professador daquelas palavras não as entendia em sua totalidade. Bem dizer, o sentimento complicado que havia ali mesmo perdurando por tanto tempo, causado pelos atritos familiares entre mãe e filho, eram mais do que podiam ser mentalizados. Tinham se convertido em algo que corria pelas veias de Renaud e Didier, faziam parte integral de cada coisa que faziam e corriam com o sangue que os movia.
Didier partilhava aquelas lágrimas com Renaud, mas não esperava dele uma resposta em palavras, embora ele tentasse em vão organizar os pensamentos em algo lógico, nem que fosse para fazer sentido pra ele.
- Sí. Hablamaremos... pero también estaré para escuchar... cuando lo necesites... – Didier respondeu, aceitando silenciosamente o perdão de Renaud por suas palavras duras naquele momento. Apesar de saber que eram palavras erradas, não se arrependia de nada que tinha dito, o que era raro considerando sua impulsividade.
Sasha não entendeu muito das palavras de Didier, mas sentia que ele estava oferecendo seu apoio. Tinha uma coisa positiva nos dois estarem juntos ao menos: eles tinham certa cumplicidade e entendimento mútuo que Sasha não partilhava dos anos que não esteve com Renaud. Era bom que Renaud tivesse alguém que o entendia melhor naquele momento. Mesmo assim, ofereceu sua mão ao irmão e deixou que ele levasse ambas ao rosto, observando aqueles traços vagos da figura que conhecia e que precisava de tanto mais tempo para se curar agora.
Como ele mesmo disse, não havia razão para esperar dignidade frente a dor. O que ele precisava mesmo era sentir todas aquelas emoções e as que viriam depois. Na verdade, para Sasha, achava que talvez as palavras de Renaud fossem um tanto mau aplicadas.
- Menino, não tem nada mais digno que se permitir sentir essa dor... e a gente vai estar aqui com você, tá? Hoje, amanhã, enquanto doer... e até depois disso. – o moreno comentou, dando um tapinha suave no rosto de Renaud e outro nas costas de Didier, mas deixando Renaud ficar com sua mão como bem queria.
Didier até ficaria indignado com o tapinha amigo casual de Sasha, mas apenas olhou atravessado para o cadeirante um instante e abraçou Renaud, encostando o rosto na cabeça dele, apertando-o firme. Não havia muito mais o que dizer ou fazer ali, a não ser esperar o tempo que conseguissem com ele, até a hora dele ir encontrar com o doutor, ou talvez a própria família. Pelo menos queriam ambos garantir que ele entendia que não estava sozinho ali, e isso, imaginavam, que Renaud sabia.
[E aí, Mari? Encerra aqui?]
Didier partilhava aquelas lágrimas com Renaud, mas não esperava dele uma resposta em palavras, embora ele tentasse em vão organizar os pensamentos em algo lógico, nem que fosse para fazer sentido pra ele.
- Sí. Hablamaremos... pero también estaré para escuchar... cuando lo necesites... – Didier respondeu, aceitando silenciosamente o perdão de Renaud por suas palavras duras naquele momento. Apesar de saber que eram palavras erradas, não se arrependia de nada que tinha dito, o que era raro considerando sua impulsividade.
Sasha não entendeu muito das palavras de Didier, mas sentia que ele estava oferecendo seu apoio. Tinha uma coisa positiva nos dois estarem juntos ao menos: eles tinham certa cumplicidade e entendimento mútuo que Sasha não partilhava dos anos que não esteve com Renaud. Era bom que Renaud tivesse alguém que o entendia melhor naquele momento. Mesmo assim, ofereceu sua mão ao irmão e deixou que ele levasse ambas ao rosto, observando aqueles traços vagos da figura que conhecia e que precisava de tanto mais tempo para se curar agora.
Como ele mesmo disse, não havia razão para esperar dignidade frente a dor. O que ele precisava mesmo era sentir todas aquelas emoções e as que viriam depois. Na verdade, para Sasha, achava que talvez as palavras de Renaud fossem um tanto mau aplicadas.
- Menino, não tem nada mais digno que se permitir sentir essa dor... e a gente vai estar aqui com você, tá? Hoje, amanhã, enquanto doer... e até depois disso. – o moreno comentou, dando um tapinha suave no rosto de Renaud e outro nas costas de Didier, mas deixando Renaud ficar com sua mão como bem queria.
Didier até ficaria indignado com o tapinha amigo casual de Sasha, mas apenas olhou atravessado para o cadeirante um instante e abraçou Renaud, encostando o rosto na cabeça dele, apertando-o firme. Não havia muito mais o que dizer ou fazer ali, a não ser esperar o tempo que conseguissem com ele, até a hora dele ir encontrar com o doutor, ou talvez a própria família. Pelo menos queriam ambos garantir que ele entendia que não estava sozinho ali, e isso, imaginavam, que Renaud sabia.
[E aí, Mari? Encerra aqui?]
